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sexta-feira, março 10, 2017

Airport '77 (1977)

Terceiro capítulo da saga de filmes desastre "Airport", "Airport '77" reuniu uma mão cheia de veteranos de renome - Jack Lemmon, James Stewart, Christopher Lee, Olivia de Havilland ou George Kennedy, apenas para citar alguns - para se tornar num infrutífero êxito de bilheteira, apupado pelo público e pela crítica. O conceito? Sobrevivência num Boeing 747 afundado algures no antigamente tão em voga Triângulo das Bermudas. Resultado? Duas longuíssimas e previsíveis horas - que rezam as crónicas foram três numa versão emitida em televisão nunca editada em VHS ou DVD -, sem grandes enredos paralelos nem ideias "out of the box", que apenas se tornam interessantes quando arranca a operação de busca e salvamento da marinha norte-americana, supostamente baseadas em procedimentos reais caso algo do género acontecesse na vida real - e daí o epílogo pré-créditos finais. Terrível ou não, vou já ao Sr. Joaquim alugar o quarto e último filme do franchise, com um Concorde - o mesmo que acabaria por ter um acidente fatal em Paris - ao barulho.

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Pumping Iron (1977)

Mesmo para aqueles que, como eu, a única vez que puseram os pés num ginásio ficaram nos dois dias seguintes sem conseguir lavar o cabelo, tais eram as dores para levantar os braços acima da altura dos ombros, "Pumping Iron" revela-se um documentário curioso. Primeiro, porque consegue criar a incerteza no espectador sobre quem será realmente eleito Mr. Olympia, o título máximo do culturismo profissional, em 1975, num confronto titânico entre o italo-americano Lou Ferrigno (que posteriormente viria a ser o incrível Hulk na televisão) e o detentor do título, prestes a reformar-se, the one and only Arnold Schwarzenegger; mas, acima de tudo, porque permite-nos conhecer melhor uma faceta intimista e rara deste último, um garnachão sempre pronto para uma boa brincadeira mas também disposto a fazer tudo, de faltar ao funeral do pai a enganar adversários amigos, para ganhar. Elogio final? Não fosse a minha hérnia discal, tinha saltado do sofá directamente para o banco de abdominais. Por uns dez minutos, entenda-se.

quinta-feira, agosto 14, 2014

Being There (1979)

Chance é um humilde cinquentenário que toda a vida foi jardineiro interino de um homem abastado em Washington. Sem nunca ter saído da propriedade, sem documentos para comprovar a sua existência e sem saber ler nem escrever, tudo o que Chance sabe aprendeu a jardinar ou a ver incontáveis horas de televisão. Quando o patrão falece, a casa fica na posse de advogados e Chance, sem família, amigos ou sítio onde pernoitar, fica nas ruas da capital norte-americana à mercê do acaso. E será mesmo o mais puro acaso - um atropelamento acidental - que o tornará num dos opinion makers mais respeitados do País.

Sátira brilhante de uma subtileza rara, cativante no contínuo jogo intelectual que promove sem necessidade de arrancar ao espectador gargalhadas fortuitas, "Bem-vindo Mister Chance" demonstra de forma deliciosa que uma boa aparência, um discurso pausado e focado em sound bites e amigos poderosos são tudo o que um homem precisa para triunfar nas sociedades modernas, por mais vazio e insignificante que seja o conteúdo e o background do emissor. Com uma performance memorável de Sellers dois anos antes da sua morte - sempre no mesmo tom e com uma tranquilidade quase angustiante - e um papelão tremendo de Melvyn Douglas - quem com ele venceu um Óscar -, "Being There" oferece ainda um dos finais mais enigmáticos de sempre, com múltiplas interpretações, uma verdadeira pedrada no charco que mostra que, num filme sobre percepções, também as nossas estavam em jogo. Num filme com uma forte (mas divertida) componente de consciência e crítica social - onde apenas eram escusados os subplots de cariz sexual -, fica uma pergunta no ar: será assim tão fácil distinguir um idiota de um sábio?

sexta-feira, agosto 08, 2014

Network (1976)

Fábula sobre a banalização cínica e populista da televisão enquanto meio de aculturação de gerações, através da estupidificação de emissores e receptores, "Escandâlo na TV" narra a história de como uma estação pública de televisão norte-americana trocou a ética e o jornalismo sério e de respeito pelas audiências de topo e, consequentemente, pelos milhões de dólares provenientes do mercado publicitário. Na UBS, com uma nova direcção, passa a valer tudo: de um pivot demente a astrólogas no lugar de meteorologistas, sem esquecer terroristas pagos clandestinamente para fornecerem imagens polémicas dos seus actos, tudo o que dê mais um ponto ou outro de share é aceitável.

Realizado de forma excelsa e energética por Sidney Lumet e com uma mão-cheia de interpretações poderosíssimas que valeram, pela última vez, três dos quatro óscares de representação (Peter Finch, Faye Dunaway e Beatrice Straight), "Network" declara-se uma sátira em tom de aviso quase profético daquilo que viria a acontecer em massa com o mundo/negócio da televisão um pouco por todo o globo, com o aparecimento dos reality-shows e dos formatos jornalísticos que privilegiam os dramas quotidianos de rápido consumo ao jornalismo de investigação. Cardiograma ao coração frágil da sociedade, é impressionante a forma detalhada e certeira como Paddy Chayefsky, o Aaron Sorkin dos anos sessenta e setenta em Hollywood, previu o que iria acontecer ao meio televisivo. Cínico, sombrio e provocador, nem os comunistas resistiram a tornar-se capitalistas. Último e merecido destaque para o papelão de William Holden, dissimulado entre as loucuras insensatas de Finch no ecrã.

domingo, junho 08, 2014

Shaft (1971)

Com uma banda sonora inesquecível da autoria de Isaac Hayes que se tornou no primeiro álbum de música Soul a liderar as tabelas das mais ouvidas nos EUA - e logo por umas incríveis sessenta semanas -, "Shaft" transformou-se num clássico instantâneo da Blaxpoitation, uma lenda cinematográfica do combate ao crime entre o carisma funky da personagem de Richard Roundtree e a realização destemida do conceituado fotógrafo da revista Time, Gordon Parks. Como curiosidade, "Shaft" rendeu à MGM cerca de vinte e seis vezes o seu orçamento de produção, salvando o estúdio de uma bancarrota certa em 1971. Duas sequelas sem grande impacto, um remake com Samuel L. Jackson como herói e uma série de televisão depois, o "Shaft" original continua intacto.

sábado, maio 03, 2014

Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask (1972)

Dividido em sete sketches que exploram de forma irónica alguns tópicos tabus associados à sexualidade, "O ABC do Amor" foi o quarto filme da carreira de Woody Allen, o primeiro a revelar-se um sucesso na bilheteira, com receitas internas dez vezes superiores ao seu limitado orçamento de dois milhões de dólares. Do verdadeiro efeito dos afrodisíacos à sodomia, do orgasmo feminino aos travestis, dos tarados sexuais à ejaculação precoce, Allen e companhia - e que boa companhia, ou não tivesse o realizador nova-iorquino convencido verdadeiros ícones da altura como Burt Reynolds, Gene Wilder ou Lynn Redgrave a alinhar nesta brincadeira colectiva - constroem um filme desequilibrado que, é verdade, resulta melhor em teoria no papel do que efectivamente na tela, mas que, ainda assim, oferece algumas gargalhadas sinceras e várias homenagens cinematográficas relevantes, com especial destaque para a que é feita a Antonioni, com o segmento da mulher que só consegue ter orgasmos em locais públicos. Claramente um clássico menor no riquíssimo currículo de Allen, mas obra fundamental para catapultar o multifacetado humorista em Hollywood.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Assault on Precinct 13 (1976)

A esquadra treze de Los Angeles está prestes a ser encerrada. Com poucos funcionários e os principais serviços de subsistência desactivados – como a luz ou os telefones -, ao Tenente Ethan Bishop apenas era pedido que estivesse atento a qualquer emergência que pudesse ocorrer na zona. E, na última noite da esquadra, eis que um grupo de condenados à pena de morte acaba por ter que pernoitar na esquadra. Mas nem mesmo estes imaginavam que um gang em fúria cercasse o edifício para se vingar de um homem que decidiu fazer justiça pelas próprias mãos e procurou a protecção da polícia. Agora, para sobreviverem ao gang, condenados e polícia vão ter que unir esforços.

A segunda longa-metragem de John Carpenter é hoje um objecto de estudo sobre como transformar um orçamento irrisório numa obra de acção compacta, repleta de momentos de tensão articulados na perfeição com uma banda sonora tradicional – que Carpenter afirma ter influências da música de Led Zeppelin. Esticada ao máximo em várias cenas para ter a duração necessária para conseguir chegar aos cinemas – o próprio realizador admitiu que todas as cenas da primeira metade do filme são mais longas do que deveriam ser por esse mesmo motivo -, “Assalto à 13ª Esquadra” é ainda hoje relembrado por todos quantos o viram nos últimos trinta anos por uma cena memorável, crua na substância, impiedosa na sua moralidade: a do assassinato frio e sem qualquer causa justificativa de uma inocente criança que abordava uma carrinha de venda ambulante de gelados. Uma reinvenção da premissa de “Rio Bravo” de Hawks, transformada em fita de culto de um mundo suburbano violento e a prova segunda de um manipulador de audiências que, infelizmente, nem sempre primou pelo brilhantismo durante a sua carreira.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Annie Hall (1977)

"I feel that life is divided into the horrible and the miserable. That's the two categories. The horrible are like, I don't know, terminal cases, you know, and blind people, crippled. I don't know how they get through life. It's amazing to me. And the miserable is everyone else. So you should be thankful that you're miserable, because that's very lucky, to be miserable."

"Annie Hall" de Woody Allen é um filme paciente que baseia o seu fluir nos ingénuos mas divertidos e astutos diálogos e monólogos das suas personagens. Estreado num ano onde os blockbusters (como o primeiro "Star Wars" ou "Close Encounters of the Third Kind") predominaram, foi a simplicidade atrevida e irreverente de "Annie Hall" que levou o Óscar de Melhor Filme - Realizador, Argumento e Melhor Actriz Principal também - para casa. Um testemunho claro da sagacidade insaciável de "Annie Hall", onde Alvy Singer, um comediante judeu neurótico e hormonalmente desequilibrado e Annie Hall, uma citadina moderna mas algo imatura, partilham e examinam as suas experiências passadas e presentes.

E como em qualquer história romântica, só uma narrativa única, inteligente e altiva poderia elevar uma obra do género ao estatuto de culto que ainda hoje protege "Annie Hall". Mas mais do que isso, "Annie Hall" foi o filme que marcou a maturação definitiva de Woody Allen como realizador e comediante para o grande público. Isto porque conseguiu pela primeira vez aliar o seu humor característico ao drama e ao romance, em vez das comédias puras que até então protagonizara, como "Slepper", "Bananas" ou "Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask". Tudo embrulhado numa obsessão fascinante por Nova Iorque, um humor judeu auto-depreciativo e tendências neuróticas tão sublimes como presunçosas.

Repleto de "one-liners" que ainda hoje servem de referência a uma mão cheia de filmes, de cameos deliciosos como os Jeff Goldblum, Marshall McLuhan, Truman Capote, Paul Simon, a então desconhecida Sigourney Weaver ou Christopher Walken, - que, na minha opinião, faz parte da cena mais hilariante de todo o filme, quando confessa a Alvy Singer que quando conduz, tem vontade de chocar com as luzes que vêm de frente, perante o gozo de Alvy que lhe acena e afirma que gostou muito da conversa mas que agora tem que voltar ao Planeta Terra, só para segundos depois descobrir que é Walken que o vai conduzir a casa - "Annie Hall" é um dos mais raros exemplos de como podem co-existir de forma harmoniosa a comédia, o romance e o drama numa mesma película. Mesmo com uma narração algo confusa que não respeita espaços temporais nem limitações físicas, com moldes de sessão psicanalítica auto-reflexiva. Não fosse o seu final morno, longe da magnificência e da sumptuosidade da restante fita, e este poderia muito bem ser o meu "Allen" favorito. Assim sendo, fica lá perto.

segunda-feira, novembro 12, 2007

One Flew Over the Cuckoo's Nest (1975)

Adaptação cinematográfica do livro escrito por Ken Kesey enquanto trabalhava num Hospital de Veteranos, "Voando Sobre um Ninho de Cucos" narra a história de um maganão com um espírito indomável - o monstruoso Jack Nicholson - que acaba, devido a um assalto que correu para o torto, prisioneiro de um hospital mental do estado. Demasiado teimoso para aceitar a tortura diária de ser mais um louco entre loucos, o seu espírito rebelde vai provocar roturas nas rotinas da instituição, o que deixará a ríspida e irascível enfermeira Ratched - a galardoada Louise Fletcher -, bem como os seus novos companheiros, numa azáfama que irá mudar as suas vidas.

"One Flew Over the Cuckoo's Nest" é tão irónico como dramático, tão enternecedor como controverso. Obra-prima máxima da sétima arte, conquistou os cinco mais importantes Óscares da Academia, numa odisseia rara e singular de dezenas de outras menções, que o comprovaram como um dos all-time favorites tanto da crítica, como do público. Repleto de personagens caprichosas e assimétricas, interpretadas na perfeição por um elenco na altura anónimo - com excepção do então já consagrado Nicholson -, que contava, entre outros, com as prestações de Danny DeVito ou Christopher Lloyd, a fita de culto do realizador checo Milos Forman triunfa de forma excelsa e portentosa em todos os pormenores artísticos e técnicos que constrói e aborda. Tudo envolto numa simplicidade poética que merece ser deliciada pelo menos uma vez na vida.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Papillon (1973)

Papillon é a alcunha de Henri Charriére (Steve McQueen), um homem que é condenado por um homicídio que jura não ter cometido. Enclausurado na Ilha do Diabo, onde a floresta escura e o oceano tornam impossível qualquer tentativa de fuga e onde os prisioneiros pagam pelos seus crimes através de tratamentos degradantes e brutais, Papillon acaba por se tornar um exemplo de coragem, disciplina e determinação, ao confrontar todos os limites e desafios, e ao provar que um espírito absolutamente livre pode quebrar qualquer sistema desumano e cruel.

Realizado por Franklin Schaffner, o mesmo dos eternizados “Planet of the Apes” e “Patton”, e baseado na obra literária biográfica de Henri Charriére, famoso por ter sido o único a conseguir escapar do encarceramento na Guiana Francesa – e que, curiosamente, depois de anos e anos de martírio, acabou por morrer de cancro no ano da estreia do filme – “Papillon” é, ainda hoje, um filme actual, o que comprova o seu rótulo de “clássico” e, muito provavelmente, o melhor desempenho de Steve McQueen na sua recheada carreira. McQueen que, diga-se de passagem, é ele próprio um espelho de rebeldia e pertinácia, e que é alvo em “Papillon” de um fantástico trabalho de maquilhagem.

Com uma Banda Sonora que foi premiada pela Academia, dois monstros do cinema (além de McQueen, Dustin Hoffman arranca uma extraordinária prestação), “Papillon” é uma lição memorável e extravagante sobre a robustez e a energia do instinto de sobrevivência humano em condições extremamente adversas. Filmado em locais de beleza indiscutível e alternando momentos dramáticos com ápices do mais requintado humor possível em fugas de prisão, é a transposição para a sétima arte de um dos livros mais vendidos em todo o mundo sobre uma incansável luta pela liberdade. Porque mais vale tarde que nunca!

quinta-feira, junho 21, 2007

The Conversation (1974)

Harry Caul (Gene Hackman) é um eremítico, triste e paranóico técnico de vigilância que se sente muito mais à vontade colocando escutas a estranhos do que a conviver com amigos num mesmo espaço. Repleto de segredos que ninguém parece conseguir descobrir, Harry passa os dias no seu apartamento a tocar saxofone ao som dos seus discos de jazz, numa moradia “à prova de escutas”, onde três fechaduras, um alarme e a ausência de um telefone comprovam a consciência perturbada de alguém que teme ser vítima das suas próprias criações. E a situação vai chegar ao extremo, quando num dos seus trabalhos de rotina, Harry pressente uma tragédia iminente resultante das suas escutas. Mas será que as duas coisas que mais confia neste mundo – os seus olhos e os seus ouvidos – o irão enganar?

Inpirado em “Blow Up”, de Antonioni, “O Vigilante”, de Francis Ford Coppola, é um filme inquietante. Isto porque toda a sua narrativa é uma prosa aberta ao conhecido provérbio “o feitiço contra o feiticeiro”, em que a personagem de Hackman - talvez no mais notável desempenho da sua carreira, com um papel nitidamente interiorizado – torna-se vítima da mesma moderna tecnologia que usa para derrubar e transtornar a vida dos outros. Com alguns pormenores que denotam e confirmam um assombroso estudo psicológico sobre a obsessão e a solidão, Francis Ford Coppola alcança em “The Conversation” uma extraordinária subtileza, articulada por vezes com um ironismo tão negro como paranóico (que, diga-se, é praticamente o que sentimos ao ver Harrison Ford na plenitude dos seus trintas).

Realizado entre os dois primeiros capítulos de “The Godfather”, e com recursos extremamente limitados, “O Vigilante” consegue deixar a sua marca no mundo do cinema graças ao seu “twist” final arrebatador, – apesar de nos dias que correm ser constantemente banalizado – que arrasta por definitivo a personagem de Hackman para uma esfera de fragilidade psicológica e social degradante. E essa atitude centrada no intímo, em plena miscelânea com a inspiração em Antonioni e os recursos limitados, permitem afirmar que esta tenha sido, talvez, a obra mais “europeia” de Coppolla. E muito provavelmente, o seu filme mais premonitório, ou não fosse a questão levantada em “The Conversation” um dos temas centrais da opinião pública nos últimos anos e nos nossos dias.

domingo, fevereiro 25, 2007

Apocalypse Now (1979)

"I've seen horrors... horrors that you've seen. But you have no right to call me a murderer. You have a right to kill me. You have a right to do that... but you have no right to judge me. It's impossible for words to describe what is necessary to those who do not know what horror means. Horror. Horror has a face... and you must make a friend of horror. Horror and moral terror are your friends. If they are not then they are enemies to be feared. They are truly enemies. (...) You have to have men who are moral... and at the same time who are able to utilize their primordial instincts to kill without feeling... without passion... without judgment... without judgment. Because it's judgment that defeats us."

Apocalypse Now é ainda o maior espectáculo sobre a monstruosidade jamais feito. É Ópera e Shakespere ao mesmo tempo. Não é um filme sobre o Vietname, é o Vietname ele próprio. É um filme de culto que acarreta consigo uma forte ressonância da cultura pop americana. Porque o horror e a selvajaria não se limitam ao pantâno mas à própria nação do criador. É a beleza e a perversidade, é o surrealismo e a autenticidade. É a insanidade de uma guerra espelhada na loucura de um homem. É o transformar de Willard (Sheen) em Kurtz (Brando), de homem são até à imagem da própria presa. É o grito de um utopista e de uma era. É o reduzir de todas as restantes obras sobre o Vietname a simples bagatelas. É, por fim, a pura expressão de um génio que voltará este ano com "Youth Without Youth".

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Escape from Alcatraz (1979)

"Escape from Alcatraz", de 1979, com Clint Eastwood no principal papel, é o filme que MacGyver nunca nos proporcionou. Ou noutro ponto de vista, é um episódio mais longo da clássica série da década de 80. Acaba por ser um filme feito para deixar uma intriga no ar, e, nesse aspecto, funcionou bem. De resto, apenas todos aqueles truques e artimanhas que tornam uma mera ventoinha para abafar o calor, numa chave de fendas electrica, destruidora de grades e condutas de ventilação. Ou a colher que se transforma, com uma simples caixa de fósforos e um corta-unhas, numa poderosa retro-escavadora. Filme que marcou um estilo, mas que fica muitos, mas mesmo, muitos furos abaixo do que Clint Eastwood já nos mostrou na sua longa e maravilhosa carreira.