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segunda-feira, janeiro 04, 2016

Brick (2005)

Um papelão de um muito jovem Joseph Gordon-Levitt, a estreia temerária na realização de Rian Johnson ("Looper" e o episódio VIII que aí vem), uma narrativa teen noir exótica, um raccord estranho, uma mão cheia de interpretações desastrosas, muito estilo, pouca plausibilidade. "Brick" é um objecto único, repleto de atitude, mas vazio de impacto emocional; interessante a nível técnico, aborrecido e descoordenado a nível estrutural. Quente e frio, ousado mas vítima da inexperiência do seu maestro.

quinta-feira, julho 17, 2014

The Game of Their Lives (2005)

Centrado na histórica vitória da selecção norte-americana de futebol, constituída na sua maioria por jogadores amadores, sobre a poderosa e aristocrata selecção inglesa, então considerada a principal candidata ao título no Mundial de Futebol de 1950 no Brasil, importa começar por afirmar que “The Game of Their Lives”, enquanto exemplar artístico e técnico desta arte que veneramos e à qual chamamos cinema, é uma miséria. Mesmo a nível factual, revelaram posteriormente alguns dos sobreviventes do jogo, quase tudo é romantizado para que uma vitória de um carteiro, dois ou três professores, um lavador de pratos e um director funerário sobre uma mão cheia de jogadores reputados na altura como sendo os melhores do planeta (principalmente Stan Mortensen e Stanley Matthews) se tornasse numa fábula de David contra Golias, ocultando detalhes, jogos e pormenores importantes no longo percurso dos norte-americanos que ajudaria a perceber um pouco melhor a forma como foi construído este resultado memorável. A maneira como o desporto em si é filmado dentro das quatro linhas, essa, é melhor nem falar; basta imaginarem Gerard Butler como um guarda-redes imbatível ou uma dúzia de jogadores à volta da bola na mesma jogada, vezes e vezes sem conta, e está tudo dito.

Porque escrevo tantas linhas sobre o mesmo então? Porque o feito norte-americano da década de cinquenta é provavelmente o melhor exemplo de que, no futebol, tudo é possível. E o leitor merece descobrir um pouco melhor o que realmente aconteceu em terras brasileiras a veteranos de guerra como Frank Borghi – que defendeu tudo o que havia para defender nesse jogo -, Pee Wee Wallace, o caceteiro Gloves – que perto do final do jogo placou um jogador inglês que se isolava como se de um jogo de rugby se tratasse - ou, acima de tudo, o haitiano que nem naturalizado norte-americano era e que marcou o golo que atirou aqueles onze desconhecidos para o panteão eterno da glória desportiva. É neste homem, Joe Gaetjens, que procuro colocar todas as vossas atenções.

Gaetjens, nascido e formado no Haiti, lavava pratos num restaurante nova-iorquino e recebia vinte dólares por jogo numa equipa local de futebol para conseguir pagar os estudos universitários, após ter arriscado tudo numa viagem solitária para a Terra dos Sonhos. Ninguém o conhecia e apenas se juntou à selecção norte-americana umas semanas antes da equipa rumar ao Brasil, por obra e graça de um colega de equipa que o indicou ao seleccionador de modo a resolver uma lacuna grave no conjunto norte-americano, sem a disponibilidade de um par de jogadores inicialmente convocados que não obtiveram autorização dos seus patrões para se ausentarem durante duas ou três semanas. Descobriu-se mais tarde, Gaetjens nem cidadão norte-americano era e viajou para o Brasil com um passaporte falso. A FIFA investigou o caso posteriormente mas aceitou a justificação norte-americana que, na altura, um visto temporário seria suficiente para considerar o jogador como homem da casa.

No filme, é retratado como um homem negro – na verdade, fotografias a preto-e-branco desse Mundial demonstram que, quanto muito, seria mulato – repleto de rituais e crenças voodoos. A família, entrevistada recentemente pelo ESPN, diz ser tudo mentira: Gaetjens era católico não praticante como tantos outros, um rapaz banal sem manias estranhas. Apenas uma das muitas incongruências do filme – omitem os restantes jogos dos EUA no Mundial, colocam a selecção no Brasil por convite quando na verdade tiveram que eliminar Cuba num playoff a duas mãos para garantirem a qualificação, etc. etc. Mas voltemos ao herói da história, aquele que foi carregado em ombros por milhares de brasileiros em Belo Horizonte, que viram no seu golo a solução para a selecção anfitriã não defrontar o temível conjunto britânico na fase seguinte da prova. O homem que depressa desapareceu, que entre ambiguidades e desinformações tornou-se num mito. Isto, claro, até a ESPN explorar o seu destino e a sua vida aquando do Mundial de 2010.

A glória efémera no Mundial de 50 não levou Gaetjens a uma caminho repleto de sorte e fama. Alguns meses após o fim do torneio, o haitiano deixou os estudos e rumou à liga francesa, ansioso por aproveitar a reputação que o golo acrobático impossível frente aos ingleses lhe proporcionara. Fluente na língua francesa, defende a sua família que a adaptação à Europa não se revelou difícil. Mas os míseros quatro jogos que disputou pelo Racing Club de Paris - com dois golos apontados - mostram que algo falhou nesta sua experiência fora-de-portas. A sua falta de utilização e uns joelhos problemáticos acabaram por o transferir para o Troyes AC, de uma divisão inferior, numa troca directa de jogadores. Poucos anos depois voltaria ao Haiti.

No seu País natal tornou-se um ícone. Recebido por milhares no aeroporto, Gaetjens foi contratado para ser a cara da Palmolive e da Colgate nas Caraíbas. Assinou pelo principal clube do país mas lesões recorrentes diversas obrigaram-no a terminar a sua carreira aos 29 anos. Antes disso, teve ainda tempo de jogar pela selecção nacional haitiana - como acabaria por não se naturalizar norte-americano, o Haiti aproveitou legalmente o facto - e foi titular num jogo decisivo de apuramento para o Mundial de 54, contra o México. O nariz começou a sangrar sem parar e Gaetjens teve que sair. Esse seria o último jogo oficial da sua carreira.

Arrumadas as botas, o herói de Belo Horizonte foi para casa descansar. Familiarmente relacionado com um candidato à presidência do Haiti - Louis Dejoie -, Gaetjens tornou-se uma bandeira política na conquista de votos. Mas não chegou. Perdidas as eleições para o médico François “Papa Doc” Duvalier, o seu destino ficou traçado: Papa Doc tornou-se um ditador sem escrúpulos e, paranóico com possíveis atentados à sua liderança, pouco demorou a encarcerar/assassinar todos aqueles que sabia serem contra a sua eleição. Gaetjens e o seu irmão foram dois dos que acabaram na prisão de Fort Dimanche, prisão onde todas as noites às 22:00 um prisioneiro era chamado para o pátio e executado. No dia 10 de Julho de 1964, calhou a fava a Gaetjens. Apenas mais um entre os trinta mil que foram assassinados durante o regime de Papa Doc. E é esta história de vida, tanto ou mais que o feito inigualável dos norte-americanos no dia 29 de Junho de 1950, que merece este destaque. Se o fraquíssimo filme de David Anspaugh ("Rudy") é o catalisador que precisam para a descobrir, que assim seja. Porque há males que vêm por bem.

sexta-feira, julho 04, 2014

El Penalti Más Largo del Mundo (2005)

Fernando é um zé-ninguém nos seus trintas, um tipo de mau aspecto que trabalha como repositor num supermercado de bairro e, sem mulher nem filhos com que se preocupar, passa os dias a beber cerveja e a sonhar com beldades que não pode ter. Além disso, é ainda guarda-redes suplente nunca utilizado num clube local – o Estrela Polar -, patrocinado e gerido pela direcção do supermercado onde trabalha, equipa que na última jornada do campeonato distrital enfrenta o adversário directo à subida no seu campo e, caso consiga pelo menos um empate, irá garantir pela primeira vez na história do clube uma presença numa divisão superior. Minuto noventa, tudo empatado e, num lance inacreditável em que o avançado derruba violentamente o guarda-redes mas a falta é assinalada ao contrário, penalty para os visitantes. Guarda-redes titular lesionado e, de cerveja na mão no banco de suplentes, Fernando é chamado para entrar e tentar um milagre, defendendo a grande penalidade mais importante da história do Estrela Polar. Mas eis que uma invasão de campo por parte de adeptos furiosos com a decisão do árbitro interrompe o jogo e a execução da falta é adiada para o domingo seguinte. Serão sete dias de angústia em que Fernando passa de um triste sem ambição para herói do bairro, venerado por todos de modo a motivá-lo para um momento que pode definir o futuro de várias vidas.

Comédia espanhola deliciosa sobre um meio social medíocre repleto de ilusões, um campeonato viciado pelo sistema e pela corrupção e, por fim, pela forma como o futebol é capaz de moldar as atitudes e os comportamentos daqueles que vêem no mesmo um tubo de escape às pressões do quotidiano – caso claro o jogador desempregado sem dinheiro para encher o frigorífico para o filho mas que gasta uma fortuna numas chuteiras de elite apenas para disputar meio minuto do jogo suspenso -, “O Maior Penalty do Mundo” consegue ainda manter-nos presos à narrativa devido à incógnita chave – tornar-se-á ou não Fernando uma lenda -, bem como ao magnetismo da belíssima Marta Larralde, que obrigada pelo pai (treinador) a sair com o monstro (esse mesmo, Fernando), proporciona os momentos mais divertidos da fita. Destaque final para Fernando Tejero, que com o seu guarda-redes escanzelado levou um Goya para casa.

sábado, fevereiro 07, 2009

The Aristocrats (2005)

Os Aristocratas” é a mais famosa e reciclável anedota privada de uma elite de comediantes norte-americanos. Um mito com cem anos, desmitificado neste documentário, que nada mais revela do que uma pequena história ordinária e vácua na sua substância, condimentada com mais ou menos repulsa por cada um dos protagonistas que a reproduz. Uma desilusão tremenda e brejeira, sem o mínimo de piada, que ao invés de resultar como uma pedrada no charco dos tabus sociais, acaba por dar razão a quem defende que há assuntos que nunca resultarão como base de humor.

De Jon Stewart a Robin Williams, passando por Whoopi Goldberg, George Carlin ou Chris Rock, são dezenas as personalidades da indústria de comédia norte-americana que enclausuram-se na falta de discernimento e intenção de uma imagem bárbara e grosseira, comprometendo a sua imagem perante um público alargado que os respeitava pela sua inteligência. Não há barreiras morais e, mesmo os adeptos do estilo narrativo, não negam o tom monótono que a fita atinge a partir de um certo ponto. Adorado e aclamado pela crítica em Portugal – basta relembrar que nomes pesados como João Lopes ou Eurico Barros contemplaram o filme com uma rara pontuação de quatro estrelas, classificando a obra de Paul Provenza (actor sem mediatismo no meio) como espantosa e desconcertante -, “The Aristocrats” é, em duas palavras, completamente escusado.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Lord of War (2005)

Yuri Orlov (Nicolas Cage) nasceu na Ucrânia, antes da divisão da União Soviética, mas cedo emigrou com a família para os Estados Unidos da América, onde os seus pais abriram um restaurante e, desde logo, ensinaram-lhe uma valiosa lição: “Abrimos um restaurante porque as pessoas terão sempre de comer”, asseverou o seu progenitor. Depois de assistir a um tiroteio entre gangues de leste, Yuri apercebeu-se, no entanto, que há outra necessidade humana que precisa de ser satisfeita... e que talvez possa render uns trocos mais interessantes: o negócio de tráfico de armas. Apesar do perigo, Yuri convence o irmão Vitaly (Jared Leto) a juntar-se ao esquema e esse será o primeiro passo para a decadência de uma família cujos laços de sangue pareciam inquebráveis.

O Senhor da Guerra” é uma sátira dramática sobre o corrupto mundo do tráfico de armas. Cínica, precisa e, por vezes, raivosa, a película de Andrew Niccol – o tal que teve uma estreia auspiciosa com “Gattaca” – oscila entre o surrealismo burlesco do panorama que retrata e o dramatismo necessário para conferir ao argumento uma base sólida cinematográfica. Através do ponto de vista do “anti-herói”, brilhantemente interpretado por Nicolas Cage naquela que foi a sua melhor interpretação nos últimos anos, Niccol consegue passar a mensagem que pretende sem precisar de orquestrar um filme que caísse no registo documentarista habitual algo indolente. Uma provocação ao circuito comercial, que levanta questões importantes como o peso dos Estados Unidos da América no quadro político internacional.

sábado, novembro 03, 2007

Prime (2005)

Numa frágil e inquietante Manhattan, Uma Thurman é uma produtora fotográfica recém-divorciada, nos seus quarentas, que vive numa subtileza acutilante rodeada de dinheiro, mas desgostosa com um novo amor impossível: o de um jovem rapaz pintor que acabou de sair da universidade. Esse mesmo facto a faz consultar uma terepeuta sentimental (Streep), que mal sabe Thurman é nada mais nada menos do que a sua desgostosa nova "sogra". E se esta pequena linha orientadora seria um doce nas mãos de, por exemplo, Woody Allen, para o inexperiente Ben Younger foi apenas um pretexto para trabalhar com um excepcional elenco.

Isto porque "Terapia do Amor" não passa de um filme urbano que não consegue triunfar em nenhum dos géneros que almeja ser. A mistura de relações, desafios e atribulações de três personagens com tendências cómico-dramáticas acaba por resultar numa nulidade de tendências que exaspera e enfurece. O modo como Younger se afasta tanto da gargalhada fácil, mas garantida, como da lágrima ingénua, mas merecida, acaba por deixar no espectador a revolta de algumas - ou bastantes - oportunidades perdidas. Sorte a dele de o cinéfilo se sentir premiado e recompensado pelos desempenhos notáveis de duas actrizes sensacionais, que mereciam um realizador à altura. É que se com uma família judia com amigos homossexuais, uma sogra terapeuta da sua própria nora e os nomes de Streep e Thurman no elenco Younger não chegou lá, dificilmente o fará no futuro.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Syriana (2005)

O petróleo movimenta rios de dinheiro. Dinheiro esse que estimula e instiga as mais variadas formas de corrupção entre todos os quadrantes do negócio. Dos políticos aos espiões, ninguém está imune. E quando num país do Golfo, um príncipe quer pôr termo às ligações privilegiadas com os Estados Unidos da América na venda de pretóleo, os interesses norte-americanos falam mais alto e Bob Barnes (Clooney), um agente do CIA à beira da reforma - como sempre - é chamado para uma última missão, que visa garantir o assassinato do chefe do principado.

Apesar da premissa interessante, mesmo que pouco original em termos de intriga conspiratória, e da realização pouco ortodoxa de Stephen Gaghan, o argumentista de "Traffic", quase todos os aspectos que tocam na relação com o espectador falham rotundamente em "Syriana". Se a fotografia deslumbrante parece indicar o contrário, a forma confusa e pouco convicente como a narrativa é filmada e tratada confirmam os receios iniciais que os primeiros minutos aparentam: uma obra que devia ter um impacto profundo de condenação da política norte-americana sobre o petróleo, acaba por ser tornar num desfile semi-monótono da câmara de Gaghan.

Faltou significado e faltou impacto à narrativa densa e, por vezes, confusa de Robert Baer, adaptada para o cinema por Gaghan. Mesmo os mais fanáticos do filme admitem que a ligação entre as diferentes histórias e personagens ficou longe da perfeição. No entanto, o complexo artístico da maioria defende que "talvez fosse esse o objectivo". A verdade, só o realizador óscarizado a saberá: terá sido um rasgo de lavor primoroso, ou incapacidade para ostentar uma melhor articulação?

terça-feira, maio 01, 2007

Batman Begins (2005)

Debilitado pelo sentimento de culpa mas fortalecido pela raiva inerente à morte dos pais, Bruce Wayne serve-se da sua principal fraqueza para combater os corruptos e criminosos de Gotham City que ameçam destruir o honesto e sincero legado deixado pela sua família. A sua arma é a sua fraqueza: o medo. Da frustração de uma vingança impossível, às privações auto-infligidas, tudo no “blockbuster” de Cristopher Nolan é um puzzle de fácil manuseamento e encaixe. Fácil mas com resultados eficientes e satisfatórios.

Em “Batman – O Início”, Nolan vê o Homem-Morcego com alguém extraordinário num mundo vulgar e sujo, numa valentia realista que retrata a inserção de uma das personagens mais marcantes da banda desenhada mundial, num mundo físico e humano. Não há poderes especiais, apenas explicações tecnológicas. É esta atitude de conformismo com o real que transforma “Batman Begins” no melhor capítulo da já longa saga.

Apesar dos vilões nunca assumirem um papel de elevado protagonismo, tal como acontecera nas obras anteriores, ao filme de Nolan não faltam motivos de interesse. Desde o excelente trabalho de Bale – que é, de longe, o melhor Batman cinematográfio da saga – ao elenco de excepção composto pelos excelsos Gary Oldman e Michael Caine e pelos não tão exorbitantes Morgan Freeman e Tom Wilkinson, tudo é articulado de forma equilibrada, com a clara sensação de que nunca o herói escondido por dentro da capa negra havia sido tão importante para o desenrolar da fita. Infelizmente, os complementares Cillian Murphy e Liam Neeson não estiveram à altura da restante comitiva.

Em suma, o Batman de Bale e Nolan é forte, duro e bem mais energético do que os anteriores. O que lhe falta em gótico e fantástico (numa alusão clara a Tim Burton, porque os de Joel Shumacher roçaram o rídiculo), esbanja em realismo. No fim, o resultado é muito mais consensual do que pessoal, superando todas as expectativas com brilhantismo. Esperemos que a sequela na altura descaradamente sugerida na cena final, e agora já confirmada cumpra de igual forma o desafio estimulante que “Batman Begins” deixou nos mais fanáticos da personagem.

terça-feira, abril 10, 2007

Boo (2005) / Scary Movie (2006)


São dezenas os filmes apontados aqui num bloco de notas que nunca chegaram a passar pelo Cinema Notebook na altura do seu visionamento. Para arrumar a casa, tenciono deixar-vos algumas breves notas, aos pares, tal como as meias são enfiadas numa gaveta: de forma rápida, mas organizada.

Boo (2005)

Na noite de Halloween, um grupo de amigos resolve ir dar uma voltinha a um sinistro hospital abandonado que, segundo contam os mais supersticiosos, mata misteriosamente quem por lá passa. E assim confirma-se, quando uma noite pintada em tons de diversão rapidamente se transforma num pesadelo sem saída, em que cada um tem que lutar pela sua própria vida e o azar parece explicar tudo.

Em poucas palavras, podemos afirmar que “Boo” de Anthony Ferrante - responsável pelo visual de alguns títulos conhecidos de terror, como “The Dentist” ou “Arachnid” - é pavorosamente funesto e insultuoso. Insultuoso porque trata o conceito do filme, mais do que banal, e o próprio espectador como qualquer coisa entorpecida e infértil, que não conhece ou reconhece os esquemas e artimanhas do género. Apesar do visual cuidado e sombrio, Ferrante claudica mais uma vez na escolha do elenco, que com interpretações excessivamente teatrais, fazem com que um filme assumidamente tenebroso se transforme numa risada pegada. Das tristes.



Scary Movie 4 (2006)

Quatro. Número mágico deste quarto capítulo da saga “Scary Movie”. Quatro foram os filmes parodiados, burlescamente transformados (“Saw”, “The Village”, “The Grudge” e “War of The Worlds”), quatro foram o número de tentativas de esboçar um sorriso durante o filme, quatro – mil! - foram as vezes em que desejei estar a rever o primeiro invés de visionar este último. Porque nenhuma maldição é forte demais, nenhuma vila é suficientemente segura, nenhuma serra eléctrica é afiada demais para impedir o descalabro total de um dos mais promissores realizadores de comédia dos anos 80. Sim, porque foi Zucker quem nos trouxe comédias hilariantes como “Airplane”, “Top Secret” ou “The Naked Gun” e custa associar a este currículo “Scary Movie 4”. Para não dizer que é preciso paciência para ver Leslie Nielsen fazer a mesma careta em trinta anos de carreira.

sábado, fevereiro 03, 2007

Match Point (2005)

“Match Point” de Woody Allen não tem Woody Allen como protagonista, não tem Nova Iorque como cenário e nem sequer conta no seu enredo com o maior dom do seu autor, que o catapultou para a eternidade: o inconfundível e abstracto sentido de humor. É sim um melodrama surpreendente sobre o destino e a sorte, com traços negros de suspanse, traição e morte. Chris é um jovem professor de ténis que sonha pertencer à alta sociedade britânica. Sonho esse que começa a tomar forma quando um dos seus alunos, Tom, o apresenta à família, aos pais e à irmã, que ficam fascinados com o seu gosto pela ópera e pelas artes. Mas Chris, que rapidamente começa um romance com a irmã de Tom, cai também ele rapidamente em tentação com a namorada de Tom (Scarlett), uma americana aspirante a actriz que transpira sensualidade por todos os poros. Entre as duas mulheres, Chris terá de recorrer a medidas extremas para não perder tudo o que instantâneamente ganhou.

Com uma considerável carga dramática e sempre em crescendo emocional, “Match Point” foi o regresso ao minimalismo mais primitivo e fulgurante de Allen, sem a necessidade deste de recorrer às suas marcas mais autorais. Bem filmado, com Londres como contexto e não como fundo, “Match Point” é uma obra extremamente sóbria sobre a imparcialidade moral da sorte e, por consequência, do destino. Com um argumento cruelmente real, repleto de culpa e desejo, Allen voltou a alcançar a notoriedade que desde os anos 80/90 lhe escapava iniquamente.

No entanto, o filme é demasiado repartido em termos de ritmo. Se temos uns quinze minutos finais absurdamente arrebatadores, do melhor que Allen fez na sua já longa filmografia, somos durante vários períodos do filme comparecidos com uma apatia quase asfixiante, que enrola e enrola o que de mais básico a obra produz e acaba por cansar e desanimar um pouco o espectador mais impaciente. O “casting”, como já é habitual nos filmes de Allen, é adequado e apropriado. Rhys Meyers surpreende e Scarlett Johansson confirma. Em suma, a ópera iguala o jazz, e Allen prova, de uma vez por todas, ser muito mais do que apenas um comediante de sucesso.

quinta-feira, setembro 28, 2006

The Skeleton Key (2005)

O horror, meus senhores, o horror. Quando penso que o cinema comercial norte-americano de terror já tinha batido no fundo com filmes como “The Grudge”, “The Fog” ou “The Ring 2”, eis que dou de caras com “A Chave”. Rotulado na capa como, e passo a citar, “um thriller tenso com arrepiantes volte-faces”, a história roda em volta de Caroline (a ténue Kate Hudson), uma jovem enfermeira contratada para tomar conta de um casal idoso, morador numa arrepiante e assombrosa mansão.

Com uma receita mais do que cozinhada, “The Skeleton Key” é uma verdadeira abominação cinematográfica. Aliás, desconfiei logo disso quando apanhei Peter Sarsgaard (para mim, o actor mais sobrevalorizado da última década) no ecrã por volta dos dez minutos. Apesar da ideia ser suficientemente interessante para resultar, todos os caminhos seguidos por Iain Softley foram os piores imagináveis. O rumo previsível roça a comédia trágica grega e apenas John Hurt (mesmo calado!) e uma direcção de fotografia semi-cuidada conseguem salvar “A Chave” da classificação nula.

“The Skeleton Key” é, então, um filme altamente impertinente, sem uma única cena digna de ser chamada de “assustadora” e em que nenhum dos “truques” tentados pelo realizador resulta. A própria Gena Rowlands, que nada precisa de provar no seu ramo (basta relembrar “The Notebook”), perde-se na sua interpretação. Demasiado esforçada. Dispensável!

terça-feira, julho 18, 2006

House of 9 (2005)

Nove estranhos, sem qualquer relação aparente entre eles, são raptados, drogados e fechados numa casa. As portas estão trancadas e as janelas tapadas com tijolos. Desorientados e furiosos, são recebidos por uma voz no intercomunicador que lhes diz que estão a ser observados e que competem para um prémio de cinco milhões de dólares. Como ganhá-lo? O último sobrevivente fica com o prémio e será liberto. E enquanto não começarem as mortes, a comida servida será cada vez mais escassa.

Há o Jay, o polícia, que decide que vai manter a paz. Há o Vince, um padre que se recusa a aceitar que vão atacar-se uns aos outros. Há o Francis, o compositor fracassado e a mulher Cláudia. Farida, uma jovem perturbada, e Claire, uma antiga estrela do ténis que se transformou numa acompanhante de luxo. Max, o estilista gay. Al-B, um aspirante a estrela de rap, e Lea, uma bailarina exótica. São nove personalidades completamente diferentes fechadas numa casa, sem possibilidade de fugir e que sabem que apenas uma pode sobreviver. A desconfiança instala-se e o ambiente de paranóia e suspeita torna-se cada vez mais pesado. A tensão transforma-se em violência e a violência em morte. De repente, passa a ser cada um por si, numa luta pela sobrevivência. Por que estão ali? Quem vai sobreviver? E o que é que isso irá custar-lhes?

Ora bem, este “House of 9” é a versão inglesa desfocada de dois filmes de sucesso norte-americanos: “Saw” e “Cube”. Se tem comparação possível com algum deles? Nem por sombras. Isto porque neste temos as mamocas de Kelly Brook, a barba de Hopper mas nem metade do talento de montagem, realização e direcção sonora das obras americanas citadas. Começemos mesmo pelo som e coordenação deste com as mais diversas cenas e momentos. Miseravelmente... miserável. Seria o mesmo que os momentos dramáticos do conceituado “The Shining”, de Stanley Kubrick tivessem sido acompanhados com uma música qualquer do vasto reportório de Emanuel, Toy ou Agata. A comparação está longe de ser desajustada, acreditem.

O argumento por sua vez, era uma laranja repleta de sumo, mas que não foi esprimida. Com um conceito tão multidimensional como o que é dado à partida, muito mais imaginação e criatividade era obrigatória. Um excelente final não basta quando todo o resto só atraiu pela ideia e pela agradável fotografia saturada em tons de cinza e branco. As personagens extremamente esteriotipadas permitem, logo de início, adivinhar os bons, os maus, o futuro vencedor e o bronco de serviço. O minímo esforço para fugir a esta inevitabilidade não é sequer esboçado. Não fosse o seu estrondoroso final e “House of 9 – O Rapto” iria directamente para o esquecimento. É que ao contrário de “Three”, nem sequer foram aproveitados os apêndices mamários de Kelly Brook para salvar algumas partes do filme.

sábado, julho 08, 2006

Hard Candy (2005)

“Hard Candy” é um thriller provocador baseado num encontro entre um predador sexual pedófilo de 32 anos e a sua “presa”, uma rapariga aparentemente inocente de 14 anos. Mas o “doce” esconde uma armadilha de difícil evasão, numa autêntica inversão de papéis, em que o capuchinho vermelho mostra os dentes e o lobo mau é preso no armário.

Longe do habitual drama tipo sobre a pedofilia, a principal virtude de “Hard Candy” é o revelar de uma grande actriz para o futuro, Ellen Page. Com uma grande segurança a todos os niveís, um olhar fixo e penetrante e poucos tiques corporais, Page promete ser, já em breve, um nome que vai dar que falar. A última vez que vi algo do género, se bem que numa fase mais precoce, foi em “Leon”, e a rapariga era, nada mais nada menos, do que a agora conceituada Natalie Portman.

Provocador e intrigante, “Hard Candy” esbanja, já perto do seu final, todos os atributos que constrói ao longo da história. Com um jogo psicológico entre as personagens bem montado, David Slade, tenta no fim “enfiar-nos” cenas completamente incompatíveis com o estatuto da predadora, ou seja, de Hayley (Page). Tornar o aceitável “pouco provável” num cenário completamente irrisório é o grande problema de “Hard Candy”, que tenta ser gigante quando só tinha condições para ser enorme. Consequência? Nem grande chega a ser. Só mesmo ao nível dos diálogos, todos eles dignos de merecer uma estatueta própria.

Com alguns truques baratos de realização, Slade consegue mesmo assim efectuar um bom trabalho atrás da camerâ nesta sua estreia cinematográfica. Certo que é notório algum amadorismo nas transições, mas não fosse a ambição desmensurada deste, e “Hard Candy” teria sido facilmente considerado um filme de culto. A escolha final de transformar Hayley numa justiceira de sangue-frio, invés de apenas uma pré-adolescente inteligente e matreira, acaba por tirar toda a credibilidade ao que tinhamos visionado anteriormente e acrescentar uns quantos buracos ao argumento. Slade ainda há-de me explicar como é que Hayley conseguiu pendurar um homem com mais 40 Kg do que ela no tecto da cozinha. Este e tantos outros que só aparecem porque Hayley é transformada, perto do final, em justiceira adivinha, que calcula todos os seus passos com uma antecedência genial, mas convencional.

sexta-feira, junho 09, 2006

Derailed (2005)

Baseado no best-seller de James Siegel, “Derailed” é um filme que tem por base a infidelidade de Charlie e Lucinda, dois executivos, que depois de se conhecerem numa viagem de comboio acabam num hotel, onde são assaltados. Ambos casados, a traição acaba por ser usada pelo assaltante como chantagem. Dispostos a tudo para salvar os seus casamentos, Charlie e Lucinda entram num mundo de vigarice e... várias reviravoltas facilmente perceptíveis e óbvias.

Com um interessante começo, “Pecado Capital” promete muito mais do que realmente acaba por ser. Sem nunca largar o interesse do espectador, o sueco Mikael Hafstrom, realizador do previamente coroado “Ondskan” consegue criar um aceitável thriller urbano que, no entanto, esmorece e afrouxa a partir do momento da grande revelação argumentativa da obra, revelação essa óbvia e previsível, mas mesmo assim não menos interessante. É ao ajoelhar-se aos pés dos tão tipícos cliches de suspanse de hollywood que “Derailed” descarrila por completo.

Com interessantes e dotadas representações dos magníficos Clive Owen e Vincent Cassel (principalmente deste último), só Jennifer Aniston parece sempre um pé atrás. Não me parece que seja este um estilo interpretativo favorável à famosa “friend ex-Pitt”, a de triste e banal mulher fatal. No entanto, num nível global, todo o elenco encaixa bem e mesmo a própria realização de Hafstrom é eficaz e atraente, num estilo escuro e ritmado que prende a atenção. Faltou apenas um pouco mais de coerência com os acontecimentos finais e um pouco mais de imaginação com o desvendar do óbvio “twist”. Não é para quem quer, é para quem pode.

Não é suficientemente bom para recordar no dia seguinte, mas chega e basta para ser suficientemente persuasivo para agarrar e entreter durante uma longa noite de ócio. Nem que seja porque Owen e Cassel estão juntos na mesma “caixa” como héroi e vilão.

quinta-feira, maio 18, 2006

Wedding Crashers (2005)

Cliches, cliches e mais cliches. Não bastava a presença de Owen Wilson, na única personagem que existe no seu portfolio (ou seja, a de parvalhão) e a de um realizador de currículo duvidoso, ainda tivemos que levar com o mais desinspirado dos argumentos possíveis para a levemente prometedora premissa matrimonial. Sim, a premissa divertida e a presença de Rachel McAdams ainda conseguiram criar uma leve pré-ilusão na minha retorcida mente, rapidamente desvanecida após a primeira meia-hora de fita.

O que à partida seria um semi-agradável filme de engate, rapidamente se transforma em outro básico e estúpido (mais um, minha nossa) filme de “boy-finds-girl of his life”. E a partir desse momento, a queda é monumental. Todas as piadas, momentos e gaffes são exactamente iguais às de mil e um outros filmes do género. É cliche atrás de cliche, tão batidos e rebatidos que nem beneficiam do minímo esforço do espectador para erigir o lábio superior e esboçar o minímo sorriso. O catálogo de divertimento de “Os Fura-Casamentos” é o mesmo de qualquer outra comédia com Owen Wilson ou Ben Stiller, que graças a Deus não coloca os pés neste filme, transformando o já mau em horrível.

Não é tudo mau, atenção. A química entre o elenco principal é notável, as representações passam despercebidas, sem excessos mas também sem abusos negativos, Rachel McAdams é o mais oloroso perfume no ecrã e a banda sonora recorda alguns clássicos de outros tempos, bem encaixados na acção narrativa, como foi o caso de “Don’t Cry” dos Guns & Roses. Mas será que isto é suficiente? Não, claro que não. A carga romântica imposta no filme, ainda por cima atribuída ao nada dramático Owen Wilson desloca por completo todo o efeito cómico da obra, colocando-a num patamar despropositado que não permite fugir ao típico final de qualquer outra vulgar comédia romântica.

A “Wedding Crashers” pode, então, ser facilmente exposto o problema que encrava todo o seu potencial inicial: a indefinição de criar um filme só dirigido ao público masculino, ou a ambos. A combinação de preferências pode ter agradado a alguns gregos e a alguns troianos, mas a mim, apenas alterou um rumo improvável e arriscado, num seguro e que satisfez minimamente todas as plateias. O medo de arriscar em algo ousado é notório. E como quem não arrisca não petisca...

segunda-feira, maio 08, 2006

The Constant Gardener (2005)

Numa zona remota do norte do Quénia, a brilhante e fervorosa activista Tessa Quayle é encontrada brutalmente assassinada. O seu companheiro de viagem desapareceu. Tudo indica tratar-se de um crime passional. Os membros do Alto Comissariado Britânico em Nairobi partem do princípio que o seu colega Justin Quayle, o marido de Tessa, pacato diplomata sem ambições, deixará o assunto ao cuidado deles. Não podiam estar mais enganados.

O surpreendente sucesso crítico e financeiro que o bastante sobrevalorizado - na minha opinião – “Cidade de Deus” obteve à alguns anos atrás, abriu as portas de Hollywood ao brasileiro Fernando Meirelles, e “O Fiel Jardineiro” é a primeira produção não-brasileira da sua autoria. Numa abordagem mais calma, mas mesmo assim, ainda bem característica, Meirelles triunfa logo de inicío ao apostar toda a sua faceta melancólica na paixão e no romance e não na intriga internacional, que aqui, apenas serve de base para uma história de amor. É ao colocar o argumento neste patamar, ao nível da quimera do coração e não do thriller meramente politíco, com queixinhas da globalização, que “The Constant Gardner” conquista o público. Meirelles sabe que o melhor cinema não se faz de politíca – faz-se de sentimentos.

A estrutura não-linear, em que o drama avança e recua, cruzando-se no tempo, encaixa bem na própria confusão que são as difusas paisagens quenianas. Aqueles poucos segundos em que, numa simples rotação da imagem passamos de um campo de golfe, frequentado por poderosos e abastados europeus/americanos, para um pobre e imundo pedaço de terra, totalmente preenchido por barracas sem quaisquer condições, é mesmo o melhor exemplo da mestria de Meirelles.

Se o galardão da Academia atribuído a Rachel Weisz parece ter sido algo exagerado – apesar da notável actuação da actriz –, a Ralph Fiennes não se poderia ter pedido mais. Na sua melhor prestação desde “Schindler’s List”, Fiennes consegue desta vez exprimir, sem muito esforço, todo o abatimento, melancolia e incapacidade pretendida por Meirelles, durante os mais variados momentos do filme. Só é de lamentar o realizador não ter efectuado o mesmo trabalho nas personagens mais secundárias, completamente caricaturadas, principalmente as que representavam a corrupção e a desgraça.

"The Constant Gardener" é uma epopeia constante de sentimentos, que nos transporta do além para a realidade cruel do mundo em pouco mais de duas horas. Sem qualquer tentativa de enganar o espectador em relação ao produto final da relação a dois, Meirelles mostra mesmo no início que a mesma não irá nunca acabar bem. Um acto corajoso que poderia desencorajar, à partida, o cinéfilo mais pesado. Mas não! O final de “O Fiel Jardineiro” é, muito por culpa dessa inevitabilidade, arrojado, enérgico e prestigioso. Se toda a denúncia humana acaba por parecer escassamente explorada ( a forma como as grandes empresas farmacêuticas usam o povo africano como cobaias para testar medicamentos, por vezes com consequências fatais ), o conto amoroso dificilmente poderia ter sido mais complexo e apaixonante. Em todas as variáveis desta obra, Meirelles consegue ver a beleza e a verdade na brutalidade. E a verdade aqui é tão primordial e revoltante como a dissolução de um amor perfeito.

quarta-feira, abril 19, 2006

Hostel (2005)

Dois americanos e um islandês fazem um inter-rail pela Europa em busca de sexo, drogas e... mais sexo. Algures em Amsterdão são informados que em Bratislava é que existem gaijas e mais gaijas famintas de americanos. No entanto não é este o cenário que espera os 3 viajantes. Depois desta pequena introdução “made in CinemaXunga” e que retrata em poucas linhas toda a história do filme, passo então para uma análise qualitativa deste “Hostel”. E as primeiras palavras não pudiam ser outras que estas: tremenda desilusão.

Cliché atrás de cliché, “Hostel” não passa de outro filme de horror tipicamente adolescente, que aposta em todo o seu material violento para fazer a diferença. Pois bem, não basta. “Hostel” é um filme completamente desprovido de ideias, de uma boa intriga e de emoção. Uma pura tentativa de lucrar com o sucesso recente de “Saw”, como foi bem notório com todo o franchising e merchandising que rodeou o filme. Aliás, toda e qualquer comparação com “Saw” é simplesmente inadequada, pois neste “Hostel” não falta gore mas não há ideias, não há um cérebro que elaborasse um bom drama e um bom fio condutor durante todo o suspanse. É sangue, gajas, mais gajas nuas e novamente mais sangue e nem um neurónio lá pelo meio.

Eli Roth (realizador de “Cabin Fever”, que ainda não tive oportunidade de assistir) tinha tudo o que precisava para fazer melhor figura. Desde Tarantino na produção – e o que isso ajuda na promoção do filme – a uma base sólida sobre um centro de tortura paga algures na Eslováquia, Roth preocupou-se apenas em deixar bem marcado a sua classe a criar situações constrangedoras de violência. Ninguém retira-lhe esse mérito, mas... e um argumento sólido? Nada, mas mesmo nada do que acontece em “Hostel” é imprevisível. É aquele mesmo argumento adolescente estúpido que vimos em dezenas de outros filmes deste género, em que nos primeiros cinco minutos já sabemos quem é que vai “bater as botas” e quem é que vai ser o herói, quem é o mauzão e quem é a próxima facadinha do rebelde bonito.

E já agora, só por curiosidade, gostava de saber quais foram os efeitos deste “Hostel” no turismo da Eslováquia. É que desta obra podemos retirar duas mensagens bem claras: uma de que “Hostel” poderia ter ido muito (mas mesmo muito) mais longe, tendo em conta a excelência das suas cenas de tortura. A segunda, ainda mais clara, foi esta: “Não ponham os pés na Eslováquia, país com crianças assasinas e fábricas abandonadas que servem para torturar e assasinar estrangeiros. Eu cá aposto num decréscimo de 40% no turismo eslovaco...

segunda-feira, março 20, 2006

Hitch (2005)

A maior parte dos homens têm dificuldade em encontrar o amor porque lhes é difícil serem eles próprios quando eles pensam que deviam ser outro tipo de pessoas. É aí que entra Alex "Hitch" Hitchens (Will Smith), um conselheiro amoroso especialista nas primeiras impressões: ele treina e orquestra os primeiros três encontros dos seus clientes. Nesse papel, Hitch foi o secreto responsável por centenas de casamentos em Nova Iorque: para o resto do mundo, ele é um "mito urbano". Quando Hitch ajuda Albert (Kevin James), um tímido contabilista, a juntar-se a uma grande celebridade chamada Allegra Cole (Amber Valletta), depara-se com Sara (Eva Mendes), uma jornalista de mexericos de um importante tablóide. Por ela, Hitch irá reavaliar os seus próprios ensinamentos e dar a si mesmo uma hipótese ao amor...

Vamos começar pelo ponto alto do filme: Kevin James. Um verdadeiro exemplo de uma representação encaixada por completo no género cinematográfico. Juntamos a este as beldades Eva Mendes e Amber Valletta (que febras!), e um actor mediano como Will Smith, que parece não saber bem ainda que estilo seguir (se héroi de acção, se papéis românticos ou a comédia), e temos então, em principio, um elenco competente para o que se pretende. Confirmou-se, felizmente.

Mas se o elenco é competente, e o guião suficientemente interessante, faltou certamente algo a este “Hitch”. O quê? Não sei ao certo. Talvez a existência de cenas marcantes, de uma história mais aprofundada e não tão superficial, que não nos agarra, mas também não nos afasta. “Hitch” é realizado de uma forma tão segura como banal, trazendo-nos um entretenimento suportável mas nunca memorável e fugindo por completo à responsabilidade de altas pretensões que pudessem destroçar as suas expectativas de bilheteira. É esse factor que o torna um filme a não rever, que não marca o espectador, deixando-o simplesmente entretido e não desiludido. Ou seja, “A Cura Para o Homem Comum” não passa de outra comédia romântica levezinha, igual a tantas outras e que num futuro próximo, será facilmente esquecida.

De qualquer das formas, “Hitch” acaba por ser suficientemente agradável para uma qualquer tarde de Domingo chuvosa. Não é hilariante, mas nunca chega a ser enfadonho, com Kevin James a dominar por completo com a sua forte presença cómica, quase ilustrada na sua “gordinha” personagem. E se para Will Smith pareceu ter sido uma verdadeira “seca” contracenar com Eva Mendes e Amber Valletta, para nós, comuns mortais, estas são um verdadeiro rebuçado no ecrã. E eu sempre o soube, desde que vi a menina Eva em “Training Day”, com o rabo ao léu e as mamocas descaídas. Imagens como essa não enganam, e sim, valem mais do que mil palavras.

sexta-feira, março 17, 2006

Revolver (2005)

Jake Green (Jason Statham) é um jogador que sempre andou com más companhias e que esteve preso durante 7 anos por ter caído nas teias de Dorothy Macha (Ray Liotta). Agora em liberdade e preparado para encetar a vingança, Jake torna-se imbatível nas mesas de jogo usando uma fórmula que aprendeu com os ex-companheiros de prisão.

Entretanto, Macha está a preparar um plano para eliminar sem misericórdia o seu rival, Lord John e aposta a sua credibilidade numa arriscada operação de tráfico de droga com o todo poderoso Sam Gold. Quando Jake vai visitar Macha no seu casino para acertar contas, é mais tarde salvo pelo enigmático Zach (Vicent Pastore) e o seu sócio Avi (André Benjamin), que lhe oferecem protecção e o defendem dos capangas de Macha. A partir deste momento Jake entra num jogo, a última coisa que ele queria vir a estar envolvido, onde em cada esquina o perigo está sempre presente. Mas o maior perigo virá de uma fonte completamente inesperada...

E se a sinopse é demasiado longa ou simplesmente não lhe interessa, não se preocupe, a mesma não define nem por um segundo “Revolver”. Isto porque Guy Ritchie não entra aqui pelo género crime/thriller/drama, como tão bem o supostamente (porque ainda não o vi) fez em Snatch. “Revolver” não conta uma aventura no mundo do crime, mas sim uma aventura pela cabeça de criminosos, pela ganância e por vários ditados populares. De pura acção e simples história, “Revolver” tem muito pouco. É até, infelizmente, confuso demais.

E é confuso porque o próprio trabalho de montagem preocupa-se mais em ser estiloso (com sucesso) do que objectivo. E quem fala na montagem, fala na realização, na direcção de actores e por aí adiante. Em termos visuais o filme é acima da média, em termos intelectuais e de mensagem é auto-suficiente mas em termos de acontecimentos e explicação final do que vimos, completamente amorfo. Ritchie tenta subir demasiados degraus com uma história simplesmente demasiado normal, e o resultado é aquele típico “não é pão nem é água”.

Até no elenco, “Revolver” contraria o bom com o mau, deixando tudo cair novamente para o mediano. Se Jason Statham e Vincent Pastore são do melhor que existe neste género de filmes, colocar Ray Liotta (completamente comercial e previsível) e Andre Benjamim foi um tremendo erro de casting. Ou se parte com a intenção inicial de fazer algo sério, ou algo entretido e arrojado visualmente. O filme disfrutava de suficiente potencial para ter sido bom numa destas facetas, mas não nas duas, como foi tentado. Querem o resultado novamente? Imaginem ler 100 páginas sobre um assunto e ficarem confusos na mesma. É essa a sensação final de quem viu “Revolver”.

Não é Tarantino ou Aronofsky quem quer, mas sim quem pode. Manejar o tempo da história como estes fizerem em Pulp Fiction e Requiem for a Dream não pode simplesmente sofrer tentativas de imitação. É preciso saber como fazê-lo, de forma a não deixar o espectador confuso mas sim delirante com a estratégia usada. E Ritchie (ou quem quer que este tenha nomeado para essa função) não o soube. Se bem que no capitulo do humor subtil... “Guy é um Mr.”

domingo, março 12, 2006

A Lot Like Love (2005)

"O Amor Está No Ar" é uma comédia romântica que segue a relação de Oliver (Kutcher) e Emily (Amanda Peet), que há sete anos se conheceram numa viagem entre Los Angeles e Nova Iorque. Durante esses sete anos, vão-se cruzando várias vezes, envolvem-se com várias pessoas, desfazem relacionamentos e constróem carreiras. Mas quanto mais procuram a pessoa certa, mais percebem que se calhar talvez estejam destinados um ao outro. Isto porque à medida que se cruzam, ano após ano, cidade após cidade, existe sempre alguma coisa que os separa, mas também algo inexplicável que insiste em aproximá-los...

Amanda Peet. Esta foi a última desculpa que Ashton Kutcher arranjou para entrar em mais um filme. Depois de Kristy Swanson, Jennifer Garner, Amy Smart, Tara Reid e Brittany Murphy, Kutcher lá conseguiu, coicidência das coicidências, mais uma das caras mais bonitas de Hollywood, para contracenar e “papar” durante um filme. Apesar da notória falta de jeito para a representação, burro não é ele, e cá por nós, faz ele muito bem em não contentar-se com a quarentona Deni Moore lá por casa. Apostas para a próxima brasa de Kutcher?

Não trazendo nada de novo ao género, “A Lot Like Love” só funciona devido a três aspectos: o charme de Amanda Peet, os poucos mas divertidos gags protagonizados pelo par e um bom “score” musical. De resto, em termos de história e argumento, “O Amor Está No Ar” falha catastróficamente, com constantes saltos temporais que quebram totalmente o já pouco ritmo da obra. O aspecto de Kutcher é irritante e todos aqueles relacionamentos de Peet são, simplesmente, demasiado forçados para serem reais. No entanto, a mensagem final é reconfortante e não deve ser esquecida.

“A Lot Like Love” apesar de não ser um filme desagradável, é mais outra má escolha de Amanda Peet na sua já considerável recente carreira. Falta-lhe “aquele” filme que lhe faça dar o salto. Aquele “Pretty Woman” de Julia Roberts, aquele “The Mask” de Cameron Diaz, aquele “60 Seconds” de Angelina Jolie. O talento está lá, o êxito não.