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domingo, fevereiro 24, 2019

Blackjack (1998)

Vá-se lá saber porquê, guardava boas memórias deste "O Guardião". Com estreia directa no pequeno ecrã - há quem afirme que se tratou de uma espécie de piloto para uma possível série que nunca viu a luz do dia -, "Blackjack" tem John Woo numa das suas melhores fases da carreira - tinha acabado de realizar o fenomenal "Face/Off" - e Dolph Lundgren quando ainda saltava de trampolim e matava uma mão-cheia de vilões num único salto. Mas, revendo-o agora, vinte anos depois, quase tudo no filme de Woo é sofrível: da fobia ao branco do herói aos tradicionais slow-motion que aqui nada acrescentam, sem esquecer o total - e expectável - vazio emocional de Dolph e companhia, eis um momento em que gostaria de ter seguido as regras da sensatez do Rui Veloso: nunca voltar ao lugar onde fomos felizes, porque matamos a recordação que lembra a felicidade.

segunda-feira, outubro 01, 2018

The Truman Show (1998)

A superioridade do conceito e tão inegável quanto visionária - tanto assim o é que os reality shows acabariam por moldar a televisão e o quotidiano de milhões de espectadores nos anos que se seguiram ao filme de Peter Weir. Mas a sua complexidade aliada ao persistir da ilusão de Truman num sem número de rotinas desnecessárias que o envolvem - os velhotes dos seguros que o empurram contra a publicidade, os extras sempre com os mesmos movimentos, etc. etc. - acabam por ferir a construção da concepção em prol do enternecedor desfecho moral de fábula, qual charada sem mistério nem problemas, apenas soluções. Com salpicos de paranóia e negridão, esta "vida em directo" poderia ter sido inesquecível. Assim, muito mais ousado na teoria do que na prática, soube a pouco.

sábado, agosto 11, 2018

Man on the Moon (1999)

A vida de um génio - ou de um maluco, ou até quem sabe de um pouco dos dois - encarnada por outro génio - ou por um maluco, ou até quem sabe um pouco dos dois -, numa obra extremamente subvalorizada que ganhou toda uma nova perspectiva com a estreia recente do documentário "Jim & Andy". Uma obra fascinante, interpretada no limite da sanidade por Carrey - que merecia, no mínimo dos mínimos, uma nomeação para a estatueta mais desejada -, realizada por um maestro ímpar, que nos deixa com muito mais dúvidas do que respostas. Talvez porque, na verdade, ninguém as tem, nem mesmo os que conviveram de perto com Kaufman. Intemporal e com um final enternecedor.

sábado, janeiro 20, 2018

The Faculty (1998)

A primeira grande questão em torno de "The Faculty" é tentar perceber a razão pela qual o título nacional escolhido foi "Mistério na Faculdade". Isto porque a tradução literal seria "O Corpo Docente" - o que faz todo o sentido para quem vê, efectivamente, o filme - e o tal mistério passa-se numa escola secundária e não numa faculdade. Pura azelhice? É provável que sim. O filme de Robert Rodriguez, esse, surgiu numa altura de boom do género em Hollywood e conta com uma mão-cheia de méritos que o atribuem, agora, uma intemporalidade merecida e justa. Para começar, um elenco de então jovens semi-desconhecidos que acabariam por convencer a indústria: Elijah Wood, Jordana Brewster ou Josh Hartnett, por exemplo; seguem-se os irresistíveis Robert Patrick e Famke Janssen em papéis que lhes assentam que nem as pernas de Xenia Onatopp no corpo de James Bond. E John Stewart, não esquecer John Stewart, qual professor chanfrado alienígena. Tudo tão simples quanto divertido, uma espécie de "Invasion of the Body Snatchers" para teenagers.

domingo, março 26, 2017

Trainspotting (1996)

Quem precisa de razões quando se tem heroína? Um ritmo dos diabos, um retrato cultural tão áspero quanto brutal de uma geração dominada pelos vícios e pelas vicissitudes de um ideal sócio-económico que não toca a todos - choose life -, o papelão de uma vida para Ewan McGregor, a eternização de um realizador com um estilo único, uma banda-sonora electrizante que bateu recordes nas lojas, quase como que uma despedida à música alternativa antes do britpop, dos Oasis e das Spice Girls tomarem de arrombo as preferências dos britânicos. "Trainspotting" é um clássico que deixou legado, uma experiência provocatória repleta de jump cuts, zooms inesperados e freeze frames que deram uma pinta alucinatória terrível a uma realidade sombria. Grande saca, sr. Boyle.

terça-feira, março 14, 2017

Event Horizon (1997)

2040, passado: uma nave espacial de seu nome "Event Horizon" é enviada pelo governo norte-americano para investigar os limites do sistema solar, quando desaparece misteriosamente ao passar a órbita de Júpiter. 2047, presente: outra é enviada na mesma rota para descobrir o que é que aconteceu, após uma transmissão inesperada da primeira. Sam Neill vs Lawrence Fishburne num horror sci-fi de aura sinistra e misteriosa, sustentada num mecanismo que dobra o tempo e o espaço e permite a uma entidade diabólica moldar os medos e os segredos de cada tripulante contra si mesmos. Presta para alguma coisa? Nem por isso. Mas tem um ambiente desconfortante e peculiar que lhe dá algum charme. Há piores ou, como diz um açoriano nos States, up yours!

sábado, fevereiro 20, 2016

The Man Who Knew Too Little (1997)

Indispensável para quem é fã do estilo cómico muito característico de Bill Murray, "The Man Who Knew Too Little" é uma comédia de espionagem que resulta surpreendentemente bem, sem precisar de recorrer aos clichés, os gadgets e as proezas típicas das paródias ao género. Isto porque incorpora na sua narrativa uma peça de teatro que inclui a participação do público e é uma simples troca de identidades que faz com que nasça um agente secreto que acredita que tudo o que acontece à sua volta de perigoso é parte do espectáculo. "Please don't call me by my real name, it destroys the reality I'm trying to create", diz a personagem de Murray a certa altura, como que resumindo o filme a uma frase. Para (re)descobrir, na Netflix nacional.

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Steel (1997)

Um super-herói negro muito misterioso (o line-up policial não deu em nada) com dois metros e dezasseis centímetros de altura, diagnosticado com um caso severo de estrabismo sempre que coloca a máscara (capacete esse que tapa por completo as orelhas mas deixa boca e queixo à mercê do destino quando chega a hora de enfrentar balas e lasers de criminosos). Um basquetebolista transformado em actor (?!?) cujas expressões faciais e guarda-roupa duvidoso dizem quase tudo sobre a qualidade desta adaptação estrondosa da personagem da DC Comics. Um vilão recorrentemente com ar de quem está com uma prisão de ventre daquelas tramadas. Dois polícias sempre sozinhos em todo o lado, seja um assalto a uns velhotes no parque ou uma invasão à Reserva Federal norte-americana; percebe-se, não fosse Los Angeles uma cidade pequena, sempre com as suas ruas sem um único carro ou transeunte quando Steel entra em acção. Única coisinha menos má? Richard Roundtree, o Shaft original, num papel mais relaxado. Boa dica de visionamento se quiserem que seja o vosso cônjuge a pedir o divórcio.

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Kazaam (1996)

Um génio rapper que canta (berra) tudo em rimas; um basquetebolista com dezanove anos de carreira cujo ego gigantesco derivado dos vários títulos de campeão nos anos noventa originaram uma onda de filmes, jogos e discos musicais que pretendiam explorar ao máximo o fenómeno popular; os saudosos velhos tempos onde um homem de 2,16 metros vestido com roupas estranhas a perseguir um miúdo nas ruas de Brooklyn não era olhado com preocupação. "Kazaam" revela-se uma experiência menos traumatizante do que contrair malária, mas ainda assim uma que foi suficiente para acabar com a carreira de realizador do "Starsky" Paul Glaser, responsável pelo inesquecível "The Running Man", do nosso amigo Arnie. Três apontamentos para mais tarde recordar: como o promissor Francis Capra perdeu-se no tempo; como provavelmente não havia ninguém da equipa técnica que conseguisse chegar à testa de Shaq para lhe limpar o suor entre takes e um justo louvor a Marshall Manesh ("True Lies"), o actor iraniano que em registo cómico nunca desilude.

sábado, novembro 28, 2015

Torrente, el brazo tonto de la ley (1998)

O espanhol Santiago Segura realiza e interpreta Torrente, um ex-polícia parolo e sexista que sobrevive à custa das esmolas que o pai deficiente arranja na rua. À procura de um caso que mostre ao seu antigo chefe o erro que cometeu ao despedi-lo, José Luís varre as ruas sujas e porcas de Madrid no seu Seat a cair de podre, repleto de emblemas do Atlético de Madrid e de garrafinhas de whisky. Entre prostitutas, um novo amigo peixeiro que sabe tudo sobre armas e filmes de acção e um grupo de idiotas cada um mais atrasado do que o outro, Torrente vai acabar por descobrir um esquema milionário de drogas nos bastidores de um restaurante chinês. Tudo o que se segue é xenófobo, badalhoco e grotesco, quais desventuras idiotas de um detective constantemente embriagado. Uma comédia negra que ganhou destaque internacional com o passa-a-palavra na internet, inspirada no braço forte da lei do Marion Cobretti de Stallone. Embuste de mau gosto para uns, palhaçada hilariante para outros, parece que Sasha Baron Cohen é fã da saga - já vai em cinco capítulos, o último deles com a presença de Alec Baldwin - e já deu a entender que gostaria de a "americanizar". Atira-te mas é ao Freddie Mercury, Borat.

sábado, novembro 07, 2015

The Usual Suspects (1995)

Rever "Os Suspeitos do Costume" passados tantos anos, sabendo bem qual a sua grande reviravolta narrativa, é uma experiência deliciosa. A quantidade interminável de pormenores que numa primeira visualização passam despercebidos - dos olhares que se revelam posteriormente decisivos às lacunas propositadas na história do coxo Verbal -, transformam uma segunda visualização do filme de Bryan Singer, escrito por Christopher McQuarrie, num acto indispensável para qualquer cinéfilo que se preze. Como bónus, temos ainda a oportunidade de relembrar a melhor interpretação da carreira de Kevin Spacey, um elenco em perfeita sintonia onde até Stephen Baldwin passa como competente e uma mão cheia de momentos deliciosos, numa história criminal onde nem tudo o que parece, é.

sábado, setembro 06, 2014

Mia aioniotita kai mia mera (1998)

Alexander (Bruno Ganz) está prestes a ser internado num hospital, com dores demasiado insuportáveis para se conseguir manter, sozinho, em casa. Este é o dia anterior ao internamento, aquele em que decide arrumar a velha casa à beira-mar onde sempre morou, revisitando velhas memórias através das cartas de Anna, mulher com a qual casou cedo e cedo partiu deste mundo. E é nessas recordações que Alexander vai perceber que o seu tempo está a chegar ao fim. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1998, “A Eternidade e um Dia” é a obra-prima máxima do conceituado realizador grego Theo Angelopoulos, uma que aborda tantos temas fulcrais da nossa existência quanto assuntos sociais e políticos sensíveis dos estados modernos. O tempo, a memória, a perda, o nascimento, a morte, o casamento, a prisão, o espírito aventureiro, tudo é recordado e analisado ao longo de um passeio à beira-mar, nas cartas da falecida esposa do protagonista narradas através da insinuante voz de Isabelle Renault, apelos poéticos tão apaixonantes quanto nostálgicos que reconstroem uma vida, a de Alexander, e possivelmente a de infinitos cinéfilos, perdidos e destroçados nas associações que fazem à sua própria existência. O tempo, tridimensional, intemporal, esvanece-se na interpretação fenomenal de Bruno Ganz, actor com uma presença magnética, que ganha força para viver no amor sagrado e secular da mulher da sua vida. A solidão de Alexander transforma-se com a nostalgia dessa paixão e a sua perspectiva existencialista altera-se. Até quando dura o amanhã? Uma eternidade e um dia, responde Alexander, perante o espelho de uma vida, ou como todos chamam, a morte. Um filme intenso, humano e belo, mesmo que triste.

quarta-feira, julho 17, 2013

Armageddon (1998)

Um asteróide de dimensões monstruosas está em rota de colisão com o nosso planeta. Chamada a intervir pelo governo norte-americano, a NASA decide juntar uma equipa com os melhores profissionais de perfuração petrolífera do país e treiná-los de forma expedita para, em menos de dezoito dias, conseguirem "aterrar" no meteorito, plantar uma bomba atómica e salvarem a humanidade da extinção.

Vamos começar pelo óbvio: para apreciar "Armageddon", é fundamental o espectador abstrair-se das inúmeras implausibilidades do filme, dos erros físicos e científicos, do facto de a maior nação à face da Terra considerar que seria mais fácil treinar uma mão cheia de saloios para serem astronautas do que pegar nestes últimos e ensiná-los a furar buracos ou, pura e simplesmente, o facto de tal algazarra planetária - sim, o apocalipse estava a dias de acontecer e algumas cidades foram destruídas pelo caminho - não merece uma única abordagem psicológica ou social aos efeitos do fim eminente na população humana. Esqueçam isso tudo e "Armageddon" é possivelmente um dos guiltypleasures mais difíceis de revelar de milhares de cinéfilos em todo o mundo. Cocktail de adrenalina, humor e testosterona, Michael Bay constrói uma obra de puro entretenimento, onde inteligência e lógica são conceitos irrelevantes. Realizador de momentos e não de cenas, Bay filma e edita a uma velocidade estonteante, sendo o grande trunfo deste seu trabalho a forma como caracterizou todo um elenco de excelência: Buscemi e Stormare revelam-se estratosféricos e Willis, Affleck, Duncan ou mesmo Liv Tyler nunca se perdem no meio de tanta bandeira americana. Milionário em todos os sentidos, "Armageddon" revelou-se um espetáculo áudio-visual único, acompanhado por uma banda sonora inesquecível liderada pelos Aerosmith.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Toy Story (1995)

Toy Story” foi não só o primeiro filme da história da Pixar, como a primeira longa-metragem de animação destinada a crianças de todas as idades. Neste lote estão incluídos, portanto, irmãos mais velhos, pais e avós, numa fórmula que viria a tornar-se regra para o estúdio e catapultar John Lasseter para a elite do género. Com um guião esplendorosamente trabalhado por Joss Whedon, que trata com uma subtileza fantástica todas as curvas da narrativa – nenhum momento cómico precisa de um espaço próprio para ser genuinamente divertido -, “Toy Story – Os Rivais” quebrou todas as barreiras artísticas do género, tendo sido justamente reconhecido por esse feito pela Academia norte-americana, com um Special Achievement Award. A história de competição e amizade entre o “ranger” do espaço Buzz Lightyear e o cowboy de corda Woody é um hino a todas as narrativas passadas da Disney, numa contraposição analógica entre o passado e o futuro. Destaque ainda para o fantástico trabalho de estúdio de Tom Hawks e Tim Allen na caracterização vocal das personagens.

quinta-feira, outubro 18, 2007

The American President (1995)

Em "Uma Noite com o Presidente", Rob Reiner narra o complicado quotidiano afectivo do Homem mais poderoso do planeta. Viúvo durante largos anos, Michael Douglas dá vida a um Presidente que se apaixona, em tempo de eleições, por uma activista ambiental problemática, daquelas que queima bandeiras em manifestações e levanta a voz nas televisões. Mas como o amor é cego, não há sondagem eleitoral que o faça desistir de a conquistar, cabendo ao perspicaz Reiner a tarefa de organizar e apropriar à dimensão política esperada, a faceta romântica disposta.

Com um elenco prestigioso, influente e enérgico, onde Michael Douglas espalha um infalível e raro encanto mágico, Michael J. Fox veemência desmedida e Martin Sheen um nível de rigor e convicção muito personalizado, contamos ainda com uma visão pouco habitual da política e da liderança de um país. Longe da omnipotência esperada, Douglas dá corpo a um líder convicto que recusa olhar para a envolvente como um conjunto de marionetas da percepção. E é esta atitude que o leva a desejar e lutar por uma vida privada, ignorando invariávelmente os ataques do principal adversário político, que o fazem cair abruptamente na opinião pública.

Com um argumento que serviu de base para a série "The West Wing" - o criador da série foi o argumentista do filme, aproveitando até, curiosamente, Sheen para o papel de Douglas - "The American President" acaba por ser romanticamente e humoristicamente inteligente, sabendo aproveitar todos os aparentemente ingénuos e inocentes momentos para mais tarde os transformar em irresistíveis gracejos românticos entre Douglas e a irregular Annette Bening. E, apesar de facilmente previsto, é sempre agradável abrir o sorriso com as dificuldades mundanas de um líder liberal, que mais facilmente convocou um ataque aéreo ao Irão do que conseguiu arranjar um simples ramo de flores para a namorada.

sábado, novembro 11, 2006

Trial and Error (1997)

"Vigaristas à Solta" é uma daquelas comédias simpáticas e despretensiosas que frequentemente aparecem no circuito comercial. Com a presença de Kramer, perdão, Michael Richards (Seinfeld), Jeff Daniels ("Dumb and Dumber") e uma Charlize Theron em início de carreira, “Trial and Error” consegue proporcionar por diversas vezes umas valentes gargalhadas.

O argumento gira em volta de Charles (Daniels), um advogado prestes a casar-se com a filha do patrão - uma daquelas megeras parvalhonas insuportáveis – que é mandado pelo sogro a uma terreola no meio do nada, resolver um caso que envolve um familiar currupto até aos dentes. Com a despedida de solteiro pelo meio, uma grande “cadela” e um amigo/padrinho de casamento pertencente ao mundo teatral (o krameriano Richards), completamente desenrascado e com uma grande lábia, a simples tarefa de entrar no tribunal e pedir um adiamento complica-se... e não é pouco.

Longe de ser um grande filme, ou sequer uma grande comédia, “Trial and Error” é modesto, conta com boas interpretações e algumas situações divertidas, suficientes para o tornarem num filme a ver, e quem sabe, mais tarde rever. Ninguém num perfeito estado mental parte para este “Vigaristas à Solta” (tradução completamente desadequada) com altas expectativas. Mesmo assim, acabamos por ser surpreendidos com um dois momentos dramático-reais muito bons, que o destinguem das restantes comédias pela positiva. Talvez por isso Roger Ebert o tenha considerado a melhor comédia no seu ano de origem.

Quem não está à altura do restante elenco é Jonathan Lynn (“My Cousin Vinny” e “The Whole Nine Yards”), que com uma realização pontualmente insegura - utilizando por diversas vezes planos completamente amadores e desnecessários - falha em bastantes transições. Felizmente, nada de paranormal, nada que Theron, Richards e Daniels não consigam disfarçar. Uma palavra ainda para Jessica Steen, conhecida pela sua participação como pilota de uma das naves de “Armageddon”, e que demonstra ter passado ao lado de uma respeitável carreira. Quem fala em Steen, fala no próprio Richards, que fora de “Seinfeld” pouco mais fez. E talento não lhe faltava.

sábado, fevereiro 04, 2006

Bravo Dooby Doo (1999)

Se acompanham aqui o Cinema Notebook regularmente, já devem ter reparado que fui, enquanto miúdo, um completo viciado da série animada da Cartoon Network, "Johnny Bravo". Ora bem, melhor ainda que um Johnny, é ter um Bravo e um Scooby-Doo no mesmo elenco. E não é que isso aconteceu mesmo, decorria o ano de 1999 (já era maiorzito e já só queria era farra) e eu nunca tinha dado conta? Pois bem, mal soube deste extraordinário acontecimento no outro dia, tratei logo de o arranjar, custasse o que custasse. E lá consegui!

Esta curta-metragem de 11 minutos, realizada então para o mesmo canal de televisão atrás referido, conta o encontro de Mr. Johnny (e é para não ser Sir!) com o "gang" do Scooby-Doo. Quando o carro de Bravo avaria a meio-caminho da casa da sua tia Jebidissa, lá teve este de apanhar boleia do bando da Velma e do Fred. Estes, mal reparam que a casa da tia de Johnny tem um ar assustador e assombrado, colam-se logo e lá vão todos que nem ratos. Depois... bem depois é uma mistura de humor das duas séries, que resultou na perfeição. Pouco mais se pode dizer, isto é material infantil mas que toca à saudade. O melhor será mesmo deixar-vos com algumas imagens e esperar que a verdadeira transposição para o cinema de Johnny Bravo, agendada para Novembro deste ano, não desiluda muito. O que será difícil, visto que a personagem branca e de largo cabelo louro será interpretada, nem mais nem menos, por... "The Rock". Raios parta a isto tudo, depois do David Hasselhoff aparecer ai a cantar que nem o Marco Paulo, lá se vai outro idolo de infância pela água abaixo.





PS: Senti-me por curtos minutos, novamente um rapazinho de doze anos. E foi óptimo!

domingo, janeiro 01, 2006

The X-Files (1998)

Trinta e sete mil anos atrás um segredo foi enterrado numa caverna no Texas. Agora, o segredo foi libertado, e a sua descoberta pode significar o fim da humanidade. A praga para acabar com todas as pragas. Quando um ataque terrorista resulta na explosão de um edifício em Dallas, Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson), agentes do FBI são atraídos para uma conspiração como nunca tinham encontrado antes. Auxiliados por um médico paranóico e cheio de teorias de conspirações governamentais (Martin Landau), Mulder e Scully arriscam as suas carreiras e vidas na caça a um vírus mortal que se suspeita ser de origem extraterrestre. A procura da verdade leva-os ao confronto com o misterioso Sindicato, constituído por homens poderosos capazes de tudo para manter os seus segredos, percorrendo o globo desde uma caverna no Texas, passando pelos corredores do FBI, até uma instalação secreta no Pólo Norte, onde se apresentará o maior mistério de todos.

“Ficheiros Secretos: O Filme”, seria, à primeira vista, um daqueles casos que só passava para o grande ecrã devido à sua fama e lucro financeiro garantido de início, mas ao qual iria, certamente, faltar qualidade na transposição. Mas, para boa surpresa minha, este não foi caso. Apesar de ser notório que muito melhor poderia ter sido feito - bastando apenas para tal, Chris Carter ter pegado numa outra história, de alguns dos mais dos duzentos episódios do historial desta magnífica série, que por tantos anos nos animou nas noites da TVI - “X-Files: Fight the Future” está longe de desiludir.

Mantendo-se fiel ao espírito da série, e servindo de bomba de oxigénio para a continuação da mesma de 98 até 2002, numa altura em que muitos já a davam como falecida, este filme (que em breve terá sequela, segundo afirmou um dos produtores do mesmo em Outubro passado) realizado por Rob Bowman é, assim, uma das melhores transposições da televisão para a grande tela já feita de uma série televisiva. Por muito difícil que à partida isso fosse, devido ao sucesso e exigência dos admiradores da série de culto. E a resolução da aproximação sentimental e emocional entre Scully e Mulder, tão desejada pelos fans, teve, no minímo, uma solução curiosa, que manteve a especulação para o futuro, ao mesmo tempo que a conseguiu resolver no futuro. Manias de Chris Cárter. E fiquem sabendo que as nove temporadas de Ficheiros Secretos já estão a caminho da minha DVDteca. É só dar dinheiro a espanhóis, porque cá em Portugal parece que as distribuidoras estão mais preocupadas em editar séries televisivas que nunca sequer passaram pelo território nacional, invés de grandes sucessos doutros tempos como foram os casos destes "Ficheiros Secretos", "The Pretender" entre muitas outras.

domingo, dezembro 04, 2005

Office Space (1999)

Sendo um dos filmes de 1999 mais valorizados pela critíca e espectadores - 7.7 no IMDb.com, o que é raro numa comédia - foi com grandes espectativas que parti para esta produção de baixo orçamento intitulada "Office Space", de Mike Judge. Com caras mais conhecidas que os seus nomes - Ron Livingston, Stephan Root ou Gary Cole - e ainda com a presença da bela Jennifer Aniston (mas sim, eu também trocava-te pela Jolie... quer dizer, arranjava maneira de ficar com as duas), "O Insustentável Peso do Trabalho" (mais um caso de uma brilhante tradução lusitana) não passou, infelizmente, de um conjunto de situações e piadas bastante bem conseguidas, todas elas relacionadas com o ódio ao emprego, mas nunca encaixadas num princípio, meio e fim.

Sem um objectivo argumentativo, "Office Space" é sim uma boa compilação de sketches cómicos - muitos deles quase a fazer lembrar os mais recentes "Gato Fedorento" - que ganha bastante consistência devido às suas personagens bastante esteriotipadas e bem interpretadas. A narrativa conta a história de um conjunto de personagens que odeiam a monotomia quotidiana do seu trabalho, tudo o que o envolve e consequente vida que levam. Até que um dia, Peter Gibbons (Livingston), um desses trabalhadores, decide ir a uma sessão de relaxamento através de hipnose, e, devido à morte instantânea do Professor Bambo a meio da sessão, fica assim, "sem stress" e muito "cool" para o resto dos seus dias. E, como é óbvio, é desse momento em diante que todas as situações mais caricatas irão acontecer na empresa. Num argumento que não tenta ser imprevisível, mas sim cómico, faltou um elo de ligação entre a comédia e um outro qualquer estilo, de forma a que houvesse um final, fosse ele qual fosse.

Ou seja, "Office Space" é um filme de avaliação complicada. Se é verdade que poucos foram os filmes que fizeram-me rir sozinho como este, também é a mais pura das verdades que poucos foram os que tão indiferente conseguiram deixar-me. Como tal, e não esquecendo a espantosamente simples Jennifer Aniston, fica pela nota média. E atenção à árdua interpretação de Stephan Root... simplesmente fantástico.

domingo, novembro 27, 2005

Dead Man Walking (1995)


Em "A Última Caminhada", Tim Robbins dá-nos uma visão madura do difícil tema da pena de morte. Sem tomar nenhum dos lados, mas mostrando e explorando ambos, Robbins consegue criar no espectador, independentemente das suas convicções, dúvida na sua opinião sobre o assunto.

Aliás, "Dead Man Walking" será mesmo dos poucos filmes completos sobre este dossier, pois é dos poucos que consegue mostrar todas as problemáticas que envolvem a pena de morte. Desde o julgamento e da abordagem da defesa, ao perdão e à caridade entre os homens, Tim Robbins coloca um elemento inicial supostamente neutro no meio das duas partes, que é, Susan Surandon, uma freira que convive tanto com os pais das vítimas, como com o criminoso condenado, Sean Penn. E é a volta da personagem de Surandon que todas as outras gravitam.

Como disse anteriormente, Tim Robbins não assume a defesa de nenhum dos lados. Mas tal facto não faz com que "Dead Man Walking" seja um filme sem mensagem, muito pelo contrário. O seu objectivo é esse mesmo, mostrar tanto as marcas irreparáveis da destruição de uma família e a dor incomensurável dos pais que são obrigados a enterrar os filhos, como a de um homem arrependido, que ama e é amado pela sua família e que apenas será executado ao contrário de outros por duas razões: primeiro porque não teve dinheiro para um bom advogado (ao contrário do cúmplice) e depois porque, em véspera de eleições é politicamente mais aconselhável executar um branco do que dois pretos.

Com interpretações notáveis de Sean Penn e Susan Sarandon (que ganhou o Óscar de melhor actriz com esta representação), e uma realização bastante sóbria e imparcial de Tim Robbins, "Dead Man Walking" é "o" filme sobre uma das temáticas mais discutidas nos últimos anos. E no final, a dúvida ficará na maioria de nós. Eu não mudei de opinião, continuo a favor da pena de morte. Mas percebo agora todas as complicações e implicações que essa mesma decisão pode acarretar. Um filme delicado sobre um assunto delicado. E com uma banda sonora extremamente adequada e poderosa.



N.d.r: Melhor filme da década de noventa para Roger Ebert. Valha isso o que valer.