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sexta-feira, março 22, 2019
Lewis Black: Red, White and Screwed (2006)

sexta-feira, julho 03, 2015
Obsluhoval jsem anglického krále (2006)


sábado, março 08, 2014
Outsourced (2006)
Comédia sobre o choque cultural entre os costumes norte-americanos e as tradições indianas, "Outsourced" é a história de Todd Anderson, responsável por um callcenter de bugigangas americanizadas que não lembram a ninguém cujo emprego é transferido para Bombaim por uma questão de gestão de custos. Lá terá que treinar o seu futuro substituto, bem como ensinar toda uma equipa de indianos a vender produtos americanos de utilização duvidosa - e que não fazem qualquer sentido para estes - a... americanos. Mas, pior do que isso tudo, será adaptar-se a um estilo de vida onde comer carne de vaca é uma heresia e a mulher pela qual se sente atraído está de casamento marcado com um homem que nem conhece.
Produção independente que venceu uma mão-cheia de galardões em festivais secundários e que acabou por dar origem a duas séries televisivas - a britânica "Mumbai Calling" e a norte-americana homónima "Outsourced" - "Despachado para a Índia" revela-se um filme simpático e competente sobre o fenómeno da globalização, que vai conquistando o espectador a cada desventura cultural ultrapassada de forma atabalhoada por Todd. Entretenimento sem grandes exageros nem lições de moral, num conceito despretensioso que, ainda assim, provou funcionar melhor em formato televisivo, devido ao sem número de possibilidades narrativas que as diferenças culturais entre dois mundos tão distintos permitem.
Produção independente que venceu uma mão-cheia de galardões em festivais secundários e que acabou por dar origem a duas séries televisivas - a britânica "Mumbai Calling" e a norte-americana homónima "Outsourced" - "Despachado para a Índia" revela-se um filme simpático e competente sobre o fenómeno da globalização, que vai conquistando o espectador a cada desventura cultural ultrapassada de forma atabalhoada por Todd. Entretenimento sem grandes exageros nem lições de moral, num conceito despretensioso que, ainda assim, provou funcionar melhor em formato televisivo, devido ao sem número de possibilidades narrativas que as diferenças culturais entre dois mundos tão distintos permitem.
sábado, outubro 17, 2009
The Ex (2006)
A carreira profissional de Tom Reilly (Braff) está longe de ser aquela que ele tinha imaginado enquanto estudava. A trabalhar como cozinheiro num restaurante nova-iorquino, resta-lhe como satisfação o casamento com uma advogada de sucesso, a sua carinhosa e bela esposa Sofia Kowalski (Peet), que tão perfeita é que nem sequer se importa de ser ela a sustentar a família. No entanto, quando o primeiro filho do casal nasce, Sofia sente a necessidade de ficar em casa e Tom, entretanto despedido do seu restaurante por ter defendido um colega cozinheiro, vê-se obrigado a arranjar uma profissão com melhores perspectivas de futuro. Assim, Tom e Sofia trocam Nova Iorque por Ohio, onde o sogro de Reilly tem um cargo na sua empresa de publicidade reservado para ele. O problema é que tudo o que Tom faz acaba por envergonhar o sogro e Chip (Bateman), o seu novo director mas também um ex-namorado de Sofia com todas as qualificações possíveis e imaginárias, agora numa cadeira de rodas para toda a vida, começa a apostar forte e feio na possibilidade de um reatamento amoroso. E é aqui, nesta luta entre o ex e o actual, que o filme ganha o seu título e foca grande parte dos seus trunfos cómicos. Sem sucesso, no entanto.Sem sucesso, porque a verdade é que “O Ex” não é mais do que uma comédia medíocre – para não dizer banal. Com um elenco robusto, experiente e versátil, com nomes como Zach Braff, Amanda Peet ou Jason Bateman, mete dó ver tamanha infantilidade narrativa colocar em cheque o talento de uma geração de novos actores que tantas provas já deram em séries televisivas como “Scrubs”, “Studio 60 on the Sunset Strip” ou “Arrested Development”, respectivamente. Mas, como seria de esperar, acabam por ser estes que salvam, dentro do possível, as suas personagens ocas e superficiais, fazendo com que o público se esqueça não só do guião pateta da fita, mas também da falta de exigência do realizador Jesse Peretz para com a sua equipa de guionistas. Não admira pois que três anos passados da estreia internacional de “The Ex” – sim, o filme chega a Portugal com mil dias de atraso, literalmente -, Peretz ainda não tenha dado o salto.
E fica o alerta no que toca a Braff: depois dos elogios e dos louvores de que foi alvo pelo seu desempenho em “Garden State”, o jovem actor norte-americano parece não encontrar a “next big thing” no cinema. E, erro após erro de casting, perde o seu estatuto de revelação e promessa. Por fim, destaque para os breves mas sempre deliciosos minutos de ecrã de Charles Grodin, Mia Farrow, Paul Rudd ou Amy Adams.
sábado, agosto 08, 2009
All the Boys Love Mandy Lane (2006)
Porquê? Eis uma questão chave de construção narrativa que faltou ao jovem realizador Jonathan Levine na sua longa-metragem de estreia, “All the Boys Love Mandy Lane”. Tudo o que acontece ao longo de hora e meia, bem ou mal executado, carece de uma justificação final que explique a razão de toda a sua trama. Mas comecemos pelo título: é o melhor que o filme tem. Ao rejeitar os padrões típicos do género – usando, inclusivamente, a lógica oposta -, cria uma conjuntura de esperança por algo diferente e original. O contexto independente em que foi montado, com pouco dinheiro e pensado para uma estreia absoluta no Festival de Toronto, reforçava essa expectativa. Pois bem, três anos depois de Toronto, percebe-se agora a razão pela qual “Sedução Mortal” demorou tanto tempo a estrear comercialmente um pouco por todo o lado. E se o fez agora, bem pode agradecer ao sucesso inesperado de “The Wackness”, comédia romântica de 2008 que despertou a curiosidade de um sem número de cinéfilos sobre as capacidades de Levine – que afirmavam que Jonathan poderia ser mesmo o próximo Cameron Crowe em Hollywood.No seu sumo, não há mesmo nada em “All the Boys Love Mandy Lane” que destrone as armadilhas comuns do género. As personagens estão longe de ser tridimensionais e a personagem central, Mandy Lane, não passa de um exemplo de mulher bela e formosa, de olhos azuis, cabelo loiro, sorriso encantador e virgindade promitente. Mas uma personalidade que cative o espectador? Longe disso. Faltou a Amber Heard um pouco da sagacidade de Veronica Mars. Aos restantes membros do elenco, faltou tudo – Whitney Able, por exemplo, não passa de uma Paris Hilton wanna be - e o seu destino era, mais do que esperado, justo. Esqueçam uma futura sequela, que poderia dar muito bem pelo nome “All the Boys Hate Mandy Lane”.
A história é simples – para não dizer que é a do costume: Mandy Lane é a rapariga mais sexy do liceu, desejada por rapazes, invejada por raparigas. Na esperança de a conquistarem, um grupo de estudantes organiza uma festa num rancho isolado. Tudo sobre rodas até os jovens irem aparecendo mortos, um por um. Quem será o culpado? Bem, nem isso é escondido. A previsibilidade durante os assassinatos é tanta, que o freguês desconfia e sabe que terá de haver uma reviravolta final inesperada. E qual a única possível? A que acaba por acontecer. Tremenda desilusão que nem esse trunfo tenha sido aproveitado nesta obra de terror de adolescentes... para adolescentes. Porquê?
sábado, abril 18, 2009
The Ron Clark Story (2006)
Baseado em acontecimentos verídicos, “The Ron Clark Story” narra a história de um professor de ensino básico do interior dos Estados Unidos que decidiu, já perto dos trinta, trocar a segurança de uma vida simples por um dos seus sonhos de sempre: arriscar uma carreira em Nova Iorque. Quando chega à metrópole, arrenda um quarto reles – a única janela dá para uma parede imunda - e, sem dinheiro ou escola em que pudesse leccionar, começa a trabalhar num bar temático, onde todos os seus colegas são jovens actores à procura do estrelato. Até que um dia consegue convencer o reitor de uma escola de Harlem, a zona mais pobre da cidade, dominada por jovens de etnia negra, a ser o professor de uma turma que mais ninguém queria. E aqui começou a jornada que o tornou num dos mais conceituados professores norte-americanos, com direito nos dias que correm a instituto e academia homónima.“The Ron Clark Story” é um telefilme da cadeia televisiva norte-americana TNT que arrecadou várias nomeações em 2007, em cerimónias tão distintas como os Globos de Ouro ou os Emmy. Ao conseguir agarrar Matthew Perry para o papel principal – ele que andava a ressacar do estigma “Chandler Bing”, que o conotava obrigatoriamente a papéis declaradamente humorísticos -, a realizadora californiana Randa Haines (“Children of a Lesser God” ou “The Doctor”) tratou desde logo de reclamar para a obra a atenção que esta acabou por provar que merecia. E é Perry, numa interpretação eficaz e natural, mesmo que através dos clichés típicos do ofício, que faz a diferença. Actor de excepção, tal como provou recentemente no delicioso “Studio 60 on the Sunset Strip”, Perry faz-nos acreditar que a sua personagem preocupa-se mesmo com aquelas crianças problemáticas. E é essa naturalidade que coloca o filme de Haines num patamar equivalente ao de “Dangerous Minds”, com Michelle Pfeiffer.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Black Christmas (2006)
Remake de um dos clássicos de terror dos anos setenta, “Black Christmas” narra a história de um grupo de estudantes universitárias do sexo feminino que partilham uma casa e que, misteriosamente, começam a ser assassinadas uma a uma na noite de Natal. Sem maneira de saírem de casa – as tempestades de neve vêm sempre a calhar nos planos malévolos de alguém - e desconfiando que a matança não deixará sobreviventes, resta agora unir forças e evitar males maiores.A primeira questão que deve ser colocada é a razão pela qual a sinopse oficial portuguesa de “Férias Assombradas” desvenda no seu conteúdo todo o enredo – apesar de este ser insignificante – da fita, apresentando logo à partida elementos contextuais que só são fornecidos no filme perto do seu final. Felizmente, a irritação inicial causada por infeliz descuido técnico acaba por ser asfixiada pela inutilidade e imaturidade da realização de Glen Morgan – o mesmo de “Willard” -, que governa sem pés nem cabeça um guião anedótico, desleixado e preguiçoso, que gasta todos os seus trunfos na concretização de um par de cenas mórbidas e enjoativas. Estreado tal como o original na semana de Natal, “Black Christmas” foi certamente uma triste prenda mesmo para os mais fanáticos do género, compensada apenas pela interessante presença de Mary Elizabeth Winstead.
quinta-feira, outubro 16, 2008
The Butterfly Effect 2 (2006)
Nick (Eric Lively) é um jovem de 26 anos com uma carreira promissora. Quando vai acampar com a namorada Júlia e os seus melhores amigos Trevor e Amanda, um terrível acidente de carro deixa apenas um sobrevivente: o próprio Nick. Atormentado por insuportáveis dores de cabeça, Nick entra constantemente em delírio, fantasiando acerca da morte dos seus amigos e viajando constantemente entre realidades do passado que vai alterando, até descobrir que estas acções têm consequências directas no seu presente e que alterarão irremediavelmente o seu futuro.Sequela daquele que foi talvez o filme com a recepção mais bipolar de 2004, “Efeito Borboleta 2” é, uma vez mais, um filme sobre escolhas. Evocando a Teoria do Caos para manipular a narrativa a seu belo prazer, o realizador John R. Leonetti – que até aqui apenas tinha sido responsável por “Mortal Kombat: Annihilation” – não consegue, no entanto, fugir da ampla sombra do seu predecessor. Enquanto que Ashton Kutcher e Amy Smart conseguiram abalar os nossos conceitos de tempo e destino, orquestrando um filme triste mas apaixonante, esta sequela nada traz de novo que não uma pobre reinvenção da mensagem transmitida pelo original. Ironicamente, somos presenteados com uma edição em DVD com opções especiais de fazer chorar alguns dos mais interessantes títulos que flutuam pelo mercado nacional.
quinta-feira, novembro 22, 2007
God Grew Tired of Us (2006)
Em 1987, o governo islâmico do norte do Sudão declarou morte a todos os Homens cristãos do sul do país, encetando uma guerra civil sem precedentes. Como consequência disso, 27 mil rapazes fugiram a pé para a Etiópia e para o Quénia, em trilhos de centenas, por vezes milhares de quilómetros. Aos campos de refugiados das Nações Unidas chegaram 12 mil sobreviventes, que aos poucos fizeram dessas tendas as suas casas, aprendendo a língua inglesa dia após dia com as aulas dadas pelos "salvadores" ocidentais. Entre eles estavam Panther, John e Daniel, três adolescentes sudaneses que ainda em crianças enterraram com as suas próprias mãos muitos dos familiares e amigos que os acompanhavam na triste odisseia. Até que um dia, os Estados Unidos em colaboração com as Nações Unidas, possibilitaram a um limitado grupo de "Lost Boys" - designação pela qual ficaram conhecidos, por terem deixado as suas mães, irmãs e mulheres para trás - a oportunidade de emigrarem para a Terra das Oportunidades. Em troca, teriam de arranjar um emprego nos três primeiros meses e pagar em seguida os custos da viagem ao governo norte-americano.Produzido por Brad Pitt, realizado por um documentarista da National Geographic e narrado por Nicole Kidman, "God Grew Tired of Us" é uma reflexão tocante, inteligente, edificante e até divertida sobre a condição humana e o choque de culturas numa sociedade que pensa que "Sudão" é um objecto e não um país. Um novo mundo que traz autênticos pesadelos ao trio africano, que não faz a menor ideia do que é a electricidade, não sabe para que serve o frigorífico ou porque raios é que a Coca-Cola nos EUA tem o nome de Pepsi. Pequenos pormenores que ironizam a aflita situação, e que culminam no momento em que o tutor parte pensando ter explicado tudo - desde o funcionamento do chuveiro, passando pela razão de existirem sanitas e terminando na importância do congelador -, apenas para regressar no dia seguinte e ver que os alimentos congelados tinham sido comidos crus, com as mãos, pois os inocentes sudaneses não faziam a mais pequena ideia do que era um fogão nem que existiam utensílios com o nome de talheres.
E é essa evolução sócio-cultural de quem está perdido no planeta que inspira e nos faz pensar no que é realmente importante na vida. Porque a felicidade rapidamente se transforma em saudade, tornando bens materiais como a roupa e uma cama para dormir insuficientes para combater a ansiedade de voltarem a ser respeitados pelo meio envolvente. Porque, e citando um dos rapazes, "People here are not friendly to us. (...) Aren't we all sons of the same God?". Citação esta que antecede a do título da obra, tão forte e filosófica que acabou por substituir o pré-estabelecido "The Lost Boys of Sudan". E quando um filme conquista tanto o prémio do júri como o do público num dos festivais mais respeitados da indústria, o de Sundance, resta indagar o motivo pelo qual isto nunca chegou a estrear comercialmente na Europa.
sexta-feira, outubro 05, 2007
Firewall (2006)
Harrison Ford é Jack Stanfield, um especialista em segurança informática que trabalha para um dos mais conceituados bancos norte-americanos. Reconhecido no meio como o criador do mais eficiente sistema anti-hacker, existe ainda assim uma vulnerabilidade no programa de Jack que o mesmo nunca imaginou ser possível: ele próprio. Isto porque quando um vilão de aspecto normal, mas de um calculismo pouco ortodoxo (Paul Bettany) rapta a sua família, parece não haver outra hipótese para Stanfield que não corromper-se a si próprio de forma a salvar a sua família.Sejamos claros: "Firewall" não é um grande filme, mas também não o tenta ser. Mas não menos verdade é que o realizador Richard Loncraine, o mesmo de "Wimbledon" e da obra-prima Shakespeariana - e, se me permitem, McKelliana - "Richard III", consegue alardear durante toda a fita de uma qualidade técnica de execução singular e inverosímil. Infelizmente, e porque nem tudo são rosas, Loncraine só consegue aguentar o suspanse durante as cenas "caseiras" da obra e rende-se por completo à previsibilidade na altura em que o desespero de um homem que tem tudo a perder fala mais alto.
No entanto, "Firewall" serviu para contemplar o admirável vigor de um actor que parece não ter prazo. Falo, obviamente, de Harrison Ford, que com os seus sessenta e muitos anos prova a cada fita que passa que está aí para as curvas, superando quase sempre com a sua performance a própria obra. Este caso não fugiu à regra, pois "Firewall" perde todo o seu encanto a meio caminho, servindo apenas para esperançar os adeptos de Indiana Jones e do cada vez menos televisivo Loncraine.
sábado, agosto 25, 2007
The Break-Up (2006)
Gary (Vince Vaughn) e Brooke (Jennifer Aniston) são um casal enamorado como tantos outros. Ela, bela e ainda jovem, trata da casa, da cozinha, da roupa e das restantes lides domésticas. Ele, adepto fanático da sua equipa de baseball, trabalha durante o dia e, ao chegar a casa, só quer sofá, televisão, amigos, cerveja e Playstation 2. Farta de fazer tudo sem ajuda nenhuma do marido, e apesar de o amar loucamente, decide acabar temporariamente com ele para ver “se o coloca no sítio”. Mas quanto mais esquemas mesquinhos cada um arranja para espicaçar o outro, mais difícil se vai tornando a reconciliação.“Separados de Fresco” é uma espécie de comédia dramática (nunca se afirma como drama, mas também desvia-se do tom cómico) anti-romântica que tenta evitar a todo o custo, tanto a gargalhada complacente, como os clichés cinematográficos mais óbvios do género. Longe de ser uma fita convencional – como o ambíguo final bem demonstra -, “The Break-Up” peca por não se afirmar descaradamente na mensagem que tenta transmitir, perdendo alguma objectividade em função dessa indecisão artística. Mais do que tudo, “Separados de Fresco” é uma obra de identificação imediata para o mais comum dos mortais que tenha passado por uma separação indesejada…mas necessária.
Com uma realização segura – apesar de pouco ambiciosa – de Peyton Reed, e um exímio elenco secundário, onde Favreau, Bateman e D’Onofrio cumprem com distinção a leve tarefa de promoção e incitação dos momentos mais burlescos da narrativa, resta lamentar a escassa espontaneidade do casal de protagonistas, que acabou por granjear mais nas bilheteiras do que no ecrã, apesar (ou derivado…) da relação existente entre ambos na vida real na altura das gravações. No entanto, e apesar de todas as debilidades, “Separados de Fresco” acaba por se assumir como uma pequena bofetada emocional nas típicas comédias românticas que industrialmente assombram o mercado com os seus desfechos previsíveis e piadas levianas de casa-de-banho.
sábado, maio 19, 2007
The Fountain (2006)
"Um filme tão luminescente como a própria vida. Nas lágrimas de Hugh Jackman reencontro o meu próprio desespero da morte. Não a minha, mas a do meu próximo; alguém que, por egoísmo meu, tento manter presa a mim mesmo, ainda que ela própria já não o deseje." por Tiago Pimentel em Claquete."The Fountain é uma viagem sensorial que parte de um intimismo comovente para atingir o êxtase numa representação grandiosa da Morte como Vida. O percurso até lá não é necessariamente perfeito, mas as obras mais marcantes nem sempre rimam com a perfeição. Não é um filme de complexidade, é um filme de fé e determinação. De uma beleza miraculosa e de uma intensidade emocional que o tornam difícil de esquecer." por Tiago Costa em Claquete.
"Extraordinária também, como sempre, essa banda sonora da autoria de Clint Mansell, deixando desta vez de lado os acordes electrónicos e criando um portento que tanto sobrevive com as imagens como longe delas. E depois... depois temos essa entrega fenomenal de Hugh Jackman, completamente imerso na sua personagem, capaz de nos levar às lágrimas e de nos transmitir toda a sensação de impotência que lhe invade a alma com um simples olhar." por Paulo Costa em CinePT.
"Raramente surgem em cinema objectos de uma pura originalidade que acabam por levar a arte a meandros do inalcançável e que, silenciosamente, acabam por revolucionar o meio como o percepcionamos. The Fountain de Darren Aronofksy é uma dessas obras que toca o impossível e proporciona uma autêntica odisseia dos sentidos, o despertar de novas sensações. “Transcendente” é uma palavra demasiado frívola para descrever um filme que não tem precedentes e que nos envolve (ou não, visto tratar-se já num filme de culto algo incompreendido) de uma forma tão imprevisível, tocante e insubordinada. A visão de Aronofsky é tão única quanto complexa e densa e é das experiências mais singulares passíveis de serem vividas pelo cinema." por Nuno Gonçalves em Mulholland Drive.
"The Fountain é um Poema divinamente existencialista, imerso em conjunturas meditativas e contemplativas. Seu sistema de signos articula-se para compor um discurso. Não é fundamental desvendar todas as suas verdades camufladas, mas absorver o máximo da expedição que nos imerge pelos níveis da subconsciência (princípio de qualquer contemplação artística). “The Fountain” é Romance como Revelação e Ficção Científica como Oração. Seu conteúdo é imortal. Mesmo quando os violinos gemem e gritam estridentes num final arrebatadoramente orgásmico, sente-se a pulsação de uma Obra Transcendental que sobreviverá para além de uma sala de Cinema, alojando-se no âmago de quem sorver toda a sua excelência." por Francisco Mendes em Pasmos Filtrados.
Quando se fica em choque, sem palavras, o melhor é mesmo citar os vocábulos de quem conseguiu expressar o que viveu através dos seus sentidos. Apenas uma linha para asseverar que "O Último Capítulo" foi, é e será para todo o sempre abismal e eterno... como o Amor. Obrigado Aronofsky.
segunda-feira, maio 07, 2007
Death of a President (2006)
"Death of a President" tem a forma de documentário televisivo, que combina imagens reais de arquivo com ficção. Após o assassinato do presidente George W. Bush, a 17 de Outubro de 2007, o enredo centra-se nas investigações do FBI e na perseguição ao suspeito do seu assassínio. Pelo meio, Gabriel Range levanta uma série de questões relacionadas com a política externa norte-americana.E é neste aspecto que o filme tem dado azo a interpretações diversas, anti ou pró-Bush. Entre a lógica instituída de encontrar culpados no momento, que sustentem a guerra contra o terrorismo, à incapacidade própria de uma nação de compreender a sua auto-repulsão, Range toca ainda ao de leve num dos temas mais debatidos da século XXI: o poder de manipulação dos meios de comunicação social.
Com uma ideia histórica, capaz de fomentar o interesse no cinéfilo mais apartidário possível, “Death of a President” não passa de uma conceito brilhante, mas com uma concretização desastrosa, dotada de uma previsibilidade intolerável e com uma premissa que acaba por ser mais sensacionalista do que prática. Daqueles casos raros (?!?) em que a sinopse supera o filme em si, lento e aborrecido. Mesmo assim, será que Bush sairá de casa no próximo dia 17 de Outubro?
segunda-feira, abril 16, 2007
The Last Kiss (2006)
Michael (Zach Braff “Scrubs”) está a um mês do seu trigésimo aniversário e tem tudo o que sempre quis – incluindo a sua namorada de infância, Jenna (Jacinda Barrett “Poseidon”). Mas quando ela engravida, Michael receia que a sua relação se torne numa pena perpétua de obrigações e rotinas. Assustado e indeciso, conhece Kim (Rachel Bilson “The O.C”), uma jovem estudante sensual e descontraída, que personifica toda a espontaneidade que falta na sua vida. Uma história que nos relata e descreve a vida sentimental de um grupo de grandes amigos, em que o amor, o casamento e o compromisso ameaçam tornar jovens adolescentes em homens adultos.Da co-autoria de Paul Haggis, escritor multi-galardoado por “Crash” ou “Million Dollar Baby”, “O Último Beijo” é uma adaptação inteligente, divertida e penetrante de uma obra que só interessa ao espectador mais dotado de inteligência emocional e experiência relacional. Isto porque é um filme que, com os demais exemplos interpessoais que cada um dos casais representa, engendra e engenha um processo de identificação da testemunha do acto com o sujeito do “crime”. Desta forma, não será tarefa árdua compreender que “The Last Kiss” não deve ser visto com “a outra metade”, de forma a evitar um percurso de caminhos inevitáveis de confronto e comparação, que certamente levantarão as mais desairosas questões.
E desengane-se quem pensa que “O Último Beijo” é uma comédia romântica, tal como vem apelidado nas sinopses de jornais e revistas, e como aliás, o próprio título parece indicar. É sim, um drama intenso, com toques aqui e ali de comédia – quase todos de Braff -, que explora de forma quase irrepreensível e imaculada a peculiar ignorância que cada um de nós absorve durante a nossa juventude/maturação sobre aquilo que realmente importa nas nossas vidas. De forma pungente e compassiva, com coração, alguns sorrisos e um elenco sólido e sumptuoso, onde naturalmente Zach Braff merece especial destaque. Uma fita cinematográfica cheia de intenção, com uma narrativa reconhecida em centenas de outras películas – mas que mesmo assim triunfa de forma original - e que certamente irá suscitar opiniões e avaliações extremistas. Para uns será comovente e dolorosamente real. Para outros, não será nada mais do que hora e meia de acção insuportável e extremamente aborrecida. A Arte a imitar a Vida tal como ela é.
terça-feira, abril 10, 2007
Boo (2005) / Scary Movie (2006)


São dezenas os filmes apontados aqui num bloco de notas que nunca chegaram a passar pelo Cinema Notebook na altura do seu visionamento. Para arrumar a casa, tenciono deixar-vos algumas breves notas, aos pares, tal como as meias são enfiadas numa gaveta: de forma rápida, mas organizada.
Boo (2005)
Na noite de Halloween, um grupo de amigos resolve ir dar uma voltinha a um sinistro hospital abandonado que, segundo contam os mais supersticiosos, mata misteriosamente quem por lá passa. E assim confirma-se, quando uma noite pintada em tons de diversão rapidamente se transforma num pesadelo sem saída, em que cada um tem que lutar pela sua própria vida e o azar parece explicar tudo.
Em poucas palavras, podemos afirmar que “Boo” de Anthony Ferrante - responsável pelo visual de alguns títulos conhecidos de terror, como “The Dentist” ou “Arachnid” - é pavorosamente funesto e insultuoso. Insultuoso porque trata o conceito do filme, mais do que banal, e o próprio espectador como qualquer coisa entorpecida e infértil, que não conhece ou reconhece os esquemas e artimanhas do género. Apesar do visual cuidado e sombrio, Ferrante claudica mais uma vez na escolha do elenco, que com interpretações excessivamente teatrais, fazem com que um filme assumidamente tenebroso se transforme numa risada pegada. Das tristes.

Scary Movie 4 (2006)
Quatro. Número mágico deste quarto capítulo da saga “Scary Movie”. Quatro foram os filmes parodiados, burlescamente transformados (“Saw”, “The Village”, “The Grudge” e “War of The Worlds”), quatro foram o número de tentativas de esboçar um sorriso durante o filme, quatro – mil! - foram as vezes em que desejei estar a rever o primeiro invés de visionar este último. Porque nenhuma maldição é forte demais, nenhuma vila é suficientemente segura, nenhuma serra eléctrica é afiada demais para impedir o descalabro total de um dos mais promissores realizadores de comédia dos anos 80. Sim, porque foi Zucker quem nos trouxe comédias hilariantes como “Airplane”, “Top Secret” ou “The Naked Gun” e custa associar a este currículo “Scary Movie 4”. Para não dizer que é preciso paciência para ver Leslie Nielsen fazer a mesma careta em trinta anos de carreira.
Escrito por
Carlos M. Reis
às
10:46
Etiqueta:
Críticas de Cinema,
Filmes de 2005,
Filmes de 2006
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segunda-feira, abril 02, 2007
300 (2006)
Baseado em acontecimentos reais ocorridos em 480 A.C. na antiga Grécia, esta cintilante adaptação gráfica de Frank Miller (Sin City) para o cinema, é protagonizada por Gerard Butler, como Rei Leónidas e por um irreconhecível mas surpreendente Rodrigo Santoro como Xerxes, um Deus-Rei corrupto e maléfico que pretende dominar o mundo. Incapaz de reunir todo o exército de Esparta, devido à falta de autorização do conselho de ministros para travar uma Guerra, Leónidas junta 300 dos seus melhores soldados para partir num “passeio”, - como o apelida - nos quais os soldados escolhidos serão a sua guarda pessoal. Com cenários virtuais que passam despercebidos devido ao seu realismo, um Gerard Butler sumptuoso e uma banda sonora soberba, esta história de coragem e auto-sacrifício é uma verdadeira inspiração, num novo estilo que pode muito bem ser, o Cinema do futuro.Visualmente e sonoramente avassalador, “300” alcança o notável mérito de nos fazer sentir um dos trezentos Espartanos, tal a proximidade e intensidade emocional da fita e das personagens espartanas. A própria Lena Headey (a Rainha de Esparta), com a sua feminilidade demarcada - com tudo o que isso acarreta de positivo e negativo - e importância no desenrolar dos acontecimentos, irá certamente agradar e tocar no fundo do coração feminino mais duvidoso. E “300” é isto mesmo, um filme que pretende agradar a gregos e troianos, numa dança bem preparada de violência, estilo e atitude.
Os próprios diálogos, apesar breves e concisos, abalam e sacodem o espectador com um vigor e energia como há muito não se via numa sala de cinema. Não existe obra que se equipare a “300”, e compará-lo a uma articulação entre “Sin City” e “Gladiador” pode ser redutor, apesar de substancialmente leal. Porque “300” traz consigo um novo tipo de épico, o da alta-definição, o do iPod (como alguém o disse recentemente). É, por assim dizer, um “neo-épico”, onde o principal triunfo não é o visual arrasador, mas a confluência deste aspecto com uma narrativa poderosa, um elenco arrasador e uma banda sonora enérgica que rompe com normas e paradigmas. A não perder.
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Relative Strangers (2006)
Richard Clayton (Ron Livingstone, “Office Space”) é um daqueles trintões a quem a vida dificilmente poderia correr melhor. Com um galopante sucesso profissional, que inclui um best-seller sobre psiquiatria, uma noiva escaldante (Neve Campbell) e uns pais financeiramente generosos (apesar de ideologicamente adversos), parecia que nada puderia acontecer que colocasse em causa o seu equilíbrio emocional, bem como o seu casamento com Ellen. Mas tudo muda quando, a poucos dias do seu casamento, este descobre que os seus pais biológicos não são verdadeiramente aqueles a quem ele sempre se habituou. Perante a descoberta de que foi adoptado, recorre a um detective para encontrar a sua família biológica, mas quando finalmente encontra Frank e Agnes Menure (Danny De Vito e Kathy Bates), a desilusão não podia ser maior: o casal Manure (estrume, em inglês) é um tanto ou quanto grosseiro e, sem querer, não pára de o chocar com os seus comportamentos muito pouco ortodoxos.Conclusão primordial de “Socorro, Conheci os Meus Pais”: comediantes de luxo não são suficientes para termos como resultado uma boa comédia. Além disso, a história de “Relative Strangers” já foi contada e recontada mil e uma vezes, e não existe a minima tentativa de inovar ou melhor, renovar, o conceito cómico-dramático. Um Danny de Vito, mesmo que longe dos tempos áureos, não é suficiente para combater a previsibilidade de todos os momentos de transição do argumento. É pura maluqueira complacente não acompanhada por um delicado tratamento cerebral de cada uma das personagens. E o final pateta a misturar cliché burlesco atrás de cliché burlesco é a maior prova de todo um filme que começa bem mas rapidamente entra num caminho sem retorno: o da truanice.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Rocky Balboa (2006)
“Let me tell you something you already know. The world ain't all sunshine and rainbows. It is a very mean and nasty place and it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain't how hard you hit; it's about how hard you can get hit, and keep moving forward. How much you can take, and keep moving forward. That's how winning is done. Now, if you know what you're worth, then go out and get what you're worth. But you gotta be willing to take the hit, and not pointing fingers saying you ain't where you are because of him, or her, or anybody. Cowards do that and that ain't you. You're better than that!”Vamos começar por deixar algo bem claro: “Rocky Balboa” é o melhor filme da saga desde a obra original, - que levou o Óscar para casa - e arrecada, com larga distância para qualquer outro, o estatuto de fita cinematográfica de Stallone com maior sensibilidade e coração. E este parágrafo de introdução é o esbanjar de uma vida. A vida de Stallone, a vida de Rocky. Porque um e outro são indissociáveis. Porque o inglês arranhado de Balboa não impede que aquele coração mole amanteigue também o nosso. Porque a pressão exterior do meio e da indústria não obstruiu Stallone de voltar a executar uma obra como nos velhos tempos, cheia de paixão e inocência. “Rocky Balboa” não é um filme de boxe, é sim um impulso auto-retratista, de um repentismo entusiasmante, instigado pela solidão, e que vem, de certa forma, pedir “desculpa” por todas as sequelas que apesar de cativantes, arruinaram por demasiadas vezes o próprio espiríto e lema de Rocky.
Cinematograficamente, “Rocky Balboa” tende para a mediania. Usa e abusa do formato “Televisão em Directo”, não se preocupa com a repetição de planos e desiquilibra as três fracções de qualquer filme de Rocky: a razão/sentimento, o treino e o combate final. Temos apenas cinco minutos de treino (cinco minutos bombásticos, acompanhados por um “Gonna Fly Now” em orquestra absolutamente delicioso) e o combate final é mediocremente mal aproveitado em termos físicos. Mas quem precisa de tudo isto, quando temos perante nós um filme carregado de sinceridade por parte de Stallone, que disfarçadamente faz a relação entre a situação de Rocky como “animal preso” e a sua própria vida real enquanto actor? Ninguém. “Rocky Balboa” é humano enquanto filme, e isso chega e sobra. Trata a vida como um bem precioso mas cruel, que golpeia-nos a todos mais tarde ou mais cedo e isso toca o espectador. Honestamente, não me lembro da última vez que fui ao cinema e vi uma sala cheia a bater palmas durante o filme, a cantar o seu tema principal, e a sair da sala com uma lágrima no canto do olho. Não me lembro, porque nunca tinha acontecido. “Rocky Balboa” foi, por tudo isso, uma experiência única.
Stallone agarra-nos como nunca com um coração enorme que esconde e desculpa todas as falhas enquanto realizador e mesmo, como actor. E Sylvester Stallone é, ele mesmo, uma história de vida com um “knock-out” vitorioso ao fim de alguns rounds. Nasceu com um nervo facial destruído, que lhe paralisou parte dos lábios, da língua e do queixo, deixando-o com aquele olhar e falar à pedrada que o transformaram num mito. Com pouco mais de 10 anos, a “escola para deficientes” que frequentava colocou na sua ficha que o seu desfecho mais provável seria a pena de morte. Ao fim de uma vida (já lá vão 60 anos), Stallone é o que é. E mais uma vez, remete-nos para o parágrafo inicial. Porque “You, me, or nobody is gonna hit as hard as life. But it ain't how hard you hit; it's about how hard you can get hit, and keep moving forward. How much you can take, and keep moving forward. That's how winning is done.” Porque “Rocky Balboa” mais do que a própria história de Rocky Marciano, é a história de Stallone, Sylvester Stallone. E talvez tenha sido pela sua dedicação a Rocky, que Sly nunca conseguiu ser um actor aceite como tal. Porque, e citando Vasco Câmara, Stallone não o faz como nos anos 70, Stallone “é” os anos 70.
Em suma, “Rocky Balboa” é a despedida de um clássico que marcou gerações. É uma história de coragem e esperança, que apesar das diversas falhas, acaba por ser aplaudido pelos mesmos que o assobiaram aquando do seu aparecimento enquanto projecto. É um Rocky sincero e humilde que “encaixa” um forte gancho de direita em todos aquelas que o previam na lama. E um valente abraço a todos aqueles, que tal como eu, cresceram a respeitar e a adorar “Rocky/Sylvester” como símbolo de vitória e sucesso perante a mais díficil das adversidades. E é nesta altura que sinto a necessidade de retribuir aquela arrepio na espinha ao ouvir “Gonna Fly Now” - não se percebe a razão pela qual esta nova versão não consta nos nomeados da Academia para melhor canção – durante “Rocky Balboa”. Porque mesmo sem merecer enquanto filme solitário, estas cinco estrelas premeiam muito mais do que isso. Premeiam uma vida, uma geração, uma saga inesquecível. “Adrian... we did it!”.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
The Pursuit of Happyness (2006)
Chris Gardner (Will Smith) é inteligente e talentoso mas não consegue encontrar um emprego que sustente a família. Sem conseguir suportar a pressão constante da falta de dinheiro, a mulher abandona-o e Chris fica sozinho com o filho de cinco anos. Pai solteiro, Chris continua a lutar por um emprego melhor mas acaba por aceitar um estágio não remunerado na esperança de vir a ser contratado no final. No entanto, sem dinheiro, acaba por ser despejado do apartamento em que vive com o filho e os dois são obrigados a dormir em abrigos, estações de metro ou qualquer local que possa servir de refúgio para a noite. Mas, apesar de todos os problemas, Chris continua a ser um pai afectuoso e dedicado, encarando o amor do filho como a força necessária para ultrapassar todos os obstáculos.Num registo apaixonante, apesar de vulgar e ingénuo, “Em Busca da Felicidade” suporta muito do seu sucesso no facto de exibir, logo ao início, e de forma orgulhosa, aquelas mágicas palavras que transformam a mais simples das histórias, num mito de moral indestrutível: Baseado Numa História Verídica. “The Pursuit of Happyness” (e não Happiness, devido a uma das histórias internas da própria obra) nunca sente a necessidade de fugir ao previsível, pois a própria narrativa na sua autenticidade é suficiente para comover o espectador.
Numa performance que justifica todas as nomeações alcançadas por Will Smith, este acaba por ser o espelho - mais um - do tão desejado e quase ultrapassado sonho americano. E o único a sobressair de um elenco, que conta ainda com uma Thandie Newton bastante apagada. Com uma realização moderada mas competente do italiano Gabriel Muccino, “Em Busca da Felicidade” não traz nada de novo ao género, mas como sempre neste tipo de obras “lamechas”, a fórmula sentimental funciona, desde que bem explicada, mesmo que em termos cinematográficos, poucos sejam os louvores atingidos. De qualquer das formas, a obra de Muccino acaba por deixar a sensação de ter sido insuficientemente explorada e estruturada apenas para a glória de Will Smith.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Flags of Our Fathers (2006)
Uma fotografia. Efígie indestrutível da Guerra do Pacífico, o momento em que cinco soldados norte-americanos erguem a bandeira americana no monte Suribachi, na ilha japonesa de Iwo Jima. Para os homens que a ergueram, a bandeira era a mais fácil e vulgar tarefa no seio de um conflito sanguinolento. Mas para quem, na sua terra-mãe assistia a uma guerra que parecia perdida e sem fim, esta era um símbolo imediato de esperança e o renascimento dos heróis que tudo davam pela sua pátria. Era a reaparição do desejo forte e ardente de todas as mães: aquele que lhes confiava que um dia os seus filhos iam voltar, ou que, pelo menos não iriam morrer em vão.“As Bandeiras dos Nossos Pais” é desolador, imoderadamente demonstrativo e durante vários períodos, fastidioso. Não existe – à excepção dos últimos quinze minutos – uma articulação equilibrada entre as histórias das três personagens, e passamos o filme todo a ser bombardeados com cenas desordenadas, numa estrutura narrativa tristemente mal montada, em que é dada especial proeminência ao aspecto crú do campo de batalha e não à faceta emocional do espectador.
O facto de “Flags of Our Fathers” ser esteticamente magistral não esconde o completo falhanço apelativo da obra. As personagens são inócuas e o principal culpado foi, na minha opinião, um desastroso processo de casting. Ryan Phillippe e Jesse Bradford não possuem qualquer estaleca para este tipo de papel e apenas Adam Beach nos faz, por alguns momentos, acreditar que existem realmente consequências funestas e profanas em participar numa guerra sangrenta.
Felizmente, e porque Clint Eastwood é, e sempre foi, mago em encerrar histórias muitas vezes banais em finais comoventes e imponentes, o último quarto de hora de “As Bandeiras dos Nossos Pais” é, ele mesmo, suficiente para travar a grave hemorragia que pronunciava uma morte lastimosa. Finalmente virado para o coração do espectador e não para a frieza da propaganda norte-americana, Clint acaba por conseguir criar uma leve esperança que “Letters from Iwo Jima” continue com o ritmo final de “Flags of Our Fathers” e seja o que este raramente foi: um bom filme.
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