quarta-feira, maio 12, 2021

Revenge (2017)

O rape-revenge cru e estilizado que muitos tentaram ser - quantos "I Spit on Your Grave" já temos nós mesmo? Quatro? Cinco? - mas poucos conseguiram. Bem conseguido com valores modestos de produção e orçamento, a visão de Coralie Fargeat - aqui realizadora e guionista - triunfa na audácia despreocupadamente irrealista dos seus exageros - as feridas, o banho de sangue perto do fim, o gore -, por mais surpreendente e anormal que isso possa parecer. Banda-sonora a condizer, uma heroína que afigurava-se tão fútil mas que nos conquista com o passar das suas tormentas e um trio de vilões de personalidades distintas que tanto gosto deu odiar. Final que nos sacia, tanto na brilhante e enervante execução labiríntica como no seu outcome e mais uma realizadora para seguir com atenção nos próximos anos.

terça-feira, maio 11, 2021

The Last Blockbuster (2020)

Documentário simpático e nostálgico em torno da última Blockbuster em actividade no planeta inteiro. Mesmo percebendo - e até partilhando - a ira de Lloyd Kaufman pelo facto da cadeia ter aniquilado tudo o que eram clubes de vídeo independentes com o seu então inovador e revolucionário esquema de negócio - partilhar os lucros dos alugueres com os estúdios em vez de comprar por pequnas fortunas, tal como os outros faziam, os direitos de cada cassete -, a verdade é que é impossível resistir às memórias que aquele espaço familiar em Oregon trazem a qualquer um que cresceu perdendo horas e horas todas as semanas a correr prateleiras ao pormenor nos mais variados clubes de vídeo das suas localidades. Aquela sensação de descoberta, aquele clique no ouvido da caixa a abrir e fechar, os cheiros característicos, enfim, remanescências de uma era que poucos imaginámos que um dia deixaria de existir. Nem os executivos da Blockbuster que, abrindo uma nova loja a cada dezassete horas durante uma fase de boom dos DVDs no final dos anos noventa, ignoraram a hipótese de adquirir a então modesta Netflix, considerando ser um modelo de negócio sem pernas para andar. As voltas que a vida dá, ainda para mais quando se mete um crise financeira global pelo caminho. E preparem-se amiguinhos, daqui a quinze anos temos um documentário sobre aqueles dias em que entrávamos numa loja para comprar filmes e séries. Nada temam, por essa altura abrirei com amigos o Videoclube do Sr. Joaquim, aquele que será o último lugar da resistência cinéfila no planeta. PS: Ironia das ironias, "The Last Blockbuster" está a chegar a milhões nos Estados Unidos da América graças à sua estreia na... Netflix. E fiquem a saber que nem o Covid deu cabo da resiliência daquela mulher em manter o espaço aberto.

segunda-feira, maio 10, 2021

Nobody (2021)

"De facto, iramo-nos com aqueles que nos são mais queridos porque nos deram menos do que esperávamos ou menos do que os outros obtiveram; para qualquer um dos casos, há um remédio. Ele deu mais a outro homem: contentemo-nos com a nossa parte, sem fazermos comparações: nunca será feliz aquele que atormenta quem é mais feliz que ele. Recebi menos do que esperava: talvez esperasse mais do que me era devido. Este capricho é um dos mais temíveis, pois dele nascem as iras mais perniciosas e mais capazes de atentar contra as coisas mais sagradas". Lúcio Soneca para os amigos, filósofo nascido ainda antes de Cristo, a prever a reacção de bestas ingratas como eu ao orgasmo cinéfilo que Ilya Naishuller, realizador da fenomenal curta-metragem "Kolshchik" - corram já para o YouTube para descobrir esta pérola de quatro minutos - nos deu com este "Nobody". Não foi uma pinocada daquelas épicas com espanholada pelo meio, mas com as mãos também conta, ainda para mais quando não são as nossas. Género acção? Nada disso. Género John Wick. Sem biblioteca mas com autocarro, sem cão mas com pulseirinha.

domingo, maio 09, 2021

Nas Nalgas do Mandarim - S08E07

sábado, maio 08, 2021

Altered (2006)

Depois do sucesso inesperado estrondoso de "The Blair Witch Project" na sua estreia na realização - em parceria com Daniel Myrick -, o cubano-americano Eduardo Sánchez voltou sete anos passados à carga com este "Altered", uma abordagem com contornos extraterrestres que passou despercebida ao radar - como todos sabemos também acontece com as naves alienígenas na vida real - do público em geral. Meios modestos com óptimo retorno a nível visual/gore - quase que sentimos aqueles intestinos a darem o nó nas mãos do bicho - mas com uma história de fundo muito desinspirada, confusa e sensaborona e um conjunto de actores e personagens que raramente convencem, com especial destaque para a namorada. Efeito medusa extraterrestre - o domínio telepático através do contacto visual - que só funciona quando dá jeito e um final que não ata nem desata. Fica a intenção.

sexta-feira, maio 07, 2021

The Time Machine (2002)

Guy Pearce, seja a dar aulas ou a passear na rua, sempre a quinhentos à hora de boca aberta, como se estivesse constantemente admirado com algo ou, mais grave, com problemas respiratórios no trato superior; já não se distribuem anfetaminas como antigamente nos estúdios. O assalto mais pateta, teatral e previsível de sempre. O bisneto de H.G. Wells - autor do conceituado romance (1895) que dá vida ao filme - na cadeira da realização, numa daquelas homenagens amargas de um familiar que claramente ficou ressentido por não ter sido incluído na herança. Uma máquina do tempo que aparece assim do nada a funcionar porque há uma donzela para salvar. A pobre da Sienna Guillory a morrer mais do que uma vez porque por mais que se viaje no tempo não se pode mudar o destino de alguém; podiam ter-se lembrado deste mecanismo narrativo num qualquer filme com a Kristen Stewart. Golfe na lua, com pancadas que atingem um quilómetro de distância à custa da gravidade - ou falta dela. A lua a desmoronar-se, ameaçando a vida na Terra. Malditos golfistas, já não bastava estarem sempre em contramão na N125. De repente, quase sem dar conta, "Pocahontas 2: Planeta dos Aliencacos". O Jeremy Irons branco como cal, a precisar de vitamina D. Eu, pálido, cansado de escolher filmes terríveis das prateleiras.

quinta-feira, maio 06, 2021

Shiva Baby (2020)

Tive uma vez um instrutor que atirou-me com esta expressão ao fim de um longo dia de simuladores: "se isto fosse o Ídolos e eu fosse jurado dizia-te já: tu mexer, mexes-te bem; mas cantar, cantar não cantas um car*lho". Quase quinze anos depois dou novamente uso a tão sábia doutrina: a obra de estreia da jovem Emma Seligman mexe-se bem num espaço e contexto delicado - um velório judaico de uma tia que a nossa protagonista nem sabe bem quem é -, com cada interacção a tornar-se altamente stressante não só devido à sonoplastia irritante como pela forma sufocante como cada plano é fechado em si mesmo, mas, e lá vem a parte do cantar, raramente sabe (en)cantar com toda aquela conversa e drama em torno da neurose de uma jovem rapariga bissexual, em choque com os valores tradicionais da sua família, com a descoberta do universo familiar do seu "sugar daddy" e, como se tudo isso não bastasse, tremendamente insegura em relação ao seu futuro. Uma espécie de Woody Allen no feminino, que vai para a cama com homens mais velhos em vez de raparigas menores de idade. Ouch, lá vem a brigada dos psicólogos que acham que a miúda está a mentir.

quarta-feira, maio 05, 2021

Nalgas Flash Review: Cruising

terça-feira, maio 04, 2021

Shaq Life (S1/2020)

O dia-a-dia de Shaquille O'Neill narrado pelo Samuel L. Jackson. O bom gigante que diz que fez novecentos milhões de dólares apenas seguindo os conselhos da sua mãe, quer ser o melhor pai possível - uma mão-cheia de filhos, sobrinhos e familiares que vivem debaixo dos seus vários tectos -, o melhor empresário - um dos directores gerais da marca global de pizzarias Papa John's -, o melhor atleta - artes marciais diversas no ginásio que frequenta - e, finalmente, o melhor DJ do mundo. Sim, leram bem. Não um celebrity DJ como Paris Hilton ou Lindsay Lohan, mas sim um DJ a sério. Ibiza, Sardenha, Tomorrowland, Shaq vai a todos os grandes palcos da música electrónica no seu jacto privado; entre festas privadas horas antes da hora H e desleixo na preparação, nem todos correm como desejava. Zero referências a "Kazaam" e "Steel". Filme favorito: "Rocky". Só por isso já valeu a pena.

segunda-feira, maio 03, 2021

Creed II (2018)

Faltou Stallone na cadeira do realizador, faltou alma no treino - não vamos sequer falar da banda sonora que troca os clássicos de sempre de Bill Conti pelos hip hops da moda -, chama no ringue e um coração muito mais intimista fora de quatro paredes a um filme que tinha todos os ingredientes míticos da saga para funcionar, do legado Creed à família Drago - pai, mãe e filho. O pacote completo acaba ainda assim por nos entreter e (quase) conquistar (nem que seja porque queríamos mesmo muito gostar disto), mérito maior das relações familiares/sentimentais de Adonis - tanto Jordan como Thompson convencem naquele papel muito frágil de pais cujo mundo desaba de um dia para o outro - do que propriamente do confronto entre Creed Jr. e um tronco germano-romeno que arranjaram para enterrar a carreira para a posteridade, tal era o peso que tinha nos ombros. Stallone, ainda te amamos; nem pensar continuar isto sem a tua presença.

domingo, maio 02, 2021

Brightburn (2019)

Subversão interessante da história da carochinha em torno do Super-Homem, o filme de David Yarovesky é um daqueles raros casos que pedia por mais tempo de ecrã e mais desenvolvimento da personagem principal no guião. Ainda assim, cumprindo os requisitos mínimos no que toca a motivações e desafios durante o amadurecimento de um peixe claramente fora de água - ou, neste caso, um extraterrestre fora do seu planeta -, "Brightburn" conta com valores de produção magníficos para uma experiência com uns míseros seis milhões de dólares, níveis de violência e gore tão inesperados quanto de alto gabarito, uma interpretação de coração cheio da Elizabeth Banks e, tão bom mas tão bom, um final contra todas as expectativas, mesmo as mais pessimistas. Atmosfera, cores escuras e avermelhadas, sombras constantes e o toque final de génio nos créditos finais: "Bad Guy" da Billie Eilish. Porra, guilty pleasure.

sábado, maio 01, 2021

Nalgas Flash Review: Twin Dragons

sexta-feira, abril 30, 2021

The Warriors (1979)

Jogo de PlayStation que chegou meio século antes ao cinema, "The Warriors" é um retrato fantasiado, exacerbado e, porque não, cool, dos subúrbios de Nova Iorque, da rivalidade entre gangs e da cultura violenta que apoderava-se das ruas, tanto na realidade como numa esfera cultural/social - livros de ficção, séries de televisão, relatos jornalistícos, etc. A violência estilizada - a única arma de fogo usada é a que dá o pontapé-de-saída e o apito final a toda a confusão infundada que se gera em torno dos "Warriors" - com tacos de beisebol, mimos, hippies, paralelos e todo um conjunto de elementos e factores que, não glorificando a morte, mas sim a necessidade de adrenalina e o instinto de sobrevivência, transformam este filme de culto de Walter Hill numa experiência um tanto ou quanto sobrevalorizada pelo tempo mas, ainda assim, de inegável influência em incontáveis obras que se seguiram.

quinta-feira, abril 29, 2021

Harold and Maude (1971)

Um filme de Hal Ashby que, como o seu fenomenal "Being There", confia de forma destemida na sua audiência. Esse voto de confiança é dado logo à partida numa cena absolutamente memorável em que o jovem Harold decide "pendurar" a sua vida ao som de Cat Stevens, abraçando a morte ao mesmo tempo que a sua mãe assiste e ignora por completo a mais uma "parvoíce" infantil do filho. Era, afinal, apenas mais uma das inúmeras tentativas de suicídio de Harold, tão desejoso e obcecado com a morte - assistir a funerais aleatórios era o seu único hobbie - como impossibilitado por alguma ironia suprema de a concretizar. Até que conhece Maude, uma velhota que ama (e vive) a vida no limite - que o diga o polícia de mota que a tenta deter -, o seu total oposto em quase tudo. Humor negro, relação de intimidade tão polémica quanto deliciosa, um verdadeiro compêndio de mensagens subliminares sobre a existência humana: porque não viver a vida é um destino bem pior que a morte em si.

quarta-feira, abril 28, 2021

To Catch a Thief (1955)

Mistério muito mais soft e descomplexado do que é habitual em Hitchcock, "Ladrão de Casaca" exulta sensualidade na belíssima cinematografia centrada na Riviera Francesa entre dois ícones do cinema norte-americano e, porque não, da própria carreira de Hitch. Como se o romance fosse tão cheio de suspense quanto a própria acção, repleto de alusões sexuais, Hitchcock filma a esplendorosa e glamorosa Grace Kelly com um perfil clássico de mulher fria e confiante que, a pouco e pouco, cede aos encantos tão rudes quanto irresistíveis de Cary Grant. Tal como qualquer "mulher hitchcockiana" - aqui também o é Brigitte Auber no papel de filha de um dos antigos amigos do Gato Robie -, Kelly cria um sentimento de intimidade com o espectador, num filme que parece premonitório: a mais tarde intitulada princesa do Mónaco viria a falecer nas mesmas estradas em que aparece em "Ladrão de Casaca" a conduzir de forma perigosa.

terça-feira, abril 27, 2021

Nalgas FR: The Immigrant

segunda-feira, abril 26, 2021

Mortal Kombat (2021)

Aquele feeling inconfundível dos anos noventa: o Jax, única personagem negra, o primeiro a morrer. Sonya Blade jeitosa, check. O Kano especialista em massagens nos pés e piadas secas, desde que não envolvam gnomos de jardim. O Liu Kang com cara de quem passa o dia a beber leite de amêndoa e a espalhar cremes na pele. Oh caparau, afinal o Jax não morreu, lá se foi o mood dos noventa, Black Lives Matter malta. O Rayden - que saudades do Christopher Lambert - com os piores efeitos especiais nos olhos desde que transformaram o The Rock no Rei Escorpião: bastavam umas lentes de contacto, caraças. Acting sofrível da malta toda de olhos em bico com excepção do Sub-Zero e especial destaque para o Kung Lao, detentor de um chapéu frisbee mas de nenhum curso de representação. Isto foi um bocado racista não foi? Oh well, continuemos. A rir muito com o Kano, é matar já a saga e fazer um reboot isolado de personagem, qual Logan. Anciães montanheiros especialistas em cirurgias complexas e braços robóticos. O Kano a trocar de equipa em troca de um templo transformado em casino; o vício do jogo desgraça mesmo muita gente. Shang Tsung a fazer um favor à audiência ao sugar a alma do Kung Lao. Hora e meia de filme certinha, finalmente uns acordes do tema mítico que nos levanta da cadeira, acompanhado por um "Get Over Here" do Scorpion. Pau feito e nem foi com a Sonya. O famoso torneio que nunca acontece, mas o cabrão do Johnny Cage pronto para dar espectáculo na sequela. Venha ela, já vi bem pior que isto e a pagar.

domingo, abril 25, 2021

Promising Young Woman (2020)

Nunca pensei viver o dia em que uma música da Britney Spears me desse arrepios na espinha. Filmado em pouco mais de vinte dias, a estreia na realização da britânica Emerald Fennell - a mesma que faz aquele cameo maravilhoso em forma de tutorial sobre como ficar com lábios perfeitos para sexo oral - resulta num filme refrescante, repleto de energia, de mudanças constantes de tom tão subtis quanto intensas e de uma banda-sonora que articula-se de modo sublime com o estilo visual (e até narrativo) deste "Uma Miúda com Potencial". Papelão de Carey Mulligan - completamente fora do registo que habitualmente nos oferece -, química cativante - e inesperada - com Bo Burnham e um final que, por mais conveniente e martelado que muitos possam achar, apanhou-me completamente na curva. Espero que não saia de mãos a abanar do Dolby Theatre mas, dê no que der, muita atenção no futuro a esta E(s)merald(a) rara.

sábado, abril 24, 2021

Nomadland (2020)

Percebe-se o encanto de "Nomadland" mas não exageremos no hype: a carta de amor às profundezas de uma nação, às personagens autênticas que precisaram de adaptar a sua vida a uma falta de recursos inesperada - crise económica - ou a uma necessidade interior de um quotidiano sem raízes geográficas nem fundações ideológicas num contexto esperado pelas sociedades modernas, é também um produto misto - certamente funcionaria muito melhor como documentário - incapaz de dar qualquer tipo de nó no coração ou no estômago do espectador pelo simples facto da personagem de McDormand (presente em todas as cenas do filme) ser, para desgraça da mensagem, uma das únicas cuja a história não é real. Dois minutos de conversa do nómada cujo filho suicidou-se valem emocionalmente muito mais do que as quase duas horas da "mentira" forjada em torno do papelão de Frances, o que entre tiques Malickianos e uma edição que, ao contrário da maioria, raramente me convenceu da sua genialidade, transformam este favorito aos óscares numa obra não mais do que capaz e simpática sobre o envelhecimento e a solidão.

sexta-feira, abril 23, 2021

Nalgas FR: Extreme Prejudice

quinta-feira, abril 22, 2021

The Girlfriend Experience (2009)

De longe o filme da Sasha Gray que me deu menos prazer. Literalmente. Soderbergh em modo férias, num dos seus vários projectos alternativos que sucederam/antecederam "reformas" e reinvenções anunciadas. Milhão e meio de budget - e mesmo assim um flop na bilheteira, com menos de um terço de retorno -, um estilo narrativo confuso que pouco ou nada fez por uma história que provavelmente ganharia mais em ser contada de forma linear e, bem, a prova que mesmo setenta minutos de filme podem ser demasiado longos quando não se consegue desenvolver uma ideia de base - a vida privada de uma escort de luxo em Nova Iorque.

quarta-feira, abril 21, 2021

Judge Dredd (1995)

Qualquer filme que arranque com narração do James Earl Jones começa logo da melhor maneira possível e imaginária. Ver o Rob Schneider logo de seguida na cena de abertura é que não ajuda nada à causa. Mas bem, vamos a isto. Stallone como juiz que não concorda com o conceito de circunstâncias atenuantes quando se trata do Rob Schneider. Conquistou-me logo, pena que não tenha calhado em sorte no sorteio para o Sócrates, não o filósofo, o do "porreiro, pá". Sessenta e cinco milhões de pessoas a viver numa cidade projectada para um terço disso. Max von Sydow preocupado com a noção de ética do Stallone, determinado em torná-lo num símbolo de liberdade e não de repressão, enfia-o na Academia a dar aulas a jovens cadetes. Diane Lane com claras dificuldades em resistir aos olhos azuis falsos do Stallone, por mais desinteressada que finja estar. Stallone injustamente acusado de homicídio e traição do Conselho. Boa oportunidade para tentar engatar a Diane Lane, pedindo-lhe para ser sua advogada. No fim das contas, o Stallone não quebra a lei, o Stallone é a lei. Pelo menos nas ruas, no quarto ninguém sabe ainda, desconfio. Grande conspiração que para aqui vai, Stallone com prisão perpétua e Von Sydow despachado para o deserto, a chamada Terra Maldita. Reviravoltas do destino, lá se encontram mais tarde, mestre e aluno, quando um grupo de canibais finalmente decide dar bom uso ao Rob Schneider. Irmão bom, irmão mau, clones, uma chinesa a chamar cabra à Diane Lane e o Rob Schneider, que afinal não foi comido, a salvar o dia. Com piada e tudo. Oh caramba, que isto afinal era bem melhor do que eu me lembrava.

terça-feira, abril 20, 2021

Balada triste de trompeta (2010)

Vamos dividir este "The Last Circus" em quatro actos em vez dos tradicionais três. Um primeiro de introdução histórica, política e sentimental do nosso anti-herói absolutamente maravilhoso, que culmina num palhaço de machete em punho a varrer inimigos armados num cenário de guerra civil espanhola entre republicanos e nacionalistas. Um segundo em que todo um mundo "circense" é construído à sua volta, já adulto, com emoção, dor, insanidade, diversão, relações complexas entre personagens, humor negro, pancadaria e uma cena de sexo à bruta capaz de corar o arquitecto Taveira. Uma hora de alto nível a que se sucede a trapalhada que já não é novidade na filmografia Álex de la Iglesia quando parece perder a paciência e enfiar tudo o que falta fazer ao monte, qual faceta Rob Zombie que toma conta da sua costela Guillermo del Toro. Cena descuidada atrás de cena despachada, palhaço feliz e palhaço triste acabam aos poucos sem nada que os distinga num rol de acções banais que desonram a primeira metade. Ainda assim, vale bem a pena.

segunda-feira, abril 19, 2021

Nas Nalgas do Mandarim - S08E06

domingo, abril 18, 2021

Mirindas asesinas (1990)

Primeira experiência como realizador de Álex de la Iglesia ("El día de la bestia"), numa curta-metragem que sabe apresentar muito bem - e rapidamente - a sua premissa - um assassino que não lida bem com as armadilhas e trocadilhos inocentes da comunicação verbal - mas que depois tem dificuldades em rematá-la com a mesma eficácia. Ainda assim, vale pela curiosidade de assistir ao nascimento de vários traços artísticos (e até narrativos) que acabariam por tornar-se imagem de marca do realizador. Tudo sem grandes recursos, mas já com Álex Angulo, actor fetiche do basco que faleceu em 2014 vítima de um acidente automóvel.

sábado, abril 17, 2021

Noah (2014)

Conversão muito mais literal de uma das histórias da Biblia - e daí muito menos intelectualmente desafiante e recompensadora - que o seu mais recente "Mother!", "Noah" resulta muito bem enquanto espectáculo visual, mas quase nunca como thriller ou, porque não, drama. Primeiro porque quase todo o público sabe à partida os pressupostos da história contada pelo ateísta - quem diria - Aronofsky e, segundo, porque as diferenças criativas introduzidas no guião pelo realizador para potenciar a relação e os conflitos - fé, pecados, esperança, vingança, perdão - entre as personagens acabam por não funcionar como pretendido. Fica o desastre épico de aspecto convincente e uma mão-cheia de interpretações de alto calibre - o que não deve ter sido fácil com tanto ecrã verde à volta.

sexta-feira, abril 16, 2021

Noises Off… (1992)

O ritmo frenético e a simbiose notável entre as cenas, o elenco e os timings fazem deste filme do conceituado Peter Bogdanovich uma experiência cinematográfica fora do vulgar sobre a vida em palco - e atrás dele - de uma peça de teatro, no antes (preparação), no durante (as diferenças inesperadas que muitas vezes o público nem se apercebe que não eram programadas) e no depois (a fúria ou euforia do encenador). Não é fácil entrar no humor e no mood de "Apanhados no Acto" naquela primeira meia hora mais vagarosa, mas quando Bogdanovich finalmente acerta o tom, somos todos brindados com uma espiral de humor nas mais variadas formas - do slapstick mudo nos bastidores ao pandemónio de intrigas entre personagens que se vingam umas das outras em plena actuação - que só peca por sabermos que tudo o que vemos não é, ao contrário do que acontece num teatro, obra de um trabalho tremendo para que tudo bata certo ao segundo e ao milímetro, numa única tentativa. Saber que tudo foi editado e filmado em inúmeros takes acaba por matar a ilusão de todos os seus méritos, ao mesmo tempo que nos deixa cheios de vontade de assistir a esta farsa ao vivo e a cores, com levantar e baixar de cortinas no verdadeiro sítio onde a mesma pode brilhar sem restrições. Último papel de Denholm Elliott, o eterno Marcus Brody da saga Indy.

quinta-feira, abril 15, 2021

Nalgas Flash Review: Butt Boy

quarta-feira, abril 14, 2021

El ascensor (2021)

Primeira nota: gostava muito de ver um making-of deste pequeno (setenta minutos) filme espanhol da estreante Daniela Bernal para perceber como filmou todas aquelas cenas de elevador com reflexo de espelho no fundo sem aparecer nenhum material/pessoal técnico uma única vez. Conceito desgastado (mas sempre irresistível) de timeloop, desta vez num elevador durante vinte e oito segundos - o tempo que demora chegar do décimo andar ao piso térreo para levar o lixo. Mas, e é este "mas" que acaba por ser algo refrescante, ora uma personagem presa na falha espaciotemporal ora outra, ora as duas, com todo um puzzle sci-fi que pede para ser desmontado de forma a tudo voltar ao normal. É nessa ambição que "El ascensor" se espeta, perdendo o charme da dinâmica relacional do casal - as infinitas oportunidades para arranjar a melhor abordagem para uma discussão ou a descoberta de segredos, mentiras e traições - para entrar numa espiral de resolução do mistério sem chama nem alma. Ainda assim, confort food para os fãs do género.

terça-feira, abril 13, 2021

Alias (S1/2001)

O carisma e as perucas de Garner, a audácia visual e narrativa de JJ Abrams - velhos e saudosos tempos -, a frialdade de Ron Rifkin, a habilidade e a química de todo um elenco - do calculista Victor Garber ao então promissor Bradley Cooper -, numa temporada fenomenal que constrói de forma enérgica, corajosa - o assassinato de uma personagem-chave logo no episódio de estreia - e competente todo um universo de espionagem com vários arcos pessoais e profissionais que se interligam em prol de um mistério maior - Rambaldi - e de um objectivo comum aos bons da fita: o fim da SD6. Sequências de acção de alto calibre, personagens credíveis, escrita cuidada, relações sentimentais de amor, amizade e ódio com vários níveis de profundidade e complexidade, reviravoltas constantes, enfim, toda uma teia de mentiras, disfarces e traições que colocam constantemente todas as peças do tabuleiro em cheque. Tarantino como vilão num par de episódios, sonoplastia que brilha seja qual for o mood pretendido - de jazz a música techno, tudo encaixa na perfeição -, cenários diversos - discotecas, desertos, cidades europeias - como palco para coreografias destemidas de acção e o Marshall, o Q aqui do sítio que não perde uma oportunidade para fazer a nossa heroína sorrir no meio da escuridão. Disney +, aqui vou eu a correr para a segunda.