domingo, abril 26, 2015

Não escapou ninguém!

sábado, abril 25, 2015

Capitão Falcão (2015)

Uma campanha de marketing fenomenal - das redes sociais à imprensa tradicional, da interacção directa com o público à partilha de análises positivas de todas as esferas, de sites especializados a blogues desconhecidos -, um super-herói português cheio de pinta e a promessa de uma crítica político-social mordaz à história recente de Portugal. Tudo sublimemente bem engendrado para bater recordes a nível interno, gerar boa vontade e entusiasmo no passa-a-palavra, criar uma ponte segura entre o público e o cinema nacional. O filme, esse, deixa uma sensação agridoce no espectador que conseguiu manter os olhos livres de areia no meio desta tempestade no deserto: se por um lado a obra de João Leitão é um portento técnico e artístico (créditos iniciais, visual e guarda-roupa excêntrico, coreografias de acção) tendo em conta os meios e fundos com que foi orquestrado, por outro a sua narrativa parece satisfazer-se apenas com o suficiente, as one-liners que ficam no ouvido, os lugares comuns de acção-reacção de tantas outras aventuras do género, adaptadas ao ambrosíaco contexto fascista/comunista do Estado Novo. A mesma ambivalência ao nível da direcção de actores: se Gonçalo Waddington e José Pinto dominam de forma majestosa o overacting requisitado, já outros - Rui Mendes e Matamba Joaquim, principalmente - falham rotundamente nessa vertente de interpretação. Outra dualidade: a uma cena brilhante a todos os níveis - o jantar interrompido pelo comuninja -, segue-se outra pateta, previsível e preguiçosa - a do interrogatório pasteleiro. Ainda assim, verdade seja dita no meio de todas estas oscilações, "Capitão Falcão" é uma injecção de alento ao panorama cinéfilo nacional, uma aposta corajosa num género virgem - até os Capitães de Abril são literalmente pintados de Power Rangers -, uma espécie de blockbuster de culto dentro de portas que merece a sua sequela contra o Flamingo. Porque quem não sente a ânsia de ser mais, não chegará a ser nada.

sexta-feira, abril 24, 2015

C'um caraças!

quinta-feira, abril 23, 2015

I have a Facebook page that 5.4m people “like”. What does that mean?

"Kids changed my perspective. Before I had my three, I’d walk around in my own head, not noticing anything. Acting used to be everything; now, because of them, it’s just a small part". Al Pacino, sem segredos, no "The Guardian".

quarta-feira, abril 22, 2015

Mais do que comprado, Johnny!

terça-feira, abril 21, 2015

segunda-feira, abril 20, 2015

Corvo Old School

domingo, abril 19, 2015

Milius (2013)

"I love the smell of napalm in the morning", "go ahead, make my day" ou "you've gotta ask yourself one question: do I feel lucky? Well, do ya, punk?" são apenas algumas das frases míticas que John Milius ofereceu ao mundo, tornando-o no final dos anos setenta e início dos anos oitenta o guionista mais bem pago e procurado de Hollywood. Considerado por muitos um neo-fascista amante de armas, exemplo transviado do que era culturalmente incorrecto, Milius não era um profissional de trato fácil e, por consequência, pouco manipulável: levava armas para as reuniões com os produtores e recusava adornar as suas personagens duras e viris, os seus motivos baseados no medo e não no romance. Amigo e colega de faculdade de nomes como Spielberg, George Lucas ou Coppola, Milius chegou a uma fase da sua vida em que decidiu que não queria apenas escrever filmes, queria realizá-los. Foi o princípio do fim da sua carreira, com títulos como o selvagem "Conan the Barbarian" e, principalmente, o anti-comunista "Red Dawn" a bloquearem-no diversas portas numa Hollywood liberal, claramente virada à esquerda. O "anarquista zen" - assim o definiu Scorsese - que adaptou ao cinema o livro inadaptável ("Heart of Darkness") e escreveu dez páginas do guião de "Jaws" ao telefone com Spielberg, acabou na miséria depois de ter confiado a sua fortuna a um amigo contabilista e, quando preparava um regresso em grande com um filme sobre o imperador mongol Gengis Khan, a vida pregou-lhe uma partida. Uma que a dupla de realizadores Figueroa/Knutson usa como um twist final terrivelmente enternecedor, que nos apanha desprevenidos e faz-nos pensar como não demos conta dessa reviravolta mais cedo. Em suma, um belíssimo documentário sobre uma figura ímpar do cinema.

sábado, abril 18, 2015

Podcasts de Cinema: The Projection Booth

Com especial destaque para o episódio de 9 horas dedicado a "Conan the Barbarian".

sexta-feira, abril 17, 2015

The Walking Dead (S5/2014)

Naquela que foi, na opinião de muitos críticos de televisão, a melhor temporada da série desde a sua estreia em 2010, "The Walking Dead" conseguiu finalmente compor uma metanarrativa equilibrada nas suas mais variadas vertentes e fases: da sobrevivência apocalíptica à liderança grupal, das emoções colectivas às desilusões individuais. Dezasseis episódios que começam com a fuga da selvática Terminus, entremeiam com a tentativa de salvação de Beth de um hospital com uma gestão no mínimo excêntrica e terminam com uma anormal quietação na organizada Alexandria. Para a sexta temporada, levantam-se várias questões: o que aconteceu a Morgan para se tornar o "mestre zen do pau" - nada como um bom episódio de flashback para explicar a coisa; Sasha e Gabriel continuarão passados da cabeça? Será que Glenn - um dos três personagens que apareceu em todos os episódios - foi mordido e essa será a habitual grande reviravolta de início de temporada? Jessie e Rick como nova dupla amorosa? Os "Lobos" serão apenas aquelas duas aves raras ou um grupo muito maior e organizado? Seja como for, não me cheira que Alexandria dure muito mais tempo em pé. Veremos é se a dinâmica espiritual entre Rick e Morgan e a luta pelo proletariado entre o xerife e Deanna é trabalhada de forma a manter a história nesta linha intelectualmente cativante que durante tanto tempo esteve ausente da série da AMC. E que Carol continue uma verdadeira Stepford Wife, ruim como as cobras - seja a montar o cavalo Terminus a dentro ou a ameaçar crianças de morte em Alexandria.

quinta-feira, abril 16, 2015

Now You See Me (2013)

Como que um gin, na moda e de consumo agradável mas que, ainda assim, desafia o óbvio, cujos aromas foram intensificados com a colocação de uma fatia de "The Usual Suspects", duas sementes de "The Prestige" e salpicos no rebordo do copo de "Ocean's Eleven", "Mestres da Ilusão" começa e acaba de forma muito interessante mas, por incompetência técnica de Leterrier ou demasiada avidez narrativa dos seus guionistas, revela-se lá pelo meio uma confusão tremenda de reviravoltas e truques comuns de CGI, que com pele de cordeiro às costas tentam passar por algo magicamente fascinante e possível. Muitas estrelas em modo automático, muitos diálogos presunçosos, muita artimanha num filme mais preocupado em parecer cool do que em realmente sê-lo. Diverte, mas não convence.

quarta-feira, abril 15, 2015

Kung Fury - Must Listen Lead Track

terça-feira, abril 14, 2015

Kung Fury - Must See Trailer

segunda-feira, abril 13, 2015

domingo, abril 12, 2015

The '90s: The Last Great Decade? (2014)

Narrada pelo actor Rob Lowe, "Os Anos 90: A Última Grande Década?" é uma minissérie divertida, nostálgica e interessante q.b. de três episódios sobre um período da história do mundo onde a tecnologia revolucionou o nosso estilo de vida, presidentes tiveram casos com estagiárias, reality shows dominaram a televisão, bilionários foram criados em dias graças aos investimentos em bolsa nas .com e nomes como Jerry Springer, Howard Stern, Princesa Diana ou O.J. Simpson dominaram as conversas de café um pouco por todo o lado - ou, pelo menos, nos EUA. Naturalmente centrado na perspectiva norte-americana de tudo o que se passou, com ocasionais desvios à Guerra Civil no Ruanda ou ao colombiano Escobar apenas para dar uma vertente mais global à produção, a National Geographic concilia de forma hábil horas de imagens de arquivo com mais de uma centena de entrevistas nunca antes vistas a ícones culturais e políticos que marcaram o final do milénio, resultando tudo isto numa retrospectiva eficaz de uma década de altos e baixos cujo único problema foi não ter durado mais tempo.

sábado, abril 11, 2015

Quem quer festa, sua-lhe a testa!

A opção de compra de dois bilhetes de cinema a cinco euros - em vez de um ao preço normal (6 ou 7 euros) - levava mais gente ao cinema que uma festa com entradas a dois euros e meio. Mais gente, mais lucro, os mesmos "custos".

sexta-feira, abril 10, 2015

O princípio do fim

Quem de direito decidiu descontinuar a produção em formato físico d'Os Simpsons. Depois de dezassete temporadas em DVD e Blu-Ray, a série que vai agora na sua vigésima quinta época passará a estar disponível para consulta futura apenas em formato digital. Com cada vez mais videoclubes online, o Netflix a invadir o planeta, downloads e streamings legais e baratos, este é o princípio do fim para coleccionadores invertebrados de DVDs - já vão mais de 1600 nas prateleiras - como eu. As vendas de leitores destes formatos caíram a pontapé nos EUA nos últimos três anos e a indústria começa a reagir a isso. E quem vai sofrer mais são os coitadinhos como os tipos que tinham a colecção d'Os Simpsons na cave e agora nunca a vão poder terminar.

quinta-feira, abril 09, 2015

Sorrentino, Caine & Keitel

quarta-feira, abril 08, 2015

FESTin 2015 @ Rick's Cinema

Para seguir, aqui. Entrevistas e análises diversas que provam o valor dos moldes da blogosfera neste tipo de acompanhamento de festivais e eventos de vários dias.

terça-feira, abril 07, 2015

segunda-feira, abril 06, 2015

Nightcrawler (2014)

Performance crua, metódica e visceral de Jake Gyllenhaal - perdeu peso e ficou noites sem dormir para conseguir o visual de coyote da noite que tanto pretendia, um cujos olhos não piscam e pouco ou nada dizem - na estreia na cadeira de realizador de Dan Gilroy, antes conhecido na indústria como "o marido da Rene Russo", "Nightcrawler" é uma humilde obra-prima moderna, tanto a nível técnico - cinematografia sublime e trabalho de edição magnificiente, qual filme de acção se tratasse no meio de tanto drama policial e televisivo - como a nível psicossocial, criticando ao mesmo tempo que enobrece a necessidade do público moderno por visualizar "as soon as possible" desastres, dramas e histórias chocantes, uma cuja previsibilidade de sucesso comercial provavelmente começou no dia em que OJ Simpson colou milhões de norte-americanos às televisões com a sua fuga automóvel da polícia enquanto apontava uma pistola à sua própria cabeça. Daí em diante, o crime passou a ser o melhor amigo de inúmeras televisões públicas regionais e nacionais, sedentas por audiências que viabilizem a sua existência. Cenas pungentes, Gyllenhaal a mostrar uma vez mais a sua polivalência e a confirmação de um outro talento escondido: Riz Ahmed, o Omar de "Four Lions", que inteligentemente conseguiu perceber que era na sombra de Gyllenhaal que estava a luz. O resultado final é uma película tão fascinante quanto perturbante.

domingo, abril 05, 2015

Milius, Coppola & Apocalypse Now

sábado, abril 04, 2015

Natural Selection

sexta-feira, abril 03, 2015

Electric Boogaloo: The Wild, Untold Story of Cannon Films (2014)

Festim documental para cinéfilos de todos os géneros e feitios, "Electric Boogaloo: The Wild, Untold Story of Cannon Films" conta-nos a história não-oficial da lendária produtora trash de Hollywood fundada por dois primos israelitas tão geniais e loucos na forma completamente out of the box com que quebraram o modelo de negócio cinematográfico imposto em todo o mundo - para o bem e para o mal, Menahem Golan e Yoram Globus financiavam os seus filmes vendendo-os antes sequer de estes terem arrancado com as filmagens - como dementes no seu gosto artístico e cuidado técnico, ajudando assim a contribuir para algumas das mais exóticas e visualmente javardas, indecentes e trapalhonas obras da história da sétima Arte. "O que fazer com 30 milhões? Não sei, provavelmente 30 filmes", afirma um deles a certa altura. E foi exactamente quando este conceito comercial deu lugar à ganância e à ânsia pelos holofotes - sequelas de blockbusters e outras aventuras em que os seus protagonistas recebiam milhões de dólares nunca antes vistos -, que a Cannon Films caiu num poço sem fundo, provocando inclusivamente a rotura e afastamento de uma das duplas mais conhecidas de Hollywood nos anos oitenta. De entrevistas com estrelas como Bo Derek, Dolph Lundgren ou Franco Nero, a antestreias VIP em parques de estacionamento inclinados, o documentário do australiano Mark Hartley merece ser descoberto por qualquer um que tenha um fraquinho pelo cinema de série B a Z, por heróis de acção como Chuck Norris, Van Damme ou Charles Bronson. Melhor que tudo, tem ainda a honestidade de abrir portas e janelas ao documentário oficial de Golan e Globus que, na boa tradição da velhinha Cannon, começou a ser feito muito depois mas conseguiu estrear três meses antes deste Electric Boogaloo.