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quarta-feira, maio 29, 2019

Fahrenheit 11/9 (2018)

De longe o melhor documentário de Michael Moore na última década, "Fahrenheit 11/9" revela-se, ao contrário dos mais arrojados trabalhos de Moore - "The Awful Truth" ou "Bowling for Columbine", por exemplo - um retrato pessimista, drenado de esperança - nem o legado de Obama sobrevive a uma análise posterior e a escolha de Hillary pelos democratas como candidata às presidenciais é provada como adulterada pelo partido, ignorando o voto popular -, sem força para ser ousado num confronto directo com os responsáveis - a rega ao jardim do senador chega a ser patética de tão inofensiva que é - ou vontade para ser satírico e divertido, onde a mensagem é clara: os EUA estão condenados ao despotismo e talvez não mereçam mesmo ser salvos. Dos graves problemas sociais e políticos de um sistema antiquado ao medo das represálias daqueles que defendem a América branca e pura, armados (legalmente) até aos dentes, a Moore resta avisar os EUA do próximo passo de qualquer fascista/ditador: a busca pelo poder sem prazo, que não se limite a dois mandatos. Porque o impensável hoje, é realidade amanhã.

terça-feira, maio 07, 2019

The Perfection (2018)

Cinematografia arrojada, fórmula narrativa cativante - como uma única cena escondida pode mudar toda uma história - e um leque de interpretações tão misteriosas quanto inquietantes. Boa surpresa no meio dos cada vez mais aleatórios lançamentos do catálogo da Netflix, ainda que falte alguma credibilidade racional - tantas outras alternativas mais lógicas haviam ao plano de Charlotte - ao primeiro acto do filme de Richard Shepard ("The Hunting Party"). Longe da "perfeição" anunciada, mas bem perto de uma nota elevada para quadro de honra, "The Perfection" merece uma oportunidade por saber brincar ao macabro, explorando-o numa perspectiva muito mais acessível ao grande público. E ainda não é desta que percebo se adoro ou detesto a Allison Williams.

domingo, abril 21, 2019

Mutant Blast (2018)

O maior feito de "Mutant Blast" é conseguir surpreender o espectador com um produto muito mais complexo, divertido e ousado do que aquilo que o material promocional anunciava ao mundo. O português Fernando Alle transporta a irreverência reconhecida de pequenos projectos de "culto" como "Papá Wrestling" ou "Banana Motherfucker" para o grande ecrã, com o selo sem preço da Troma de Lloyd Kaufman, valores de produção irrepreensíveis para o certamente baixo orçamento em questão e a segurança de um elenco onde Maria Leite brilha e Pedro Barão Dias primeiro estranha-se, mas depois entranha-se (e bem). Para (re)descobrir, de preferência numa sala bem composta, onde o seu groove rapidamente se tornará contagiante entre os presentes. Viens ici maintenant, Jean-Pierre!

segunda-feira, abril 08, 2019

Fahrenheit 451 (2018)

Quando o livro de Ray Bradbury foi lançado em meados do século passado, o impacto foi imediato: um manifesto contra a censura e as inquisições numa altura em que McCarthy começava a dominar os EUA. O tempo passou e a mensagem da obra evoluiu: uma mostra de como a televisão iria matar o nosso interesse pela literatura, imbecilizando as pessoas - "It is about people being turned into morons by TV", nas palavras do autor, entretanto falecido. Expectativas demasiado altas portanto para uma adaptação cinematográfica que prefere optar pela força da acção em cena em vez de explorar o impacto e a profundidade da mensagem. Ramin Bahrani - quem?!?... exacto! - toma sempre o passo mais fácil, em direcção ao blockbuster genérico, em torno do habitual arco do herói e do vilão, sem riscos nem grande alma. O coração está lá, a espaços, mas tudo o resto ficou na prateleira.

segunda-feira, março 04, 2019

Vice (2018)

Alguém escreveu no Letterboxd que Adam McKay foi um realizador muito interessante até ao momento em que tentou ser visto como um. Uma perspectiva interessante que acaba por dizer muito de "Vice", um filme biográfico sobre uma personagem pouco ou nada cativante, uma sátira sem força nem talento na mensagem - apenas nos mensageiros -, um projecto acusatório demasiado condescendente sem objectivo nem impacto neste momento da vida dos visados. Repleto de artimanhas narrativas tão hábeis e sagazes quanto desnecessárias, "Vice" não aquece o coração - mas também não deixa arrefecer a mente. Mais um filme moldado para a temporada de prémios, mais preocupado em agradar o juiz do que os jurados.

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Make Us Dream (2018)

Documentário produzido para a Amazon sobre a carreira de Steven Gerrard e todo o culto que se gerou em torno do seu talento e atitude em campo, uma autêntica lenda de um dos clubes mais intensos e premiados de Inglaterra. Narrado em muitos momentos pelo próprio e realizado pelo experiente documentarista Sam Blair ("Maradona 86"), "Make Us Dream" centra-se em três momentos fundamentais da sua vida em Liverpool: a conquista da Liga dos Campeões em 2005 numa final de loucos contra o Milão de Rui Costa, Kaká e companhia; o momento (2006) em que anunciou que queria sair do clube - altamente cobiçado pelo Chelsea de José Mourinho, que mais tarde ainda o tentou levar para o Inter e Real Madrid - e toda a revolta dos adeptos do clube, que queimaram camisolas e o apelidaram de traidor; e, finalmente, a escorregadela fatal quase em fim de carreira que custou o primeiro título de campeão inglês ao seu clube do coração desde 1990. Um jogador ímpar, um clube sem igual, um documentário cativante. "You'll never walk alone"!

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Bird Box (2018)

Adaptando a célebre frase de Mark Twain, as notícias desta morte cinematográfica foram claramente exageradas. "Bird Box" está longe de ser a proclamada e anunciada desgraça que as redes sociais difundiram, movendo-se como uma obra claramente imperfeita - os avanços e recuos na história acabam por não resultar enquanto artefacto narrativo, tornando demasiado óbvio o destino de várias personagens - mas, ainda assim, com vários elementos de interesse e suspense que justificam não só o mais casual dos visionamentos como o investimento feito pela Netflix no filme da dinamarquesa Susanne Bier. Mérito para um final risonho quando a esperança era cada vez mais nula e a clara sensação de que Sarah Paulson e Sandra Bullock deviam ter trocado de papéis no casting. Sandrinha, já deste o que tinhas a dar - 45 milhões de visionamentos na semana de estreia, dirão os seus defensores em resposta.

quarta-feira, fevereiro 06, 2019

Avengers: Infinity War (2018)

Uma proeza: ao final de quatro dias e sete power naps, consegui passar a primeira hora e meia de epilepsia CGI dos "Vingadores: Guerra do Infinito" e finalmente acabar aquele que muitos consideraram no ano passado como a Mona Lisa da Marvel. Meus amigos, Markls e companhia, um final arriscado e refrescante - na verdade, um falso final arriscado e refrescante, já que obviamente esta ladroagem StanLeeana vai arranjar maneira de reverter a coisa e não perder biliões com o desaparecimento de tanto boneco das prateleiras - não chega para que o cinéfilo minimamente exigente consiga ignorar uma mão-cheia de decisões sem sentido (de acordo com os super poderes disponíveis para cada herói), a barafunda anárquica de tanto personagem a tentar dar nas vistas e, no fundo, toda uma aura de Dragon Ball em torno de cada novo filme do género que começa a tornar-me cada vez mais nostálgico dos Batman de Nolan. Cansado, cansadinho da Marvel.

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Cam (2018)

A estreia na realização de Daniel Goldhaber leva Alice directamente do País das Maravilhas para o mundo digital dos taradões e da futilidade sensual. O clássico de Lewis Carroll enche esta produção da Netflix de referências - começando logo pelo nome da personagem -, resultando num thriller competente que nunca deslumbra mas, igualmente, raramente aborrece. Tudo somado, o processo acaba por ser muito mais interessante que a resolução e Madeline Brewer ("The Handmaid's Tale") não compromete a levar o filme às costas. Como diria o tio Pedro, Boff.

domingo, janeiro 06, 2019

Ruth (2018)

"Ruth" tinha não só uma história como um contexto sócio-político de base extraordinário para orquestrar um filme realmente interessante, clubismos e preconceitos à parte. Mas a verdade é que tudo isso perde fulgor e impacto numa realização demasiado limpinha de António Pinhão Botelho (na sua estreia), uma edição sem brilho na criação de um fio condutor e, pior que tudo, numa mão-cheia de interpretações demasiado forçadas, quase teatrais, de praticamente todo o elenco à excepção, surpresa das surpresas, de Igor Regalla, aqui Eusébio da Silva Ferreira, o mais jovem num elenco repleto de pesos pesados. Merecia a tentativa, mas acabou por não valer o esforço.

sexta-feira, janeiro 04, 2019

Commando Ninja (2018)

Ninjas, dinossauros, cyborgs com visão de Predador, maminhas e fatos de banho à anos oitenta, intestinos à vista, sangue, humor negro, sonoplastia irresistível e mil e uma referências a clássicos como "Rambo", "Commando", "Highlander", entre tantos outros. "Commando Ninja" tinha, à partida, tudo o que era preciso para ser um favorito de culto de cinéfilos série-Z de lés-a-lés. Mas a aposta em transformar material suficiente para uma curta-metragem numa arriscada longa-metragem arrasta todo aquele entusiasmo inicial para um cansativo, quase enfadonho, esforço de um conceito que perde piada e coolness a cada minuto que se espalha no seu esforço tremendo em justificar tamanha duração. Já se fez bem pior com mais do que trinta e seis mil dólares mas, como um dia disse-me a minha mulher, mais vale pequeno e bom do que grande e desleixado.

domingo, dezembro 02, 2018

The Equalizer 2 (2018)

A primeira sequela da carreira do soberbo Denzel Washington, numa personagem irresistível que sustenta sozinha qualquer guião, por mais previsível e formulaico que seja. É o caso deste "The Equalizer 2 - A Vingança", um simples filme de acção onde o magnetismo do herói sobrepõe-se - e bem - à ingenuidade incompetente dos vilões, sem necessidade de twists narrativos ou danos colaterais secundários para manter o espectador preso às nobres - mas sombrias - intenções do justiceiro. Entretenimento de primeira qualidade, sem nada escondido na manga, naquele que poderia muito bem ser um herói de acção dos anos setenta ou oitenta. Venham as sequelas que acharem por bem; estou dentro. Estamos todos.

terça-feira, novembro 20, 2018

Widows (2018)

Primeira longa metragem de Steve McQueen após o sucesso crítico estrondoso de "12 Anos Escravo", "Viúvas" revela-se um thriller competente - mas nunca deslumbrante - interpretado por um elenco multi-facetado capaz e apelativo - mas nunca demasiado ousado - e orquestrado por um realizador de talentos indiscutíveis mas que, pela primeira vez na sua carreira, parece ter-se deixado seduzir pelo lado mais sombrio de Hollywood: o da fórmula certinha que não precisa de grandes rasgos de realização para funcionar. Mesmo puxando de vários trunfos guardados debaixo da manga para revirar a narrativa do avesso, McQueen contenta-se com o tom pouco provocador da obra literária de Gillian Flynn ("Gone Girl"), nunca sabendo se deve focar-se na vertente feminista do golpe, no lado corrupto da política ou na esfera obscura da dupla-traição. Tudo junto resulta numa daquelas refeições que servem perfeitamente quando se está cheio de fome - e tão pobrezinhos que andam os cinemas - mas que dificilmente nos lembraremos de pedir para repetir quando estivermos de barriga cheia.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Searching (2018)

A história que dá o mote a "Pesquisa Obsessiva" - um pai à procura da filha desaparecida - já foi contada e recontada inúmeras vezes na grande tela. Mas através de janelas de browsers e aplicações diversas, do Facebook ao Twitter, eis toda uma nova artimanha narrativa que, conforme o nosso nível de receptividade à mesma, pode tanto cativar como aniquilar os nobres propósitos de Aneesh Chaganty, jovem (1991) norte-americano que se estreia em grande estilo nesta produção de Timur Bekmambetov. Um thriller intenso que salta constantemente entre ecrãs de telemóveis e computadores, num registo excitante de voyeurismo onde o privado e o público se misturam, a sátira cínica e o drama se complementam e a soma de tantas partes - da extraordinária sequência inicial ao miúdo que só queria esconder o facto de ter ido a um concerto do Justin Bieber - resulta num todo refrescante e coeso.


segunda-feira, novembro 12, 2018

The Girl in the Spider's Web (2018)

Mais um thriller de espionagem insípido - "Mercury Rising" com tatuagens e filhas traumatizadas -, onde todas as personagens são heroínas ou vilãs, repleto de conveniências narrativas e de uma mão-cheia de artifícios visuais arrojados com o objectivo de compensar a falta de criatividade e profundidade da trama. Incontáveis suecos, em Estocolmo, a falar inglês entre eles com sotaque nórdico - vá-se lá saber porquê -, um salto cinematográfico do primeiro para o quarto livro - também vá-se lá saber porquê - numa espécie de soft-reboot-sequel onde Claire Foy não encaixa em Lisbeth Salander como Rooney Mara já o fez e, claro, o esforçado Fede Alvarez ainda tem que comer muita sopinha para chegar aos calcanhares de David Fincher. Filme boff no seu esplendor, que rapidamente cairá em esquecimento.

terça-feira, outubro 30, 2018

Bohemian Rhapsody (2018)

A certa altura de "Bohemian Rhapsody", quando um muito bem disfarçado Mike Myers arrasa com o tema que dá nome a esta biografia cinéfila dos Queen - e que serviu de mote para o arranque do seu "Wayne's World" -, Freddie Mercury defende que as "fórmulas são más" e que a sua banda quer inovar, romper com o esperado, fazer algo nunca antes feito. Algo completamente ignorado por quem orquestrou este projecto amaldiçoado durante quase uma década, com várias escolhas confirmadas e canceladas para elenco e realização, culpa de um controlo criativo excessivo por parte de Brian May e companhia. Para quê arriscar quando não há como falhar com uma banda-sonora irresistível e uma história de vida que funciona pela simples sugestão em cena? Para quê enfrentar os demónios de forma suja e paranóica quando a famigerada fórmula quase romântica do bem e do mal, do amor e do ódio, chega? E assim se fez, uma biografia dos Queen disfarçada como sendo de Mercury - mas que nunca o é, ignorando ou desvalorizando a sua carreira a solo e todos os momentos em que se afastou da banda. E fica a ilusão do que seria se um realizador como David Fincher fizesse de Mercury o seu cisne negro.

sexta-feira, outubro 19, 2018

Who Shot the Sheriff (2018)

Documentário Netflix que se foca numa tentativa de assassinato sofrida por Bob Marley anos antes da sua morte como ponto de partida para a análise do confronto político e social que envolveu a Jamaica no final da década de setenta. E essa talvez seja logo a primeira grande desilusão de quem não estava familiarizado com a morte da lenda do Reggae: não, este não é um crime-doc sobre quem matou Bob Marley, que padeceu vítima de cancro em 1981. Mais: "Who Shot the Sheriff" nem sequer dá muita atenção à arte e engenho criativo de Marley enquanto músico mas sim destaque a toda a sua vertente pacificadora, social e cultural enquanto ícone do movimento rastafári. Expectativas trocadas, sabor agridoce.

sexta-feira, setembro 14, 2018

Mission: Impossible - Fallout (2018)

Um ano de treino intensivo, tanto em queda livre como aos comandos de um helicóptero, três continentes, dois invernos, um mês para filmar uma única cena - a do salto do avião, ao fim de cento e seis tentativas - e um tornozelo partido; Tom Cruise não brinca em serviço e é isso que faz este "Missão: Impossível - Fallout" sobressair num género cada vez mais dominado pelo CGI e por largos panos verdes. A narrativa é pouco mais do que banal mas a acção é visceral e real e isso sente-se em cada expressão, cada movimento, cada corrida de Cruise e companhia. Bons vilões, twists competentes e uma saga mais viva do que nunca.

sexta-feira, setembro 07, 2018

Game Night (2018)

"Noite de Jogo" cumpre com facilidade os requisitos mínimos da crítica enquanto comédia de massas - algo cada vez mais raro no género. Risos genuínos, piadas adultas sem precisar de baixar o nível, tom requintado mesmo quando entra na esfera do absurdo, uma mão-cheia de plot twists em torno do mistério, nada de segundas intenções sentimentais ou dramáticas em torno do casal-chave e, mais importante que tudo, um elenco competente que tirou gozo do que estava a fazer. Divertimento escapista, bem filmado, que rapidamente cai no esquecimento - e isso nem sempre é mau. Fica a imitação de Denzel Washington para mais tarde recordar.

terça-feira, julho 31, 2018

Deadpool 2 (2018)

A sequela de uma das mais irreverentes abordagens ao universo de super-heróis em tempos recentes revela-se um cocktail de exageros; para o bem e para o mal. Mock humor na linha do seu predecessor, fluidez narrativa dentro das expectativas e efeitos especiais de primeira linha. Mas aquela indestrutibilidade caótica apresentada logo na introdução mata qualquer esperança de tensão, qualquer sentido que se tente tirar de uma brincadeira que, verdade seja dita, não tem essa coesão e coerência como objectivo. Bom (e inesperado, para ser honesto) trabalho de David Leitch ("Atomic Blonde"), apimentado pela sortuda Zazie Beetz. Eu cá jogava Dominó com ela.