sábado, Abril 19, 2014

Compliance (2012)

Baseado num caso verídico que chocou os Estados Unidos da América em 2004, “Compliance” retrata fielmente a história de uma funcionária de um restaurante de fast food que foi humilhada, espancada e obrigada a cometer actos sexuais contra a sua vontade por ordem de uma voz autoritária ao telefone que se identificava perante a gerente do estabelecimento como um agente policial com uma queixa de roubo ao balcão em mãos. Com ameaças constantes de encarceramento, investigações policiais a familiares e muitas outras balelas dominadoras previamente estudadas, o desconhecido ao telefone consegue fazer com que todos os limites do bom senso sejam ultrapassados, aproveitando o respeito da sociedade perante forças da autoridade e consequente medo de represálias em caso de irreverência.

Estreado recentemente em território nacional graças à Vendetta Filmes, distribuidora que em boa hora apareceu e recuperou para as salas de cinema lusitanas alguns produtos independentes de qualidade que caso contrário estariam condenados ao anonimato, “Obediência” revela-se um docudrama controverso – a realidade retratada é tão cruel e surreal que levou a que vários espectadores e jornalistas abandonassem a meio a première do filme no Festival de Sundance – filmado de forma magnânima pelo desconhecido Craig Zobel (“Great World of Sound”), que entre a frieza ácida das fragilidades humanas reflectidas em personagens tão débeis de espírito quanto complacentes com um comportamento em sociedade tido como exemplar – o respeito incondicional às autoridades -, e simbolismos vários que permitiram evitar o choque visual de momentos sufocantes – o enfoque numa palhinha e num balde de água suja, por exemplo, numa cena de sexo oral forçada -, consegue providenciar alguma subtileza artística a uma narrativa hedionda sobre uma sociedade alienada de valores básicos – o incidente retratado foi apenas um dos setenta similares que ocorreram em mais de trinta estados norte-americanos.

No elenco, destaque justo para a secundária Ann Dowd enquanto gerente do restaurante, que lhe valeu um galardão da National Board of Review e que, providenciam os vídeos disponíveis no Youtube sobre o caso real, assentou-lhe que nem uma luva, bem como para Dreama Walker, num papel altamente emocional e fisicamente desafiante, ao qual a jovem actriz regular em séries como “The Good Wife” ou “Apartment 23” respondeu com uma robustez e susceptibilidade impressionantes. No fim, fica o sentimento de que um documentário sobre o assunto poderia ter sido melhor recebido, mas seria sempre o drama de Zobel o melhor veículo para um McMenu de emoções. E quem quer um Happy Meal quando pode levar uma dose super de batatas?

sexta-feira, Abril 18, 2014

Mad Men meets Blaxploitation

quinta-feira, Abril 17, 2014

Os 20 Melhores Cinemas do Mundo

O "Men's Journal" elaborou uma lista com aqueles que considera ser os vinte melhores cinemas do mundo. E, do nada, ganhei dezassete novos destinos para adicionar à minha "bucket list" - uma que, infelizmente, tem tendência a crescer e não a diminuir, como seria suposto. Visitados que estão o New Beverly Cinema em Los Angeles, a Cinemateca Francesa e o belíssimo Castro Theatre em São Francisco, resta planear já uma forma de rapidamente - ou nem por isso - apreciar os restantes. De preferência, começando por estes três, que parecem imperdíveis: o Alamo Drafthouse em Austin, o Grand Rex em Paris e o Colosseum Kino em Oslo.

quarta-feira, Abril 16, 2014

Crash all over again!

terça-feira, Abril 15, 2014

Escape Plan (2013)

Ray Breslin (Stallone) é um especialista de segurança responsável por uma empresa que testa a vulnerabilidade de instalações prisionais norte-americanas a possíveis tentativas de fuga. Como? Ray é encarcerado como um prisioneiro normal - nem guardas nem criminosos têm conhecimento do seu background real - e descobre, custe o que custar, dure o que durar, uma maneira de escapar da prisão. Até hoje, nenhuma resistiu às suas habilidades capazes de envergonhar Angus MacGyver; mas tudo pode mudar quando aceita testar umas instalações protótipo ultra-secretas, numa localização desconhecida, e percebe que tudo não passou de uma armadilha para o afastar durante muito tempo. Numa prisão construída de acordo com todas as suas recomendações, Breslin cedo percebe que sem ajuda nunca conseguirá voltar à liberdade. Agora resta-lhe saber em quem pode confiar.

Realizado pelo sueco Mikael Håfström ("Derailed" e "1408"), "Plano de Fuga" ganha força na sua narrativa bem estruturada, com reviravoltas coerentes nos momentos certos, uma completa surpresa para quem esperava muito mais músculo do que cabeça de uma fita que almejou um feito durante décadas julgado impossível: juntar Rambo e Terminator em dois papéis principais, no mesmo ecrã. Entretenimento de qualidade com coadjuvantes credíveis - principalmente Jim Caviezel e Amy Ryan - e uma camaradagem inegável entre a dupla de estrelas. Não se trata, obviamente, de um filme sem falhas - não é fácil orquestrar uma vingança prisional sem pequenas improbabilidades no guião - mas, mesmo nas suas imperfeições, consegue ser feliz ao colocar inesperadamente, por exemplo, os "temíveis" islamitas como heróis justos, algo raro no cinema de Hollywood. Por fim, efeitos especiais de segunda categoria e um feeling nostálgico de velha guarda fazem deste "Escape Plan" uma proposta obrigatória para qualquer cinéfilo apaixonado pela escumalha de acção da década de oitenta.

segunda-feira, Abril 14, 2014

Como eu gosto de Fincher

domingo, Abril 13, 2014

Garden State meets The Last Kiss

sábado, Abril 12, 2014

Beard-Os and Badasses


A ideia de um documentário sobre as origens do jornalismo cinematográfico online, com blogues e sites históricos (Ain't it Cool, JoBlo, Fangoria etc. etc.) à mistura, é uma ideia fantástica que, infelizmente, não terá força suficiente para angariar o montante necessário (noventa mil dólares) para a sua execução. Produto de nerds para nerds - admitamos, nem as nossas mulheres/mães/amigos querem saber puto deste nosso amor ardente -, "Beard-Os and Badasses: The Punks Who Took Film News Underground" está condenado à nascença. O que, ainda assim, não me impede de torcer por um twist britânico à Sherlock, daqueles em que uma morte certa afinal não é tão evidente assim e, sabe-se lá como, o projecto veja a luz do dia - ou, neste caso, a escuridão de uma cave repleta de dvds, cartazes e estatuetas. Para quem quiser ajudar - e puder, obviamente -, fica a página da recolha de fundos e o site oficial.

sexta-feira, Abril 11, 2014

E a próxima Bond Girl é...

quinta-feira, Abril 10, 2014

A Evolução do Cinema

quarta-feira, Abril 09, 2014

Chega-te Verão.

terça-feira, Abril 08, 2014

Mickey Rooney (1920-2014)

segunda-feira, Abril 07, 2014

Taken 2 (2012)

Antigo agente dos serviços secretos norte-americanos, Bryan Mills (Liam Neeson) e a família parecem já ter recuperado do trauma que os envolveu quando, alguns anos antes, a filha foi raptada em Paris por um grupo mafioso do leste da Europa, despoletando uma série de acontecimentos dramáticos que obrigaram Bryan a um one-man show de tiroteios, pancadaria e tortura de modo a conseguir salvar a sua mais que tudo de uma rede internacional de prostituição. Agora de férias em Istambul, na Turquia, mal imaginam os Mills que alguém os procura para um ajuste de contas.

Realizado por Olivier Megaton - responsável pelo simpático e competente "Colombiana" -, "Taken - A Vingança" fica a milhas do seu predecessor, a todos os níveis, por uma mão cheia de razões: para começar, falta-lhe o efeito surpresa do original de 2008, digno autor de algumas das cenas de acção - e tensão - mais carismáticas da última década; consequentemente, as expectativas elevadas de uma sequela meritória revelam-se inevitáveis, provocando um desgosto maior no espectador quando, na verdade, enquanto produto isolado "Taken 2" nem é mau de todo; depois ainda temos uma narrativa que trata como adolescente inocente uma actriz trintenária que, de miúda, pouco ou nada tem; e, pior ainda, quando a mesma criança passa de uma total aselha ao volante, daquelas que chumba no código tentativa após tentativa, para uma autêntica ás das estradas e da borracha queimada quando o perigo assim obriga. Outras incongruências narrativas mancham uma premissa ainda assim interessante - mesmo que pouco credível -, valendo-nos Neeson sentir-se quem nem peixe na água nesta personagem que lhe é indissociável. De resto, cenários ricos, ricos cenários nas bilheteiras (400 milhões contra os 45 de orçamento) e a falta de uma saga de características semelhantes à sua altura - quase todas série B as que por aí andam - levam-nos à conclusão que, para a glória ou para a desgraça, um terceiro capítulo é inevitável.

domingo, Abril 06, 2014

Movie Sights @ Florida Keys

sábado, Abril 05, 2014

Faz falta um sinal destes em Portugal

sexta-feira, Abril 04, 2014

Iron Man 3 (2013)

O Homem de Ferro tornou-se um super-herói ao serviço dos EUA - e, vá lá, do mundo -, um cuja armadura revolucionária é encorpada pelo genial magnata Tony Stark (Robert Downey Jr.), um homem com tantos prémios científicos e medalhas patrióticas quanto vícios e defeitos. No entanto, quando o temível Mandarin (Ben Kingsley) coloca não só a ordem e a paz a nível global em risco, como aqueles mais próximos de si em cheque, Stark vai aprender que, por vezes, é preciso bater no fundo para conseguir a perspectiva correcta dos acontecimentos.

Com uma realização atípica de Shane Black - e, com este, manter a tradição seria o melhor sinal -, o terceiro capítulo de "Iron Man" fez, obviamente, toneladas de dólares nas bilheteiras domésticas e internacionais, satisfazendo o público-alvo da Marvel com mais explosões, mais acção e mais efeitos especiais do que em qualquer um dos seus predecessores cinematográficos. No entanto, ao puxar o lençol para o lado pipoqueiro da cama, Black esqueceu-se de ser ele próprio e aquecer a donzela destapada responsável pelo guião, pelo desenvolvimento das personagens - logo aqui que tinha o vilão com maior potencial de toda a saga, um Kingsley islamizado à Bin Laden envolto em grande secretismo - e, estranhamente, pela diversão. Faltou a dose de humor recorrente no cabeça de cartaz, faltaram os já habituais temas dos australianos AC/DC para alegrar a festa e, por fim, faltou um twist sombrio inesperado na narrativa para manter a fórmula viva. Pensando melhor, o melhor talvez seja mesmo acabar o festival por aqui.

quinta-feira, Abril 03, 2014

Continuas sem me convencer, Scarlett!

quarta-feira, Abril 02, 2014

Back to the Future @ Orlando

terça-feira, Abril 01, 2014

Até um dia destes, Amazon!

A Amazon britânica cancelou o transporte sem portes - aka Free Super Save Delivery - que desde 2010 imperou nas transacções para Portugal - continente e ilhas - em encomendas superiores a vinte cinco libras. O que, para insulares como eu, sem qualquer alternativa disponível numa pequena ilha para comprar quase tudo - de brinquedos para bebés a filmes, de material de jardinagem a séries, de pacotes de fraldas e toalhitas (a um terço do preço português) a livros - revela-se uma das piores notícias em tempos recentes, quase ao nível do aumento de impostos e redução de salários definidos pelos últimos governos. O impacto será quase o mesmo, senão vejamos: só em material de puericultura, feitas as contas, gastei cerca de 700 euros na Amazon britânica durante os últimos doze meses; facilmente menos duzentos a trezentos euros comparativamente com o que teria gasto em espaços físicos, em Portugal. Duzentos ou trezentos euros de diferença que "voam" agora com os portes.

Analisando a reacção geral dos portugueses nas redes sociais à notícia, cheira-me que serão muitos os que deixarão de comprar na Amazon. O que fará com que a medida traga mais prejuízo do que benefícios à companhia de Jeff Bezos e, consecutivamente, seja revertida. O que, tendo ainda por cima em conta o facto da Amazon ser uma batoteira fiscal a nível mundial, não parece grande sacrifício financeiro para a empresa "luxemburguesa". Por isso, até um dia destes, Amazon. Até lá, alternativas, alguém?

segunda-feira, Março 31, 2014

And The Waltz Goes On

domingo, Março 30, 2014

David Michôd & Guy Pearce

sábado, Março 29, 2014

CCOP - Top de Fevereiro de 2014

Uma História de Amor conquistou a grande maioria dos membros do CCOP, liderando agora o top de Fevereiro de 2014, com uma nota média de 8,56 em 10. Não obstante, o filme foi ainda o mais controverso do mês, originando uma diferença de sete pontos entre a melhor (recebeu por três vezes a nota máxima) e a pior nota que lhe foram atribuídas. O filme de Spike Jonze é ainda o filme com a segunda melhor classificação do ano, não tendo conseguido tirar 12 Anos Escravo do pódio de 2014. A segunda posição foi liderada por Nebraska (a par do filme de Spike Jonze, o filme mais popular do mês), com uma nota de 8,44. Esta classificação é bastante superior à do anterior de filme de Alexander Payne, Os Descendentes, que em Janeiro de 2012 foi votado com 7,67. Em terceiro lugar, temos o vencedor do Óscar 2014 de Melhor Filme Estrangeiro. A Grande Beleza recebeu a nota de 8,14; enquanto que em Abril de 2012, Este é o Meu Lugar (também do realizador Paolo Sorrentino) ficou-se pelos 6,45.

Top de Fevereiro de 2014

1. Uma História de Amor, de Spike Jonze | 8,56
2. Nebraska, de Alexander Payne | 8,44
3. A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino | 8,14
4. Ciclo Interrompido, de Felix Van Groeningen | 7,91
5. O Filme Lego, de Phil Lord e Christopher Miller | 7,75
6. Quando Tudo Está Perdido, de J.C. Chandor | 7,50
7. Um Quente Agosto, de John Wells | 7,15
8. Filomena, de Stephen Frears | 7,07
9. Um Segredo do Passado, de Jason Reitman | 6,00
10. O Sobrevivente, de Peter Berg | 5,88
11. The Monuments Men - Os Caçadores de Tesouros, de George Clooney | 5,55
12. RoboCop, de Jose Padilha | 4,83

sexta-feira, Março 28, 2014

Hogsmeade Village @ Orlando

quinta-feira, Março 27, 2014

Um dia considerei-o o melhor. Mantenho.

quarta-feira, Março 26, 2014

Veronica Mars (2014)

Passou quase uma década desde que Veronica Mars deixou a corrupta Neptune em direcção à cosmopolita Nova Iorque. Agora uma recém-formada advogada à beira de conseguir o seu primeiro contrato profissional numa empresa de topo, Veronica vai ter que, no entanto, voltar às origens para ajudar o ex-namorado Logan, uma vez mais, a livrar-se de um assassinato do qual é injustamente acusado. Sem hipótese de escapar ao seu conturbado passado - ou não fosse esta também a altura da reunião de dez anos da sua turma -, Veronica terá que voltar a ser a rapariga destemida que uma vez foi, enquanto luta contra a mulher que agora é.

Experiência cinematográfica gratificante que muitos julgavam ser um sonho impossível de se concretizar, "Veronica Mars", o filme, é muito mais do que um episódio "deluxe" de reunião, como é costume acontecer nestas reaparições televisivas. Outrora série de culto adorada por milhões de marshmallows - eu fui, e ainda sou, um deles - Veronica Mars ressuscita graças a uma campanha de recolha de fundos online histórica, cuja elevada procura fez com que este se revelasse, sem margem para dúvidas, um projecto cujo investimento privado da Warner Brothers teria sido justificado.

Com uma reintrodução inicial ao universo neptuniano de alto gabarito, capaz de activar memórias entretanto perdidas aos fãs e, ao mesmo tempo, apresentar a personagem querida da carreira de Kristen Bell aos que caíram na fita de pára-quedas, o grande trunfo de "Veronica Mars" é, em linha com o que acontecia no pequeno ecrã, um guião de q.i superior repleto de pormenores e diálogos deliciosos - "Agente da FBI? Talvez noutra vida!" -, que permite às personagens manterem-se fiéis a si próprias, ao mesmo tempo que os admiradores do culto televisivo encontram referências escondidas de uma naturalidade apaixonante a momentos-chave da aventura televisiva que começou em 2004 e terminou, ao fim de três temporadas, em 2007.

O mérito vai todo, obviamente, para Rob Thomas, mente brilhante que nunca desistiu deste seu ente querido, abandonado e mal tratado pelos estúdios que lhe anteciparam uma morte inevitável. Acumulando funções de guionista, realizador, produtor, angariador de fundos e sabe-se lá mais o quê, Thomas oferece aos fãs tudo o que estes queriam (a relação pai-filha, o "duelo" Logan-Piz, Leo D'Amato ou o polícia Sacks, os amigos Weevil, Mac e Wallace, entre tantos outros), sem que isso prejudique minimamente o mistério noir que se tornou imagem de marca da série. Melhor que tudo, Thomas deixa as portas abertas a possíveis sequelas - tanto no final agridoce do filme quanto em entrevistas recentes -, o que deixa o futuro de Veronica Mars nas mãos dos resultados de box-office e video-on-demand (estreou ao mesmo tempo nos dois meios). Disse-nos o tema do genérico, ao longo de 64 episódios, que "há muito tempo atrás, costumávamos ser amigos". Pois bem, esta sequela cinematográfica só reforçou esta amizade.

terça-feira, Março 25, 2014

I'm ready!