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terça-feira, janeiro 08, 2019
Wall Street (1987)

terça-feira, setembro 18, 2018
Airplane! (1980)

quinta-feira, julho 05, 2018
WarGames (1983)

quinta-feira, abril 05, 2018
The Wraith (1986)

sexta-feira, fevereiro 16, 2018
First Blood (1982)

Filmmaker: It’s so ironic that Kassar and Vajna opposed the suicide ending so strongly, because they basically built their empire on this character, and they never would have been able to do those sequels if you had killed him! Did they ask you to do the follow-up, Rambo: First Blood Part II?
Kotcheff: I didn’t want to do the sequels. They offered me the first sequel and after I read the script I said, “In the first film he doesn’t kill anybody. In this film he kills seventy-four people.” It seemed to be celebrating the Vietnam War, which I thought was one of the stupidest wars in history. 55,000 young Americans died and so many veterans committed suicide. I couldn’t turn myself inside out like that and make that kind of picture. Of course, I could have been a rich man today – that sequel made $300 million.
Filmmaker: Well, it’s interesting, because even though he kills dozens of people in the sequel, your film actually feels faster paced and more intense. Why do you think that is?
Kotcheff: People think pacing comes from playing everything fast, but that’s not true – if you do that it becomes flat and boring. You’ve got to juxtapose emotions and thoughts and experiences and movement to give it pace.
domingo, janeiro 14, 2018
Cobra (1986)

domingo, janeiro 08, 2017
The King of Comedy (1982)

quarta-feira, fevereiro 24, 2016
Action Jackson (1988)

quinta-feira, julho 23, 2015
The Terminator (1984)

domingo, julho 05, 2015
Commando (1985)

quarta-feira, março 25, 2015
Missing in Action (1984)

quarta-feira, dezembro 11, 2013
Driving Miss Daisy (1989)
Vencedor do Óscar de Melhor Filme em 1990, "Driving Miss Daisy" do australiano Bruce Beresford ("Double Jeopardy") transpôs para o cinema a peça teatral de Alfred Uhry vencedora de um Pulitzer, contextualizada no final dos anos quarenta do século passado, onde uma abastada idosa judia é obrigada pelo filho a ter um motorista negro depois de um acidente em que demonstrou já não estar capacitada para conduzir. Ferida no seu orgulho e com um feitio terrível, contra tudo e contra todos, também culpa da sua história de vida, Miss Daisy (Jessica Tandy) e Hoke (Morgan Freeman) vão desenvolver aos poucos uma amizade improvável que quebrará barreiras e perdurará no tempo.
Verdadeiro sucesso financeiro - o seu orçamento de sete milhões de dólares rendeu bem mais do que cem milhões na altura do seu lançamento -, "Miss Daisy" conquistou ainda de forma algo inesperada a glória nos principais prémios da indústria, derrotando favoritos da crítica como "Born on the Fourth of July" ou "Dead Poets Society". Mais do que uma história sobre as implicações do racismo na sociedade norte-americana, "Driving Miss Daisy" é um hino à amizade e ao envelhecimento, à tolerância e à bondade. A química fenomenal entre Tandy e Freeman é um verdadeiro caso de estudo para qualquer actor em formação e a forma como o espectador acompanha a transformação de Daisy perante as atitudes e comportamentos de Hope ao longo de todos os obstáculos que lhe são apresentados, uma lição de vida que nos deixa a pensar que muitas vezes só aprendemos a viver quando a vida já passou quase toda por nós. No meio de cenários, automóveis, montras e cartazes de época dignos de uma cinematografia de excelência, não há nada na narrativa de Uhry que seja totalmente inesperado ou digno de surpreender até o mais crédulo dos cinéfilos; apenas uma simples história de vida contada num ritmo brando e sereno. Sem reviravoltas no guião, são as riquíssimas interpretações do duo principal que agarram o espectador, com especial destaque para duas cenas de laboratório que ficam na memória: para Freeman, o passeio de carro pelo Alabama em que diz "basta" à patroa; para Tandy, valeu-lhe o Óscar aquela arrebatadora performance nos primeiros dias em que o Alzheimer tomou controlo sobre a sua personagem.
Verdadeiro sucesso financeiro - o seu orçamento de sete milhões de dólares rendeu bem mais do que cem milhões na altura do seu lançamento -, "Miss Daisy" conquistou ainda de forma algo inesperada a glória nos principais prémios da indústria, derrotando favoritos da crítica como "Born on the Fourth of July" ou "Dead Poets Society". Mais do que uma história sobre as implicações do racismo na sociedade norte-americana, "Driving Miss Daisy" é um hino à amizade e ao envelhecimento, à tolerância e à bondade. A química fenomenal entre Tandy e Freeman é um verdadeiro caso de estudo para qualquer actor em formação e a forma como o espectador acompanha a transformação de Daisy perante as atitudes e comportamentos de Hope ao longo de todos os obstáculos que lhe são apresentados, uma lição de vida que nos deixa a pensar que muitas vezes só aprendemos a viver quando a vida já passou quase toda por nós. No meio de cenários, automóveis, montras e cartazes de época dignos de uma cinematografia de excelência, não há nada na narrativa de Uhry que seja totalmente inesperado ou digno de surpreender até o mais crédulo dos cinéfilos; apenas uma simples história de vida contada num ritmo brando e sereno. Sem reviravoltas no guião, são as riquíssimas interpretações do duo principal que agarram o espectador, com especial destaque para duas cenas de laboratório que ficam na memória: para Freeman, o passeio de carro pelo Alabama em que diz "basta" à patroa; para Tandy, valeu-lhe o Óscar aquela arrebatadora performance nos primeiros dias em que o Alzheimer tomou controlo sobre a sua personagem.
domingo, agosto 26, 2012
The Secret of My Success (1987)
Brantley Foster é um rapaz inteligente e confiante de uma cidade pacata no interior dos Estados Unidos da América que sempre sonhou em tornar-se um profissional de sucesso na cidade que nunca dorme, Nova Iorque. Com o apoio dos pais, ao terminar a universidade decide comprar um bilhete de avião, alugar um apartamento velho e pequeno e fazer-se à sorte numa oportunidade de emprego que surgiu quase por milagre. No entanto, descobre logo no seu primeiro dia de trabalho que a sua nova empresa foi alvo de uma OPA hostil e que, por isso, despediu todo o pessoal que lá trabalhava à excepção dos quadros superiores. Desempregado e desesperado, sem dinheiro nem conhecimentos, decide contactar a única pessoa da família que tem na Grande Maçã, o seu tio viúvo que nunca conheceu, Howard Prescott. Qual a sua grande surpresa quando descobre que este é, nada mais nada menos, que o presidente de uma das maiores e mais ricas empresas norte-americanas. E eis que consegue um emprego como carteiro interno, o cargo mais baixo da multinacional. No seu caminho para o topo, vai disfarçar-se de gerente nos tempos livres, namorar a esposa do tio - sua "tia por conveniência" -, apaixonar-se pela miúda mais gira do escritório e provocar mais sarilhos do que soluções ao seu tio.
Comédia típica dos anos oitenta - com tudo o que isso tem de bom e de mau - "The Secret of My Success" é Michael J. Fox em estado puro. Acompanhado pela esbelta Helen Slater - coube a ela o papel de Super-Mulher numa adaptação cinematográfica arriscada de 1984 com Faye Dunaway e Peter O'Toole -, Fox salva com o seu talento natural para a comédia as diversas incongruências do argumento, as terríveis falhas técnicas de realização e montagem e, porque não, uma história que tem tanto de estranho - relações incestuosas, orquestra sexual, sugestões fálicas, etc. etc. - como de divertido. Com uma banda-sonora arrasadora, em sintonia perfeita com a década que representa - valeu inclusive uma nomeação para os Globos de Ouro -, a verdade é que "O Segredo do Meu Sucesso" nunca cansa, nunca aborrece, nunca deixa de ser divertido. Good old eighties!
Comédia típica dos anos oitenta - com tudo o que isso tem de bom e de mau - "The Secret of My Success" é Michael J. Fox em estado puro. Acompanhado pela esbelta Helen Slater - coube a ela o papel de Super-Mulher numa adaptação cinematográfica arriscada de 1984 com Faye Dunaway e Peter O'Toole -, Fox salva com o seu talento natural para a comédia as diversas incongruências do argumento, as terríveis falhas técnicas de realização e montagem e, porque não, uma história que tem tanto de estranho - relações incestuosas, orquestra sexual, sugestões fálicas, etc. etc. - como de divertido. Com uma banda-sonora arrasadora, em sintonia perfeita com a década que representa - valeu inclusive uma nomeação para os Globos de Ouro -, a verdade é que "O Segredo do Meu Sucesso" nunca cansa, nunca aborrece, nunca deixa de ser divertido. Good old eighties!
sábado, abril 14, 2012
Risky Business (1983)
Joel Goodsen, adolescente numa família abastada, aluno mediano como tantos outros, mas filho único responsável e bonitinho de quem os pais se orgulham. Sem certezas sobre o seu futuro - dificilmente conseguirá entrar nas mais conceituadas universidades - mas com muito terreno desconhecido por desbravar - principalmente no que toca à sua sexualidade -, Joel decide seguir o conselho de um amigo próximo e usar o "que se lixe" como lema durante uma semana em que fica sozinho em casa, com direito a Porsche na garagem e tudo. Sem problemas, os pais confiam nele. Bem, talvez não devessem.
"Risky Business" é o filme que lançou o jovem Tom Cruise, na altura com apenas dezanove anos quando as filmagens começaram, para o estrelato. Mas é hoje, quase trinta anos depois, também uma fita que envelheceu tão bem como um Vinho do Porto Vintage, perdendo gradualmente a sua adstringência inicial - as prostitutas não são hoje mais um assunto tabu no cinema -, adquirindo, por isso, um aroma equilibrado - na sua dualidade entre o dever e o querer, entre o certo e o errado, entre o sonho do garanhão e a realidade do virgem -, complexo - para quê trabalhar no duro e ganhar tostões quando o fácil, apesar de moralmente incorrecto, dá milhões - e, porque não, muito distinto - que bela e aventurada realização do então estreante realizador/argumentista Paul Brickman, para não falar da invulgarmente hipnotizante banda-sonora a cargo dos Tangerine Dream. Não, "Negócio Arriscado" não é perfeito. Tem várias incongruências narrativas que não deixam a história fluir tão bem quanto devia (ou podia), mas insignificantes na apreciação dos seus aromas frutados - que emanaram quase todos do corpo e da interpretação sensual de Rebecca de Mornay. Mas, por muito vinho que esta análise meta no copo, não foram precisos nem álcool nem drogas aos pontapés para triunfar enquanto filme de adolescentes intemporal. Bastou juntar duas obsessões tão humanas quanto animais: sexo e poder. Sim, por vezes é preciso dizer à vida: "Que se lixe!". Clássico e sem substituto. Tal como um bom Porsche. Tal como um bom Vinho do Porto.
"Risky Business" é o filme que lançou o jovem Tom Cruise, na altura com apenas dezanove anos quando as filmagens começaram, para o estrelato. Mas é hoje, quase trinta anos depois, também uma fita que envelheceu tão bem como um Vinho do Porto Vintage, perdendo gradualmente a sua adstringência inicial - as prostitutas não são hoje mais um assunto tabu no cinema -, adquirindo, por isso, um aroma equilibrado - na sua dualidade entre o dever e o querer, entre o certo e o errado, entre o sonho do garanhão e a realidade do virgem -, complexo - para quê trabalhar no duro e ganhar tostões quando o fácil, apesar de moralmente incorrecto, dá milhões - e, porque não, muito distinto - que bela e aventurada realização do então estreante realizador/argumentista Paul Brickman, para não falar da invulgarmente hipnotizante banda-sonora a cargo dos Tangerine Dream. Não, "Negócio Arriscado" não é perfeito. Tem várias incongruências narrativas que não deixam a história fluir tão bem quanto devia (ou podia), mas insignificantes na apreciação dos seus aromas frutados - que emanaram quase todos do corpo e da interpretação sensual de Rebecca de Mornay. Mas, por muito vinho que esta análise meta no copo, não foram precisos nem álcool nem drogas aos pontapés para triunfar enquanto filme de adolescentes intemporal. Bastou juntar duas obsessões tão humanas quanto animais: sexo e poder. Sim, por vezes é preciso dizer à vida: "Que se lixe!". Clássico e sem substituto. Tal como um bom Porsche. Tal como um bom Vinho do Porto.
segunda-feira, maio 30, 2011
Weekend at Bernie's (1989)

Dois amigos – Larry e Richard – trabalham numa reconhecida companhia de seguros norte-americana. Ao descobrirem uma fraude fiscal gigantesca nas contas da empresa, são convidados a irem passar uns dias à majestosa casa de férias do patrão, plantada à beira-mar. Preparados para um fim-de-semana de arromba, o que eles não sabem é que acabaram de destapar um esquema interno das hierarquias superiores para desviar dinheiro e que o convite é tudo menos amigável. O objectivo? Fazer com que eles não voltem… vivos. Mas os planos de Bernie Lomax, o mafioso patrão genialmente interpretado pelo multi-premiado actor de teatro Terry Kiser, dão para o torto, originando uma sucessão de acontecimentos surreais que tornaram “Fim-de-Semana com o Morto” uma das mais amadas comédias da década de oitenta.
Divertido, hilariante e idiota. Qual o vintenário ou trintenário deste país que não esboçou alguns sorrisos quando descobriu pela primeira vez as aventuras quase autopsiais de Andrew McCarthy e Jonathan Silverman? Ou os prazenteiros “one-liners” de Larry, que incluíram frases que ainda hoje permanecem no ouvido como “E que tal fingirmos que ele não está morto, só por um bocadinho assim” ou “Que raio de anfitrião é que nos convida para sua casa e morre na mesma altura?”? Realizado por Ted Kotcheff, reconhecido na indústria como o responsável pela criação do mito “Rambo” – que é, obviamente, o grande êxito da sua carreira -, “Weekend at Bernie’s” é uma comédia semi-negra sobre um cadáver… com vida. Um género ainda hoje inexplorado, factor que confere à fita a sua originalidade intemporal, transformando-o em entretenimento jovial revivalista a cada novo visionamento. As travessuras pelas quais o trapalhão Larry e o atrapalhado Richard passam para fazer de “vivo” o assassinado Bernie são tão absurdas e utópicas como alegres e portentosas. Para a história, ficou aquela que provavelmente foi a melhor interpretação da história do cinema de uma personagem morta. Pena que não haja registo da existência de nenhuns bloopers das gravações, algo que seria um extra obrigatório numa futura edição em disco digital.
Entre as inúmeras curiosidades que envolveram a rodagem do filme, destaque para as várias costelas partidas do duplo de Terry Kiser na cena do lago, onde “Bernie” foi arrastado por um barco, chocando contra vários obstáculos. Poucos sabem mas a casa de praia onde a acção se passa foi construída unicamente para o filme, sendo destruída logo após o final das filmagens com mais de trinta milhões de dólares arrecadados na bilheteira norte-americana, "Weekend at Bernie's" tornou-se um dos mais rentáveis do ano de 1989 numa relação custo/proveito, bem como o filme mais alugado nos videoclubes norte-americanos durante os primeiros dois anos da década de noventa.
As repercussões cinematográficas deste sucesso foram várias. Para começar, uma sequela disparatada alguns anos mais tarde, que misturou o mesmo triângulo cómico com tradições voodoos e uma linha narrativa com pouca margem de manobra. Bernie Lomax é raptado na morgue por ex-colegas de trabalho, que pretendem conseguir enganar um banco, levantando dois milhões de dólares da conta do defunto Bernie, como se este estivesse vivo. O banco, esse, está obviamente situado numa ilha paradisíaca onde, surpresa das surpresas, Larry e Richard passam férias. Se o original era bem mais divertido do que idiota, da sequela não podemos dizer o mesmo.
Mas “Weekend at Bernie’s” ficou no imaginário de muitos, tornando-se uma pequena fita de culto entre amigos e colegas que o viram juntos. As referências em obras posteriores são várias e em registos diversos. Sem qualquer ajuda de bolso, irrompem-me agora os episódios de “Friends” em que Chandler menciona o filme ou em que descobrimos que é este o filme favorito de Rachel, a personagem interpretada por Jennifer Aniston. Ou o episódio de “The Simpsons” intitulado “Weekend at Burnsie’s”. Entre muitas, muitas outras referências directas ou indirectas. Por fim, temos o rumor que surgiu o ano passado em alguns sites norte-americanos de cinema que um terceiro capítulo da saga estaria a ser preparado pelo produtor indiano Ashok Amritraj, o mesmo de “Death Sentence”, “Bandits” ou “The Boondock Saints”. Felizmente – ou não -, esse boato nunca foi confirmado, não tendo muito provavelmente passado de pura especulação.
quarta-feira, abril 22, 2009
Stand by Me (1986)
Quatro amigos partem à procura do corpo de um adolescente desaparecido, presumivelmente morto nas redondezas da linha de comboio que atravessa as suas casas. O grupo tem de tudo um pouco: do corajoso e valentão Chris - a malfadada lenda River Phoenix, que começava aqui a dar os primeiros passos de uma carreira promissora - ao cobardolas Vern (Jerry O'Connell), é, no entanto, no sensato Cordie (Wil Wheaton) que a narrativa se centra. E é ele - agora na pele de Richard Dreyfuss -, muitos anos mais tarde, que relembra esta aventura ao escrever um livro sobre o Verão em que descobriu muito mais sobre si do que alguma vez imaginava ser possível.Adaptação cinematográfica de "The Body", do conceituado autor de "The Shining", "Carrie" ou "The Shawshank Redemption" - falamos claro de Stephen King -, "Conta Comigo" é um poema apaixonado sobre a amizade, mas também um filme agridoce sobre o envelhecimento. É quase sempre, mesmo nas peripécias mais conturbadas, com mágoa e saudade que é recordada a inocência de uma época em que não existiam preocupações existenciais ou responsabilidades várias. O argumento, repleto de referências culturais e diálogos deliciosos, é caprichosamente representado por um dos mais memoráveis e compatíveis elencos jovens da história do cinema. E é a química deste quarteto improvável que eternizou "Stand by Me" enquanto filme ícone de uma geração.
A realização de Rob Reiner - longe já iam os tempos em que as suas discussões com Archie Bunker enchiam de gargalhadas os lares de milhões de norte-americanos - é segura, mas é a sua capacidade de potenciar as qualidades específicas de cada uma das crianças que merece ser realçada. Phoenix, esse, demonstrava aos quinze anos o génio de alguém que nasceu para ser uma estrela. Uma estrela cuja luz própria acabaria por apagar-se em alcatrão sujo, em 1993. Para terminar, destaque para a banda sonora, tão actual hoje como então, com vários temas que marcaram o coração e a alma de miúdos e graúdos.
domingo, março 08, 2009
Dead Poets Society (1989)
Quando John Keating (Robin Williams) é admitido como novo professor de Inglês num rígido colégio particular para rapazes, os seus métodos de ensino pouco ortodoxos prometem revolucionar as tradicionais práticas curriculares. Com a sua experiência e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais, segundo o lema “carpe diem” e a batuta da poesia. Realizado pelo australiano Peter Weir, o mesmo de “Witness” ou “The Truman Show”, “Dead Poets Society” foi nomeado para as dois principais galardões da Academia, valendo também uma nomeação a Robin Williams na categoria primordial de representação.“Clube dos Poetas Mortos” é, no entanto, um filme tremendamente desequilibrado, que nunca consegue encontrar proporções devidas nos desenvolvimentos narrativos das suas variadas personagens. Do romance de Overstreet com a jovem beldade de uma escola pública – que acaba por ser esquecido na última meia hora -, aos encontros na gruta do grupo de rapazes que compõem o clube que dá nome ao filme – que saltam de uma situação de grande dificuldade de saída dos quartos para outra de rebaldaria total, com raparigas à mistura - parecem faltar vários estágios descritivos nas aparentemente curtas duas horas de fita de Weir.
Vale então à obra de Weir um final tão poético e ambiguo como a moral e a mensagem dos ensinamentos de Keating, que consegue conquistar a audiência sem ter que recorrer a lugares comuns do género. Numa homenagem que deixou uma imagem marcante na história do cinema – a de um conjunto de alunos no topo das suas secretárias, a manisfestar a sua lealdade ao seu “comandante” -, é este final em catarse que serve de recompensa por toda uma obra atestada de interpretações interessantes, mas também repleta de buracos narrativos, que em nada beneficiam a criação de um mito intemporal.
sábado, outubro 27, 2007
Roger & Me (1989)
Sejamos claros: Michael Moore criou o seu próprio sub-género documental. E tudo começou com "Roger e Eu", um documentário genuinamente divertido e revolucionário sobre o impacto do encerramento de uma fábrica da General Motors, então num apogeu financeiro extraordinário, numa modesta cidade interior dos Estados Unidos, Flint - onde, curiosamente ou não, Moore nasceu -, apenas para poupar uns trocos com salários numa mudança para o México, onde a mão-de-obra era consideravelmente mais barata. Numa cruzada memorável para entrevistar o presidente da GM, o Roger do título, Moore proporciona um "one-man show" tão hilariante como melancólico. A narrativa sarcástica de um encontro impossível.Filmado durante cinco longos anos, a devastação e a depressão económica imposta a Flint são a razão justificativa para Moore passar de observador a protagonista, numa luta similar à de David contra Golias. Em estilo mordaz e corrosivo, Moore nada teme quando a sua câmara está ligada. Sem piedade nem complacência, "Roger & Me" é um filme que funciona sobre contrastes: rapidamente se salta de uma festa milionária entre patrões para um despojamento de uma família afectada pelo fecho da fábrica, sem dinheiro para pagar a renda; de uma cantora de sucesso, que embrulhada nas suas jóias afirma que todos nós podemos chegar longe se trabalharmos no duro, a uma mulher que mata e esfola coelhos para sobreviver.
Em suma, Moore incita no espectador não só a gargalhada sentida como uma sensação incómoda de indignação moral. E para tal, quando necessita manipula objectivamente situações e imagens, sem o tentar esconder, dando voz a miúdos de rua que nada percebem da situação mas exprimem melhor que ninguém a penúria de então. Porque mais do que traídos e em depressão, o povo de Flint está furioso. E não bastaram protocolos intitulados "O que fazer se Michael Moore aparecer?", que andaram de fax em fax pelas filiais da GM, para travar um homem anafado de boné, que angariou fundos durante anos no bingo local para conseguir transpor para o grande ecrã a obra a que Tarantino intitularia "Kill Roger".
sábado, março 24, 2007
The War of the Roses (1989)
Oliver (Michael Douglas) e Barbara Rose (Kathleen Turner – o que é feito dela?) estiveram juntos durante quase vinte anos. Agora, irritada com a superficialidade da relação e da sua vida, Barbara quer o divórcio. E quando chega o momento de decidir quem fica com a sumptuosa casa, nenhum deles está disposto a ceder. O advogado de Oliver (DeVito) oferece alguns conselhos, mas já é tarde demais: Oliver e Barbara envolvem-se num turbilhão de desespero e vingança. E vale tudo, desde urinar em cozinhados, a desfazer em migalhas carros clássicos que valem uma fortuna.Contextualizando “A Guerra das Rosas”, a primeira lembrança que nos irrompe é a do êxito de então da dupla Douglas/Turner, que havia apaixonado cinéfilos e não-cinéfilos em todo o mundo com a aventura “A Jóia do Nilo”. Fazia então sentido, pelo menos do ponto de vista financeiro, que a parelha se reunisse uma vez mais, numa história que pela estranha, mas divertida premissa, tinha todos os condimentos para uma horinha ou duas de bom entretenimento. Infelizmente, e apesar das fabulosas interpretações principais, tudo o que acontece em “The War of the Roses” cheira a cliché ou repetição. A aprazível ideia está presente, mas a sua fragmentação em momentos de humor – negro e físico – falha. Provável culpa de Danny DeVito, que ainda hoje não conseguiu completar e executar com resultado e mérito a sua desejada transição do mundo da representação para o da realização. Ditosamente, e em compensação, a cena final, carregada de simbolismos, arremessa uma forte mensagem que escusa DeVito de todo o percurso narrativo anterior mal aproveitado.
sábado, março 17, 2007
Zelig (1983)
Leonard Zelig (Woody Allen) é um verdadeiro camaleão humano. Para além de chegar quase a fundir-se em si mesmo, em termos de personalidade e conhecimentos, com quem o envolve, Zelig passa por um processo de osmose tão completo que se torna igual às pessoas com quem se cruza. Com toda a gente, menos com o sexo feminino, que por tao complexo, não lhe permite a transformação adequada. Mas de resto, sejam gestos, a voz, as atitudes, o discurso ou as próprias ideias, tudo se transforma a um ritmo diabólico. Assim sendo, a vida de Zelig, o fenómeno, é uma aventura composta de retalhos de outras vidas e personalidades, até ao dia em que conhece a psicóloga Eudora Fletcher (Mia Farrow). A partir desse momento, o seu objectivo deixará de ser o desejo de ser bem aceite pelo grupo, mas sim a oportunidade de ser amado por uma mulher. Não fosse o seu problema uma doença mental...A acção de "Zelig" decorre entre os loucos anos 20 e o início da II Guerra Mundial e Woody Allen, que realizou, escreveu e interpretou esta “falsa” comédia, faz rir e sorrir o espectador com uma sucessão delirante de referências históricas, literárias e cinematográficas. “Zelig” é uma caixinha de madeira oca (por ser um falso documentário) que reúne um conjunto fantástico de citações humorísticas memoráveis, mas também um leve dissabor sobre tudo aquilo que a película poderia ter alcançado e não o fez. Numa técnica mais tarde repetida e eternizada por Zemeckis em Forrest Gump, que, por assim dizer, coloca o presente no passado, Allen prova mais uma vez que é “o” cineasta da existência, tratando em “Zelig” daquela vontade que a todos toca, de sermos alguém que não somos.
Sendo sem dúvida alguma o filme mais conceptual de Woody Allen, “Zelig” é uma crónica sobre a ambiguidade e dualidade de qualquer tipo de realismo cinematográfico. E a prova maior desse facto, é que a própria noção de documentário é falsificada, num desafio claro que acabou por romper uma nova fronteira nos anos 80. No entanto, e tendo em conta o arrojo da premissa, é quase normal ao espectador sentir no final um pequeno amargo na boca, pela aposta não ter recaído numa pura obra de ficção, filmada sem narração e com personagens verdadeiramente fictícias e não adequadamente fabricadas para encaixar no estilo narrativo.
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