quarta-feira, janeiro 28, 2015

Jobs (2013)

"Jobs", realizado pelo inexperiente Joshua Michael Stern ("Swing Vote"), revela-se um filme autobiográfico absolutamente vulgar, expressão nunca permitida durante a vida pessoal e profissional do homem que o inspirou. Factos atrás de factos, pouca ou nenhuma tentativa de exploração psicológica às motivações, razões, pesadelos e sonhos de um visionário único cujos restícios de humanidade estavam presentes na sua insanidade enquanto perfeccionista que tentava aliar o melhor de vários mundos num único objecto. Mais do que a história de vida de Steve Jobs, Stern foca-se na trajectória da Apple e, nesse capítulo, orquestra uma obra absolutamente superficial quando comparada, por exemplo, a "The Social Network", verdadeiro portento de David Fincher sobre o trajecto da rede social que viria a revolucionar as sociedades modernas. Já Ashton Kutcher acaba por ser uma cara demasiado mainstream para que o espectador se consiga abstrair do seu esforço de transformação (os maneirimos, as expressões, a postura corporal). Em suma, "Jobs" podia ter ser sido um iPhone de 128GB mas acabou como um iPod Shuffle de 2GB.

Resultados TCN 2014: Novo Blogue

terça-feira, janeiro 27, 2015

Captain Phillips (2013)

2009, algumas centenas de milhas ao largo da Costa da Somália. O Maersk Alabama, um porta-contentores norte-americano, é atacado por piratas somalis. Para salvar a sua tripulação - depois de ter feito asneira e fugido à rota planeada pelas operações da sua companhia -, o capitão Richard Phillips (Hanks) aceita ser feito refém pelo gangue de Muse (o estreante Barkhad Abdi) e resta-lhe agora esperar que apareça ajuda militar norte-americana que o tire das mãos de homens sem nada a perder. Realizado pelo ultra-realista Paul Greengrass, o grande debate que surgiu em torno de "Capitão Phillips" foi exactamente a dúvida em torno da veracidade de todo o heroísmo narrado no livro que deu origem a esta adaptação, aparecendo vários tripulantes sobreviventes a afirmar que Phillips teria sido muito mais o vilão do que o herói de toda esta operação. À parte da possível farsa montada em torno do verdadeiro Phillips, não deixa de ser verdade que Greengrass constrói uma espectacular sensação de suspense, estimulada por uma atenção minuciosa à forma como a manobra militar decorre, ao desenvolvimento identitário sustentado dos vilões somalis (o sonho americano vs o sonho somali) e, claro, a duas interpretações assombrosas de Hanks e Abdi, este último justamente nomeado aos Óscares. Um duelo diferente e emocionalmente complexo entre dois capitães de universos diferentes.

Resultados TCN 2014: Artigo de TV

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Nastassja Kinski

Depois de um início auspicioso de carreira, descoberta para o cinema por Wim Wenders e elevada ao estrelato por Roman Polanski, Nastassja Kinski desapareceu do radar nos últimos quinze anos, traindo as expectativas de inúmeros críticos cinematográficos e fãs que lhe previram um futuro imparável. Comparada no final dos anos setenta a divas como Ingrid Bergman ou Audrey Hepburn, a sua escolha arriscada de projectos controversos após dar nas vistas em "Tess" acabou por ditar o seu estatuto de ave tão rara quanto bela em Hollywood. "Uma grande actriz num filme medíocre que aproveita-se da sua imagem" tornou-se quase um lema de carreira da filha do não menos polémico actor alemão Klaus Kinski. Com quinze anos namorou com o quarentão Polanski (velhos hábitos nunca mudam) e aos vinte tirou uma foto que entrou para a história, mostrando que, para Nastassja, não havia limites nem barreiras perante uma câmara: nua, envolta numa cobra pitão gigantesca. "Para entender Nastassja, têm que perceber quem são os seus pais: a mãe uma poeta, o pai um lunático", afirmou Werner Herzog um dia. Apaixonou-se inúmeras vezes nos sets, com actores (Marcello Mastroianni) e realizadores (Milos Forman), e na sua loucura irreverente perdeu-se uma deusa. Regresse ou não à ribalta, ninguém apagará da história interpretações portentosas como no já citado "Tess", "Cat People" ou "Paris, Texas".

Knock Knock Cum and Open

domingo, janeiro 25, 2015

The Interview (2014)

"The Interview" é um iceberg virado do avesso. Expõe tudo o que tem até derreter-se nas mesmas piadas, vezes sem conta: as margaritas gay, o ânus de Seth Rogen, as fezes do ditador, o sotaque norte-coreano e as expressões idiotas de James Franco; os seus pseudo-trunfos narrativos, gastou-os, propositadamente ou não, na polémica que se gerou em torno da sua estreia. Comédia imbecil que de sátira política e social pouco ou nada tem, o controverso projecto de Evan Goldberg e Seth Rogen vem provar que o problema não se encontra na eterna questão existencial sobre quais os limites - se é que existem - da comédia, mas sim na forma absurda como um filme vão, fútil e pateta não merece o impacto de moldar opiniões sobre o que quer que seja. E é essa componente de confronto entre a liberdade de expressão e a crueldade da repressão que fica para a história.

Resultados TCN 2014: Artigo de Cinema

sábado, janeiro 24, 2015

Birdman (2014)

Riggan é Keaton, Birdman é Batman, a peça de teatro que marca o renascimento de uma lenda o filme em si, o quarto capítulo do homem pássaro nunca realizado para infortúnio dos jornalistas asiáticos o terceiro homem morcego de Tim Burton que Keaton recusou fazer por um valor recorde de quinze milhões de dólares, em meados dos anos noventa, simplesmente porque achava o guião terrível. A arte a imitar a vida, a vida de uma celebridade a criar um conflito interno com o actor de respeito que um homem sempre sonhou ser, um conjunto de interpretações fascinantes (Keaton, Norton, Stone e Galifianakis, este último finalmente num papel em que não precisa de ser idiota) que dão substância e vigor a um trabalho tecnicamente irrepreensível de Iñarritu e do cinematógrafo Emmanuel Lubezki, que depois de fazer furor com o seu engenho em "Gravity", volta a presentear cinéfilos de todo o planeta com uma obra que parece miraculosamente filmada num único take. Um truque de magia a lembrar o que Hitchcock tentou fazer com "Rope", uma sátira mordaz à destruição cultural que se vive em Hollywood, onde o dinheiro fala mais alto que a virtude, o valor e a excelência. Algumas transições entre cenas parecem sobrenaturais, maravilhas impossíveis de acontecer (do exterior para o interior, dos camarins para o palco, etc.) que findam num desfecho tão arriscado quanto provocador, onde um mundo metafórico dá mãos ao real e Riggan ganha, finalmente, o reconhecimento da pessoa mais importante da sua vida, que passa a ver o pai da mesma forma que ele se via a si próprio. Singular e excepcional.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

quinta-feira, janeiro 22, 2015

Whiplash (2014)

Estreia deslumbrante na realização do jovem norte-americano Damien Chazelle, "Whiplash" é um tour de force do veterano J.K. Simmons - sem qualquer dúvida a mais poderosa interpretação da sua carreira -, acompanhada de perto pelo esforço, suor, paixão e lágrimas de Miles Teller ("The Spectacular Now"), uma espécie de John Cusack dos novos tempos, dono e senhor de uma energia e dedicação magnética. Vencedor indiscutível do festival independente de Sundance em 2014, "Whiplash - Nos Limites" faz jus ao rol de elogios presentes no seu cartaz e oferece ao mundo uma mistura de General Sargento Hartman em "Full Metal Jacket" com o Maestro Vitorino de Almeida, uma combinação tão fácil de odiar, como de admirar, que certamente lhe garantirá o Óscar de Melhor Actor Secundário no próximo mês de Fevereiro. O final aberto em apoteose, qual epifania musical, certamente deixará os mais cépticos descontentes, mas não deixa marca numa espiral opressiva deliciosa de consagração pessoal.

quarta-feira, janeiro 21, 2015

TCN Blog Awards 2014 no CineXNG

Já está disponível em exclusivo no canal CineXNG da plataforma MEO a cerimónia de entrega dos TCN Blog Awards 2014. Podem consultar a programação do CineXNG aqui e assistir ao evento clicando no botão verde do vosso comando MEO e inserindo o número 256207.

terça-feira, janeiro 20, 2015

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Unbroken (2014)

"Invencível" difunde ao mundo a notável história de sobrevivência e resiliência do atleta olímpico norte-americano Louis Zamperini durante a Segunda Guerra Mundial, quando a aeronave onde seguia despenhou-se no Oceano Pacífico e deixou-o, depois de quarenta e sete dias à deriva, nas mãos dos inimigos japoneses. Se a história de vida é extraordinária, já a sua adaptação para o grande ecrã é insonsa, sem grandes rasgos narrativos dos irmãos Coen nem artimanhas arriscadas a nível técnico e visual da realizadora e produtora Angelina Jolie. Tudo demasiado convencional e literal, demasiado longo em momentos desinteressantes, demasiado sintético em alturas chave (por exemplo, as Olímpiadas de Berlim e a famosa última volta recorde). A sensação que fica é que já vimos "Unbroken" em inúmeros outros filmes biográficos de heróis de guerra, com muito coração na tela mas pouco talento fora dela.

domingo, janeiro 18, 2015

sábado, janeiro 17, 2015

Homecoming (2013)

HOMECOMING from VADIM AYNBINDER on Vimeo.

O mais recente trabalho de Filipe Ferraz Coutinho (FFC) revela um amadurecimento notável, tanto a nível técnico como emocional, de um jovem português em Hollywood cujo horizonte adivinha-se risonho. Tão belo quanto trágico, FFC consegue em quinze minutos conferir múltiplas dimensões às suas personagens, oferecendo ao espectador uma história humanamente tão veemente como subtil, tão simples na forma como se desenrola quanto complexa na teia de circunstâncias que levaram ao conflito numa situação já de si terrível e assustadora. Tecnicamente, um trio de interpretações irrepreensíveis e uma cinematografia brilhante - a simetria central das imagens, as transições suaves, o plano com duas personagens em profundidades distintas e foco contínuo - conferem a "Homecoming" uma identidade sólida e distinta. Well done Filipe.

sexta-feira, janeiro 16, 2015

quinta-feira, janeiro 15, 2015

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Driving Miss Tucha

terça-feira, janeiro 13, 2015

segunda-feira, janeiro 12, 2015

domingo, janeiro 11, 2015

TCN 2014: Rescaldo

Está feito. Depois de uma gravidez de alto risco, o quinto TCN nasceu e saiu do hospital cheio de saúde. O cansaço é tremendo, o orgulho e satisfação por opiniões como esta, esta, esta ou esta, entre muitas outras, muito maior. Falharam vários aspectos, quase todos culpa exclusivamente minha: da parte técnica e audiovisual, ao inevitável (e considerável) atraso no arranque, à falta de informação sobre os comes e bebes, o que estava incluído e o que não estava, etc. etc. Mas, no fim, e a justificar todo este esforço de um equipa fantástica, ninguém reclama nem refila, sabendo que tudo foi feito com a melhor das intenções.

E vamos começar por aí, pela equipa que tornou este reboot dos TCN possível. Ao Manuel e ao Edgar por partilharem todas as dores de cabeça comigo e serem fundamentais em aspectos para os quais não tenho o mínimo talento, do guião aos grafismos, da montagem dos equipamentos a muitas outras questões técnicas. Ao Miguel, André e Ricardo pelos magníficos vídeos que, uma vez mais, deram brilho e profissionalizaram um evento tosco e amador. Aos patrocinadores - poucos, mas bons - que ajudam a credibilizar esta cerimónia tanto para o interior como para o exterior. Por isso, Alambique Filmes (DVDs e Cartazes), Big Picture Films (Cadernos e BSOs), Cinéfilos.TV (Reportagem Fotográfica), Cinema City (Bilhetes Duplos), Lewis PR (Divulgação) e Canais TVCINE & SÉRIES, o nosso (blogosfera) obrigado. Esperamos contar convosco em oportunidades futuras. À equipa do Deliart Caffé pelo trabalho e disponibilidade constante para ajudar durante o último Sábado e aos responsáveis do Centro Ciência Viva do Lousal pelo empréstimo do projector e da tela, que evitaram assim que uma televisão dos chineses fosse palco de tantos e bons momentos visuais. À malta dos podcasts (TVDependente e VHS), à Catarina pela antestreia exclusiva, ao mítico Pedro pelos melhores quatro minutos da história dos TCN. Aos presentes pelas palmas, pelas gargalhadas, pelo fair-play, pelo respeito. A todos, o meu muito obrigado.

E o futuro? Continuaremos vivos, espero, como TCN ou com outro nome qualquer. Com uma cerimónia organizada pelo Cinema Notebook, ou não. Com refeição paga ou presença gratuita. Com mais ou menos categorias. Com troféus ou diplomas. Mas a nível de nomeações e votações, teremos que repensar o esquema, uma vez mais. Se ao fim de cinco anos de existência, a mediatização que estes prémios trazem à blogosfera continua a ser muito reduzida, não mudaremos nunca o nosso objectivo: divulgar, premiar e promover a blogosfera nacional de cinema e televisão, dos pequenos espaços aos médios, dos médios aos colossais híbridos com dezenas de colaboradores. Quando os pequenos começam a ficar para trás, escondidos e perdidos no meio dos tubarões, com o talento e o mérito do seu trabalho escondido atrás da popularidade e do raio de alcance exponencialmente maior de quem tem mais leitores e amigos, algo tem que ser feito para os proteger. E, também, para que o valor intelectual e merecimento do trabalho que é feito pelos ditos "tubarões" não seja confundido ou desvalorizado com questões relacionadas com estima pública. Ficamos a aguardar as vossas sugestões, na caixa de comentários ou na caixa de e-mail, para resolver este "problema". Apenas votação da Academia? Outro formato de votação mista? Que fazer?

Dê por onde der, é fundamental recuperar todos aqueles que perderam o encanto com os TCN nas últimas edições, manter aqueles que (ainda) não desistiram deles, encorajar alguns que sempre foram alérgicos a esta comemoração e, por fim, agradecer a todos os que os promovem como poucos, seja escrevendo rescaldos como este, divulgando os vencedores e nomeados ou percebendo que, mais importante do que quem ganha, é estar presente e valorizar aquele que é, por excelência, o encontro anual da nossa blogosfera. Porque juntos seremos mais fortes, com claquetes nas estantes ou não. Não ter cinco dos treze vencedores na gala fez já soar os alarmes. E o ano em que as candidaturas pararem de aumentar, os melhores blogues deixarem de concorrer e os mais trabalhadores bloggers não se derem sequer ao trabalho de lutar pela sobrevivência deste projecto, é o ano em que ele deixará de existir. Sem volta a dar.

sábado, janeiro 10, 2015

TCN 2014: Vencedores


Página de Facebook:
Última Sessão

Rubrica:
Posters Caseiros, do blogue Brain-Mixer

Iniciativa:
Já Vi(vi) este Filme

Reportagem/Cobertura:
LEFF 2013 @ Rick's Cinema

Entrevista:
Entrevista a António-Pedro Vasconcelos, por Rui Alves de Sousa, do blogue Espalha-Factos

Crítica de Cinema:
A Vida de Adèle: Capítulos 1 e 2, por Catarina D'Oliveira, do blogue Close-Up

Crítica de Televisão:
Band of Brothers, por Hugo Barcelos, do blogue Rick's Cinema

Artigo de Cinema:
E o Netflix português?, por Pedro, do blogue CinemaXunga

Artigo de Televisão:
Um Artigo Com Bolinha Vermelha: Uma História da Nudez e Sexualidade na Televisão, por Diogo Cardoso, do blogue TVDependente

Novo Blogue:
Milímetro a Milímetro

Blogue Colectivo:
TVDependente

Blogue Individual:
Hoje Vi(vi) um Filme

Blogger do Ano:
Rui Alves de Sousa, do blogue Espalha-Factos

Prémio Memória:
Francisco Mendes, do blogue Pasmos Filtrados

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Hashtag oficial

#TCN2014

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Patrocinadores #TCN2014

Por ordem alfabética, o nosso mais sincero obrigado à Alambique Filmes (DVDs e Cartazes), Big Picture Films (Cadernos e BSOs), Cinéfilos.TV (Reportagem Fotográfica), Cinema City (Bilhetes Duplos), Lewis PR (Divulgação) e aos Canais TVCINE & SÉRIES (Vouchers de 3 meses de assinatura gratuita e brindes) pelo estimado apoio aos TCN Blog Awards 2014.