terça-feira, agosto 16, 2022

The Third Man (1949)

Toda a atmosfera de uma Viena pós-guerra fragmentada em várias zonas multinacionais captada na perfeição. Cinematografia belíssima a comprovar - como se fosse preciso - que não é preciso cores para dar vida a qualquer plano. A luz, as sombras, os ângulos de câmara desfasados, toda uma componente técnica e artística expressionista a fazer mover todo um mistério, uma história sobre amizades perigosas, paixões não correspondidas e todo o (des)equilíbrio de valores e princípios que ambas podem provocar. Papelão de Joseph Cotten - é ele, na minha opinião, e não o malandro do Orson Welles, quem mais brilha aqui -, que transforma toda uma cidade num lugarejo claustrofóbico, com a ousadia da sua busca pela verdade. A sonoplastia musical não me convenceu de todo - rezam as crónicas que foi amor à primeira audição de Carol Reed por um disco que passava numa café durante as gravações - nem alguns plot holes que parecem ter sido ignorados após a "grande revelação", mas nada lhe retira todo o valor estético de um thriller noir que marcou uma época.

segunda-feira, agosto 15, 2022

Chef Voldemort

domingo, agosto 14, 2022

Fresh (2022)

Há muito para mastigar neste "Fresh", todo um novo conceito literal associado à expressão "comer aquela peida". Excelente filme para ver num primeiro encontro, créditos iniciais aos trinta e três minutos - meia hora de introdução que funcionaria na perfeição se o cartaz e o trailer já não tivessem condicionado toda a experiência - e uma realização enérgica e descontraída da estreante Mimi Cave. Cunhado do Lecter, irmão do Bateman, este Steve do Stan consegue entreter e assustar em igual medida - "stop being so dramatic", diz a certa altura para a pobre coitada da Daisy Edgar-Jones -, num filme que prova que, na hora da despedida, qualquer psicopata com charme tem mais encanto. Esqueçamos as coincidências e as sortes que tanto ajudam para a narrativa andar para a frente e aproveitemos a leveza inesperada de uma história normalmente coberta e moldada pelo negrume do terror.

sábado, agosto 13, 2022

Os Devaneios de George Miller

sexta-feira, agosto 12, 2022

For Your Eyes Only (1981)

O mais bipolar dos Bonds, na estreia de John Glen - realizou cinco no total - na saga. Parvoíce do costume no arranque - um Blofeld caricaturado, outrora vilão carismático que até lhe matou a mulher, lançado para uma chaminé industrial directamente de um helicóptero -, tom sério, talvez o mais sério do percurso de Moore na personagem, daí em diante. Uma história fraquinha de espionagem que pouco ou nada desenvolve durante duas horas, apostando todos os trunfos nas suas trabalhadas cenas de acção. Equipas de duplos para quase tudo, do alto do céu ao fundo dos mares, da brandura da neve olímpica à escabrosidade daquele penhasco final. Cumpre com distinção nesse aspecto técnico, mas molda-se narrativamente muito longe dos traços habituais do agente de Ian Fleming, tornando-o quase numa personagem secundária no meio de tanto salto e mergulho, de tanta explosão e perseguição. Inimigos sem sal nem pimenta - por mais refrescante que seja estar perdido a certa altura no quem é que afinal é mau no meio disto tudo -, uma Bond Girl (Carole Bouquet) finalmente tratada com respeito e elevação, uma (Cassandra Harris) assassinada na praia - homenagem clara ao capítulo 007 de Lazenby - e outra (Lynn-Holly Johnson) que ninguém percebe muito bem porque está ali metida, tão nova e oferecida que nem Bond se interessou. Q disfarçado de padre, a belíssima Corfu em pano de fundo e uma luta num ringue de hóquei no gelo que não fez qualquer sentido. Um papagaio que desvenda mistérios e pede beijinhos à Margaret Thatcher - lá está a tal bipolaridade no tom. Um Lotus e um Citroen de dois cavalos, zero vodkas martinis.

quinta-feira, agosto 11, 2022

Deep Water (2022)

Estou um pouco preocupado com o Ben Affleck: segundo casamento falhado com a Jennifer Lopez na vida real e, no cinema, com mais alegria a mexer em caracóis do que a enfiar a cara no meio das nádegas da Ana de Armas. Um "Gone Girl" Gone Wild meio à descarada, muito interessante enquanto consegue manter a subtileza e o mistério, demasiado trapalhão quando resolve mostrar as cartas que tinha na mão. Ainda assim, que bom reviver, ainda que a espaços muito tímidos, a arte perdida de um mestre dos thrillers eróticos - quase todos em torno da infidelidade - de outros tempos. O olhar vazio e a falta de química e de vontade de Affleck não ajudam à festa, por mais que Ana de Armas dê tudo o que tem e não tem por Lyne. Isto não é a cabeça errada a falar amigos: Armas é mesmo uma actriz espantosa neste registo malandreco. Tão espantosa que nem estranhei nada que fosse mais fácil matar qualquer homem que dormisse com ela do que pedir-lhe divórcio. Michael Douglas, amigo, onde estás tu quando um docinho destes precisa de ti?

quarta-feira, agosto 10, 2022

Discos Perdidos (2020)

Aprecio bastante a figura e a escrita ("Céu Nublado com Boas Abertas") do "lisboeta açoriano" Nuno Costa Santos e fui um dos fãs incondicionais da série "Mal-Amanhados", que pensou e orquestrou em parceria com o Luís Filipe Borges. No entanto, e por mais interessante que fosse o ponto de partida deste "Discos Perdidos", senti-lhe envolto em toda uma artificialidade que, pessoalmente, arrasou com a experiência. Da conversa com a brasileira na casa de alterne, ao amigo muito aflito a cumprir com o guião a dizer que doou os "discos perdidos", sem esquecer os agricultores "CUREzados" ou a cartomante, o que encontrei aqui foi mais um exercício de estilo do que uma jornada pessoal, honesta e sentimental. Talvez até o tenha sido, mas à mulher de César não basta ser honesta, é preciso que pareça também.

terça-feira, agosto 09, 2022

Os Últimos Dias de Emanuel Raposo (2021)

O canto do cisne, num mockumentary delicioso. "Um Cavalo Chamado Trinitá" a fechar a emissão da RTP Açores. Arte equestre de primeira linha. Que saudades de um mundo e de um tempo distante onde não havia qualquer outra alternativa, fosse o cavalo ou o cowboy. Que bom que era ser atoleimado. E que sorte temos por ser açorianos. Nos Ginetes, se a culpa não é do realizador, se não é do guionista, é das rochas! Mestre em todas as artes, burro em todas as partes. Emanuel vs Arlindo, que duelo. Corta! Não corta nada! É preciso ter descaramento! Já não se respeita os velhos, são carne para canhão agora. É os tomates! Alguém faça uma estátua no campo de São Francisco para o bêbado. Pintelhos a darem lições de moral. Arrumem-se em casa, micróbios do car@lho. Vão medir pilas, cantar o só-li-dó, a put@ que vos pariu. Amigo Vamberto, já acabaste de ler o Açoriano Oriental? PS: Que música maravilhosa é aquela nos créditos finais, da terra beijada pela espuma?

segunda-feira, agosto 08, 2022

Bigfoot Family (2020)

Sessão drive-in num campo de futebol abandonado em Lagos. Sequela de um filme que nem eu nem os miúdos vimos. Inesperado bom arranque e introdução do universo e das personagens para os paraquedistas como nós, dobragem portuguesa muito competente - ao contrário do que, rezam as críticas, acontece com a desinspirada locução original - até que surge a primeira questão complicada da mais velha: "então quer dizer que aquela mãe normal teve um filho com o Monstro das Neves?". Ao que respondi: "Não é o Monstro das Neves. É o Pé-Grande". A paternidade é muito isto: evitar balas como o Neo. Um guaxinim - o animal da moda - à "Guardiões da Galáxia", animação que não fere os olhos mesmo sem os meios nem os orçamentos dos grandes estúdios da arte e uma mensagem importante em torno do ambiente e da natureza. História simpática que se perde quando se foca mais na acção no Alasca do que no humor e na interação entre família e animais, mas que está longe de merecer o ódio que está patente um pouco por todo o lado nessa internet. O que mostra muito bem a importância fulcral do trabalho de vozes num projecto deste género.

domingo, agosto 07, 2022

Predators (2010)

Sejamos claros: se os cérebros dos Predadores fossem tão trabalhados como os abdominais do Adrien Brody, o filme do húngaro Nimród Antal seria uma curta-metragem. Vá-se lá imaginar como surgiu tão avançada tecnologia - invisibilidade, naves espaciais, armas letais - quando estes idiotas extraterrestres não conseguem despachar de forma fácil meia dúzia de humanos num planeta do seu próprio universo. Tentativa meio divertida meio azeiteira de reproduzir o grupo original da Guatemala, um Judas mutilado coxo que, sem qualquer explicação, começa a andar normalmente perto do fim e a Alice Braga. Ai, a Alice Braga. A saga regressou à selva, mas a selva não regressou à saga. Sem identidade, sem charme, sem aquela palpabilidade e sujidade do cinema de acção dos anos oitenta.

sábado, agosto 06, 2022

Predator 2 (1990)

Barões de droga colombianos e jamaicanos tomaram conta das ruas de Los Angeles. Que simpático que o realizador Stephen Hopkins foi para os mexicanos. Ele que, ainda por cima, é jamaicano. Onda de calor abrasadora, carros de polícia a explodir, helicópteros a serem abatidos e o cabrão de um extraterrestre para ajudar à festa. Um Predador justiceiro, anti-aborto, que varre bandidagem como ninguém e polícias que, mesmo debaixo de tanto calor, recusam-se a despir o casaco e a abrir o botão do colarinho da camisa. Danny Glover, atitude à John Wayne, tomates de boi na sua versão policial irresistível, a suar que nem um porco o filme todo. Um belo travelling na esquadra que acaba com o saudoso Bill Paxton a falar de golfe. Paxton, Robert Davi, Gary Busey e a Conchita. Como resistir a tanto clássico. Rituais voodoo e um crânio de um Alien de Scott na sala de troféus. Já sabemos no que deu. É relaxar os esfíncteres e não se armarem em Rambos do metro!

sexta-feira, agosto 05, 2022

Let's play, Stoker's way

quinta-feira, agosto 04, 2022

Kimi (2022)

Por amor de Deus, digam-me que mais alguém reparou que o Buzz do "Sozinho em Casa" chama-se Kevin e entra em cena exactamente quando o filme do eternamente pré-reformado Soderbergh se transforma numa versão adulta Beastie Boys pistola de pregos do clássico de Chris Columbus. Covid como pretexto e contexto, a ex-mulher do oscarizado realizador a dar voz ao mecanismo que controla tudo - suprema ironia - e a Zoe Kravitz, bem, que fofuxa. Rapidinho e limpinho. Como diz a personagem principal perto do início: "Porque é que tudo tem que ser o "melhor"? Porque é que algumas coisas não podem apenas ser boas?".

quarta-feira, agosto 03, 2022

The Banshees of Bruges

terça-feira, agosto 02, 2022

Top Gun: Maverick (2022)

O cinema como o aprendemos a amar à beira da extinção. "Maybe so sir. But not today". Tom Cruise a salvar Hollywood, a fazer-nos acreditar que um filme pode ser divertido e ousado sem ter que ser falso na sua concepção, que uma história pode ter coração, paixão e emoção sem precisar de ser lamechas ou matar alguém, que uma sequela pode não só homenagear o original e as suas personagens - vejamos o legado de Goose ou a despedida que é feita ao "Iceman" Kilmer -, como torná-lo melhor pelo simples facto da continuidade que proporciona. Envelhecemos nós e envelhecem os nossos heróis de infância, as personagens que nos fizeram sonhar, os filmes que nos fizeram crescer. Um filme pipoca que não se agarra a ecrãs verdes, com cheiro a querosene e não a placas gráficas queimadas. Melhor que o primeiro? Talvez não. Mas em tempos de fome, nada como um bom bife para nos relembrar aquele tempo em que a vida era um Chimarrão constante e os países inimigos tinham nome. Torrente de adrenalina, um raio de esperança para aqueles que um dia acreditaram no poder redentor dos grandes blockbusters de verão. Cientologia, já faltou mais.

segunda-feira, agosto 01, 2022

domingo, julho 31, 2022

Une corde un Colt... (1969)

Tragédia de Shakespeare em forma de western spaghetti... francês. Que misturada improvável, que pedaço maravilhoso de cinema no seu estado mais puro. Vingança em modo catártico, num ciclo vicioso que nunca termina, constantemente a golpear valores morais na magnitude dos seus silêncios. Trabalho de excelência de Robert Hossein, tanto na realização como na pele áspera e nas expressões faciais e corporais do seu Manuel, o herói cinéfilo que eu precisava e não sabia. Uma sequência maravilhosa de quase dez minutos numa aldeia fantasma sem uma única palavra disparada, que culmina num frente-a-frente de olhares entre Manuel e Maria (Michèle Mercier), qual duelo repleto de histórias e arrependimentos. Fatalismo, o fim de uma era, a homenagem a um género e a um realizador que tanto admirava - há quem diga que Leone acabou mesmo por gravar uma das cenas-chave do filme. Intensidade emocional, complexidade motivacional, deleite visual. Sabe tão bem descobrir pela primeira vez uma obra-prima.

sábado, julho 30, 2022

Lydia Tár

sexta-feira, julho 29, 2022

In the Mood for Love (2000)

Vou calçar as pantufas, que estou prestes a pisar gelo fino. Cinematografia audaz, visuais exuberantes. Finito... quizás, quizás, quizás. História sem chama, repetitiva no seu anti-espaço - até nas duas músicas que começam por cativar o ouvido e acabam, após tão aleatória e consecutiva utilização, por impacientar -, supérfluo nos seus slow motions, cansativo e entediante na sua navegação desorientada entre as escolhas que não são feitas - por vergonha, por não quererem cometer os mesmos pecados do que os seus cônjuges - e as palavras que não são ditas. Estilo de edição que não funcionou comigo - os cortes súbitos rasgaram constantemente a imersão na paixoneta proibida destes dois acanhados - e um final muito trapalhão, distante no tempo e em dessintonia com todo o "mood" do filme de Wong Kar-wai. Já sei, não precisam de dizer, o burro sou eu.

quinta-feira, julho 28, 2022

Oh, we can be heroes

quarta-feira, julho 27, 2022

Charade (1963)

Como que um Hitchcock com distúrbios de personalidade, perdido entre o mistério whodunnit que nos agarra e a sua própria satirização. O thriller que se molda em todos os trejeitos habituais de uma qualquer comédia romântica, perdendo-se na estranha combinação entre dois nomes superlativos da grande tela, que brilham como poucos a sós mas que aqui parecem atrapalhar-se quase sempre que se aproximam. Culpa talvez da própria construção das suas personagens - a de Hepburn começa forte e independente, fragilizando-se inexplicavelmente sempre que a de Grant lhe lança um olhar -, que parecem nunca saber em que tipo de filme estão. É para ser charmoso ou perigoso? Femme fatale ou tontinha apaixonada? Tão baralhados como nós, chegamos ao fim, reviravolta atrás de reviravolta, com o único desfecho que restava. O Pimentinha tirou-lhe logo a pinta.

terça-feira, julho 26, 2022

Taylor Sheridan vibes

segunda-feira, julho 25, 2022

domingo, julho 24, 2022

Michael K. Williams one last time

sábado, julho 23, 2022

Guess Who’s Coming to Dinner (1967)

Existem poucos momentos tão satisfatórios e deliciosos na história do cinema como aquele em que a Katharine Hepburn despede a sua "amiga" racista. Numa época em que o casamento interracial era proibido em dezassete estados norte-americanos e o país fervilhava em torno do racismo instalado na sociedade - Martin Luther King haveria de ser assassinado no ano seguinte -, o filme de Stanley Kramer é uma aula de tom leve e descontraído - mas peito cheio, o peito de Poitier - sobre quase tudo: racismo, valores culturais, hipocrisia liberal, relações amorosas e familiares, misoginia, entre tantos outros assuntos sociais tão relevantes quanto fracturantes. Serviço público especialmente então - mas infelizmente ainda agora também -, numa masterclass de harmonia e empenho cativante de todo um elenco, que conquista o público nas palavras de Spencer Tracy - o seu último filme -, nas lágrimas contidas de Hepburn, no virtuosismo inocente de Katharine Houghton - a filha perfeita - e, por fim, claro, na coragem sensata de Poitier. Tão importante na sua mensagem, que se perdoa aquela dança completamente despropositada do rapaz do talho. Reviravolta das reviravoltas? Nunca vemos sequer o jantar.

sexta-feira, julho 22, 2022

I Just Love Bad Bacon

quinta-feira, julho 21, 2022

The Spy Who Loved Me (1977)

Rapaziada nova: esqueçam o triplo X de Vin Diesel. A agente XXX que interessa apareceu nos anos setenta: a estonteantemente bela Barbara Bach na pele da Major Amasova do KGB. Cooperação "estreita" numa relação de constante amor-ódio com o comandante mais atiradiço do MI6. Tão atiradiço que atirou a matar no grande amor de Amasova logo a abrir o filme, numa ousada sequência de ski com paraquedas ao barulho. Narrativa muito mais madura, com um enredo mais sério de espionagem e melhor equilíbrio entre géneros, tornando-o, muito provavelmente, no menos pateta dos capítulos Bond de Moore. Cenografias arrojadas, gadgets que nunca mais acabam - o icónico Lotus branco que se transforma em submarino/barco -, a primeira aparição de Jaws, uma Bond Girl usada com respeito - e igualdade - numa dinâmica de espiões e não meramente como objecto de desejo e sedução, o Nilo e as pirâmides de Gizé e, por fim, Stromberg, vilão "da Atlântida" de recursos infinitos, dono e senhor de um dos mais deliciosos headquarters de toda a saga. Alguns espinhos: a necessidade incompreensível de usar slow motion no laboratório do Q, a batalha final entre tripulações, a luta muito mal coreografada com Sandor e o quase total desprezo por essa entidade chamada... Moneypenny. E os Açores? Coitados, ainda hoje estariam a sofrer as consequências daquelas explosões nucleares no meio do Atlântico.

quarta-feira, julho 20, 2022

Pau Feito: Chapter IV

terça-feira, julho 19, 2022

LA 92 (2017)

Documentário muito focado e factual, sem opiniões no presente distorcidas pelo tempo e por uma nova percepção da situação e do contexto quinze anos depois. Não, recorrendo unicamente a imagens de arquivo - de fontes noticiosas e dispositivos caseiros -, concentramo-nos só e apenas no que aconteceu, seguimos a linha temporal das ocorrências prévias que fizeram escalar a tensão racial e, por fim, sofremos com a forma completamente desumana em como quase toda uma comunidade perde a razão, atacando - alguns casos até à morte - cruelmente inocentes, pilhando lojas indiscriminadamente, pegando fogo e destruindo tudo o que estava à mão. Uma nação perdida e desorientada, que tende a repetir os mesmos erros e as mesmas injustiças de forma cíclica. O problema não está (apenas) nas forças policiais: o problema é transversal aos tribunais e, facilmente, a metade da população de um país que se julga moralmente superior a tantos concidadãos que não se enquadram nos seus moldes conservadores. Perturbador.

segunda-feira, julho 18, 2022

Con Air (1997)

Se eu vos disser que a estrela deste "Con Air" é o John Malkovich e não o Nicolas Cage, continuamos amigos? Pior que o "Cyrus the Virus" só o COVID. Que outro vilão seria capaz de apontar uma arma a um coelho de peluche? Elenco do camandro - Cusack, Buscemi, Trejo, Rhames, Chappelle e dois que estimo muito que poucos reconhecerão pelo nome: Gainey e Meaney -, acção palpável, one-liners deliciosas, energia e ritmo constantemente no limite, enfim, a saudosa Hollywood de alta rotação e cheiro a querosene que haveria de morrer poucos anos depois com tanto pano verde e placas gráficas de milhões. Estreia de Simon West num filme que cheira a cavalo, de machos para machos, com ligeiras arranhadelas à paixão porque, verdade seja dita, não havia homem que resistisse ao beicinho da Monica Potter antes dela abrir a sua própria Zara Home. Entretenimento prime à Jerry Bruckheimer dos noventa - não o ranhoso das franchises do novo milénio -, mais valioso e importante em 2022 que em 1997, mais amado agora que então.