quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Nalgas Flash Review: Gustavo Santos

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Altered Carbon (S1/2018)

"Carbono Alterado" chegou repleto de hype aos maluquinhos do sci-fi; a Netflix apostou forte na sua promoção e o lançamento simultâneo a nível mundial prometia reacções rápidas. Assim foi. Com um arranque muito pouco inspirado - os dois primeiros episódios tinham informação a mais, ritmo a menos e uma série de interpretações de baixo gabarito - com Ortega a liderar a troupe sempre que entrava em modo espanhol -, foi anunciada a sua morte aos deuses. Muitos desistiram - eu estive muito perto também de o fazer, para dizer a verdade - e a série criada pela guionista de "Shutter Island" ganhou o rótulo de "série que teria algum destaque no SyFy mas nunca na sala de troféus da Netflix". Pois bem, as notícias desta morte foram manifestamente exageradas: ao terceiro episódio, "Altered Carbon" explode e cada episódio até ao final transforma-se numa ode futurista, repleta de conceitos interessantes, visual competente e vida própria. O elenco não melhora por aí além - Dichen Lachman não convence e Hayley Law, com uma personagem de destaque no finale, é vergonhosamente terrível - mas suporta-se no meio de tantos momentos cativantes. Eu voltarei para a segunda - com ou sem Joel Kinnaman, mas sempre com Kovacs.

terça-feira, fevereiro 13, 2018

Nas Nalgas do Mandarim - S05E04

segunda-feira, fevereiro 12, 2018

The Ritual (2017)

"Do you really wanna go hiking? In fucking Sweden?". "The Ritual", recentemente chegado à Netflix - e, insolitamente, uns dias antes ao Sr. Joaquim - é uma maravilha enquanto se move nos terrenos de pânico de uma espécie de Blair Witch com adultos, tremendamente bem filmado, interpretado e envolto numa atmosfera tão certeira quanto desconcertante. A culpa enquanto catalisadora do medo e de uma corrosão não só individual como grupal das personagens, num cenário deslumbrante que facilita o encantamento de uma cinematografia insigne. Pena - e será certamente uma opinião meramente pessoal que não será partilhada pela maioria - a necessidade de, no último acto, dar corpo à bruxaria através da exploração de uma mitologia nórdica, criando um final anti-climático, quase relaxante, para uma narrativa que nos tinha, até então, assombrado. Destaque final para Rafe Spall, extraordinário actor britânico com um promissor futuro pela frente.

domingo, fevereiro 11, 2018

Molly's Game (2017)

Querida Jessica, basta um olhar para te amar. O teu cabelo ruivo, qual chama impiedosa que incinera todo o teu corpo num fogo denso, deixa-me sempre, qual haraquiri moderno, com vontade de saltar sobre a fogueira. Sem medo de me queimar, apenas aquecer nesses teus olhos que envergonhariam o verde mais esplendoroso do Jardim do Éden. Esse sorriso que fascina, esse atrevimento que alucina, esse talento que crepita, baixinho, até estremecer para lá das cinzas. As sardas. Meu Deus, as sardas. Que ardem com graça, fazendo-nos desejar o próprio inferno. Jessica, querida Jessica, nestas coisas sempre fui uma marioneta; mas, por ti, transformei-me em poeta. "Jogo de Alta-Roda"? Se a Jessica chegava, imaginem juntar o Aaron Sorkin à equação. Por falar nisso, já vos disse que tenho uma panca pela Chastain?

sábado, fevereiro 10, 2018

Nalgas Flash Review: Lauro Dérmio

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

John Mahoney (1940–2018)

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Mom and Dad (2017)

Ninguém nega que Brian Taylor, realizador do frenético "Crank", consegue imprimir um estilo peculiar em tudo o que mexe. O arranque fragmentado de "Mom and Dad" entre créditos e trivialidades do quotidiano familiar prova isso mesmo numa fase em que o espectador ainda nem colocou o telemóvel em silêncio. Segue-se um primeiro acto bem construído, misterioso q.b., sempre na dúvida entre a sanidade e a completa loucura de uma premissa anunciada, ou não tivesse sido revelada antecipadamente em todos os materiais promocionais. Ossos do ofício. Por falar em ossos, tudo o resto depois do levantar do véu é um slasher tradicional, provavelmente para alguns qual compêndio terapêutico, de como despachar desta para melhor crianças, mimadas ou não. Os próprios filhos, para ser mais específico. Irreverente por vezes, escusado noutras - a cena do parto é tão previsível quanto desnecessária -, ficam para a posteridade os rasgos de Selma Blair e Nicolas Cage, outrora figuras de relevo numa indústria que tanto os denegriu no passado recente.

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Dark Luna

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Dark (S1/2017)

Poucas séries conseguirão encaixar melhor no famoso slogan de Fernando Pessoa para a Coca-Cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se. E de que maneira, acrescentaria eu. "Dark", primeira série alemã produzida pela Netflix, constrói um maravilhoso enredo espácio-temporal em torno de um leque fenomenal de personagens que tenta, tal como o espectador, perceber todo um mistério em torno do inexplicável desaparecimento de crianças numa pequena vila conhecida pela sua central nuclear. Várias famílias, dezenas de personagens, caras e nomes complicados de decorar não estivéssemos nós pré-formatados para os tradicionais moldes norte-americanos. Por isso mesmo muitos partilharam nas redes sociais uma espécie de guia de personagens, um mapa para manter os neurónios interligados, algo que deixa de ser preciso quando tudo começa a fazer sentido perto do fim. Brilhante exercício mental, vasto elenco de luxo e a promessa de uma segunda temporada ao mesmo nível. Venha ela.

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Nas Nalgas do Mandarim - S05E03

domingo, fevereiro 04, 2018

Fe de etarras (2017)

Quatro peculiares terroristas bascos vivem juntos num apartamento com vizinhos também eles peculiares - da velhinha que ouve tudo do lado ao paranóico depressivo do andar debaixo. Decorre o Mundial de 2010 e a odiada selecção espanhola para estes bascos promete conquistar o título. Não há dúvidas: algo tem que ser feito para estragar a festa. Até lá, resta jogar Trivial Pursuit enquanto aguardam por ordens superiores e arranjar a banheira da vizinha jeitosa para juntar uns trocos. E, já agora, discutir como as suas alcunhas etarras soarão na televisão - Stallone ou Seagal, qual tem mais sainete. Uma comédia negra que funciona bem durante uma hora, perdendo-se perto do fim numa série de decisões fora do tom descontraído liderado por Javier Cámara até então. Para a história fica mais uma produção espanhola da Netflix que chega a todo o mundo; para quando a sucursal portuguesa segue o mesmo caminho?

sábado, fevereiro 03, 2018

Polónia, Polónia

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Bad Day for the Cut (2017)

Não existe vingança justa, escreveu Cervantes um dia. A estreia na realização do norte-irlandês Chris Baugh resulta num muito distinto thriller de combustão calma e serena em torno dessa mesma máxima. Um papelão do desconhecido Nigel O'Neill na pele de um camponês de meia-idade que vive com a mãe e, uma noite, presencia o seu assassinato, aparentemente sem qualquer razão ou sentido. Uma narrativa que arranca simples, sem outro motor que não a sede e a necessidade de uma vendetta, mas que aos poucos enrola-se em várias camadas emocionais que colocam todo aquele percurso em causa; não propriamente nos caminhos típicos do "não ganho nada de volta com isto", mas num refrescante "ups, será que quem despachou a minha velha não tinha razões para tal?". Seja como for, qual círculo infinito de vingança que leva a vingança que, por sua vez, lá levará a nova vingança, numa descoberta - mais uma, diga-se - deliciosa no fundo do baú da Netflix.

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Nalgas Flash Review: Saga Saw

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Murder on the Orient Express (2017)

O Hercule Poirot de Kenneth Branagh, actor, convence qb. Tem pinta, tem carácter próprio e, dentro dos moldes expectáveis criados ao longo de décadas por inúmeras adaptações da obra de Agatha Christie, consegue ainda assim surpreender, por mais exagerado, quase pateta, que seja aquele bigode. "Um Crime no Expresso do Oriente" de Kenneth Branagh, realizador, é uma desilusão a quase todos os níveis técnicos - dos planos escolhidos à sonoplastia envergonhada -, refugiando-se na força intemporal de uma narrativa que merecia melhor cuidado na tela do que um elenco de estrelas quase todo em piloto automático. Longe, muito longe da mestria de Sidney Lumet nos anos setenta quando, também ele, liderou os melhores - Albert Finney, Ingrid Bergman, Lauren Bacall, Sean Connery, entre outros - a uma série de nomeações aos Óscares e BAFTAs na sua versão requintada do mistério originalmente publicado em 1934.

terça-feira, janeiro 30, 2018

Nas Nalgas do Mandarim - S05E02

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Requiem for the American Dream (2015)

Noam Chomsky sempre foi um crítico social e um activista político de excelência, com uma história repleta de acontecimentos marcantes que o associaram eternamente ao socialismo libertário, não tivesse sido ele uma das principais figuras de oposição nos media a tópicos tão sensíveis quanto a Guerra do Vietname ou a resposta bélica dos EUA aos atentados das torres gémeas. Ressalva feita - não fosse eu um admirador confesso da vida de Chomsky -, a este documentário centrado nos seus pensamentos e explicações para como os sistemas políticos e económicos actuais levaram a um total desequilíbrio financeiro e a uma concentração desadequada de dinheiro e poder, falta sentido de espectáculo. Sim, eu percebo o quanto anti-natura tal pode parecer, mas o cérebro comum - como o meu - precisa de um pouco mais do que animações básicas para conseguir acompanhar o papel e o relevo de um sem-número de conceitos sócio-económicos referidos como fundamentais nas ideias deste anarquista. E, sem esse complemento artístico, por mais certa e importante que seja a mensagem de Chomsky, tudo fica lento e difícil de acompanhar. Qual palestra universitária sobre economia quando a praia está mesmo ali ao lado.

domingo, janeiro 28, 2018

Queen of Thrones

sábado, janeiro 27, 2018

The End of the F***ing World (S1/2017)

Belíssimo tom negro num formato raro em drama - episódios de vinte minutos, sem chouriços -, que funciona na perfeição numa plataforma como a Netflix, disponível também para um anti-binge-watching em qualquer pausa do dia-a-dia. Tudo simples e eficaz: um mini-Dexter sem um pai à altura do sargento Morgan e uma miúda sem papas na língua, farta de uma vida sem sal nem pimenta. Que se fxxx o mundo, toca a roubar o carro ao pai dele e partir à descoberta do pai dela - já que o padrasto é um idiota de primeira. O resto constrói-se em torno da menos convencional história de amor adolescente que a televisão já viu, sempre na batida de uma banda-sonora deliciosa e de duas interpretações no ponto de uns muito exóticos virgens homicidas.

sexta-feira, janeiro 26, 2018

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Coffee with Kramer

Num conceito televisivo repleto de humor e diversão, o episódio de "Comedians in Cars Getting Coffee" com Michael Richards, exibido pela primeira vez em 2012, funciona na perfeição enquanto saudoso reencontro de duas personagens míticas - Seinfeld e Kramer - na vida real, mas também como um triste fado à vida e como esta, juntamente com uma carreira genial na comédia, pode desaparecer numa questão de minutos, numa explosão de raiva de um artista que não queria ser interrompido. Como, tantos anos depois, uma mão-cheia de palavrões racistas ditaram o fim de alguém que vivia feliz e, agora, apenas sobrevive como pode.

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Kramer before Kramer

terça-feira, janeiro 23, 2018

47 Meters Down (2017)

Mais um. Mais do mesmo. Tubarões brancos, isolamento inesperado e um cocktail de clichés misturados na mesma garrafa de oxigénio com um sem número de inconsistências com a realidade. Nada de inesperado, portanto, a não ser o facto de venderem precocemente o twist narrativo com uma explicação prévia para totós dos efeitos da narcose por azoto. Ora raios partam, não podia ter ficado para depois? Pior ainda, o realizador britânico de terror série B Johannes Roberts devia ter os testículos tão encolhidos pela pressão de quarenta e sete metros de profundidade - ou, neste caso, de Hollywood -, que nem coragem arranjou para terminar a coisa de forma crua e dura. E, como se não bastasse, a Mandy Moore também não está a envelhecer bem. Mas porque é que eu fui ver isto?