
Não sei por onde começar. O que provavelmente significa que o texto que se segue vai ser longo. Muito longo. Não tão longo, no entanto, quanto a cerimónia da quarta edição dos
TCN Blog Awards. Começemos então por aí: quinze categorias, muito improviso e um deficiente pré-planeamento da parte da organização levaram a que duas horas e quarenta e cinco minutos de line-up se transformassem em quatro. Sem pausas pensadas para xixis ou tabaco, como muito bem referiu a
Rita Santos, numa opinião interessantíssima sobre a festa de ontem. Para a quinta edição, não nos esqueceremos de pelo menos um intervalo e tentaremos arranjar solução para encurtar a cerimónia - provavelmente juntado três ou quatro categorias seguidas entre momentos de diversão e não apenas duas, como sempre fizemos até hoje. Já o tradicional atraso no início, não vale a pena promessas vazias: é inevitável, ou não fossemos todos, organizadores e convidados, tugas. No melhor e no pior. Faltando o apresentador X ou o vencedor Y de uma das primeiras categorias, sou sempre obrigado a atrasar a "partida". É por uma boa causa, claro, mas tramo sempre a malta que quer ir ver o Sporting.
E já que falamos de apresentadores, o meu muito obrigado a todos eles, sem excepção. Pela primeira vez em quatro anos, nenhum faltou sem aviso ou cancelou em cima da hora a sua presença, obrigando a manobras de diversão inesperadas. No entanto, justiça seja feita, tenho que destacar alguns: a
Joana Latino com a sua boa disposição provou que acertámos ao convidá-la uma vez mais e, digo mesmo, arrisca a tornar-se apresentadora de honra regular dos TCN. Só lá não estará em Janeiro de 2015 se não quiser ou puder; o
Bruno Ferreira por momentos inesquecíveis de humor - para mim o melhor da tarde e o melhor que já se fez em quatro anos de TCN, obrigando-me mesmo a olhar para o palco para confirmar que não era o Passos Coelho que lá estava - e por ter atrasado um dia uma viagem que ia realizar apenas para estar presente nos TCN; o
Guilherme Fonseca pelas gargalhadas completamente imprevistas que arrancou; e, por fim, os filhos da
Rita Marrafa de Carvalho, verdadeiros
entertainers com um coeficiente elevadíssimo de fofura.
Por falar em fofura, obrigado a todos aqueles que nestas últimas horas têm partilhado publicações na blogosfera e nas redes sociais sobre os TCN Blog Awards. Mas, mais importante para mim do que os posts orgulhosos dos vencedores - e que muito me aprazem ler -, são aqueles de fair-play de quem nada ganhou. Têm sido poucos, infelizmente, e normalmente são os mais ricos em feedback útil para melhorar o trabalho da organização. Por isso, peço-vos a todos os que estiveram presentes, digam-nos o que mudar, o que mais gostaram e o que menos gostaram. Ideias por vezes simples servem para evoluir e surpreendem-nos na nossa estupidez e ingenuidade.
Não por ingenuidade mas por algum nervosismo e pressa em despachar uma gala que já se estendia muito para lá da hora prevista, o meu discurso de agradecimentos ficou muito aquém do que tinha planeado. Vou tentar corrigir isso agora e, espero, não me esquecer de ninguém. Ao
Edgar, o meu agradecimento pelos cartazes oficiais destes prémios e um grande abraço pelas simpáticas palavras que me dedicou no seu fantástico livro de posters alternativos; ao
Miguel Ferreira e ao Ricardo Rufino, os meus parabéns por um trabalho absolutamente genial - e tão elogiado que foi durante a gala, por uma mão cheia de bloggers e apresentadores - na elaboração dos vídeos dos nomeados. Sem vocês, não haveria "
WOW factor". E, Miguel, não sabes a sorte que tiveste em as minhas dezassete folhas de excel com agradecimentos terem escondido o guião ao Manuel, pois tínhamos preparado uma edição única de "Miss TCN 2013" que te colocaria de venda nos olhos. Mais detalhes não te conto, pois talvez reciclemos a ideia para o próximo ano.
Ao Luís Pedro Lourenço não só pela divertida voz-off que tornou possível a execução perfeita de grande parte do guião, mas também pelo fundamental trabalho na régie em articulação com os desejos do nosso grandioso host; sim, o insubstituível
Manuel Reis, ser com super-poderes e um super-talento: ele fez directa de sexta para sábado à volta do guião e da apresentação que viram projectada, orquestrando autênticos milagres criativos em horas - outro, como eu, demoraria dias ou semanas. Ele foi apresentador, ele foi produtor, ele foi técnico e engenheiro de som e imagem. Ele é uma máquina. Ele faz hoje parte dos TCN e o dia em que ele não estiver disponível não haverá mais galas, simplesmente entregas de prémios.
Há mais, muito mais: ao
Gonçalo Fabião pelo trabalho fotográfico profissional, ao
Nuno Reis por filmar a cerimónia e permitir arquivá-la para memória futura, ao Paulo Ramos do Centro Cultural Casapiano por todo o suporte técnico e operacional. Ao José Soares e à Sandra Gaspar por... tudo. Não há palavras. Não há nada que possa ser dito que faça justiça à sua dedicação e ao seu trabalho. Sim, os TCN foram uma ideia minha há quase cinco anos. Mas foram estes dois que os tornaram possíveis. Ao Miguel Correia pelo muito divertido
stand-up comedy perante um público muito exigente e difícil. Claro que, quando se trata de humor, não é fácil agradar a todos, mas o feedback geral foi positivo,
ninfomaniacamente positivo. Por fim, a todos os patrocinadores, sem excepção, pelo apoio e pelos prémios, com destaque este ano para a
Portugal Stuff, por três cabazes espectaculares de produtos nacionais que foram entregues aos vencedores de Blogue Individual, Prémio Memória e Blogger do Ano.
O quê? Blogger do Ano? Justíssimo. Sem desprimor para todos os outros, nomeados ou não nomeados, o Aníbal Santiago teve um ano sem igual. Ele viveu 2013 para o cinema e para a televisão, para o seu
Rick's Cinema e para a nossa
Take Cinema Magazine. Após três anos de nomeações e nenhuma claquete, este foi o seu ano de glória. A outros blogues favoritos aqui da casa como o
Créditos Finais, o
CinemaXunga ou o
Espalha-Factos, entre muitos outros, o tempo trará justiça. O seu dia chegará, espero. Dos restantes prémios "competitivos", destaque para o de "Novo Blogue", ganho provavelmente pelo blogger com mais idade presente no Centro Cultural Casapiano. Uma espécie de ironia que é, ao mesmo tempo, um excelente sinal para a nossa blogosfera.
Mas foi outro o galardão que mais significado teve para mim. O recém-criado "Prémio Memória", entregue à eterna
Miss Blues, Cláudia Arsénio. Uma homenagem merecida a alguém que muito contribuiu para a credibilização e união da blogosfera cinematográfica. Numa altura em que, disseram-me alguns durante o convívio na tarde de ontem, surgem algumas picardias na blogosfera, espero que o seu exemplo seja seguido para evitar conflitos desnecessários numa altura em que há cada vez menos bloggers e cada vez mais
facebookers,
twitteiros e
instagramers por essa internet fora. Sem união e respeito por todos aqueles que usam este nosso pequeno meio com os mais diversos e legítimos propósitos, pessoais ou profissionais, e que, independentemente de terem razão ou não em certas acções ou palavras, lutam pelo bem maior que é a blogosfera e não pelo seu préstito fúnebre, não sobreviveremos enquanto classe. Nunca fui de evitar conflitos em quase dez anos de actividade blogosférica - como podem ver
aqui ou
aqui -, mas fi-lo sempre para proteger esta blogosfera e quem a promove e nunca uma opinião pessoal sobre a qualidade, criatividade ou personalidade de um ou outro blogger. Saber estar calado é, quase sempre, uma virtude nestas andanças.
De resto, quero agradecer aos membros que este ano compuseram a Academia e contribuíram de forma decisiva para a eleição dos vencedores em quase todas as categorias. Peço desculpa a um deles por ter relevado, de forma insensata - cá está, não fiquei calado quando devia -, o seu estatuto no final da cerimónia à frente de outros bloggers, sem a sua permissão. A dedicação de todos eles, principalmente quando tiveram cerca de três dias para escolher os nomeados entre dezenas e dezenas - por vezes centenas - de textos foi, honestamente, exemplar.
A todos os presentes no Auditório Rainha Santa Isabel que alinharam nas brincadeiras e foram ao palco, aos que ficaram sempre sentados, os barulhentos e os mais calmos, os que riram com facilidade e os que aplaudiram nomeados e vencedores, o meu muito, muito obrigado. Sem vocês o ambiente não seria o mesmo. Porque um aplauso e uma gargalhada são inevitavelmente contagiantes. E, diz a experiência, o que custa é sempre sair o/a primeiro/a. A eles peço também desculpa pela falta de tempo e disponibilidade pessoal para o convívio. Sempre numa fona de bastidores, restrinjo-me muitas vezes a simples cumprimentos e acabo por perder conversas que, não tenho dúvidas, seriam deveras interessantes, com velhos conhecidos deste universo.
Para a próxima edição, queremos fazer mais e melhor. Para tal, contamos com a vossa ajuda, com as vossas sugestões e opiniões. Para já, um plano para combater a gestão de custos, que não limita muito a criatividade desta equipa fantástica por detrás dos TCN mas danifica de modo óbvio a nível logístico e profissional o renome e a reputação deste evento, começando pela concepção dos troféus desta edição e acabando na falta de outras condições para os presentes (comes e bebes etc. etc.):
crowdfunding. É uma hipótese em cima da mesa sobre a qual gostava de ouvir - ou ler, neste caso - a vossa opinião. Agora é tempo de voltar para a redacção da Take, que temos um novo número para sair em meados de Janeiro e ainda há muita coisa por fazer.
Um forte abraço,
Carlos Reis.
PS: O Miguel Relvas não é meu tio. Foi só para deixar a Joana Latino aflita.