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sexta-feira, fevereiro 17, 2017

La La Land (2016)

Uma sonoplastia hipnotizante, uma banda-sonora apaixonante e um final lindíssimo, que foge sem medo a todas as convenções do género. De resto, tudo muito longo - uma hora e meia teria chegado para tanto cinema mas tão pouca história -, muito artificial - quase todos os momentos musicais da primeira hora caem de forma pouco autêntica no ecrã, arrancando Gosling e Stone num piloto semi-automático que pouca ou nenhuma química demonstra - , muito morno, sem rasgos de interpretação ou a audácia de mais silêncios - como a cena do jantar, provavelmente a única que permitiu à dupla do momento representar sem artimanhas técnicas do tão jovem quanto talentoso Damien Chazelle (que se estreou na realização com "Whiplash", na minha opinião uma epifania apoteótica entre o cinema e a música muito mais conseguida do que esta). Tanto Gosling como Stone já tiveram uma mão-cheia de papéis muito mais interessantes e desafiantes do que estes em "La La Land", pelo que não se percebe o burburinho instalado em Hollywood para que levem as estatuetas que deveriam abrilhantar este ano as estantes de Affleck e Huppert. As restantes, num filme que parece ter sido feito de propósito para os jurados dos óscares, vão cair lá todas, incluindo a mais cobiçada da noite. Podem tirar printscreen, a margem de erro é zero.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Arrival (2016)

"Arrival" é um sci-fi agridoce: visualmente tão competente quanto limpo e sereno - e como isto é raro nos dias que correm, repletos de blockbusters com frames a quebrarem a velocidade da luz para disfarçarem as suas lacunas -, narrativamente um drama apocalíptico muito mais superficial do que parece, numa primeira parte com uma mão cheia de ideias interessantes mas uma segunda completamente orquestrada e montada em prol da conveniência de um MacGuffin patético, esquecendo momentos-chave para que várias cenas da sua resolução fizessem algum sentido - dentro, claro, de um conceito temporal fantasioso. O canadiano Denis Villeneuve (que tem em "Prisoners" o seu melhor filme) está justamente nas boas graças de Hollywood mas é Amy Adams quem leva "Arrival" às costas, não fazendo qualquer sentido a sua ausência nas várias nomeações que o filme arrecadou para a próxima cerimónia dos óscares.

domingo, fevereiro 05, 2017

Café Society (2016)

Espécie de pleonasmo: "Café Society" é o filme mais tradicionalmente Alleniano que Woody Allen realizou esta década, com o melhor não Woody Allen (Jesse Eisenberg) a fazer de Woody Allen de todos os Woody Allens que Woody Allen tem reciclado desde o genial Larry David em "Whatever Works". E por ser o mais tradicional, é também aquele em que o nova-iorquino menos arrisca sair da sua zona de conforto, numa história formatada e filmada em piloto automático, com belíssimos visuais dos anos trinta e um charme irresistível nos seus diálogos que combate a inocente previsibilidade da narrativa, num tom muito light onde Blake Lively, num papel secundário, dá quinze a zero a uma terrivelmente esforçada Kristen Stewart. Tudo muito simples, o que é mais do que suficiente para qualquer fã, como eu, do génio psicótico.

terça-feira, janeiro 03, 2017

Blair Witch (2016)

Fã confesso que sou do original e de todo o improviso que o tornou num projecto único - relembro que não havia guião, o elenco simplesmente entrou floresta a dentro sem saber bem o que lhes esperava e sem terem qualquer linha de diálogo definida -, o anúncio inesperado deste projecto dois meses antes da sua estreia tornou este remake/sequela de Adam Wingard ("You're Next" ou "The Guest") uma espécie de jantar de aniversário da ex-namorada (que é modelo), ao qual uma pessoa é obrigada a ir porque ela agora anda metida na cama com um dos teus bons amigos (o Wingard, neste caso). Vai ser desconfortável? Sim. Mas tens sempre a esperança que ela queira matar saudades com uma rapidinha na casa de banho. Não foi o caso. Ainda piscou os olhos e lançou uns sorrisos durante os primeiros trinta/quarenta minutos para o teu lado da mesa, mas depois sentou-se no colo do novo boi (boy, desculpem) e rapidamente o festim perdeu todo o seu interesse. A simplicidade que um dia a tornou irresistível foi substituída por paletes de maquilhagem (e ela era tão linda sem makeup), bruxedo complexo e uma narrativa que se perde dentro de si mesmo, enquanto se persegue na escuridão infinita. Que ela nunca se esqueça que um dia já teve a luz de uma estrela.

quinta-feira, dezembro 29, 2016

Army of One (2016)

Gary Faulkner (Nicolas Cage) apresenta-se rapidamente ao espectador como um Dom Quixote modernizado, qual cavaleiro andante em nome de Deus numa árdua busca por Osama bin Laden. O mais estranho de tudo? Aquelas quatro palavrinhas tão irresistíveis quanto surreais que abrem o filme: baseado numa história verídica. E talvez acabe por ser essa curiosidade que tanto potencial tinha que arrasa com os planos de Larry Charles ("Borat"): "Army of One" nunca sabe se há-de ser uma sátira pura ou uma observação quase demente a uma personagem ímpar e acaba por se estatelar no meio caminho, não conseguindo mais do que arrancar uma ou outra gargalhada vazia, sem qualquer fundo político ou humano, uma sequência frustrante de cenas isoladas incapazes de formar um todo coerente, ainda para mais com o demasiado pateta Russell Brand no papel de Deus a empurrar constantemente o filme para o lamacento caminho de uma comédia demasiado vulgar para uma personagem tão rica (e alucinada) como Faulkner.

terça-feira, dezembro 20, 2016

Rogue One (2016)

Enquanto que "Star Wars: The Force Awakens" foi um mash-up infantilizado - ainda que hábil e competente - do episódio IV com pitadas do VI, sem qualquer outro propósito que não trazer à saga toda uma nova audiência, já "Rogue One" consegue não só manter esse novo público agarrado ao franchise, como ser fiel a todos os que cresceram apaixonados pelo universo de George Lucas. Bem, secalhar à excepção do texto deslizante inicial - que até nos jogos de computador era tradição -, numa opção estranha - e aparentemente sem sentido algum - de Gareth Edwards ("Monsters" e "Godzilla"). De resto, da abundância de personagens, heróis e vilões, quase todos demasiado passageiros para serem aprofundados - o que é uma pena no caso da dupla (homossexual, dizem os experts) Chirrut/Baze, que certamente teria um background delicioso que traria outra camada ao filme -, ao elemento cómico (K-2SO) muito mais controlado e subtil (alguém falou em Jar Jar Binks?), facilmente a melhor personagem deste capítulo, não fosse inclusivamente usado de forma inteligente no velocíssimo e dramático terceiro acto, "Rogue One" é mais sombrio, mais crescido, mais direccionado para os fãs (aqueles cameos todos que uma pessoa quer abordar mas não pode para não estragar a surpresa a ninguém). Nem tudo é ouro - alguns diálogos são demasiado ocos e Whitaker e Luna não convencem, sendo que o sotaque deste último chega por vezes a ser irritante - mas quase tudo brilha: Mendelsohn e Mikkelsen são fenomenais, Felicity Jones convence, o CGI reconstrutivo está longe de ser a miséria proclamada - é uma grande ideia que apenas precisa de uma melhor execução - e, mesmo aos soluços no ritmo da história, Edwards consegue entregar não só um belíssimo sci-fi, como um capítulo honroso para uma saga que parecia perdida para a Disney.

sábado, dezembro 17, 2016

The Eyes of My Mother (2016)

Inesperada sensação de baixo orçamento - entrou em quase todos os tops anuais do género - com clara ligação a Portugal - da actriz principal ao background das personagens -, "The Eyes of My Mother" é muito mais do que um simples filme de terror: é a sua profundidade dramática sem precisar de grandes diálogos, algures entre o ambiente perturbador de "Psycho" e a psicologia retorcida de "Audition", que o transforma num exame arrepiante sobre a influência da paternidade numa criança e as consequências extremas do isolamento físico e social. Num filme muito mais visual e artístico do que narrativo, a vítima transforma-se no predador, o círculo fecha-se sobre si próprio, o fado dá asas às motivações de um monstro outrora doce inocente, personificada na perfeição pela portuguesa Kika Magalhães, que consegue transformar-se de um modo quase assustador, em nanosegundos, de rapariga de sonho a psicótica infernal. Por fim, o preto-e-branco, aqui tão útil para esconder várias imperfeições que seriam normais numa estreia na realização, e que tão bem assentou e caracterizou a própria atmosfera do filme.

terça-feira, dezembro 13, 2016

7 años (2016)

Quatro amigos são co-proprietários de uma empresa de sucesso que está a horas de ser apanhada pelo fisco espanhol por fuga aos impostos através do uso de offshores na Suiça. Segundo a advogada da empresa, a pena será de sete anos para todos, a não ser que um deles assuma a responsabilidade da evasão fiscal e negue a participação dos restantes, arcando sozinho com a sentença de quase uma década. Os quatro concordam: não vale a pena serem todos encarcerados quando pode ser só um, garantindo também assim que o negócio não fecha. Mas sem que ninguém se ofereça para tal e com o prazo para tal terrível decisão a apertar, os quatro resolvem contratar um mediador para facilitar a negociação. Este não tomará qualquer decisão mas tentará descortinar com o grupo qual o factor, ou conjugação de factores, que deverá ter maior peso: a culpa efectiva da evasão fiscal, o lado familiar, o elo mais fraco da empresa, o sentimento de culpa, o mais apto a sobreviver na prisão, o mais novo, etc. etc. Primeira produção espanhola feita exclusivamente para a Netflix, o filme do catalão Roger Gual consegue manter o espectador preso ao ecrã na expectativa da resolução do dilema, mostrando como uma situação limite pode despoletar um rol de atitudes e comportamentos sinceros que revelam, ao fim de anos de parceria, o que realmente pensam cada um dos sócios sobre os restantes. Melhor que tudo, o final dá um pontapé fortíssimo em qualquer um dos (quatro) desfechos previsíveis, arrebitando uma moral incómoda sobre o manto de falsas aparências que é fundamental para manter qualquer empresa em pé. E a colombiana Juana Acosta? Por favor deixem-na em liberdade!

quinta-feira, dezembro 08, 2016

Tickled (2016)

Documentário neozelandês estruturado em forma de thriller de investigação, "Tickled" - que em Portugal teve direito a estreia exclusiva na mais recente edição do MOTELx - parte de uma premissa aparentemente divertida e bizarra sobre o desconhecido mundo das competições de cócegas, para rapidamente se instalar num esquema secreto não de homo-erotismo, como presumia o jornalista David Farrier, mas sim de extorsão e humilhação pública. Uma armadilha montada por um(a) anónimo(a) que gastava milhares de dólares para se manter no anonimato, não sabendo sequer os seus conceituados advogados para quem trabalhavam. Tecnicamente imperfeito - a edição nem sempre é eficaz, como são exemplo os muitos momentos mortos passados no carro ou no quarto - mas sagaz na sua intriga, "Tickled" não acaba em apoteose como todos desejávamos - com toda a trapaçaria desmantelada e polícia ao barulho -, mas consegue ainda assim dar uma face ao vilão, o que por si só é suficientemente reconfortante para o espectador. Não é o documentário avassalador que muitos apontavam, mas não deixa de ser uma sugestão desafiante para os mais curiosos.

sexta-feira, novembro 18, 2016

Jack Reacher: Never Go Back (2016)

Saiu Christopher McQuarrie, entrou Edward Zwick; perdeu-se um herói personalizado, ficou o boneco de acção comum. Desapareceu o glamour pseudo-eterno de Cruise, ficou pela primeira vez a sensação de um homem a entrar na terceira idade, cansado de tanta acção. Saiu a misteriosa Rosamund Pike, entrou a mecanizada Robin, perdão, Cobie Smulders. Depois de uma estreia que prometia uma saga diferente, veio agora a sequela que, esperemos, mate o animal antes que ele entre em sofrimento. Abandonou-se o vilanesco Werner Herzog, com a sua presença magistral, contentou-se Zwick com o esgotado T-Bag, perdão, Robert Knepper. Vamos esquecer isto Tom?

domingo, novembro 06, 2016

Bastille Day (2016)

Idris Elba, que bisonte, que lufada de ar fresco num género cansado de Stathams e companhia; Richard Madden, nada mal para quem está tão a sul, sem coroa nem espada; gajedo, elemento sempre tão importante nestes filmes de sexta-feira à noite para descontrair, aqui explanado na desconhecida Charlotte Le Bon e na lasciva Kelly Reilly, fraquinhas, maminhas no arranque a prometer, carinhas enjoadas no final de ninguém lhes ligar nenhuma. O plano maquiavélico? Bom. Os vilões? Boff. Veredicto? Vê-se melhor que qualquer Bourne, o que por si só não quer dizer nada de especial. Elba como Bond? Porra, tá comprado.

terça-feira, novembro 01, 2016

Michael Moore in Trumpland (2016)

O mais recente documentário (?) do sempre polémico Michael Moore surgiu praticamente do nada: entre a ideia, a gravação em palco - "Michael Moore in Trumpland" desenvolve-se em modo de espectáculo político de stand-up comedy/drama ao vivo -, a edição e a exibição em algumas salas de cinema, passaram poucas semanas. Mais do que tentar, pelo menos explicitamente, converter os eleitores de Trump a mudar o seu voto, Moore tenta justificar perante a nação a razão do voto em Hillary, ele próprio que era um apoiante de Bernie Sanders nas primárias democratas. Conversa, perguntas e respostas, algumas piadas para aligeirar o clima e dois ou três sketchs de vídeo completam o menu, com especial destaque para a pseudo-reportagem noticiosa em 2017 que mostra, com Trump no comando, uma série de bombardeamentos aéreos no México. O tempo dirá.

terça-feira, outubro 18, 2016

Being George Clooney (2016)

Catorze homens em todo o mundo dobram a voz de George Clooney. São eles a voz designada do galã para abrir Hollywood ao mundo numa altura em que a bilheteira internacional em países que dobram o audio representa muitas vezes quase sessenta porcento das receitas de um filme. No Brasil é um médico do maior serviço de urgência da América Latina o responsável pela voz de Clooney - tudo começou em "ER" com a necessidade de traduzir conceitos médicos específicos; na Turquia, o mesmo actor de dobragem do Tico e do Teco ou de Darth Vader; na Itália, país que até tem uma espécie de óscares para as dobragens, Clooney, casado com a Michelle Pffeifer italiana, é também Van Damme ou Tom Hanks. Apresentam-se os desafios desta arte da ilusão, entre encontrar as palavras certas para os movimentos dos lábios, aos soluços, os suspiros ou até os choros. Quando há um beijo no ecrã, os actores de dobragem beijam as mãos; quando Robert de Niro fala originalmente em italiano, os espectadores queixam-se por não reconhecerem a voz. Ficam ainda as razões políticas (Itália e Alemanha) e sociais que levaram às dobragens um pouco por todo o mundo, num documentário não tão delicioso e relevante quanto "Chuck Norris vs. Communism" mas, ainda assim, curioso sobre um universo cujo trabalho é muitas vezes desprezado e ignorado.

segunda-feira, outubro 10, 2016

The Purge Trilogy (2013/2014/2016)

Uma trilogia em constante crescendo com um conceito fenomenal - uma noite por ano sem leis nem consequências para quaisquer actividades criminosas que sejam cometidas. O primeiro, mais intimista, sobrevive da ideia original e criativa, corta os pulsos no trailer (que quase tudo mostra) e termina em harakiri com as interpretações medonhas de uma dupla que tinha obrigação de muito mais: Ethan Hawke e Lena Headey, esta última incapaz de disfarçar o olhar para o vazio, fosse qual fosse a intensidade dramática da cena. No entanto, aquele som da purga aliado ao potencial da doutrina tornou irresistível voltar à saga de James DeMonaco (guionista do fenomenal "The Negotiator"); e tanto "Anarchy" como "Election Year" saem literalmente da toca, exploram inúmeras possibilidades da anarquia de controlo social instalada pelo governo e trazem ao universo do protagonismo o tantas vezes secundário Frank Grillo. Epah, e o "Bubba" do "Forest Gump", que mimo. Venha a já anunciada série televisiva, que lenha para queimar não falta.

sábado, outubro 01, 2016

ARQ (2016)

Com uma premissa sci-fi extremamente interessante, a estreia de Tony Elliot (responsável pela escrita de vários episódios de "Orphan Black") na realização cinematográfica resulta num produto low budget altamente recomendável, sob a insígnia da Netflix. Científico e racional - não há aqui nada de mágico ou sobrenatural -, "ARQ" usa o time loop (já são tantos os exemplares que podemos falar de um sub-género) de modo inteligente e consistente, aproveitando este terreno perigoso para consolidar e aprofundar a relação problemática entre a dupla principal. Robbie Amell e Rachael Taylor levam nota máxima em dois papéis extremamente exigentes, mantendo a credibilidade, autenticidade e naturalidade da tensão presente, num produto com uma inesperada dimensão humana. Porque não há nada mais humano do que errar vezes sem conta. E, apesar disso, manter a esperança viva.

terça-feira, setembro 27, 2016

Amanda Knox (2016)

A montanha pariu um rato. Um dos mais antecipados documentários dos últimos meses estreou esta semana na Netflix a nível mundial e, pior do que não responder minimamente a nenhuma dúvida resultante de um dos processos judiciais mais falados do século XXI, que envolveu um triângulo de pressões a nível político e mediático entre três poderosas nações - Itália, Reino Unido e os EUA -, "Amanda Knox" é estruturalmente uma desgraça - não sabe bem que ordem dos acontecimentos seguir para manter o fio condutor interessante -, sem qualquer teor acutilante de investigação ou jornalismo, não pressionando nenhuma das partes - principalmente Amanda - a justificar ou explicar algumas das questões que não batem a bota com a perdigota em todo o caso - sendo a mais gritante a falta de esclarecimento sobre o motivo da arma do crime ter sido encontrada na casa do namorado. Parcial - parece não valer perguntar nada a Amanda que a deixe na corda bamba -, desconexo e irrelevante; ficam melhor servidos com a página da Wikipedia do caso.

sexta-feira, setembro 23, 2016

Sully (2016)

Do ponto de vista do espectador técnico - aquele que, neste caso, relaciona-se passional ou profissionalmente com a aviação e presta muita atenção a todo e qualquer detalhe relacionado com a matéria -, "Sully" é um filme altamente recompensador. Não encontrarão piloto, assistente de bordo ou controlador de tráfego aéreo que não tenha admirado o mais recente filme de Clint Eastwood, pela forma tão competente quanto simples como respeita os factos relativos ao incidente que obrigou Chesley Sullenberger a amarar uma aeronave comercial no Rio Hudson, poucos minutos após a descolagem do aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque. Um hino ao profissionalismo de todos os que estiveram envolvidos na situação, filmado e editado de forma sólida, inteligente - é o modo como o tempo é manipulado, ora para a frente ora para trás, que cria quase toda a tensão da narrativa - e emocional. Smooth landing, Mr. Eastwood.

terça-feira, agosto 30, 2016

The Last Heist (2016)

Terrível. Nem Henry Rollins nem Victoria Pratt salvam esta produção completamente desleixada dos pés à cabeça, terrivelmente interpretada e, pior que tudo, altamente presunçosa e previsível nas suas reviravoltas finais. É que esta recente adição ao catálogo da Netflix nacional não consegue sequer alcançar aquele estatuto comum do tão mau que até é bom, algo que com Rollins no elenco enquanto serial killer com um fetiche por olhos, não seria assim tão impensável de acontecer. Não se deixem enganar, este nem em fast forward.

quarta-feira, agosto 17, 2016

Donald Trump's The Art of the Deal: The Movie (2016)

Ponto prévio: abomino Donald Trump e tudo o que ele, politica e ideologicamente, defende. Dito isto, o filme-sketch produzido pela Funny or Die de Will Ferrell e Adam McKay é completamente inconsequente e inócuo, muito por culpa da terrível caracterização de Trump por Johnny Depp. Muita maquilhagem, pouco empenho em conseguir mais do que imitar os vários maneirismos físicos e linguísticos do bilionário norte-americano. Uma história de vida com muitas nozes (falcatruas), encarada com dentes de leite (piadinhas inofensivas). Feliz no absurdo - Trump não consegue defecar, por exemplo -, penoso na sátira a factos pessoais e empresariais que o deviam desacreditar totalmente para qualquer cargo estadista. Porque Trump é, na realidade, uma personagem muito mais rica do que qualquer caricatura sua.

quinta-feira, agosto 04, 2016

Suicide Squad (2016)

"Esquadrão Suicida" é um filme do caralhinho. Qual mágoa cinéfila que a fatídica necessidade de lucrar uma batelada de dólares através do politica e socialmente correcto PG-13 não tenha deixado o potencial tremendo deste universo demente de supervilões moldar o blockbuster de David Ayer ("End of Watch" e "Fury") numa fita do caralhão. E, culpa disso, "Suicide Squad" não mija fora do penico, não arrisca um único twist narrativo, uma única morte inesperada; ora bem, sequela garantida. Mas nem tudo, longe disso, é mau: não há aquele fogo-de-artifício visual constante que tanto me enerva na Marvel e companhia, os heróis - aqui vilões - são mais humanos do que extraterrestres, bem caracterizados durante quase uma hora e a banda-sonora um mimo. E Margot Robbie, extraordinária, irrepreensível. Atenção, cena mid-credits interessante q.b., não levantem logo o traseiro do escuro. Batman e Super-Homem, ponham-se nas pu***!