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sexta-feira, fevereiro 01, 2019
Lakeview Terrace (2008)

terça-feira, outubro 23, 2018
Religulous (2008)

domingo, setembro 20, 2015
The Escapist (2008)

sexta-feira, junho 13, 2014
Cass (2008)
Esta é a história verídica de como um bebé órfão jamaicano adoptado por um casal típico britânico se tornou, numa zona dominada por brancos e com graves problemas associados ao racismo e ao xenofobismo nas suas camadas sociais mais profundas, num dos homens mais respeitados e temidos do submundo londrino. Carol "Cass" Pennant passou de jovem oprimido pela sua cor de pele a líder dos ICF (Inter-City Firm), claque de futebol do West Ham United, um dos grupos organizados de hooligans mais violentos de Inglaterra. E acaba mesmo por ser nesta dualidade de interesses - o ser negro numa altura em que era díficil sê-lo vs a violência sem limites dos hooligans - que o realizador/guionista Jon Baird se perde, não sabendo bem em qual das vertentes se focar. Há uma fase inicial em que parece que o que lhe interessa é o conflito de relevância racial, mas rapidamente deixa-se levar pelo lado de influência social dos hooligans em gerações de adolescentes, baseando grande parte da narrativa em actos insensatos e desmesurados das claques. E, nesse capítulo, não traz nada de novo ao cinema e, no meio de tanto palavrão, acaba por ser uma repetição quase desnecessária de vários outros títulos britânicos recentes dedicados ao hooliganismo. Interpretações sem grande relevo - o vilão interpretado por Nonso Anozie acaba quase por ser demasiado simpático para ser credível enquanto alguém que racha cabeças por passatempo - fazem deste "Cass" uma biografia cinematográfica cujo potencial individual desvairou-se no colectivo.
quinta-feira, novembro 28, 2013
Il divo (2008)
Giulio Andreotti, sete vezes Primeiro-Ministro italiano, oito vezes Ministro da Defesa e cinco vezes responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros, entre muitos outros cargos que ocupou durante cerca de cinquenta anos de actividade partidária. Sem dúvida alguma uma das figuras políticas mais importantes e controversas do pós-Guerra em Itália, o "divino" é relembrado agora após o seu falecimento pelo seu sentido de humor e carisma, mas também pelas acusações e suspeitas de ligações à Máfia e a diversos crimes cometidos em prol de uma governabilidade sustentável. "Il divo", realizado pelo excêntrico Paolo Sorrentino, recria em tom satírico-biográfico o seu sétimo e último mandato enquanto Primeiro-Ministro, aquele em que enfrentou a justiça, perdeu a eleição a Presidente da República de forma contundente e viu a sua credibilidade ser totalmente devastada pela imprensa e pelo Senado.
Vencedor do Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2008, "Il Divo - A Vida Espectacular de Giulio Andreotti" condensa o bem e o mal de uma personalidade singular num retrato de estilo caricato, que arranca em dificuldade - muitas personagens e demasiados simbolismos dificultam a compreensão do contexto e da narrativa a quem é apresentado pela primeira vez a todo este "circo" sociopolítico - mas termina em beleza, com magníficos diálogos - destaque para o duelo entre o fruto do acaso e a vontade de Deus -, provocações ao espectador e várias zonas cinzentas na história de um Homem cujo poder se alimentava na sombra. Sorrentino brinca com os planos e com a respectiva sonoplastia, toma partido em enigmas ainda hoje factualmente misteriosos - como o encontro d'O Papa Negro com "A Besta" - e choca o espectador contrariando imagens a desmentidos verbais. Andreotti acaba por servir a Sorrentino enquanto espelho ustório de uma Itália cujo sistema político continua autista, fechado em si próprio, acima da justiça e dos tribunais; prova disso mesmo foi Andreotti, condenado posteriormente aos acontecimentos relatados no filme a mais de vinte anos de prisão pelo envolvimento com a Máfia em vários crimes, mas que acabaria no entanto por ver a sua sentença ser anulada pelo Senado, que o considerou intocável. Destaque final para o papelão de Toni Servillo, napolitano cuja carreira neste género criminal tem-se revelado intocável.
Vencedor do Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2008, "Il Divo - A Vida Espectacular de Giulio Andreotti" condensa o bem e o mal de uma personalidade singular num retrato de estilo caricato, que arranca em dificuldade - muitas personagens e demasiados simbolismos dificultam a compreensão do contexto e da narrativa a quem é apresentado pela primeira vez a todo este "circo" sociopolítico - mas termina em beleza, com magníficos diálogos - destaque para o duelo entre o fruto do acaso e a vontade de Deus -, provocações ao espectador e várias zonas cinzentas na história de um Homem cujo poder se alimentava na sombra. Sorrentino brinca com os planos e com a respectiva sonoplastia, toma partido em enigmas ainda hoje factualmente misteriosos - como o encontro d'O Papa Negro com "A Besta" - e choca o espectador contrariando imagens a desmentidos verbais. Andreotti acaba por servir a Sorrentino enquanto espelho ustório de uma Itália cujo sistema político continua autista, fechado em si próprio, acima da justiça e dos tribunais; prova disso mesmo foi Andreotti, condenado posteriormente aos acontecimentos relatados no filme a mais de vinte anos de prisão pelo envolvimento com a Máfia em vários crimes, mas que acabaria no entanto por ver a sua sentença ser anulada pelo Senado, que o considerou intocável. Destaque final para o papelão de Toni Servillo, napolitano cuja carreira neste género criminal tem-se revelado intocável.
quinta-feira, novembro 21, 2013
La siciliana ribelle (2008)
"La siciliana ribelle" narra a história verídica de Rita Atria, uma rapariga cujo testemunho e diários de adolescência foram fundamentais para colocar atrás das grades dezenas dos mais influentes mafiosos sicilianos, naquela que foi até hoje uma das operações antimáfia de maior sucesso em Itália, decorria o ano de 1992. O que começou como uma demanda por vingança de uma jovem rapariga cujo pai e irmão - também eles mafiosos respeitados no meio - tinham visto o feitiço virar-se contra o feiticeiro em disputas locais, acaba por acompanhar o crescimento interior e exterior de Rita, contra tudo e contra todos - inclusive família, amigos e namorado - até o único objectivo em vista ser a justiça e o desmantelamento de um mal que a sociedade sempre tomou como inevitável.
Aparentemente bastante fiel à história que lhe dá origem, "The Sicilian Girl" revela-se uma experiência cinematográfica que presta tributo de forma muito competente à curta mas significativa vida de uma heroína para muitos desconhecida. Partindo de um documentário do final dos anos noventa também realizado por Marco Amenta, o realizador italiano oferece agora uma versão ficcionada de uma epopeia judicial e criminal que comoveu um país, dando tempo às personagens para criar laços com a audiência, focando-se sempre no ponto de vista de Rita, deixando quase todos os crimes relatados pela mesma ao critério da imaginação do espectador. Não há distracções com planos violentos ou chocantes, deixando toda a atenção numa mão cheia de interpretações fenomenais, como as dos experientes Gerard Jugnot ou Marcello Mazzarella. Curiosamente, acaba por ser a protagonista Veronica D'Agostino a deixar algo a desejar, muitas vezes num overacting desnecessário pouco adequado à fragilidade emocional em que a sua personagem se encontrava. Ainda assim, nada que o deva afastar de um relato fidedigno obrigatório para qualquer curioso sobre a relação desavergonhada entre a máfia siciliana e o estado italiano.
Aparentemente bastante fiel à história que lhe dá origem, "The Sicilian Girl" revela-se uma experiência cinematográfica que presta tributo de forma muito competente à curta mas significativa vida de uma heroína para muitos desconhecida. Partindo de um documentário do final dos anos noventa também realizado por Marco Amenta, o realizador italiano oferece agora uma versão ficcionada de uma epopeia judicial e criminal que comoveu um país, dando tempo às personagens para criar laços com a audiência, focando-se sempre no ponto de vista de Rita, deixando quase todos os crimes relatados pela mesma ao critério da imaginação do espectador. Não há distracções com planos violentos ou chocantes, deixando toda a atenção numa mão cheia de interpretações fenomenais, como as dos experientes Gerard Jugnot ou Marcello Mazzarella. Curiosamente, acaba por ser a protagonista Veronica D'Agostino a deixar algo a desejar, muitas vezes num overacting desnecessário pouco adequado à fragilidade emocional em que a sua personagem se encontrava. Ainda assim, nada que o deva afastar de um relato fidedigno obrigatório para qualquer curioso sobre a relação desavergonhada entre a máfia siciliana e o estado italiano.
sexta-feira, setembro 27, 2013
Largo Winch (2008) & Largo Winch II (2011)
Fundador e accionista maioritário do bilionário Grupo W, o misterioso Nerio Winch (Miki Manjojlovic) sempre foi conhecido como um homem solitário que, no seu iate, manteve-se afastado do mundo e dos perigos do poder sempre que pôde, depois de uma infância pobre e problemática que deixou marcas severas na sua personalidade. Quando é encontrado afogado - terá sido suicídio ou assassinato? -, a luta pelo controlo do Grupo W entra numa fona, com vários abutres a quererem uma fatia do bolo. Só que, para desconhecimento de todos, eis que no seu testamento aparece o nome de Largo Winch (Tomer Sisley), um filho adoptivo que ninguém sabia que Nerio tinha, a quem entrega todos os seus bens e acções. Com o objectivo de doar todos os fundos da empresa a instituições de solidariedade, Largo vai enfiar-se numa conspiração gigantesca cujo o único objectivo é afastá-lo do poder, custe o que custar.
Saga adaptada ao cinema pelo francês Jérôme Salle ("Anthony Zimmer"), "Largo Winch" foca-se na construção da sua personagem principal e processo de herança, enquanto que o segundo capítulo que lhe sucedeu três anos passados dá continuação ao jogo de traições e duplas traições, desta vez com um pano de fundo ligeiramente diferente - a Birmânia e a transformação do Grupo W numa instituição de solidariedade. Produções europeias ao bom nível artístico de um qualquer blockbuster norte-americano, eis duas aventuras de espionagem empresarial com narrativas sólidas e vários volte-face inesperados e bem orquestrados. As cenas de acção são puras - vários foram os segmentos de alguns segundos que demoraram semanas a treinar - e, rezam as crónicas, as histórias de ambas as fitas são saudavelmente fiéis aos dois primeiros álbuns da banda desenhada de culto nos países francófonos. Curiosamente, acaba por ser um actor alemão a dar vida a Largo, com muita personalidade e uma dedicação extrema - Sisley aprendeu sérvio para os filmes e dispensou duplos nas cenas de acção. Uma vez pensada como a saga que iria rivalizar com a franchise de James Bond, os direitos das adaptações cinematográficas de Largo Winch caíram durante décadas no esquecimento, renascendo agora com resultados convincentes. Com uma linha narrativa que oscila eficazmente entre o presente e o passado, destaque positivo ainda para a interpretação prodigiosa do já falecido Laurent Terzieff na sequela e negativo para a falta de carisma de Olivier Barthelemy enquanto Simon, fiel amigo e companheiro de aventuras de Largo. Venha daí ou não uma trilogia, o certo é que troco qualquer Bourne frenético por um Winch engenhoso.
Largo Winch (2008)

Largo Winch II (2011)
Saga adaptada ao cinema pelo francês Jérôme Salle ("Anthony Zimmer"), "Largo Winch" foca-se na construção da sua personagem principal e processo de herança, enquanto que o segundo capítulo que lhe sucedeu três anos passados dá continuação ao jogo de traições e duplas traições, desta vez com um pano de fundo ligeiramente diferente - a Birmânia e a transformação do Grupo W numa instituição de solidariedade. Produções europeias ao bom nível artístico de um qualquer blockbuster norte-americano, eis duas aventuras de espionagem empresarial com narrativas sólidas e vários volte-face inesperados e bem orquestrados. As cenas de acção são puras - vários foram os segmentos de alguns segundos que demoraram semanas a treinar - e, rezam as crónicas, as histórias de ambas as fitas são saudavelmente fiéis aos dois primeiros álbuns da banda desenhada de culto nos países francófonos. Curiosamente, acaba por ser um actor alemão a dar vida a Largo, com muita personalidade e uma dedicação extrema - Sisley aprendeu sérvio para os filmes e dispensou duplos nas cenas de acção. Uma vez pensada como a saga que iria rivalizar com a franchise de James Bond, os direitos das adaptações cinematográficas de Largo Winch caíram durante décadas no esquecimento, renascendo agora com resultados convincentes. Com uma linha narrativa que oscila eficazmente entre o presente e o passado, destaque positivo ainda para a interpretação prodigiosa do já falecido Laurent Terzieff na sequela e negativo para a falta de carisma de Olivier Barthelemy enquanto Simon, fiel amigo e companheiro de aventuras de Largo. Venha daí ou não uma trilogia, o certo é que troco qualquer Bourne frenético por um Winch engenhoso.
Largo Winch (2008)

Largo Winch II (2011)
Escrito por
Carlos M. Reis
às
19:49
Etiqueta:
Críticas de Cinema,
Filmes de 2008,
Filmes de 2011
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terça-feira, fevereiro 12, 2013
Being W (2008)
Descrito como a biografia cinematográfica não oficial e não autorizada do quadragésimo terceiro presidente norte-americano, "Na Pele de George W.Bush" é uma sátira em formato de documentário ao percurso tão imperfeito quanto trágico e preocupante do republicano que antecedeu Barack Obama naquele que é considerado por muitos como o cargo mais importante do planeta. Com narração do próprio Bush - pronto, é mentira, trata-se de um actor com uma voz muito semelhante, mas para melhor proveito o espectador deve abstrair-se dessa batota - e com recurso apenas a imagens de arquivo, navegamos durante oito anos de trapalhices políticas, gaffes em discursos ou puros momentos de descontracção pouco comuns para alguém com tamanha responsabilidade, orgulhosamente apresentados pelo próprio - ou quase -, de forma jocosa. Da autoria do francês Karl Zéro - que já tinha ganho um Cesar com um documentário do mesmo género intitulado "Dans la peau de Jacques Chirac" e já usou a mesma fórmula posteriormente para o cubano Fidel Castro e para o russo Vladimir Putin -, "Being W" é hora e meia de humor à Jon Stewart, revelando e colocando a nú assuntos sérios e vários tiros nos pés de forma hilariante. Esperemos que a imagem de marca de Zéro continue a dar frutos; assim de repente, Sarkozy, Blair e Chavez parecem-me excelentes próximas vítimas.
sexta-feira, janeiro 04, 2013
French Roast (2008)
Num luxuoso café parisiense, um homem de negócios apercebe-se que não tem a sua carteira consigo, não tendo assim forma de pagar um miserável café. Para não dar uma de pobre ou pedinte, vai tentando ganhar tempo até arranjar uma solução, pedindo cafés atrás de cafés. Com a conta a crescer, o horário de encerramento a aproximar-se e vários personagens a passarem pela sua mesa, da freira distraída ao vagabundo, do detective ao empregado de mesa, "French Roast", obra de Fabrice O. Jubert, ex-ilustrador da DreamWorks, nomeada em 2009 para o Óscar de Melhor Curta de Animação, oferece-nos, de forma simples, divertida e eficaz, uma lição de que nenhum livro deve ser julgado pela sua capa. Touché.
quinta-feira, agosto 23, 2012
Vantage Point (2008)
Numa visita do Presidente norte-americano a Santiago de Compostela para assinar um tratado anti-terrorista numa badalada cimeira política internacional, Thomas Barnes e Kent Taylor são os agentes secretos principais responsáveis pela segurança do seu Chefe de Estado. No entanto, poucos segundos no palco são suficientes para o Presidente ser vítima de um atentado a tiro. No meio do pânico e da confusão, oito pontos de vista, do polícia ao turista de máquina de filmar, da mãe de uma criança ao repórter de imagem de um canal televisivo, todos eles serão decisivos para descobrir o que se passou e, mais importante de tudo, o autor do crime.
Ou, pelo menos, é esse o conceito com que nos tentam manipular, tentando que, no final, o espectador acredite que só através da articulação das várias peças do puzzle foi possível descobrir o mentor do atentado terrorista. Na verdade, analisando friamente a narrativa, este foi descoberto logo nos primeiros quinze minutos de "Ponto de Mira", quando Thomas Barnes apanha o mau da fita numa gravação de um canal de televisão, sendo tudo o que acontece daí em diante apenas uma desculpa cinematográfica para "encher chouriços" e levar, pouco a pouco, a essa descoberta. Longe de ser uma ideia inovadora ou original, o formato multi-perspectiva acarretava ainda assim consigo algum potencial que, infelizmente, foi desaproveitado de forma tão banal quanto inglória. No fim, a sensação de termos visto várias vezes as mesmas cenas, com os mesmos planos, sem nada de novo a surgir da sua repetição constante. Uma obra em constante reset, quando tudo o que queríamos era um antivírus - ou, por outras palavras, realizador - eficaz.
Ou, pelo menos, é esse o conceito com que nos tentam manipular, tentando que, no final, o espectador acredite que só através da articulação das várias peças do puzzle foi possível descobrir o mentor do atentado terrorista. Na verdade, analisando friamente a narrativa, este foi descoberto logo nos primeiros quinze minutos de "Ponto de Mira", quando Thomas Barnes apanha o mau da fita numa gravação de um canal de televisão, sendo tudo o que acontece daí em diante apenas uma desculpa cinematográfica para "encher chouriços" e levar, pouco a pouco, a essa descoberta. Longe de ser uma ideia inovadora ou original, o formato multi-perspectiva acarretava ainda assim consigo algum potencial que, infelizmente, foi desaproveitado de forma tão banal quanto inglória. No fim, a sensação de termos visto várias vezes as mesmas cenas, com os mesmos planos, sem nada de novo a surgir da sua repetição constante. Uma obra em constante reset, quando tudo o que queríamos era um antivírus - ou, por outras palavras, realizador - eficaz.
quarta-feira, maio 04, 2011
The Incredible Hulk (2008)
Bruce Banner é um cientista desesperado à procura de uma cura para o seu “Hulk”, um monstro verde furioso – um Shrek versão musculada - que nasce de dentro de si sempre que se irrita um bocadinho. A viver nas sombras, longe da sua amada Betty Ross, foge da perseguição do general Thunderbolt Ross e do exército que pretende capturá-lo e explorá-lo cientificamente para fins militares. E, como em qualquer filme banal de super heróis, para cada grande monstro herói existe uma besta vilã com proporções semelhantes. Quem irá levar a melhor a guerra de titãs?Numa espécie de mistura indecisa entre sequela e remake da versão de “Hulk” de Ang Lee, “O Incrível Hulk” consegue decepcionar as já modestas expectativas dos fãs e mostrar-se na tela como uma obra ainda inferior à que colocou Eric Bana nos calções super-elásticos do herói verde. Realizada pelo francês Louis Leterrier (responsável pelo ritmado “The Transporter” mas também pelo angustiante “Clash of the Titans”), apelidado por alguns como o discípulo sucessor de Luc Besson, “The Incredible Hulk” não aprende com os erros do seu antecessor e, mais grave ainda, repete-os estupidamente, inclusivamente na escolha do elenco, colocando o desinteressado Edward Norton numa personagem que se pretendia emocionalmente intensa.
Se a versão de Ang Lee parecia falsa, a de Leterrier parece demasiado infantil. O vilão não convence, o CGI é absurdo, as personagens vazias e a história banal. Um insulto à inteligência, um desperdício de aproveitamento de um herói que podia dar tanto ao cinema mas acaba sempre limitado a esmagar carros em ruas de amargura. É caso para dizer que, de incrível, este Hulk não tem nada.
sexta-feira, setembro 24, 2010
Autopsy (2008)
Emily, Bobby, Clare e Jude são um grupo de jovens finalistas de secundário em viagem de carro pela terra do Tio Sam. Numa sombria estrada do interior do continente, sofrem um estranho acidente, ao atropelar um suposto paciente em fuga de um hospital local. Por precaução, acompanham a vítima na sua viagem de regresso de ambulância ao misterioso Mercy Hospital. Com pouco pessoal e tenebrosamente vazio, o local mais parece uma morgue do que um hospital, e a verdade é que não tardará muito até o grupo de amigos descobrir que faz parte de um conjunto de experiências inumanas sob a direcção do conceituado Dr. Benway – o sempre eficaz Robert Patrick -, que procura uma cura para o cancro da sua mulher.“Autópsia” é narrativamente repulsivo e cinematograficamente miserável. Não se percebe como um filme com um orçamento de quinze milhões de dólares reduz-se, graficamente, a tão pouco, dando sempre ares de ser um parente pobre e deficiente de filmes como “Hostel” e outros semelhantes. Tão irrealizável como previsível, o estreante na realização Adam Gierasch conseguiu ainda assim o benefício da dúvida de qualquer jovem incógnita e estreou a sua fita no conceituado London FrightFest Film Festival em 2008. Três projectos de terror depois, não voltou a colocar lá os pés. No meio da desgraça, destaque para a beleza de Jessica Lowndes, presentemente a brilhar no reboot televisivo de “90210” e para a homenagem ao T-1000 de Robert Patrick em “Terminator 2: Judgment Day”, com uma cena de corredor/elevador que apenas nos relembrou que poderíamos estar a gastar o nosso tempo com um bom filme. Ou seja, com outro DVD que não o de “Autopsy”.
terça-feira, julho 13, 2010
Righteous Kill (2008)
Um assassino em série está à solta nas ruas de Manhattan, perseguindo criminosos que se safaram da justiça devido a “imperfeições” do sistema. Verdadeiro vigilante, “amigo da polícia” dizem alguns, deixa com as vítimas poemas de quatro versos com as razões da sua escolha. Basicamente, e nas suas palavras, a missão do vingador é fazer aquilo que a polícia quer mas não pode. Para resolver o mistério e apanhar o vilão-herói, são destacados Turk (Robert de Niro) e Rooster (Al Pacino), dois dos mais condecorados detectives nova-iorquinos. E quando a dupla começa a investigar, tudo parece indicar que afinal de contas é mesmo um polícia que está por detrás de todos os crimes.“A Dupla Face da Lei” está longe de ser um filme tão mau como foi levianamente rotulado um pouco por toda a imprensa nacional aquando da sua estreia em terras lusas. Numa espécie de “feitiço contra o feiticeiro”, não há dúvidas que foram as insuperáveis expectativas de mais um confronto de titãs no ecrã entre De Niro e Al Pacino que acabaram por provocar reacções tão adversas um pouco por todo o lado. Numa jogada de puro marketing, Jon Avnet (realizador do vulgar “88 Minutes” e do interessante “Fried Green Tomatoes”) conseguiu reunir a dupla eterna de “Heat” e colocá-los numa trama policial aparentemente semelhante ao da fita de Michael Mann. O problema é que não basta levar o espectador ao cinema com um sorriso, é preciso tirá-lo de lá satisfeito no final. E Avnet não é Mann – nem de perto nem de longe – e, apesar de conseguir alguns momentos deliciosos e únicos de química entre os dois monstros da sétima arte, principalmente nas cenas em que os coloca frente-a-frente em amena cavaqueira, com alguns close-ups interessantes, as comparações inevitáveis a todos os níveis com “Heat” aniquilaram aquele que, com um elenco banal, provavelmente seria considerado um exercício narrativo seguro e hábil, ou não fosse o guião da autoria de Russell Gewirtz, o mesmo por detrás de “Inside Man”. Assim, ficam para a história duas interpretações que, apesar de não quebrarem barreiras – haverá ainda alguma a ser quebrada por estes dois? -, comprovam que, a chegar aos setenta, ambos ainda têm categoria para nos presentear com o melhor de Corleone ou Bickle. Infelizmente, não depende só deles.
segunda-feira, abril 26, 2010
Passengers (2008)
Após um mortal acidente de aviação, Claire (Anne Hathaway), uma jovem psicóloga, fica responsável pelo acompanhamento crítico aos poucos sobreviventes do acidente. Em sessões conjuntas de terapia, todos parecem narrar uma história diferente do que se passou dentro – e fora – do avião, principalmente no que concerne a uma possível explosão num dos motores do avião. Quando o piloto é acusado de ser o culpado do desastre, devido a uma aproximação mal sucedida, este é um factor decisivo que pode encobrir possíveis jogos de bastidores entre a respectiva companhia aérea e as seguradoras. Será que Claire pode estar prestes a descortinar uma gigantesca conspiração?Não. Aquele que poderia ter sido um razoável thriller corporativo acaba por se transformar numa patética história sobrenatural sem pés nem cabeça. A necessidade quase cega do guionista Ronnie Christensen dar nas vistas nesta sua estreia na indústria, com um daqueles twists “à Shyamalan”, trai o realizador colombiano Rodrigo García - filho do escritor Gabriel García Márquez -, que com uma fotografia cuidada em tons baços tinha aqui um elenco suficientemente capaz para levar a narrativa a outros (aero)portos. Tanto para eles, passageiros deste embaraço cinematográfico, como para nós, cinéfilos exigentes, este era um voo que bem poderia ter ficado em terra por culpa de uma qualquer nuvem de cinzas vulcânicas.
segunda-feira, março 29, 2010
Changeling (2008)
Christine Collins é uma mãe cujo filho é raptado em Los Angeles em 1928. Cinco meses após o desaparecimento, a polícia anuncia perante toda a imprensa que recuperou o rapaz, numa acção de relações públicas que pretendia limpar a deteriorada imagem do departamento. No entanto, Christine jura a pés juntos que aquele não é o seu filho, algo que é obviamente abafado pela corrupta polícia. E aqui começa a luta de Christine pela verdade, que dá azo a uma interpretação digna de todos os louvores possíveis e imaginários a Angelina Jolie, reprimindo os críticos que a classificam como uma mera sex-symbol ou figura da imprensa cor-de-rosa. Emocionalmente eficaz e esteticamente majestoso, com “A Troca” Clint Eastwood prova mais uma vez, depois dos assombrosos “Gran Torino”, “Million Dollar Baby” ou “Mystic River”, entre outros, estar mesmo no auge das suas capacidades enquanto realizador. Baseado numa história verídica, “Changeling” é sem dúvida alguma a mais requintada crítica à estrutura de poder de Los Angeles durante as primeiras décadas do século passado desde “L.A. Confidential”.
domingo, março 21, 2010
Slumdog Millionaire (2008)
Realizado pelo britânico Danny Boyle, “Quem Quer Ser Bilionário” é um conto de fadas moderno, dono e senhor de uma energia revigorante e de uma história tão inacreditável quanto irresistível, como já foi dito algures. Drama de acção romântico – que mistura explosiva e perigosa poderia ter sido esta para alguém menos experiente -, o guião de Simon Beaufoy explora da melhor maneira as capacidades cinematográficas do livro “Q and A”, de Vikas Swarup, e a inocência do jovem Dev Patel associada à pureza interpretativa da bela Freida Pinto resulta num filme que tão facilmente choca o espectador como o seduz e o deixa em êxtase. Celebração da perseverança e do triunfo do bem sobre o mal, contra tudo e contra todos, “Slumdog Millionaire” é um hino à vida, ao amor e a Bombaim, numa mistura do melhor que Hollywood e Bollywood têm para oferecer. Uma obra-prima vigorosa e revitalizante que arrecadou merecidamente quase todos os galardões para os quais foi nomeada.
quinta-feira, março 18, 2010
The Curious Case of Benjamin Button (2008)
"Eu nasci sob circunstâncias pouco usuais", afirma a personagem de Brad Pitt mal o filme começa. Adaptado de um conto datado do início do século passado, “O Estranho Caso de Benjamim Button” narra a história de um homem que nasce octogenário e regride na sua idade. Uma premissa desafiante a vários níveis, mas que o conceituado realizador norte-americano David Fincher – “Clube de Combate” e “Seven” – transpõe de forma soberba para o ecrã, através de uma cinematografia brilhante e meticulosa. Já Brad Pitt e Cate Blanchett não desiludem, como seria de esperar, e transformam um amor improvável numa odisseia emocionante sobre a vida e a morte, assente numa narrativa robusta e equilibrada, que nunca aborrece apesar das quase três horas de duração. Um filme triste, talvez até depressivo para alguns, que nos relembra que não devemos tomar nada como garantido na vida. Em suma, uma história única e original que resulta numa obra intemporal sobre o poder do amor.
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Valkyrie (2008)
Baseado em acontecimentos verídicos, “Valquíria” narra a história de um grupo de militares alemães que planeiam o assassinato de Hitler durante o seu apogeu na Segunda Guerra Mundial. Tom Cruise, cada vez mais selectivo nos papéis que aceita, agarra neste drama histórico o papel de Claus von Stauffenberg, o general que recusou conformar-se com o dogma nazi e liderou a conspiração. Símbolo na Alemanha pós-guerra – Stauffenberg foi desde aí considerado um dos únicos heróis de uma era de vilões -, esta foi a primeira vez que a sua história foi internacionalizada a nível cinematográfico, depois de inúmeros livros e documentários europeus dedicados ao homem que deu a vida por todos os que injustamente eram ostracizados por uma ideologia totalitária e exacerbada. Infelizmente, o resultado final da fita não é memorável, mas está também longe de ser tão negativo como muitos apregoaram aquando da sua estreia.Realizado por Bryan Singer, o homem por detrás de “The Usual Suspects”, “X-Men” e “Superman Returns”, “Valkyrie” assume desde o seu prólogo uma postura de thriller de entretenimento em detrimento de uma faceta meramente política, histórica e/ou dramática. Uma opção salutar, tendo em conta as características técnicas de Singer e o elenco de peso que o acompanhava, do qual se destacam sem dúvida alguma os veteranos Bill Nighy e Tom Wilkinson. Com um orçamento elevadíssimo, Singer soube, no entanto, não exagerar na quantidade de cenas de acção, focando-se sim, e bem, na qualidade destas. De resto, sobra uma narrativa modesta mas consistente, sem moralismos imputados às sete pancadas ou estratégias manhosas para emocionar o espectador. Em suma, “Valquíria” pode saber a pouco enquanto lição de história mas é mais do que suficiente para continuar a olhar para Cruise como um dos melhores actores da sua geração, por mais maluqueiras que cometa.
domingo, outubro 18, 2009
What Just Happened (2008)
Em “What Just Happened”, o experiente Barry Levinson deambula as suas câmaras numa semana na vida de Ben, um outrora poderoso e conceituado produtor de Hollywood, agora numa espiral decadente da sua carreira. A duas semanas de estrear o seu mais recente filme em Cannes – e com várias questões ainda pendentes que prometem transformar a estreia numa catástrofe -, Ben ainda está a mãos com um possível caso amoroso da sua ex-mulher e com os problemas da sua filha adolescente, que parece precisar do pai mais do que nunca. Numa altura em que tanto a sua vida profissional como pessoal estão nas lonas, será que Ben vai conseguir resolver tudo e sair por cima?“Pânico em Hollywood” é uma sátira absolutamente inofensiva à indústria cinematográfica norte-americana, bem longe da genial manipulação política que Levinson tão bem ilustrou em “Wag the Dog”, uma película do mesmo estilo que, curiosamente, também contava com Robert De Niro num papel principal. Agora, e de forma aparentemente inexplicável, o realizador, ex-cómico de palco, responsável por obras-primas como “Rain Man” ou “Good Morning, Vietnam”, deixa-se levar por uma narrativa insonsa, onde nomes como Robert De Niro, Sean Penn, Bruce Willis ou John Turturro, entre outros, apenas servem para desfilar numa lista de créditos de luxo, limitados a âncoras narrativas tão supérfluas como a recusa de um actor em cortar a barba – a bom exemplo de Alec Baldwin nos anos 90. Um desperdício surreal de talento(s), que resulta na maior desilusão do ano.
segunda-feira, agosto 24, 2009
Wall-E (2008)
Após séculos de isolamento num planeta sujo e inabitável chamado… Terra, WALL.E. (abreviatura para Waste Allocation Load Lifter Earth-Class), um robô desenvolvido para limpar o nosso planeta, descobre que o amor não é um exclusivo humano, quando uma moderna e atraente robô coloca em cheque a sua existência robótica. EVE, enviada pelos humanos – agora a viverem numa galáxia distante, à espera que a Terra esteja novamente “apta” para os receber – vai revolucionar a sua “vida” e provocar uma epopeia inesquecível de divertidos episódios. Divertidos, mas longe de colocarem “Wall-E”, de Andrew Stanton – realizador de “Finding Nemo” e co-realizador de “A Bug’s Life” – num patamar de excelência cinematográfica, tão proclamado durante o ano de 2008. Situação que causou uma aura de pressão quase intolerável para a suposta justiça de uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme. Numa obra cuja premissa e a primeira metade é mais profunda e interessante do que a mensagem final, faltou ao público e à crítica a frieza e a simplicidade do pequeno robô.
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