segunda-feira, outubro 03, 2022

A View to a Kill (1985)

Para muitos um dos piores Bonds de sempre, para mim o melhor de Moore. Um Moore antes do adeus definitivo à saga, com o prazo de validade a expirar, plastificado e maquilhado quase como se fosse um dos diabretes da "Laranja Mecânica" de Kubrick, sem a característica verruga na cara nem pernas para qualquer tipo de acção corpo a corpo. Mas acaba por ser esse mesmo "cair no real" que acalma os devaneios patetas habituais da franchise no seu reinado, apoiando-se tudo numa história de espionagem industrial - o Goldfinger dos microchips - muito mais contida na sua execução, sem perder ritmo nem criatividade para continuar a surpreender: perseguições de cavalo, carros cortados a meio, saltos da Torre Eiffel, carrinhas de bombeiros com escadas soltas, os altos e baixos de São Francisco e a sua maravilhosa ponte ou elevadores em chamas. Não há química sexual que resista entre o avô Moore e qualquer uma das quatro Bond Girls - juro que senti Moore em pânico quando a musculada Grace Jones lhe saltou para a espinha -, ao contrário do que acontece na "dança marcial" entre Jones e o oxigenado Christopher Walken. Tema principal dos Duran Duran, mais um agente 00 morto, Bond a respirar ar de pneus debaixo de água e o uso mais desadequado de uma música dos Beach Boys de sempre. Vodkas Martinis, nem vê-los, não fosse o fígado de Moore queixar-se. Se não me engano, primeiro e único filme da saga em que Bond não mata ninguém; a PDI é tramada.

domingo, outubro 02, 2022

Nalgas Film Festival - Horários

16h00 - Abertura de Portas/Feira do Colecionador 17h15 - Streaming vs. Colecionismo (Vídeo CINEBLOG) 17h30 - The Muppet Face (Ricardo Machado, Portugal, 2022, 11') 17h45 - O Caso Coutinho (Luís Alves, Portugal, 2022, 13') 18h10 - Freelancer (Francisco Lacerda, Francisco Afonso Lopes, Portugal, 2017, 15') 18h30 - Karaoke Night (Francisco Lacerda, Portugal, 2019, 8') 18h40 - Cemitério Vermelho (Francisco Lacerda, Portugal, 2022, 9') 19h00 - Sleepwalk (Filipe Melo, Portugal/EUA, 2018, 15') 19h15 - O Lobo Solitário (Filipe Melo, Portugal, 2021, 22') 21h15 - Quarentugas / Cinememórias / Anuário Videoclube do Sr. Joaquim (Sessão de autógrafos) 22h15 - Anguish (Bigas Luna, Espanha, 1986, 86')

sábado, outubro 01, 2022

Goodnight Mommy (2022)

Mea culpa: nunca vi o original austríaco. Não sei quanto dele está aqui presente, mas sei que conselho vos posso dar: não sejam uns maridos atadinhos como eu e vão na conversa das vossas mulheres de descobrirem primeiro o remake do que o original apenas porque está disponível numa plataforma de streaming. Longa vida ao Sr. Joaquim e ao formato físico, por mais competente que qualquer readaptação de terror com a Naomi Watts consiga sempre ser. Ela dança ao espelho, ela passa de detestável a amorosa em segundos, ela enfrenta o filho do Homelander, ela enche o ecrã. Há energia, há um guião que sabe despistar o espectador até bem perto do fim, há competência técnica na realização. Provavelmente houve isso tudo e muito mais no original, mas nunca saberei: porque, contrariando a expressão popular, mesmo com outra cara, já lhe descobri o coração.

sexta-feira, setembro 30, 2022

Nas Nalgas do Mandarim - S09E09

quinta-feira, setembro 29, 2022

Lou (2022)

Apresento-vos a Lou: a mulher que John Rambo nunca encontrou, a mãe que John Wick nunca teve. Allison Janney, uma vénia. De porta-voz do presidente Josiah na Casa Branca a velhota Eastwoodiana capaz de despachar bombadões das forças especiais com uma lata de refrigerante. O Tom Hardy do Intermarché que não tarda nada transforma o original no Logan Marshall-Green do Aldi e uma Jurnee Smollett extremamente credível enquanto mãe aflita com o pior casamento da história - e uma sogra problemática. Uma hora de altíssimo nível até ao primeiro encontro entre anti-heroína e anti-vilão e, depois disso, um cerrar de fileiras que não envergonha ninguém, por mais óbvio e genérico que seja. Bom uso dos cenários, terríveis escolhas musicais - devia ser proibido usar o rádio mais do que uma vez como desculpa para enfiar temas completamente fora de tom na história. Em suma, "Taken" do LIDL aprovado.

quarta-feira, setembro 28, 2022

terça-feira, setembro 27, 2022

Hypnotic (2021)

Conceito de primeira, execução de segunda. Thriller competente mas sem surpresas nem caminhos apertados, por mais potencial para tal que tivesse a base da sua estrutura - hipnose e controlo da mente por parte de um psiquiatra descompensado. A Kate Siegel - a Angelina Jolie que resiste da primeira década do século, já que a verdadeira evaporou-se em ossos e peles - bem que poderia ter trazido o marido (Mike Flanagan) para o set, deixando o casal de crianças que realizou isto a brincar no parque. Ainda assim, longe de ser a miséria anunciada por quase todos, nem que seja por ter apenas noventa minutos e um Batman taradão.

segunda-feira, setembro 26, 2022

Cuckoo Iñárritu

domingo, setembro 25, 2022

Suits (S8/2018)

"Suits" renasceu nesta oitava temporada com a saída de Patrick J. Adams e Meghan Markle e a entrada de um trio de novos advogados, com especial destaque para a Samantha Wheeler de Katherine Heigl, uma personagem feminina forte e destemida que tanta falta fazia às dinâmicas da série depois da saída de Gina Torres para o seu próprio spinoff no final da sexta temporada. Os cem por cento de pontuação da crítica no Rotten Tomatoes comprovam isso mesmo, apesar das fragilidades telenovelescas que a série de Aaron Korsh manteve com a relação entre Donna e Harvey - Donna brilha sempre que joga sozinha mas parece uma marioneta tonta quando entra no papel de eterna paixão não correspondida de Specter - e o cada vez menos aparvalhado Louis, que passou de comic relief eficaz nos primeiros anos para marido/futuro pai sem qualquer tipo de piada ou interesse no presente. A dez episódios e uma temporada do grande final, está na hora certa de fechar a loja. É que daqui a nada não cabem tantos nomes na parede. Destaque para o décimo primeiro episódio desta oitava temporada ("Rocky 8"), um autêntico mimo para todos os cinéfilos que adoram a saga de Balboa.

sábado, setembro 24, 2022

Make the choice, Shyamalan

sexta-feira, setembro 23, 2022

Pickpocket (1959)

Eu devo ser mesmo um labrego, mas não consigo perceber qual o encanto deste Bresson lento, aborrecido e, imagine-se, de aspecto terrivelmente amador. Actores que não o eram e edição sapateira - é uma questão de estilo, defendem os experts, para violar as nossas expectativas no que toca a história, expressões faciais e envolvimento emocional -, num filme que manda as convenções cinematográficas (americanas) para o lixo e espera que seja isso mesmo que o diferencie pela positiva. O João César Monteiro riu-se. Nietzsche de algibeira - o cleptómano que se sente na obrigação de o ser -, "Crime e Castigo" em versão resumo de caderninho amarelo de Dostoiévski, Nova Vaga Francesa para amar ou odiar. Tudo bem, não me venham é compará-lo com os "Taxi Driver" desta vida que eu deixei o casaquinho de malha nos perdidos e achados da universidade da vida.

quinta-feira, setembro 22, 2022

Nas Nalgas do Mandarim - S09E08

quarta-feira, setembro 21, 2022

The Net (1995)

Angela Bennett, Jack Devlin e os Pretorianos. Tudo nomes que estranhamente resistiram um quarto de século no meu imaginário cinéfilo, sem nunca evaporarem-se no meio de tantos outros. Culpa provavelmente das dezenas de vezes que isto passou na televisão no final da década de noventa, mas também de uma Sandra Bullock em ponto de rebuçado no período auge da sua carreira. A internet prevista como um "novo preservativo" para a sociedade, numa previsão tão natural para os experts de então quanto visionária para a maioria do público que pouco ou nenhum contacto tinha com a World Wide Web. Entre calhamaços e gráficos arcaicos, o filme de Irwin Winkler envelheceu com algum charme e uma mensagem cada vez mais pertinente nos dias que correm: a dependência da sociedade nos conteúdos informatizados em rede. A nossa vida está de fio a pavio em computadores e nem vale a pena pensarmos muito nesta nossa dependência digital identitária. Mais vale apreciar Bullock como uma mulher à frente no tempo, a testar a versão beta de Wolfenstein 3D com a primeira lareira screensaver de que há memória. Thriller mais do que competente, na estreia de Jeremy Northam em Hollywood. Para rever, qual cápsula de tempo, todas as décadas.

terça-feira, setembro 20, 2022

AZORESPLOITATION @ Sala Azul

segunda-feira, setembro 19, 2022

Nalgas Film Festival

domingo, setembro 18, 2022

In Spielberg (i still) trust

sábado, setembro 17, 2022

Samaritan (2022)

Cena animada de créditos iniciais que nos apresenta grande parte da história: começa por parecer uma boa maneira de introduzir as personagens e despachar a mitologia associada, mas acaba por deixar de fazer sentido quando recuperamos constantemente em modo flashback ou nas palavras de herói e puto fanático exactamente os mesmos detalhes. Puto fanático que não é grande actor mas consegue uma química notável com Stallone, que por sua vez é um herói de acção dos anos oitenta preso quase por obrigação geracional no corpo de um super-herói. Efeitos especiais muito duvidosos até para o estilo meio despreocupado de Julius Avery ("Overlord"), guião/edição tenebrosa - "vamos a XYZ depois de eu ir trabalhar", sendo a cena imediatamente seguinte já em XYZ - e um twist final que se viu a milhas. Giro para miúdos, algo penoso para graúdos. Vale pelo vilão competente de Pilou Asbæk e pelo facto de quase quarenta anos depois de comer pizza ao pequeno-almoço com o seu Cobretti, podermos apreciar Stallone a comer cereais banhados com sumo de maçã em vez de leite. Sempre pioneiro este homem!

sexta-feira, setembro 16, 2022

Park Chan-wook after Parasite

quinta-feira, setembro 15, 2022

Octopussy (1983)

Politicamente "Octopussy" talvez até seja mais pertinente agora do que aquando da sua estreia: um general soviético com a mania da grandeza, farto de ver a sua nação a ser considerada uma potência em declínio. Bombas nucleares desactivadas a milissegundos da explosão, artistas de circo, elefantes, tigres, crocodilos telecomandados e uma série de peripécias extremamente atractivas - o carro sobre carris é tão simples quanto genial - de Bond encaixadas fora de tom numa das intrigas mais banais de toda a saga. Nada resulta neste guião desinspirado: das Bond Girls aos vilões de segunda linha, do ritmo sonolento que se prolonga para lá das duas horas com a bota que não bate com a perdigota. Falo, claro, de um Moore demasiado velho e cansado para ser credível enquanto herói de acção que salta entre carruagens e orquestra todo um sem número de acrobacias, lutas e corridas. Um conjunto desconexo e ilógico de set pieces, ora com Bond vestido de palhaço, ora de gorila, que não sabe se há-de ser sério ou pateta. Índia estereotipada ao máximo: camas de pregos, encantadores de serpentes, maluquinhos a andar sobre o fogo e cenas de rua filmadas em estúdio, não fossem os indianos cheirar a caril. E, claro, imagens do Tah Mahal aos pontapés, mesmo que o Taj Mahal estivesse a oitocentos quilómetros da cidade onde supostamente tudo acontecia. Música e créditos iniciais medíocres e Bond a usar um gadget para ver melhor as maminhas de uma colega. Afinal de contas, nem tudo podia ser mau.

quarta-feira, setembro 14, 2022

James Gray & Anthony Hopkins

terça-feira, setembro 13, 2022

A Nightmare on Elm Street (1984)

Prime Wes Craven. Talvez um dos mais eficazes e visualmente competentes filmes de terror dos anos oitenta - tantas são as cenas que entraram para o imaginário eterno do cinema, das garras de Krueger na banheira à liquidificação explosiva do estreante Johnny Depp -, numa obra que explora os sonhos/pesadelos numa perspectiva tão ousada e sumarenta que não poderia ter resultado noutra coisa que não numa saga carregada de sequelas e crossovers. A originalidade e o mérito artístico raramente voltaram a prosperar após este capítulo inaugural - talvez apenas o "Dream Warriors" e o "New Nightmare" mereçam um voto de confiança nesse sentido - e acaba por ser essa mesma necessidade de deixar a carteira em aberto que resulta num final contraditório: os comportamentos humanos demasiado surreais do pai e do namorado incapaz de se aguentar dez minutos acordado sempre que é preciso e o desleixo total no tratamento do tempo dentro da narrativa - cenários complexos de polícia e montagem de armadilhas perto do fim, tudo feito em pouco mais de dez minutos - sugeriam que todo o filme tivesse sido um sonho de Nancy, algo que o final aberto reescrito à pressa impugna. Seja como for, clássico de ontem, de hoje, de amanhã.

segunda-feira, setembro 12, 2022

Dave Bautista de tanga

domingo, setembro 11, 2022

Freelancer (2017)

Vida de freelancer não é fácil. Duas questões para começar: a que elemento da ficha técnica pertencia aquele fato de sadomaso - Francisco Lopes, não vale mentir - e o que raio é que o lendário apresentador da televisão pública açoriana Emanuel Medeiros andou a fazer no meio do Atlântico com sémen de cachalote? Sou um fã confesso dos visuais, das paletes de cores, da sonoplastia, dos temas musicais e da irreverência dos filmes de Francisco Lacerda e este "Freelancer" é um bom espelho de todas essas suas qualidades e decisões enquanto realizador. O arranque de vómitos não me convenceu por completo - demasiado simples e gratuito -, mas entre o quarto solitário e o casamento orgásmico, tudo explode para aquela dimensão maravilhosa onde sonhos, pesadelos e a psique criativamente demente de Lacerda brilham: despedimentos que podiam ter sido piores, quase suicídios, testículos de cachalote, sexo anal com bestas armadas com uma blica capaz de assustar o africano do Whatsapp e o riso de Francisco Lopes. Venham muitos mais, meus coriscos!

sábado, setembro 10, 2022

sexta-feira, setembro 09, 2022

In the Line of Fire (1993)

Jogo do gato e do rato entre um Eastwood que já era "too old for this shit" há trinta anos e o melhor Malkovich que existe, ou seja, o Malkovich psicopata. Último filme do velho Clint apenas como actor, comandado com mestria pelo recentemente falecido Wolfgang Petersen, que confia no talento ímpar dos dois pesos pesados para moldar a narrativa em torno das suas interpretações. Prova disso mesmo, a cena em que Malkovich improvisa de arma enfiada na boca, a rir-se como se fosse um blooper, a entrar de forma incólume na edição final. Conexões óbvias com uma história verídica contada no final dos anos sessenta por um dos agentes de Kennedy ao "60 Minutos", banda-sonora contida mas eficaz de Ennio Morricone e Rene Russo, tão mais nova que Eastwood mas, mesmo assim, tão natural na sua queda pelo Samson. "Vou pensar no assunto enquanto urino na tua sepultura" ou "Tens um rendezvous com a minha peida" com entrada directa no Hall of Fame do Dirty Harry, o novo John Wayne que o velho John Wayne aparentemente não apreciava.

quinta-feira, setembro 08, 2022

War is Hell

quarta-feira, setembro 07, 2022

Kindergarten Cop (1990)

Impressionante como um filme para toda a família nos anos noventa é, hoje em dia, um filme para maiores de dezasseis. É essa a classificação etária que acompanha a obra de Reitman na Netflix e percebe-se porquê: piadas sexuais de mães taradonas, homofobia descarada, violência, tiros e mortes no ecrã. Não sei, honestamente, o que isso diz de nós todos. Se estamos melhor ou pior. Se faz sentido ou não este maior controlo. Mas sei que éramos felizes a ver isto. Que nos ríamos com o politicamente incorrecto. Que vibrávamos com o vilão a dar à bota. Muitos detalhes que não fazem sentido - a avó malvada que aparece do nada e cujas motivações nunca são claras - fazem com que isto tenha envelhecido muito melhor nas memórias do que na realidade, mas caramba, há por aí uma sequela recente com o Dolph Lundgren que não se vai ver sozinha.

terça-feira, setembro 06, 2022

Nas Nalgas do Mandarim - S09E07

segunda-feira, setembro 05, 2022

Jaws 2 (1978)

Anos e anos enganado a pensar que isto tinha sido apenas uma sequela para ganhar uns trocos. Bem, até pode ter sido, mas comparado com tanta porcaria que sai hoje em dia com tubarões, há aqui muito sumo para espremer. Roy Scheider completamente a borrifar-se, em conflito directo com o realizador, obrigado pelo estúdio a cumprir contrato. E, mesmo assim, tão eficaz, na paranóia a disparar contra o mar na praia ou na bebedeira no conforto do lar. Ele que, de acordo com a sua biografia, chegou a apresentar um atestado de insanidade para tentar roer a corda que o ligava à Universal, mas que hoje em dia olha para esta sequela com outros olhos. Falta-lhe a magia de Spielberg, mas para compensar temos o encanto de um série B... de orçamento milionário - o triplo do primeiro -, tão orgulhosamente pateta quanto repleto de adrenalina. Um verdadeiro slasher aquático, com mortes originais, helicópteros na boca do bicho e uma cena final electrizante. Literalmente electrizante. John Williams com a batuta na mão e uma rapariga com um death wish tremendo, em chamas. Good enough for me.

domingo, setembro 04, 2022

Weird Al Potter