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quinta-feira, novembro 08, 2018

Citizen Kane (1941)

Para muitos o melhor filme de sempre - que coisa feia de se dizer -, a verdade é que "Citizen Kane" consegue quase sempre viver bem com as altas expectativas de quem o descobre pela primeira vez. Para quem o revisita, como foi o meu caso esta semana, mantém-se aquele feeling moderno e actualizado de uma obra com quase oitenta anos que moldou-se entre géneros - o mistério de investigação, o biopic, a paródia verité ao jornalismo e o peso do sucesso - e rejeitou uma linha narrativa linear, correndo riscos que resultaram num exemplar único e inteligente de cinema. Audacioso, um muito jovem Orson Welles (com apenas vinte e cinco anos) não quebrou regras; criou-as. Os pontos-de-vista múltiplos a servirem de arcos narrativos, os planos abertos, a sonoplastia inovadora, tudo em busca de uma espécie de MacGuffin imortal tão simples quanto decisivo.

terça-feira, março 27, 2018

Dial M for Murder (1954)

Considerado por muitos - até pelo próprio na célebre entrevista com Truffaut - como um Hitchcock menor, "Chamada para a Morte" é um dos meus favoritos do mestre britânico do suspense. Baseado e montado em torno de uma peça de teatro, a sua cinematografia brilhante e um elenco de excelência liderado pelo galês Ray Milland orquestram uma narrativa de um primor e ritmo ímpar, onde os diálogos - e os planos - fluem de forma desafogada e harmoniosa mesmo estando toda a acção constrangida maioritariamente a uma só sala - daí também a sensação de claustrofobia que catalisa os motivos obscuros de um casal em paz podre e todas as inesperadas pequenas reviravoltas que um plano (quase) perfeito acaba por compelir. Poderia facilmente ter sido uma peça filmada nas mãos de tantos, mas com Hitch tornou-se uma experiência cinemática inesquecível. Uma despachada em pouco mais de um mês, apenas para terminar contrato com a Warner Bros e ficar finalmente livre para a Paramount. Parece fácil.

sábado, julho 29, 2017

Strangers on a Train (1951)

O conceito criminal que serve de mote ao enredo de "O Desconhecido do Norte Expresso" tem Hitchcock soletrado em todas as sílabas daquela inesperada conversa inicial numa viagem de comboio. Não admira, portanto, que o inglês tenha comprado os direitos de adaptação do romance de estreia de Patricia Highsmith assim que o livro ficou disponível; uma troca de crimes entre duas personagens, um homem tão louco quanto hábil, o caos, a chantagem, os diálogos agonizantes de tão umbráticos que são, o final em êxtase, imagine-se lá, num carrossel. Nem tudo é perfeito: o guião perde alguma consistência e torna-se demasiado conceptual na passagem para o terceiro acto; o que era tão complicado e sombrio, rapidamente - e facilmente, já agora - perde a nuvem que o ameaçava. Ainda assim, uma obra repleta do talento e de várias imagens de marca de Hitchcock, naquele que foi o último papel - e que papelaço - de Robert Walker, falecido poucos meses depois das filmagens, aos trinta e dois anos, devido a uma reacção alérgica a um medicamento. Uma morte inesperada que fulminou a carreira de um dos mais promissores e carismáticos actores da sua geração.

sábado, agosto 30, 2014

Shichinin no samurai (1954)

Shichinin no samurai” é um épico de três horas e meia de aventura e drama, intemporal, que confirmou o cineasta Akira Kurosawa, em 1954, como um nome maior da Sétima Arte em todo o mundo. Escrito, editado e realizado por Kurosawa, a narrativa de “Seven Samurai” remete-nos para uma aldeia nipónica no final do século XVI, onde um grupo de lavradores contrata sete samurais para combater bandidos que recorrentemente assaltavam as plantações para roubar as colheitas de uma temporada, bem como para violar e matar muitas das mulheres da aldeia. Considerado um dos filmes mais influentes da história do cinema, uma das poucas películas asiáticas que durante décadas teve reconhecimento inequívoco além-fronteiras, “Os Sete Samurais” retracta através dos sete heróis uma classe nobre repleta de valores e ideais que, devido ao passar dos tempos, entra em desuso e arrisca a extinção. Hino à consolidação da amizade masculina, tema comum em qualquer cultura, mas com especial relevância na infância de Kurosawa, “Seven Samurai” perde o seu peculiar pragmatismo ao longo dos minutos, ganhando uma consciência colectiva em que o individualismo dá lugar à força do grupo e, alegoricamente, um novo Japão é visionado nas acções de sete homens de técnicas tradicionais que mostram que uma nação pode desenvolver-se respeitando o seu passado e, acima de tudo, aprendendo com os seus erros. Com uma pós-produção fenomenal – as imagens fluem ao longo de duzentos e quarenta minutos -, o reconhecimento internacional de Kurosawa surge numa fita em que o seu trabalho artístico, técnico e visual é acompanhado de perto por um elenco brilhante e personalizado, onde o samurai Takashi Shimura e a jovem Keiko Tsushima merecem especial destaque, não esquecendo também, obviamente, o samurai maníaco Toshiro Mifune, que previamente já havia trabalhado com Kurosawa em Rashomon. História simples, detalhes fora-de-série e uma caracterização riquíssima integrados num visual duro, realístico e poético, que consegue dizer tudo por si mesmo, fazem deste capítulo de reconhecimento internacional do realizador nipónico uma proposta obrigatória para qualquer cinéfilo que se preze.

sábado, maio 17, 2014

The Asphalt Jungle (1950)

"Quando a Cidade Dorme" narra a história de um assalto milionário a uma joelharia que corre para o torto devido à ganância de alguns dos seus intervenientes. O roubo em si, orquestrado pelo conceituado Dr. Erwin Riedenschneider (Sam Jaffe), recentemente libertado da prisão, até revelou-se um sucesso; o problema foi tudo o que se seguiu, entre esquemas, traições e armadilhas para ver quem ficava com a maior fatia do bolo. Clássico do cinema noir realizado pelo lendário John Huston ("The Maltese Falcon" ou "The Treasure of the Sierra Madre", apenas para citar alguns), tantas vezes imitado ("The Badlanders", "Cairo" e "Cold Breeze" são adaptações do mesmo livro) mas nunca igualado, "The Asphalt Jungle" marcou a primeira aparição de Marilyn Monroe numa grande produção de Hollywood - numa personagem sem grande interesse, diga-se a verdade -, naquela que foi uma lição de moral de Huston sobre os caminhos inusitados e viciosos do crime, com ladrões sem glamour nem grande profundidade identitária, onde a desgraça ou a morte são o único final possível para cada um dos imperfeitos infractores. Histórica e esteticamente importante na forma como influenciou o género, "The Asphalt Jungle" foi nomeado sem glória para quatro óscares e é ainda hoje relembrado como o filme que catapultou o gigante Sterling Hayden, então herói de guerra no alto dos seus quase dois metros de altura, para uma carreira memorável. O filme de Huston deu ainda origem a uma série televisiva na ABC em 1961, sem grande sucesso, tendo sido cancelada ao fim de treze episódios.

sábado, junho 25, 2005

House of Wax (1953)

Estando o remake aqui à porta (estreia na próxima semana nas salas portuguesas, e pelo que vi no trailer, a história não terá nada a ver com este), lá decidi ver este "House of Wax", de 1953, o primeiro filme 3-D que passou pelas salas de cinema americanas. Esta versão que vi, não era preciso os oculinhos verde e vermelhos. Mas a terrível e agradável "macabrez" do filme, está lá toda. Na altura em que foi feito, este filme deve ter sido um marco no cinema de horror. As sombras assustadoras, as estátuas de cera que só representavam cenas de violência famosas, o vilão mais visualmente arrepiante de que havia memória (e este aspecto ainda se mantêm nos nossos dias) e aqueles gritos "aguçados" das vítimas, bem que contribuíram para isso.

Tal como disse, o vilão era mesmo horroroso e arrepiante. A sua cara deformada por um incêndio que envolveu muita cera resultou num dos mais assustadores vilões da história do cinema. Os efeitos especiais devem ter sido completamente inovadores nos anos 50. Para assustar ainda mais, era sabido que o próprio realizador na vida real tinha apenas um olho. Apesar de tudo isto, "House of Wax" não é um filme assustador. Encaixa-se mais no género de filme de terror/mistério e como digo, com a devida distanciação histórica, deve ter sido muito bom. Mas sem esse paralelismo passado/presente, "House of Wax" continua a ser agradável. A sua retórica de vingança por parte do vilão que outrora viu todo o seu trabalho ser queimado por dinheiro, faz-nos não saber por quem torcer. É o herói-vilão, ou melhor, o vilão-herói. O final acaba por querer satisfazer o público e eu não gostei desse aspecto. Simplesmente não se encaixa na base ideológica do filme e argumento. Mas como o filme teve na sua "premiere" o próprio presidente dos Estados Unidos, lá se percebe que André de Toth, o "zarolho", não quisesse ficar mal visto.

Pelo que li no IMDB, este filme visto a 3-D é uma experiência única. Notam-se lá cenas claramente feitas para um visionamento a três dimensões, como as da bola de ping pong e a da guilhotina. Pode ser que um dia consiga pôr as mãos nessa versão. Mas se for amante do género, ou simplesmente quiser ver a primeira participação num filme de Charles Bronson como surdo-mudo, este filme está recomendado. Caso contrário ponha mas é as mãos num filme qualquer de Bud Spencer e Terrance Hill, tal como eu vou fazer mais logo!

segunda-feira, maio 16, 2005

Rio Bravo (1959)

Hawks ficou conhecido pela sua versatilidade como realizador, tendo sido autor de comédias, dramas, Westerns ou épicos sempre com o mesmo nível de qualidade e talento. O crítico Leonard Martin considerou Hawks como "o maior realizador Americano cujo nome não é a marca de um electrodoméstico". De facto, ainda que a sua obra não seja tão valorizada quanto a de Ford, Welles, ou Hitchcock, continua, ainda assim, a ser um dos maiores vultos do cinema e um dos mais amados pelos cinéfilos. Este "Rio Bravo", é sem dúvida alguma uma das suas obras mais marcantes, como é prova, as dezenas de remakes/"based on" que já foram feitos, sendo o mais recente, "Assalto à 13ª Esquadra" (remake de remake de remake), filme criticado não faz muito tempo pelo Cinema Notebook.

De um lado está um exército de "mauzões", que tudo vão tentar fazer para libertar o irmão de um assassino da cadeia. Do outro lado está o sheriff John T. Chance e os seus dois ajudantes: um alcoólico e um coxo. Façam as vossas apostas. John Wayne é John T. Chance em "Rio Bravo", um western clássico e inesquecível, que reúne boa disposição e um conflito emocionalmente forte. A ele juntam-se Dean Martin e Walter Brennan (que actor!), dois notáveis e iningualáveis representantes do sonho americano. Rio Bravo é "um dos mais graciosos westerns de todos os tempos, juntando uma história empolgante, um punhado de fulgurantes personagens e uma dose incrível de bom humor, tudo isto com o glorioso e poeirento velho Oeste como fundo. John Wayne cria mais uma mítica e iconográfica personagem com o sheriff John T. Chance, um homem que já viu muitos Invernos e com um inquebrável sentido de justiça e dever. Apesar das hipóteses quase nulas de sair vencedor deste impasse, Chance confia com a sua vida nos poucos homens que estão ao lado dele." Um filme imortal, cheio de moral, que nos mostra que mesmo na pior das situações, podemos estar unidos, bem-dispostos e com fé na vida.

domingo, outubro 24, 2004

Casablanca (1942)

Antes de tudo, aqui fica a explicação para as minhas mais recentes criticas serem a filmes mais antigos que ficaram na minha memória: Estou completamente viciado na segunda temporada da série 24 e não tenho feito outra coisa no meu tempo livre que não ver a mesma. E se continuar assim, o mais provável é começar logo a ver a terceira temporada mal terminar a segunda. Agora vamos falar de Casablanca.De entre as obras vencedoras do Óscar para melhor filme, Casablanca é a mais amada. Este melodrama romântico que decorre durante a 2ª Guerra Mundial, apresenta como mais nenhum outro na história da sétima arte, desempenhos de culto, falas inesquecíveis, clichés instantâneos e insolência hollywoodesca a rodos. Num misto de bar e casino e ao som de uma melodia inesquecível ("As Time Goes By"), Rick (Humprey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) recordam como era simples a vida em Paris, antes de a guerra tudo ter amargado. E sobre o enredo e o argumento mais não digo. Não quero estragar esta pérola do cinema a alguém que ainda não a tenha visto. Casablanca, de 1942, é filmado com tanta confiança e tão pouco espalhafato, que tudo parece fluído, sem remendos ou suturas. E, no entanto, diz-se que o roteiro era reescrito diariamente, de tal modo que a própria Bergman, antes da rodagem da cena final, ignorava o que iria fazer na mesma. O estatuto de culto da obra deriva, entre outras coisas, do sentido de incompletude que veicula. Casablanca ousa deixar as suas personagens - literalmente - ora no ar, ora no meio do deserto, cabendo, assim, aos espectadores, que ao longo dos anos têm assistido à película, imaginar o futuro de Rick, Ilsa, Victor ou Renault durante os últimos e turbulentos anos da 2ª Guerra Mundial. Imperdível.