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domingo, fevereiro 08, 2026

The Great Flood (2025)

There are several Letterboxd reviews comparing it to a cheap/weak Inception/Matrix wannabe. They may all be correct, but I loved the audacity and the look of it. Of making that unexpected one eighty halfway through a brainless disaster/apocalyptic movie and transforming it into a complex distopian heavy sci-fi, full of tech ideas and philosophical concepts, even if I couldn't fully understand half of them. And yes, I did fell in love with Kim Da-mi.

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

War of the Worlds (2025)

Eu podia falar do acting desta malta toda, especialmente do miúdo do "Diário de um Banana" que se transformou num verdadeiro banana, podia falar dos efeitos especiais medonhos, podia falar das promoções descaradas à Amazon - no final, é a Amazon que acaba por salvar o planeta e tudo -, podia falar da salganhada narrativa que mistura sal (família), açúcar (conspiração política) e beterraba (hackers) na mesma receita, podia falar de tudo e mais alguma coisa. Mas o que me irritou mesmo à séria nesta brincadeira é a falta de noção de tempos, da passagem do tempo, do encadeamento das acções e das respectivas reacções. É tudo instantâneo, qual episódio impossível de "24", onde entre o lançamento da bomba, a explosão, a chegada da ambulância, o tratamento dos feridos, a contagem dos mortos e a edição da filmagem do canal de notícias para a reportagem bastassem apenas dois segundos. E, claro, apenas mais um segundo para uma conclusão óbvia do Cubo de Gelo. Depois do tão afamado "oscar bait", finalmente um filme escrito, realizado e montado a pensar na criação de um novo termo cinéfilo: o "razzie bait". Vai ser uma razia.

sexta-feira, janeiro 30, 2026

Mountainhead (2025)

Caso para dizer que a montanha pariu um rato. Percebe-se a ideia, percebe-se o conceito, percebe-se a crítica escondida aos dias que correm, aos gurus tecnológicos que tudo (des)controlam. Mas fica assim mesmo, escondido, sem chama, sem brilho, sem nunca explodir para o absurdo total, para a sátira sem vergonha, para os diálogos sensacionais - e não apenas sensacionalistas. Os complexos divinos, as caricaturas, tudo, tudo ao de leve, sem nunca aprofundar, sem nunca fazer rir ou, no extremo oposto, causar qualquer tipo de indignação. Tão relevante e divertido como uma palestra do Elon Musk sobre redes sociais.

terça-feira, janeiro 27, 2026

One Battle After Another (2025)

Col. Steven J. Lockjaw: I don't know it to be true, but I suspect it. When I awoke, there was sensitivity in a private place, and there was some residue of an interaction. Virgil Throckmorton: Interaction? Col. Steven J. Lockjaw: I believe she was a sperm thief. Sandy Irvine: A semen demon? Col. Steven J. Lockjaw: That's correct. Virgil Throckmorton: Colonel Lockjaw, what would be the purpose of the enemy raping you in reverse? Col. Steven J. Lockjaw: They saw the power of my mind and body. They desired it. Oval office conversations and regular logic any given day during the Trump administration.

sexta-feira, janeiro 09, 2026

F1 (2025)

Brad Pitt isn't as charismatic and riveting as Tom Cruise and a Formula One car - at least nowadays - is not as exciting and dangerous as a F-14 Tomcat. Damson Idris is not convincing as Iceman and Kerry Condon is a cheaper and less talented version of Rebecca Ferguson. What's most impressive about it is that Brad Pitt, 61 (!), still manages to play a early 40s character convincingly.

quinta-feira, dezembro 25, 2025

Flight Risk (2025)

Podem internar o Mel Gibson num lar de idosos, fechá-lo numa ala e deitar a chave fora. Como é que é possível que o gajo que realizou o "Braveheart" ou mesmo a paixoneta de Cristo - goste-se ou não, é ousado tecnicamente - faça uma chachada destas em que absolutamente tudo é patético, da edição aos efeitos especiais, dos diálogos ao acting, dos timings surreais da acção à careca do Mark Whalberg, que não pesquisei porquê nem quero saber, agora chama-se Marky Mark em todo o lado. Eu não sei se o Mel Gibson é, nos dias que correm, alcoólico, anti-semita, religioso fanático ou apenas parvo; sei que se foi mesmo ele o responsável por isto, já não há salvação possível.

sexta-feira, dezembro 19, 2025

Bugonia (2025)

O meu novo Lanthimos favorito, mais contido na forma, igualmente exuberante no conteúdo. Uma história que agarra, repleta de alegorias, simbolismos e mensagens ousadas e histriónicas sobre a sociedade, os cultos, as crenças e o poder. As verdades fabricadas, as mentiras manipuladas, o síndrome do guru, a reviravolta que parece demasiado óbvia à partida mas que funciona que nem uma pedrada no charco à chegada. As sociedades que funcionam como colmeias, o olhar omnipresente, as máscaras sociais, as catarses encenadas, o absurdo como espelho da realidade. É Lanthimos no seu estado ideológico mais puro: sátira social sobre a condição humana, com um twist que desmonta a sua visão, os seus alvos e as suas ideias por completo. E isso é cinema, é inesperado, é Lanthimos a ser Lanthimos sobre Lanthimos. Papelaços de Emma Stone e Jesse Plemons, que certamente serão premiados com uma mão cheia de nomeações aos principais prémios da temporada.

quarta-feira, dezembro 17, 2025

TRON: Ares (2025)

"Tron: Ares" doesn’t break new ground narratively - the script leans heavily on exposition and familiar heroic beats - but it thrives as a visual spectacle, with a striking sense of aesthetic continuity with the franchise’s legacy. Exceptional audio design anchored by a gripping score, making the whole experience engaging, polished and undeniably cinematic. Jared Leto did his job, Greta Lee was fantastic, Evan Peters so-so, Gillian Anderson wasted and Jeff Bridges shamefully played The Dude in a really pathetic small and undeserving part.

segunda-feira, dezembro 15, 2025

Black Phone 2 (2025)

It tries to boost the supernatural angle of the first one but ends up feeling like a bland "Nightmare on Elm Street" imitation. The Super-8 dream look is ok but the movie drags on for the first full hour, repeating information and relying on weak jump scares, random gore and clumsy Stranger Thingsesque style emotion for the rest of it. Let's avoid a trilogy, ok? PS: It took me three days to finish the first act, as I kept on falling asleep on the sofa. Boring as hell. Or ice, I suppose.

sexta-feira, novembro 21, 2025

Good Boy (2025)

Uma questão muito interessante para ser discutida em podcast: se fosse um actor humano, quem seria este cão? Já li por aí que seria o Daniel Day-Lewis, mas não concordo. Deu-me mais pinta de Robert Redford pelo tom do pêlo e pelo movimento das sobrancelhas. Ao realizador provavelmente fez lembrar o Harrison Ford, daí a homenagem no nome Indy. Pormenores. Passemos ao que interessa: conceito original, atmosfera competente... e tudo o resto catastrófico. Catastrófico ao ponto de estragar o conceito, atenuar a atmosfera, tornar-se confuso entre simbolismos e pesadelos, visões e alucinações. Confesso que cheguei ao fim sem sequer perceber se isto era uma espécie de "Sexto Sentido" canino... ou se o twist era outro.

terça-feira, novembro 11, 2025

The Long Walk (2025)

Que "Hunger Games" sensaborão, versão dos pobres, sem construção de universo próprio, sem ideias cinemáticas, sem chama, sem alma, sem nada que aconteça que seja inesperado. Tudo sem sentido - seja as mochilas às costas sem necessidade ou o calçado escolhido completamente desadequado com a missão em frente -, tudo repetitivo sem necessidade absolutamente nenhuma para tal, tudo às costas do duo de protagonistas, constantemente responsáveis por salvar o guião, a realização e todas as personagens secundárias sem qualquer tipo de impacto ou ligação emocional ao espectador. Safa-se David Jonsson e pouco mais. Mark Hamill e o seu major? Fartei-me de revirar os olhos.

quinta-feira, outubro 30, 2025

A House of Dynamite (2025)

É muito fácil perceber a razão de todas as críticas, o grande motivo pelo qual o novo filme de Kathryn Bigelow tem sido arrasado pela crítica e pelo público. Além de toda aquela estética visual asséptica da Netflix, parece que lhe falta todo um terceiro acto, à vontade uma meia hora final que dê respostas, caramba, que ofereça a GRANDE resposta que a audiência procura, que encerre as histórias de várias personagens, que nos dê um vislumbre de um apocalipse anunciado. Mas é exactamente essa audácia em mostrar-se e provar-se como um filme sobre processos, sobre tomadas de decisão, sobre o carácter de políticos e decisores, e não sobre resultados, sobre o caos, que me conquistou. Felizmente não passa tudo de uma miragem, claro, porque temos na vida real uma equipa super competente e com extremo bom senso nos comandos da Casa Branca.

terça-feira, outubro 28, 2025

Night Always Comes (2025)

A história base que justifica todas as acções da protagonista é tão mal amanhada, tão mal construída naqueles minutos iniciais, tão forçada e disparatada nas acções incompreensíveis da mãe (Leigh), que não dá para nos preocuparmos minimamente com as consequências de todas as parvoíces que a Vanessa Kirby decide fazer. Kirby está longe de ser má actriz, mas a sua personagem é uma manta de retalhos; o mesmo se aplica, até pior, para a Jennifer Jason Leigh. Escrita e realização com muita maquilhagem, algum silicone, mas pouco ou nenhum conteúdo às sete da manhã depois de acordar. Quem tem experiência de Bairro Alto já não se deixa enganar.

sexta-feira, outubro 24, 2025

The Woman in Cabin 10 (2025)

É um Agatha Christie escrito pelo ChatGPT, que cumpre os mínimos... se os vossos mínimos forem tão baixos quanto os meus quando se tratam destes filmes que ficam seis semanas no top10 da Netflix. Continuo com a minha teoria que qualquer filme de mistério em que sabemos quem vai ser o mau da fita ao fim de dez minutos nasce torto e dificilmente se endireita, e esta brincadeira com o canastrão do Guy Pearce não é excepção. Esquecível, mas deu para não adormecer no sofá.

sábado, outubro 18, 2025

Highest 2 Lowest (2025)

The sound design completely ruined an already unnecessary remake of my favorite Kurosawa. Not even the mighty Denzel could save such an unconscionable "creative" work around a story that should be focused on its core messages and morals and not on how extravagant it looks and sounds. Spike Lee should know better.

terça-feira, outubro 14, 2025

Ballerina (2025)

A irmã mais nova do John Wick despacha mauzões com pistolas, facas, pratos, patins de gelo, espadas, comandos de televisão, granadas, lança-chamas, machados e até mangueiras. Mas não deixa de ser a irmã mais nova do John Wick, e mesmo tendo o dobro da beleza - saiu à mãe de cara e ao pai de peito -, tem metade do carisma. E nestes filmes todos bonitinhos, polidos, que se perdem no meio de tanta acção estudada e planeada, o carisma é tudo. Não basta estudar bem, treinar bem, executar bem. É preciso fazê-lo com alma, com chama, com convicção. Não chega ser aluna de vinte, é preciso brilhar quando se sobe ao palanque para falar.

sexta-feira, setembro 26, 2025

Pimple (2025)

Fernando Alle’s gloriously gross little splatterfest. Just like if David Cronenberg got drunk as a teenage and decided to teach puberty as a horror-comedy short. An innocent helpless boy at school whose ugly zit becomes a ticking time bomb, erupting in a geyser of pus that transforms another regular day into a bloody massacre. Didn't enjoy those three young a-holes acting nor understood the need for the "gun" scene - Alle could manage another original darkly funnier death -, but I'll take an Alle movie, short or long, anytime. Coming-of-age Azorean lessons about testosterone and virility; take that, you bullies!

sábado, setembro 06, 2025

Superman (2025)

Imigração e xenofobia na pele do marginalizado alienígena ilegal do Super-Homem, Lex Luthor como representação da elite autoritária que explora o medo - é Musk e Trump ao mesmo tempo -, o confronto geopolítico da Boravia vs Jarhanpur que é descaradamente uma representação atroz do papel de Israel (e porque não, também da Rússia) com o apoio de uma grande potência - EUA através da personagem do Elon Lex Trump - e da retórica genocida, a crítica às elites tecnológicas que gerem todo um mundo de fake news e de manipulação mediática - lá volta o Lex Musk, os deep fakes, as fake news e as redes sociais - e, porque não, a moralidade universal que já não é sinónimo de "American Way". Em tempos de populismo e extremismos, a bondade é um acto de coragem. E este Super-Homem de Gunn, com todos os seus defeitos, como filme e como personagem, é um hino à decência humana. E, só por isso, uma vitória de todos nós sobre a cultura do ódio.

terça-feira, agosto 19, 2025

Jurassic World Rebirth (2025)

É consideravelmente melhor que o anterior... e ainda assim é um desastre. Do clássico de Spielberg perdeu-se quase tudo: a urgência, o medo, o inesperado - aos dez minutos já sabemos todos os que vão morrer e os que vão sobreviver, até a ordem, e nem há coragem para quebrar essa expectativa bem perto do fim - os tempos, as personagens que interessam - e que interessam-se -, o guião escrito à mão - vá, máquina de escrever - e não a computador, de forma totalmente artificial, rápida e banal, repleto de fórmulas vistas e repetidas exaustivamente. Nem vou entrar pelo aspecto visual: nem Edwards e a sua equipa, com tantas provas dadas neste "meio", trinta anos depois, consegue sequer fazer cócegas ao realismo do original. Ficam as diversas homenagens entre o insonso e o patético - aquele acasalamento no vale, meu Deus -, e um título que não faz sentido nenhum: renascimento do quê, meus palermas?

domingo, agosto 17, 2025

Warfare (2025)

Realização primorosa, sound design estrondoso... num filme sem estrutura, sem espinha dorsal, sem um arco narrativo que o diferencie de uma mera recriação de homenagem de um momento chave de uma equipa militar que deixou a pele e a alma no Iraque. Para quê e por quem? Já dizia Spielberg que qualquer filme que retrate a guerra é um filme anti-guerra... e "Warfare" não é excepção, mesmo que não tenha a certeza que tenha sido essa a intenção. Não será certamente para todos, mas os fãs de "Call of Duty" têm aqui uma oportunidade para perceber as diferenças entre a Playstation e a vida real.