Mostrar mensagens com a etiqueta Filmes de 2013. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Filmes de 2013. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, novembro 28, 2018

Derren Brown: The Great Art Robbery (2013)

Acabadinho de chegar à Netflix nacional, este especial de uma hora começa com uma aposta de uma libra entre o mentalista Derren Brown e um conceituado coleccionador de arte: diz Brown que lhe consegue roubar, indicando-lhe a hora exacta, o local e o autor do feito, uma das suas mais valiosas obras de arte, em exposição numa galeria protegida por segurança privada. Aposta feita, arranca uma espécie de "Brown's Four", onde o ilusionista, qual Ocean, reúne um grupo de quatro idosos reformados e treina-os, durante um mês, para conseguir o impossível. E consegue. Expectativas, distracções, ilusões e estereótipos; Brown sabe como funciona a mente humana e isso é meio caminho para o sucesso. Não tão interessante como o recente "The Push", mas igualmente cativante.

quinta-feira, março 01, 2018

Locke (2013)

Um actor formidável, um carro e um telemóvel em alta voz. Que lição de como a simplicidade, por mais trabalho que dê, chega para fazer um belíssimo filme, repleto de coração e ritmo - por mais contida que estivesse a narrativa a nível físico. Tom Hardy num papelão de dificuldade extrema, pois toda a eficácia em torno do impacto de "Locke" recaía na sua face, na sua voz, nos seus olhos. Cinema minimalista, filmado em oito noites com um orçamento de tostões e três câmaras no total. Como que uma peça de teatro diluída de forma brilhante na grande tela.

sábado, janeiro 21, 2017

Take Me To Pitcairn (2013)

Um vendedor londrino de papagaios de fio decide viajar para aquele que muitos consideram ser o local mais remoto do planeta, um arquipélago habitado por menos de cinquenta pessoas, visitado anualmente por menos turistas do aqueles que vão ao Polo Sul. Tratam-se das Ilhas Pitcairn, território sobre a alçada britânica, no meio do Oceano Pacífico, longe de tudo e todos, acessível apenas por mar. Julian McDonnell, o tal vendedor de papagaios, é também ele o realizador deste documentário amador premiado numa série de festivais independentes, muito por mérito da forma divertida e histórica - a origem dos seus habitantes provém de uma famosa revolta a bordo de um galeão inglês que já serviu de base para filmes com Marlon Brando, Mel Gibson ou Anthony Hopkins - como McDonnell constrói e apresenta a viagem impossível. Sem orçamento, sem equipa de filmagem, sem certezas, "Take Me To Pitcairn" apenas peca por não conseguir manter o ritmo e a dinâmica divertida após finalmente chegar às Pitcairn, mostrando muito pouco do que é a vida numa ilha onde só há electricidade durante a noite, para poupar o gerador a diesel que por lá anda. E sabem como sei eu disto? Wikipedia. Porque o documentário perdeu toda a sua objectividade quando pôs os pés em terra firme.

segunda-feira, outubro 10, 2016

The Purge Trilogy (2013/2014/2016)

Uma trilogia em constante crescendo com um conceito fenomenal - uma noite por ano sem leis nem consequências para quaisquer actividades criminosas que sejam cometidas. O primeiro, mais intimista, sobrevive da ideia original e criativa, corta os pulsos no trailer (que quase tudo mostra) e termina em harakiri com as interpretações medonhas de uma dupla que tinha obrigação de muito mais: Ethan Hawke e Lena Headey, esta última incapaz de disfarçar o olhar para o vazio, fosse qual fosse a intensidade dramática da cena. No entanto, aquele som da purga aliado ao potencial da doutrina tornou irresistível voltar à saga de James DeMonaco (guionista do fenomenal "The Negotiator"); e tanto "Anarchy" como "Election Year" saem literalmente da toca, exploram inúmeras possibilidades da anarquia de controlo social instalada pelo governo e trazem ao universo do protagonismo o tantas vezes secundário Frank Grillo. Epah, e o "Bubba" do "Forest Gump", que mimo. Venha a já anunciada série televisiva, que lenha para queimar não falta.

sábado, setembro 03, 2016

Pacific Rim (2013)

O melhor elogio que pode ser feito a "Pacific Rim", blockbuster de verão realizado e escrito pelo visionário Guillermo del Toro ("El Laberinto del Fauno" e "Hellboy") é que entretém de forma competente - tanto a nível visual como narrativo - e divertida o espectador, qual combate de Wrestling digno de uma epopeia apocalíptica. O elenco, é verdade, não brilha - bem, Idris Elba faz de Idris Elba e Rinko Kikuchi é um doce, mas tudo o resto roça a banalidade das caras bonitas com pouca ou nenhuma profundidade - e não há em "Batalha do Pacífico" nada que já não tenha sido feito no passado; mas isso não o invalida como uma alternativa muito mais apimentada que Transformers, Battleships e afins.

quinta-feira, março 31, 2016

The Double (2013)

Um (dois?) papelaço(s) de Jesse Eisenberg, um universo distópico singular, uma cinematografia tremendamente interessante na sua escuridão, uma abordagem filosófica ao conceito complexo da identidade, uma visão sociopática e patológica da sociedade e do existencialismo humano mas, feitas as contas, uma tremida exploração e adaptação ao cinema de uma das primeiras obras do russo Fyodor Dostoevsky. Fica para a história um ensaio arriscado do londrino Richard Ayoade ("Submarine"), que triunfa a nível estético mas que a todos os restantes níveis, salvo raros momentos e rasgos, parece pecar sempre por defeito, pela mera sugestão e nunca a sua finalização. O ser real e o ser desejado numa atmosfera idioscópica, sob um trabalho técnico irrepreensível - Ayoade não teme nem evita a presença conjunta de Einsenberg ao quadrado na tela - que apenas serve para disfarçar tudo o resto; porque o que o sobra em psicanálise, falta-lhe em cinema.

quinta-feira, novembro 19, 2015

The Green Inferno (2013)

Em "Inferno Canibal" Eli Roth dá vários passos atrás na sua carreira: perde a capacidade de criar suspense, torna demasiado adolescente o estilo gore comercial que o celebrizou e cai no triste fado de ter que encher a narrativa com banalidades tais como caganeiras inesperadas numa jaula. "The Green Inferno" não sabe bem o que ser, a quem se destinar e, pior que tudo, tenta agradar a gregos (os que enjoam com cenas demasiado larvais) e troianos (os que enchem a barriga com qualquer série Z de terror). Para ver em fastforward, comer umas pipocas, enfiar de seguida o balde na cabeça e abandonar logo de início qualquer esperança de uma cena demasiado gráfica ou chocante. Ruggero Deodato deve estar envergonhado ("The Green Inferno" era o título inicial do seu "Holocausto Canibal", sendo esta a suposta homenagem de Roth ao mestre italiano).

segunda-feira, setembro 14, 2015

Viva la libertà (2013)

"Viva a Liberdade" é uma espécie de "Dave: Presidente por um Dia", versão filosófica e poética, construída num humor muito mais subtil do que aquele que Ivan Reitman utilizou em meados dos anos noventa com Kevin Kline na Casa Branca. Aqui, em bom italiano, é o tremendo Toni Servillo que, a dobrar, faz as delícias de qualquer cinéfilo, resguardando com categoria muitas das lacunas de um guião com uma excelente ideia base mas que, vai-se lá saber porquê, parece ter sido trabalhado apenas para cumprir os serviços mínimos, sem grandes rasgos de criatividade narrativa ou sagacidade nos seus recados políticos e geracionais. Ainda assim, uma proposta charmosa em tempo de eleições.

domingo, abril 19, 2015

Milius (2013)

"I love the smell of napalm in the morning", "go ahead, make my day" ou "you've gotta ask yourself one question: do I feel lucky? Well, do ya, punk?" são apenas algumas das frases míticas que John Milius ofereceu ao mundo, tornando-o no final dos anos setenta e início dos anos oitenta o guionista mais bem pago e procurado de Hollywood. Considerado por muitos um neo-fascista amante de armas, exemplo transviado do que era culturalmente incorrecto, Milius não era um profissional de trato fácil e, por consequência, pouco manipulável: levava armas para as reuniões com os produtores e recusava adornar as suas personagens duras e viris, os seus motivos baseados no medo e não no romance. Amigo e colega de faculdade de nomes como Spielberg, George Lucas ou Coppola, Milius chegou a uma fase da sua vida em que decidiu que não queria apenas escrever filmes, queria realizá-los. Foi o princípio do fim da sua carreira, com títulos como o selvagem "Conan the Barbarian" e, principalmente, o anti-comunista "Red Dawn" a bloquearem-no diversas portas numa Hollywood liberal, claramente virada à esquerda. O "anarquista zen" - assim o definiu Scorsese - que adaptou ao cinema o livro inadaptável ("Heart of Darkness") e escreveu dez páginas do guião de "Jaws" ao telefone com Spielberg, acabou na miséria depois de ter confiado a sua fortuna a um amigo contabilista e, quando preparava um regresso em grande com um filme sobre o imperador mongol Gengis Khan, a vida pregou-lhe uma partida. Uma que a dupla de realizadores Figueroa/Knutson usa como um twist final terrivelmente enternecedor, que nos apanha desprevenidos e faz-nos pensar como não demos conta dessa reviravolta mais cedo. Em suma, um belíssimo documentário sobre uma figura ímpar do cinema.

quinta-feira, abril 16, 2015

Now You See Me (2013)

Como que um gin, na moda e de consumo agradável mas que, ainda assim, desafia o óbvio, cujos aromas foram intensificados com a colocação de uma fatia de "The Usual Suspects", duas sementes de "The Prestige" e salpicos no rebordo do copo de "Ocean's Eleven", "Mestres da Ilusão" começa e acaba de forma muito interessante mas, por incompetência técnica de Leterrier ou demasiada avidez narrativa dos seus guionistas, revela-se lá pelo meio uma confusão tremenda de reviravoltas e truques comuns de CGI, que com pele de cordeiro às costas tentam passar por algo magicamente fascinante e possível. Muitas estrelas em modo automático, muitos diálogos presunçosos, muita artimanha num filme mais preocupado em parecer cool do que em realmente sê-lo. Diverte, mas não convence.

domingo, fevereiro 01, 2015

The World's End (2013)

Conclusão da original e divertida trilogia do Cornetto ("Shaun of the Dead" e "Hot Fuzz"), "The World's End" está para a ficção científica apocalíptica como os seus predecessores estavam para o género zombie e policial: uma mistura de elementos comuns a cada esfera, num cocktail de humor muito british que não descuida a lógica da narrativa, por mais improvável que seja a sua essência. Entre a atmosfera tradicional e nostálgica de um grupo de amigos num rally das tascas à antiga e uma série de eventos futuristas e sobrenaturais bem executados, o filme de Edgar Wright triunfa pela química entre os seus intérpretes e pela forma extravagante como decide quebrar obstáculos e tendências comuns à comédia mainstream. Que venha agora uma trilogia britânica do Magnum que a malta está farta de comer gelados norte-americanos com a testa.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Jobs (2013)

"Jobs", realizado pelo inexperiente Joshua Michael Stern ("Swing Vote"), revela-se um filme autobiográfico absolutamente vulgar, expressão nunca permitida durante a vida pessoal e profissional do homem que o inspirou. Factos atrás de factos, pouca ou nenhuma tentativa de exploração psicológica às motivações, razões, pesadelos e sonhos de um visionário único cujos restícios de humanidade estavam presentes na sua insanidade enquanto perfeccionista que tentava aliar o melhor de vários mundos num único objecto. Mais do que a história de vida de Steve Jobs, Stern foca-se na trajectória da Apple e, nesse capítulo, orquestra uma obra absolutamente superficial quando comparada, por exemplo, a "The Social Network", verdadeiro portento de David Fincher sobre o trajecto da rede social que viria a revolucionar as sociedades modernas. Já Ashton Kutcher acaba por ser uma cara demasiado mainstream para que o espectador se consiga abstrair do seu esforço de transformação (os maneirimos, as expressões, a postura corporal). Em suma, "Jobs" podia ter ser sido um iPhone de 128GB mas acabou como um iPod Shuffle de 2GB.

terça-feira, janeiro 27, 2015

Captain Phillips (2013)

2009, algumas centenas de milhas ao largo da Costa da Somália. O Maersk Alabama, um porta-contentores norte-americano, é atacado por piratas somalis. Para salvar a sua tripulação - depois de ter feito asneira e fugido à rota planeada pelas operações da sua companhia -, o capitão Richard Phillips (Hanks) aceita ser feito refém pelo gangue de Muse (o estreante Barkhad Abdi) e resta-lhe agora esperar que apareça ajuda militar norte-americana que o tire das mãos de homens sem nada a perder. Realizado pelo ultra-realista Paul Greengrass, o grande debate que surgiu em torno de "Capitão Phillips" foi exactamente a dúvida em torno da veracidade de todo o heroísmo narrado no livro que deu origem a esta adaptação, aparecendo vários tripulantes sobreviventes a afirmar que Phillips teria sido muito mais o vilão do que o herói de toda esta operação. À parte da possível farsa montada em torno do verdadeiro Phillips, não deixa de ser verdade que Greengrass constrói uma espectacular sensação de suspense, estimulada por uma atenção minuciosa à forma como a manobra militar decorre, ao desenvolvimento identitário sustentado dos vilões somalis (o sonho americano vs o sonho somali) e, claro, a duas interpretações assombrosas de Hanks e Abdi, este último justamente nomeado aos Óscares. Um duelo diferente e emocionalmente complexo entre dois capitães de universos diferentes.

sábado, janeiro 17, 2015

Homecoming (2013)

HOMECOMING from VADIM AYNBINDER on Vimeo.

O mais recente trabalho de Filipe Ferraz Coutinho (FFC) revela um amadurecimento notável, tanto a nível técnico como emocional, de um jovem português em Hollywood cujo horizonte adivinha-se risonho. Tão belo quanto trágico, FFC consegue em quinze minutos conferir múltiplas dimensões às suas personagens, oferecendo ao espectador uma história humanamente tão veemente como subtil, tão simples na forma como se desenrola quanto complexa na teia de circunstâncias que levaram ao conflito numa situação já de si terrível e assustadora. Tecnicamente, um trio de interpretações irrepreensíveis e uma cinematografia brilhante - a simetria central das imagens, as transições suaves, o plano com duas personagens em profundidades distintas e foco contínuo - conferem a "Homecoming" uma identidade sólida e distinta. Well done Filipe.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

The Counselor (2013)

É impressionante como um filme que contém um par de cenas memoráveis, um elenco soberbo e três ou quatro personagens opulentas consegue ser, no seu todo, um vazio profundo sem qualquer sentido, um drama sufocado pela sua atmosfera exótica, um conjunto inócuo de metáforas sobre a humanidade e a sua falta de escrúpulos. Concupiscente ao limite, Ridley Scott arrasa a narrativa de Cormac McCarthy, reduzindo quase todos os elementos-chave de trama a panfletos estilísticos frívolos. Mulheres como objectos sexuais e minorias como entulho social contribuem para a decapitação de um realizador histórico, que ao contrário do vinho do Porto parece deteriorar-se com o passar do tempo.

domingo, novembro 09, 2014

The Challenger (2013)

Os primeiros minutos de "The Challenger" são desarmantes: quem esperava que o famoso desastre da nave espacial Challenger em Janeiro de 1986 fosse o culminar de uma história sobre astronautas e heróis com um futuro hipotecado, rapidamente perceberá que a catástrofe nada mais é do que o ponto de partida para uma produção televisiva da BCC tão emocional quanto instrutiva. Baseada nas investigações da Comissão Presidencial sobre as causas do acidente, a narrativa foca-se na perspectiva do único "independente" do grupo, um homem sem interesses governamentais, militares ou empresariais que pudessem condicionar ou adulterar a evolução natural do processo. É ele o nobel Richard Feynman, físico brilhante - um dos que trabalhou no Projecto Manhattan - sem papas na língua e cuja integridade se manteve intocável durante todo o inquérito. Num papelão irrepreensível de William Hurt - desde "The Village" que não o via tão destacado -, descobrimos a forma como Feynman resolveu o mistério e revelou, inesperadamente e em directo na televisão, que a NASA poderia ter evitado o desfecho dramático daquela missão espacial caso não tivesse arriscado jogar com uma variável - a da temperatura ambiente na altura do lançamento - cujos resultados eram desconhecidos. "The Challenger" não é apenas uma boa história, é uma boa história bem contada. Porque a linha que separa o homem e a máquina é ténue e frágil e é bom ser relembrado disso de vez em quando.

quinta-feira, novembro 06, 2014

Hours (2013)

"Horas" enfrenta sem sucesso dois grandes problemas: o primeiro, o facto de não se basear numa história verídica, o que retira automaticamente parte do impacto da sua narrativa numa audiência desesperada por descobrir heróis de carne e osso de uma catástrofe recente (2005) que transformou parte dos Estados Unidos da América; o segundo, a incapacidade do recém-falecido Paul Walker de conquistar a tela e a empatia do público num filme que vive da sua interpretação e para a sua interpretação. Juntemos a isto uma direcção artística absolutamente banal e buracos no guião do tamanho do olho do Furacão Katrina e o resultado final não podia ser outro que não uma fita tão desnecessária quanto desinteressante.

quarta-feira, novembro 05, 2014

Prisoners (2013)

Perdido algures entre o ambiente sórdido de "Mystic River" e a fluidez narrativa de "Gone Baby Gone", "Raptadas" explora a mesma fórmula dos supracitados sem que essa redundância narrativa o prejudique minimamente na construção de uma trama tão envolvente e sufocante, quanto misteriosa e sensível. Com um elenco de luxo - Jackman longe da acção e perto do coração, Dano imerso num vazio asfixiante e Gyllenhaal irrepreensível como é costume - e uma cinematografia de primeira linha, o canadiano Denis Villeneuve ("Incendies") oferece-nos um filme emocionalmente complexo que joga de forma violenta com questões sensíveis como a fé e a justiça. Pena apenas aquele final em aberto, que mesmo que arriscado e inesperado, deixa o espectador em águas de bacalhau, desiludido na expectativa de um desfecho morbidamente triunfal.

segunda-feira, novembro 03, 2014

Coherence (2013)

Produto tão estranho quanto cativante, "Coherence" é um daqueles ovnis independentes de ficção científica que surgem de quando em vez e, graças ao passa a palavra, arrebatem e entusiasmam infindáveis cinéfilos pela forma criativa e inventiva como a falta de orçamento é combatida em prol de um guião tão complexo quanto magnético. Espécie de "Twilight Zone" para todos os públicos, o puzzle que o estreante James Ward Byrkit monta peça a peça - que é como quem diz, minuto a minuto - torna-se com o passar de cada cena cada vez mais lógico e racional, aberto à descoberta de detalhes visuais e narrativos que permitam desvendar o mistério em causa. O resultado final é provocador e a verdade é que, independentemente da nossa apreciação, "Coherence" tem o mérito de criar o seu próprio subgénero, o de realidades paralelas que lutam entre si pela sobrevivência. A descobrir.

sábado, setembro 13, 2014

The Wolf of Wall Street (2013)

Cada segundo, cada frame das cerca de três horas de duração de "O Lobo de Wall Street" é a manifestação exaltante, fascinante e enérgica do acumulado de experiências da vida cinematográfica de um génio, um realizador intenso que após quase cinquenta anos de carreira continua a inovar e a surpreender. Comédia negra épica que nunca cansa nem se cansa, Martin Scorsese e Terence Winter (guionista de séries como "The Sopranos" ou "Boardwalk Empire") apresentam-nos uma lição de mestre sobre a imoralidade, num capricho sensacionalista que celebra a selvajaria financeira nos EUA, tornando-o uma espécie de "Goodfellas" de betinhos da bolsa, uma fábula sobre a fome por poder e a sede da ganância. Variação prazenteira do tipo de narrativa favorita de Marty - a ascensão e queda de um anti-herói -, Leonardo DiCaprio e companhia - e que bela companhia, a começar pela deleitosa Margot Robbie cujo olhar nos hipnotiza e terminando no primoroso Jonah Hill, sempre afinado em qualquer dos registos que lhe é pedido durante as extravagâncias de Belfort - conseguem dar glamour ao crime sem o promover, deixando ao critério do espectador toda e qualquer condenação moral que compense a forma endoidecida como os bons costumes são devastados. A melhor estreia em sala do ano e, sem exageros, o melhor Scorsese dos últimos vinte anos.