segunda-feira, junho 14, 2021

Resident Evil (2002)

Análise em modo trivia: Michelle Rodriguez, grande fã do jogo, pediu ao seu agente para fazer o que fosse preciso para que ela conseguisse um papel no filme; não teve que fazer muito, certamente. Milla Jovovich não usou nenhuma dupla para a substituir nas cenas de acção: para a coreografia em que sobe uma parede e dá um rotativo num zombiecão precisou de três meses de treino; já para mostrar ligeiramente a pelugem púbica, bastou um realizador maroto que, admirem-se, acabou por se casar com ela uns anos depois de a conhecer aqui. Filmado na sua maioria em estações inacabadas de metro em Berlim; mas foi no Japão que foi um sucesso estrondoso - o presidente nipónico da Capcom teve até um cameo como zombie. Foi o que foi, melhor do que se esperava, pior do que poderia ter sido, suficiente para garantir uma saga com seis capítulos. Gosto de sofrer, vou a todos até ao final do ano.

domingo, junho 13, 2021

Nalgas FR: Hollywood Chainsaw Hookers

sábado, junho 12, 2021

Peppermint (2018)

"E se eu fizesse parecido com o que fiz com o "Taken", mas com uma mãe em busca de vingança?", pensou o francês Pierre Morel certa noite enquanto revia Garner infiltrada na SD-6. Realização estilizada, sequências de acção aprimoradas, muito coração - pudera, marido e filha vão desta para melhor logo no arranque - e uma actriz que prova ter muito mais para dar do que aquilo que regularmente oferece nos caminhos (mais) confortáveis das comédias românticas/familiares. "Peppermint" é tudo o que se espera de um revenge movie à Morel - até nos seus defeitos, que são vários, da transformação animalesca da mãe enlutada às reviravoltas vilanescas. "Confort food", como dizem os bifes.

sexta-feira, junho 11, 2021

Tokyo! (2008)

Três histórias isoladas com Tóquio como único elemento em comum. Começamos com Gondry a transformar uma mulher numa cadeira. Sabemos mesmo quem somos? Somos o que queremos ser ou o que a sociedade quer que nós sejamos? Somos nós que transformamos as cidades em que vivemos ou as cidades que nos moldam a nós? Segue-se o pateta do enfant terrible do Carax com um monstro humano - o "Merde" - que não é nada mais do que o reflexo da sociedade que o rodeia. Politicamente incorrecto, japoneses e franceses caricaturados no seu pior, a guerra ao terror individualizada de forma tão ousada - sequência de abertura contínua e caótica, as mensagens escondidas à vista de todos - quanto presunçosa. E, por fim, Bong Joon-ho, mais pés-no-chão - ainda que a tremerem -, uma espécie de previsão apocalíptica do isolamento humano com doze anos de antecedência: seremos mesmo apenas livres, como Fernando Pessoa escreveu um dia, quando podemos isolar-nos do mundo que nos rodeia?

quinta-feira, junho 10, 2021

Keitel never won as Oscar

quarta-feira, junho 09, 2021

A Case for Physical Media

"But let’s be honest, it is not a film anymore – it’s ‘content’. I know this because I work in this business and that is what we call it. Films are no longer special, their shelf life is shorter – stream it, discard it and move on to the next binge. (...) I believe there is something to be said for that experience; picking up a tactile object, actually having to make the effort to go a store to rent and return a movie – it was a decided choice and when you got home to watch it, you were invested in giving the film your time because of that commitment. (...) The experience of watching a film no longer feels so special. And when it comes to digital libraries and streaming, you are not getting the best possible presentation, no matter how good your 4K TV is." [Dark Horizons]

terça-feira, junho 08, 2021

Elektra (2005)

Super-heroínas em fatos de cabedal, já sabemos no que dá, não é Halle Berry? Primeiro Marvel no "feminino", com a estrela em férias da extraordinária "Alias" de J.J. Abrams em piloto automático - obrigatoriedade contratual - numa personagem deslavada, sem o sainete de sensualidade e carácter que lhe tinha sido dada no "Daredevil" em que se apresentou dois anos antes. O que ganha em fugir ao vício apocaliptíco de "salvar o mundo", baseando-se numa narrativa mais íntima e familiar, perde no estilo demasiado sério com que tenta abordar uma história com motivações e decisões que raramente fazem sentido. E nem vou falar dos desaparecimentos mágicos em fumo verde dos "ninjas". Tom inconsistente - ora thriller psicológico negro, ora patetice quase sobrenatural de banda desenhada -, personagem enterrada para a eternidade. E ainda diziam que o "Daredevil" do Affleck era mau.

segunda-feira, junho 07, 2021

Scarface @ Segundo Take

domingo, junho 06, 2021

Porco Rosso (1992)

Um porco que não voa não passa de um porco. Mas um porco também não luta por uma questão de honra, luta por comida na pança. Tudo somado, contas feitas, mais vale ser um porco do que um fascista. E o resto é conversa. Conversa que só se percebe na dobragem inglesa disponível na Netflix, já que a legendagem portuguesa na versão original é atroz e descabida, tornando todo o enredo imperceptível. Miyazaki mais complexo do que aparenta, a história de um homem transformado em porco - sem grandes explicações - que se auto-isolou do amor, da felicidade, da guerra, da sociedade e do fascismo. Um conto bizarro (mas divertido) sobre aparências, sobre o livro de capa horrorosa com uma história fantástica no interior, repleto de ambiguidades na sua mensagem quase melancólica em torno das consequências das "guerras" desta vida, sejam com piratas da aviação ou piratas do parlamento. E aquela cena dos "aviões fantasmas"? Poesia para a eternidade.

sábado, junho 05, 2021

Bo Burnham: Inside (2021)

Torrente impressionante de criatividade, imaginação e talento de Bo Burnham. Realizador, guionista, produtor, cantor, editor, autor, técnico de luzes e de som, Burnham faz tudo sozinho, sozinho no tudo em que se transforma um pequeno quarto onde (supostamente) passou grande parte do confinamento provocado pela pandemia. Hora e meia de constante reinvenção do conceito de "especial de comédia", um projecto ímpar que independentemente de resultar na eficácia do humor - a mim raramente arrancou mais do que um leve sorriso - tem um impacto tremendo na forma como Burnham consegue reinventar o espaço e a sua figura, cena após cena.

sexta-feira, junho 04, 2021

Good Old Shy?

quinta-feira, junho 03, 2021

Spiral: From the Book of Saw (2021)

Chris Rock: de longe a pior escolha de casting de toda a saga. Ponta-de-lança de pé quente - língua afiada - enfiado na baliza com luvas, noventa minutos a tentar ser o que não é, seguido bem de perto por um defesa central (Max Minghella) que devia estar no banco. Previsível que dói, armadilhas sem tempo nem espaço para brilharem (e angustiarem), edição e montagem "tão early 2000s" e desenvolvimento narrativo estruturado de forma tão amadora e formulaica a partir do segundo acto que, chegados ao final, é maior a vontade de rir do plano do novo "Jigsaw" que o desejo de o ver novamente. Samuel L. Jackson teria feito melhor no papel principal, motherf*ckers.

quarta-feira, junho 02, 2021

Prince of the City (1981)

Pastelão seco e difícil de engolir, quase três horas que pareceram cinco ou seis. Um complexo novelo policial que Sidney Lumet não consegue desenrolar de forma minimamente cativante, ainda para mais na ausência de um protagonista com outro magnetismo e carisma - Treat Williams não consegue calçar as botas de Al Pacino, que reza a lenda era a primeira escolha de Lumet para a personagem principal - que conseguisse levar o filme para outros patamares de espectáculo. Um sem número de personagens de telenovela, um guião atabalhoado, edição e montagem sem chama nem charme e o claro sentimento final de que acabamos por sobreviver a esta viagem de autocarro num caminho para cabras quando pensámos que íamos apanhar o alfa-pendular em classe executiva.

terça-feira, junho 01, 2021

Apocalyptic Purge

segunda-feira, maio 31, 2021

Dead Trigger (2017)

Vamos dar mérito aos dois incompetentes que realizaram isto pelo facto de terem adivinhado que em 2021 o mundo estaria de pernas para o ar por culpa de um vírus. E pronto, é isto. Nem o estatuto de herói de acção do Dolph Lundgren, a experiência do Isaiah Washington ou aquela cara laroca da Autumn Reeser salvam este pós-apocalíptico de uma história sensaborona - nem uma pitada de humor negro - e desconexa, de uma mão-cheia de jovens actores que não seriam sequer contratados para fazer um anúncio publicitário a uma escola de ensino especial, de sets de interior com paredes feitas de cartão, ornamentadas com folhas A4 impressas cinco minutos antes para desenrrascar. Provavelmente, por questões de orçamento, com a mesma tinta que o Dolph usou para pintar o cabelo de negro. Depois do sucesso dos videojogos de computador adaptados ao cinema, toda uma nova era arranca de forma gloriosa: a cinebeatificação dos jogos de telemóvel. Ou não. Porra Dolph, assim qualquer dia desisto.

domingo, maio 30, 2021

Friends: The Reunion (2021)

Todos cheios de plástico na cara à excepção do Matt LeBlanc e da Lisa Kudrow; o James Corden a querer ter protagonismo num formato de conversa que apenas serviu para desvirtuar o reencontro, as emoções autênticas entre os seis que partilharam risos, lágrimas, paixonetas e infinitas histórias, nos bastidores e não só, durante uma década. Desfiles de modelos, entrevistas a figuras públicas nada relacionadas com a série - o mais deslocado e sem nada de relevante para acrescentar o amiguinho de Corden, David Beckham - e a Lady Gaga a cantar um tema que devia ser apenas e só da Phoebe. Um quiz que nunca desenvolve para lá do óbvio. Tanta porcaria enfiada no meio deste reencontro e, ainda assim, aquele aperto no coração, aqueles olhos inchados no final ao perceber que o tempo não volta atrás. Para nós e para eles. Porque envelhecer é isso mesmo, passar da paixão à compaixão, perdoar tudo e valorizar qualquer memória de tempos em que para sermos felizes bastava um simples "How you Doin'?".

sábado, maio 29, 2021

Two Distant Strangers (2020)

Curta-metragem nomeada à mais recente edição dos Óscares que tem sido um verdadeiro caso de amor-ódio entre o público. Nem tanto ao mar nem tanto à terra: percebem-se as queixas de quem acha a mensagem tão simplificada quanto detentora em si do mesmo ódio que critica; mas também os elogios de quem não resiste ao conceito de uma narrativa em time-loop recheada de homenagens aos que sofreram - e morreram - às mãos, aos joelhos e aos disparos de um ciclo vicioso de racismo estrutural enraizado na sociedade norte-americana. Dos nomes no telhado à poça de sangue moldada no formato do continente americano, fica a metáfora eficaz - exactamente por ser polémica e talvez até inapropriada - de um problema cruel sem fim à vista.

sexta-feira, maio 28, 2021

Nalgas Flash Review: Skyscraper

quinta-feira, maio 27, 2021

Blue Ruin (2013)

A estreia impressionante de Jeremy Saulnier como realizador, guionista e cinematógrafo nos grandes palcos. Promessa que entretanto se tornou certeza, num noir moderno que faz quase tudo bem, sem pressas nem exaltações, com muitos cinzentos - de tons azulados - num género - revenge movies - que normalmente prefere o preto e o branco moral de uma boa vingança. Como que um círculo vicioso de violência de quem não a quer mas que não resiste a procurá-la, do homem bom que pensa que perdeu tudo e por isso mesmo nada mais tem a perder, da necessidade de justiça que causa exactamente o mesmo tipo de injustiça naqueles que assistem de fora à punição dos pecados de um ente querido. Interpretação irrepreensível de Macon Blair, nos graves (com barba) e nos agudos (penteadinho), em casa da irmã ou na sua ruína azul, o Pontiac onde os seus pais foram assassinados.

quarta-feira, maio 26, 2021

Daredevil (2003)

Anos a fio enganado pela opinião consensual do público que este "Daredevil" era lixo tóxico. Já sei, já sei, provavelmente o problema é meu e daquela garrafa de Mirabilis branco que despachei sozinho ao jantar. Seja como for, tirando o arco narrativo em que o Demolidor e a Electra andam à pancada porque ela não reconhece que se trata do namorado debaixo daquela máscara que deixa meia cara de fora - e porque raio em vez de bater na namorada e levar com uma facada no ombro, o Ben não disse apenas "Electra, calma, sou eu, o ceguinho que te anda a queimar a rosca todas as noites" -, tudo o resto pareceu-me mais competente e divertido que estas MARVELadas recentes que se levam demasiado a sério. Ben Affleck convence enquanto cego - nem por isso enquanto super-herói ou advogado -, o sorriso com covinhas da Jennifer Garner deixa qualquer um, uma ou não-binário de beiços, o big bad boss possante de Michael Clarke Duncan saudades do bom gigante e até o sacana do Colin Ferrell arranca um dos mais intrépidos e convincentes vilões do género com aquela colecção infindável de manias e tiques de expressão. Vou deitar-me que estou com a boca seca, mas amanhã já pego no "Elektra".

terça-feira, maio 25, 2021

Nas Nalgas do Mandarim - S08E08

segunda-feira, maio 24, 2021

Presumed Innocent (1990)

Thriller competente q.b. de Alan Pakula ("All the President's Men") que, infelizmente, raramente sai da sua zona de conforto. O mistério em torno do crime aguenta-se ainda assim até bem perto do fim - ainda que se perceba que o culpado tem que ser alguma das pouquissímas personagens que fazem parte do círculo de confiança do Rusty Sabich de Harrison Ford - ao contrário da ténue e frustrante intensidade que é colocada nas cenas de tribunal, sem um único momento de exasperação de um homem presumivelmente inocente. Propositado ou não para nos deixar na dúvida em relação à sua inocência, o que acaba por dar nas vistas é a forma gulosa como a italiana Greta Scacchi apalpa aquele rabo - e tudo o resto - do Han Solo sempre que pode. Fã da força, a Greta deve ser.

domingo, maio 23, 2021

The Woman in the Window (2021)

Tanto talento - Amy Adams, Gary Oldman e Julianne Moore - para tão pouco. Homenagem descarada a Hitchcock, qual "Rear Window" moderno que apesar da cinematografia expressiva e de um set design digno de louvor, raramente convence nas dinâmicas forçadas entre as personagens e na forma pouco ortodoxa como todas as peças tentam encaixar umas nas outras para construir um mistério sólido. Diálogos medíocres, um terceiro acto atabalhoado completamente deslocado no tom e na forma dos dois primeiros, pouca ou nenhuma tensão e a óbvia conclusão que não basta gostar de Hitchcock para ser um. Joe Wright, amigo, dedica-te aos dramas de época.

sábado, maio 22, 2021

Voyage to the Planet of Prehistoric Women (1968)

Cinco minutos de créditos iniciais com o mar a bater em rochas. Estamos no futuro - 1998 para ser mais específico - e sai uma nave espacial de latão da Terra em direcção a Vénus. Morre tudo, culpa de um meteorito. Passam mais uns anos e desta vez sai um foguetão de papelão com dois homens e um robot a bordo com o objectivo de finalmente chegar ao planeta cujo nome foi inspirado na deusa romana do amor. Chegar chegam, mas espetam-se na aterragem e perdem as comunicações com a Terra. Não há problema, vão já mandar outro foguetão com mais um trio de artistas para os salvar. Salvar de lagartos gigantes, de um Deus réptil voador, de um robot vira casacas e de mulheres com conchas como soutiens que comunicam telepaticamente entre si, entenda-se. Parvoíce total, com reaproveitamento extensivo de material de outros dois filmes - apenas filmaram novas cenas relativas ao arco feminino da história - e uma musiquinha de fundo de cortar os pulsos. Foda-se Peter Bogdanovich - também narrador moralista da história que assinou como Derek Thomas -, como diria o outro, que passou-se?

sexta-feira, maio 21, 2021

Nalgas Flash Review: The Big Sleep

quinta-feira, maio 20, 2021

The Girl from Rio (1969)

Rio de Janeiro. Falam todos espanhol ou inglês. Português, nada. Femina, uma cidade/reino ali perto que é considerada a capital do mundo das mulheres. Homens, proibidos. O objectivo da Sununda, a líder deste clã de mulheres jeitosas - nem uma gordinha -, é claro: acabar com qualquer homem no planeta numa posição de poder ou domínio em relação a uma mulher. Obras com eles, são bons é a construir casas e a servir as mulheres, género maior e superior. Um casal que passeia pelo Rio é abordado por uns capangas com umas máscaras assustadoras. Não sabemos quem é o casal nem a quem respondem os capangas. Não interessa. Levam uma coça deste aparente "James Bond" e na cena seguinte, pinocada no hotel. Afinal não são um casal, o Sir Pintas nem sabe o nome dela. "A coisa mais segura para roubar é dinheiro roubado", diz-nos a rapariga. Não está mal visto. Um arqui-vilão viciado em banda-desenhada do Popeye. Sir Pintas raptado pela Sumuru, acaba na Femina a aprender como a cidade funciona: as mulheres são treinadas para serem irresistíveis para qualquer homem e quem não dominar a arte, morre. Simples e pragmático. Uma prisão dentro do reino das boazonas repleta de homens ricos que caíram nas tentações destas piranhas; é assim que elas acumulam riqueza. Cena lésbica com plano de destaque para mamilos rijos. Sir Pintas escapa de Femina num Fairchild C-82 Packet, um cromo raro e clássico do mundo da aviação. Tanta mulher bonita e foi isto que me deixou de pau feito. Todos atrás de uma mala com dez milhões de dólares do Sir Pintas, o primeiro homem de sempre a escapar de Femina. O vilão dos espinafres quer aproveitar esse know-how para destruir o reinado de Sununda. Uma ventoinha de plástico da Worten como arma de tortura. Fodasse Jess Franco, que confusão que para aqui vai. Já vos disse que isto é o Rio de Janeiro e não há um habitante local que não diga "gracias" em vez de "obrigado"? Chega, o resto fica para descobrirem, como eu, nas profundezas do catálogo da Amazon Prime.

quarta-feira, maio 19, 2021

Skyscraper (1996)

A Anna Nicole Smith com umas unhas a rivalizar os seus melões, a fingir que pilota um helicóptero sozinha enquanto vemos o ombro do verdadeiro piloto no canto inferior esquerdo do enquadramento. Uns mauzões sem medo de tiroteios mas com necessidade de uma rampinha para descerem de um camião. O governo norte-americano, num carro devidamente identificado como sendo do governo, a comprar ilegalmente num beco a outros - ou serão os mesmos? - mauzões uma espécie de jogo electrónico de Batalha Naval capaz de mudar o jogo geo-político mundial. Vários disparos de bazuca contra um carro mais resistente que o Kitt. Ainda nem passaram cinco minutos e o nível já é este. Anna Nicole nua no chuveiro, Anna Nicole nua na cama, Anna Nicole com desejos de ser mãe. Seria o bebé com o maior reservatório de leite materno da história, mas o papá é polícia e quer o depósito só para ele. Mais tiros de bazuca. Ninguém acha estranho na cidade andarem mísseis de um lado para o outro, não vale a pena avisar a polícia. Segue-se o "Die Hard" com vilões de sotaque francês e cabelos Pantene. A Anna Nicole, claro, faz de Bruce Willis. Estou a rir muito, coitada, não consegue dizer duas frases seguidas sem parecer que está num filme porno ou na creche, a falar com recém-nascidos. Calma, alerta flashback: vamos ver o momento em que a Anna Nicole aprendeu a disparar. Ah esperem, não, afinal foi só mais uma desculpa para uma cena de sexo com a fruta toda à mostra num piquenique. Não me estou a queixar, atenção, mas já vi homens morrem sufocados por menos. Bazucas contra bombeiros; porra, devia haver limites. A Anna Nicole num macacão que a faz parecer gorda; mas não, são as mamas que chegam à cintura e criam essa ilusão de óptica. Muitas quedas do arranha-céus, deviam ter metido uns vidros mais resistentes ao impacto. Anna Nicole kickboxer salva o dia e acaba fechada com o namorado numa ambulância. Pronto, o filho vai ser enfermeiro, não se fala mais nisso.

terça-feira, maio 18, 2021

Peeping Tom (1960)

Filme extremamente controverso aquando da sua estreia, "Peeping Tom" foi arrasado pela crítica, que arrumou a carreira do britânico Michael Powell na gaveta daí em diante. A caneta foi mesmo mais poderosa do que a espada no tripé de Karlheinz Böhm - que não me convenceu na pele do protagonista freudiano que tenta sobreviver aos seus demónios e que, a certa altura da sua vida, ganhou sotaque alemão, já que a criança que aparece em recordações em fita não o tinha -, numa história que com o avançar dos tempos perdeu o choque e o impacto da sua mensagem mas que, como que por ironia, ganhou o respeito do público e da crítica. Não há aqui nada sórdido ou gráfico, apenas um thriller psicológico cujo vilão é identificado logo à partida e cujo único mistério revolve em torno das razões e do destino que será dado a tão peculiar personagem. No meio das suas cores híper saturadas, não aquece nem arrefece. Comparações com Hitchcock? Poupem-me.

segunda-feira, maio 17, 2021

Maggie Q & Samuel L. Jackson

domingo, maio 16, 2021

Scarface (1983)

Obra-prima do caralho. Perdoem o meu francês, mas tenho que fazer justiça ao espírito e energia do filme de Brian de Palma, escrito por Oliver Stone - que combinação explosiva de talento e audácia. Enquadramento político e social renovado - imigrantes italianos, álcool e Chicago dão lugar a refugiados cubanos, cocaína e Miami - neste remake de homenagem ao clássico de Howard Hawks da década de trinta. Papelão maior que a vida de Al Pacino - o sotaque, os tiques, a arrogância -, uma mão-cheia de cenas que roçam a perfeição cinematográfica - a da motoserra na casa de banho, com a câmera a entrar e a sair do quarto, provavelmente a mais brilhante e ousada -, sets magníficos - a mansão, a discoteca, etc. -, um tipo enforcado num helicóptero, os cabrões dos sunsets com um laranja azulado no céu, "Miami como uma grande rata à espera de ser comida" (Tony Montana dixit) e o "olhar de quem não fode há um ano... e os olhos nunca mentem" da Michelle Pfeiffer naquele vestido verde - com a mulher certa, qualquer homem pode chegar ao topo. O percurso do canastrão de rua que mataria comunistas por prazer - mas que por dinheiro esquartejaria-os como se fosse Picasso - a big boss do narcotráfico que define capitalismo como o acto de ser "enrabado" pelos poderes instituídos, da banca ao governo. O mundo não chega para quem quer sempre mais.