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segunda-feira, dezembro 22, 2025
Radioman (2012)

sábado, novembro 19, 2022
Trouble with the Curve (2012)

sexta-feira, julho 23, 2021
The Perks of Being a Wallflower (2012)

terça-feira, maio 05, 2020
El Cuerpo (2012)

quinta-feira, abril 09, 2020
A Thousand Words (2012)

quinta-feira, agosto 22, 2019
Safe House (2012)

sábado, novembro 24, 2018
Benfica-Torino 4-3 (2012)

sexta-feira, outubro 05, 2018
Safety Not Guaranteed (2012)

sábado, julho 21, 2018
Ruby Sparks (2012)

quinta-feira, maio 10, 2018
John Dies at the End (2012)

terça-feira, novembro 10, 2015
Spring Breakers (2012)

terça-feira, maio 19, 2015
Columbus Circle (2012)

sábado, março 14, 2015
Bekas (2012)


segunda-feira, agosto 04, 2014
The Expendables 2 (2012)
Numa missão aparentemente tranquila de recuperação de um objecto misterioso localizado num avião despenhado algures na Albânia, os Mercenários são alvo de uma armadilha orquestrada pelos homens do vilanesco Jean Vilain (o delicioso Jean-Claude Van Damme, naquela que é provavelmente a interpretação mais surpreendente do grupo) e acabam por ver o seu mais jovem elemento (Liam Hemsworth) ser escusadamente degolado naquela que seria a sua última missão antes de ir viver com a namorada para França. Decididos a vingar e honrar “The Kid”, os Mercenários partem numa volta ao mundo que só pode acabar com Vilain morto. E, pelo caminho, ajudam ainda a colocar cinco mil toneladas de plutónio nas mãos certas, de modo a evitar a terceira Guerra Mundial.
Realizado desta vez por Simon West (“Con Air” e “Tomb Raider”), esse é logo à partida o grande trunfo desta sequela em relação ao capítulo de abertura da saga: West filma e edita melhor que Stallone e a fluidez narrativa agradece, mesmo no meio de tanta pancadaria e espectáculo pirotécnico. Com um elenco ainda mais utópico, “Os Mercenários 2” revela-se uma ode vaidosa – são infindáveis as referências cómico-culturais a diversos símbolos e expressões de referência dos actores em cena - ao cinema de acção dos anos oitenta e noventa, uma que mesmo caindo na previsibilidade irritante do guião crowd-pleasing, consegue construir estímulos vários nas suas cenas de acção coreografadas ao pormenor, que tornam este um exercício nostálgico e reconfortante no meio de tanto blockbuster moderno que privilegia os efeitos especiais computorizados sobre a autenticidade dos duplos e o calor agonizante das chamas. Um exemplo modesto e circunspecto de uma sequela superior ao original.
Realizado desta vez por Simon West (“Con Air” e “Tomb Raider”), esse é logo à partida o grande trunfo desta sequela em relação ao capítulo de abertura da saga: West filma e edita melhor que Stallone e a fluidez narrativa agradece, mesmo no meio de tanta pancadaria e espectáculo pirotécnico. Com um elenco ainda mais utópico, “Os Mercenários 2” revela-se uma ode vaidosa – são infindáveis as referências cómico-culturais a diversos símbolos e expressões de referência dos actores em cena - ao cinema de acção dos anos oitenta e noventa, uma que mesmo caindo na previsibilidade irritante do guião crowd-pleasing, consegue construir estímulos vários nas suas cenas de acção coreografadas ao pormenor, que tornam este um exercício nostálgico e reconfortante no meio de tanto blockbuster moderno que privilegia os efeitos especiais computorizados sobre a autenticidade dos duplos e o calor agonizante das chamas. Um exemplo modesto e circunspecto de uma sequela superior ao original.
sábado, abril 19, 2014
Compliance (2012)
Baseado num caso verídico que chocou os Estados Unidos da América em 2004, “Compliance” retrata fielmente a história de uma funcionária de um restaurante de fast food que foi humilhada, espancada e obrigada a cometer actos sexuais contra a sua vontade por ordem de uma voz autoritária ao telefone que se identificava perante a gerente do estabelecimento como um agente policial com uma queixa de roubo ao balcão em mãos. Com ameaças constantes de encarceramento, investigações policiais a familiares e muitas outras balelas dominadoras previamente estudadas, o desconhecido ao telefone consegue fazer com que todos os limites do bom senso sejam ultrapassados, aproveitando o respeito da sociedade perante forças da autoridade e consequente medo de represálias em caso de irreverência.
Estreado recentemente em território nacional graças à Vendetta Filmes, distribuidora que em boa hora apareceu e recuperou para as salas de cinema lusitanas alguns produtos independentes de qualidade que caso contrário estariam condenados ao anonimato, “Obediência” revela-se um docudrama controverso – a realidade retratada é tão cruel e surreal que levou a que vários espectadores e jornalistas abandonassem a meio a première do filme no Festival de Sundance – filmado de forma magnânima pelo desconhecido Craig Zobel (“Great World of Sound”), que entre a frieza ácida das fragilidades humanas reflectidas em personagens tão débeis de espírito quanto complacentes com um comportamento em sociedade tido como exemplar – o respeito incondicional às autoridades -, e simbolismos vários que permitiram evitar o choque visual de momentos sufocantes – o enfoque numa palhinha e num balde de água suja, por exemplo, numa cena de sexo oral forçada -, consegue providenciar alguma subtileza artística a uma narrativa hedionda sobre uma sociedade alienada de valores básicos – o incidente retratado foi apenas um dos setenta similares que ocorreram em mais de trinta estados norte-americanos.
No elenco, destaque justo para a secundária Ann Dowd enquanto gerente do restaurante, que lhe valeu um galardão da National Board of Review e que, providenciam os vídeos disponíveis no Youtube sobre o caso real, assentou-lhe que nem uma luva, bem como para Dreama Walker, num papel altamente emocional e fisicamente desafiante, ao qual a jovem actriz regular em séries como “The Good Wife” ou “Apartment 23” respondeu com uma robustez e susceptibilidade impressionantes. No fim, fica o sentimento de que um documentário sobre o assunto poderia ter sido melhor recebido, mas seria sempre o drama de Zobel o melhor veículo para um McMenu de emoções. E quem quer um Happy Meal quando pode levar uma dose super de batatas?
Estreado recentemente em território nacional graças à Vendetta Filmes, distribuidora que em boa hora apareceu e recuperou para as salas de cinema lusitanas alguns produtos independentes de qualidade que caso contrário estariam condenados ao anonimato, “Obediência” revela-se um docudrama controverso – a realidade retratada é tão cruel e surreal que levou a que vários espectadores e jornalistas abandonassem a meio a première do filme no Festival de Sundance – filmado de forma magnânima pelo desconhecido Craig Zobel (“Great World of Sound”), que entre a frieza ácida das fragilidades humanas reflectidas em personagens tão débeis de espírito quanto complacentes com um comportamento em sociedade tido como exemplar – o respeito incondicional às autoridades -, e simbolismos vários que permitiram evitar o choque visual de momentos sufocantes – o enfoque numa palhinha e num balde de água suja, por exemplo, numa cena de sexo oral forçada -, consegue providenciar alguma subtileza artística a uma narrativa hedionda sobre uma sociedade alienada de valores básicos – o incidente retratado foi apenas um dos setenta similares que ocorreram em mais de trinta estados norte-americanos.
No elenco, destaque justo para a secundária Ann Dowd enquanto gerente do restaurante, que lhe valeu um galardão da National Board of Review e que, providenciam os vídeos disponíveis no Youtube sobre o caso real, assentou-lhe que nem uma luva, bem como para Dreama Walker, num papel altamente emocional e fisicamente desafiante, ao qual a jovem actriz regular em séries como “The Good Wife” ou “Apartment 23” respondeu com uma robustez e susceptibilidade impressionantes. No fim, fica o sentimento de que um documentário sobre o assunto poderia ter sido melhor recebido, mas seria sempre o drama de Zobel o melhor veículo para um McMenu de emoções. E quem quer um Happy Meal quando pode levar uma dose super de batatas?
segunda-feira, abril 07, 2014
Taken 2 (2012)
Antigo agente dos serviços secretos norte-americanos, Bryan Mills (Liam Neeson) e a família parecem já ter recuperado do trauma que os envolveu quando, alguns anos antes, a filha foi raptada em Paris por um grupo mafioso do leste da Europa, despoletando uma série de acontecimentos dramáticos que obrigaram Bryan a um one-man show de tiroteios, pancadaria e tortura de modo a conseguir salvar a sua mais que tudo de uma rede internacional de prostituição. Agora de férias em Istambul, na Turquia, mal imaginam os Mills que alguém os procura para um ajuste de contas.
Realizado por Olivier Megaton - responsável pelo simpático e competente "Colombiana" -, "Taken - A Vingança" fica a milhas do seu predecessor, a todos os níveis, por uma mão cheia de razões: para começar, falta-lhe o efeito surpresa do original de 2008, digno autor de algumas das cenas de acção - e tensão - mais carismáticas da última década; consequentemente, as expectativas elevadas de uma sequela meritória revelam-se inevitáveis, provocando um desgosto maior no espectador quando, na verdade, enquanto produto isolado "Taken 2" nem é mau de todo; depois ainda temos uma narrativa que trata como adolescente inocente uma actriz trintenária que, de miúda, pouco ou nada tem; e, pior ainda, quando a mesma criança passa de uma total aselha ao volante, daquelas que chumba no código tentativa após tentativa, para uma autêntica ás das estradas e da borracha queimada quando o perigo assim obriga. Outras incongruências narrativas mancham uma premissa ainda assim interessante - mesmo que pouco credível -, valendo-nos Neeson sentir-se quem nem peixe na água nesta personagem que lhe é indissociável. De resto, cenários ricos, ricos cenários nas bilheteiras (400 milhões contra os 45 de orçamento) e a falta de uma saga de características semelhantes à sua altura - quase todas série B as que por aí andam - levam-nos à conclusão que, para a glória ou para a desgraça, um terceiro capítulo é inevitável.
Realizado por Olivier Megaton - responsável pelo simpático e competente "Colombiana" -, "Taken - A Vingança" fica a milhas do seu predecessor, a todos os níveis, por uma mão cheia de razões: para começar, falta-lhe o efeito surpresa do original de 2008, digno autor de algumas das cenas de acção - e tensão - mais carismáticas da última década; consequentemente, as expectativas elevadas de uma sequela meritória revelam-se inevitáveis, provocando um desgosto maior no espectador quando, na verdade, enquanto produto isolado "Taken 2" nem é mau de todo; depois ainda temos uma narrativa que trata como adolescente inocente uma actriz trintenária que, de miúda, pouco ou nada tem; e, pior ainda, quando a mesma criança passa de uma total aselha ao volante, daquelas que chumba no código tentativa após tentativa, para uma autêntica ás das estradas e da borracha queimada quando o perigo assim obriga. Outras incongruências narrativas mancham uma premissa ainda assim interessante - mesmo que pouco credível -, valendo-nos Neeson sentir-se quem nem peixe na água nesta personagem que lhe é indissociável. De resto, cenários ricos, ricos cenários nas bilheteiras (400 milhões contra os 45 de orçamento) e a falta de uma saga de características semelhantes à sua altura - quase todas série B as que por aí andam - levam-nos à conclusão que, para a glória ou para a desgraça, um terceiro capítulo é inevitável.
segunda-feira, março 17, 2014
21 Jump Street (2012)
Morton Schmidt (Jonah Hill) e Greg Jenko (Channing Tatum) são como azeite e água no secundário: simplesmente não se misturam, ou não fosse o primeiro um marrão de laboratório que usa as duas alças da mochila e, o segundo, um garanhão calinas cujo único objectivo é ser o rei do baile de finalistas. Mas a vida dá muitas voltas e, anos mais tarde, encontram-se na academia de polícia, onde tornam-se unha e carne ou, melhor dizendo, cérebro e músculo em conjunto. Dependentes um do outro - o primeiro não consegue correr mais do que trinta segundos, o segundo não decora sequer, de uma vez por todas, o "Miranda Warning" ("You have the right to remain silent..."), acabam por qualificar-se e ser enviados para a "21 Jump Street", um departamento secundário de investigação policial sob disfarce civil. Primeiro trabalho de infiltrados? Numa escola secundária, sítio onde não se suportavam no passado, para descobrir o distribuidor de uma nova droga. Só que agora ser nerd é cool e, inesperadamente, é Schmidt quem atrairá os holofotes nos corredores. Irá Jenko aguentar a pressão?
Comédia realizada pela dupla responsável pelas animações "Cloudy with a Chance of Meatballs" e "The Lego Movie", "Agentes Secundários" revela-se uma adaptação cinematográfica pouco fiel à série televisiva do final dos anos oitenta que lançou Johnny Depp para o estrelato. É verdade que a produção televisiva tinha os seus momentos divertidos - quase todos a cargo da personagem de Peter DeLuise -, mas a essência do seu sucesso baseava-se também na abordagem dramática e emocional que fazia sobre vários assuntos sérios como a toxicodependência ou a violência doméstica, muitas vezes com episódios sem uma única gargalhada no guião. Para vender melhor ou simplesmente por decisão artística, a verdade é que este reboot cinéfilo dedica-se somente a fazer rir o espectador e, verdade seja dita, consegue-o durante vários momentos. Seja nas homenagens à série (o gang de motards), na sequência em que a dupla principal está drogada ou na luta constante aos clichés e às convenções do género (os carros que teimam em não explodir, por exemplo), "21 Jump Street" desenrasca-se bem. Tão bem que aquele final a implorar por uma sequela era desnecessário.
Comédia realizada pela dupla responsável pelas animações "Cloudy with a Chance of Meatballs" e "The Lego Movie", "Agentes Secundários" revela-se uma adaptação cinematográfica pouco fiel à série televisiva do final dos anos oitenta que lançou Johnny Depp para o estrelato. É verdade que a produção televisiva tinha os seus momentos divertidos - quase todos a cargo da personagem de Peter DeLuise -, mas a essência do seu sucesso baseava-se também na abordagem dramática e emocional que fazia sobre vários assuntos sérios como a toxicodependência ou a violência doméstica, muitas vezes com episódios sem uma única gargalhada no guião. Para vender melhor ou simplesmente por decisão artística, a verdade é que este reboot cinéfilo dedica-se somente a fazer rir o espectador e, verdade seja dita, consegue-o durante vários momentos. Seja nas homenagens à série (o gang de motards), na sequência em que a dupla principal está drogada ou na luta constante aos clichés e às convenções do género (os carros que teimam em não explodir, por exemplo), "21 Jump Street" desenrasca-se bem. Tão bem que aquele final a implorar por uma sequela era desnecessário.
domingo, janeiro 26, 2014
Room 237 (2012)
“Room 237” é um documentário norte-americano de 2012 sobre possíveis interpretações e significados escondidos de alguns filmes de Stanley Kubrick, com especial enfoque na análise de “The Shining”. Um grupo de entusiastas cinéfilos - para não dizer mesmo cismáticos e extravagantes - explana as suas teorias em nove segmentos separados, focando-se cada um deles em diversos elementos na adaptação cinematográfica da obra de terror de Stephen King que, defendem, podem esconder pistas para um universo macabro de teorias e conspirações relacionadas com o mundo e com o própria vida de Kubrick.
Tributo ao amor ao cinema em geral e à obra do realizador norte-americano em particular, os conspirad…, perdão, os Kubrickistas entrevistados defendem as mais variadas conjecturas: do holocausto ao genocídio da população índia norte-americana, da participação de Kubrick na simulação da aterragem do Apollo 11 na Lua (1969) - esta foi, a nível pessoal, a que mais me prendeu ao ecrã, fazendo com que as dicas visuais sobre o assunto em “The Shining” se associassem, na minha cabeça, ao domínio pela técnica de projecção frontal que Kubrick possuía e tão bem usou de modo revolucionário em “2001: Odisseia no Espaço” (1968) - ao modo de governação norte-americano, em que o presidente é só uma fachada e quem controla serão outros nos bastidores, tornando “Room 237” uma obra de nove segmentos de difícil digestão para os mais cépticos, mas de tremendo interesse para todos aqueles que, no fundo, estão receptivos a querer perceber a lógica de raciocínio de um homem com uma inteligência fora do normal.
Sim, muitos apontamentos são completamente forçados - da história do minotauro à cara de Kubrick nas nuvens na sequência inicial - e foi o próprio assistente de realização de Kubrick em “The Shining”, em entrevista recente ao The New York Times, o primeiro a descredibilizar o documentário, afirmando que setenta a oitenta porcento das ideias apresentadas no mesmo são uma “treta completa”. O que, no meu ponto de vista, apenas significa que algumas outras estarão assustadoramente correctas. Quais? Fica a dúvida. O que importa é que ainda há quem se interesse em analisar a beleza de um filme complexo de forma tão apaixonada, mesmo que muitas vezes algumas supostas denotações escondidas não o sejam, manipulando um pouco o espectador para uma análise surpreendente e coerente que, no fundo, não o é. Ainda assim, não deixa de ser divertido e curioso descobrir a forma que Kubrick encontrou para, em pleno filme, espetar o dedo do meio a Stephen King e a todas as suas críticas durante a produção do filme.
Tributo ao amor ao cinema em geral e à obra do realizador norte-americano em particular, os conspirad…, perdão, os Kubrickistas entrevistados defendem as mais variadas conjecturas: do holocausto ao genocídio da população índia norte-americana, da participação de Kubrick na simulação da aterragem do Apollo 11 na Lua (1969) - esta foi, a nível pessoal, a que mais me prendeu ao ecrã, fazendo com que as dicas visuais sobre o assunto em “The Shining” se associassem, na minha cabeça, ao domínio pela técnica de projecção frontal que Kubrick possuía e tão bem usou de modo revolucionário em “2001: Odisseia no Espaço” (1968) - ao modo de governação norte-americano, em que o presidente é só uma fachada e quem controla serão outros nos bastidores, tornando “Room 237” uma obra de nove segmentos de difícil digestão para os mais cépticos, mas de tremendo interesse para todos aqueles que, no fundo, estão receptivos a querer perceber a lógica de raciocínio de um homem com uma inteligência fora do normal.
Sim, muitos apontamentos são completamente forçados - da história do minotauro à cara de Kubrick nas nuvens na sequência inicial - e foi o próprio assistente de realização de Kubrick em “The Shining”, em entrevista recente ao The New York Times, o primeiro a descredibilizar o documentário, afirmando que setenta a oitenta porcento das ideias apresentadas no mesmo são uma “treta completa”. O que, no meu ponto de vista, apenas significa que algumas outras estarão assustadoramente correctas. Quais? Fica a dúvida. O que importa é que ainda há quem se interesse em analisar a beleza de um filme complexo de forma tão apaixonada, mesmo que muitas vezes algumas supostas denotações escondidas não o sejam, manipulando um pouco o espectador para uma análise surpreendente e coerente que, no fundo, não o é. Ainda assim, não deixa de ser divertido e curioso descobrir a forma que Kubrick encontrou para, em pleno filme, espetar o dedo do meio a Stephen King e a todas as suas críticas durante a produção do filme.
quinta-feira, janeiro 02, 2014
Arbitrage (2012)
A festejar o seu sexagésimo aniversário, Robert Miller (Richard Gere) é presenteado com a sua cara na capa da conceituada revista Time, ou não fosse ele um dos empresários de maior sucesso nos Estados Unidos da América, milionário a pulso e pai de família respeitado. O que ninguém sabe, nem mesmo os que lhe são mais próximos, é que o seu império está à beira da falência e a sua sobrevivência depende de um último negócio, no qual a sua imagem de homem íntegro e intocável será fundamental para desvalorizar algumas incongruências financeiras que serão descobertas no processo. O problema é que nessa mesma semana, Robert irá envolver-se num trágico e fatal acidente de viação com a sua... amante, o que irá obrigá-lo a refugiar-se numa teia de mentiras e contradições que podem levar não só ao fim do seu casamento e da sua empresa, mas também ditar o seu encarceramento vitalício.
Thriller riquíssimo a vários níveis, dos valores de produção - ainda para mais se tivermos em conta o seu modesto orçamento - à magnânima interpretação de Richard Gere - sem dúvida alguma a sua melhor desde "Pretty Woman" -, "Arbitrage - A Fraude" concilia de forma muito competente duas linhas narrativas díspares (uma profissional e outra pessoal), orquestrando um sentimento omnipresente de tensão e condescendência do espectador perante uma personagem que, à primeira vista, teria tudo para ser odiada e repugnada nos seus propósitos criminosos e de ganância exacerbada. Escrito e realizado pelo promissor Nicholas Jarecki, o nova-iorquino coloca-nos várias vezes a pensar que, estivéssemos nós na pele de Robert, provavelmente faríamos exactamente o mesmo que o vilão-herói desta história, de modo a proteger todos aqueles que amamos. Se o final aberto acaba por ser algo frustrante e intelectualmente pouco recompensador depois de hora e meia de suspense em alta voltagem, destaque obrigatório deve ser dado para a forma sublime em como os vinte minutos iniciais da fita colocam-nos completamente a par da personalidade, feitio e carácter de Robert. Pena apenas que o mesmo não tenha sido feito em relação ao detective interpretado por Tim Roth, personagem esta completamente desaproveitada na sua dicotomia entre caçador e presa; uma única cena de diálogo intenso entre Gere e Roth soube a muito pouco. Moral da história? O dinheiro e o poder são um bom álibi.
Thriller riquíssimo a vários níveis, dos valores de produção - ainda para mais se tivermos em conta o seu modesto orçamento - à magnânima interpretação de Richard Gere - sem dúvida alguma a sua melhor desde "Pretty Woman" -, "Arbitrage - A Fraude" concilia de forma muito competente duas linhas narrativas díspares (uma profissional e outra pessoal), orquestrando um sentimento omnipresente de tensão e condescendência do espectador perante uma personagem que, à primeira vista, teria tudo para ser odiada e repugnada nos seus propósitos criminosos e de ganância exacerbada. Escrito e realizado pelo promissor Nicholas Jarecki, o nova-iorquino coloca-nos várias vezes a pensar que, estivéssemos nós na pele de Robert, provavelmente faríamos exactamente o mesmo que o vilão-herói desta história, de modo a proteger todos aqueles que amamos. Se o final aberto acaba por ser algo frustrante e intelectualmente pouco recompensador depois de hora e meia de suspense em alta voltagem, destaque obrigatório deve ser dado para a forma sublime em como os vinte minutos iniciais da fita colocam-nos completamente a par da personalidade, feitio e carácter de Robert. Pena apenas que o mesmo não tenha sido feito em relação ao detective interpretado por Tim Roth, personagem esta completamente desaproveitada na sua dicotomia entre caçador e presa; uma única cena de diálogo intenso entre Gere e Roth soube a muito pouco. Moral da história? O dinheiro e o poder são um bom álibi.
terça-feira, agosto 06, 2013
This Means War (2012)
Tuck e FDR são dois dos mais competentes e polivalentes agentes da CIA. Quase sempre envolvidos em trabalhos de equipa no campo, salvando-se por várias vezes um ao outro, criaram uma amizade fortíssima que ultrapassa as portas da agência governamental norte-americana. Tudo uma maravilha até ao dia em que descobrem que estão apaixonados pela mesma rapariga e entram em competição para conquistar o coração da indecisa loira que, após muito tempo sem um relacionamento, vê-se desejada por dois homens com poucas ou nenhumas falhas - pudera, ou não tivessem eles acesso a vigilância constante a Lauren e acesso a todos os seus desejos e preferências. Por quem irá a mãe solteira optar? E estragará isso a amizade entre Tuck e FDR?
Comédia romântica de espionagem - light, muito light - com pouca acção mas muita sedução pateta, "This Means War" revela-se entretenimento despretensioso acima da média, muito por culpa da química entre Chris Pine e Tom Hardy nas cenas conjuntas. Melhor enquanto Bromance do que na sua vertente de romance, "Guerra é Guerra" triunfa ao não exagerar nas perseguições ou tiroteios do costume no género, mas sim ao focar-se com dedicação na comicidade inerente ao triângulo amoroso que dá vida ao filme. Pine e Hardy dificilmente seriam escolhas óbvias para tal enfoque - mas desenrascam-se bem, diga-se a verdade - e Reese Witherspoon, mesmo sem conquistar a tela e demonstrar a razão de tanta paixão, convence enquanto interesse amoroso tão ingénuo quanto irresistível. De resto, uma realização competente do tarefeiro multifacetado McG e várias gargalhadas com a personagem de Chelsea Handler - que limitou-se basicamente a ser ela própria na pele de Trish - transformam este "This Means War" numa recomendação simpática de domingo à tarde.
Comédia romântica de espionagem - light, muito light - com pouca acção mas muita sedução pateta, "This Means War" revela-se entretenimento despretensioso acima da média, muito por culpa da química entre Chris Pine e Tom Hardy nas cenas conjuntas. Melhor enquanto Bromance do que na sua vertente de romance, "Guerra é Guerra" triunfa ao não exagerar nas perseguições ou tiroteios do costume no género, mas sim ao focar-se com dedicação na comicidade inerente ao triângulo amoroso que dá vida ao filme. Pine e Hardy dificilmente seriam escolhas óbvias para tal enfoque - mas desenrascam-se bem, diga-se a verdade - e Reese Witherspoon, mesmo sem conquistar a tela e demonstrar a razão de tanta paixão, convence enquanto interesse amoroso tão ingénuo quanto irresistível. De resto, uma realização competente do tarefeiro multifacetado McG e várias gargalhadas com a personagem de Chelsea Handler - que limitou-se basicamente a ser ela própria na pele de Trish - transformam este "This Means War" numa recomendação simpática de domingo à tarde.
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