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segunda-feira, julho 15, 2013

Antevisão: R.I.P.D.


Aventura sobrenatural a três dimensões em tom de comédia de acção, "R.I.P.D" é um acrónimo para "Rest in Piece Department", nada mais nada menos que o nome do departamento policial para o qual o... falecido detective Nick Walker (Ryan Reynolds) vai trabalhar após uma morte inesperada. Proteger e servir os vivos continua então a ser o seu lema, já que comandado pelo veterano Roy Pulsifer (Jeff Bridges), Nick vai proteger o seu antigo mundo de várias almas destruidoras que não aceitam lá muito bem a transição para este outro lado do limbo. Estes espíritos monstruosos estão muitas vezes disfarçados de pessoas normais e pouco tardará até à dupla descobrir uma conspiração destes defuntos criminosos para terminar com a vida como a conhecemos no nosso querido planeta dos vivos. Não vai restar outra hipótese a Walker e Pulsifer que não restaurar o equilíbrio cósmico no universo e evitar assim um apocalipse entre os vivos.

Por mais que se tente evitar, seria uma ilusão escapar à comparação mais do que óbvia que todos usaram quando saiu o primeiro trailer de "R.I.P.D": o filme de Robert Schwentke ("Red") é uma mistura descarada de dois históricos blockbusters do cinema norte-americano; falamos, claro, de "Men in Black" e de "Ghostbusters". Diversão não deverá portanto faltar ao espectador, ainda para mais com Jeff Bridges a parodiar o seu papel e estilo em "True Grit", numa adaptação de uma banda-desenhada relativamente desconhecida que foi lançada pelo primeira vez em 1999. Na química entre o velho e resmungão e o bonito e inexperiente, certamente não irão faltar uma mão cheia de momentos para soltar umas gargalhadas e justificar uma ida ao cinema.

sábado, junho 29, 2013

Antevisão - Low Winter Sun


Muitos já lhe apelidam como a nova "Breaking Bad". A razão é simples: "Low Winter Sun" é a aposta da AMC para suceder à bem amada série onde Walter White fez história - e outras substâncias que para aqui não são chamadas - e conta com um dos mais talentosos actores britânicos da sua geração, nada mais nada menos do que o portentoso Mark Strong, tantas vezes vilão brilhante em produções cinematográficas recentes. Remake de uma minissérie inglesa de 2006, Strong volta a interpretar um papel que já foi seu nessa altura, o do polícia Frank Agnew, mas desta vez com outro sotaque, já que é a norte-americana Detroit que serve de pano de fundo à narrativa sobre um crime aparentemente perfeito - o de um polícia corrupto às mãos de Agnew e do seu parceiro interpretado por Lennie James ("Jericho"). Para já, dez episódios encomendados para uma primeira temporada que estreia já no próximo dia 11 de Agosto nos Estados Unidos da América. A grande questão no momento será saber se a AMC conseguirá esticar a minissérie original para um produto televisivo de várias temporadas, sem que isso a prejudique na sua essência. Ainda assim, entretenimento obrigatório para o parado mês de Agosto.

segunda-feira, maio 20, 2013

Antevisão: Behind the Candelabra


Depois de vinte e cinco filmes espalhados por quatro décadas diferentes, Steven Soderbergh traz-nos aquele que será, supostamente, o seu último trabalho antes de um longo interregno. Sem sorte entre as distribuidoras, "Behind the Candelabra" terá a sua estreia em sala durante o Festival de Cannes, para no dia 26 de Maio estrear na televisão por cabo norte-americana (HBO). Biografia do mais conhecido amante e companheiro do polémico pianista Liberace - interpretado por um irreconhecível Michael Douglas -, música, banhos de espuma, cirurgias plásticas, sexo e drogas juntam-se num cocktail que promete ser tão intenso quanto a vida daquele que chegou a ser o artista mais bem pago do mundo e que acabaria por falecer em 1987 devido a complicações relacionadas com o facto de ser seropositivo.

Nota: antevisão originalmente publicada na Take 30 - Cannes D'Or

sábado, outubro 16, 2010

Antevisão: Machete


Gajas, balas, facas e sangue, muito sangue”. Não foram precisas muitas palavras para Danny Trejo, ex-recluso, agora estrela esquecida e quase sempre ignorada do cinema de acção independente norte-americano descrever "Machete", filme há muito anunciado e que nasceu de um mock trailer que Robert Rodriguez elaborou para o díptico "Grindhouse", já lá vão três anos. “Ele despacha os mauzões e conquista as mulheres”, afirma Trejo orgulhosamente sobre a sua personagem. Quando lhe perguntam qual foi o melhor momento das filmagens, não hesita nem por um segundo: “sem dúvida alguma as cenas em que beijei a Jessica Alba; fi-lo oito vezes… é tão bonita que por ela faria horas extras sem qualquer problema!”. Lá diz o ditado que quem diz a verdade não merece castigo… mas duvidamos que Michelle Rodriguez, outro dos romances do ex-agente federal mexicano na fita fique lá muito contente por não ter sido mencionada.

Como já perceberam, em "Machete" Robert Rodriguez juntou um elenco repleto de pesos pesados de Hollywood. Além dos já referidos Trejo, Alba e Rodriguez, o realizador texano convenceu ainda Robert de Niro, Steven Seagal, Don Johnson, Jeff Fahey, Cheech Marin e a polémica Lindsay Lohan a participarem naquele que, segundo as primeiras críticas internacionais, é o culminar do estilo único de um realizador extravagante, que entre altos ("Sin City" ou "Desperado") e baixos ("Spy Kids" ou "Once Upon a Time in Mexico") continua a convencer os estúdios e as produtoras de que é uma aposta segura no que toca à relação custo-proveito.

De senadores corruptos, a assassinos impiedosos, sem esquecer a freira fatal ou o padre pistoleiro, "Machete" será certamente um filme divertido e imperdível para todos aqueles que dispensam uma trama muito séria e contentam-se pura e simplesmente com cenas de acção tão exóticas como utópicas, violência q.b. e sex appeal suficiente para causar alguma inveja ao espectador de um homem tão sórdido como Trejo safar-se à “grande e à francesa” com o sexo oposto. Para os outros, diz o agora filósofo budista… Steven Seagal que existem “contornos políticos, raciais e sociológicos importantes nesta obra de Rodriguez”. Sim, claro.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Antevisão: Hot Tube Time Machine


As palavras de ordem da crítica internacional são cativantes e praticamente unânimes: "Hot Tube Time Machine" é a comédia mais divertida a estrear desde "A Ressaca". Desta vez, quatro amigos de infância não viajam até Las Vegas para uma despedida de solteiro inesquecível, mas sim no tempo, saltando de 2010 para 1986 graças a uma banheira de hidromassagem, no mínimo, especial. Para desfrutar, o melhor é mesmo esquecer todos os conceitos sobre o contínuo espacio-temporal do universo de Galileu e Einstein que possam ter aprendido a certa altura das vossas vidas. Realizado por Steve Pink, que tem em "Admitido" - uma comédia de 2006 sobre um grupo de adolescentes que decide criar a sua própria universidade, num dos primeiros papéis principais do agora em voga Justin Long – a sua única experiência directorial na mesma indústria onde dá nas vistas enquanto produtor (o recentemente estreado "Knight and Day", por exemplo) e guionista ("Alta Fidelidade", também com John Cusack), o engraçado trailer da fita dá também ele a entender que temos mais um êxito cómico em vista nas salas nacionais.

Com um forte e rotinado elenco no género, onde se destacam nomes como John Cusack, Rob Corddry (o hilariante e famoso correspondente do "The Daily Show" de John Stewart), Craig Robinson (uma das estrelas da versão americana de "A Empresa"), Chevy Chase ou Crispin Glover, a narrativa de "Hot Tube Time Machine" promete explorar ao máximo o choque cultural e tecnológico de quatro homens numa era onde não há telemóvel nem e-mail para combinar um segundo encontro com uma brasa qualquer – o qualquer é propositado, já que pelos vistos calhará nesta rifa a mãe de uma das personagens - e onde Michael Jackson ainda era negro. Analiticamente, passaram “apenas” vinte e quatro anos, um quarto de século, com sorte, um quarto do tempo das suas vidas. Mas as diferenças no quotidiano da população são brutais e os viajantes temporais terão que se adaptar da melhor maneira a elas. E, pelo meio, talvez tenham tempo para inventar o Ipod, o Viagra ou qualquer outro produto ainda inimaginável na década de oitenta.

Por fim, destaque apenas para a presença de Lyndsy Marie Fonseca, uma jovem actriz norte-americana, de descendência portuguesa, tal como o nome indica, que começa a brilhar intensamente em Hollywood. Depois de dar nas vistas em "Kick-Ass – O Novo Super-Herói", ou em séries televisivas de grande sucesso como "Donas de Casa Desesperadas" ou "Big Love", Lindsy é uma das promessas mais consistentes da nova geração de actores em Hollywood.

NDR: "Jacuzzi - O Desastre do Tempo" ?!?

terça-feira, setembro 07, 2010

Antevisão: Piché - Entre Ciel et Terre


A 24 de Agosto de 2001, o voo 236 da Air Transat tencionava fazer uma viagem calma e rotineira entre Toronto, no Canadá, e Lisboa. Com 306 pessoas a bordo, muitas delas portuguesas, a pouco mais de meio caminho o experiente Comandante Robert Piché depara-se com um problema grave e inesperado: uma fuga severa de combustível, que fará com que ambos os motores do A330 fiquem inutilizáveis. Obrigados a declarar emergência e a divergir da sua rota, são avisados pelos controladores de tráfego aéreo nacionais que o aeroporto mais próximo é o das Lajes, na Terceira... a 300 kms. O que se segue é a história do avião comercial que mais tempo planou sem qualquer motor a funcionar (19 minutos), e que conseguiu aterrar sem custar uma única vida humana. Herói ou vilão - a investigação determinou que Piché poderia ter actuado de forma a evitar a total perca de combustível -, Piché não foi mais o mesmo desde o dia em que alcançou o impossível. Do álcool à luta contra os que o acusavam de incompetência na análise da falha técnica, ao mesmo tempo que o aplaudiam por uma aterragem épica, a mais 130 km/h do que um avião em condições normais faria, chega agora o filme biográfico com Michel Côté no papel principal. Apesar da relação óbvia da narrativa com Portugal, sabemos que dificilmente "Piché - Entre Ciel et Terre" chegará a terras lusas, pelo que estaremos atentos à Amazon. Por enquanto, nada como ler o relato recente e emocionante de um dos passageiros para perceber tudo o que se passou.

segunda-feira, junho 07, 2010

Antevisão: When in Rome


Beth (Kristen Bell), uma das mais conceituadas curadoras de arte do Guggenheim nova-iorquino, chegou a uma altura da sua vida em que o amor, aquele que é ferida que arde mas não se vê, parece ser um luxo tão supérfluo que não merece sequer especial atenção. Anos e anos à espera do príncipe encantado perfeito tornaram-na uma eterna solteira, mais dedicada a uma carreira de sucesso do que a uma vida de paixões. Até ao dia em que se desloca a Roma para marcar presença no impulsivo casamento da sua irmã, e que, aproveitando uma visita à “fonte do amor” – claramente inspirada na original Fontana di Trevi, símbolo barroco da capital italiana e, porque não, do “Dolce Vita” de Federico Fellini – decide retirar algumas moedas do fundo da fonte. Pois bem, como que por feitiço (ou sortilégio), – ou não fosse essa a magia do cinema, em prol de um argumento que renda nas bilheteiras – começa quase instantaneamente a ser perseguida por uma quadrilha de homens inexplicavelmente apaixonados. O único problema é que do “bando” faz parte um magnata de metro e meio (Danny DeVito), um mágico de rua um pouco para o desleixado (Jon Heder), um pintor (Will Arnett) e um modelo masculino absolutamente narcisista (Dax Shepard). A estes cromos, dignos de uma qualquer caderneta rara de Hollywood, junta-se um jornalista (Josh Duhamel) que tenta provar a Beth que o seu amor por ela é muito mais do que uma façanha de feitiçaria.

Para orquestrar o regresso da Disney às comédias de carne e osso, depois do sucesso internacional nas bilheteiras que obteve o ano passado com “Old Dogs”, o escolhido foi Mark Steven Johnson, o realizador responsável pelas adaptações cinematográficas das bandas-desenhadas “Daredevil” e “Ghost Writer”. Mais apupado do que aplaudido nestas duas primeiras experiências, Johnson volta agora a um género no qual triunfou enquanto guionista, ou não fosse ele o escritor por detrás do clássico “Grumpy Old Men” - e respectiva sequela - ou do familiar “Jack Frost”. Com um elenco respeitável que conjuga alguns valores reconhecidos no género como DeVito ou Heder, é no entanto na parelha principal que recaem as atenções, apostando a Disney na popularidade de Kristen Bell e de Josh Duhamel para conquistar, uma vez mais, os bolsos dos cinéfilos dos oito aos oitenta. Independentemente do provável resultado artístico da fita, esta é uma oportunidade de ouro para rever a estonteante Veronica Mars, enquanto a tão aguardada adaptação à grande tela da série que a lançou para o estrelato não passa dos blocos de notas de Rob Thomas para os estúdios.

domingo, dezembro 06, 2009

Antevisão: Ninja Assassin


Ninja Assassin” narra a história de Raizo, um dos mais mortais assassinos do planeta. Salvo – ou condenado? - de uma vida nas ruas enquanto criança, Raizo foi recrutado pelo clã Ozunu ( cuja existência muitos julgam não passar de um mito), que o transformaram ao longo da sua infância e juventude numa autêntica máquina de guerra. Mas quando o clã executa o seu melhor amigo, Raizo decide abandonar os Ozunu e desaparecer. Ou, pelo menos, fazê-lo até planear uma vingança impiedosa.

O título da obra, por si só, é capaz de levar muito boa gente ao cinema. A equipa por detrás do filme assegura, definitivamente, que a ida não será em vão. O regresso do australiano James McTeigue à realização, depois da bombástica estreia na função em “V for Vendetta”, garante e certifica motivos mais do que suficientes para a curiosidade e as expectativas de qualquer cinéfilo estarem, neste momento, em alta. Se ao “aussie” juntarmos o “gang” responsável pelos efeitos especiais de clássicos recentes da ficção científica como “The Matrix” – falamos de Joel Silver e John Gaeta, por exemplo -, não há dúvidas que, mesmo que o filme falhe enquanto narrativa sólida e inteligente, dificilmente desiludirá ao nível técnico e artístico.

E quando é que foi a última vez que fomos presenteados com um bom filme de ninjas? Talvez nos anos setenta, quando a epidemia Kung Fu atorduou os Estados Unidos da América e provocou um sem número de mutações estilísticas na cinematografia norte-americana. Poderá este ser o pontapé de saída para uma nova década dedicada ao “universo” japonês, desta vez com adaptações baseadas na sua “mais que tudo” anime? Os vários projectos em carteira em Hollywood parecem indicar que sim. O sucesso de “Ninja Assassin” poderá ditar o futuro de todos os outros.

Por outro lado, temos Rain, o actor que dá vida a Raizo. Estrela pop na sua Coreia do Sul, a sua experiência cinematográfica não augura uma interpretação de bradar aos céus. Mas será essa fundamental? O trailer parece indicar que não. Acima de tudo, parece bastar muita apetência para as artes marciais, flexibilidade e um corpanzil trabalhado de acordo com o historial da personagem. Se McTeigue fizer o que lhe compete da maneira que melhor sabe, Rain nem precisará de abrir a boca por uma única vez para nos conquistar nos nossos lugares.

domingo, novembro 29, 2009

Antevisão: Sherlock Holmes


A personagem mais famosa de Arthur Conan Doyle está de volta à ribalta, naquela que tudo indica será uma reinvenção ousada, divertida e complexa do detective britânico Sherlock Holmes e do seu fiel parceiro Watson. Ícone de gerações, o detective mais famoso do mundo irá aparentemente mostrar na tela de cinema dotes físicos tão excêntricos e eficazes como a sua brilhante inteligência, sempre atenta ao mais pequeno dos detalhes. Baseada num livro de banda desenhada ainda por publicar de Lionel Wigram – apostamos que sairá quase ao mesmo tempo que o filme -, a história da película do também britânico Guy Ritchie irá colocar Holmes e Watson numa batalha contra uma conspiração diabólica que poderá destruir o Reino Unido de norte a sul.

Muitos certamente não saberão, mas Sherlock Holmes é a personagem fictícia mais interpretada na história da indústria televisiva e cinematográfica mundial. Quem o diz é o livro do Guinness, que aponta para mais de setenta actores em cerca de duzentos filmes e séries de televisão. No entanto, certamente nunca nenhum actor o terá feito com o enquadramento que Robert Downey Jr. viu-se obrigado a transportar para o famoso detective. Além deste factor representar um sinal claro de originalidade e uma abordagem agradavelmente inesperada, certamente que o resultado da curiosidade de milhões de admiradores das “short stories” de Doyle significará muitos mais milhões nas bilheteiras de todo o mundo. Sim, porque Holmes é uma personagem cujas aventuras literárias quebraram fronteiras.

Mas será esta minha reacção de satisfação consensual? Obviamente que não. Um pouco por todo o lado, fãs da personagem acusam Ritchie de blasfémia. Ver Holmes de peito à mostra, ensanguentado, a correr entre explosões, certamente que não poderia agradar a gregos e troianos. “Não é essa a sua natureza”, diz a maioria. Mas não será mesmo?

Uma leitura atenta e cuidada a todas as obras de Holmes escritas por Doyle descrevem um detective adepto do boxe, mestre em várias artes marciais e especialista em lutas de espadas. Porque temos quase todos então uma imagem de Holmes vestido com um sobretudo, calmo e sereno, de cachimbo na boca e que, quanto muito, andará a cavalo na sua mais louca investigação? A resposta parece-me estar nas tais centenas de adaptações cinematográficas e televisivas que o rotularam dessa maneira. Por isso, e seguindo a audácia de Holmes, resta afirmar: elementar, caro Ritchie.

terça-feira, outubro 27, 2009

Antevisão: 2012


Há sinopses que, em poucas palavras, conseguem mesmo resumir todo um filme. Eis a de “2012”: segundo o calendário da civilização Maya, a Terra acaba no dia 21 de Dezembro do ano de 2012 – isto, claro, se associarmos o fim do calendário ao fim do planeta. Mito? Talvez seja, mas para o alemão Roland Emmerich esta é apenas mais uma oportunidade de ouro para fazer o que sabe fazer melhor: filmes sobre catástrofes ao nível planetário. Não haja dúvidas: Emmerich, quer goste-se ou não do que faz, é o pai dos assim chamados “Disaster Movies” – sendo que o já falecido Irwin Allen será o avô. Obras como “Independence Day”, “The Day After Tomorrow”, “Godzilla” ou o mais recente “10,000 BC” provam que o talento e a capacidade do realizador alemão para mostrar o impossível não tem limites. Em “2012”, certamente não haverá vulcão, tremor de terra, asteróide ou furacão suficientemente temível que não tenha espaço na fita da Columbia Pictures.

Daí que não seja de estranhar que na guerra dos estúdios pela compra dos direitos, a Sony – detentora da Columbia – não tenha hesitado em oferecer a Emmerich um orçamento de 200 milhões de dólares. Para fazer o quê? Bem, uma mistura de todos os filmes que existem sobre cataclismos globais, sem esquecer as regras do jogo do género: focar toda a narrativa nos esforços de um herói – neste caso, a personagem interpretada por John Cusack. Poderá ele fazer algo pela humanidade ou pura e simplesmente por aqueles que ama? Não sabemos mas, pelo que vimos dos trailers, algo é certo: o apocalipse não está guardado para o final e boa parte do filme será um “salve-se quem puder” à dimensão global.

Será que “2012”, tal como Emmerich tem vindo a prometer em várias entrevistas, terá algum condimento dramático especial que o diferencie dos tradicionais blockbusters de Verão? A alteração da sua data de estreia original, de Maio para o final do ano, pode dar a entender que sim. Ou então, ser apenas uma jogada de psicologia inversa, camuflada no mais doentio marketing cinematográfico. Dê no que der, para este cinéfilo basta-lhe uma boa razão para não perder “2012”, aconteça o que acontecer: Amanda Peet. Ainda longe do estrelato que merece, Peet é não só uma das actrizes mais bonitas e simpáticas da sua geração, como uma das mais talentosas. “2012” dificilmente será um filme para prémios de interpretação, mas é um daqueles cocktails explosivos de exposição e mediatização para qualquer membro do elenco. E o regresso de Cusack ao “mainstream”, depois de várias experiências positivas no cinema independente, será também certamente um atractivo para milhares de espectadores. Milhares que vão gerar milhões.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Antevisão: Jennifer's Body


“Hora e meia de Megan Fox? Ainda por cima como beldade adolescente com queda cheerleader para saias curtas? Estamos dentro!”, certamente pensarão milhares, senão milhões de cinéfilos e adolescentes em todo o mundo, que conjuntamente com um pacote de pipocas não precisam de mais uma única razão para dar um salto ao cinema e escolher a sala que tenha o filme da nova-iorquina Karyn Kusama, naquela que é a sua terceira experiência na cadeira de realizadora. E, seguindo o rumo que a catapultou na indústria – sem nunca convencer totalmente, no entanto -, Kusama volta a apostar em focar o enredo de uma fita sua numa personagem dominante feminina. Desta vez a fava calhou a Megan Fox, depois de Michelle Rodriguez o ter feito na estreia da realizadora em “Girlfight” (2000) e Charlize Theron ter interpretado a heroína Aeon Flux, no filme com o mesmo nome em 2005.

Mas a verdade é que há um nome muito maior do que o de Karyn Kusama a despoletar interesse em redor de “O Corpo de Jennifer” (tradução destinada a todos aqueles que criticam a liberdade e autonomia imaginativa dos responsáveis pelos títulos nacionais): Diablo Cody, a eterna ex-stripper. No seu primeiro guião cinematográfico depois da premiada com um Óscar e muito aplaudida estreia em “Juno”, a jovem escritora poderá dar aqui um passo na sua afirmação enquanto arquitecta de diálogos fabulosos, repletos daquelas referências pop que os cinéfilos tantos gostam, e dona e senhora de uma postura revigorante, que poderá abrir novas portas e criar outros horizontes nas cada vez mais gastas e repetidas fórmulas cómicas de Hollywood. O trailer não promete nada disto, mas a esperança será sempre a última a morrer.

E tem razões para isso. Nada que envolva a voluptuosa – e, porque não, promissora – Megan Fox possuída por um demónio pode ser assim tão mau. É que a minha admiração por Fox não se restringe às suas curvas perfeitas ou olhar arrasador: Megan não liga ao seu estatuto de estrela e gosta sempre de chamar os bois pelos nomes – e Michael Bay que o diga, bem recentemente. Ao ponto de, numa entrevista, não ter tido problemas em dizer que não suporta o ar falso da Scarlett Johansson. Esses poucos segundos foram suficientes para assegurar-lhe o meu amor eterno. E, consequentemente, uma antevisão positiva neste espaço.

terça-feira, julho 14, 2009

Antevisão: Public Enemies


Um dos mais conceituados realizadores da indústria e dois actores de inegável talento adorados pelo público e pelas bilheteiras – falo, obviamente, de Depp e Bale – juntos num filme sobre mafiosos na década de trinta, altura em que rebentou nos Estados Unidos da América uma das mais graves ondas de crime da sua história. Na narrativa de Mann – acumula o guião à realização -, Bale é Melvin Purvis, um agente do FBI que persegue o mais famoso assaltante de bancos da época, John Dillinger (Depp), ele que revolucionou as famosas listas dos mais procurados do Bureau. A recentemente oscarizada Marion Cotillard assegura a habitual intriga amorosa da fita.

É uma das tendências recentes no cinema: o Verão já não pertence aos blockbusters per si, mas a Christian Bale. O ano passado com "The Dark Knight", este ano com "Terminator: Salvation" e este "Public Enemies". O actor que começou em criança com "Empire of the Sun" é, hoje, um dos nomes maiores de Hollywood e garantia de qualidade e retorno de investimento. O mesmo se pode dizer de Johnny Depp. A semelhança entre as carreiras de ambos é, aliás, evidente. Ambos começaram muito jovens no meio e construíram, alternando papéis artísticos e independentes com outros claramente comerciais, um estatuto de culto em volta da sua versatilidade interpretativa – tanto conseguem ser os maus da fita como os heróis com a mesma facilidade. Isto tudo sem terem precisado de conquistar um único galardão de renome.

Michael Mann, por sua vez, é o homem certo para protagonizar estes encontros de titãs na tela. Tal como o fez brilhantemente nos anos noventa com De Niro e Al Pacino – não serão Bale e Depp a dupla equivalente deste início de século?!? -, o multi-premiado realizador norte-americano é um dos mais exímios e equilibrados executantes de acção – a sua zona de conforto. Prova disso é que raramente deixa esta sobrepor-se ao argumento, usando-a como catalisador de emoções e reacções e não como resultado do esgotamento destas. O que faz é sempre respeitado pela crítica, mesmo que a bilheteira e as pipocas não o façam. Além disso, deve ser um dos realizadores com a maior quota de actores por filme nomeados para Óscares em Hollywood. Apenas mais uma prova de que os seus filmes são muito mais do que uma chuva de explosões e efeitos especiais. Obrigatório.

terça-feira, junho 02, 2009

Contraluz


Site Oficial & Primeiro Trailer

Poderá muito bem ser o passo definitivo para a internacionalização e afirmação do cinema português no mercado norte-americano. E, não sei porquê, cheira-me que este próximo filme de Fernando Fragata vai acabar por ter estreia absoluta lá para Janeiro do próximo ano. É o conhecido "efeito Sundance". Já agora, segundo informações que circulam na internet, os direitos do último filme de Fragata, "Sorte Nula", foram adquiridos pela americana Mutual Film Company. Boas notícias que, estranhamente, não estão a ter qualquer eco na comunicação social portuguesa.

segunda-feira, março 23, 2009

Antevisão: Up


Ao que tudo indica, “Up” será uma comédia sobre Carl Fredricksen, um vendedor de balões de setenta e oito anos que finalmente realiza um dos seus mais antigos sonhos, quando decide prender milhares e milhares de balões à sua casa e viajar sobre o continente sul-americano. Infelizmente, não sabia ele que o maior dos seus pesadelos também fazia parte da viagem: Russell, um miúdo de oito anos de idade demasiado optimista para o gosto de Carl. Uma sinopse tão apelativa como irreal, só possível de acordo com um mundo de impossibilidades infinitas como o é o da animação.

Com o selo de qualidade da Pixar – que domina actualmente o sector a todos os níveis -, “Up” será certamente o décimo sucesso consecutivo dos estúdios de animação norte-americanos. Haverá segredo ou porção mágica para tal façanha? A resposta é simples e não tem nada que enganar; John Lasseter e companhia provam fita após fita que a sua criatividade não tem limites, orquestrando obras sofisticadas para todas as idades, respeitando a audiência e, conseguindo assim, transformar as animações da Pixar em clássicos que certamente serão relembrados por muitas gerações. Contratando os melhores entre os melhores e fornecendo-lhes a melhor tecnologia e as melhores condições de trabalho do mercado, a Pixar dá tempo ao tempo – deixando as ideias amadurecerem - e não entra em automatismos que conduzam a obrigações financeiras de rápido encaixe. Ao não sentir a necessidade de produzir várias fitas por ano, os homens de Lasseter concentram-se e dão o seu melhor em cada uma das obras-de-arte.

Depois de um ano onde “Wall-e” foi rei e senhor, “Up” promete voltar à carga nos principais prémios da indústria. Será um idoso um herói improvável? Claro, como também o foram um rato numa cozinha e um robô em miniatura destinado a limpar todo um planeta. Na segunda fita da Pixar com humanos como personagens principais – a primeira foi “The Incredibles” -, será o veterano Edward Asner – que ainda hoje detém o recorde masculino de prémios Emmy na prateleira de casa (sete) – que dará voz ao senhor Fredricksen. O desconhecido Jordan Nagai ficará encarregue da locução da personagem mais nova. Inspirados nas obras de Hiyao Miyazaki, os realizadores Pete Docter (“Monsters, Inc.”) e Bob Peterson certamente justificarão em cada segundo de animação os seis anos que demoraram a trazer “Up”, o primeiro filme 3D da Pixar, até nós.

quinta-feira, março 19, 2009

Antevisão: Knowing


Alex Proyas é conhecido por ser um visionário e um homem apaixonado pela transposição para o cinema de apocalipses humanos e planetários. Nesta sua nova obra, a primeira após “I, Robot”, o realizador natural do Egipto explora uma narrativa que envolve um professor (Nicolas Cage) que tenta evitar que futuras calamidades globais aconteçam, à medida que interpreta e resolve combinações numéricas, descobertas numa cápsula enterrada durante décadas na escola do filho. Destinado inicialmente a Proyas, este foi, no entanto, um guião que andou a saltitar entre realizadores durante cerca de dez anos. Entre Richard Kelly ("Donnie Darko") e Rod Lurie ("The Last Castle"), a verdade é que foi Proyas que acabou por ficar com o projecto, mesmo depois de o ter recusado à partida. Longe de ser um realizador de massas, o homem que trouxe ao mundo clássicos de culto como “The Crow” ou “Dark City” costuma deixar uma marca muito própria em tudo o que toca. De preferência, sem a influência dos estúdios – como aconteceu na adaptação da obra de Isaac Asimov.

Nicolas Cage, por seu turno, é um dos enigmas mais curiosos de Hollywood. Homem de várias identidades e múltiplos talentos – sendo, no entanto, o género de acção o que mais fama lhe trouxe -, a sua carreira tem sofrido mais oscilações do que outra qualquer. Do brilhantismo de “The Rock”, “Lord of War”, “Adaptation”, “Leaving Las Vegas” ou “Face/Off” aos desastrosos “Next”, “The Wicker Man” ou “Ghost Rider”, Cage deve ter sido dos poucos actores da indústria a tanto triunfar, como cair em desgraça, em todos os géneros cinematográficos possíveis e imaginários. Será este “Knowing” mais um prego para o caixão? Acreditamos que não. Ao contrário de “I, Robot”, “Knowing” não pertence a nenhum grande estúdio de Hollywood. Proyas não terá essa prejudicial influência e, assim, poderá fazer da história o que bem lhe apetecer. Aliás, a Summit Entertainment – que comprou os direitos à Columbia e convenceu Proyas a voltar ao projecto – é um pequeno estúdio independente responsável por filmes como “Memento”, “Requiem for a Dream”, “Lock, Stock and Two Smoking Barrels”, bem como “The Crow”, do próprio Proyas.

Há, inditosamente, uma forte contrapartida: “Knowing” é mais um filme apocalíptico, entre as centenas que já existem e que, recentemente, não têm deixado boa impressão nas audiências. A estrear depois de “The Day the Earth Stood Still” e antes de “2012”, de Roland Emmerich, esse poderá ser um fardo demasiado pesado para a conquista das bilheteiras.

sábado, dezembro 20, 2008

Antevisão: Valkyrie


Baseado em acontecimentos verídicos, “Valkyrie” narra a história de um grupo de generais alemães que planeiam o assassinato de Hitler durante o seu apogeu na Segunda Guerra Mundial. Tom Cruise, cada vez mais selectivo nos papéis que aceita, e actualmente a comemorar vinte e cinco anos de carreira enquanto protagonista – estreou-se num papel principal em 1983 com “Risky Business”, do desaparecido Paul Brickman - agarra neste drama histórico o papel de Claus von Stauffenberg, o general que recusou aceitar o dogma nazi e liderou a conspiração. Símbolo na Alemanha pós-guerra – Stauffenberg foi desde aí considerado o único herói de uma era de vilões -, esta é a primeira vez que a sua história é internacionalizada a nível cinematográfico, depois de inúmeros livros e documentários europeus dedicados ao homem que deu a vida por todos os que injustamente eram ostracizados por uma ideologia totalitária e exacerbada.

Realizado por Bryan Singer, o mesmo de “The Usual Suspects”, “X-Men” e “Superman Returns”, as primeiras análises que surgem online de “Valkyrie” sugerem que se trata mais de uma obra política, no seguimento do estilo de narrativa de “Lions for Lambs” do que de um thriller, tal como o trailer sugere. Com um elenco de peso a acompanhar Cruise, do qual se destacam os veteranos Bill Nighy e Tom Wilkinson, um dos orçamentos mais elevados do ano e uma história que envolve um general zarolho sem sete dedos nas mãos que planeia mandar pelos ares um dos mais desprezíveis ditadores da história do nosso planeta, parecem haver poucas razões para que “Valkyrie” não seja um dos filmes do ano. Principalmente por toda a polémica que envolveu a escolha de Tom Cruise para o papel, devido às suas ligações com a Cientologia, considerada uma disciplina fascista na Alemanha, e que levaram inclusive a que o filho de Stauffenberg proferisse declarações em tom agressivo em relação ao então rumor que ligava o actor ao papel e que o governo germânico entrasse em contacto com a produtora do blockbuster. Mas já nada havia a fazer: Cruise e a sua United Artists entraram com vários milhões para financiar o projecto e o poder passou para as suas mãos. E pode ser que seja esta a sua oportunidade de provar que, apesar de todas as suas maluqueiras, Cruise continua a ser um dos melhores actores da sua geração. Sem qualquer margem de erro.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Antevisão: Yes Man


A interessante premissa faz lembrar, com as devidas distâncias, “Liar Liar”, um dos mais memoráveis êxitos de Jim Carrey nos anos noventa. Desta vez, em vez de estar impossibilitado de mentir, Carrey interpretará uma personagem que garante que conseguirá dizer “sim” a tudo o que lhe desafiarem, durante um ano inteiro. Um teste de fogo que poderá reacender de forma definitiva uma chama intermitente desde a década passada: a da veia cómica inconfundível de Jim Carrey.

Com algumas incursões semi-falhadas no género dramático – à excepção do muito amado “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” -, o actor canadiano nada fez de marcante neste novo milénio, sendo que a situação é agravada quando nem sequer podemos dizer que fez algo “à Jim Carrey” nos últimos anos. Algo inovador no género que o catapultou. Alguns certamente estarão neste momento a refutar as minhas palavras, afirmando que “Bruce Almighty” é um bom filme. Não o desminto nem contradigo, mas o produto final, bom ou mau, resultou do poder de um argumento e de uma ideia forte e não da irascibilidade representativa de Carrey. A genialidade do “actor verde” – alcunha que resulta de papéis como Stanley Ipkiss ou Grinch – foi suprimida pela infinidade de caminhos possíveis tremendamente mais divertidos que poderiam ter sido escolhidos. Mas passado é passado e Carrey, independentemente da sua carreira recente, merece o crédito de uma década onde nos presenteou com filmes únicos como “The Mask”, “Dumb & Dumber”, “The Truman Show” ou “Man on the Moon”.

Baseado na biografia do humorista Danny Wallace, “Yes Man”, ao contrário do já referido “Liar Liar”, não terá qualquer elemento fantasioso no seu guião – ou seja, não será o desejo de uma criança que fará com que Carrey diga sim a tudo e todos. Será sim, como vários admiradores de Seinfeld já referiram, um conceito semelhante ao de um dos mais famosos episódios da série em que George, uma das personagens principais, decide, de um momento para o outro, fazer tudo ao contrário do que costuma fazer. Uma ideia com um potencial cómico de respeito, cujo papel principal parece ter sido criado para o Carrey dos anos noventa. Será que quarenta e seis anos na espinha e uma série de filmes menos conseguidos irão prejudicar a performance daquele que já foi considerado o rei da comédia moderna? Uma pergunta cuja resposta será dada perto do Natal – estratégia habitual nas comédias de Carrey -, num filme assinado por Peyton Reed, o mesmo que realizou os modestos “Bring It On”, “Down With Love” e “The Break-Up”.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Antevisão: "Arte de roubar"... a língua portuguesa?


Rodado em inglês, com actores portugueses e espanhóis, "Arte de roubar" é uma comédia de acção escrita por João Quadros sobre dois amigos, filhos de emigrantes, que fazem do roubo profissão e que acabam por cair numa cilada quando lhes é encomendado o roubo de um quadro Van Gogh. Ivo Canelas e Enrique Arce são a dupla de ladrões, liderando um elenco que inclui ainda Flora Martínez, Nicolau Breyner, Magui Mira, Miguel Borges e Soraia Chaves.

Admitindo ser "fã devoto" do cinema dos irmãos Coen ou de Quentin Tarantino, Leonel Vieira disse que sempre quis fazer este filme, mas foi preciso persistência: "Ninguém quis produzir este filme e a [produtora] Stoplin Filmes foi criada para causa dele", revelou o realizador, sublinhando que o projecto custou cerca de dois milhões de euros e contou com quase um ano de trabalho de pós-produção por conta de efeitos especiais. Lionel Vieira optou por rodar o filme em inglês por uma questão de facilidade de comunicação de um elenco internacional, mas também para melhor projectar a longa-metragem no mercado internacional. [F]

terça-feira, outubro 21, 2008

Antevisão: W.


Bush. George W. Bush. Quadragésimo terceiro Presidente norte-americano e uma das figuras políticas mais controversas da história da Humanidade. A sua vida privada, uma incógnita para muitos. O seu poder e influência nos destinos de um planeta, uma certeza para todos. No ano em que abandona o cargo mais importante à face da Terra, Stone, Oliver Stone, também ele um dos cineastas mais polémicos da indústria, decide orquestrar um filme biográfico sobre Bush. À primeira vista, uma homenagem ao chefe de Estado que enfrentou as consequências e os efeitos do devastador ataque terrorista de Setembro de 2001. Mas nesta equação tão banal como interessante, falta um elemento que faz toda a diferença: Stone é um reconhecido crítico de Bush – tendo mesmo afirmado já em entrevista que este se trata do “pior presidente da história dos Estados Unidos da América” - e prova disso é a sua simpatia por Fidel Castro, uma das espinhas encravadas do Presidente norte-americano, ao qual até já dedicou algumas das suas obras.

Qual será então o resultado final de W.? Um mistério tão grande como o próprio talento de Stone. O trailer e os cartazes promocionais pouco ou nada desvendam que não um tom irónico sobre alguns dos acidentes de percurso mais caricatos de George Bush. A sinopse oficial apenas sugere um período temporal largo, que abrangerá a vida política de Bush desde os seus tempos de Governador até às decisões mais críticas relacionadas com a guerra no Iraque. Venha o que vier, a verdade é que este pode ser o regresso definitivo de Stone aos dias de glória de Assassinos Natos, JFK, Platoon, Wall Street ou Nascido a 4 de Julho. Tudo porque a fita não obteve apoios financeiros de nenhum estúdio, tendo sido produzida pelo próprio realizador, o que implica à partida a ausência de edição politicamente correcta por parte de algum produtor em busca de muitos milhões e pouca controvérsia. Stone é um artista por natureza e não um documentarista. Por isso, a sua visão não tem que ser imparcial e os cinéfilos de todo o mundo agradecem.

Com Josh Brolin no papel de George Bush, Ellen Burstyn como Barbara Bush, Richard Dreyfuss a interpretar Dick Cheney e James Cromwell no lugar de George Bush pai, W. é, sem dúvida alguma, uma das propostas mais ousadas para a recta final de 2008. Quem já teve a oportunidade de ler o guião, diz que a obra fará o ainda Presidente norte-americano passar por um saloio inculto que, caso não fosse filho de quem é, estaria a viver numa caravana algures no meio do Texas. Vai uma aposta que este poderá muito bem ser o primeiro líder de bilheteira com Obama na cadeira do poder?

segunda-feira, setembro 29, 2008

Antevisão: Destruir Depois de Ler


Pelo que o trailer nos oferece, não há dúvidas que Destruir Depois de Ler é a antítese artística do mais recente filme dos conceituados irmãos Coen, "Este País não é para Velhos". Depois da consagração obtida no passado mês de Fevereiro, onde a dupla arrecadou os dois mais importantes galardões da Academia de Hollywood, Ethan e Joel Coen reaproximam-se do estilo descontraído de "O Grande Lebowski" e prometem mais um clássico, naquela que já é uma das carreiras mais impressionantes da Sétima Arte. A premissa da fita recai sobre um disco que contém algumas das informações mais importantes da vida de um agente do CIA, que acaba por ir parar, por descuido da secretária deste, a dois funcionários de um ginásio, que irão fazer tudo e mais alguma coisa para conseguir lucrar com a situação.

Mas o estatuto actual dos Coen é uma faca de dois gumes. A tradição recomenda alguma precaução, já que os irmãos norte-americanos costumam fazer das suas entre sucessos. Filmes como “O Quinteto da Morte” e “Crueldade Intolerável” foram arrasados pela crítica em geral e são exemplos perfeitos do ambiente de suspeição que rodeia, neste momento, “Burn After Reading”. Mas ser “um” Coen tem, dê no que der, as suas inegáveis vantagens: as personagens são sempre muito bem trabalhadas, o enredo inicial costuma deixar a audiência curiosa e os diálogos são, como é imagem de marca da parelha, extremamente inteligentes. E se tivermos em conta que cada personagem foi especialmente pensada de acordo com o actor que a interpreta na fita – uma das maravilhas do guiões originais, cada vez mais rara na indústria -, podemos afirmar com regozijo que “Destruir Depois de Ler” tem todas as condições para ser a mais brilhante comédia dos últimos anos.

Condições que incluem, como é óbvio, o elenco de excepção. À primeira colaboração de Brad Pitt com os Coen – um desejo público de muitos anos do actor -, junta-se um velho cliente da dupla de realizadores: George Clooney. Numa altura em que o próprio alimenta rumores de uma pausa prolongada na sua actividade cinematográfica, este pode muito bem ser o seu último papel durante largos anos. Por enquanto, Clooney não tem mesmo nenhum outro projecto em carteira e por isso queremos acreditar que, sensato como sempre foi no seu percurso, a sua opção pelo filme dos Coen seja a confirmação da chegada de um dos melhores do ano.