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quarta-feira, julho 23, 2014
The Dirty Dozen (1967)
Dividido em três actos - o recrutamento, o treino e a grande missão -, "Doze Indomáveis Patifes" (belíssima tradução do original) narra a história de um bando de condenados militares treinados por um implacável major do exército norte-americano (o intratável Lee Marvin) para, em vez de deixarem a vida no corredor da morte, a perderem numa missão suicida contra o império nazi. Na remota hipótese de algum sobreviver, a recompensa seria um cadastro limpo. Realizado por Robert Aldrich ("What Ever Happened to Baby Jane?"), "The Dirty Dozen" tornou-se um clássico do cinema de guerra pela forma como enfrentou o mundo com cenas de uma violência sádica improvável - a matança final, sem escrúpulos inclusive para mulheres encurraladas, tirou-lhe a hipótese de qualquer prémio de relevo -, pela forma sarcástica como abordou o patriotismo e por oferecer ao espectador um saco cheio de personagens sem passado… nem futuro. Duas horas e meia onde divertimento e crueldade dão as mãos, numa fita tão enérgica quanto niilista, um espectáculo tão anti-tudo quanto sedento por uma audiência. Além de Marvin, destaque para Bronson, Savalas, Brown (num filme que ditou o fim da sua carreira desportiva na NFL), Cassavetes (nomeado para melhor actor secundário), Sutherland e Clint Walker, naquele que foi o maior êxito de bilheteira da MGM do final dos anos sessenta, uma obra corajosa e controversa que deu origem a três sequelas menores, uma série de televisão na FOX e, corre o rumor em Hollywood, servirá ainda de base a um remake produzido por Joel Silver.
terça-feira, junho 24, 2014
It's a Mad, Mad, Mad, Mad World (1963)
Primeira incursão na comédia de um realizador habituado a pesados dramas históricos e sociais como "Judgement at Nuremberg" ou "Guess Who's Coming to Dinner", "O Mundo Louco" tornou-se um sucesso entre a crítica e o público em 1963, criando o seu próprio sub-género (o das comédias pela estrada fora à busca de um tesouro) e merecendo, inclusive, várias nomeações técnicas aos Óscares, apesar da edição severa da United Artists ter sido alvo de críticas duras por parte de Stanley Kramer, que queixou-se que quase uma hora de fita teria ficado fora da versão exibida no cinema. Destaque final para a original abertura animada de créditos, obra do imortal Saul Bass.
terça-feira, junho 03, 2014
The Night of the Iguana (1964)
Lawrence Shannon é um padre em desgraça: depois de um rumor sobre uma relação sexual proibida o ter afastado da igreja contra a sua vontade, Shannon é agora um guia turístico com problemas com o álcool na costa oeste mexicana. Naquela que poderia ser muito bem outra excursão sem história com um grupo de professoras reformadas norte-americanas, Shannon vai ser assediado por uma adolescente e, mesmo resistindo ao pecado, acabará envolvido numa espiral de ataques à sua credibilidade que podem muito bem colocar em risco o seu novo emprego.
Adaptação da peça da Broadway de um dos mais premiados dramaturgos do século passado (Tennessee Williams), "A Noite da Iguana" é um ensaio filosoficamente poderoso sobre a tentação e o pecado, sobre a fragilidade do espírito humano em ambientes adversos, onde as fantasias proibidas de um homem sexualmente subjugado são colocadas à prova num contexto tão freudiano quanto paradisíaco. Filme que pôs a vila mexicana de Puerto Vallarta no mapa turístico de milhões de norte-americanos no último meio-século, "The Night of the Iguana" é, enquanto produto cinematográfico, tão fascinante em alguns aspectos quanto monótono e até entediante em certas partes da sua narrativa. Com um elenco de luxo - Richard Burton, Ava Gardner e Deborah Kerr eram algumas das mais bem pagas estrelas da época - e uma realização improvável - o grande John Huston estava acostumado a outras andanças mais mexidas -, a obra que reutiliza a Lolita Sue Lyon como mulher irresistível teve uma das mais badaladas produções de sempre, com ciúmes, armas e caprichos de vedeta à mistura, o que em parte também explica o porquê de Houston não ter conseguido uma transposição para a grande tela do carácter alegórico e intelectualmente subterrâneo do material teatral que tinha em mãos.
Adaptação da peça da Broadway de um dos mais premiados dramaturgos do século passado (Tennessee Williams), "A Noite da Iguana" é um ensaio filosoficamente poderoso sobre a tentação e o pecado, sobre a fragilidade do espírito humano em ambientes adversos, onde as fantasias proibidas de um homem sexualmente subjugado são colocadas à prova num contexto tão freudiano quanto paradisíaco. Filme que pôs a vila mexicana de Puerto Vallarta no mapa turístico de milhões de norte-americanos no último meio-século, "The Night of the Iguana" é, enquanto produto cinematográfico, tão fascinante em alguns aspectos quanto monótono e até entediante em certas partes da sua narrativa. Com um elenco de luxo - Richard Burton, Ava Gardner e Deborah Kerr eram algumas das mais bem pagas estrelas da época - e uma realização improvável - o grande John Huston estava acostumado a outras andanças mais mexidas -, a obra que reutiliza a Lolita Sue Lyon como mulher irresistível teve uma das mais badaladas produções de sempre, com ciúmes, armas e caprichos de vedeta à mistura, o que em parte também explica o porquê de Houston não ter conseguido uma transposição para a grande tela do carácter alegórico e intelectualmente subterrâneo do material teatral que tinha em mãos.
terça-feira, maio 27, 2014
Midnight Cowboy (1969)
Primeira fita com classificação etária restrita a maiores de dezoito anos a conquistar o Óscar de Melhor Filme, "O Cowboy da Meia-Noite" chocou Hollywood no final dos anos sessenta com a exploração mainstream de temas sombrios como a homossexualidade, a prostituição e a violação. História de um jovem texano armado em playboy na urbana Nova Iorque e da sua amizade improvável com um ítalo americano aldrabão e sem-abrigo, "Midnight Cowboy" foi o espelho de uma era radical nos Estados Unidos da América, onde uma geração hippie lutava nas ruas contra padrões pré-definidos e moribundos de comportamento social. Construído em catarse, com recordações recalcadas a justificarem constantemente as acções e os medos de Joe Buck, a obra de culto de John Schlesinger ("Marathon Man") tende a banalizar-se com o seu envelhecimento - e respectiva evolução da sociedade -, mas será para sempre recordada como uma pedrada num charco pestilento, onde ser moralmente desigual era perigoso até no box-office. E quem não se lembra de cantarolar "Everybody's Talking"?
quinta-feira, maio 22, 2014
West Side Story (1961)
Vencedor de dez estatuetas douradas da Academia norte-americana - entre as quais a de Melhor Filme e Melhor Realizador -, "West Side Story" é ainda hoje relembrado como um dos musicais de Hollywood de maior sucesso e impacto em todo o mundo. Com uma banda sonora inolvidável, diversos temas como "America", "Somewhere", "Maria", "The Jet Song", "I Feel Preety" e "Tonight" a conquistarem um selo de intemporalidade e coreografias tão arrebatadoras quanto ritmadas, "Amor Sem Fronteiras" transpôs de forma irrepreensível o hit teatral da Broadway para a grande tela. Ainda que, com um orçamento na altura escandaloso de seis milhões de dólares, convites recusados por estrelas como Elvis ou Hepburn para os papéis principais e ninguém do elenco original a dar um passito de dança na versão cinematográfica, não tenha faltado polémica suficiente para tornar a sua produção famosa e a sua estreia uma incógnita.
Versão adaptada da tragédia amorosa shakesperiana de Romeu e Julieta, com bandos rivais nova-iorquinos à mistura (os norte-americanos Jets e os porto-riquenhos Sharks), o filme co-realizado por Robert Wise e Jerome Robbins (este último, coreógrafo da peça teatral, foi despedido pelos produtores a meio das filmagens, devido à sua continua insatisfação com as cenas musicais e com as ideias de Wise, recebendo ainda assim o Óscar na altura devida) foi considerado o segundo melhor musical de sempre pela American Film Institute - apenas batido por "Singin' in the Rain" - e mantem-se hoje, nos seus dois actos, tão moderno e revigorante como no início da década de sessenta. Na altura, a sua mensagem contra a discriminação e contra a violência racial, dois anos antes do famoso "I Have a Dream" de Martin Luther King, foi passaporte assegurado para o sucesso na crítica. O público, esse, não resistiu aos encantos de Natalie Wood, Rita Moreno, Richard Beymer e George Chakiris.
Versão adaptada da tragédia amorosa shakesperiana de Romeu e Julieta, com bandos rivais nova-iorquinos à mistura (os norte-americanos Jets e os porto-riquenhos Sharks), o filme co-realizado por Robert Wise e Jerome Robbins (este último, coreógrafo da peça teatral, foi despedido pelos produtores a meio das filmagens, devido à sua continua insatisfação com as cenas musicais e com as ideias de Wise, recebendo ainda assim o Óscar na altura devida) foi considerado o segundo melhor musical de sempre pela American Film Institute - apenas batido por "Singin' in the Rain" - e mantem-se hoje, nos seus dois actos, tão moderno e revigorante como no início da década de sessenta. Na altura, a sua mensagem contra a discriminação e contra a violência racial, dois anos antes do famoso "I Have a Dream" de Martin Luther King, foi passaporte assegurado para o sucesso na crítica. O público, esse, não resistiu aos encantos de Natalie Wood, Rita Moreno, Richard Beymer e George Chakiris.
segunda-feira, maio 12, 2014
Point Blank (1967)
História de um assalto a três que acabou em traição por pura ganância financeira e da respectiva vingança do homem que foi deixado ferido para morrer em Alcatraz pela sua namorada e melhor amigo, "Point Blank" revolucionou o cinema norte-americano em 1967 e, hoje, quase cinquenta anos depois, continua a ser bastante radical a nível técnico e artístico. Primeiro filme americano do inglês John Boorman ("Deliverance" e "Excalibur"), "Point Blank" começa de forma completamente atabalhoada, com um jogo de flashbacks constantes entrelaçados com o presente a confundirem o espectador, mas desenvolve-se quase de maneira perfeita num thriller de acção tão linear e convencional quanto niilista e provocador a todas as noções estabelecidas do género e do típico herói de Hollywood. Boorman atravessa o oceano com os métodos de realizadores europeus como Godard ou Resnais e enfia-os neste seu pós-noir, onde o isolamento de um homem num universo imoral é filmado com cores fortes e cenários visualmente ricos e espaçosos. Embutido de uma ironia quase mórbida na face irrepreensível de Lee Marvin, o seu Walker é definido pela demanda e, quando esta acaba, também a sua personagem se esmorece na escuridão. A resposta revela-se insignificante quando é a pergunta em si que não faz qualquer sentido - Walker não saberia o que fazer com aqueles noventa e três mil dólares, agora que estava sozinho no mundo - e para a eternidade fica uma questão: terá sido tudo aquilo o sonho de um homem moribundo numa cela abandonada? Boorman sugere muito mas diz pouco; e é esse abrir a múltiplas interpretações que torna "Point Blank" ainda mais interessante.
domingo, abril 23, 2006
Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964)
Convicto de que os comunistas estão a contaminar a nação Americana, um General marado dos miolos ordena, num acesso de loucura, um ataque nuclear aéreo sobre a União Soviética. O seu ajudante, o Capitão Mandrake, tenta desesperadamente averiguar o código para deter o bombardeamento. Ao mesmo tempo, o Presidente dos EUA, contacta o Primeiro-ministro Soviético, no momento embriagado, para o convencer que o iminente ataque se trata de um estúpido erro solitário. Entretanto, um dos assessores do Presidente, Dr. Estranhoamor, devaneia sobre as possíveis consequências da "Máquina do Juízo Final" - um equipamento de retaliação concebido pelos soviéticos para acabar de uma vez por todas com a raça humana. Aperitivo suficiente?Ora bem. Por mais séria que a sinopse e o tema pudessem parecer, Stanley Kubrick alcançou, logo ai, algo estrondoso: em plena "guerra fria" abordar o terrível tema de um holocausto nuclear de uma forma descontraída, hilariante e, acima de tudo, humanamente e politicamente satírica, tornando todo o conteúdo, e consequente mensagem, muito mais eficaz e alarmante do que qualquer outro livro ou filme que abordaram na altura a mesma problemática.
“Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, é, então, uma comédia negra/sátira/suspanse/alarme que, acima de tudo, exprime um enorme cepticismo no que à natureza humana diz respeito. Depois de uma forte desilusão com “2001: Odisseia no Espaço”,de uma semi-decepção com “The Shining” e de, finalmente, uma agradável sessão de cinema (também em si, satirizante) com “Full Metal Jacket”, alcanço agora, e sem margem para dúvidas, o ponto máximo da minha experiência “kubrickiana”. Já não era sem tempo. Finalmente… apaixonei-me pela bomba.
Nesta pintura barroca da destruição global, todas as personagens são esprimidas até ao limite. Peter Sellers interpreta, de uma só vez, um cientista psicopata germano-americano, defensor do holocausto nuclear e de práticas nazis, um militar britânico de suposto bom senso quasi-neutral e o presidente dos Estados Unidos da América. Sellers não é genial; génios existem vários. Sellers é único, fantasmagoricamente multi-desdobrável e perfeccionista, rasgando vários horizontes, tal como a obra em si, com a sua improvisação e humor corrosivo.
Outra excelente interpretação foi a de George C. Scott, com um papel que acaba por transmitir toda a meditação agressiva e bipolar de um ser humano, com os seus limites, tanto sexuais, como tecnológicos (quanto maior for o avanço, menor será a nossa capacidade).
Os diálogos são, todos e sem excepção, simplesmente inteligentemente deliciosos e perspicazes. As suas ideias continuam tão actuais e hilariantes como à quarenta anos. Se existem obras intemporais, esta será, certamente, uma delas. É esta a sua maior virtude. E ao afirmar isto, pergunto-me agora como foi possível este esplendoroso filme não ter ganho uma única das categorias para que foi nomeado (Melhor Filme, Melhor Actor Principal – Peter Sellers – e Melhor Realizador), perdendo todas as estatuetas para “My Fair Lady”, que rezam as criticas, não passou de outro musical lamechas, musicais esses tão em voga na década de 60. Aliás, a não coroação de Sellers chega mesmo a cheirar a um certo etnocentrismo da Academia Norte-Americana em relação ao Inglês.
Tal como tão bem escreveu o nosso colega Francisco Mendes em Pasmos Filtrados, Kubrick alcança o notável mérito de nos colocar a rir… de medo. Tão cómico, como alarmante, “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” demonstra essa mesma dualidade com a sua maravilhosa sequência final, em que um conjunto de imagens de explosões nucleares é acompanhada por uma deliciosa música identificadora da função narrativa: “We’ll meet again, don’t know where, don’t know when”. De chorar por mais. Obrigado Sr. Stanley!
quinta-feira, novembro 25, 2004
2001: A Space Odyssey (1968)


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