terça-feira, outubro 12, 2021

segunda-feira, outubro 11, 2021

Midnight Mass (S1/2021)

A forma como a fé, o sentimento de culpa, o luto e a nossa qualidade frágil enquanto mortais influenciam os nossos comportamentos. Tudo num universo e num contexto de terror maravilhosamente - uma vez mais - construído por Mike Flanagan, em sete episódios montados em torno de uma série de diálogos e verdadeiras dissertações sobre a natureza humana e o papel das religiões no modo como enfrentamos a mesma. Flanagan dá nova vida a uma série de actores que trabalharam consigo em "The Haunting of Hill House" e "The Haunting of Bly Manor", incluíndo a sua esposa Kate Siegel, sendo claro que sabe perfeitamente como aproveitar o melhor de cada um deles, por mais maquilhagem demasiado sintética e forçada que lhes enfie em cima. Bev, a crente, como a verdadeira vilã, cinematografia estonteante e uma palete de personagens que ganham identidade e motivações credíveis em tão pouco tempo. Não veio de nenhum livro; tudo obra e graça da Mike Flanagan, realizador, guionista, editor, génio.

domingo, outubro 10, 2021

António de Macedo

sábado, outubro 09, 2021

Diamonds Are Forever (1971)

A certa altura deste "Diamonds Are Forever" aparece um elefante super feliz por lhe sair o jackpot a jogar slot machines. Nem estou a brincar... e isto mesmo resume bem o desastre que aconteceu aqui. Sean Connery de volta, inchado e envelhecido, a matar o Blomfeld logo a abrir de forma pateta numa poça de lama. Assim do nada, seis filmes a criar um mega vilão para isto. Claro que tinha que ser tanga. Genérico fraquissímo, perseguição envolvendo rovers lunares, Bond com uma mini-gravata cor-de-rosa ridícula, mecanismos para alterar vozes, duas Bondettes especialistas em mortais, piruetas e apertões de pescoços com coxas, ritmo enfadonho, história atabalhoada, vilões atrasados mentais - só isso explicaria a ineficácia do plano envolvendo canalizações e obras -, Connery a falar com uma ratazana e a Plenty O'Toole, tão dotada que "caiu" cedo em desgraça. Ideia certa, "pussy" errada. Porque Tiffany Case, naquele que foi o único Bond monógamo até à era Craig, não teve subtileza nem encanto para tanta responsabilidade na resolução do enredo. Para a história, o erro mais famoso da saga: o Mustang vermelho entra num beco apertado sobre as duas rodas direitas e sai sobre as duas esquerdas. Já nem vou falar que acabadinho de sair da piscina após a luta com a Bambi e a Thumper, Bond mostra-se impecavelmente seco e arranjadinho. Fossem estes todos os seus pecados.

sexta-feira, outubro 08, 2021

Make Wes Craven Proud. Please.

quinta-feira, outubro 07, 2021

On Her Majesty's Secret Service (1969)

Sequencia inicial acaba com um "isto nunca aconteceu ao outro tipo", numa referência jocosa à substituição de Connery por Lazenby. Entre a Córsega, os Alpes Suiços e até Portugal, Diana Rigg ora é salva ora leva uma chapadona para aprender a não dizer mentiras. Bond pede a demissão dos serviços secretos de sua Majestade, mas a Moneypenny lá lhe salva o dia e acaba a levar um beijo na boca, o primeiro de sempre depois de anos de ameaças. Ainda assim, relembramos o que ficou para trás enquanto 007 arruma os caixotes - o biquini e a faca de Honey com música de fundo e tudo -, isto claro antes de partir para um retiro suspeito nas montanhas repleto de mulheres esculturais disfarçado de conde - com o lema "The World is Not Enough" no brasão. Seguem-se mulheres a engolir bananas inteiras ao jantar, batons debaixo das saias do conde, escapadinhas nocturnas, teleféricos, avalanches, perseguições de skis e trenós que aborrecem pela longa duração, edição de imagens em velocidade acelerada nas cenas de acção, descredibilizando as mesmas, e uma das minhas personagens secundárias favoritas de toda a saga: Draco, interpretado magistralmente pelo italiano Gabriele Ferzetti, um homem de negócios com humor e carisma para dar e vender - é impossível resistir à cena em que lidera as comunicações no helicóptero. E depois, o fim. O fim do primeiro "amo-te" de Bond, do seu primeiro casamento, do seu primeiro filme com final triste, curiosamente e paradoxalmente aquele que se viria a tornar o mais memorável de todos os finais. Lazenby? Estranhei e depois entranhei. Rigg? Afastem-na de qualquer casamento!

quarta-feira, outubro 06, 2021

Nas Nalgas do Mandarim - S08E13

terça-feira, outubro 05, 2021

You Only Live Twice (1967)

Bond a usar máscara cirúrgica meio século antes do Covid-19. Come pata à Pequim e morre; não pode. Genérico fraquinho e as duas regras fundamentais do seu novo amigo, Tiger Tanaka: nunca faças o que alguém pode fazer por ti e, no Japão, homens primeiro, mulheres depois. Orientais atraídas por pelo no peito, um Toyota 2000GT - para mim um dos mais bonitos carros de toda a saga - com ecrã Sony incorporado para videochamadas (ou não estivéssemos no Japão) e um helicóptero com um íman gigante para apanhar carros com vilões e largá-los no oceano. Plano espectacular de pancadaria no topo de um prédio filmado do ar, ninjas com pistolas e um girocóptero repleto de gadgets numa batalha aérea contra helicópteros. Coisinhas boas que perdem força com a transformação pateta de Bond em Bond-San - penteado para a frente qual menino Tonecas, sobrancelhas arranjadas, casamento com japonesa, postura corcunda e treino na escola de ninjas -, com a debilidade do capanga (vilão secundário), a inutilidade das Bond Girls e uma série de efeitos secundários demasiado desajeitados para entrarem no corte - com especial destaque para tudo o que envolve lava. Fica a primeira vez que o nº1 mostrou a cara e um poço de piranhas muito mal aproveitado, num filme feito à medida para os fãs mais hardcore do peculiar universo Bond.

segunda-feira, outubro 04, 2021

domingo, outubro 03, 2021

Le ballon rouge (1956)

Parábola urbana fenomenal sobre a amizade e a lealdade, a única curta até hoje a ganhar um óscar fora das categorias destinadas a curtas-metragens - o de melhor argumento original, mesmo não tendo quase diálogos nenhuns. As imagens e a forma harmoniosa e natural como os balões ganham vida própria falam por si mesmo, com as ruas de Paris e o filho do realizador Albert Lamorisse a unirem-se de forma simples mas irresistível através de uma realização/edição imaculada. Final mágico a mostrar que o amor vence sempre, por mais cruel que o mundo seja. O Buster Keaton e o Pete Docter gostaram de certeza absoluta.

sábado, outubro 02, 2021

007: How The Pre-Title Sequence Evolved

sexta-feira, outubro 01, 2021

Thunderball (1965)

Um Jetpack e o primeiro transvestido da saga logo no prólogo de abertura. Finalmente agentes SPECTRE com números pares e o verdadeiro conceito de "cadeira quente". Mulheres beijadas sem consentimento, chantagem emocional em troca de sexo, enfim, um canastrão de primeira que hoje em dia seria completamente arrasado e cancelado pela cultura popular. Dezenas e dezenas de planos longos, desinteressantes e silenciosos debaixo de água. Ritmo penoso, história atabalhoada ao sabor dos "just happens" e um trabalho absolutamente desastroso na sala de montagem - aquela velocidade estonteante de imagem na luta no Disco Volante é de um amadorismo atroz. Bond girls - Domino e Fiona Volpe - que não brilham a não ser nos biquinis, um agente norte-americano com o carisma de um barrote e uma piscina de tubarões. Não podia correr sempre bem.

quinta-feira, setembro 30, 2021

PTA & Seymour Hoffman’s son

quarta-feira, setembro 29, 2021

Dr. No (1962)

A primeira vez que Bond aparece no ecrã é a jogar "chemin de fer" num casino, de smoking, a fumar e a meter-se com uma mulher - Sylvia Trench, a primeira Bond Girl da história. Que melhor cartão de apresentação para uma personagem que continua a reinventar-se sessenta anos depois, mas cujas bases de personalidade, como aliás muitos outros elementos estilísticos da saga, nasceram aqui. Sem grande articulação entre eles ainda, mas com impacto suficiente para convencer estúdios, crítica e público do sucesso da fórmula. Connery, bonito, charmoso e matreiro, talvez o único Bond que conseguiria fugir ao typecast da personagem e continuar a sua carreira na fase pós-007, a estonteante e ousada Ursula Andress, qual Deusa cantante que emerge para a praia, o amigo jamaicano que leva um t-shirt vermelha berrante para uma ilha onde não quer ser visto e apanhado por ninguém e o misterioso e pragmático Dr. No, com muito pouco tempo de ecrã - faltava apenas meia hora para terminar quando o vemos pela primeira vez - e sem oportunidade de brilhar no confronto directo com Bond. Falta tensão nas situações de perigo - a tarantula no quarto acaba por ser mais angustiante que o patético dragão ou que a fuga pelas canalizações -, para além da ausência do genérico e dos gadgets que viriam a tornar-se imagem de marca. Mas as localizações e o set design - Jamaica e a base do Dr. No - marcaram imediatamente um primeiro passo sólido para décadas de boas escolhas neste capítulo. Dispensava-se o racista "busca os meus sapatos", mas não vamos já cancelar isto ok?

terça-feira, setembro 28, 2021

segunda-feira, setembro 27, 2021

Goldfinger (1964)

Bond disfarçado com um capacete de gaivota logo a abrir, o icónico fato branco com rosa vermelha no bolso, conversas de homens com palmadas nas nádegas de mulheres que não são para ali chamadas e a Shirley Eaton banhada a ouro, naquela que ficaria como uma das mais eternas imagens da saga. Aston Martin DB5 com banco ejectável a substituir o até então insubstituível Bentley, o Q que não brinca em serviço - "I never joke about my work 007" - e lasers entre as pernas, bem perto dos famosos double o's que dão nome ao nosso herói machista. Goldfinger, batoteiro nato, seja a jogar cartas ou golfe, Oddjob e o seu chapéu feito de um material qualquer capaz de destruir estátuas e a Pussy Galore, a Bond Girl que se diz imune ao charme de Connery, com o nome mais reconhecível e duradouro entre fãs e não fãs do agente secreto. Miami, Alpes Suiços, uma sala de operações deliciosa - mesas de snooker que se transformam em painéis de controlo - e uma bomba-relógio que acaba o timer no 007. Clássico.

domingo, setembro 26, 2021

Manuel Pureza @ Sala Azul

sábado, setembro 25, 2021

Candyman (2021)

Óptimo aspecto visual e sonoro, arranque e final com energia e identidade e uma mensagem metafórica que poderia ter convencido se não tivesse constantemente a ser escarrapachada ao espectador de raciocínio mais lento: o "Candyman" como produto, resposta vingativa e representação dos males sofridos durante gerações pela comunidade negra nos EUA. Vibe completamente diferente do original, confusão narrativa durante uma hora entre ideias que não desenvolvem e momentos saborosos de slashing - não faço ideia se o termo existe, mas soa bem - e o desperdício mais cruel do ano: a voz e a presença carismática de Tony Todd. Aposto que daqui a ano e meio ninguém se lembra disto; ao contrário do original que continua bem presente em todos nós, trinta anos depois da sua estreia.

sexta-feira, setembro 24, 2021

Nalgas Flash Review: Black Bear

quinta-feira, setembro 23, 2021

Old (2021)

Acting miserável de praticamente todo o elenco numa história que poderia funcionar maravilhosamente como fábula de contornos científicos inexplicáveis sobre o envelhecimento e a morte mas que banaliza-se por completo ao tentar arranjar forçosamente uma explicação, um twist Shyamaliano que dê algum sentido ao que se passou na praia. Mas mesmo antes de se banalizar, este "Presos no Tempo" - tradução absolutamente descontextualizada, até porque na verdade as personagens estão é demasiado soltas no tempo - é de uma inabilidade atroz: diálogos surreais, falta de urgência credível das personagens numa situação dramática e inexplicável, ansiedades existenciais e paternais no patamar mais rasteirinho e superficial possível e uma necessidade inexplicável de focar o terror no envelhecimento do corpo do que na consciência interna de sentirmos o fim cada vez mais próximo. Saudades do velho Night, aquele que tomava as vitaminas e o cálcio de manhã.

quarta-feira, setembro 22, 2021

Wilson is now a dog

terça-feira, setembro 21, 2021

From Russia with Love (1963)

Prólogo com momento de máscaras à "Missão: Impossível", muitos anos antes de sequer alguém imaginar que um dia teria essa designação imediata sempre que acontece em tela. A primeira vez com sequência que se tornaria de assinatura de créditos iniciais, bem como com muitos dos temas de John Barry que ressonaram sempre daí em diante com a personagem mais famosa de Ian Fleming. SPECTRE de volta, vilões com números ímpares, testes exigentes para saber a preparação física de um agente malvado - abdominais de ferro que aguentem pancadaria com soqueira da chefe -, o café "medium sweet" - não é só o Martini que é "shaken, not stirred" -, um periscópio para o interior da embaixada russa na Turquia, a eterna Tatiana Romanova a "dar um gostinho ao lobo, para o deixar esfomeado por mais", as palmadinhas no rabo ou as chapadonas na face. Felizes e saudosos anos sessenta em que ninguém se ofendia com nada. Um dos capítulos mais icónicos e respeitados da saga, com interpretações e personagens equilibradas que não se deixam levar pelo lado mais fantasioso e divertido do universo Bond, localizações exóticas - da Turquia a Veneza, sem esquecer o famoso Expresso do Oriente -, uma amizade rara e verdadeira fora da agência para 007 - com Kerim Bey - e um complexo triângulo de espionagem que agarra e convence. Nem tudo funcionou - a cena no acampamento cigano é demasiado longa e gratuita, o final com a mão de Bond a acenar adeus é medonho, a perseguição de helicópteros merecia uns tiros de rajada e a nossa Bond Girl (antiga Miss Itália), por mais gira e sensual que seja, não deve muito à inteligência -, mas é aqui, talvez até mais do que em "Dr. No", que nasce toda uma mitologia cinéfila.

segunda-feira, setembro 20, 2021

Nas Nalgas do Mandarim - S08E12

domingo, setembro 19, 2021

Us (2019)

Jordan Peele é o novo Shyamalan. O Shyamalan de 1999 a 2006 claro, o único que contou até ser substituído por um clone, tal e qual o que acontece neste "Nós". Entertainer nato, tecnicamente irrepreensível na forma como filma e trata o género, sempre com os planos certos e os sons no timing perfeito para moldar a atmosfera e o suspanse em prol de uma experiência cinematográfica tremendamente eficaz e personalizada. Personagens que nos conquistam - dez minutos bastaram para estar a sofrer por aquela família -, cenas de morte cruéis e memoráveis, um papelão de Lupita Nyong e humor de categoria na dose certa para não aparvalhar e retirar-nos daquele ambiente de tensão. Pena que aquele texto logo no arranque estrague logo um dos principais twists da narrativa, num fenómeno que teria resultado muito melhor se não tivesse tido qualquer tipo de explicação. Porque a que teve não convenceu ninguém e transformou todo o puzzle num conceito muito menos aterrador do que o atrevimento e insolência do desconhecido. Ainda assim, Peele, tens a minha atenção.

sábado, setembro 18, 2021

Del Toro's Nightmare Alley

sexta-feira, setembro 17, 2021

The Lobster (2015)

Futuro distópico e bizarro numa espécie de comédia negra metafórica Orwelliana em torno do peso dos relacionamentos e da pressão individual e da sociedade para vivermos de acordo com as suas regras e expectativas, mesmo quando se tratam de grupos e comunidades minoritárias supostamente independentes e marginais ao próprio sistema - a segunda metade do filme do grego Yorgos Lanthimos. Sátira que primeiro se estranha, depois se entranha, ainda que no meio do seu gongorismo muitas sejam as metáforas que soam a fanfarronice estilística pura. Lanthimos não quer saber se exagera ou não - até porque o exagero e o ridículo fazem parte da própria definição de sátira -, agarrando-se a uma cinematografia e sonoplastia de outro campeonato que, como diria o ditado, não é para quem quer, é para quem sabe. Se fosse um episódio de "Black Mirror" seria considerado meio pateta, mas vindo de quem vem - e com quem tem, de Weisz e Seydoux a um Farrell barrigudo - passa bem por obra-prima.

quinta-feira, setembro 16, 2021

Ted F**king Lasso

quarta-feira, setembro 15, 2021

Knives Out (2019)

Daniel Craig numa espécie de Hercule Poirot de sotaque redneck mas classe muito british, num whodunnit cativante com ritmo, cenários e interpretações de primeira linha. Nem todas as pequenas reviravoltas são inesperadas, revelar à partida o suicídio da personagem de Chritopher Plummer foi um trunfo perdido para condensar ainda mais o mistério e faltou definitivamente tempo de ecrã a Jamie Lee Curtis e Michael Shannon. Ainda assim, experiência cinematográfica indiscutivelmente prazerosa, que reanima um género e um estilo que parecia condenado no tempo, misturando mistério e humor, forma e resolução com talento, equilíbrio e competência. E vocês, o que fariam se a Ana de Armas fosse empregada aí em casa?

terça-feira, setembro 14, 2021

The Matrix Rebooted

segunda-feira, setembro 13, 2021

Freaked (1993)

O Mr. T como uma mulher com farta barba e o Keanu Reeves como Ortiz, o Rapaz Cão - começou aqui o seu trilho para toda a revolta de John Wick - como exemplos de uma mão-cheia de personagens mutantes que fazem todo o filme gravitar numa onda cartoonesca de identidade muito própria e bizarra. Não será para todos, nem para todos os dias, mas com o espírito certo e muita paciência para aturar as caretas de Alex Winter - aqui também co-realizador -, eis uma espécie de "Meet the Feebles" em live action geração MTV com uma saca de milhões em maquilhagem e efeitos visuais bem palpáveis. Gags que resultam a espaços e a Brooke Shields para limpar a vista. Já vi pior e a pagar.