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sexta-feira, janeiro 12, 2018

Timecop: The Berlin Decision (2003)

Nesta sequela straight-to-video do clássico de Van Damme que imortalizou a sua espargata numa bancada de cozinha, é Jason Scott Lee, o dragão que um dia foi Bruce Lee, que toma as rédeas de uma trapalhada temporal que decide enfiar três ou quatro possíveis linhas narrativas - visitas ao faroeste dos cowboys, à Alemanha de Hitler, à Chinatown mafiosa da década de trinta, entre outras - numa desculpa de fita para malta que, como eu, não resista à ideia de revisitar o conceito de um polícia duro de roer que controla saltos temporais ilícitos. Fica a admiração pelo secundário John Beck, afastado da alta roda de Hollywood há quarenta anos, sabe-se lá porquê.

quinta-feira, março 24, 2016

Pulsação Zero (2002)

Escrito e realizado por Fernando Fragata, "Pulsação Zero" mostra-nos um dia na vida de Alex Ventura, um tipo com um azar do camandro. Irreverente, tecnicamente irrepreensível no que concerne à montagem e à sonoplastia e com uma coesão narrativa salutar - não há nada na história para encher chouriços, tudo o que é dito e feito importa a certa altura, desenvolvendo-se o guião num ritmo primoroso -, o telefilme da SIC revela-se uma comédia negra de acção tão deliciosa quanto irónica e trágica. Num jogo do gato e do rato entre a sorte e o azar, onde o entretanto desaparecido Hélder Mendes cumpre mas não deslumbra, o product placement (Siemens, Vodafone etc.) torna-se excessivo e, perto do final, parece perder a paciência para fazer sentido - a cena do camião do lixo que não pára de forma alguma até dar jeito para o argumento -, obviamente nem tudo é perfeito; mas isso não tira mérito nenhum a uma produção ímpar que soube prender e conquistar quem a viu, fosse através de pormenores fantásticos como o Natal que se transforma em Fatal ou um padre que toca bateria e acaba na banda de um amigo. Fácil e elementar.

quarta-feira, junho 18, 2014

Días de fútbol (2003)

António, nos seus trintas, acaba de sair da prisão e, devido a algumas sessões de terapia de grupo, está convencido que a psiquiatria é o seu futuro. Sem um curso que lhe abra portas a esse sonho recente e sem dinheiro para estudar, acaba por ter que se render à oportunidade de ser taxista e conseguir deste modo juntar alguns trocos. Infeliz da vida, António julga ainda assim que os seus quatro grandes amigos de infância estão ainda pior do que ele. Jorge foi abandonado pela mulher, Miguel passa a vida a fazer o que a esposa manda, Charlie finge ser um actor de sucesso para impressionar meio mundo e Ramon tem chatos lá em baixo por se ter aventurado com uma prostituta. Decidido a ajudar os amigos a ganharem um novo ânimo - qual psiquiatra de elite -, António reúne a pandilha e convoca-os a participar num campeonato de futebol de sete, defendendo que uma vitória em campo seria a chave para um novo começo nas suas vidas. Decididos a ajudar o pobre António a adaptar-se à sociedade após o enclausuramento de que foi alvo, os quatro amigos alinham na ideia. Ou seja, no fundo ninguém queria jogar mas todos o fizeram a pensar que estavam a ajudar o próximo. Vencedor de um Goya para Actor Revelação (Fernando Tejero), "Días de fútbol" tem alguns momentos divertidos e interessantes na sua narrativa, mas perde a sua credibilidade através de sucessivos gags que revelam uma necessidade incompreensível de fazer rir o espectador através da estupidez e do surreal (pioneses no rabo ou telemóvel à cintura durante os jogos, por exemplo). Ainda assim, um elenco equilibrado e competente e um retrato de grupo coeso e engraçado justificam uma oportunidade.

segunda-feira, setembro 16, 2013

The Transporter (2002)

Frank Martin é o melhor no seu negócio devido às regras rígidas que impõe aos seus clientes: nunca alterar algo previamente acordado, não mencionar qualquer nome, nunca abrir nem saber do que se trata a "encomenda" e, acima de tudo, numa fazer uma promessa que não possa ser cumprida. Estas são as suas regras. As do carro que conduz, um belíssimo BMW 750i E38, com um motor V12 de 322 cavalos são ainda mais importantes: respeitem o carro e ele respeitará o cliente, cinto de segurança obrigatório e, importante, nunca beber café no seu interior. Se todas estas regras forem cumpridas, Martin conseguirá levar as suas missões, moralmente duvidosas ou não, até ao fim, entre derrapagens, perseguições policiais e tiroteios a alta velocidade. Mas tudo vai mudar no dia em que a "carga" é, nada mais nada menos, do que uma bela asiática raptada por uma rede internacional de tráfico de escravos.

Realizado em parceria por Corey Yuen e Louis Leterrier, com produção e guião a cargo do francês Luc Besson, "Correio de Risco" deu início de forma refrescante, despreocupada e divertida a uma saga de capítulos cinematográficos e televisivos cujo sucesso comercial cresce exponencialmente a cada novo capítulo que é lançado - numa proporção infelizmente inversa à sua qualidade narrativa, mas essa é outra conversa. Energético, estiloso e com uma cinematografia acima da média, só a sequência da perseguição inicial num cenário idílico algures no sul de França justifica o preço do DVD não só para qualquer fã de adrenalina sobre quatro rodas, como para qualquer cinéfilo capaz de respeitar as limitações estruturais de um filme de acção feito pura e simplesmente para entreter o espectador. De resto, uma banda sonora aprazível, uma Qi Shu deslumbrante e um Jason Statham vários furos acima de Seagals e companhias merecem um visionamento, nem que seja para abrir alas ao muito melhor Audi A8 6.0 de 450 cavalos que o anti-herói conduzirá nas respectivas sequelas - sequelas essas que ainda não acabaram, já que foi anunciado durante o Festival de Cannes deste ano uma nova trilogia produzida e distribuída por uma empresa chinesa, alinhe ou não Statham em voltar.

quarta-feira, abril 20, 2011

Bad Santa (2003)

Willie Stokes (Billy Bob Thornton) é um bandido alcoólico que sobrevive do Natal. Isto porque, depois de passar o ano inteiro em casa a beber e a ver televisão, aproveita cada Natal para, através de trabalhos em que se disfarça de Pai Natal em centros comerciais, dar um golpe numa qualquer loja desses mesmos estabelecimentos. Perverso, mal-educado e altamente sarcástico, Willie faz-se acompanhar pelo Elfo Marcus, um anão amigo e parceiro de crime. Desta vez em Phoenix, o plano da dupla está ameaçado por um desconfiado chefe do centro comercial (o já falecido Bernie Mac) e por uma criança de 8 anos que, na sua inocência, acredita que Willie é o verdadeiro Pai Natal.

Exemplo tão singular quanto escusado de humor negro, “Bad Santa - O Anti-Pai Natal” perde rapidamente a piada e o charme do seu estilo politicamente incorrecto para cair na vulgaridade de um filme que insiste em fazer humor durante duas horas sempre da mesma forma: através dos palavrões, das ofensas verbais e da estupidez das suas personagens. De pancadaria a crianças a adultos urinarem as próprias roupas, tudo vale para chocar funestamente o espectador. No entanto, sempre com alguma hesitação, quase como se Terry Zwigoff, responsável por “Ghost World”, não tivesse a certeza se queria mesmo ter usado aquela cena: “não passa de uma piada, não levem a mal”, parece estar a pensar o realizador.

De positivo, destaque para a interpretação imersiva de Billy Bob Thornton, corrosivo e bárbaro na construção de uma personagem tão cruel quanto erroneamente desenvolvida pelos guionistas. Assim, podemos afirmar convictamente que não foi por falta de entrega do polémico actor norte-americano – segunda escolha no projecto, tendo substituído Bill Murray na ideia original - que “Bad Santa” fracassou, mas sim pela vulgaridade do guião corromper toda a diversão.

quarta-feira, julho 29, 2009

Finding Nemo (2003)

A vida pode ser muito perigosa para um pequeno e indefeso peixe-palhaço. E quando Marlin vê o filho Nemo ser capturado para ser enclausurado num qualquer aquário, tem de pôr de lado os seus medos e partir à procura do seu único filhote. Para essa missão, Marlin conta com a ajuda de Doris, uma optimista mas esquecida Blue Tang que acredita que sabe falar o baleiês, ou seja, a língua das baleias.

Com um universo único repleto de cor e detalhes fantásticos, a Pixar conseguiu tornar uma simples narrativa numa aventura humanamente enriquecedora, repleta de personagens tão bizarras e irresistíveis como tubarões vegetarianos e sentimentais, tartarugas surfistas, pelicanos trapalhões, caranguejos rezingões e um bando de gaivotas sem vivalma de inteligência. Com interpretações vocais de excelência – destaque para Ellen De Generes e a sua Doris – e um mão cheia de referências de homenagem a ícones de Hollywood como Kubrick ou Hitchcock, "À Procura de Nemo" é um marco de identidade visual e independência na história da Pixar.

domingo, julho 05, 2009

X2 (2003)

Numa sociedade cada vez mais hostil para com os mutantes, uma tentativa de homícidio de um destes ao Presidente norte-americano dá ao Coronel William Stryker – o brilhante Brian Cox – a oportunidade que há muito anseava de desencadear uma guerra pela exterminação daqueles que sempre considerou ser produto de uma aberração da natureza. Sem hipóteses de sair por cima de uma batalha injusta, Xavier e os seus alunos e discípulos juntam forças com Magneto e o seu grupo, cujas motivações que no primeiro capítulo da saga tinham sido combatidas, agora parecem ter alguma razão para existirem.

Sequela assinada pelo mesmo autor do capítulo de estreia, Bryan Singer, “X2” é o melhor filme da saga até ao momento, “X-Men Origens: Wolverine” incluído. Repleto de cenas-chave construídas de forma esplêndida – como a sequência inicial que apresenta Nightcrawler ao público e desencadeia o enredo -, bastou esperar pelo ataque à mansão X para confirmarmos que os problemas em lidar com cenas de acção que Singer enfrentara três anos antes já não existiam aqui. Ajuda ou não dos cinquenta milhões de dólares extra de orçamento, a verdade é que mesmo a nível narrativo, “X2” declarava uma abordagem óbvia e importante à metáfora do direito à diferença e da integração dos mutantes na sociedade, de uma maneira que nenhum dos outros “X-Men” tinha feito ou viria a fazer mais tarde. Ou seja, “X2” trazia aperfeiçoamentos ao nível do estilo e da substância, sem perder a mística e a fidelidade à banda desenhada que tinha agradado até aos mais fanáticos fãs da Marvel.

Apostando na correcta - mas nem sempre possível - continuidade de um elenco de excepção, composto por alguns dos mais conceituados nomes da indústria cinematográfica norte-americana, “X2” desaproveita, no entanto, na quantidade a qualidade de actores como Rebecca Romijn-Stamos ou Halle Berry. O charme e o carisma de Jackman para a sua personagem continuavam a justificar uma escolha improvável e as dúvidas sobre o seu passado ganhavam forma em Stryker, um vilão magistralmente interpretado por Brian Cox, que não precisa de nenhuma mutação para triunfar nas suas intenções. Por fim, destaque para Michael Dougherty e Dan Harris, guionistas que se juntaram a David Hayter neste segundo capítulo e ofereceram à saga o humor e o equilíbrio que haviam faltado ao primeiro filme de Singer. E, porque não, para o escocês Alan Cumming, numa personagem que aproveita muitas das suas características, sem o reduzir à patetice de personagens bacocas em filmes como “Spy Kids” ou “The Son of the Mask”.

segunda-feira, outubro 01, 2007

The Bourne Identity (2002)

Baseado na personagem mais famosa de Robert Ludlum, criada no início dos anos 80, "The Bourne Identity" relata a história de Jason Bourne, um assassino profissional que é encontrado a boiar no Mar Mediterrâneo, com um número de uma conta bancária e duas balas alojadas nas costas e sem memória. Sem saber sequer o seu nome, Bourne apenas compreende rapidamente que defende-se como poucos e que a sua vida corre perigo. E vai depender dos seus instintos para sobreviver.

Com uma realização interessante e inovadora de Doug Liman, o mesmo que nos trouxe os simpáticos e dignos de algum lavor primoroso "Go", "Swingers" e, mais tarde, "Mr. and Mrs. Smith", a "Identidade Desconhecida" faltou um enredo um pouco mais inteligente e arriscado, que não baseasse a sua fortuna nas alucinantes sequências de luta, onde alguns dos melhores duplos do mundo davam vitalidade, energia e um realismo super-sónico à câmara de Liman. Demasiado leal ao seu acautelado argumento adaptado, o suspanse só triunfa na busca pela identidade de Bourne, deixando para trás a vertente de espionagem, onde nem existe a preocupação de produzir e originar um vilão de referência.

De qualquer das formas, deve ser louvada a coragem de Liman em não ceder - em virtude do seu elevado orçamento - aos efeitos pirotécnicos típicos do género, onde explosões dominam diálogos e onde as técnicas de montagem salvam a fita do pavor e do terror coesivo da estrutura de ligação. Pena que os responsáveis pela adaptação do livro ao cinema se tenham esquecido que os bichos papões imaginários dos anos 80, são hoje meras ilusões. Ou não serão?

terça-feira, abril 24, 2007

Hollywood Ending (2002)

Nos anos oitenta, Val Waxman (Woody Allen), realizador nova-iorquino, viveu momentos de glória. Mas nos anos que se seguiram a sua carreira foi de mal a pior e agora, Val está na mó de baixo, totalmente inadaptado ao mercado cinematográfico. Relegado para a realização de anúncios publicitários, Val está à beira do abismo. É aí que Ellie (Téa Leoni), a sua ex-mulher, sugere a um grande produtor de Hollywood, Hal Yeager (Treat Williams), seu patrão e amante, que dê a Val a oportunidade de realizar uma mega produção de milhões e milhões de dólares: “A Cidade que Nunca Dorme”, uma ode à sua cidade preferida, Nova Iorque. Mas na véspera do início da rodagem, acontece uma pequena complicação: Waxman fica cego.

Woody Allen prova que a visão de um realizador nunca deve ser questionada. Mesmo que este fique sem ela. Em Hollywood chamam-lhe "intelectual", "artista" ou "perfeccionista maníaco". Os outros só vêem nele um hipocodríaco incurável e um homem cheio de problemas. Em suma, Allen a parodiar-se a si próprio. Ladeado por um enredo repleto de farpas e críticas abertas a Hollywood, “Hollywood Ending” é, todo ele, uma caricatura prodigiosa, exagerada mas divertida. Um filme que mostra uma incredulidade absoluta no futuro do cinema norte-americano, que deixará – se é que já não deixou – de pertencer aos realizadores e actores, e ficará nas mãos impiedosas dos produtores.

Complexo, apesar de aparentemente simples, “Hollywood Ending” é dotado de uma inteligência satírica que, no entanto, poderia ter sido melhor aprofundada. Isto porque Allen concentra-se primordialmente na sua “persona” cinematográfica, com a sua personalidade irrequieta e cheia de tiques, e não tanto no conceito em si. E é normal que o espectador comum, não apreciador por aí além de Woody Allen, sinta-se molestado pela milésima interpretação da mesma sub-personagem neurótica do realizador e actor nova-iorquino. Felizmente, Allen filma melhor de olhos fechados que a maioria com eles bem abertos. E como é óbvio, não poderia terminar esta análise sem a sentença cliché que todos apregoam: um Allen menor nunca deixa de ser um bom filme.

domingo, fevereiro 25, 2007

Baywatch: Hawaiian Wedding (2003)

“Baywatch: Hawaiian Wedding” em quarenta segundos: Mitch Buchannon afinal não morreu na décima temporada ao contrário do que se pensava. Estava sim a recuperar de uma amnésia em Los Angeles. Recuperado, volta para o Havai para casar (mais uma vez!). A sua noiva Allison é igualzinha a Stephanie, o seu antigo amor. Mal sabe ele que foi tudo resultado de uma plástica, patrocinada pelo seu rival asiático da segunda temporada Mason Sato, que agora procura vingança. CJ (Pamela Anderson) tem o seu próprio bar e passa a vida no yoga, Caroline (Yasmine Bleeth) é actriz de telenovelas, Lani (Carmen Electra) aparece para mostrar o rabo e apêndices mamários e Neely (Gena Lee Nolin) continua a mesma víbora de sempre.

Apenas quatro ou cinco ilações rápidas sobre “Baywatch: Hawaiian Wedding”: o tema de introdução (“I'm Always Here” de Jimi Jamison) provoca um ligeiro arrepiozito a todos os antigos aficionados da série, um Hiroyuki Tagawa eficaz como vilão - aliás, como já é costume -, e um visual cuidado das beldades que provoca aquela sensação de “Sou homem, este filme é brutal. Sou cinéfilo, este filme não vale um mamilo.”. Para ver com os colegas das noitadas, com uma cervejola na mão e um baralho de cartas na outra. De resto, só recomendável a admiradores extremistas de “Marés Vivas”. Ou de Pamela Anderson. Ou de Stacy Kamano. E por aí adiante.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Bob Kennedy: L'homme qui voulait changer l'Amérique (2003)

Passou esta noite na 2:, um documentário interessante e realista sobre uma das figuras mais importantes e ilustres da política americana do século XX. Tudo começa durante o mandato presidencial de John F. Kennedy, o seu irmão, quando este apresenta a sua visão para o futuro ("The New Frontier", como ele lhe chamava). Contudo, passado alguns anos, John Kennedy morre assassinado e, mais do que trabalho feito, deixa sim um longo projecto pela frente. E é ai que entra Bob Kennedy como símbolo da esperança de uma nação, nos cinco anos que se seguem, até à sua própria e violenta morte em 1968.

"There are those who look at things the way they are, and ask why... I dream of things that never were, and ask why not?". Parafraseando a informação disposta no site da RTP, - não vá cometer alguma imbecilidade histórica - "por detrás das suas maneiras abruptas e aparência dura, estava um homem com princípios e profundas convicções. A própria presidência de JFK não pode ser avaliada sem ter em conta a profunda influência de Bob, particularmente desde o fiasco da Baía dos Porcos. Ele não era apenas a pessoa que administrava alguns dos serviços secretos do Estado, como a CIA, mas também era o principal conselheiro de JFK, na política internacional e mais tarde, nos assuntos do país. "

O Documentário de Patrick Jeudy, narrado por um tranquilo e sereno Jean-Pierre Kalfon, ganhou o galardão para Melhor Documentário no internacionalmente desconhecido Festival de Cinema de Avignon. Com um trabalho de montagem interessante, e um processo criativo que mistura o preto e branco com o tímido brilho de algumas imagens, "Bob Kennedy, O Homem que Queria Mudar a América" é uma interessante obra retroactiva que nos conta em pouco menos de uma hora a essência política de uma vida manchada e perseguida pela tragédia. Um bom prelúdio para uma visita a "Bobby", que estreou este mês nas nossas salas de cinema.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Bowling for Columbine (2002)

Vivem-se tempos conturbados em todo o Mundo e as decisões tomadas nos EUA, enquanto maior potência militar e económica no nosso planeta, afectam não só a sua população mas também todas as outras à escala global. Galardoado com o Óscar na categoria de Melhor Documentário em 2002, bem como com o César de Melhor Filme Estrangeiro, “Bowling for Columbine” foi ao mesmo tempo aplaudido tanto pela crítica, como pelo público em geral, abordando e investigando o fascínio dos americanos pelas armas de fogo.

Michael Moore, director e narrador do filme, questiona a origem dessa cultura bélica e busca respostas visitando pequenas cidades dos Estados Unidos, onde a maior parte dos moradores guarda uma arma em casa. Entre essas cidades está Littleton, no Colorado, onde fica o colégio Columbine, local onde os adolescentes Dylan Klebold e Eric Harris pegaram em armas dos pais e mataram 14 estudantes e um professor no refeitório. Moore faz ainda uma visita ao actor Charlton Heston, presidente da National Rifle Association (Associação Nacional de Espingardas).

Um dos temas centrais de Bowling for Columbine envolve esta mesma associação, e a sua influência na legislação existente no que concerne ao porte de armas em território americano. A NRA foi criada em Nova Yorque, no ano de 1871 e é considerada por muitos como o mais poderoso organismo americano, sendo referida diversas vezes pelos seus membros como a mais antiga organização de direitos civis dos EUA, definindo na Constituição Americana a licença de porte de arma como um direito civil. Esta associação é considerada por muitos com sendo um dos mais influentes lobbies nos EUA devido à sua capacidade de entregar um número considerável de votos nos diversos actos eleitorais. Algumas pessoas atribuem mesmo crédito à NRA pela forte campanha levada a cabo nos estados do Arkansas e do Tennessee nas semanas que precederam as eleições presidenciais em 2000, que acreditam ter levado o candidato democrata Al Gore a perder as eleições nesses mesmos estados. Esta ideia é fortalecida por diversos discursos proferidos pelo ex-presidente Bill Clinton, que tinha ganho os dois estados nas suas corridas vitoriosas à Casa Branca em 1992 e 1996, em que refere que a NRA alertou a população de que uma vitória do candidato democrata significaria que as suas armas lhes seriam tiradas.

Diversas sondagens efectuadas na população americana sugerem que a maioria defende uma maior rigidez nas leis respeitantes ao manuseio e licenças de porte de armas, tendo-se vindo a verificar a criação de nova legislação nesse sentido em diversas regiões do país, sendo estas sempre fortemente contestadas pela NRA e os seus apoiantes. Essas leis variam desde a quase total proibição do porte de armas, como por exemplo em Washington, até à quase liberalização completa de diversas classes de armas de fogo em diversos estados, chegando mesmo a nível Federal. A NRA, perante esta nova legislação, contrapõe com o reforço na aplicação das leis existentes que proíbem pessoas condenadas e criminosos violentos de serem portadoras de armas, bem como a extensão das sentenças nos crimes relacionados com o uso de armas.

Na sua constante luta neste lobby pelos direitos de armas, a NRA defende que a Segunda Emenda garante o direito ao cidadão comum de posse e manuseio de armas de fogo, "right to keep and bear arms", bem como o direito à privacidade desses mesmos cidadãos. Alguns críticos da associação referem que o conteúdo da Segunda Emenda são restos de uma época dirigida por revolucionários que não faz sentido nos dias que correm, especialmente com o actual estado da tecnologia utilizada nas armas que os percursores da Segunda Emenda nunca poderiam ter imaginado na altura da sua criação. No entanto, algumas críticas direccionadas a este organismo vêm de defensores de que o uso e licença de porte de armas de fogo é um direito absoluto, que argumentam que o apoio dado pela NRA a algumas leis neste contexto vão contra esse direito, ou seja, de certa forma esta estará a agir contra os seus próprios princípios.

Michale Moore, é, por assim dizer, um “justiceiro”, que assalta os malfeitores com uma camerâ e os enfrenta destemidamente, num fascinante modo, que quebra todas as barreiras, politicamente correctas e que avança com informações potencialmente chocantes sobre o comércio de armas nos Estados Unidos. É ainda um estudo devastador e cáustico sobre a cultura do medo que aterroriza toda uma nação e que intencionalmente descrimina toda a raça negra, comandada pelos meios de comunicação social, num estilo de transmissão de mensagens semelhante a uma propaganda nazi, devidamente situada.

“Bowling for Columbine” é assim uma obra que toca em vários pontos fracos da sociedade e democracia americana, num estilo sensacionalista, popular e ao contrário do que seria aceitável, parcial. Mas, nada aqui é fictício, e tudo aquilo que vemos é a vida real, mesmo se pela percepção de Moore. E o grande mérito deste é não cair em simplismos e facilitismos, e atribuir a culpa da violência americana ao cinema ou aos video-jogos. Porque só se dispara sobre alguém se tivermos uma pistola nas nossas mãos.

Um filme divertido, empenhado, polémico, corajoso e original, em que não é necessário ter as convicções políticas do realizador, nem acreditar nas suas teses para o apreciar. E isso é uma enorme qualidade.



Nota de Redacção: Informação e excerto do artigo sobre a NRA retirado da Wikipédia.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Ice Age (2002)

Numa época de glaciares, um grupo heterogéneo q.b, vê-se com a árdua tarefa de devolver um bebé ao seu pai, enfrentado todos os perigos da idade do gelo. Manny – o mamute rezingão, Sid – a preguiça atrapalhada e Diego – o tigre dentes-de-sabre misterioso e manhoso, formam esse peculiar bando. Os três partem em uma inusitada busca para localizar seus predadores, com o intuito de devolver o bebé perdido que salvaram às margens de um rio.

Neste fabuloso espectáculo de animação de imagens geradas por computador, o argumento não é novo nem surpreende ou espanta ninguém. O factor surpresa e bastante positivo, foi, sem qualquer dúvida, o trunfo do humor bem estruturado, imaginativo e hilariante que foi "colado" a cada uma das personagens e acções. E se não existe esse equilibrio entre comédia e drama (a balança pende claramente para o factor cómico), o mesmo é alcançado com a sólida caracterização de todas as personagens e originalidade dos momentos de boa disposição. Tanto para os mais novos, como para os mais graúdos.

Das várias surpresas hilariantes, a melhor delas é, sem dúvida, a personagem do esquilo. Mudo, pequeno e de movimentos absolutamente histéricos, o bichinho não tem uma função específica no filme, de forma que ele aparece e desaparece com a mesma facilidade. No entanto, quando aparece todas as atenções voltam-se imediatamente para a sua ínfima figura. A sua única missão parece ser enterrar uma noz no gelo, mas esse simples acto sempre desencadeia consequências desastrosas – avalanches, congelamentos e desabamentos são apenas algumas delas.

Em suma, "A Idade do Gelo" é um filme que cumpre com o seu objectivo principal: entreter as massas familiares por inteiro. Falta-lhe novidade no argumento, mas nada de grave para os mais novos. Que venha o segundo, já em 2006. E que traga o esquilo!

domingo, outubro 23, 2005

Minority Report (2002)


Washington 2054. O departamento Pré-Crime revolucionou a sociedade. O método: um grupo de três seres "pós-humanos" - pre-cogs - prevê a intenção de crime (literalmente, vê o crime) e lança o alerta (as imagens); imediatamente, um grupo de polícias apreende o potencial criminoso antes do acontecimento. O resultado: a erradicação do homicídio. Este é um mundo que encontrou nos pre-cogs novos deuses, mantidos num uterino e tecnológico templo aquoso, um laboratório. O seu sacerdote mais poderoso é John Anderton (Tom Cruise), o polícia que chefia o departamento. Finalmente, é um mundo em que os limites temporais se anularam e o futuro se tornou permanentemente presente em visões definitivas: "Can you see?", pergunta a pre-cog Agatha (Samantha Morton). Aparentemente.

No entanto, esta sociedade perfeita, este sistema infalível, vão ser postos em causa pelo seu maior defensor - quando John Anderton vê e manipula as imagens que o incriminam como futuro assassino. Como John afirma aos antigos colegas que agora o perseguem: "Everybody runs". Mas, quem é John Anderton? Um homem confrontado com o paradoxo temporal de provar uma inocência futura já afirmada como falsa. E tem apenas poucas horas para o fazer.

Esteticamente o filme é quase perfeito. As ideias futuristas, toda a tecnologia ao serviço das forças da lei de tal maneira que já é possível prever os crimes, tudo está muito bem imaginado. Porém há algumas discrepâncias difíceis de entender. Temos assim dois mundos. Um super avançado tecnologicamente com estradas verticais e carros ultra sónicos e outro super sujo e degradante onde desaparece a super tecnologia. Até podemos considerar esta diferença como uma ironia, pois em certo ponto do filme surge uma frase que poderá nos indicar esse sentido. “Inventam tudo menos a cura para a gripe” ou seja toda a disparidade pode ser explicada pela prioridade nos avanços tecnológicos. Curiosamente este aspecto do filme pode ser encarado como uma visão literária onde fica em aberto o porquê desta disparidade. Imaginem e criem a razão!No fundo de tudo isto está a mensagem subliminar...somos ou não capazes de mudar o nosso destino? Será possível a falha num sistema aparentemente “intocável”?

A principal desvantagem do argumento foi a ausência de personagens secundárias de verdadeiro valor na acção, o que limitou as opções de mistério e de quem estaria por trás de tudo. Uma delas seria demasiado óbvia, logo, só poderia ser a outra o que retira alguma surpresa ao filme. Que não se pense porém que o filme é fácil de captar e que à partida já tudo se sabe. Não é assim, e Spilberg conseguiu criar uma boa teia e sequência lógica ao qual só faltou aquele click final de genialidade. De resto, a realização foi acima da média, tal como a fotografia, e as interpretações principais brilhantes. Tom Cruise, provou aqui, que não é apenas um bom actor. É, de facto, um excelente actor. Quer queiram, quer não. E como tal, sai um Poker, que é como quem diz, um Four of a Kind.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Janghwa, Hongryeon (2003)




A "Tale of Two Sisters" é o meu mais recente filme fetiche. É um filme poderoso e sublime que retrata a história de duas irmãs, Soo-mi e Soo-yeon e a turbulenta relação estabelecida entre elas e a madrasta. O drama inicia-se com a chegada a casa das irmãs após uma ausência forçada para tratamento hospitalar por distúrbios mentais. A permissividade de um pai (quase sempre) ausente contrasta com a dureza da educação ensaiada e pela crueldade de métodos da madrasta. Entretanto fenómenos estranhos começam a suceder pela casa, que tantas lembranças trás às irmãs...

Fiquei extremamente deliciado com o realizador desta obra, Ji-woon Kim. Confesso que o desconhecia completamente, mas que agora lhe vou dedicar uma atenção especial. A leveza dos planos e a direcção segura dos actores bem como um desenvolver escalonado dos acontecimentos, permitem ao espectador absorver totalmente cada uma das referências basilares da história. Uma palavra ainda para a magnifica composição sonora, o que se começa a tornar um hábito nos filmes asiáticos.

Se puderem não percam porque para mim este filme tem o selo de obrigatório.

Coutinho77

segunda-feira, agosto 29, 2005

8 Mile (2002)



Não importa onde vivemos, não importa quem somos, todos estamos rodeados por fronteiras...algumas reais, outras imaginadas. Muitos estão contentes por viverem dentro delas, outros são forçados a isso. Mas alguns de nós precisam de sair, de ver o que está do outro lado, mesmo que isso seja desconhecido e assustador. "8 Mile" é a história destas fronteiras que definem as nossas vidas e da luta de um jovem para encontrar a força e a coragem para as transcender.

"8 Mile" ultrapassa, e bem, a mediania deste tipo de histórias. Soa mais ou menos a «déjà vu»? Sem dúvida. Mas Curtis Hanson trabalha o filme de uma forma inovadora, tal como o fizera em relação a "L.A. Confidential". Eminem (apesar de não ser apreciador da sua música e do próprio estilo RAP) consegue uma boa representação, segura e, até, estimulante. Como filme musical, "8 Mile" está mesmo acima da média. Peca "apenas", aqui e ali, em todos os outros aspectos importantes de um bom filme; é previsível, usa uma história mais que batida e conta com muitos pormenores vagos. Mas nada que o fantástico duelo final não esconda debaixo do tapete.

“8 Mile” fala-nos de Rocky, perdão, de B-Rabbit/Eminem, o puto do bairro que sofreu para crescer, numa América que também tem muitos podres e pobres. O ‘self-made man’aí está de volta, e desta vez verseja, acusa, bate, esfola, ama e até consegue revelar o segredo que levou Eminem ao pódio: ser o próprio a falar de si e das suas falhas em vez de deixar a tarefa para os outros. Transformar as fraquezas em forças. Sun Tzu nas entrelinhas. O resultado é um filme que se não maravilha, pelo menos também não agoniza e até nos surpreende ao apagar as dúvidas iniciais.

.: 7/10 :.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Shade (2003)



Vernon (Stuart Townsend), é um jovem viciado em póquer, mestre no ilusionismo de cartas (e baralhos inteiros), que ao lado dos seus parceiros de crime, o veterano Charlie (Gabriel Byrne) e a sexy Tiffany (Thandie Newton), arma consecutivos golpes de forma a angariar uma grande quantia de dinheiro e entrar no jogo de póquer mais disputado do ano, com a lenda Stevens (Sylvester Stallone), o rei do jogo e que nunca foi batido. Mas por de trás de cada jogador existe um "gangster" disposto a usar os mais sujos truques caso o seu dinheiro não seja devolvido.

Com um elenco forte em termos nominais mas fraquinho em termos representativos (Stallone devia ter ficado pelos Rambo's, Rocky's, Cobra e pouco mais), "Shade" dificilmente seria um bom filme, fosse qual fosse a sua linha narrativa. O argumento, baseado em meia-dúzia de truques baratos e duas ou três reviravoltas já nada inovadoras e uma realização sóbria mas monótona, tornam, então, este "Os Profissionais do Jogo" em apenas mais um dentro do género.

"Shade" é um daqueles filmes "não sei o que dizer sobre ele"! Ou seja, não é bom mas também não é péssimo, não amamos mas também não odiamos. É mediano, fácil de esquecer após dois ou três dias e entra com uma enorme facilidade naquela enorme lista de filmes que não necessita uma segunda visualização. Um filme do "quem engana quem?", sem qualquer cena memorável, mas que também não aborrece durante a sua curta hora e vinte.

Assim sendo, a conclusão é fácil. Damian Nieman teve medo de arriscar, dar um toque pessoal e diferente ao argumento e o resultado foi um filme que não ilude nem desilude. E eu não gosto de filmes de sábado à tarde... para isso mais valia ter visto o simpático e divertido "Maverick" pela décima quinta vez! Esse sim, uma boa "mão de póquer"!

.: 4/10 :.

segunda-feira, agosto 08, 2005

John Q. (2002)



Denzel Washington, vencedor de dois Óscares pela sua participação em "Tempos de Glória" e "Dia de Treino", protagoniza nesta história o papel de John Q., um pai que se vê forçado a tomar medidas drásticas numa situação extremamente desesperada. Quando num jogo de baseball o seu filho desmaia, John Q. e a sua mulher são informados que o mesmo necessita de um transplante de coração. Sem seguro de saúde e sem dinheiro suficiente para pagar a operação, este casal vê-se sem quaisquer opções para salvar a vida do filho. A única escolha para este pai em pleno desepero será fazer justiça pelas suas próprias mãos numa epopeia contra o tempo para salvar a vida do filho.

"John Q." conta com um sólido elenco, com a presença de actores como Robert Duvall, James Woods e, claro está, Denzel Washington, que é, a meu ver, um dos, senão mesmo o melhor actor da actualidade em Hollywood. Denzel cumpre, como é costume, com a densidade da sua personagem, o que no entanto, não é suficiente para salvar o resultado final medíocre de um filme que pouco mais poderia ser, devido à sua base num caso verídico. Mas o seu final simpático q.b e primário merecia muito mais trabalho e outro caminho.

Assim sendo, o resultado final é o de um filme híbrido, ziguezagueante, com alguns momentos de insólita densidade emocional, mas também algo complacente no tratamento dos problemas que levanta. Do mal o menos... sempre serviu para provar a justiça do óscar entregue a Denzel Washington no ano anterior pelo fabuloso "Training Day", que em breve, constará aqui no blog. "John Q." é assim, um filme que reivindica o velho direito da “justiça pelas próprias mãos”, com a sua vertente de paradigma social. Fica no entanto, muito longe do que poderia ter sido.

.: 6/10 :.

domingo, agosto 07, 2005

Signs (2002)



Um misterioso círculo com mais de 150 metros encontrados num campo de cereais algures na Pensilvânia, na quinta do reverendo Graham Hess (Mel Gibson) e outros tantos encontrados em diversas partes do mundo, são o ponto de partida para "Sinais" de Night Shyamalan, conceituado realizador da nova geração (para muitos o tão esperado sucessor de Hitchcock), que já tão bons "sinais" deixou com "The Sixth Sense" e "Unbreakable", por exemplo.

Mas, ao contrário da maioria, "Signs", a meu ver, não passa de um filme mediano, com alguns (poucos!) bons (excelentes!) momentos. O tema da invasão extraterrestre foi, mesmo assim, muito bem abordado, discretamente e maioritariamente representado por sinais, tal como o título indica, o que cedeu ao filme a sua melhor e mais conseguida característica, o suspanse. Há também em «Sinais» uma «mensagem» sobre os desígnios divinos e sobre a fé, que, apesar de ter sido mal e porcamente desenvolvida, marcou todo o filme, salvando um pouco o argumento, ou melhor, a história da família protagonista, a qual não me convenceu nada.

Mel Gibson e Joaquim Phoenix não marcaram as suas personagens, pois, a meu ver, não souberam exemplificar o tão importante "under-reaction" que o realizador pretendia para a sua obra. E não é de admirar, pois tanto Mel Gibson e Joaquim Phoenix estão habituados a outro tipo de papéis que não os de padre/tio campónio.

Assim sendo, "Signs" triunfa no aspecto religioso, no qual se tornou, sem qualquer margem para dúvidas, num dos melhores dos últimos anos. Mas no global, e tendo em conta a filmografia de Night Shyamalan, "Sinais" deixou muito a desejar. Depois de "Unbreakable" (injustamente criticado pela maioria) e do fabuloso "The Sixth Sense", "Signs" deixa mesmo muito a desejar. Em jeito de conclusão, posso afirmar que os vários momentos de grande intensidade dramática e a sua temática religiosa não são suficientes para colmatar a imensa artificialidade de diálogos, relações e interpretações, e com o seu final previsível e fácil.

.: 7/10 :.

N.D.R: Peço desculpa a todos os que por cá passam pela longa ausência. Férias são férias porra!!!

domingo, julho 24, 2005

8 Femmes (2002)



Estamos nos anos 60 algures em França, o Inverno faz-se sentir e o Natal espreita. Num enorme chalé, oito mulheres acabam por se reunir sobre o mesmo tecto para celebrar a quadra. Uma tempestade de neve deixa-as isoladas, mas o pior dá-se quando o homem lá da casa aparece assasinado e que a responsável só pode ser uma delas.

Com tons de "musical" e um ambiente de comédia negra, "8 Femmes" é um divertido exercício de estilo que cruza géneros tão diversos como a sátira social ou o policial "à lá" Agatha Christie. Com as cores fortes e cada cena cuidadosamente cuidada, o realizador francês François Ozon consegue dar a esta adaptação teatral a sua pretendida e assumida artificialidade, essencial para perceber o espiríto da narrativa.

Mas o grande triufo de Ozon é, sem dúvida, o poderio, experiência e reconhecimento do elenco com que trabalhou. Contar no mesmo trabalho com nomes como Catherine Deneuve, Isabelle Huppert ou Ludivine Sagnier, deu uma enorme segurança e reputação ao filme. A forma hábil como Ozon soube reunir e gerir um conjunto de talentos tão fortes como os destas oito actrizes, foi realmente, notável. Todas conseguem brilhar, sem nenhuma se sobressair.

Atraente, caloroso e divertido q.b. "8 Mulheres" é um entretenimento de enorme apelo, pela sua promissora premissa, que seduz tanto os cinéfilos mais militantes como os espectadores vulgares, que dificilmente irão conseguir resistir à atmosfera jubilatória desta pérola do moderno cinema francês.

.: 8/10 :.