sexta-feira, setembro 25, 2020

Nalgas Flash Review: The Shadow

quinta-feira, setembro 24, 2020

Rapid Fire (1992)

Que mimo perdido no tempo. Brandon Lee com aquele seu carisma meio tosco, meio humorado, a arrear polícias corruptos de toalha de banho com a mesma facilidade com que pinta uma mulher nua numa aula de arte. Acção destemida e barulhenta dos anos noventa em estado puro, sem vergonha de ter vergonha, sem medo das baladas rock a acompanhar uns bons abdominais suados, sem medo das generalizações, dos clichés, daquele sentimento de impunidade perante tudo e todos. Três "filhos da p*ta" ditos em voz alta em trinta segundos, porque sim. One-liners tão estúpidos e incoerentes quanto irresistíveis. E o Powers Boothe bonzinho, qual twist invertido; ninguém estava preparado para o Powers Boothe não ser um crápula. A não ser para aquele pino de bowling. Coitado, ninguém o mandou ficar sempre em pé.

quarta-feira, setembro 23, 2020

Riz Ahmed for the stars

terça-feira, setembro 22, 2020

Truth or Dare (2018)

Verdade ou Consequência? Verdade. Vi este filme por vontade própria? Não. Foi consequência? Sim, de estar casado. Fui na conversa da minha mulher porque isto tinha a Lucy Hale? Sim. O quê, duas verdades consecutivas? Não se pode, o espírito malvado não deixa. E se lhe apetecer a consequência é um desafio que obriga a dizer verdades. A sério? Era preciso fazer batota? O objectivo é que todos os jogadores morram, mas os desafios de matarem-se uns aos outros só chegam nos últimos vinte minutos, antes andamos a aturar brincadeirinhas para revelar segredos de paixonetas proibidas e saídas do armário. Valeu pela cena final - pelo menos neste extended director's cut (lol) que está na Netflix -, inesperadamente ousada depois de tanto sorriso pateta de snapchat. Aguardemos agora pela sequela, baseada no jogo da garrafa. Estou a brincar. Por enquanto.

segunda-feira, setembro 21, 2020

Nalgas Flash Review: Shirkers

domingo, setembro 20, 2020

Thunder Road (2018)

Uma personagem peculiar num filme peculiar, com um turbilhão de sentimentos opostos constantemente em colisão, muitas vezes até dentro da mesma cena. Um polícia em luto pela morte da mãe ao mesmo tempo que lida com um divórcio complicado - ex-mulher drogada, saída de casa e uma filha pequena pelo meio -, um papelão de Jim Cummings, aqui também realizador, sempre naquela linha ténue que separa a loucura da genialidade, a vergonha alheia da pena e compaixão. Não vão encontrar aqui um tratamento vulgar para os lugares comuns de um homem em burnout psicológico e, acaba mesmo por ser nessa sua excentricidade que reside o encanto desta curta (2016) que virou longa (2018). A cena inicial no velório dá esse pontapé de saída de forma fenomenal, deixando-nos naquela inquitação constante entre o drama e a comédia, entre o herói e vilão, entre o tresloucado e o coitadinho. Uma certeza fica: Jim Cummings é para seguir com muita atenção nos próximos anos.

sábado, setembro 19, 2020

Nolan meets Ari Aster

sexta-feira, setembro 18, 2020

Flawless (1999)

Um polícia reformado ultraconservador (De Niro) sofre um enfarte e vê-se obrigado a ter terapia da fala, em formato de aulas de canto, com um drag queen que vive no seu prédio, personagem esta interpretada de forma tão exótica e esteriotipada quanto competente pelo saudoso Philip Seymour Hoffman. Uma mão-cheia de subplots desnecessários - o concurso de beleza de travestis que dá nome ao filme, o embate com a comunidade LGBT republicana, uma espécie de Danny Trejo que controla o negócio todo da droga à procura do que lhe roubaram no edifício, um tipo que toca viola a espaços com rimas terríveis sabe-se lá porquê, as prostitutas/acompanhantes que dançam tango, etc, etc. Uma grande confusão de temas que Joel Schumacher raramente consegue harmonizar num todo coerente, mas que ainda assim resulta numa experiência excêntrica - e desconhecida para a maioria - que permite recordar o melhor e o pior de duas figuras marcantes do meio (Schumacher e PSH) que já não estão entre nós.

quinta-feira, setembro 17, 2020

Thunder Wolf

quarta-feira, setembro 16, 2020

Suores Frios: O Nokia de Blair Witch

Não gosto de filmes de terror. Ou melhor, não gosto de ver filmes de terror. Entrei nesta negação quando com onze ou doze anos apanhei "O Dentista" de Brian Yuzna a passar por volta da uma da manhã na TVI e, deitado na cama, às escuras no meu quarto, fiquei a vê-lo até ao fim. Sei lá porquê. Tanta coisa melhor que me fez adormecer ao longo das últimas três décadas no sofá, na cama, na cadeira do computador, até sentado no chão com miúdos com cólicas ao colo. Mas este fiquei até ao fim. Resultado? Anos de pesadelos inexplicáveis relacionados com dentistas. Eu que até sempre gostei - e ainda gosto - de ir ao dentista. Mas naquelas noites que acordava com "suores frios", ou era o Schwarzenegger de metrelhadora e peito ao léu a disparar contra um autocarro comigo lá dentro - e sim, tive este pesadelo várias vezes, acordando em pânico no exacto momento em que era atingido -, ou vinha o ca**ão do dentista despachar-me, comigo imóvel naquele cadeirão deitado, congelado e imobilizado por um qualquer anestésico. Vieram anos e anos a comer cinema ao pequeno-almoço, almoço e jantar. Nunca nada que tivesse pinta de pregar um cagaço ou outro. Nem o raio dos clássicos que todos falavam, dos Sextas-Feiras 13 ao Exorcista, dos Halloweens ao Poltergeist. Tudo muito bonito até ao momento em que me apaixonei pela minha mulher e, depois de passar o ponto de não-retorno, percebi que ela só gostava de filmes de terror. Tudo o resto adormecia em cinco minutos, fosse na sala de cinema ou em casa.

Lá tive que descobrir tudo o que tinha ficado para trás. Os clássicos, as estreias, os mais refundidos, os asiáticos, os raios que os partam. Até que chegou o dia, ou melhor, a noite, que me traz aqui. A noite em que metemos uma cassete VHS d'"O Projecto de Blair Witch". Sozinhos em casa, ali numa noite de verão durante o Euro 2004. Todos sabem do que se trata, não é preciso grandes apresentações. Remeto-vos já para a cena final. Lembram-se? Uma personagem possuída, em pé, num canto de uma casa abandonada no meio do mato, cabeça e braços para baixo. "Borrei (não literalmente, felizmente) a cueca", para não variar. Duas ou três da manhã, finito, vamos dormir: ela ri-se do que viu, eu estou tão incomodado quanto arrepiado. "Mas para que é que vejo estes filmes?", pensei uma vez mais. Fechamos os olhos, adormecemos.

Sono profundo. Uma, duas, três, sei lá quantas horas passam. Sinto movimento, oiço um barulho, descerro um dos olhos para espreitar o que se passa. O que vejo dispara-me o coração para fora do peito, como nunca antes - ou depois - na minha vida. A minha mulher (então namorada) no canto do quarto, cabeça e braços para baixo. Cabelo longo, tal e qual como no filme. Caio da cama, começo aos gritos, acordo o prédio inteiro. Ela asusta-se tanto com a minha reacção quanto eu com a presença dela naquele canto. Pensei que tinha sido uma partida dela e estava pronto para a matar. Mas não, afinal tinha ido pôr um daqueles tijolos com Snakes chamados Nokias 3210 a carregar. Estava, segundo ela, há horas a fazer aquele apito irritante de bateria baixa de cinco em cinco minutos. Foi uma coicidência dos diabos - ou das bruxas, para ser mais preciso com o filme em causa. Foi o susto de uma vida. E voltei a fechar a porta ao terror. O amor também tem limites. Mais de quinze anos sem rever esta cena e, só de escrever este texto, lembro-me dela como se fosse ontem. Mas porque é que alguém vê filmes de terror? Explicam-me?

Participação a convite da Rita Santos do blogue Not a Film Critic.

terça-feira, setembro 15, 2020

What's in the box?

segunda-feira, setembro 14, 2020

Unsane (2018)

Filmado em dez dias, com um iPhone 7 Plus, Steven Soderbergh prova uma vez mais o seu talento ímpar, a forma irreverente como não aceita ser apenas mais um realizador na indústria que não sai da sua zona de conforto. Cada novo filme é uma experiência criativa diferente, sempre com uma narrativa misteriosa sólida, multifacetada e com as várias mensagens subliminares que o norte-americano tanto gosta - capitalismo, seguros e sistemas de saúde, as letrinhas pequenas nos contratos, traumas psicológicos, etc. Tensão constante, Claire Foy magnânime, inquietações na tela e no sofá, a dúvida sobre quem diz a verdade, um todo tão consistente, eficaz e visualmente competente que nem parece possível ter sido filmado com um telemóvel. Não é mesmo para quem quer, é para que sabe.

domingo, setembro 13, 2020

Nalgas Flash Review: Tenet

sábado, setembro 12, 2020

#Alive (2020)

Nem tudo o que vem da Coreia do Sul reluz. Dois adolescentes a lidar com um apocalipse zombie que aparece do nada, culpa de um vírus misterioso, obrigando-os a uma quarentena forçada em casa. O timing da estreia não podia ser melhor neste panorama pandémico que nos rodeia, mas a verdade é que o protagonista não tem jeito nem carisma para segurar um guião sem chama nem uma única ideia original para o género. Culpa talvez desse bad acting, da falta de química entre tótó gamer e rapariga dos escuteiros, não criamos qualquer laço com as personagens, deixando-as confortavelmente nas mãos do destino. Destino que, ainda por cima, caminha quase sempre entre o óbvio e previsível. Revejam antes o "Train to Busan", nem que seja pela décima vez.

sexta-feira, setembro 11, 2020

Nalgas Film Club

"(...) E eis que um dia a Mónica Freitas, a quarta Nalga que opera nas sombras mexendo os cordelinhos do controlo, sugere um clube de cinema. Como aqueles clubes do livro dos filmes Halmark, onde donas de casa entediadas e fartas do seu vibradores, double dongs e fistmaster 3000 discutem semanalmente um livro à volta de uma mesa a beber vinho branco que acaba invariavelmente em confissões de fantasias sexuais, onde trocariam de bom grado aquele traste que lá têm em casa por um gangbang com a equipa de basquetebol do Sudão numa cabine comboio embaciada de pecado que atravessa os Alpes cobertos de neve. (...)" [Cinema Xunga]

quinta-feira, setembro 10, 2020

The Arrival (1996)

"Eles Chegaram" funciona muito bem durante trinta a quarenta minutos: conspiração governamental ou não, paranóia ou realidade, existirá mesmo vida extraterrestre ou é tudo imaginação fértil de um maluquinho dos satélites? Qual episódio de "Ficheiros Secretos" com Charlie Sheen no papel de um homem mais preocupado com o trabalho do que com as mulheres - as voltas que a vida dá. Percebemos aos poucos que afinal o maluquinho tem razão, mas continuamos (e bem) sem perceber o que se passa. Mistério simpático com pitadas de humor e a Teri Polo novinha. Tudo certo. Depois lá desmontam peça após peça, assim limpinho, como o título em Portugal. "Eles" andam por cá, entre nós, e o mistério é agora um filme de acção, em que importa sobreviver aos "eles" até conseguir avisar o mundo inteiro da sua presença. Esqueceram-se que isso nunca bastaria, era preciso o mundo acreditar na mensagem. Toca a despachar que se faz tarde. Fica a intenção.

quarta-feira, setembro 09, 2020

Diana Rigg (1938-2020)

terça-feira, setembro 08, 2020

Nine to Five (1980)

Comédia feminista de gatilho rápido, liderada por uma tripla de protagonistas - Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton - em constante choque com o chefe misógino (o tremendamente eficaz Dabney Coleman), verdadeiro arqui-vilão da causa. O que hoje parece meio pateta foi na verdade um marco para o género em Hollywood: primeiro filme com preponderância feminina no elenco a passar os cem milhões de dólares na bilheteira e, culturalmente, uma mensagem forte anti-sistema que dava alguma esperança de possíveis mudanças num sistema sócio-económico claramente dominado pelo sexo masculino, originando inclusive uma série televisiva que durou meia década. Nem sempre "Das 9 às 5" acerta nos riscos que toma - as sequências de sonho e os desenhos animados interlaçados com o real matam um pouco o propósito do projecto -, mas uma música intemporal da aqui estreante (em Hollywood) Dolly Parton e todo um feeling cinematográfico típico dos anos oitenta, onde tudo era possível e credível em tela por mais idiota que fosse dão o tom para quase duas horas de boa disposição.

segunda-feira, setembro 07, 2020

domingo, setembro 06, 2020

Train to Busan (2016)

Realização imaculada, ritmo perfeito, efeitos especiais de primeira linha, uma série de personagens complexas que conseguem captar a atenção - e, porque não, a preocupação - do espectador, uma história familiar construída com cabeça, tronco e membros ao longo das duas horas de filme e, melhor que tudo, um final ousado que não se satisfaz com nada menos do que a brutal redenção de um pai que precisou de um apocalipse zombie para perceber o que realmente importava na sua vida. Zombies atletas, mortes cruas e atrevidas, mistério q.b. sobre o que se passa no exterior, energia a rodos e uma pequena jovem actriz (Kim Soo-an) que arrasa qualquer cena em que é chamada a brilhar. Coreia do Sul, estamos juntos.

sábado, setembro 05, 2020

There's a new Cronenberg in town

sexta-feira, setembro 04, 2020

Class Action Park (2020)

Documentário de tom divertido e construcção leve que, provavelmente, deveria - por uma questão ética, de respeito às vidas que ali se perderam - e teria funcionado melhor num registo mais sombrio. Ainda assim, irresistível a nostalgia de uma década de excessos, de uma geração de crianças e adolescentes que vivia das brincadeiras na rua, do perigo, das loucuras cometidas nos limites da sanidade física, que hoje seriam de todo impossíveis sem toda uma rede de segurança montada em redor. A crítica ao homem que enganou meio mundo, primeiro em Wall Street, depois ignorando a lei, as autoridades e toda e qualquer regra de segurança na criação deste parque de diversões é amparada pela espécie de louvor capitalista de todo o emprego e desenvolvimento que gerou numa região até então inóspita dos arredores de Nova Iorque, sendo este aspecto mesmo um bom exemplo da ambiguidade moral que invade esta viagem entre imagens de arquivo e testemunhos saudosos de um tempo que nunca mais voltará.

quinta-feira, setembro 03, 2020

Nas Nalgas do Mandarim - S07E13

quarta-feira, setembro 02, 2020

The Vast of Night (2019)

Como que um episódio de um podcast de narrativa/mistério trespassado para o pequeno ecrã com um qualquer filtro retro de Instagram, eis um objecto construído de forma tão elegante e encantadora - não fossem saudosos os dias em que a rádio tinha o mundo a seus pés - quanto, na verdade, lenta e aborrecida. Monólogos fortes que compensam diálogos vulgares, uma homenagem a uma época perdida e, porque não, a um universo enigmático envolto nas franjas do "The Twilight Zone" que ainda assim perde-se num vazio de uma estrutura sem ritmo nem corpo, apenas voz. Vendo de barato que este desconhecido Andrew Patterson possa ter um futuro brilhante pela frente; mas uma boa ideia e uma estética convincente não chegam para tudo.

terça-feira, setembro 01, 2020

Bem-vindos a uma nova casa!