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quarta-feira, dezembro 26, 2018

El Hilo Rojo (2016)

Eugenia Suárez ouve Amy Winehouse. Eugenia Suárez vestida de hospedeira, perdão, assistente de bordo. Eugenia Suárez de roupa interior. Eugenia Suárez de roupa interior com um xaile por cima. Eugenia Suárez totalmente desnudada. Eugenia Suárez de quatro na cama. Eugenia Suárez contra a parede numa passagem apertada, qual Pamela Anderson em "Raw Justice". Eugenia Suárez à chuva. Hora e meia de beiços por esta argentina. Que musa. O filme, esse, um romancezito complicado com paixões versus casamentos, obrigações e responsabilidades versus sonhos e desejos. Eugenia Suárez, faz as malas e enfia-te em Hollywood, rápido.

domingo, dezembro 16, 2018

Perfetti sconosciuti (2016)

Uma premissa que tinha tudo para resultar numa comédia banal centrada em infidelidades acaba por se revelar uma dramédia equilibradíssima e original sobre falsas aparências e pequenos segredos que, afinal de contas, apenas o são nos olhos de quem os esconde. Realização tão simples quanto eficaz de Paolo Genovese, cinematografia e edição de primeira categoria e um elenco sólido num filme que começa agora a ser readaptado em vários outros mercados - francês e espanhol -, deixando este, o verdadeiro, perdido entre a visibilidade que uma plataforma como a Netflix dá aos restantes. "Amigos Amigos, Telemóveis à Parte" termina de forma deliciosa - qual homenagem ao "Inception" com aquele anel a girar e todo o "e se..." que se segue -, permite ao público conhecer profundamente os personagens, fala atrás de fala, e corre durante hora e meia a um ritmo intocável. Tudo terminado, torna-se óbvio que é mais fácil prever o futuro de alguém analisando o seu telemóvel do que o seu horóscopo; e entre orientações sexuais, gravidezes, virgindades, infidelidades, fantasias eróticas e vidas secretas, Woody Allen deve estar certamente arrependido de não se ter lembrado deste conceito antes.

quinta-feira, agosto 30, 2018

Inferno (2016)

Tom Hanks em piloto mega-automático, Ron Howard em cruise control e apenas Felicity Jones a dar um cheirinho da sua graça. De resto, mensagem mais do que gasta - o problema da sobrepopulação do planeta -, várias oportunidades perdidas para adaptar vários momentos elegantes e inteligentes da obra de Dan Brown de uma forma muito mais lúcida e cativante e, no fim, apenas a sensação de que "Inferno" não foi nada mais do que uma tentativa de um capítulo Bourne orquestrado pela malta do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, em plena colaboração com a diocese local.

sábado, junho 02, 2018

California Typewriter (2016)

Carta de amor às tradicionais máquinas de escrever, hoje um meio físico morto após o encerramento recente da última fábrica que as produzia na Índia, "California Typewriter" segue a vida daqueles que trabalham no último estabelecimento nos EUA que existe apenas para reparar e vender máquinas de escrever, muitas delas com mais de meio século de existência. Entre dificuldades e saudades, surgem também os registos de coleccionadores e fanáticos destes aparelhos que, ainda hoje, as usam no seu dia-a-dia, entre artistas, músicos, escritores e, voilá, Tom Hanks. Um documentário simpático sobre um meio que, quem sabe, tal como o gira-discos e os discos de vinil, voltará no futuro a ser fancy. Até lá, é correr a feira da ladra.

domingo, abril 01, 2018

Money Monster (2016)

Tudo parece terrivelmente artificial, falso e forçado em mais uma tentativa frustrada de Jodie Foster na cadeira da realização. Dos cenários demasiado clean às danças patéticas de Clooney, nada tem coesão numa narrativa com uma mensagem importante moldada numa narrativa demasiado simplória para ser levada a sério. A falta de química entre Clooney, O'Connell e Roberts é notória - não tivesse Julia Roberts filmado quase todas as suas cenas em separado, perante um ecrã verde, por motivos de agenda - e, cliché atrás de cliché, tudo se desenrola até ao precipício do esquecimento, num final previsível sem chama nem drama. Já chega, Jodie.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Gabriel Iglesias: I'm Sorry for What I Said When I Was Hungry (2016)

Fluffy Iglesias num especial de stand-up em que regressa ao estilo dos primeiros anos, repleto de pronúncias, efeitos e imitações sonoras de primeira linha. O gordinho mexicano das camisolas havaianas floridas conta ao mundo como foi o encontro com o seu ídolo de adolescência - nada mais nada menos que Arnold Schwarzenegger -, relembra um espectáculo memorável em que lhe entregaram um cabaz racista em palco e goza com carros de polícia... eléctricos. Tudo num registo muito familiar, não fossem as vendas do DVD saírem prejudicadas. Uma horinha de diversão para ir passando lá ao fundo na Netflix enquanto os sogros fazem uma visita.

sábado, dezembro 02, 2017

George Best: All by Himself (2016)

George Best: jogador de técnica ímpar e importância fundamental no United desde muito jovem, estrela rebelde dentro e fora de campo, instável no lar, auto-destrutivo nos bares. O documentário da BBC sobre o norte-irlandês que revolucionou o futebol em Inglaterra na década de sessenta com os seus dribles mágicos, golos decisivos - o mais importante de todos numa final da Taça dos Campeões Europeus contra o portentoso Benfica de Eusébio e Coluna - e campanhas publicitárias, mostra como a fama precoce e uma personalidade volátil destruíram não só a carreira, como a vida daquele que foi o primeiro "jogador celebridade pop" do planeta, muito antes de Beckham, Cristiano ou companhia. Best, que abandonou o futebol aos vinte e sete anos de idade - apenas para voltar mais tarde, nos EUA, numa altura de desespero -, serviu de lição para todas as gerações que lhe seguiram, tanto para o bem como para o mal. O problema é que... tudo isto já se sabia. E é aí que falha o documentário de Daniel Gordon: não traz nada de novo para a mesa, principalmente naquela fase da vida de Best após deixar os campos. Porque, a certa altura, Best desistiu das mulheres e do álcool; e esses foram os piores vinte minutos da sua vida.

sexta-feira, novembro 17, 2017

The 5th Wave (2016)

Boooooring. O fim da humanidade transformado em mais uma saga - ou tentativa de - cinéfila para adolescentes, em que tudo o que acontece é extremamente fácil de antecipar, tanto a nível de sobrevivência das personagens, desenvolvimento narrativo ou até no que toca às inevitáveis paixonetas disparatadas. Demasiado limpinho para tanto caos, totalmente insignificante perante tamanho cocktail de ideias e oportunidades extraterrestres. Uma pena, ainda para mais logo agora que já não é crime encher os pulmões e dizer à Chloë Grace Moretz que se estivesse no lugar dela, tinha sexo comigo na boa. Ao bom estilo Weinstein.

sábado, setembro 16, 2017

The Shallows (2016)

É impressionante - e provavelmente frustrante para muitos realizadores - que uma miúda gira de bikini e um tubarão-branco irritado sejam mais do que suficientes para orquestrar um bom filme de hora e meia. Sim, leram bem, não simplesmente um filme qualquer, mas um bom filme. E é isso mesmo que o catalão Jaume Collet-Serra ("Orphan" e duas Neesonezadas competentes) consegue aqui graças a uma cinematografia de excelência onde os silêncios, as expressões faciais, a dor e o desespero da muito mais talentosa do que muitos julgam - pelo pacote, claro - Blake Lively arranca enchem a tela de credibilidade e o espectador de ansiedade. Tudo uma maravilha até ao quarto de hora final, onde a solução pensada para despachar a coisa mergulha a narrativa no mundo fantasioso da sétima arte e rouba a carne-e-osso ao tubarão agora desenvergonhadamente digital. Ainda assim, um nível acima dos vários exemplares que apareceram nas últimas décadas em homenagem a "Jaws", um thriller distinto que consegue manter a tensão sem precisar de recorrer aos inúmeros clichés do género - usando-os, inclusive, para enganar o espectador. E não, não vou acabar isto sem falar da gaivota. Steven Seagull. Tão simples e eficaz que enerva.

domingo, junho 25, 2017

The Girl with All the Gifts (2016)

O filme de Colm McCarthy - responsável pela realização de meia dúzia de episódios de "Peaky Blinders" - arranca com uma intenção clara de trazer algo de novo ao mais do que saturado sub-género zombie. Louva-se a intenção, mas a verdade é que nem mesmo o magnetismo de um elenco capaz e eficaz consegue fazer o click a uma narrativa que nos deixa completamente indiferentes, altamente previsível e mal estruturada na ligação das diferentes etapas, sem qualquer tipo de preocupação com o passado, razões e motivações das suas personagens-chave. Para a posteridade, a promessa deixada pela estreante Sennia Nanua e a certeza que, pela Gemma Arterton, também eu faria muita estupidez.

terça-feira, junho 20, 2017

Les Bleus - Une autre histoire de France (2016)

Documentário político-desportivo sobre os últimos vinte conturbados anos da selecção gaulesa e do peso dos seus resultados, positivos ou negativos, na multi-étnica sociedade francesa, "Les Bleus - Une autre histoire de France", disponibilizado recentemente na Netflix portuguesa, acaba por se revelar um retrato muito curioso e eficaz de um estado social que se incendeia à mínima faísca. Dos jogadores de origem árabe ou africana que sempre recusaram cantar o hino - Zidane, o astro maior do futebol francês, foi um deles -, às declarações xenófobas de Laurent Blanc que queria um sistema de quotas de "puros" nas camadas jovens, sem esquecer as maluquices de Raymond Domenech, Anelka, Benzema ou Nasri, entre outros, eis uma proposta surpreendente para substituir uma noitada com paineleiros, e-mails, padres e frutas.

terça-feira, junho 06, 2017

Forever Pure (2016)

Ganhou o racismo. É esse o final inesperado deste documentário israelita sobre a época 2012/2013 da equipa de futebol do Beitar de Jerusalém, conhecida pelo apoio dos seus adeptos de extrema direita, que entoam em todos os jogos cânticos de "morte aos árabes". "Para sempre puros", defende a bancada nascente do clube histórico, em completa ebulição pela decisão do novo dono em comprar dois jogadores muçulmanos exactamente com o propósito de combater essa visão racista que moldou o clube durante décadas. De ameaças de morte a bancadas vazias, tudo aconteceu numa temporada em que o Beitar não desceu de divisão por um ponto. No fim, jogadores muçulmanos, jogadores que os apoiaram, treinador e dono acabaram por ter que deixar o clube. O novo capitão? O único jogador que tinha sido suspenso por mostrar o seu apoio às claques. Porque quem manda no Beitar são os adeptos. E estes adeptos, meus amigos, não estão para brincadeiras.

sábado, maio 27, 2017

Tarde para la ira (2016)

Filme de vingança do madrileno Raúl Arévalo ("La Isla Mínima") que arde lentamente até se fechar numa resolução corajosa, "The Fury of a Patient Man" conta com uma interpretação imperturbável de Antonio de la Torre, qual cowboy sereno numa jornada longa e solitária de dor e perda. Dividido em vários capítulos, das personagens às emoções, a continuidade da narrativa não é minimamente afectada por essa decisão de Arévalo, que mantém um ambiente tenso e incógnito em redor do seu anti-herói, qual santo transformado em demónio da justiça celestial. Simples, calma e eficaz; a personagem-chave e a desforra.

sexta-feira, maio 19, 2017

Contratiempo (2016)

Vamos começar pelo longo soundbite: "Contratiempo" é um mistério brilhante, uma engenhosa armadilha narrativa que nos deixa perdidos (de alegria e excitação, entenda-se) num jogo entre um gato com pele de coordeiro e um lobo com pele de rato - a confusão nesta expressão é mais do que propositada -, numa hora e quarenta que passa a voar, sem chouriços para encher, onde tudo o que parece não é, obrigando a uma atenção redobrada a todos os pormenores de uma história fenomenalmente bem construída do princípio ao fim. Realização espantosa de Oriol Paulo ("El Cuerpo"), sempre com os ângulos certos, o ritmo adequado, as revelações e as dúvidas no momento certo, com um elenco que não perdoa. Certamente propositado, olhamos para Mario Casas e não conseguimos ler as suas expressões e o seu olhar; acreditamos na frieza de Ana Wagener quando esta afinal tantos sinais deu que estava nos trópicos; e, por fim, sofremos da angústia descontrolada de José Coronado, apenas para mais tarde percebemos que se trata da personagem mais cerebral de todas. Estruendoso, magnánimo.

segunda-feira, maio 15, 2017

Secuestro (2016)

Belíssimo e subvalorizado thriller espanhol do catalão Mar Targarona, "Secuestro" proporciona uma série de interessantes reviravoltas narrativas num ritmo e numa atitude rara para com o espectador, conseguindo esconder quase todos os seus segredos em pleno campo aberto. Destaque mais do que merecido para a veterana Blanca Portillo, tão possante e intensa no arranque como frágil e desarmada no desfecho. Mais uma, das muitas provas recentes, que o cinema de nuestros hermanos está de excelente saúde.

quarta-feira, abril 19, 2017

Miss Sloane (2016)

Surpreender mas nunca ser surpreendida, usar o seu trunfo apenas depois dos adversários usarem o deles. Elizabeth Sloane é, ironia das ironias no título nacional do filme de John Madden ("Shakespeare in Love"), uma Mulher de Armas, logo ela que dá a cara pelo lobby que tenta aniquilar a segunda emenda da constituição norte-americana, num país onde os vibradores são proibidos em alguns estados, mas uma semi-automática não. Um papelaço de uma das melhores actrizes da actualidade, numa interpretação cheia de speed e garra de Chastain, que demonstra bem como os lobbys controlam o senado e tudo o que lá é aprovado ou rejeitado. Como que um soundbite portentoso de duas horas, com uma reviravolta muito satisfatória, ainda que algo previsível para o mais atento dos espectadores.

terça-feira, abril 11, 2017

Tickling Giants (2016)

De quando em vez, aparece um documentário do nada no Netflix que merecia ser visto por todos aqueles cujo conceito de herói passa pelas botas do Cristiano Ronaldo ou a noção de opressão e dificuldade assenta na má disposição e intransigência do chefe no trabalho. Os outros todos também, mais não seja porque "Tickling Giants" é uma enorme lição política e social sobre o passado, presente e futuro do Egipto, uma que rapidamente contextualiza muitos dos problemas actuais que tantas vezes enchem jornais e noticiários. Duas horas que atravessam a curta carreira humorística de Bassem Youssef, o Jon Stewart egípcio ex-cirurgião, desde o seu programa sensação no YouTube durante o regime de Hosni Mubarak ao show de sátira política na televisão com uma audiência de quarenta milhões que acabaria banido e censurado por uma "democracia eleita com 98,6% dos votos". A sátira como arma contra uma retórica nacionalista, como vacina contra o medo. Porque a revolução não é um evento, é um processo, e a liberdade de um povo será sempre julgada pelo volume do seu riso. Jon Stewart tens toda a razão, tu é que és mesmo o Bassem Youssef americano.

sexta-feira, abril 07, 2017

Split (2016)

Dentro da sua aparente complexidade - três raparigas raptadas por um homem com vinte e três personalidades completamente distintas -, "Fragmentado" é de uma simplicidade e linearidade narrativa exemplar. Goste-se ou não do estilo de Shyamalan - e eu aprecio muito os seus anti-heróis/vilões dotados de características extraordinárias, a importância que consegue sempre conferir a personagens infantis e a facilidade com que cria momentos de incerteza -, a verdade é que o realizador de "O Sexto Sentido" sabe filmar e escrever para todos os públicos, dos pipoqueiros aos cachimbeiros. "Split", ainda que distante da mestria e imprevisibilidade dos clássicos de início de carreira do indiano, consegue belíssimos momentos de cinema na sua primeira hora - que papelaço de James McAvoy -, pecando apenas pelo seu desfecho vulgar - logo ele, o mestre dos twists - e esperado. E aquele piscar de olhos final a "O Protegido"? Eu gostei.

quinta-feira, março 16, 2017

Passengers (2016)

Qual receita da avó para toda a família ficar satisfeita, do pai fascinado pelo visual futurista soberbo criado pelo mexicano Rodrigo Prieto, à mãe emocionada pela história de amor à papo-seco que sobrevive à mais cruel das traições - bem como a outra morte à Titanic -, sem esquecer os filhos adolescentes cujos olhos brilham com as carinhas larocas de Lawrence e Pratt, "Passengers" não deslumbra dentro das suas infinitas potencialidades filosóficas mas, verdade seja dita, molda-se numa espécie de romance interestelar mais do que competente. Mas bom bom seria que a sua premissa e o seu conceito fossem oferecidos a um leque diverso de realizadores, que lançariam a sua versão de "Passageiros" uma vez por ano, do filme paranóia à "The Shining" com Pratt a caçar a Jenninha de capacete posto, ao alucinado Alleniano em que o herói abandonado acordava todas as mulheres que estavam em hibernação, despachando os homens, sem esquecer o bom thriller Fincheriano, com amigos imaginários e criaturas horripilantes no espaço. No meio de tanta possibilidade, a brincadeira do norueguês Morten Tyldum ("Headhunters") saca nota suficiente para passar de ano. Mas esqueçam lá o Quadro de Honra.

sábado, fevereiro 25, 2017

Hell or High Water (2016)

Reza um (o) poema agreste, que não se sabe porque se busca palavras longas para as coisas breves que nos assombram, que não se sabe porque se tece teias enormes para as incertezas que nos envolvem. E é exactamente a simplicidade - que só se consegue através de muito trabalho -, ingrediente essencial para a suprema excelência, que faz de "Hell or High Water" um filme que se destaca dos restantes. Entre o último reduto da experiência de Jeff Bridges e a derradeira força de uma química improvável - o cada vez mais maduro Chris Pine e o singelo Ben Foster -, o drama do escocês David Mackenzie desenrola-se de forma tão serena quanto hábil, sem sobressaltos nem escapatórias fáceis, sem surpreender mas também sem desiludir. Não brilha, mas invertendo o ditado a seu favor, nem sempre é preciso algo reluzir para ser ouro. E eis como escrever meia dúzia de linhas sobre um filme única e exclusivamente através de uma pesquisa sobre o termo simplicidade num site de citações.