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terça-feira, junho 24, 2025

Rewind (2013)

É um episódio piloto terrível, capaz de envergonhar - de vergonha mesmo, pura e crua - um qualquer "Quantum Leap" ou "Sliders" desta vida, mesmo com décadas de avanços gráficos e tecnológicos à disposição. Mas tinha que ser visto para eu conseguir acreditar que era mesmo verdade que conseguiram meter o David Cronenberg a fazer de cientista maluco com um Nobel da Física que rebenta uma ogiva nuclear em Manhattan só para convencer o governo a construir a "sua" máquina do tempo. Com direito a sala de interrogação e tudo. E esta, hein?

quinta-feira, novembro 16, 2023

The Last Stand (2013)

Era de esperar que o realizador sul-coreano do maravilhoso "I Saw the Devil" tivesse aproveitado a sua primeira oportunidade em Hollywood e o regresso após uma década de ausência das telas do avô Arnaldo para fazer algo mais ou menos memorável. Muito longe disso. O elenco tem nomes de peso, mas são quase sempre os secundários a levar a credibilidade às costas. Ideias e conceitos de acção que no papel seriam formidáveis - perseguições automóveis em campos de milho, etc. -, mas que na prática roçam o ridículo com o seu aspecto altamente plastificado. Filmado nos anos oitenta teria tido o seu charme, agora deu mais ares de Cinha Jardim fora de prazo. Desperdício de Genesis, Noriega patético e one-liners que não colaram. John Matrix, onde estás tu?

sábado, setembro 30, 2023

Curse of Chucky (2013)

"Twenty five years. Since then a lot of families have come and gone; the Barclays, the Kincaids, the Tillys. But you know Nica, your family was always my favorite. And now, you're the last one standing... So to speak!". Nasty black laugh I had here, I confess. It was an interesting new life for an old franchise, accepted and welcomed by a vast majority of Chucky admirers, but having seen now both Curse and Cult directed by none other than creator Don Mancini himself, I'll still stick for the previous five as much better and funnier movies than these last two. They were campy, they were rude, they were proudly rough... and they tried to have some logical character reactions - Katherine Heigl in "Bride of Chucky", for example. This one, storywise, is just a little bit too much idiot. Hidden cameras, everything recorded but... none of that matters to the police and to the judge? Alrightyyyy then!

quinta-feira, maio 12, 2022

Knights of Badassdom (2013)

O anão da "Guerra dos Tronos", um dos nerds com mais piada da "Community", a Summer Glau da "Firefly" e o Joe Lynch na realização, nome que entretanto foi ganhando algum estatuto no meio. Tinha tudo para não ser uma catástrofe a mais recente escolha do Miguel para o Nalgas Film Club. Mas não. Preferia comer os tomates do Peter Dinklage com leite condensado como a ex-satânica que andou a despachar palermas do "Dungeons & Dragons" aqui do que voltar a ver um filme que acha que é suficiente meter as personagens a misturar calão com latim para ter piada. Zero gargalhadas, zero lógica, zero coração. Lynch diz que a culpa foi do estúdio, que lhe cortou vinte minutos de fita. Não sei que estúdio foi, mas obrigado. Sabem o que é que acontece quando alguém atira o Dinklage ao mar? Microondas. Dinklage que acha que as mulheres cheiram todas mal do cabelo. A essa altura não é cabelo, amigo. Porra, desculpem, foi para animar a coisa depois deste desastre.

segunda-feira, junho 21, 2021

The East (2013)

Socorro, acho que estou apaixonado pela Brit Marling e não percebo porquê. Novamente em parceria com Zal Batmanglij ("Sound of My Voice"), "The East" é menos "espiritual" que o seu predecessor, ainda que caminhe também por becos sombrios de crença e dinâmicas de cultos, desta vez ligados a uma esfera eco-terrorista. Perspectivas que mudam, comportamentos criminosos que afinal são apenas uma resposta "justa" à inacção da sociedade e das entidades competentes, há aqui toda uma camada de crítica social construída de forma competente e credível durante pouco mais de uma hora. A execução dos planos acaba por esvaziar a tensão criada em espaço fechado nos seus planeamentos, mas o pacote anarquista completo não só convence como nos deixa de beiços pela simplicidade aparente - é talento, não se deixem enganar - de Marling.

quinta-feira, junho 17, 2021

Filth (2013)

James McAvoy, actor do camandro, verdadeiro mete-nojo como diria o Rei do Kuduro. Talento, carisma, uma interpretação over the top numa personagem completamente desequilibrada que acaba por, na sua bipolaridade, providenciar os trunfos e as fraquezas de uma narrativa que brilha na arrogância entre colegas (comédia negra) mas perde força nos frágeis caminhos - alucinações - relacionados com a família (drama). Vilão ou anti-herói, pouco interessa: é a espiral tão ousada quanto insana que o leva à desgraça o foco que absorve a quarta parede, Jamie Bell, Imogen Poots, Eddie Marsan, sexo, drogas, fotocópias e tudo o resto que por lá anda.

quinta-feira, maio 27, 2021

Blue Ruin (2013)

A estreia impressionante de Jeremy Saulnier como realizador, guionista e cinematógrafo nos grandes palcos. Promessa que entretanto se tornou certeza, num noir moderno que faz quase tudo bem, sem pressas nem exaltações, com muitos cinzentos - de tons azulados - num género - revenge movies - que normalmente prefere o preto e o branco moral de uma boa vingança. Como que um círculo vicioso de violência de quem não a quer mas que não resiste a procurá-la, do homem bom que pensa que perdeu tudo e por isso mesmo nada mais tem a perder, da necessidade de justiça que causa exactamente o mesmo tipo de injustiça naqueles que assistem de fora à punição dos pecados de um ente querido. Interpretação irrepreensível de Macon Blair, nos graves (com barba) e nos agudos (penteadinho), em casa da irmã ou na sua ruína azul, o Pontiac onde os seus pais foram assassinados.

sexta-feira, novembro 20, 2020

The Immigrant (2013)

Realização direitinha e bem-feitinha, tudo visualmente muito bonitinho e realista, ritmo em caldo morninho, narrativa quase sempre previsivelzinha e tristezinha, tudo tão certinho que até enerva. Não há rasgos, não há grande chama para além da irrepreensível Cotillard, um melodrama aborrecido de época sem a ferocidade e a intensidade de outros trabalhos de James Gray. Phoenix, demasiado esforçado, não convence, o Gavião Arqueiro com eyeliner não ajuda e, por mais impiedoso que seja o trajecto das personagens, nunca há qualquer tipo de momentum que nos cative ou motive para sofrer por elas. Final feliz, ainda por cima. Comprei lenços para nada.

sexta-feira, janeiro 31, 2020

Video World (2013)

Documentário de quinze minutos que segue os últimos quarenta e cinco dias de "vida" de um clube de vídeo independente numa terriola nos arredores de Nova Iorque. Quase trinta anos depois, o dono rende-se ao inevitável e decide fechar portas: ficam as infinitas histórias em torno de tantos filmes, primeiro em VHS, depois em DVD e Blu-ray, os clientes que nunca o deixaram de ser, os que ainda acham que o negócio vai à vida devido à concorrência ou às televisões passarem muitos filmes, enfim, todos os infoexcluídos que por essa mesma razão continuavam a fazer do videoclube a sua segunda casa. Uma curta, rápida e doce carta de amor a uma época e a um estilo de vida que marcou gerações, que ironicamente todos nós só conseguimos descobrir graças às mesmas tecnologias que acabaram com ela. Que saudades daquele cheiro, daquelas capas que valiam tanto como os filmes.

segunda-feira, novembro 11, 2019

Prince Avalanche (2013)

Dramédia simpática, repleta de charme mas despejada de ideias, em torno da relação de dois cunhados que trabalham juntos na marcação de linhas numa estrada remota do interior dos Estados Unidos. Escrita, realizada e produzida por David Gordon Green - "Pineapple Express" e "Your Highness" -, fica para memória futura a interpretação de Paul Rudd, que vagarosamente carrega a narrativa às costas, entre a simbologia relacionada com a destruição causada pelos fogos e o absurdo existencialista em torno da relação entre Rudd e Hirsch. Melancolia, para que te quero eu.

quarta-feira, novembro 28, 2018

Derren Brown: The Great Art Robbery (2013)

Acabadinho de chegar à Netflix nacional, este especial de uma hora começa com uma aposta de uma libra entre o mentalista Derren Brown e um conceituado coleccionador de arte: diz Brown que lhe consegue roubar, indicando-lhe a hora exacta, o local e o autor do feito, uma das suas mais valiosas obras de arte, em exposição numa galeria protegida por segurança privada. Aposta feita, arranca uma espécie de "Brown's Four", onde o ilusionista, qual Ocean, reúne um grupo de quatro idosos reformados e treina-os, durante um mês, para conseguir o impossível. E consegue. Expectativas, distracções, ilusões e estereótipos; Brown sabe como funciona a mente humana e isso é meio caminho para o sucesso. Não tão interessante como o recente "The Push", mas igualmente cativante.

quinta-feira, março 01, 2018

Locke (2013)

Um actor formidável, um carro e um telemóvel em alta voz. Que lição de como a simplicidade, por mais trabalho que dê, chega para fazer um belíssimo filme, repleto de coração e ritmo - por mais contida que estivesse a narrativa a nível físico. Tom Hardy num papelão de dificuldade extrema, pois toda a eficácia em torno do impacto de "Locke" recaía na sua face, na sua voz, nos seus olhos. Cinema minimalista, filmado em oito noites com um orçamento de tostões e três câmaras no total. Como que uma peça de teatro diluída de forma brilhante na grande tela.

sábado, janeiro 21, 2017

Take Me To Pitcairn (2013)

Um vendedor londrino de papagaios de fio decide viajar para aquele que muitos consideram ser o local mais remoto do planeta, um arquipélago habitado por menos de cinquenta pessoas, visitado anualmente por menos turistas do aqueles que vão ao Polo Sul. Tratam-se das Ilhas Pitcairn, território sobre a alçada britânica, no meio do Oceano Pacífico, longe de tudo e todos, acessível apenas por mar. Julian McDonnell, o tal vendedor de papagaios, é também ele o realizador deste documentário amador premiado numa série de festivais independentes, muito por mérito da forma divertida e histórica - a origem dos seus habitantes provém de uma famosa revolta a bordo de um galeão inglês que já serviu de base para filmes com Marlon Brando, Mel Gibson ou Anthony Hopkins - como McDonnell constrói e apresenta a viagem impossível. Sem orçamento, sem equipa de filmagem, sem certezas, "Take Me To Pitcairn" apenas peca por não conseguir manter o ritmo e a dinâmica divertida após finalmente chegar às Pitcairn, mostrando muito pouco do que é a vida numa ilha onde só há electricidade durante a noite, para poupar o gerador a diesel que por lá anda. E sabem como sei eu disto? Wikipedia. Porque o documentário perdeu toda a sua objectividade quando pôs os pés em terra firme.

segunda-feira, outubro 10, 2016

The Purge Trilogy (2013/2014/2016)

Uma trilogia em constante crescendo com um conceito fenomenal - uma noite por ano sem leis nem consequências para quaisquer actividades criminosas que sejam cometidas. O primeiro, mais intimista, sobrevive da ideia original e criativa, corta os pulsos no trailer (que quase tudo mostra) e termina em harakiri com as interpretações medonhas de uma dupla que tinha obrigação de muito mais: Ethan Hawke e Lena Headey, esta última incapaz de disfarçar o olhar para o vazio, fosse qual fosse a intensidade dramática da cena. No entanto, aquele som da purga aliado ao potencial da doutrina tornou irresistível voltar à saga de James DeMonaco (guionista do fenomenal "The Negotiator"); e tanto "Anarchy" como "Election Year" saem literalmente da toca, exploram inúmeras possibilidades da anarquia de controlo social instalada pelo governo e trazem ao universo do protagonismo o tantas vezes secundário Frank Grillo. Epah, e o "Bubba" do "Forest Gump", que mimo. Venha a já anunciada série televisiva, que lenha para queimar não falta.

sábado, setembro 03, 2016

Pacific Rim (2013)

O melhor elogio que pode ser feito a "Pacific Rim", blockbuster de verão realizado e escrito pelo visionário Guillermo del Toro ("El Laberinto del Fauno" e "Hellboy") é que entretém de forma competente - tanto a nível visual como narrativo - e divertida o espectador, qual combate de Wrestling digno de uma epopeia apocalíptica. O elenco, é verdade, não brilha - bem, Idris Elba faz de Idris Elba e Rinko Kikuchi é um doce, mas tudo o resto roça a banalidade das caras bonitas com pouca ou nenhuma profundidade - e não há em "Batalha do Pacífico" nada que já não tenha sido feito no passado; mas isso não o invalida como uma alternativa muito mais apimentada que Transformers, Battleships e afins.

quinta-feira, março 31, 2016

The Double (2013)

Um (dois?) papelaço(s) de Jesse Eisenberg, um universo distópico singular, uma cinematografia tremendamente interessante na sua escuridão, uma abordagem filosófica ao conceito complexo da identidade, uma visão sociopática e patológica da sociedade e do existencialismo humano mas, feitas as contas, uma tremida exploração e adaptação ao cinema de uma das primeiras obras do russo Fyodor Dostoevsky. Fica para a história um ensaio arriscado do londrino Richard Ayoade ("Submarine"), que triunfa a nível estético mas que a todos os restantes níveis, salvo raros momentos e rasgos, parece pecar sempre por defeito, pela mera sugestão e nunca a sua finalização. O ser real e o ser desejado numa atmosfera idioscópica, sob um trabalho técnico irrepreensível - Ayoade não teme nem evita a presença conjunta de Einsenberg ao quadrado na tela - que apenas serve para disfarçar tudo o resto; porque o que o sobra em psicanálise, falta-lhe em cinema.

quinta-feira, novembro 19, 2015

The Green Inferno (2013)

Em "Inferno Canibal" Eli Roth dá vários passos atrás na sua carreira: perde a capacidade de criar suspense, torna demasiado adolescente o estilo gore comercial que o celebrizou e cai no triste fado de ter que encher a narrativa com banalidades tais como caganeiras inesperadas numa jaula. "The Green Inferno" não sabe bem o que ser, a quem se destinar e, pior que tudo, tenta agradar a gregos (os que enjoam com cenas demasiado larvais) e troianos (os que enchem a barriga com qualquer série Z de terror). Para ver em fastforward, comer umas pipocas, enfiar de seguida o balde na cabeça e abandonar logo de início qualquer esperança de uma cena demasiado gráfica ou chocante. Ruggero Deodato deve estar envergonhado ("The Green Inferno" era o título inicial do seu "Holocausto Canibal", sendo esta a suposta homenagem de Roth ao mestre italiano).

segunda-feira, setembro 14, 2015

Viva la libertà (2013)

"Viva a Liberdade" é uma espécie de "Dave: Presidente por um Dia", versão filosófica e poética, construída num humor muito mais subtil do que aquele que Ivan Reitman utilizou em meados dos anos noventa com Kevin Kline na Casa Branca. Aqui, em bom italiano, é o tremendo Toni Servillo que, a dobrar, faz as delícias de qualquer cinéfilo, resguardando com categoria muitas das lacunas de um guião com uma excelente ideia base mas que, vai-se lá saber porquê, parece ter sido trabalhado apenas para cumprir os serviços mínimos, sem grandes rasgos de criatividade narrativa ou sagacidade nos seus recados políticos e geracionais. Ainda assim, uma proposta charmosa em tempo de eleições.

domingo, abril 19, 2015

Milius (2013)

"I love the smell of napalm in the morning", "go ahead, make my day" ou "you've gotta ask yourself one question: do I feel lucky? Well, do ya, punk?" são apenas algumas das frases míticas que John Milius ofereceu ao mundo, tornando-o no final dos anos setenta e início dos anos oitenta o guionista mais bem pago e procurado de Hollywood. Considerado por muitos um neo-fascista amante de armas, exemplo transviado do que era culturalmente incorrecto, Milius não era um profissional de trato fácil e, por consequência, pouco manipulável: levava armas para as reuniões com os produtores e recusava adornar as suas personagens duras e viris, os seus motivos baseados no medo e não no romance. Amigo e colega de faculdade de nomes como Spielberg, George Lucas ou Coppola, Milius chegou a uma fase da sua vida em que decidiu que não queria apenas escrever filmes, queria realizá-los. Foi o princípio do fim da sua carreira, com títulos como o selvagem "Conan the Barbarian" e, principalmente, o anti-comunista "Red Dawn" a bloquearem-no diversas portas numa Hollywood liberal, claramente virada à esquerda. O "anarquista zen" - assim o definiu Scorsese - que adaptou ao cinema o livro inadaptável ("Heart of Darkness") e escreveu dez páginas do guião de "Jaws" ao telefone com Spielberg, acabou na miséria depois de ter confiado a sua fortuna a um amigo contabilista e, quando preparava um regresso em grande com um filme sobre o imperador mongol Gengis Khan, a vida pregou-lhe uma partida. Uma que a dupla de realizadores Figueroa/Knutson usa como um twist final terrivelmente enternecedor, que nos apanha desprevenidos e faz-nos pensar como não demos conta dessa reviravolta mais cedo. Em suma, um belíssimo documentário sobre uma figura ímpar do cinema.

quinta-feira, abril 16, 2015

Now You See Me (2013)

Como que um gin, na moda e de consumo agradável mas que, ainda assim, desafia o óbvio, cujos aromas foram intensificados com a colocação de uma fatia de "The Usual Suspects", duas sementes de "The Prestige" e salpicos no rebordo do copo de "Ocean's Eleven", "Mestres da Ilusão" começa e acaba de forma muito interessante mas, por incompetência técnica de Leterrier ou demasiada avidez narrativa dos seus guionistas, revela-se lá pelo meio uma confusão tremenda de reviravoltas e truques comuns de CGI, que com pele de cordeiro às costas tentam passar por algo magicamente fascinante e possível. Muitas estrelas em modo automático, muitos diálogos presunçosos, muita artimanha num filme mais preocupado em parecer cool do que em realmente sê-lo. Diverte, mas não convence.