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domingo, março 01, 2026

Fast & Furious (2009)

Gal Gadot's on-screen film debut. Too furious, not that fast. Characters should learn that car windows can be rolled down from the inside, no need for the use of elbows. Still disappointed to this day that this was not called "Fast and Fourious". Michelle Rodriguez "fake" killed because she was too busy filming "Avatar". Everyone has teleportation powers. Vin Diesel tries to be dramatic; I laughed.

domingo, julho 06, 2025

Whiteout (2009)

Contar até dez com os dedos, só se for com os pés, não é Kate? Thriller banal, tecnicamente competente q.b., limitado nas surpresas e na reviravolta final mais do que óbvia pela envolvente limitada de opções que o delimita no meio do nada - Pólo Sul -, entre um universo de personagens que até esta personagem amputada da Beckinsale conseguia contar com as mãos. Gabriel Macht pré-Harvey Specter, Tom Skerritt a jogar golfe no gelo e a Kate sem fatos de cabedal e látex apertados. Ou seja, dois em três na raspadinha.

domingo, abril 13, 2025

Drag Me to Hell (2009)

Eu fico feliz que aficionados do Sam Raimi como o mítico Pedro Cinemaxunga tenham aparentemente gostado desta brincadeira... mas bebam menos vinho antes de se enfiarem no sofá. CGI ranhoso, o twist narrativo mais óbvio e escancarado de sempre - antecipado ainda por cima durante uns vinte minutos -, humor palerma com olhos e dentaduras e uma actriz principal sem estofo nem arcaboiço para levar um filmezinho meio alucinado destes às costas. Mérito ao Bruce Campbell por sempre o ter conseguido fazer pelo Raimi. Não deixem é o André Ventura descobrir isto, senão passa a filme propaganda do Chega.

terça-feira, novembro 16, 2021

S. Darko (2009)

Que confusão dos diabos. Rewinds narrativos, wormholes, fim do mundo, sonambulismo, penas mágicas, um padre maroto, livros sobre unicórnios, meteoritos radioactivos - a única explicação para as infecções de um dos artistas que por lá andava -, tudo envolto numa aura mitológica que, tal como uma personagem afirma sobre os planos de Deus, não se explicam, sentem-se - ah, Nolan malandro, foi aqui que foste buscar essa desculpa para o "Tenet". Diz quem percebeu esta sequela "oficiosa" não reconhecida pelo Richard Kelly que trataram-se de personagens de universos tangentes a salvarem o mundo - ou elas próprias - através de viagens no tempo. Por mim tudo bem, fez tanto sentido quanto o "Donnie Darko", e como bónus até fiquei meio excitadão com a banda sonora e a irmã já crescidota do Donnie.

quinta-feira, abril 22, 2021

The Girlfriend Experience (2009)

De longe o filme da Sasha Gray que me deu menos prazer. Literalmente. Soderbergh em modo férias, num dos seus vários projectos alternativos que sucederam/antecederam "reformas" e reinvenções anunciadas. Milhão e meio de budget - e mesmo assim um flop na bilheteira, com menos de um terço de retorno -, um estilo narrativo confuso que pouco ou nada fez por uma história que provavelmente ganharia mais em ser contada de forma linear e, bem, a prova que mesmo setenta minutos de filme podem ser demasiado longos quando não se consegue desenvolver uma ideia de base - a vida privada de uma escort de luxo em Nova Iorque.

sábado, agosto 17, 2019

The Age of Stupid (2009)

2055. O planeta sofre com os efeitos catastróficos das alterações climáticas; Londres está debaixo de água, a Amazónia deixou de existir após ter ardido completamente, Las Vegas foi engolido pelo deserto e a neve deixou de existir nos Alpes. Um arquivista (o já falecido Pete Postlethwaite) guarda, numa torre criada para o efeito no meio do oceano Ártico, todo o conhecimento, memórias, peças de arte e animais embalsamados que podem, um dia distante num novo ciclo de vida, servirem para relembrar os erros do passado. E é nesse sentido que analisa uma série de reportagens datadas do início do milénio, onde percebe que o problema da sobrevivência do planeta tinha sido mais do que identificado; simplesmente ninguém no poder fez nada para realmente o resolver, no meio de tantas promessas e acordos por cumprir. Documentário semi-ficcionado no futuro, produzido através de uma angariação pública de fundos que bateu recordes - quase um milhão de euros -, "A Era da Estupidez" indaga constantemente o espectador com a pergunta que definiu o destino da humanidade: porque é que não parámos as alterações climáticas quando tivemos oportunidade? Seis histórias reais, dezenas de clips noticiosos, tudo ao som dos Radiohead, Depeche Mode e da voz pesada do saudoso Postlethwaite.

quinta-feira, abril 25, 2019

Papá Wrestling (2009)

O primeiro anti-herói português que me vem à memória numa curta-metragem onde Fernando Alle começava a mostrar alguns dos artifícios de estilo - cabeças que explodem, membros arrancados e intestinos que servem sempre para qualquer coisa num cocktail despreocupado de gore e paródia - que recentemente aprimorou (e de que maneira) em "Mutant Blast". O "general" Clemente Santos torna-se o pai com o qual todos um dia fantasiámos quando nos fizerem "aquele poste" na escola e "Papá Wrestling" um mini-fenómeno de culto com uma personagem que sobrevive ao peso do tempo e que podia muito bem ser usada em tantos outros cenários - como neste brilhante anúncio.

terça-feira, junho 13, 2017

Triangle (2009)

Não sei até que ponto estou preparado para falar de "Triangle", ainda para mais tantas semanas depois de o ter visto. Vou deixar, por isso, a parte científica que pode estar anexada aos loops, qual mestrado de física quântica, os sete estágios do mindfuck - como alguém apelidou -, de fora. Ficam umas palavras sobre uma visão mais sobrenatural e mitológica, uma espécie de afterlife que, pessoalmente, parece-me uma teoria de análise muito mais satisfatória e recompensadora. Ora bem, temos então após um acidente de carro uma alma presa entre a vida e a morte, de castigo pelo que fez ao filho autista, numa clara lição de que devemos ir desta para melhor sem contas por pagar. E, enquanto Jess não se mentalizar da sua culpa, estará condenada a estar presa num purgatório circular sem fim. O taxista? O mensageiro da morte responsável pela decisão de salvação. Querem outras teorias? Não faltam por essa internet fora. Uma palavra final para Melissa George, uma actriz dos diabos que merecia outra visibilidade.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

3 Idiots (2009)

Bollywood? Com um cartaz que parece ter sido pensado por uma criança de quatro anos? E um trailer que vende um musical daqueles repletos de cores e bling blings como os indianos tanto gostam? Tudo certo, tudo errado. "3 Idiots", o único filme indiano no conceituado (discutível, eu sei) top dos duzentos e cinquenta melhores de sempre do IMDb, é uma maratona de quase três horas repleta de sentimento e vida, qual fábula previsível, mas afectuosa e enérgica, sobre a força da amizade. Boa disposição, pouco espalhafato - contam-se pelos dedos de uma mão, talvez duas, os tais momentos musicais que caracterizam Bollywood -, muita diversão e uma mensagem envolvente e reconfortante para públicos de todas as idades e feitios. O poder de um sonho, o ardil de um dever, os caminhos estranhos de uma paixão, as dificuldades de uma mãe, as mágoas de um pai e a consolação do bem sobre o mal. O filme de Rajkumar Hirani toca ao de leve em quase todos os obstáculos de uma vida para orquestrar uma espécie de hino à amizade, uma comédia que enche o coração.

sexta-feira, outubro 23, 2015

Chernaya Molniya (2009)

"A Super Máquina Russa" é um blockbuster russo que, algures entre a linha narrativa do "Spider-Man" de Sam Raimi - o herói acidental, a morte familiar traumatizante (o portentoso Sergey Garmash) por desleixo, a namoradinha pobre que anda apaixonada pelo rapaz errado, o vilão magnata cheio de papel - e o conceito mais realístico de um super poder concedido pelo uso de um objecto - neste caso, um Volga preto que voa -, entretém q.b. o espectador sem, no entanto, nunca deslumbrar nem surpreender. Reciclagem óbvia de vários sucessos de bilheteira do género dos seus congéneres norte-americanos, "Black Lightning" consegue ainda assim manter-se visualmente credível com um orçamento "ridículo" de quinze milhões de dólares; quantia que provavelmente nem seria suficiente para pagar ao elenco de uma experiência semelhante do outro lado do Pacífico.

quinta-feira, setembro 10, 2015

Middle Men (2009)

"Negócio para Adultos" arranca com um monólogo notável do personagem principal, que abre o jogo ao espectador e deixa bem claro tudo o que virá de seguida: a história verídica de como dois parvalhões criaram um negócio multimilionário em quinze minutos - conteúdos pornográficos na internet à distância de um número de cartão de crédito - nos anos noventa e como, pelo caminho, fizeram parcerias e negócios com todos os que não deviam ter feito, da máfia russa a advogados sem escrúpulos, acabando presos e sem um tostão. Num estilo criminal pseudo-Scorsese, o realizador George Gallo ("Columbus Circle") orquestra um filme sólido, com uma construção narrativa hábil e equilibrada, onde até o normalmente insonso Luke Wilson consegue dar nas vistas. Falta-lhe a energia e a paixão de Marty, é claro, mas para um conto sobre a masturbação e como, de repente, qualquer rei, presidente ou funcionário público deixou de precisar de ter uma cassete VHS gasta ou uma revista amachucada escondida no fundo da terceira gaveta da mesa de cabeceira para satisfazer necessidades repentinas, chega. Recomendado, nem que seja para descobrir Harvey Specter, perdão, Gabriel Macht em versão Louis Litt.

sábado, dezembro 20, 2014

Diverted (2009)

No dia 11 de Setembro de 2001, trinta e oito das várias centenas de aviões que se dirigiam para os Estados Unidos da América foram obrigados a divergir para a pequena cidade de Gander, no Canadá, devido ao encerramento do espaço aéreo norte-americano. E, de repente, uma terra de nove mil habitantes e três hotéis ficou com sete mil passageiros durante quatro dias para alojar e alimentar. Com uma premissa verídica e interessante a vários níveis - da componente operacional inesperada de tráfego aéreo a toda a questão social e sentimental de milhares de pessoas que regressavam a casa e não sabiam o destino dos seus familiares e amigos -, a execução resulta, no entanto, num telefilme banalíssimo que roda em torno de dois romances insípidos e enfadonhos, quase ofensivos perante a forma como vulgarizam um ponto de partida tão rico como o de "Diverted". O "Poirot" David Suchet ainda dá um ar da sua graça, mas tudo o resto é medonho. Mais uma oportunidade perdida para que um dia caótico para o controlo de tráfego aéreo norte-americano e adjacente pudesse resultar num produto que fizesse justiça à sua índole excepcional e singular.

quinta-feira, maio 16, 2013

The Hole (2009)

Mãe e dois filhos mudam-se para uma nova cidade, para um novo bairro, para uma nova escola pela milésima vez desde que Dane e Lucas vivem sem o pai. Enquanto exploravam a sua nova casa com a vizinha Julie, as crianças descobrem um buraco na cave que parece não ter fundo e que estava fechado com vários cadeados. A curiosidade infantil irá abrir um portal para que vários pesadelos assombrem o mundo real de todos aqueles que olharam para a passagem sobrenatural.

Realizado pelo histórico Joe Dante, autor de obras revolucionárias e intemporais como "Gremlins" ou "Piranha", "Medos" é um filme de terror... para crianças. Com um conceito minimamente interessante e um arranque promissor, "The Hole" perde, no entanto, todo o gás com o desenrolar da trama, com efeitos especiais praticamente anedóticos e amadores - muitos deles feitos unicamente para promover o 3D e não a narrativa -, que fazem com que a fita perca o seu élan, mesmo quando consegue construir algum suspense em cenas com uma atmosfera bem conseguida. Num guião repleto de clichés - como que uma compilação/homenagem a vários clássicos do cinema de terror - e com uma mão cheia de interpretações sensaboronas, não conseguimos conectar-nos nem com as personagens, nem com a história. Em suma, eis mais um para cair no esquecimento.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Defendor (2009)

Arthur Poppington é uma criança num corpo de adulto, consequência de um problema mental catapultado por uma infância conturbada com a mãe, uma prostituta com problemas com a droga que o abandonou em casa dos avós muito cedo na vida. No entanto, o seu avô sempre lhe contou uma história sobre como tinham sido os "Capitães da Indústria" que a tinham destruído, fazendo com que Arthur crescesse com a ambição de um dia ser um super-herói capaz de vingar a morte da sua progenitora. Assim, cria Defendor, um vigilante nocturno que, aliado a uma jovem prostituta, irá combater todos aqueles que traficam drogas, mulheres e armas na sua cidade. Com artilharia caseira pouco convencional e uma atitude tão corajosa quanto perigosa, Defendor não vai parar enquanto não encontrar e aniquilar o "Capitão da Indústria". Mas sobreviverá ele a esta odisseia onde, praticamente, limita-se a levar pancadaria de forma quase gratuita?

Estreia na realização do actor canadiano Peter Stebbings, "Defendor - O Vigilante" é uma divertida e interessante comédia dramática de baixo orçamento, potenciada ao limite por um trio de interpretações de alto nível de Harrelson, Dennings e Koteas - e como lhe assenta na perfeição o papel de polícia corrupto. Com um equilíbrio estrutural notável entre o riso e a emoção, "Defendor" apresenta-se, dentro do género, como uma alternativa muito válida e credível ao brilhante "Kick-Ass", também ele focado num super-herói que de super tinha muito pouco. O problema é que, ao contrário da descontração do hit de Matthew Vaughn, a fita de Stebbings deixa-se cair na ingénua tentação de querer ser algo que não é: um produto provocador, sombrio e profundo sobre relações humanas, orquestrando uma conclusão muito mais carrancuda do que enérgica e divertida. Ainda assim, e desculpando também um processo de montagem nem sempre eficaz, "Defendor" merece uma vista de olhos.

segunda-feira, julho 16, 2012

The Tournament (2009)

De sete em sete anos, uma cidade mundial é escolhida para ser palco de uma batalha épica e perigosa entre assassinos de elite de todo o planeta. Este ano em Middlesbrough, no Reino Unido, as regras são simples: só pode sobreviver um, e esse, "o melhor do mundo", recebe dez milhões de dólares, fatia ainda assim pequena tendo em conta todo o dinheiro que é movimentado através de apostas milionárias de mafiosos e corruptos. Com aparelhos GPS implantados nos corpos dos assassinos, esta edição terá um participante inesperado: nada mais nada menos do que um padre alcoólico, que numa manhã de ressaca bebe do café errado. Literalmente.

Algures entre o estilo de realização do britânico Guy Ritchie e o conceito à "Battle Royale" de Takeshi Kitano, "The Tournament" é um divertido e competente "matar ou morrer", cuja banalidade do guião e a previsibilidade latente no último terço do filme é compensada pelo realismo e criatividade das suas cenas de acção, bem como por uma ou outra sequência suficientemente corajosa e elaborada para justificar um elogio do mais delinquente dos críticos. Moralmente vácuo, mas engenhosamente ritmado e violento, só é pena que "O Torneio" não tenha desenvolvido adequadamente algumas das personagens aparentemente mais interessantes, deixando a ideia de que, enquanto série de televisão, por exemplo, poderia ter tido muito mais sucesso do que como obra singular de hora e meia.

quarta-feira, abril 13, 2011

Chloe (2009)

Catherine (Julianne Moore) e David (Liam Neeson) são um casal de meia-idade como tantos outros: as suas carreiras profissionais são infalíveis, mas a sua relação conjugal está repleta de dúvidas e percalços. De modo a ter a certeza de que o marido ainda a amava e não a andava a trair, Catherine contrata um atraente, lasciva e voluptuosa prostituta de luxo para o seduzir, de seu nome Chloe (Amanda Seyfried). O que não sabe é que será essa sua decisão de abrir a porta à tentação que irá colocar todas as bases da sua vida em terrenos inseguros e movediços, incluindo a sua própria sexualidade.

Thriller libidinoso do egípcio canadiano Atom Egoyan (“The Sweet Hereafter “ e “Where the Truth Lies”), “Chloe” é a adaptação norte-americana do francês “Nathalie…”, realizado por Anne Fontaine em 2003, com Gérard Depardieu, Emmanuelle Béart e Fanny Ardant nos papéis principais. Com uma narrativa psicossexual que levanta várias questões sobre a tentação, a identidade e o primitivismo do desejo carnal, “Chloe” resulta na perfeição enquanto filme erótico mas espalha-se ao comprido enquanto trama que se pretendia inteligente e surpreendente. Com personagens estereotipadas e motivos quase sempre opacos, “Chloe” acaba por tornar-se rapidamente pornografia barata e entediante. Pretensioso, salvam-se as belíssimas interpretações de Moore e Seyfried, duas actrizes excepcionais – e, diga-se de passagem, em grande forma física também – que mereciam um guião bem mais hábil e equilibrado.

domingo, fevereiro 13, 2011

Celda 211 (2009)

Juan Oliver é um jovem futuro pai que, há falta de melhores alternativas, arranja um emprego como guarda prisional de uma cadeia de alta segurança espanhola. Decidido a deixar boa impressão ao novo chefe, apresenta-se ao trabalho um dia mais cedo de modo a ficar a conhecer a “casa” por dentro, bem como os seus novos colegas de profissão. No entanto, durante a visita guiada, Juan é infortunadamente atingido na cabeça por um fragmento que caiu de um dos muitos tectos podres da prisão. Temporariamente inconsciente, os guardas colocam-no na cela 211, desabitada devido à morte recente de um dos prisioneiros. Confirmando a velha máxima de que há dias em que não se deve mesmo sair de casa, nessa mesma altura irrompe um motim sem precedentes, que obriga os guardas a fugirem e a deixarem Juan sozinho na cela. Ao acordar rodeado de criminosos, Juan percebe rapidamente que terá de se fazer passar por um novo prisioneiro se quiser sobreviver.

Vencedor de oito prémios Goya em 2010 – e nomeado vencido de outros tantos -, os mais conceituados galardões do cinema espanhol, “Celda 211” é um thriller prisional com um guião inteligente, dotado de artimanhas narrativas tão inesperadas quanto eficazes, uma cinematografia convincente e realista, uma realização segura de Daniel Monzón – que continua a colocar-se à prova em diferentes géneros cinematográficos, da comédia à ficção científica, quase sempre com aplausos por parte da crítica - e uma mensagem social, política e cultural tão importante e significativa para qualquer espanhol quanto supérflua para qualquer apreciador de bom cinema em qualquer parte do mundo. Entre a influência dos etarras e o desespero da crise económica e governamental espanhola, o destaque merece no entanto ir por inteiro para um conjunto de interpretações impressionantes, começando na estrela de cartaz Alberto Ammann, curiosamente de naturalidade argentina, e terminando em Luis Tosar, que na pele do insolente Malamadre mostra que um aterrorizador idealista pode ser, também, um ser humano amigo dos seus amigos, fiel e respeitador das liberdades e direitos humanos mais básicos.

Drama com “cojones”, “Cela 211” é a adaptação cinematográfica de sucesso da conceituada obra literária homónima do sevilhano Francisco Pérez Gandul, considerada por muitos críticos literários do país vizinho como um dos melhores livros espanhóis da década passada. Colocando o espectador na posição incómoda de Juan Oliver, Daniel Monzón coloca-nos no meio do motim, angustiados pela ausência de soluções prudentes e racionais, quase sempre descriminadas em função da teoria dos “danos colaterais”.

sábado, janeiro 29, 2011

Exam (2009)

Uma só pergunta para responder em oitenta minutos. É este o desafio que é colocado aos oito candidatos finais a um emprego secreto e confidencial, mas muito bem remunerado. Numa sala sem janelas – apenas espelhos colocados entre paredes -, pouca luz e simplesmente acompanhados por um guarda armado junto à porta, terão que cumprir com três regras para não serem desqualificados: não falarem com o guarda, não estragarem os seus papéis e não abandonarem a sala. Impostas as regras, o relógio começa a contagem decrescente e os candidatos viram as folhas. Do outro lado, nada escrito. Mais do que saber qual a resposta certa, a partir desse momento interessa descobrir qual a pergunta que precisam de responder. Sem quebrar nenhuma das regras, frustração, confusão e o feitio de cada um dos candidatos irá aumentar a tensão na sala. Até onde estarão dispostos a ir por um emprego de sonho?

O jovem realizador estreante Stuart Hazeldine consegue orquestrar em “Exam” uma fita interessante e singular que, apesar do espaço de acção reduzido e do conceito algo vazio, consegue entreter durante toda a sua duração, graças a um elenco competente, uma realização criativa e um guião ritmado, que explora de forma hábil todos os pormenores físicos que tem ao seu dispor, sem nunca se tornar demasiado confuso. Filme de mistério rapidamente transformado em thriller dramático, “Exam” consegue através da complexidade das suas variadas personagens tornar-se minimamente credível, equilibrando muito bem o desenrolar da narrativa após cada descoberta com os diálogos pertinentes de cada um dos oito "jogadores" em causa. Certamente um nome a ter em conta nos próximos anos, Hazeldine mostra em “Exam” que não é preciso milhões nem efeitos especiais de vanguarda para fazer um filme tão criativo e inteligente quanto moderno.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

El Secreto de Sus Ojos (2009)

Polícia recentemente reformado, Benjamin Esposito decide escrever um livro de memórias sobre um crime ocorrido há quase trinta anos, mas que nunca foi resolvido, para ocupar os dias vazios e deprimentes de um homem solitário, cansado de estar por casa sem nada para fazer nem ninguém com quem conversar. Em tom de romance policial, explorando caminhos que nunca foram tomados, Benjamim acabará por revisitar as causas, consequências e circunstâncias do crime que o atormentou toda uma vida, bem como algumas opções pessoais e relacionais que tomou durante a sua vida. O novo olhar sobre o passado irá colocá-lo na senda de novos factos que poderão, quem sabe, resolver o caso e reatar uma paixão antiga.

Com uma realização sólida do argentino Juan José Campanella, tarefeiro mais conhecido em Hollywood pela realização de alguns episódios marcantes em séries televisivas como “House”, Lei e Ordem” ou mesmo “30 Rock”, “El Secreto de Sus Ojos” foi o justo vencedor do Óscar da Academia para Melhor Filme Estrangeiro em 2010. Com uma cinematografia excepcional, cujo brilhantismo pode ser exemplificado na sequência que ocorre num estádio de futebol apinhado de adeptos ou cuja intensidade pode ser testemunhada no vazio angustiante de um elevador partilhado com um criminoso de arma em punho, a fita de Campanella possui ainda um equilíbrio notável na sua narrativa, oscilando facilmente e eficazmente entre o drama e o romance, o crime e a paixão. Com repetidos planos fechados aos rostos das personagens a favorecerem os hábeis diálogos e os expressivos silêncios – e provando a categoria do trabalho de maquilhagem no envelhecimento/rejuvenescimento constante das personagens -, “O Segredo dos Seus Olhos” é uma obra imperdível para qualquer cinéfilo que se preze, uma história que prova como, permitam-me a redundância, pequenos pormenores podem alterar o nosso destino neste planeta.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Inglourious Basterds (2009)

No primeiro ano da ocupação de França pelos alemães, Shosanna Dreyfus testemunha a execução da sua família pela mão do Coronel Nazi Hans Landa. Shosanna escapa por pouco, fugindo para Paris onde falsifica uma nova identidade como proprietária e operadora de um cinema. Noutro local da Europa, o Tenente Aldo Raine organiza um grupo de judeus americanos, soldados, para executar investidas rápidas e chocantes de retribuição. Conhecidos pelos seus inimigos como "os sacanas", o bando de Raine une-se à actriz e agente infiltrada alemã Bridget von Hammersmark numa missão para destruir os líderes do Terceiro Reich. O destino de todos eles converge sob um letreiro de cinema, onde Shosanna está determinada em criar o seu próprio plano de vingança.

Enérgico, divertido, excêntrico e singular. Os “Sacanas Sem Lei” de Quentin Tarantino são violentos e amorais, mas também personagens deliciosamente irresistíveis na sua construção cinematográfica. E Landa, magistralmente interpretado pelo até então semi-desconhecido Christoph Waltz – que acabou por, naturalmente, arrecadar praticamente todos os galardões para os quais foi nomeado, incluindo o Óscar de melhor actor secundário -, é, muito provavelmente, uma das figuras mais audazes, desprezáveis mas também memoráveis não só da filmografia de Tarantino, mas também da história recente de Hollywood. It’s a Bingo!

Fantasiosamente rico no seu universo muito próprio, o realizador/guionista Tarantino orquestra uma espécie de reinvenção dos “Doze Indomáveis Patifes”, oferecendo a Pitt, Kruger, Roth e companhia diálogos soberbos e caprichosos, dando-lhes asas para arrancarem performances inolvidáveis. Com uma das melhores sequências de abertura que há memória, o primeiro dos cinco capítulos homenageia ainda Sergio Leone com um “Once Upon a Time in Nazi-Occupied France”, entre muitas outras “homages” que, tal como é habitual, multiplicam-se entre cenas tão tumultuosas e intensas quanto divertidas e primorosas. Com um ritmo estonteante do primeiro ao último minuto, “Inglourious Basterds” foi de longe o melhor filme de 2009. E um dos melhores da sua década.