terça-feira, abril 20, 2021

Balada triste de trompeta (2010)

Vamos dividir este "The Last Circus" em quatro actos em vez dos tradicionais três. Um primeiro de introdução histórica, política e sentimental do nosso anti-herói absolutamente maravilhoso, que culmina num palhaço de machete em punho a varrer inimigos armados num cenário de guerra civil espanhola entre republicanos e nacionalistas. Um segundo em que todo um mundo "circense" é construído à sua volta, já adulto, com emoção, dor, insanidade, diversão, relações complexas entre personagens, humor negro, pancadaria e uma cena de sexo à bruta capaz de corar o arquitecto Taveira. Uma hora de alto nível a que se sucede a trapalhada que já não é novidade na filmografia Álex de la Iglesia quando parece perder a paciência e enfiar tudo o que falta fazer ao monte, qual faceta Rob Zombie que toma conta da sua costela Guillermo del Toro. Cena descuidada atrás de cena despachada, palhaço feliz e palhaço triste acabam aos poucos sem nada que os distinga num rol de acções banais que desonram a primeira metade. Ainda assim, vale bem a pena.

segunda-feira, abril 19, 2021

Nas Nalgas do Mandarim - S08E06

domingo, abril 18, 2021

Mirindas asesinas (1990)

Primeira experiência como realizador de Álex de la Iglesia ("El día de la bestia"), numa curta-metragem que sabe apresentar muito bem - e rapidamente - a sua premissa - um assassino que não lida bem com as armadilhas e trocadilhos inocentes da comunicação verbal - mas que depois tem dificuldades em rematá-la com a mesma eficácia. Ainda assim, vale pela curiosidade de assistir ao nascimento de vários traços artísticos (e até narrativos) que acabariam por tornar-se imagem de marca do realizador. Tudo sem grandes recursos, mas já com Álex Angulo, actor fetiche do basco que faleceu em 2014 vítima de um acidente automóvel.

sábado, abril 17, 2021

Noah (2014)

Conversão muito mais literal de uma das histórias da Biblia - e daí muito menos intelectualmente desafiante e recompensadora - que o seu mais recente "Mother!", "Noah" resulta muito bem enquanto espectáculo visual, mas quase nunca como thriller ou, porque não, drama. Primeiro porque quase todo o público sabe à partida os pressupostos da história contada pelo ateísta - quem diria - Aronofsky e, segundo, porque as diferenças criativas introduzidas no guião pelo realizador para potenciar a relação e os conflitos - fé, pecados, esperança, vingança, perdão - entre as personagens acabam por não funcionar como pretendido. Fica o desastre épico de aspecto convincente e uma mão-cheia de interpretações de alto calibre - o que não deve ter sido fácil com tanto ecrã verde à volta.

sexta-feira, abril 16, 2021

Noises Off… (1992)

O ritmo frenético e a simbiose notável entre as cenas, o elenco e os timings fazem deste filme do conceituado Peter Bogdanovich uma experiência cinematográfica fora do vulgar sobre a vida em palco - e atrás dele - de uma peça de teatro, no antes (preparação), no durante (as diferenças inesperadas que muitas vezes o público nem se apercebe que não eram programadas) e no depois (a fúria ou euforia do encenador). Não é fácil entrar no humor e no mood de "Apanhados no Acto" naquela primeira meia hora mais vagarosa, mas quando Bogdanovich finalmente acerta o tom, somos todos brindados com uma espiral de humor nas mais variadas formas - do slapstick mudo nos bastidores ao pandemónio de intrigas entre personagens que se vingam umas das outras em plena actuação - que só peca por sabermos que tudo o que vemos não é, ao contrário do que acontece num teatro, obra de um trabalho tremendo para que tudo bata certo ao segundo e ao milímetro, numa única tentativa. Saber que tudo foi editado e filmado em inúmeros takes acaba por matar a ilusão de todos os seus méritos, ao mesmo tempo que nos deixa cheios de vontade de assistir a esta farsa ao vivo e a cores, com levantar e baixar de cortinas no verdadeiro sítio onde a mesma pode brilhar sem restrições. Último papel de Denholm Elliott, o eterno Marcus Brody da saga Indy.

quinta-feira, abril 15, 2021

Nalgas Flash Review: Butt Boy

quarta-feira, abril 14, 2021

El ascensor (2021)

Primeira nota: gostava muito de ver um making-of deste pequeno (setenta minutos) filme espanhol da estreante Daniela Bernal para perceber como filmou todas aquelas cenas de elevador com reflexo de espelho no fundo sem aparecer nenhum material/pessoal técnico uma única vez. Conceito desgastado (mas sempre irresistível) de timeloop, desta vez num elevador durante vinte e oito segundos - o tempo que demora chegar do décimo andar ao piso térreo para levar o lixo. Mas, e é este "mas" que acaba por ser algo refrescante, ora uma personagem presa na falha espaciotemporal ora outra, ora as duas, com todo um puzzle sci-fi que pede para ser desmontado de forma a tudo voltar ao normal. É nessa ambição que "El ascensor" se espeta, perdendo o charme da dinâmica relacional do casal - as infinitas oportunidades para arranjar a melhor abordagem para uma discussão ou a descoberta de segredos, mentiras e traições - para entrar numa espiral de resolução do mistério sem chama nem alma. Ainda assim, confort food para os fãs do género.

terça-feira, abril 13, 2021

Alias (S1/2001)

O carisma e as perucas de Garner, a audácia visual e narrativa de JJ Abrams - velhos e saudosos tempos -, a frialdade de Ron Rifkin, a habilidade e a química de todo um elenco - do calculista Victor Garber ao então promissor Bradley Cooper -, numa temporada fenomenal que constrói de forma enérgica, corajosa - o assassinato de uma personagem-chave logo no episódio de estreia - e competente todo um universo de espionagem com vários arcos pessoais e profissionais que se interligam em prol de um mistério maior - Rambaldi - e de um objectivo comum aos bons da fita: o fim da SD6. Sequências de acção de alto calibre, personagens credíveis, escrita cuidada, relações sentimentais de amor, amizade e ódio com vários níveis de profundidade e complexidade, reviravoltas constantes, enfim, toda uma teia de mentiras, disfarces e traições que colocam constantemente todas as peças do tabuleiro em cheque. Tarantino como vilão num par de episódios, sonoplastia que brilha seja qual for o mood pretendido - de jazz a música techno, tudo encaixa na perfeição -, cenários diversos - discotecas, desertos, cidades europeias - como palco para coreografias destemidas de acção e o Marshall, o Q aqui do sítio que não perde uma oportunidade para fazer a nossa heroína sorrir no meio da escuridão. Disney +, aqui vou eu a correr para a segunda.

segunda-feira, abril 12, 2021

Walk the Line (2005)

Biopic completamente formulaico, tanto na realização como a nível narrativo, que só sobressai dos demais pelas interpretações tão exóticas quanto empenhadas - tanto Phoenix como Witherspoon tiverem seis meses prévios de aulas para tocarem e cantarem eles próprios no filme - da dupla principal. As histórias de bastidores são tão ou mais interessantes que o trabalho de Mangold em si - a relação conturbada entre os protagonistas fora de ecrã, os ataques de raiva e loucura de Phoenix que improvisou várias cenas que acabaram por entrar na edição, como aquela em que arranca o lavatório da parede -, trabalho esse que saltita constantemente entre momentos-chave na vida de Cash, criando todo um contínuo lógico confuso que seria facilmente resolvido com algumas artimanhas de realização. Faltou dar corpo a todo o caminho que levou aos sucessos e às desgraças da vida de Cash, desfocando por vezes a relação obsessiva com June em prol de tudo o resto. Não querendo ser mauzinho, o videoclip derradeiro do homem de negro num cover de "Hurt" dos Nine Inch Nails, faz melhor e mais sentida justiça a toda uma vida em menos de quatro minutos que Mangold em duas horas insonsas. Porque, como alguém escreveu um dia, aquele fechar do piano teve o mesmo peso do encerrar de um caixão.

domingo, abril 11, 2021

Nalgas FR: Zack Snyder's Justice League

sábado, abril 10, 2021

Ratatouille (2007)

Mais um capítulo da saga "mas porque é que toda a gente gosta tanto deste filme?". Falta a chama e o charme de tantos outros projectos da Pixar, falta química e profundidade à relação de amizade entre o Remy e o Linguini, falta coração apertadinho e, porque não, algum realismo no meio do irrealismo permitido a qualquer fábula de animação. Ou então sou só eu que não consegui sentir a vibe de um filme sobre o complexo mundo da restauração reduzido a estereótipos - sendo o crítico o mais óbvio e fácil de vilanizar. Tudo ok, desde que continue bem claro entre todos que, por melhor que seja a banda-sonora que os acompanhe, ratos na cozinha são um perigo para a saúde.

sexta-feira, abril 09, 2021

Red Heat (1988)

Schwarzenegger de tanga numa sauna para bombadões. Schwarzenegger de tanga na neve a arrear camaradas soviéticos com más intenções. Nova alcunha: cabeça redonda. Porque a tanga deixou escapar que era circuncidado, está giro. Arnie capitão do Exército Vermelho de boina com faro para cocaína em próteses e sotaque moscovita irrepreensível (cocanium!). Jim Belushi a enfrentar um dos maiores dilemas do final da década de oitenta: naturais ou silicone? Laurence Fishburne com uns óculos muito sérios para nos distrair do túnel entre os incisivos. Schwarzenegger e Belushi juntos em Chicago para apanhar um comunista malandro cheio de amigos na terra do Tio Sam. O Peter Boyle, que saudades do Peter Boyle, a lidar com o stress e tensão alta com música zen - e não vodka, nabo. Métodos soviéticos de interrogatório claramente mais económicos e eficazes que os norte-americanos. Hora de alimentar o periquito - não, não é o equivalente a esgalhar o pessegueiro em russo. Belushi de rabo espetado para levar uma vacina contra o tétano no rabo e o Arnie que não sabe quem é o Dirty Harry. Destruição em massa - com destaque para a cena com dois autocarros - para obter uma chave de um cacifo, porque dar cabo do cacifo com uma martelada é que não, era uma brutalidade. Walter Hill na melhor forma. Now, go and kiss your mother's behind.

quinta-feira, abril 08, 2021

Crawl (2019)

Tão bom que é ser surpreendido por um filme que nos consegue dar mais do que aquilo que estávamos à espera. Tudo óbvio a nível narrativo, todas as más decisões que eram precisas para manter a chama acesa no vendaval - só o cão é que consegue manter-se sempre seco e em segurança -, crocodilos tramados a rodos, efeitos especiais bem conseguidos e uma actriz - Kaya Scodelario - que consegue levar o filme às costas com credibilidade. Entretenimento de primeira linha, sempre a correr com tensão q.b. e aspecto nada ranhoso, ao contrário do que é habitual nestas andanças com "criaturas". Tubarões, anacondas e Barry Pepper, é favor segurar a cerveja destes crocs!

quarta-feira, abril 07, 2021

Nalgas Flash Review: Divino Amor

terça-feira, abril 06, 2021

Allen v. Farrow (S1/2021)

Documentário polémico da HBO sobre a "eterna" dúvida em torno da relação de Mia Farrow e Woody Allen que envolve alegados abusos sexuais deste último com a filha do casal de sete anos. Mais do que um referendo sobre a culpa ou inocência do realizador nova-iorquino - o documentário é objectivamente parcial, mas apoia essa faceta numa panóplia de factos e testemunhos descobertos em documentos policiais arrumados há mais de vinte anos em sessenta caixotes, escutas telefónicas, depoimentos em tribunal de envolvidos e psicólogos profissionais com experiência na área, etc, pelo que é fácil compreender essa inclinação no final -, "Allen v. Farrow" é um trabalho de contextualização de uma história cuja percepção pública foi várias vezes deturpada pelo "spinning" de vários assuntos colaterais - principalmente a relação com a filha adoptiva de Farrow de dezassete anos - em nada relacionados com esta acusação específica de abuso sexual de menores. Não, Allen nunca foi julgado por esse crime e considerado inocente, como todos já ouvimos dizer. Allen foi a julgamento pela custódia dos filhos de Farrow; e perdeu. Neste caso específico, o procurador decidiu não levar o caso a julgamento, supostamente baseado num relatório de uma instituição com credibilidade na área. "Dylan parece estar a mentir", declarou o director da mesma. Algo que descobrimos agora foi a conclusão exactamente contrária das várias entrevistas realizadas pelas duas psicólogas da instituição, cujas notas e relatórios foram não só ignorados, como destruídos, ao contrário do que a lei obriga. Sim, Allen passou num teste de polígrafo. Um teste privado, tendo recusado fazer o do departamento policial de Connecticut que investigava o caso. Entre muitas outras revelações. Já percebi como se sentem os portistas sempre que se fala no Apito Dourado e alguém partilha as escutas telefónicas que não foram consideradas válidas em tribunal: eu também tenho uma paixão enorme pela filmografia e pela arte de Allen, mas a única maneira de negar o óbvio é dizer que o assunto nunca foi provado em tribunal. O que, todos sabemos, não muda a verdade, por mais que Allen diga numa conversa telefónica agora revelada "que não interessa a verdade, interessa o que as pessoas vão acreditar". Facada no coração, mas eu acredito na Dylan.

segunda-feira, abril 05, 2021

Vampire's Kiss (1988)

Nicolas Cage em modo lunático, numa experiência cinematográfica de cariz único e indiscritível que acompanha uma autêntica viagem de montanha-russa de um homem até à insanidade. Ninguém pode dizer que conhece o Nicolas Cage actor enquanto não vir este "O Beijo do Vampiro", uma espécie de comédia negra que nos deixa tão desconfortáveis quanto boquiabertos, uma autêntica fábrica de memes para a eternidade. Gritos, caretas, dedos apontados, saltos em cima de secretárias, violações, morcegos, leitura do abecedário, a Jennifer Beals e a Maria Conchita Alonso, dentaduras falsas de vampiro, enfim, uma série de detalhes numa série de acontecimentos que nenhuma descrição escrita conseguirá fazer jus. Tudo nos trejeitos de Cage é tão absurdo e "over the top" que semanas depois de ter sido bombardeado com isto ainda não sei se amei ou odiei toda esta espiral de extravagância. Como li algures, é "American Psycho" corrompido por LSD; chega para vos convencer?

domingo, abril 04, 2021

Nefta Football Club (2018)

Um burro treinado para fazer entregas de cocaína na fronteira entre a Argélia e a Tunísia. Isto, claro, se os headsets tiverem postos no bicho a tocar "Someone Like You" da Adele em repeat infinito. Um dos traficantes que pensou que era para meter no leitor de mp3 Handel e não Adele. Erro inocente, ele nem sabe que cantor é o Pavlov que o outro fala. Burro desorientado, dois irmãos que discutem quem é melhor - Messi ou Mahrez -, uma pausa para xixi e um sacalhão de "sabão em pó" para levar para casa. O uso certo para tanto pó; Maradona seria imparável naquelas quatro linhas. Quinze minutos - um intervalo de um jogo de futebol - que passam a voar, com inteligência, humor e aquele afago caloroso que só a inocência de uma criança consegue propagar ao mais gélido coração adulto.

sábado, abril 03, 2021

Nas Nalgas do Mandarim - S08E05

sexta-feira, abril 02, 2021

Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile (2019)

Registo singular - e porque não inesperado - de Zac Efron como Ted Bundy, num filme que tenta evitar a todo o custo o choque e os terrores dos crimes hediondos de um dos assassinos em série mais badalados da história recente norte-americana. Extremamente... morno, como que um drama filmado do ponto de vista da mulher que, mesmo denunciando-o, duvidou sempre que o homem por quem se apaixonou pudesse realmente ter cometido tais atrocidades. O cepticismo e o receio do erro com o propósito de abrir asas à imaginação, algo extremamente difícil de colar no espectador que aqui chegou depois de assistir a um ou mais documentários sobre Bundy disponíveis, por exemplo, no catálogo Netflix. Frustração maior ainda quando uma rápida pesquisa mostra que a cena final que desequilibra completamente a balança moral das personagens é, afinal, uma liberdade criativa muito menos ambígua que o acontecimento real. Batota, senhor Berlinger.

quinta-feira, abril 01, 2021

Monsoon Wedding (2001)

Início de século e este "My Big Fat Indian Wedding" ganha não só o respeito da crítica internacional como um Leão de Ouro em Veneza, catapultando o nome de Mira Nair fora-de-portas. O choque cultural entre uma Índia mais arcaica e uma Índia contemporânea; personagens a rodos a gritar, cantar, dançar, fazer barulho e abanar a cabeça de forma nervosa. Quatro ou cinco arcos desinteressantes depois, finalmente a noiva que não sente amor pelo noivo "arranjado" que mal conhece. Dramas e indecisões de casamentos, tudo visto em mil e um outros formatos e feitios, um valente bocejo repleto de inúmeras histórias mal desenvolvidas - o "australiano" ou o irritante wedding planner, por exemplo - que tenta já perto do fim dar um abanão com uma revelação chocante de pedofilia. Mudança radical de tom, um problema gravíssimo no seio da família por resolver e... cinco minutos está tudo resolvido. Voltam as danças. Começo a perceber que afinal há um clube tão mau ou pior que o Nalgas Film Club: dá pelo nome de "Criterion Collection".

quarta-feira, março 31, 2021

Moonraker (1979)

Um vaivém espacial sequestrado em pleno voo de transporte às cavalitas de um 747. James Bond em queda livre sem paraquedas, depois de um engate que não correu bem a trinta mil pés de altitude. Jaws de volta, literalmente pronto para o circo. Cães esfomeados por uma Bond Girl, numa das cenas mais sórdidas da saga. Caixões com armadilhas, gôndolas com motor que transformam-se em hoverboards, perseguições náuticas nos canais de Veneza, humor slapstick uma mão-cheia de cenas, com sonoplastia a acompanhar. A Dra. BoaCabeça, porque é cientista da NASA - ou agente da CIA, talvez. Uma viagem de Concorde para o Rio de Janeiro, terra de samba, Carnaval e mulheres bonitas. O Jaws a parar as roldanas de um teleférico com as mãos e a cortar os cabos de aço com os dentes. O Jaws apaixonado pela Pipi das meias - ou mamas - altas. James Bond, o rei do gado, qual António Fagundes meets Clint Eastwood. Barcos com mísseis e asas-delta nas Cataratas do Iguaçu. Um oásis de mulheres deslumbrantes no meio da selva. Só podia ser armadilha, claro. Uma anaconda e uns guardas com capacetes de boxe amarelos. Um crematório privado nas fundações de um lançamento espacial. James Bond no espaço, rói-te de inveja Toretto. Michael Lonsdale, sem cabelo nem barba grisalha, com um plano para acabar com a vida humana na Terra. Astronautas e cientistas numa batalha de lasers em espaço aberto. Jaws finalmente no lado dos bons, prova de que uma grande paixão pode amolecer o mais metálico dos corações. A essência está toda cá, não percebo tanto ódio.

terça-feira, março 30, 2021

Nalgas Flash Review: Boy

segunda-feira, março 29, 2021

The Hot Spot (1990)

Uma espécie de neo-noir com uma forte componente erótica que remete praticamente para segundo plano quase todos os ganchos em torno da chantagem, do assalto a um banco e de um homicídio que Dennis Hopper parece obrigado a enfiar na narrativa quando tudo o que queria era explorar os seus sonhos mais perversos. Virginia Madsen em modo mega femme fatale com um par de cenas de sexo, seja de pistola em punho ou facalhão enfiado numa melancia, capazes de fazer o Papa trepar paredes, Don Johnson ainda mais cool que em "Miami Vice" e a Jennifer Connelly, bem, não tenho palavras para uma mulher que parece condenada para a eternidade a ser perfeita. Tudo muito bonito isolado, uma confusão tremenda nas mãos de Hopper: ritmo irregular, duração desnecessária e a Jennifer Connelly como veio ao mundo a apanhar sol. Certamente que esta última parte deve chegar para vos convencer.

domingo, março 28, 2021

Ted Lasso (S1/2020)

Um treinador de futebol americano universitário é contratado para treinar uma equipa que luta pela manutenção na Premier League inglesa. Sim, de futebol a sério, não aquele em que eles usam as mãos e capacetes. Objectivo? A ex-mulher do antigo patrão do clube decide vingar-se da traição de que foi alvo e, tendo herdado o clube no divórcio, nada melhor que levá-lo à miséria. Só que afinal Ted Lasso, não sabendo sequer o que é um fora-de-jogo, tem algo muito mais importante dentro dele que, aos poucos, vai conquistar o balneário: preocupa-se com as pessoas e não com os resultados. Série fabulosa de Zach Braff ("Garden State") para a Apple TV+, com um coração enorme, charme irresistível e humor tão natural quanto eficaz. Mais de uma dezena de personagens com identidade vincada e uma palavra a dizer - do director de futebol que sempre foi um pau mandado, ao ponta-de-lança arrogante com a mania que é estrela, sem esquecer o velho capitão que não aceita que a PDI está a enfraquecê-lo, o roupeiro envergonhado, o lateral nigeriano com saudades de casa ou o avançado mexicano apaixonado pela vida, entre tantos outros -, tudo em "Ted Lasso" funciona de forma terna e interligada. Mérito de Braff verdade, mas também de Jason Sudeikis, absolutamente intratável na pele do homem que sabe que não há problema nenhum em ser vulnerável e acreditar que a bondade é o valor mais importante que um homem pode ter.

sábado, março 27, 2021

Cleveland Abduction (2015)

Telefilme de um canal norte-americano de cabo que transporta de forma muito crua e, consequentemente, cruel a história de três raparigas raptadas e mantidas em cativeiro durante anos a fio. Baseado no livro de memórias de Michelle Knight - a mais antiga das vitímas, que passou cerca de onze anos acorrentada num quarto a ser alvo de todo o tipo de abusos sexuais -, o choque e o desconforto tomam dianteira a uma narrativa que não se preocupa, provavelmente por respeito à dor das envolvidas e dos familiares, a criar qualquer tipo de suspanse ou mistério em torno dos acontecimentos. Fiel que nem um documentário, falta-lhe cinema, intriga e vingança mas não lhe falta sofrimento. Para desanuviar, nada como dar uma vista de olhos no YouTube à entrevista feita no próprio dia ao vizinho que descobriu e salvou as raparigas: "Percebi que algo muito errado se passava ali quando vi uma rapariga branca a correr para os braços de um homem negro como eu".

sexta-feira, março 26, 2021

Nalgas Flash Review: Roger Dodger

quinta-feira, março 25, 2021

Imagine Me & You (2005)

Piper Perabo com sotaque britânico porque todos sabemos que não existem actrizes suficientes no Reino Unido. A Cersei, perdão, Lena Headey, com o mesmo carisma e vontade de interpretar uma personagem lésbica da Marine Le Pen. Um cacto de forma fálica como melhor piada de uma "comédia" romântica. Muito pouco tempo de ecrã dos pais da noiva, de longe as personagens mais interessantes e divertidas da narrativa, os únicos com química e timing para fazer sorrir. Enfim, faço fretes pelo Nalgas Film Club que não faria pela minha própria mulher.

quarta-feira, março 24, 2021

The Incredibles (2004)

Se eu disser que este "clássico" de Brad Bird ("The Iron Giant") é ainda o melhor filme de super-heróis depois de quase duas décadas de contentores de efeitos especiais da Marvel e da DC, alguém fica chateado comigo? Vilão divertido, com motivações credíveis e um plano estruturado. Dinâmicas familiares, traumas de adolescência, discussões entre marido e mulher e reviravolta final com alma, piada e engenho. Alegra miúdos, entretém graúdos e resiste a inúmeros revisionamentos. E nem foi preciso aquele arco narrativo que a Pixar tanto gosta que deixa qualquer coração bem apertadinho.

terça-feira, março 23, 2021

Colossal (2016)

Ideia e conceito refrescante e um realizador fora-da-caixa como Nacho Vigalondo, responsável pelo aclamado "Los cronocrímenes" ou pela simpática comédia romântica com toque sci-fi "Extraterrestrial". Tinha tudo para funcionar, mas a verdade é que "Colossal" perde todo o seu encanto quando passa do primeiro acto para o segundo, perdendo-se num drama semi-pateta entre amigos de infância, com casting ineficaz - nem Jason Sudeikis nem Dan Stevens convencem nas suas personagens, parecendo até estarem trocados nos papéis - e uma angustiante falta de ambição que confina um oceano de oportunidades a uma espécie de moralismo bacoco sobre relações tóxicas. Faltou ambição e coragem para arriscar saltar o abismo, nadar contra a corrente para chegar à fonte. Pena.

segunda-feira, março 22, 2021

Double Impact @ VHS Podcast