Terça-feira, Maio 21, 2013
Segunda-feira, Maio 20, 2013
Antevisão: Behind the Candelabra
Depois de vinte e cinco filmes espalhados por quatro décadas diferentes, Steven Soderbergh traz-nos aquele que será, supostamente, o seu último trabalho antes de um longo interregno. Sem sorte entre as distribuidoras, "Behind the Candelabra" terá a sua estreia em sala durante o Festival de Cannes, para no dia 26 de Maio estrear na televisão por cabo norte-americana (HBO). Biografia do mais conhecido amante e companheiro do polémico pianista Liberace - interpretado por um irreconhecível Michael Douglas -, música, banhos de espuma, cirurgias plásticas, sexo e drogas juntam-se num cocktail que promete ser tão intenso quanto a vida daquele que chegou a ser o artista mais bem pago do mundo e que acabaria por falecer em 1987 devido a complicações relacionadas com o facto de ser seropositivo.
Nota: antevisão originalmente publicada na Take 30 - Cannes D'Or
Domingo, Maio 19, 2013
Sábado, Maio 18, 2013
Looper (2012)
Corre o ano de 2074 e os Estados Unidos da América são agora um local aparentemente seguro e livre de homicídios e armas na rua, factores que haviam corroído a sociedade durante décadas. Mas desengane-se quem pensa que o crime simplesmente desapareceu: adaptando-se à nova realidade, as organizações mafiosas dão uso a um aparelho ilegal que lhes permite viajar no tempo e livrarem-se assim de pessoas indesejadas do presente... no passado. Para tal, são contratados "loopers", assassinos muito bem remunerados que viajam ao passado para limpar o presente, até ao dia em que são enviados para fechar o seu ciclo: assassinarem-se a si próprios, apagando assim qualquer prova da sua existência e da actividade criminal por si praticada. Quando esse dia chega a Joe (Bruce Willis e Joseph Gordon-Levitt), será que este vai conseguir cumprir com o contrato?
Thriller futurista realizado pelo promissor Rian Johnson - que estreou-se com o surpreendente "Brick" em 2005 - "Looper - Reflexo Assassino" revela-se um dos produtos de ficção científica mais inteligentes dos últimos anos, conseguindo criar um mundo e um universo plausível dentro de todas as suas improbabilidades narrativas, orquestrando pontes complexas mas seguras entre twists que poderiam ser facilmente confusos ou limitativos ao ritmo praticamente irrepreensível da acção. Muito talento, portanto, na realização e na escrita de Johnson, que aliado a duas boas interpretações da dupla principal, principalmente em cenas partilhadas, fazem deste "Looper" uma obra tão interessante quanto bem executada. De resto, efeitos visuais cinco estrelas e uma mensagem importante sobre a nossa identidade compensam alguns possíveis caminhos alternativos que poderiam ter sido tomados para tornar algumas personagens mais cativantes - principalmente o "Rainmaker" na sua versão futurista. E seria Sara, mãe de Cid, uma homenagem a Sarah Connor?
Thriller futurista realizado pelo promissor Rian Johnson - que estreou-se com o surpreendente "Brick" em 2005 - "Looper - Reflexo Assassino" revela-se um dos produtos de ficção científica mais inteligentes dos últimos anos, conseguindo criar um mundo e um universo plausível dentro de todas as suas improbabilidades narrativas, orquestrando pontes complexas mas seguras entre twists que poderiam ser facilmente confusos ou limitativos ao ritmo praticamente irrepreensível da acção. Muito talento, portanto, na realização e na escrita de Johnson, que aliado a duas boas interpretações da dupla principal, principalmente em cenas partilhadas, fazem deste "Looper" uma obra tão interessante quanto bem executada. De resto, efeitos visuais cinco estrelas e uma mensagem importante sobre a nossa identidade compensam alguns possíveis caminhos alternativos que poderiam ter sido tomados para tornar algumas personagens mais cativantes - principalmente o "Rainmaker" na sua versão futurista. E seria Sara, mãe de Cid, uma homenagem a Sarah Connor?
Sexta-feira, Maio 17, 2013
Quinta-feira, Maio 16, 2013
The Hole (2009)
Mãe e dois filhos mudam-se para uma nova cidade, para um novo bairro, para uma nova escola pela milésima vez desde que Dane e Lucas vivem sem o pai. Enquanto exploravam a sua nova casa com a vizinha Julie, as crianças descobrem um buraco na cave que parece não ter fundo e que estava fechado com vários cadeados. A curiosidade infantil irá abrir um portal para que vários pesadelos assombrem o mundo real de todos aqueles que olharam para a passagem sobrenatural.
Realizado pelo histórico Joe Dante, autor de obras revolucionárias e intemporais como "Gremlins" ou "Piranha", "Medos" é um filme de terror... para crianças. Com um conceito minimamente interessante e um arranque promissor, "The Hole" perde, no entanto, todo o gás com o desenrolar da trama, com efeitos especiais praticamente anedóticos e amadores - muitos deles feitos unicamente para promover o 3D e não a narrativa -, que fazem com que a fita perca o seu élan, mesmo quando consegue construir algum suspense em cenas com uma atmosfera bem conseguida. Num guião repleto de clichés - como que uma compilação/homenagem a vários clássicos do cinema de terror - e com uma mão cheia de interpretações sensaboronas, não conseguimos conectar-nos nem com as personagens, nem com a história. Em suma, eis mais um para cair no esquecimento.
Realizado pelo histórico Joe Dante, autor de obras revolucionárias e intemporais como "Gremlins" ou "Piranha", "Medos" é um filme de terror... para crianças. Com um conceito minimamente interessante e um arranque promissor, "The Hole" perde, no entanto, todo o gás com o desenrolar da trama, com efeitos especiais praticamente anedóticos e amadores - muitos deles feitos unicamente para promover o 3D e não a narrativa -, que fazem com que a fita perca o seu élan, mesmo quando consegue construir algum suspense em cenas com uma atmosfera bem conseguida. Num guião repleto de clichés - como que uma compilação/homenagem a vários clássicos do cinema de terror - e com uma mão cheia de interpretações sensaboronas, não conseguimos conectar-nos nem com as personagens, nem com a história. Em suma, eis mais um para cair no esquecimento.
Quarta-feira, Maio 15, 2013
A importância de Sarah Connor

Sarah Connor. Mãe, guerreira, lunática para uma sociedade que não acredita nas suas "visões" apocalípticas sobre o fim da humanidade às mãos metálicas de robôs de aparência humana e de um super computador que dominará o planeta, de seu nome Skynet. Interpretada por Linda Hamilton, Sarah marcou a consolidação de uma ruptura em Hollywood relativamente ao papel da mulher nos filmes de acção e ficção científica. Mais do que uma mãe determinada a salvar o seu filho de uma morte cruel, Sarah Connor representou o sexo forte no segundo Terminator de James Cameron. "You're terminated, fucker" diz a certa altura do filme, conquistando o espectador com a sua atitude musculada e destemida, acompanhada de perto por um par de bícepes que fizeram correr tinta, ainda assim para mim ofuscados pelo seu belo e comprido cabelo claro.
"Obrigado James", declamam homens e mulheres um pouco por todo o lado a Cameron por personagens intemporais e revolucionárias como Connor ou Ripley (Aliens). Sarah, mãe de John mas também do mundo, enquanto líder da resistência, prima não só pela destreza física ou perícia com uma arma na mão, mas, acima de tudo, pela sua coragem, determinação, racionalidade e independência, verdadeiro hino a todas as mães solteiras deste planeta a que chamamos Terra. De doce, inocente e apaixonada empregada de balcão no primeiro capítulo da saga a defensora imparável de uma causa no segundo, a transformação cinematográfica de Sarah Connor assinalou também uma mudança radical no tradicional "lugar" da mulher nos blockbusters de Hollywood. Obrigado James. Obrigado Linda.
Nota: texto elaborado a convite do blogue Girl on Film.
Terça-feira, Maio 14, 2013
Segunda-feira, Maio 13, 2013
Take 30 - Cannes

Estamos de volta. Depois de longos meses de ausência neste formato de revista online que viu nascer este projecto, a Take Cinema Magazine aproveitou a pausa para revolucionar o seu conceito e o seu design, apostando agora em revistas temáticas para, assim, tentar continuar a oferecer algo de diferente, inovador e original aos milhares de leitores que descarregam cada edição desta nossa paixão. Para recomeçar, que melhor assunto para aprofundar que um dos mais conceituados festivais de cinema deste planeta, abordado de forma multidisciplinar no seu glorioso passado, no seu auspicioso presente e no seu promissor futuro.
Das memórias do recentemente falecido Roger Ebert na cidade francesa ao destaque e análise de vários vencedores destes últimos sessenta e seis anos de história do Festival Internacional de Cannes, não esquecendo os asiáticos coroados ou os preferidos de José Peseiro - ou seja, aqueles que quase ganharam mas saíram da Riviera francesa de mãos vazias -, a refrescada equipa da Take preparou ainda uma antevisão geral e individual para a edição deste ano e revisitou alguns dos mais históricos cartazes oficiais que há habitaram os postes e as árvores das ruas de Cannes.
Para a próxima edição, quem sabe. Seja outro festival, um realizador, uma actriz, um género ou até, porque não, um ano em específico, são estes os moldes a seguir. Para notícias fresquinhas, críticas a estreias em sala, desafios e passatempos, contem com a nossa página no Facebook. Para uma revista forte, mais uma e não uma a mais, esta especialização foi o caminho escolhido pela redacção. O futuro, e vocês, caros leitores, logo dirão se foi o passo correcto.
http://www.facebook.com/take.com.pt
Domingo, Maio 12, 2013
Welcome to the Punch (2013)
Jacob Sternwood, um dos mais procurados criminosos da história recente do Reino Unido, está desaparecido há vários anos, desde de um assalto colectivo onde acabou por alvejar o detective Max Lewinsky num joelho, poupando-lhe a vida de forma enigmática. Algures exilado na fria e tranquila Islândia, Jacob vai ter que no entanto regressar a Londres para salvar o filho de problemas com a polícia e com a máfia local, depois deste ter sido alvejado com gravidade no estômago e estar em perigo de vida num hospital. Hospital esse que está rodeado por todos aqueles que acreditam que Sternwood vai aparecer, mais cedo ou mais tarde, para ver o filho. Para Lewinsky, eis a oportunidade perfeita para se vingar.
Realizado pelo londrino Eran Creevy, autor de alguns videoclips musicais premiados dentro de portas, "Conspiração Explosiva" preocupa-se mais em ser bonito do que em ser efectivamente bom. Repleto de tiques e vícios comuns ao mundo visual dos telediscos, a fita de Creevy perde a sua credibilidade narrativa entre cenários tão modernos quanto vazios, apoiados numa fotografia escura metálica e em cenas de acção tão cativantes quanto desprezíveis para o desenrolar de uma trama vulgar. Ainda assim, destaque para um elenco de excepção, liderado pelos brilhantes Strong e McAvoy, que nas mãos de Michael Mann, por exemplo, teriam tido oportunidade para dar o salto para outro patamar. Desapontante, no mínimo.
Realizado pelo londrino Eran Creevy, autor de alguns videoclips musicais premiados dentro de portas, "Conspiração Explosiva" preocupa-se mais em ser bonito do que em ser efectivamente bom. Repleto de tiques e vícios comuns ao mundo visual dos telediscos, a fita de Creevy perde a sua credibilidade narrativa entre cenários tão modernos quanto vazios, apoiados numa fotografia escura metálica e em cenas de acção tão cativantes quanto desprezíveis para o desenrolar de uma trama vulgar. Ainda assim, destaque para um elenco de excepção, liderado pelos brilhantes Strong e McAvoy, que nas mãos de Michael Mann, por exemplo, teriam tido oportunidade para dar o salto para outro patamar. Desapontante, no mínimo.
Sábado, Maio 11, 2013
Sexta-feira, Maio 10, 2013
A inspiração dos Simpsons
"When Margaret Groening died at the end of April, her son's tribute to her in a local paper ignited interest from Simpsons fans. Margaret, who was 94, was the mother of Matt, the man behind hit cartoon The Simpsons. His obituary in The Oregonian remembered a woman who loved Double-Crostics puzzles and the Oregon Symphony orchestra, but also a mother to Lisa and Maggie, and wife to Homer. Last year Matt Groening discussed how he named his famously yellow family during an interview with the Smithsonian magazine, saying he "basically drew [his] own family". Had he known what a success The Simpsons would become, he said, "he wouldn’t have subjected my family to the humiliation of having some of the characters named after them". However, the families are now intertwined - click on our infographic to see how."
Quinta-feira, Maio 09, 2013
Quarta-feira, Maio 08, 2013
Noite feliz no Google Reader
"24" pode estar de volta à televisão e "Nikita" renovada para uma quarta temporada, ainda que mais curta. Depois da reviravolta inesperada da minha querida "Veronica Mars", começo já a imaginar o dia em que apanho a notícia do renascimento de "Studio 60 on the Sunset Strip" de Aaron Sorkin. Yeah, right.
Terça-feira, Maio 07, 2013
Segunda-feira, Maio 06, 2013
Tico Teco ou Teco Tico, who cares?
Eis como termina a sinopse oficial da ZON Lusomundo para um dos seus próximos lançamentos, "The Reluctant Fundamentalist", de Mira Nair: "Conduzindo-nos através dos mundos culturalmente fascinantes de Nova Iorque, Lahore e Istambul, O RELUTANTE FUNDAMENTALISTA é uma exploração ao fenómeno perturbador mas fascinante da globalização. O FUNDAMENTALISTA RELUTANTE é uma obra da conceituada realizadora Mira Naire, sendo baseado no bestseller de Moshin Hamid".
Estou fundamentalmente relutante. Desculpem, relutante. Fundamentalmente. Assinado: Calros Reise. Perdão, Carlos Reis.
Estou fundamentalmente relutante. Desculpem, relutante. Fundamentalmente. Assinado: Calros Reise. Perdão, Carlos Reis.
Domingo, Maio 05, 2013
Será que é desta?

Sábado, Maio 04, 2013
Sexta-feira, Maio 03, 2013
Preso por ter cão e preso por não o ter
Recebi tantos - mas mesmo tantos, para cima das duas dezenas - e-mails durante as últimas semanas a promover diversas ante-estreias, festas, desafios, estreias em televisão, workshops, concertos, apresentações de livros e tudo o mais que conseguiram inventar para divulgar um projecto luso-americano que por aí anda, que lhe ganhei um ódio de morte à altura de qualquer campanha de spam sobre Viagra que invade as caixas de comentários deste blogue.
Quinta-feira, Maio 02, 2013
Quarta-feira, Maio 01, 2013
Les Infidèles (2012)
Jean Dujardin e Gilles Lellouche interpretam uma mão cheia de personagens masculinos que, apesar de acreditarem no conceito muito subjectivo que o amor, não conseguem resistir a cometer regularmente uma ou outra infidelidade às suas esposas, seja com strippers, adolescentes a roçar o limite de idade ou, como mostra a história final em Las Vegas, com alguém totalmente inesperado.
Conjunto de curtas metragens sobre a infidelidade - principalmente a masculina - orquestradas por vários realizadores franceses - entre eles Dujardin, Lellouche e o oscarizado Hazanavicius -, "Descaradamente Infiéis" resulta num todo pouco convincente, apimentado unicamente por um ou outro sketch engraçado - a cena dos infiéis anónimos merece destaque - e por separadores narrativos tão descabidos quanto sexualmente anedóticos. De resto, a oscilação ineficaz entre o drama e a comédia e uma mão cheia de mensagens morais bastante gastas numa sociedade moderna - um homem com várias mulheres é um Don Juan, uma mulher que experimenta vários homens é uma... bem vocês sabem - tornam "Les Infidèles" numa obra insignificante, repleta de clichés e ultrapassada na sua essência. Um par de interessantes interpretações não são suficientes para encaixar peças de puzzle que simplesmente não foram pensadas nem criadas para encaixar. Nem com muita vaselina.
Conjunto de curtas metragens sobre a infidelidade - principalmente a masculina - orquestradas por vários realizadores franceses - entre eles Dujardin, Lellouche e o oscarizado Hazanavicius -, "Descaradamente Infiéis" resulta num todo pouco convincente, apimentado unicamente por um ou outro sketch engraçado - a cena dos infiéis anónimos merece destaque - e por separadores narrativos tão descabidos quanto sexualmente anedóticos. De resto, a oscilação ineficaz entre o drama e a comédia e uma mão cheia de mensagens morais bastante gastas numa sociedade moderna - um homem com várias mulheres é um Don Juan, uma mulher que experimenta vários homens é uma... bem vocês sabem - tornam "Les Infidèles" numa obra insignificante, repleta de clichés e ultrapassada na sua essência. Um par de interessantes interpretações não são suficientes para encaixar peças de puzzle que simplesmente não foram pensadas nem criadas para encaixar. Nem com muita vaselina.
Terça-feira, Abril 30, 2013
Segunda-feira, Abril 29, 2013
Domingo, Abril 28, 2013
Zuckerberg vs Ross and Chandler

Sábado, Abril 27, 2013
Sexta-feira, Abril 26, 2013
Quinta-feira, Abril 25, 2013
Jagten (2012)
A viver uma fase complicada da sua vida, Lucas parece estar finalmente a recuperar do divórcio que o afastou do filho, arranjando um novo emprego num jardim de infância, uma namorada uns anos mais nova do que ele e um local para viver em descanso com a sua cadela, sem grandes responsabilidades nem preocupações. Mas do céu vai passar rapidamente ao inferno quando uma mentira de uma criança da creche - curiosamente, a filha do seu melhor amigo - o coloca sobre sérias acusações de abuso sexual de menores, provocando a desconfiança e a ira de todos aqueles que vivem na pequena vila dinamarquesa. Tudo porque a rapariga ouviu os amigos do irmão mais velho a falarem de um "pau duro" enquanto viam pornografia e decidiu dizer o mesmo do professor, aquando de uma birra como tantas outras. Depois disso, não havia volta a dar: qualquer tentativa para explicar que tinha dito uma estupidez era considerada pelos adultos como uma reacção de bloqueio ao trauma.
Magistralmente bem construído por Thomas Vinterberg - um dos fundadores do movimento Dogma 95 -, "Jagten" ostenta uma vernaculidade narrativa rara e corajosa: entrega logo à partida toda e qualquer hipótese de uma reviravolta inesperada, sendo o seu mais valioso twist o facto de conseguir inquietar-nos durante duas horas com uma situação assustadora e catastrófica a nível pessoal que podia acontecer a qualquer um de nós. E é essa serenidade angustiante que transmite, aliada a uma fotografia tão interessante quanto misteriosa e a uma interpretação fenomenal de Mads Mikkelsen - merecedora de uma estatueta em Cannes e que abre o apetite para o seu Hannibal televisivo recentemente estreado - que fazem de "The Hunt - A Caçada" uma das mais competentes estreias do ano, sob a premissa de que uma mentira pode ser muito mais forte do que a verdade. Porque a dúvida é uma doença que corrói a mente e a cena final é a prova disso mesmo: afinal de contas, há feridas que o tempo não consegue sarar.
Magistralmente bem construído por Thomas Vinterberg - um dos fundadores do movimento Dogma 95 -, "Jagten" ostenta uma vernaculidade narrativa rara e corajosa: entrega logo à partida toda e qualquer hipótese de uma reviravolta inesperada, sendo o seu mais valioso twist o facto de conseguir inquietar-nos durante duas horas com uma situação assustadora e catastrófica a nível pessoal que podia acontecer a qualquer um de nós. E é essa serenidade angustiante que transmite, aliada a uma fotografia tão interessante quanto misteriosa e a uma interpretação fenomenal de Mads Mikkelsen - merecedora de uma estatueta em Cannes e que abre o apetite para o seu Hannibal televisivo recentemente estreado - que fazem de "The Hunt - A Caçada" uma das mais competentes estreias do ano, sob a premissa de que uma mentira pode ser muito mais forte do que a verdade. Porque a dúvida é uma doença que corrói a mente e a cena final é a prova disso mesmo: afinal de contas, há feridas que o tempo não consegue sarar.
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