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segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Three Colours: Red (1994)

Unlike what the majority says, it is, for me, the weakest entry in Kieslowski’s overvalued trilogy. It starts really well but it ends up relying more on conceptual symmetry around fate and destiny than on the raw exploration of grief that defines Blue or the sharp moral tension of White. Red often prioritizes intellectual closure and meta-textual unity over dramatic urgency, making it feel more like a summative thesis than a fully lived emotional experience. And so, for the first time in the whole trilogy, I felt bored midway through it.

quinta-feira, dezembro 11, 2025

Trois couleurs : Blanc (1994)

A full-blown mafioso with a convoluted revenge plan, all because his wife thought he wasn’t… shall we say… "man enough". He gets divorced, humiliated, robbed, beaten, deported and stuffed into a suitcase… but true love never dies. And nothing fixes a broken heart quite like faking your own death and incriminating your ex for it. And then regreting it. God, these polish guys.

quinta-feira, novembro 27, 2025

A Força do Atrito (1993)

O acting de praticamente todo o elenco é medonho - candidato Vieira e restantes mosqueteiros incluídos -, a narração - que aparece a espaços, sem razão aparente - tenebrosa e o guião uma confusão de ideias apocalípticas, entre bares underground à "Barb Wire" que sobrevivem de subornos à autoridade corrupta aos bidões de combustível como o "ouro" mais procurado e desejado, que não levam a nada. Mas há um charme estranho e raro neste "Mad Max" lusitano, um ambiente de holocausto nuclear credível e cativante, entre edifícios abandonados, muita pedra e ferro velho e um vermelho barro que toma conta das imagens que, diria, é caso único na história do cinema português. Água, comida e outros bens essenciais, tudo normal, não exageremos, devia haver um Pingo Doce por perto. Agradecimentos ao Sporting Clube de Portugal nos créditos finais, havemos um dia de descobrir porquê. Mas o mais impressionante de tudo? Manuel João Vieira, atlético, a correr atrás de um comboio. Ena Pá 1997!

segunda-feira, novembro 17, 2025

Delta Force 2: The Colombian Connection (1990)

Como se a ideia de ter o Chuck Norris no Carnaval do Rio de Janeiro não fosse suficiente para nos agarrar a um filme, ainda passam o nome do Billy Drago nos créditos iniciais entre dois ou três pares de seios a abanar. Está comprado. O Chuck acaba por ser introduzido apenas mais tarde num dinner qualquer na terra do Tio Sam a despachar palermas mal educados e, por isso, já só esperamos que o irmão mais novo do Chuck Norris não tenha confundido o Rio de Janeiro com Bogotá no título. Tudo tranquilo, a besta do Billy Drago lidera um cartel na Colômbia que anda a encher a Flórida de cocaína e, claro, só um homem pode resolver o assunto: aquele que processou a NBC porque "Lei e Ordem" eram nomes registados de cada uma das suas pernas. Chuck Norris paraquedista, Chuck Norris trepador, Chuck Norris inconsciente depois de levar uma marretada na cabeça - terei que confirmar com as entidades competentes, mas provavelmente terá sido a única vez na carreira -, fianças de dez milhões de dólares que são trocos para o Dragozão, famílias mortas e um país chamado São Carlos, apesar do título ser Conexão Colombiana e não Conexão São Carlense. "Quando a morte chamar, vais berrar que nem um bebé", diz o pai Chuck para o tio Drago. Juntem explosões old school, limusinas a desviarem-se de mísseis disparados por helicópteros e, pelo menos para mim, é tudo um pacote mais do que suficiente para me limpar a alma para as próximas semanas.

quarta-feira, novembro 05, 2025

Three Colours: Blue (1993)

Diria o Pedro Abrunhosa que ninguém sabia quem te perdeu, Juliette. Azul, frio, triste, de mãos vazias, as mãos como os teus dias, tão leves e banais. O acidente que te levou o medo mas trouxe um segredo, o de um beijo apertado, de cara contra o vidro. Dançar e rodar no chão molhado, porque uma asa voa a cada beijo teu. Liberta o passado, abraça alguém como se abraça o tempo, és dona da música e do céu, e ninguém sabe quem te perdeu. Bonito, mas sobrevalorizado.

sexta-feira, outubro 10, 2025

Samurai Cop (1991)

Samurai Cop” is the kind of cinematic trainwreck that makes me love bad movies so much. Maybe even more than the good ones! With wooden line delivery by almost every character, the entire movie is a parade of unintentional brilliance. The acting is so catastrophically bad it loops back around to being hypnotically entertaining, with gratuitous sex scenes that pop up as randomly as the villain’s evil one liners and Mathew Karedas impressive naked ass. That's some really hard ass. As a whole, it deserves to be studied in acting schools... but as a warning of what not to do in almost every scene. By the end, I genuinely couldn’t tell if I’d witnessed a masterpiece of accidental comedy or a total cinematic disaster; but I had an absolute blast either way. Two stars... with a HEART!

quarta-feira, outubro 08, 2025

Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse (1991)

Watching it, you realize that Apocalypse Now wasn’t made, it was survived. That’s why it stands as the father and mother of all behind-the-scenes films: it doesn’t just peek behind the curtain, it drags you through the mud, the rain, and the endless ego clashes that nearly devoured the project. Compared to today’s studio “epics” built on green screens and safety nets, "Hearts of Darkness" is a brutal reminder that filmmaking used to be a dangerous physical endeavor, one with sweat, typhoons and literal heart attacks, not pixels. Every frame screams of risk and insanity. It’s not just a documentary; it’s a hymn to the raw, spectacular insanity of making movies when cinema was still willing to bleed.

segunda-feira, setembro 22, 2025

The Pelican Brief (1993)

Coitada da Julia Roberts sempre com cara de quem perdeu o 711 da Amadora para Benfica, perto do anoitecer. Conspiração e paranóia ao velho (bom) estilo de Pakula, Denzel jornalista de cabine telefónica e gravador, Stanley Tucci assassino com ouvido para óperas e o John Grisham que estava para a literatura na altura como o Zezé Camarinha para os protetores solares. Ah, e claro, a "namoradinha da América" a dar o salto definitivo para o estrelato. Não é brilhante, longe disso, mas é competente. Competente o suficiente para não cometer o erro de criar um romance de telenovela entre as personagens de Washington e Roberts.

quinta-feira, setembro 18, 2025

Striking Distance (1993)

Rowdy Herrington’s "Striking Distance" is one of those scrappy 90's action thrillers that critics unfairly sank. Bruce Willis in full smirk-and-punch mode and a plot that mixes cop family drama with serial-killer suspense. Herrington, who gave us the great original "Road House", brings the same mix of macho swagger and tongue-in-cheek energy, turning what could have been a routine cop thriller into something oddly fun and rewatchable. It’s messy, sure, but that’s part of the charm, pure underrated action gold.

sábado, junho 28, 2025

Raising Cain (1992)

Tecnicamente, como seria de esperar, a realização do De Palma é um mimo. Não há que enganar com este homem, os planos, os slow motions, as perspectivas, tudo fenomenal. Já a história e o "mistério", algo que De Palma manobrou tão bem, tantas vezes, ao longo da sua carreira, revela-se uma salganhada de ideias e de conceitos de personalidades múltiplas que se perde na constante exposição "simplória" de quase tudo o que acontece. Como alguém escreveu aqui no Letterboxd, Lithgow andou para que McAvoy corresse décadas depois com Shyamalan. Versão blu-ray da Arrow, muito bonita por fora, mas na verdade muito mais pobre do que é costume "por dentro": extras reduzem-se a meia dúzia de entrevistas com o elenco e um visual essay de vinte minutos sobre os métodos de pós-produção de De Palma e a sua equipa.

quinta-feira, junho 12, 2025

Point of No Return (1993)

Aconteça o que acontecer na vossa vida, não pesquisem por fotografias recentes da Bridget Fonda, sob o risco de uma depressão imediata garantida em torno dos efeitos da PDI numa pessoa. Remake americano da Nikita de Besson, que não rasga as cortinas do original que lhe confinam os movimentos, mas que também não desilude nem dá aspecto de cópia barata e evitável de segunda mão, encontrando um elenco mais do que competente para calçar as pesadas botas francesas que vinham associadas ao sucesso de Parillaud ou Reno. E gostei tanto desta Bridget early 90's que acho que lhe vou dedicar um ciclo no sofá esta semana!

quarta-feira, abril 09, 2025

The Rookie (1990)

Caramba, se aquilo que a Sónia Braga fez ao Clint Eastwood é tortura, deixo já aqui a minha morada para ser raptado. Assim de repente, não me lembro de nenhum filme realizado pelo velhote Clint com cenas de acção tão megalómanas, entre explosões, perseguições de carro e loucuras no aeroporto, apenas possíveis com um conjunto de controladores de tráfego aéreo que devem fazer parte daquela franja incompetente que o Trump diz ter sido contratada pelo Biden. Raul Julia como vilão sem espaço para brilhar, Sheen numa química meio forçada com Eastwood que raramente convence e Tom Skerritt desperdiçado num papel secundário sem interesse nenhum. É bom? Não. É mau? Não. É boff.

quarta-feira, março 12, 2025

Crackerjack (1994)

Vejo muita gente falar dos destinos da Palestina, da Ucrânia, da Síria ou do Canadá agora que o Trump quer transformá-los num estado norte-americano, mas não vejo ninguém preocupado com o que é feito da Nastassja Kinski. O Thomas Ian Griffith rijo e bonitão - outro que desapareceu do radar - como policia viúvo que não consegue lidar com a morte da mulher e filhos por vingança da máfia, já lá vai mais de um ano. A muito custo, convencido pela cunhada, vai passar férias a uma estância de ski com a família. Claro que o resort vai ser atacado por um grupo terrorista liderado por um irreconhecível Christopher Plummer alemão e, adivinhem, só um homem sem nada a perder pode salvar o dia de uma vilã que parte nozes com os dedos. Excelente uso do termo "vaffanculo", uma das palavras mais bonitas do planeta. Uso de um lança rockets contra um helicóptero, sempre um bónus de meia estrela nestes filmes. Ironia das ironias, claro, o grupo terrorista queria roubar diamantes no valor de cinquenta milhões de dólares do mafioso mor que mandou matar a família do nosso viúvo. Seria um twist macabro porreiro, mas a meio caminho algum guionista ou o realizador achou que era boa ideia haver uma dupla vingança. E então, do nada, o Plummer nazi passa a ser o hitman que tinha sido contratado pelo mafioso do vaffanculo para matar a família do arqui-vilão do LaRusso. Tudo muito trapalhão à excepção dos velhotes, e uma gargalhada valente quando a personagem do Plummer diz que os Marines vão passar a ser uma corporação aérea (kaboom!).

quinta-feira, março 06, 2025

Angel of Destruction (1994)

Dois elementos prometedores logo a abrir: um tipo com dois metros a entrar com uma prostituta filipina anã num hotel enquanto lhe apalpa e beija de todas as formas possíveis; e aquele crédito inicial saltitante que nos deixa logo de água na boca: Produzido por Cirio H. Santiago. Ok, já sei que hoje em dia diz-se criadora de conteúdos e não prostituta, as minhas desculpas. Vinte dólares o bico, valor que me parece extremamente exagerado para a realidade filipina nos anos noventa. Alguma falta de credibilidade nessa vertente, mas tudo o resto está impecável, das danças extremamente bem conseguidas da Maria Ford no palco - primeira vez que vi um fio dental que se dividia em dois a partir do períneo - e na cama às várias one liners deliciosas ditas por heroínas e vilão. "O nariz partido foi pela miúda, a vasectomia ofereço-te de graça!" ou "She's tied up" após enforcar uma detective com um fio de telefone fazem desta brincadeira um filme muito melhor do que eu estava à espera. Acho que está na hora de vasculhar a filmografia da Maria Ford. Mesmo a tempo das definições de ano novo!

quarta-feira, fevereiro 26, 2025

Revenge (1990)

É um filmaço durante quarenta e cinco minutos, perdendo-se completamente a partir do momento em que começa a vingança anunciada no título. É talvez um dos filmes menos à Tony Scott da filmografia do mais frenético dos irmãos Scott, mas isso não o torna obrigatoriamente menor; apenas menos ofegante e pomposo, mais Walter Hilliano nos seus princípios base e nas poeiras "mexicanas" em que se move. Costner no seu prime e papelão de Anthony Quinn, numa personagem que acaba estupidamente esquecida após um suposto duelo final que não dá em nada. Vamos apenas dizer que este "Revenge" andou nos anos noventa para que o "Man on Fire" na década seguinte corresse a bom correr!

quinta-feira, fevereiro 06, 2025

Desperate Hours (1990)

Está na altura de alguém fazer justiça e premiar o pernão da Kelly Lynch no final dos anos oitenta, início dos noventa, com uma estrela da fama nos passadiços de Hollywood. Mickey Rourke pré-desgraça, a Amanda punk tresloucada da saga Saw quando ainda era uma namoradinha de secundário, o tio Frank do Kevin McCallister com um balázio no peito, o David Morse pré-fama a fazer de bandido e o Anthony Hopkins sete anos mais novo que o Brad Pitt hoje em dia, mas já com ar de quem já precisava de se levantar várias vezes durante a noite com problemas de bexiga. Alguém se lembra, assim de cabeça, sem pesquisar, de um filme do Anthony Hopkins em que ele não fosse já entradote? Realização segura de Cimino - eu diria até inspirada em muitos dos seus momentos ao "ar livre", com belissímos cenários naturais -, que entretanto viu desaparecer mais de meia hora de fita nas mãos de De Laurentiis. Nota-se (e muito, infelizmente) lá para o fim o corte e costura, mas depois do que havia acontecido com o seu "controlo artístico" no "Heaven's Gate", Cimino não podia nem piar. Os desenvolvimentos narrativos pós-invasão domiciliária têm a coerência e a lógica de uma batata, mas há quem goste de puré. Já falei do pernão da Kelly Lynch?

terça-feira, fevereiro 04, 2025

Men at Work (1990)

Várias coisas que aprendi com este clássico dos almeidas; sim, comecemos por aí: "almeidas" é o termo correcto, evidenciado em dicionário, para nos referirmos aos "senhores do lixo". Não sabia, fiquei mais culto, obrigado senhores das legendas - talvez se chamem Gonçalves ou Ribeiros e não saiba. Depois que o meu querido Keith David, com asco a polícias, merecia, no mínimo, um espacinho no horroroso cartaz oficial do filme do filho menos problemático do Martin Sheen. Sim, falo deste poster que aqui anda no Letterboxd e que tem um gajo enfiado no caixote de lixo de pernas para o ar que vocês só repararam agora porque eu vos disse. E, por fim, que a Teri Bauer, perdão, Leslie Hope, era por esta altura um docinho que parecia destinada a uma carreira auspiciosa. Passou-lhe ao lado. O filme? Entretém, não se leva a sério e passa rapidinho.

sábado, novembro 02, 2024

Marked for Death (1990)

Minuto e meio de filme e o Steven Seagal já arreou no Danny Trejo, trancando-o num porta-bagagens. Bonita carta de apresentação, pena que o Trejo não volte mais a aparecer. Minuto e meio seguinte, um belo cuzinho em fio dental junto a um varão de strip. Continuamos bem. Seagal no confessionário; aqui já não teve tanta piada como os confessionários do Marco no primeiro Big Brother, por exemplo - falam, falam, falam, não os vejo a fazer nada caral**. Keith David aos gritos, outro clássico! "Todos querem ir para o céu, mas ninguém quer morrer", bom lema. Seagal a correr no parque de calças de ganga e camisa de inverno. Quem nunca. Espíritos, magia negra e maldições voodoo com jamaicanos, eis como estragar um filme de acção. Calma, os jamaicanos acabaram de enviar a sobrinha do Seagal para o hospital, estado grave. Assim sim, estamos de volta. "Não lhe vendia nem o suor dos meus tomates"; frase mais aleatória de sempre. Este Dwight H. Little era bom rapaz, mas este "Marked for Death" fica ainda assim a milhas do "Rapid Fire". Pena.

quarta-feira, outubro 30, 2024

Out for Justice (1991)

"Se me deixarem tratar do assunto à minha maneira, só preciso de um carro e de uma caçadeira". Comprado. Steven Seagal na melhor forma, Gino para os amigos, boina na cabeça aqui e ali, italiano na ponta da língua e, durante uma só noite dos diabos, ainda arranja tempo para adoptar um cão abandonado pelo caminho. John Flynn era um belíssimo - e subvalorizado - realizador, William Forsythe um fenomenal vilão e este "Out for Justice" uma espécie de "After Hours" Seagaliano cheio de charme de rua, com banda sonora à maneira, diálogos de luxo na boca do mestre do Aikido e um par de cenas memoráveis - com especial destaque, claro, para aquela no bar, com um lenço e uma bola de snooker a provarem ser uma combinação letal. Tenho que ir ali fazer contas e confirmar ao caderno de notas do secundário, mas quase de certeza que entra no meu top 3 do bicho.

domingo, outubro 27, 2024

Hard to Kill (1990)

Lição para a posteridade: rapaziada com más intenções, não façam o Steven Seagal perder a cerimónia dos óscares. Sete anos em coma e uma valente barba como nunca antes tínhamos visto naquela cara de bebé, rapidíssimo a recuperar a memória muscular, fortíssimo na arte do apalpanço do rabo e da maminha. Também parte pulsos como poucos. É Seagal no auge da sua carreira, a correr e a saltar, numa realização extremamente segura de Bruce Malmuth ("Night Hawks").