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quinta-feira, junho 06, 2019
Your Lucky Day (2010)

sexta-feira, junho 16, 2017
Inside Job (2010)

quinta-feira, abril 13, 2017
Machete Maidens Unleashed! (2010)

segunda-feira, fevereiro 15, 2016
The Other Guys (2010)

terça-feira, outubro 06, 2015
Trolljegeren (2010)

sexta-feira, junho 19, 2015
MacGruber (2010)

sábado, outubro 18, 2014
Extraordinary Measures (2010)


segunda-feira, agosto 25, 2014
Los colores de la montaña (2010)
Filme colombiano de 2010 realizado por Carlos Arbelaez e galardoado no conceituado festival internacional de cinema de San Sebastián, "Los Colores de la Montaña" é um drama bem-disposto, comovente e, de certo modo, politicamente neutro, sobre uma região remota dos Andes – La Pradera -, perdida e despedaçada nas constantes batalhas entre terroristas de guerrilha, barões de droga e tropas governamentais. Tudo visto pelos olhos de um rapaz de nove anos, obcecado por futebol, que vê na bola que recebeu no seu aniversário um escape para situações que a sua mente, apesar de perceber, tem dificuldade em processar – seja um agricultor transformado em pedaços depois de pisar uma mina ou conhecidos da família assassinados pelas tropas do governo, apenas por serem suspeitos de ajudar os rebeldes. Com influências nítidas do cinema iraniano, “Los Colores de la Montaña” mantém-se calmo no meio do caos social que retracta, abordando o desespero tranquilo de um povo de modo a torná-lo acessível e interessante a todas as faixas etárias que possam presenciar o filme. Arbelaez consegue transformar uma cena em que três crianças tentam recuperar uma bola que está num campo de minas, num momento tão divertido quanto perigoso, o que ilustra bem a forma optimista como abordou o assunto. Os desenhos das crianças na escola são a prova final da inocência latente em cada uma delas. Destaque final para o trabalho fotográfico notável de Oscar Jimenez nas verdejantes paisagens colombianas e para um grupo brilhante de jovens actores, tão naturais quanto afectuosos.
domingo, julho 27, 2014
The Two Escobars (2010)

Mas Pablo não era nenhum santo pecador, nem coisa que se pareça. Tornou-se um mecenas por interesse, com o objectivo de conquistar um lugar através de sufrágio na Câmara dos Representantes, impedindo assim que fosse possível a sua extradição para os Estados Unidos da América, onde devido à morte de um basquetebolista famoso devido ao consumo de cocaína proveniente da Colômbia, estava aberta uma guerra ao narcotráfico sul-americano. Dentro de portas, Pablo controlava tudo, até as prisões. Construiu uma à sua medida - La Catedral -, entregou-se às autoridades e continuou a orquestrar tudo dentro da sua nova mansão: lá combinava jogos de futebol com estrelas colombianas e não só, organizava raptos e assassinatos e continuava a mandar na Colômbia, tanto nas ruas como nos gabinetes políticos. E foi numa dessas visitas "futebolísticas" de Andrés e outros internacionais como o mítico Faustino Asprilla (Parma e Newcastle) ou Carlos Valderrama (quem não se lembra da sua característica cabeleira loura), que Pablo Escobar combinou com o lendário guardião René Higuita o sequestro do filho de um barão de droga rival que acabou por levar "El Loco" para a prisão durante quase um ano, impedindo-o de participar no Mundial de Futebol de 1994 nos Estados Unidos da América. Ninguém, principalmente Andrés, queria visitar Pablo... mas era obrigatório aceitar os seus convites, ou as consequências seriam imprevisíveis. Como diz o seleccionador de então, o respeitável Francisco Maturana, a certa altura do documentário, "se Don Vito Corleone convidasse qualquer pessoa para jantar em sua casa, alguém teria coragem para não aparecer"?
E é esta relação muito próxima entre Pablo e o futebol, entre Andrés e o mundo do narcoterrorismo, que a dupla norte-americana Jeff e Michael Zimbalist estuda e aprofunda neste seu "The Two Escobars". Como dois homens de ideias e princípios completamente opostos se viram ligados por um amor comum ao futebol que não só lhes trouxe fama e dinheiro, como uma morte antecipada. Sim, porque foi a exposição que a entrada no mundo do futebol trouxe a Pablo que o tornou num alvo fácil de capturar, e foi também, azar dos azares, um autogolo no Mundial de 94 que acabou por ditar a morte de Andrés às mãos de dois irmãos criminosos que perderam milhões de dólares em apostas com a eliminação da então principal candidata ao título - quem o afirmou foi o Deus Pelé, após a vitória categórica da selecção colombiana sobre a rival Argentina, por 0-5, no jogo decisivo de apuramento. Quatro anos, vinte e muitos jogos depois com apenas uma derrota, a Colômbia tinha tudo para fazer o Mundial da sua vida. Não o fez e a culpa pode muito bem dever-se ao facto de Pablo já não estar vivo na altura.
Esta conclusão é arriscada, todos nós percebemos. Mas os irmãos Zimbalist não têm dificuldades em explicá-la convincentemente. A morte de Pablo em Dezembro de 1993, numa operação conjunta entre as Forças Especiais norte-americanas e a polícia colombiana, trouxe o caos ao país. Todos os criminosos reprimidos e controlados antigamente pelo "El Patrón" ficaram livres de fazer o que lhes apetecia. Na falta de um líder, todos procuravam ser os mais temidos nas ruas para ocupar o lugar deixado vago por Pablo. A violência orientada do cartel de Medellín tornou-se desorganizada e descontrolada, elevando o número de assassinatos para índices nunca antes vistos. De treinador a jogadores, quase todos foram ameaçados durante o Mundial de 94: o seleccionador foi "obrigado" a deixar no banco um titular do meio-campo de modo a salvar a família deste e o irmão de um defesa que esteve menos bem no jogo inaugural com a Roménia foi assassinado após a partida, provavelmente por alguma frustração também relacionada com apostas desportivas. Antes do confronto decisivo com a equipa da casa na segunda jornada do grupo, ameaças de morte e rapto a familiares passaram nas televisões dos quartos dos jogadores. Ninguém tinha a cabeça no sítio certo para jogar futebol e ser feliz. E quando Andrés marcou aquele fatídico auto-golo, o seu olhar parecia denunciar o seu destino. Deveria ter sido Milão, que esperava pela sua nova contratação, mas acabou por ser um parque de estacionamento escuro junto a uma discoteca em Medellín. "A vida não acaba aqui", disse Andrés à comunicação social após o auto-golo. Estava enganado.
Em suma, "The Two Escobars" revela-se um documentário poderosíssimo sobre uma época em que drogas, futebol e orgulho nacional eram ingredientes comuns num cocktail explosivo de poder, dinheiro e brutalidade. Quase como se de um thriller de espionagem se tratasse, somos arremessados para uma história tão surreal quanto o pontapé de escorpião de Higuita, tão eloquente que consegue expressar em duas horas o que uma nação não conseguiu verbalizar durante duas décadas. Não lhe faltam heróis - Andrés, Maturana ou Valderrama - nem vilões - Pablo, Popeye ("com as minhas mãos matei cerca de 250 pessoas a mando de Pablo... mas só um psicopata é que faz essas contas") ou políticos corruptos - em entrevista, bem como imagens de arquivo absolutamente inacreditáveis de ambos os Escobars. O narcoterrorismo e o narcofutebol num retrato arrepiante de um país com severos traumas e estereótipos relacionados com a droga.
quarta-feira, dezembro 04, 2013
Una vita tranquilla (2010)
Rosario Russo (Toni Servillo) é o dono de um restaurante italiano perto de Frankfurt, na Alemanha, figura simpática e querida para todos os que o conhecem. Ninguém faz ideia que, quinze anos antes, Rosario era um mafioso com trinta e dois assassinatos na carteira e um estatuto ímpar no meio. Mas quando o feitiço virou-se contra o feiticeiro e a sua cabeça ficou a prémio, desapareceu do radar napolitano para proteger a sua família e começou esta nova vida, uma vida tranquila, longe de tudo e todos, com uma nova identidade, uma nova família e um novo ofício. Mas o passado volta agora para acertar contas na pele do seu filho Diego, também ele um criminoso em ascensão na máfia, o único que tinha conhecimento do paradeiro de Rosario.
Realizado por Claudio Cupellini, "Una vita tranquilla" revela-se um thriller criminal dividido em duas partes com um ritmo totalmente antagónico: uma primeira de construção de identidades, que arde lentamente entre planos longos - destaque para o da cozinha - e uma bela fotografia, mas algo cansativa narrativamente para o espectador na sua excessiva serenidade; e uma segunda, onde o ambiente torna-se intenso, as máscaras caiem e o espectador é presenteado com um final corajoso. Longe de ser uma obra-prima, "A Quiet Life" (a fita não tem ainda distribuição ou título em território nacional) é, ainda assim, um belo exemplo cinematográfico da influência de um passado criminoso na vida de um "novo" ser, de uma relação pai-filho deturpada pela máfia e das vulnerabilidades a que um Homem se sujeita por aqueles que ama. Comandado por um fantástico Toni Servillo (estrela também de filmes como "Gommorah" ou "Il Divo"), é ele o maior trunfo da história; nos seus olhos sentimos a frustração e a dor de uma personagem que sabe que o fim está próximo. Uma alternativa similar, mas muito competente, para os adeptos de "A History of Violence".
Realizado por Claudio Cupellini, "Una vita tranquilla" revela-se um thriller criminal dividido em duas partes com um ritmo totalmente antagónico: uma primeira de construção de identidades, que arde lentamente entre planos longos - destaque para o da cozinha - e uma bela fotografia, mas algo cansativa narrativamente para o espectador na sua excessiva serenidade; e uma segunda, onde o ambiente torna-se intenso, as máscaras caiem e o espectador é presenteado com um final corajoso. Longe de ser uma obra-prima, "A Quiet Life" (a fita não tem ainda distribuição ou título em território nacional) é, ainda assim, um belo exemplo cinematográfico da influência de um passado criminoso na vida de um "novo" ser, de uma relação pai-filho deturpada pela máfia e das vulnerabilidades a que um Homem se sujeita por aqueles que ama. Comandado por um fantástico Toni Servillo (estrela também de filmes como "Gommorah" ou "Il Divo"), é ele o maior trunfo da história; nos seus olhos sentimos a frustração e a dor de uma personagem que sabe que o fim está próximo. Uma alternativa similar, mas muito competente, para os adeptos de "A History of Violence".
sábado, fevereiro 16, 2013
Catfish (2010)
Yaniv Schulman é um jovem artista criativo nova iorquino com uma fã muito especial: Abby, uma criança do interior dos Estados Unidos que lhe envia constantemente quadros e pinturas muito interessantes para alguém com tão tenra idade, com fé que os seus trabalhos ganhem alguma visibilidade nas mãos de Schulman e do seu pequeno atelier urbano. Mensagens no Facebook para aqui, chamadas para ali, Yaniv acaba por se apaixonar virtualmente pela irmã mais velha de Abby, Megan, e decide, sem avisar, realizar uma viagem de longas horas para a surpreender e conhecer. Mas, como vai perceber rapidamente, nem tudo o que parece, é.
Documentário sensação em Sundance, "Catfish" é um produto tão cativante e intrigante quanto socialmente preocupante. Acreditando na veracidade dos factos - algo que Morgan Spurlock ou Zack Galifianakis não fizeram, por exemplo, descrevendo-o como o melhor "falso" documentário que já viram -, "Catfish" consegue agarrar o espectador à história como poucos thrillers, provocar gargalhadas como poucas comédias - fruto da interacção entre o trio principal de "detectives" - e terminar num tom misecordioso - talvez até demais -, capaz de deixar muito boa gente sensibilizada com a narrativa. Real ou ficcionado, a verdade é que "Catfish" deu origem a uma nova definição no dicionário, bem como a um reality show na MTV com o mesmo conceito; e essas ondas de choque posteriores revelam que este é um documentário que não pode nem deve passar ao lado.
Documentário sensação em Sundance, "Catfish" é um produto tão cativante e intrigante quanto socialmente preocupante. Acreditando na veracidade dos factos - algo que Morgan Spurlock ou Zack Galifianakis não fizeram, por exemplo, descrevendo-o como o melhor "falso" documentário que já viram -, "Catfish" consegue agarrar o espectador à história como poucos thrillers, provocar gargalhadas como poucas comédias - fruto da interacção entre o trio principal de "detectives" - e terminar num tom misecordioso - talvez até demais -, capaz de deixar muito boa gente sensibilizada com a narrativa. Real ou ficcionado, a verdade é que "Catfish" deu origem a uma nova definição no dicionário, bem como a um reality show na MTV com o mesmo conceito; e essas ondas de choque posteriores revelam que este é um documentário que não pode nem deve passar ao lado.
quarta-feira, janeiro 23, 2013
Brighton Rock (2010)
Pinkie Brown (Sam Riley) é um jovem e ambicioso criminoso que pretende vingar a morte do chefe do seu grupo organizado e, ao mesmo tempo, conseguir ganhar o respeito necessário entre os seus para ocupar o lugar vago no topo da cadeia alimentar. Já Rose (Andrea Riseborough) é uma modesta empregada de mesa que, de forma completamente involuntária, acaba por testemunhar e descobrir provas que podem mandar Pinkie o resto da vida para a prisão. Agora sobra ao jovem gangster tomar uma decisão complicada: deixar-se apaixonar por Rose de forma a controlar a verdade ou... limpar-lhe o canastro, provando ter o que é necessário para ser líder.
Estreia na realização do até então guionista Rowan Joffe ("The American" ou "28 Weeks Later"), "Crime e Pecado" sofre a nível de construção e coerência narrativa da inexperiência de Joffe - filho do reputado realizador de "The Killing Fields" ou "The Mission", Roland - nos comandos da obra, especialmente a nível técnico, com uma montagem desequilibrada à qual parece faltar, por várias vezes, algumas cenas de ligação entre momentos importantes da trama. Readaptação - já Attenborough o tinha feito nos anos quarenta - ao grande ecrã do conceituado romance criminal de Graham Greene, este revivalismo cinematográfico brilha a nível de fotografia e elenco, mas revela-se ingénuo na sua dimensão dramática, bem como pouco eficaz nos seus propósitos perante o espectador. Com muito pouca alma, sobra-lhe um sentimento melancólico onde se esperava alguma tensão, fazendo deste "Brighton Rock" numa não mais do que elegante reincarnação de um clássico da literatura britânica e mundial.
Estreia na realização do até então guionista Rowan Joffe ("The American" ou "28 Weeks Later"), "Crime e Pecado" sofre a nível de construção e coerência narrativa da inexperiência de Joffe - filho do reputado realizador de "The Killing Fields" ou "The Mission", Roland - nos comandos da obra, especialmente a nível técnico, com uma montagem desequilibrada à qual parece faltar, por várias vezes, algumas cenas de ligação entre momentos importantes da trama. Readaptação - já Attenborough o tinha feito nos anos quarenta - ao grande ecrã do conceituado romance criminal de Graham Greene, este revivalismo cinematográfico brilha a nível de fotografia e elenco, mas revela-se ingénuo na sua dimensão dramática, bem como pouco eficaz nos seus propósitos perante o espectador. Com muito pouca alma, sobra-lhe um sentimento melancólico onde se esperava alguma tensão, fazendo deste "Brighton Rock" numa não mais do que elegante reincarnação de um clássico da literatura britânica e mundial.
sexta-feira, novembro 02, 2012
Unthinkable (2010)
Três bombas nucleares estão prestes a rebentar em três cidades norte-americanas. O responsável pelo plano terrorista, Yusuf (Michael Sheen), é apanhado pelo FBI e restam agora apenas algumas horas para a agente Helen (Carrie-Anne Moss) e o mítico H. (Samuel L. Jackson), conhecido pelos seus métodos pouco ortodoxos de persuasão – trocando por miúdos, tortura -, conseguirem arrancar ao fundamentalista islâmico as localizações dos engenhos explosivos. Sem limites e sem regras, quem levará a melhor?
Realizado pelo australiano Gregor Jordan (“Buffalo Soldiers” e “Ned Kelly”), “O Dia do Juízo Final” é um produto cinematográfico cujo interessante conceito é sabotado por uma escrita e realização medianas, às quais nem um cativante elenco com Sheen e Jackson em rota de colisão consegue escapar. Curiosamente – para não dizer inexplicavelmente – lançado directamente para o mercado de DVD nos Estados Unidos, “Unthinkable” entretém ainda assim o suficiente para nos manter colados ao ecrã até ao seu final, independentemente de muitos dos seus twists narrativos falharem clamorosamente nos seus propósitos. A mensagem é facilmente descodificada: será a tortura um mal necessário mas fundamental para assegurar a segurança de milhões? Até que ponto os direitos humanos devem ser defendidos quando está em jogo a vida de populações inocentes? Raramente memorável, mas ainda assim suficientemente competente para merecer uma visualização, a “Unthinkable” falta-lhe só uma peça-chave: Jack Bauer; em quinze minutos estava tudo resolvido.

Realizado pelo australiano Gregor Jordan (“Buffalo Soldiers” e “Ned Kelly”), “O Dia do Juízo Final” é um produto cinematográfico cujo interessante conceito é sabotado por uma escrita e realização medianas, às quais nem um cativante elenco com Sheen e Jackson em rota de colisão consegue escapar. Curiosamente – para não dizer inexplicavelmente – lançado directamente para o mercado de DVD nos Estados Unidos, “Unthinkable” entretém ainda assim o suficiente para nos manter colados ao ecrã até ao seu final, independentemente de muitos dos seus twists narrativos falharem clamorosamente nos seus propósitos. A mensagem é facilmente descodificada: será a tortura um mal necessário mas fundamental para assegurar a segurança de milhões? Até que ponto os direitos humanos devem ser defendidos quando está em jogo a vida de populações inocentes? Raramente memorável, mas ainda assim suficientemente competente para merecer uma visualização, a “Unthinkable” falta-lhe só uma peça-chave: Jack Bauer; em quinze minutos estava tudo resolvido.

segunda-feira, abril 30, 2012
Black Swan (2010)
Nina (Natalie Portman) é uma bailarina nova-iorquina que dedica a sua vida ao ballet. A sua mãe, Erica (Barbara Hershey), ex-bailarina, vive também com a obsessão de ver a sua filha triunfar nesse mundo artístico e atingir, no fundo, a perfeição que nunca alcançou. Quando chega a sua oportunidade de brilhar no imortal "O Lago dos Cisnes", de Tchaikovsky, Nina vai entrar numa espiral sombria e aterrorizante para ganhar o papel a Lily (Mila Kunis), a outra candidata que apresenta características essenciais para o lado negro da personagem. Quando a realidade se começa a misturar com alucinações assustadoras, o sonho de criança torna-se num pesadelo que vai colocar em risco não só a sua sanidade mental, como a sua própria vida. Porque Nina, tal como todos nós, também tem o seu lado mais negro.
Realizado pelo talentoso Darren Aronofsky, "Cisne Negro" é um thriller psicológico - para não dizer psicótico - que aborda o conflito inerente ao ser humano entre o bem e o mal, num jogo do gato e do rato entre o branco e o negro, entre a força da razão e a crueldade do desejo. Num autêntico tour de force de um ambicioso Aronofsky, sem medo de chocar o espectador, "Black Swan" mostra-se quase como um estudo irrepreensível sobre obsessões compulsivas e outras tendências psicóticas graves, numa linha similar ao que tinha feito aquando da obra mais notável da sua filmografia, "Requiem for a Dream". Com uma composição sonora magistral, destaque ainda mais do que óbvio para a cativante Natalie Portman, que arranca um interpretação intensa não só nos momentos de beleza e elegância da sua personagem, mas também nos de escuridão e insanidade. Não admira, portanto, que tenha levado justamente para casa o Óscar de Melhor Actriz Principal - e desconfio que não será o último.
Realizado pelo talentoso Darren Aronofsky, "Cisne Negro" é um thriller psicológico - para não dizer psicótico - que aborda o conflito inerente ao ser humano entre o bem e o mal, num jogo do gato e do rato entre o branco e o negro, entre a força da razão e a crueldade do desejo. Num autêntico tour de force de um ambicioso Aronofsky, sem medo de chocar o espectador, "Black Swan" mostra-se quase como um estudo irrepreensível sobre obsessões compulsivas e outras tendências psicóticas graves, numa linha similar ao que tinha feito aquando da obra mais notável da sua filmografia, "Requiem for a Dream". Com uma composição sonora magistral, destaque ainda mais do que óbvio para a cativante Natalie Portman, que arranca um interpretação intensa não só nos momentos de beleza e elegância da sua personagem, mas também nos de escuridão e insanidade. Não admira, portanto, que tenha levado justamente para casa o Óscar de Melhor Actriz Principal - e desconfio que não será o último.
sábado, março 24, 2012
Buried (2010)
Paul Conroy é um motorista de camião norte-americano destacado no Iraque, que acorda enterrado vivo dentro de um caixão, sabe-se lá onde e a que profundidade. Com oxigénio suficiente para pouco mais de uma hora, um isqueiro, uma caneta, uma navalha e um telemóvel são as únicas armas à sua disposição para arranjar maneira de ser resgatado e sobreviver.
Realizado magistralmente pelo espanhol Rodrigo Cortés, “Enterrado” é uma fita tão claustrofóbica quanto desesperante desde o seu primeiro segundo. Num exercício interessante de tortura psicológica ao espectador, colocando este na pele da personagem principal, deixando-o tão desorientado, confuso e indeciso em relação à situação quanto se sente Ryan Reynolds, Cortés foca o guião – a parte boa mas também as suas falhas – no poder de decisão das chamadas feitas – faria ou não o cinéfilo o mesmo -, sobrevalorizando o pânico e a atmosfera pesada sobre possíveis mensagens políticas de uma guerra sem nexo. Num one-man show inesperado (?!?) de Reynolds, destaque para os planos fluidos – chegam a haver movimentos inacreditáveis de 360 graus dentro de uma caixa, sem qualquer recurso a computadores – de “Buried”, bem como para o cartaz fenomenal inspirado no estilo do já falecido Saul Bass. Contrariando a expressão popular, a esta hora Hitchcock não tem razões para estar a dar voltas no caixão.
Realizado magistralmente pelo espanhol Rodrigo Cortés, “Enterrado” é uma fita tão claustrofóbica quanto desesperante desde o seu primeiro segundo. Num exercício interessante de tortura psicológica ao espectador, colocando este na pele da personagem principal, deixando-o tão desorientado, confuso e indeciso em relação à situação quanto se sente Ryan Reynolds, Cortés foca o guião – a parte boa mas também as suas falhas – no poder de decisão das chamadas feitas – faria ou não o cinéfilo o mesmo -, sobrevalorizando o pânico e a atmosfera pesada sobre possíveis mensagens políticas de uma guerra sem nexo. Num one-man show inesperado (?!?) de Reynolds, destaque para os planos fluidos – chegam a haver movimentos inacreditáveis de 360 graus dentro de uma caixa, sem qualquer recurso a computadores – de “Buried”, bem como para o cartaz fenomenal inspirado no estilo do já falecido Saul Bass. Contrariando a expressão popular, a esta hora Hitchcock não tem razões para estar a dar voltas no caixão.
segunda-feira, janeiro 16, 2012
A Cova (2010)
"A Cova" acompanha dois escumalhas, Queimado (Afonso Pimentel) e Cruz (Ivo Canelas), a tentarem livrar-se de um corpo, trancado num porta-bagagens, algures num descampado na margem sul com vista para a tão cinematográfica ponte 25 de Abril. No entanto, algo estranho se passa com Cruz, aparentemente mais desconfortável do que era suposto com a situação. O que acontecerá a seguir, já na presença de um misterioso pescador (Augusto Portela) que não foi ali parar por acaso, explicará a frustração de Cruz e trará consequências imprevistas ao duo de criminosos.Vencedora do prémio de Melhor Curta-Metragem no Shortcutz Lisboa 2011, "A Cova" é uma ambiciosa curta-metragem de Luís Alves, blogger do outrora activo e interessante "Grandes Planos", composta na sua totalidade (cerca de doze minutos) por um único plano-sequência tecnicamente irrepreensível, cujo estilo de filmagem à mão, a característica luz natural própria do final do dia e interpretações tão intensas quanto espontâneas do trio de actores - sem nenhum destaque em especial, pois num único plano, sem montagem nem edição, o trabalho de equipa acaba por sobrepor-se ao individual - proporcionam-lhe um certo realismo fatalista, num mix técnico-narrativo com claras influências hitchcockianas. Pela negativa, o uso e abuso de palavreado ofensivo que, entre repetições excessivas e desnecessárias - pois a certa altura o ambiente desejado já estava criado -, acaba por banalizar perante o espectador um guião que não merecia tal desfeita - prova disso terão sido as várias gargalhadas que esses momentos acabaram por provocar na plateia durante a exibição da curta-metragem nos TCN Blog Awards 2011. Até porque, em pouco mais de dez minutos, consegue atrair o espectador para dentro dele, através de uma abordagem - plano-sequência - tão rara em Portugal quanto desafiante e, neste caso, bem orquestrada.
terça-feira, maio 17, 2011
The Sorcerer's Apprentice (2010)
Neste filme de fantasia para toda a família, Nicolas Cage é o feiticeiro Balthazar Blake, um dos três aprendizes originais do histórico e poderoso mago Merlin treinados para combater a maléfica Morgana, a sua principal adversária, em tempos longínquos. Numa breve introdução, vemos Merlin perder a vida para conseguir encurralar Morgana e um dos seus outros aprendizes, o traidor Horvath, dentro de uma urna que deveria ficar escondida durante séculos até Balthazar encontrar e treinar o “escolhido”, um feiticeiro de poderes únicos que teria a capacidade inigualável de derrotar Morgana para sempre. Para identificá-lo, Blake teria de colocar o anel de Merlin nos seus dedos; se o anel se transformasse numa cobra, esse recruta seria o “escolhido”. Hoje, mil anos depois numa moderna Manhattan, Blake finalmente encontra, através de várias coincidências mágicas, Dave (Jay Baruchel), um típico adolescente nerd nova-iorquino, cuja queda para a Física e as Ciências ultrapassa largamente o seu jeito para com o sexo oposto. Sem acreditar na lenda, Dave vê-se no entanto envolvido numa luta entre o Bem e o Mal, que o obrigará a aceitar um curso intensivo de magia e feitiçaria dado por Blake. Parceiros improváveis na luta contra as trevas, Dave torna-se um aprendiz de feiticeiro com mais vontade de impressionar uma colega de faculdade do que propriamente salvar a humanidade. Mas, como diria a tagline de outro filme de super-heróis, com um grande poder vem uma grande responsabilidade.Produzido pelos estúdios da Walt Disney Pictures e realizado pelo nova-iorquino Jon Turteltaub – o mesmo do divertidíssimo “Cool Runnings” ou do mais recente “National Treasure” – “The Sorcerer's Apprentice” é uma fita interessante e descontraída, mais divertida e credível do que era expectável, onde a superficialidade narrativa dos heróis e dos vilões é combatida pelo sentido de humor fácil e contagiante da dupla Cage/Baruchel. Sim, é mais uma história com demónios, magia a rodos e um jovem rapaz com poderes fantasiosos, numa reformulação modesta do mais inocente que há em Harry Potter. Mas é, por isso mesmo, também um filme de muito mais fácil digestão para crianças e graúdos, sem linhas narrativas sombrias nem falsos pretensiosismos de drama adulto.
Com interpretações competentes do vilão Alfred Molina, do aprendiz Baruchel e do feiticeiro Nicolas Cage – que, juntamente com as estreias recentes de “Kick-Ass” e “The Bad Lieutenant: Port of Call - New Orleans” faz esquecer um período algo turbulento da sua carreira com fitas de qualidade duvidosa como “The Wicker Man” ou “Ghost Rider” – “O Aprendiz de Feiticeiro” é uma história previsível mas simpática da Disney, sem violência nem linguagem grosseira, onde um rapaz como tantos outros é o centro das atenções e o bem, para não variar nem chatear, vence o mal. E todos vivem felizes para sempre. Porque, por vezes, é na simplicidade que está o ganho. Destaque ainda para a homenagem a “Fantasia”, clássico da Disney com o Rato Mickey, datado de 1940, numa das mais divertidas cenas do filme onde, ao bom estilo animado, as esfregonas fazem de vassouras e ganham vida própria.
quarta-feira, maio 11, 2011
Date Night (2010)
Claire (Tina Fey) e Phil Foster (Steve Carell) são um casal que vive nos subúrbios de Nova Iorque. Numa tentativa de quebrar a rotina do seu casamento, decidem uma noite dar largas à imaginação (e à carteira) e ir jantar no mais requisitado e requintado restaurante de Manhattan. Até aqui tudo óptimo, não tivessem eles esquecido de um pormenorzinho importante: reservar mesa atempadamente. Num acto de coragem sem vergonha, decidem “roubar” a identidade de outro casal – os Tripplehorns – e ficar com a mesa que pertencia a estes. O problema é que os verdadeiros Tripplehorns são procurados por tudo e por todos pelas piores razões e a trafulhice inocente dos Fosters vai colocá-los a lutar - a fugir talvez seja mais apropriado - pela sua sobrevivência durante uma noite.Comédia de acção de Shawn Levy (responsável pelos não mais que simpáticos "À Dúzia é Mais Barato" e "À Noite, No Museu”), “Uma Noite Atribulada” realça-se das restantes comédias do realizador graças à química de dois distintos actores de comédia, Carell e Fey, dois mestres da improvisação, que conseguem transformar os defeitos das suas personagens e a falta de originalidade da narrativa num conjunto de sketches divertidos, mesmo que quase sempre a roçar o ridículo. No final, fica o sentimento de missão cumprida: entretém e não aborrece, mesmo que nunca deslumbre.
quarta-feira, abril 27, 2011
She's Out of My League (2010)
Kirk (Jay Baruchel) é um de nós: um rapaz simples como tantos outros, um “nota cinco em dez”, mais simpático e educado do que atraente, sem grandes ambições de algum dia conquistar uma mulher perfeita, daquelas de meter inveja a qualquer homem. Segurança num aeroporto, eis que chega o dia em que conhece Molly (Alice Eve) graças a um telemóvel esquecido na alfândega. Com Molly aparentemente apaixonada por Kirk, este não percebe a razão de uma “nota dez” querer algo com ele e entra num processo de negação, suportado pelos seus amigos mais próximos que o fazem acreditar que tudo não pode passar de algum esquema para fazer ciúmes a um ex-namorado. Com absolutamente ninguém a acreditar naquela relação, já que “ela é demais para ele”, Kirk vai ter que ultrapassar os seus problemas de auto-estima (e, já agora, de ejaculação precoce) para provar que merece tornar realidade um sonho impossível.Provavelmente uma das melhores comédias românticas do ano passado, “She’s Out of My League” consegue um equilíbrio notável – e cada vez mais raro - entre os dois géneros, sem precisar de recorrer exclusivamente a piadas de casa de banho para fazer rir o espectador. Quase uma fábula para todos os “nerds” que utilizam o cinema como escape para acreditar que um dia vão levar para a cama uma qualquer sex symbol, “Ela é Demais para Mim” – título nacional que, na minha modéstia do costume, acredito que nasceu aqui – tem coração, tem muito mais humor do que aquele que oferece no trailer e, ao contrário de muitas fitas semelhantes para adolescentes (alguém sussurrou Judd Apatow?), não cai nos clichés mais irritantes do estilo, sendo bom exemplo disso mesmo a caracterização da personagem do ex-namorado de Molly.
Com Jay Baruchel como peixe na água na pele de Kirk e Alice Eve com espaço para desenvolver a sua personagem para além da sua beleza tão asfixiante como simples, a química entre ambos é notória e até o elenco secundário consegue conquistar o seu espaço na obra através de um conjunto de parvoíces divertidas – e não barbaridades cómicas sem sentido. Resta deixar-vos uma pergunta: de um a dez, como se classificariam?
quarta-feira, abril 06, 2011
Devil (2010)
Cinco estranhos com os mais variados pecados e um elevador de um dos mais imponentes edifícios de Filadélfia são a receita mágica de “O Demónio”, filme concebido e produzido por M. Night Shyamalan, mas inteligentemente e a bom tempo entregue a uma equipa competente e independente liderada pelo guionista Brian Nelson – responsável pelo respeitado “30 Days of Night” -, pelo conceituado cinematógrafo Tak Fujimoto e, finalmente, pelo novato realizador John Erick Dowdle. A trama é tão simples quanto cativante: quando o elevador fica estranhamente bloqueado e inacessível, o confronto inevitável de personalidades entre os cinco estranhos acontece. Da chata da velha ao presunçoso do garanhão, do segurança mariquinhas à mulher fatal, a situação dificilmente poderia ser pior. Mas, com o diabo literalmente à solta no elevador, cada um deles, um por um, começa a ser assassinado. Quem será o demónio?“Devil” é um thriller diabólico competente e criativo, cujo principal trunfo é conseguir deixar no espectador durante quase toda a sua duração a dúvida sobre a identidade do assassino. Oscilando inteligentemente a acção entre o elevador e o edifício, não bloqueando assim várias hipóteses narrativas, “O Demónio” consegue equilibrar a sua faceta policial com o seu desejo de mistério, tensão e suspense. Com o ritmo certo e alguns pormenores técnicos interessantes – dos zooms inesperados ao brilhante plano inicial, com a cidade virada do avesso -, destaque ainda para a interpretação de Chris Messina e para a sonoplastia cuidada de Fernando Velasquez, ajustada à densidade dramática da fita. Entretenimento modesto mas eficaz, um nível acima do que Shyamalan nos tem oferecido ultimamente.
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