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quinta-feira, janeiro 15, 2026

Pantani: The Accidental Death of a Cyclist (2014)

Muitas histórias ficaram de fora que teriam servido para orquestrar um documentário muito mais complexo e interessante sobre um dos ciclistas mais polémicos da história do ciclismo mundial. As viagens a Cuba, as ligações a Fidel, Maradona e à máfia italiana, os milhões conquistados durante o seu período dourado, aquele em que conquistou a dobradinha Giro-Tour, o último a fazê-lo até Pogacar repetir o feito em 2024. O rei da montanha, o pirata filósofo, o defensor da classe, o amigo das crianças. Ficam melhor servidos com o artigo da bicycling.com sobre o mesmo do que com esta hora e meia de documentário, mas ainda assim é visualização obrigatória para qualquer adepto do desporto de duas rodas como eu. Vilão ou vítima de um sistema corrupto, Pantani subiu como poucos, caiu como muitos; o preço da glória numa época "negra" da UCI.

domingo, novembro 23, 2025

Don Rickles: One Night Only (2014)

My Mount Rushmore of Comedians would be Don Rickles, George Carlin, Robin Williams and Richard Pryor. But only because that Scorsese/De Niro duo didn't have a stand-up career together. They rocked the stage like no other on this special event. So great and rewarding that Don got to receive all this love and recognition while he was still alive and mentally sane. Let's just wonder why, with so many stars from so many fields there that evening, the director decided to constantly focus on Harvey Weinstein. Don, you were one of a kind!

sexta-feira, outubro 18, 2024

Everly (2014)

Cinco estrelas para o decote da Salma Hayek, uma estrela para a sua capacidade formidável de estragar qualquer cena sempre que abria a boca. Joe Lynch disfarçado de Tarantino no Carnaval, com uma mão cheia de ideias interessantes que, infelizmente, não consegue unir em sintonia e harmonia com a história, as personagens e até o estilo visual arrojado que aqui tenta empregar. Repetitivo e cheinho de diálogos ranhosos - "m*rda e morte é o que ele nos traz", começo a achar o Joe Lynch mais interessante no Letterboxd (thejoelynch) do que sentado na cadeira de realizador.

terça-feira, fevereiro 06, 2024

Dying of the Light (2014)

O Paul Schrader num directo para vídeo porque foi corrido pela produtora mal acabou de filmar - edição e montagem sem a sua supervisão e autorização -, o Nicolas Cage de cabelo esbranquiçado com uma doença terminal que lhe dá cabo do juízo e um Carrefour. Não sei o que me deixou mais surpreendido, mas muitas saudades daquela manteiga irlandesa que havia no Carrefour de Telheiras. CIA, terroristas, orelhas cortadas a meio, o riso maquiavélico do Nicolau Jaula e muita conversa de espião, qual triunfo da burocracia e da política sobre o bom e velho método de tratar do assunto pelas próprias mãos. Até que fartam-se e, no meio de tanto tiro sem sentido junto a piscinas, ficamos com saudades da conversa. Era suposto ser um estudo estilístico - os planos desfocados, a confusão da personagem principal passada para o lado do espectador - sobre a demência por parte de Schrader, acabou a ser um thriller de espionagem sem chama nem alma pelos tipos que realmente mandam em Hollywood.

quinta-feira, abril 20, 2023

Brian and the Boz (2014)

Boz: swashbuckling outspoken personality, controversial behavior and some really wild hairstyles. Brian: a cool thoughtful adult/dad. Boz got lost in time, in between injuries that cut short his professional football career and some disastrous movie experiences that followed his sporting retirement - except, as I've written many times before, "Stone Cold"; Craig R. Baxley crazy action blast is really stupendous. Brian remains now out of the two, with a packed small warehouse full of memories - his famous National Communists Against Athletes original T-shirt that became a symbol of rebellion against the NCAA's strict regulations included - and the desire to still make it as an actor. Overall engaging documentary, even for a total ignorant of American football history as I am. Just felt they should have exploited his movie career a lot more and also, why not, his brief professional wrestling cameos in the early 1990s. Brian, got your back, buddy!

quinta-feira, janeiro 12, 2023

Uivo (2014)

António Sérgio, nome mítico da rádio, "professor" e mentor de gerações de portugueses que descobriram as mais desconhecidas - hoje míticas - bandas de punk/underground/rock/metal de todo o mundo através dos seus mais variados programas em rádios como a Renascença, a Comercial ou, aquando da sua morte, a Radar. Foi o primeiro a passar nomes como Iggy Pop, Sex Pistols ou Joy Division em Portugal, foi editor discográfico mas também o primeiro pirata português - acabou absolvido de um processo instaurado pela Valentim de Carvalho -, divulgador e influenciador ímpar, jornalista espontâneo dedicado à música em tantos meios de imprensa escrita, pai e marido querido e respeitado, um homem de barba e sobrancelhas negras carregadas, voz inconfundível e espírito primeiro à frente do seu tempo - falava abertamente no direito à diferença na década de setenta e oitenta -, depois agarrado com unhas e dentes aos "tradicionais e arcaicos" discos numa era de playlists automáticas e computadores. Dezenas de entrevistas a nomes de relevo da música e da rádio em Portugal, numa belíssima homenagem de Eduardo Morais e da Antena 3 ao último dos independentes, um mestre que sempre fez, comeu, bebeu e fumou o que amava, dispensando cargos superiores, estatutos de estrela ou um coração em forma. Partiu cedo demais, mas viveu a vida, não a deixou passar. Relembrá-lo e continuar a ouvi-lo com regularidade é possível, graças ao impagável trabalho de recolha e disponibilização de arquivo do blogue "Lista Rebelde".

terça-feira, março 29, 2022

Magic in the Moonlight (2014)

Quase todas as imagens de marca do mestre num piloto semi-automático tão familiar quanto, infelizmente, concentrado no tom errado. O mistério engraçado abre quase sempre caminho para a comédia romântica sem química nem credibilidade entre o Nietzsche de meia idade céptico e pessimista de Firth e a jovem vidente sem chama ardente de Stone. Não se sente paixão por mais sugerida que seja; não se acredita que os próprios acreditem nos diálogos que vocalizam, por mais interessante que seja a escrita de Allen. Terceiro acto demasiado displicente - cá está, o amor após a revelação do truque de magia -, duas ou três auto-homenagens visuais - o observatório como refúgio, tal e qual em "Manhattan" - e uma cinematografia apurada em jeito de fábula, sob uma palete de cores que nos atiram directamente para os loucos anos vinte.

segunda-feira, dezembro 27, 2021

Creep (2014) / Creep 2 (2017)

Found footage de terror psicológico, do bom. Impressionante o talento e a mestria de Mark Duplass em transformar cinco páginas de guião com ideias soltas e uma só semana de filmagens num todo que, mesmo construído com base na constante improvisação dos poucos envolvidos, demonstra uma coesão e coerência narrativa e estrutural notável. Inicialmente pensado como comédia negra mas feliz e eficazmente moldado por Patrick Brice para um tom muito mais sério, sentimos em cada cena a dúvida e incerteza que pairava nos actores sobre a acção seguinte. Essa sinceridade ajuda a que seja extremamente difícil resistir a este Duplass, uma das figuras criativas, juntamente com o seu irmão, mais irreverentes do panorama contemporâneo cinematográfico e televisivo. Na sequela, a "youtuber" Desiree Akhavan junta-se a este cocktail a um nível também elevadissímo, num filme que consegue igualar os méritos do primeiro tornando-o ainda mais honesto - o próprio vilão revela a sua identidade e pretensões numa suposta redenção espiritual pré-suicídio. Fico a torcer, muito mesmo, por um regresso a este universo num terceiro capítulo previsto desde o início por Duplass mas que teima em não dar sinais de vida.

quinta-feira, dezembro 16, 2021

The Amazing Spider-Man 2 (2014)

Como é que é possível ter uma morte inesperada e chocante de uma personagem-chave ligada ao Homem-Aranha e não conseguir construir e pensar a mesma com qualquer tipo de brilho ou emoção, como um momento-chave que marcaria toda uma nova saga? Marc Webb não é Sam Raimi e não há efeitos especiais ou competência técnica e tecnológica derivada do passar dos anos que substitua o poder da caneta. Jamie Foxx desaproveitado num vilão à Joel Schumacher cujos boxers são da mesma colecção dos calções do Hulk, Andrew Garfield sem carisma para ser mais do que "o" piadolas e o puto Osborn mais emo-enervante da história recente, sempre com a franja diferente a cada mudança de plano. Eu bem que tento fazer as pazes com estas bonecadas todas da Marvel, DC, Sony e companhia; mas não está fácil.

sábado, abril 17, 2021

Noah (2014)

Conversão muito mais literal de uma das histórias da Biblia - e daí muito menos intelectualmente desafiante e recompensadora - que o seu mais recente "Mother!", "Noah" resulta muito bem enquanto espectáculo visual, mas quase nunca como thriller ou, porque não, drama. Primeiro porque quase todo o público sabe à partida os pressupostos da história contada pelo ateísta - quem diria - Aronofsky e, segundo, porque as diferenças criativas introduzidas no guião pelo realizador para potenciar a relação e os conflitos - fé, pecados, esperança, vingança, perdão - entre as personagens acabam por não funcionar como pretendido. Fica o desastre épico de aspecto convincente e uma mão-cheia de interpretações de alto calibre - o que não deve ter sido fácil com tanto ecrã verde à volta.

terça-feira, agosto 25, 2020

Tokyo Tribe (2014)

Mas o que é que foi isto? Um musical rap japonês repleto de luzes néon, conceitos misóginos, ideias interessantes perdidas no meio de tanto estilo e tão pouca história - na verdade estou apenas a ser simpático, já que não encontrei por lá história nenhuma que não uma em torno da importância do tamanho de um pénis -, com malta que não sabe cantar nem interpretar. Não percebi sequer se eram rappers transformados em actores ou vice-versa. Coreografias impressionantes - de rua e de pancadaria - desperdiçadas num vazio irritante de raps consecutivos sem conteúdo nem musicalidade, uma confusão total que pode ter feito muito sentido enquanto nona arte (anime) mas nenhuma enquanto sétima. Fica a velhota DJ e "yo, nada mais, dreads, que isto não merece mais threads". Rima ao nível deste "Tokyo Tribe" de Sion Sono.

quarta-feira, maio 13, 2020

Non-Stop (2014)

A dupla Jaume Collet-Serra e Liam Neeson está para o cinema como Maradona e Careca estiveram para o futebol. À primeira vista, não tinham nada para dar certo - a rivalidade entre brasileiros e argentinos, uma equipa do sul de Itália que nunca tinha sido campeã, os problemas pessoais fora das quatro linhas, etc. - mas bastaram meia dúzia de minutos para perceber que, juntos, seriam mortíferos. E assim é com o catalão, que deixa (e bem) tudo nas costas do irrepreensível Neeson, garatindo-lhe apenas espaço, ângulos e planos para brilhar e finalizar qualquer thriller de premissa vulgar num irresistível one-man show de face e voz pesada. Encurralados num avião, num comboio, numa noite ou até, se me permitirem o oxímoro, no conhecido desconhecido, Collet-Serra e Neeson são mais do que suficientes para levantar a Taça UEFA. A Liga dos Campeões, essa, deixemos para o Keanu Reeves e companhia.

domingo, novembro 17, 2019

Calvary (2014)

Tour de force de contrição de Brendan Gleeson numa personagem desenhada propositadamente para o irlandês, numa história repleta de personagens secundários - doze, como os discípulos - cujos pecados giram em sua volta. Algures entre a sátira e o drama nasce o humor negro de John Michael McDonagh ("The Guard") no calvário de um padre bom que leva com as frustrações do mundo em torno do clero e dos seus escândalos sexuais. Não cansa, mas também nunca explode para além de um existencialismo bacoco que acaba apenas por servir como base para uma mão-cheia de piadas que fariam Woody Allen sorrir.

sexta-feira, agosto 30, 2019

Captivated: The Trials of Pamela Smart (2014)

Documentário da HBO sobre um assassinato que chocou os EUA no início da década de noventa - que posteriormente haveria de inspirar Gus Van Sant a realizar "To Die For", com Nicole Kidman numa personagem baseada no perfil de Pamela Smart -, "Captivated: The Trials of Pamela Smart" faz um bom trabalho a demonstrar como o acompanhamento do caso nos media nacionais, qual reality-show numa altura que estes nem existiam, influenciou de forma determinante a suposta imparcialidade que era fundamental para uma análise isenta dos jurados. Em tudo o resto, da criação de uma nuvem de dúvida em torno da suposta inocência de Smart, ao desvendar de gravações e entrevistas inéditas aos envolvidos, tudo mostra-se demasiado superficial e circunstancial para criar qualquer laço emocional no espectador. E por isso, no final, nem uma pinga de compaixão por uma mulher que cumpre uma pena de prisão perpétua desde a sua adolescência. Seria tão fácil...

quinta-feira, janeiro 10, 2019

Miss Meadows (2014)

Katie Holmes é uma professora de infância transformada em justiceira assassina nas horas livres, num guião sem sal nem pimenta - apenas uma narrativa demasiado básica que gira em torno do conceito inicial que abre este parágrafo -, realizado de forma praticamente amadora por Karen Leigh Hopkins - quem? Exacto. Sem garra nem graça, sem jeito de Holmes nem maneira de nenhum dos vilões, eis uma boa ideia esbanjada na incompetência de uma actriz de segunda que um dia sonhou ser realizadora de primeira. Toodle loo my ass.

segunda-feira, outubro 15, 2018

The One I Love (2014)

Um cenário complexo, qual aberração cósmica, dá asas a um sci-fi indie em torno da complexidade aberrante, não cósmica mas por vezes cómica, do amor matrimonial. Conceito original, repleto de potencial, que se desenrola de forma tão misteriosa quanto cativante e criativa. Mark Duplass volta a brilhar naquele registo tão próprio de um "eu" qualquer, aqui suportado em plena harmonia pela agora tão em voga Elizabeth Moss. Eis o desespero quase idiossincrático do amor, da chama que se apaga, da faísca que nem sempre chega; aqui com espaço para reaparecer em versões melhoradas de cada um deles. Será que chega?

sexta-feira, junho 02, 2017

Life Itself (2014)

Documentário apaixonante para qualquer um que ame e viva - mesmo que através de palavras - para essa arte chamada cinema, "Life Itself" é um documentário biográfico sobre o conceituado e multipremiado crítico de cinema Roger Ebert, entretanto falecido em 2013. Realizado por Steve James ("Hoop Dreams"), eis um retrato pessoal de uma vida repleto de memórias emocionantes e inspiradoras como de dificuldades recentes que mostram bem a fragilidade da condição humana. Sentimental, rico em histórias tão deliciosas quanto inesperadas - do alcoolismo ao seu casamento/divórcio profissional com Gene Siskel. Obrigatório para qualquer moviegoer.

sábado, maio 06, 2017

El incidente (2014)

Estreia promissora na realização do mexicano Isaac Ezban, "El Incidente" deambula entre duas histórias paralelas - ou será que não? - onde as personagens estão presas em loops espaciais - e não temporais, como é mais usual neste sub-género metafísico da ficção científica. Uma estrada que se encerra em si própria ou umas escadas que terminam onde começam não são nada mais do que metáforas para a nossa vida, um plano estendido da nossa existência, uma alegoria para as dinâmicas que repetimos desde pequenos até à morte. As esperanças da juventude e os arrependimentos da velhice num ambiente claustrofóbico, sem saída possível, que traz à flor da pele o pior de nós mesmos. A explicação, perto do fim, parece demasiado simples para tamanho puzzle que foi montado de forma perspicaz e ambiciosa. Ainda assim, uma experiência singular.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Gone Girl (2014)

Qual clássico perdido de Hitchcock sobre o desaparecimento/assassinato de uma mulher, apimentado com uma tensão psicossexual moderna que só um génio como David Fincher poderia filmar sem a banalizar, "Gone Girl" é um filme que se divide em dois momentos completamente distintos. Sem spoilers - pois quanto menos souberem melhor -, eis um portento produto de realização, uma adaptação imaculada de um livro complexo que nos mantém agarrados ao seu mistério do primeiro ao último minuto. Uma representação tremenda de Rosamund Pike, num enredo que brinca com a nossa percepção do que se passou e do que se pode vir a passar, entre twists tão obscuros quanto brilhantes. Meticuloso, credível e sem pressas. Como qualquer bom mistério deve almejar ser.

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Predestination (2014)

A montanha (internet) pariu um rato (sci-fi muito fraquinho). Que forma pateta de explorar o conceito das viagens do tempo, atirando-lhe para o meio do eterno dilema do ovo e da galinha, numa premissa tão absurda quanto previsível - não tinham passado vinte minutos e já era óbvio quem eram as personagens mistério. Narração desinteressante, conclusão sem chama ou qualquer significado relevante - foi mesmo só tentar o twist que parecia impossível -, num guião que se crê muito mais inteligente do que aquilo que realmente é. Se as viagens no tempo existirem mesmo, aproveitem para voltar atrás no tempo e dizerem a vocês mesmos para não verem esta brincadeirinha dos irmãos Spierig ("Daybreakers").