quinta-feira, janeiro 13, 2022

Kimi Soderbergh

quarta-feira, janeiro 12, 2022

The Lair of the White Worm (1988)

Não me entendam mal: ninguém fica tão triste como eu por falar mal de um filme inspirado numa obra do irlandês Bram Stoker que tem uma cena com um strap-on gigante e duas actrizes escaldantes - pacote completo ainda por cima, com uma loira e outra morena - em lingerie. Mas caramba, a irmã (Sammi Davis) do arqueologista (Capaldi) da gaita de foles é capaz de ser a pior actriz da história - e estou a contar com a Anna Nicole Smith - e tive que levar com ela durante hora e meia. O Hugh Grant com uma espada gigante. Sequências de sonho tão rídiculas e visualmente aberrantes que não conseguem sequer ter piada. Cobras, romanos e elementos de forma fálica a saltitar cena sim cena sim. Estrutura e lógica inexistentes. Ken Russell, senhoras e senhores, de agora em diante conhecido aqui em casa como o Francis Ford Crappola.

terça-feira, janeiro 11, 2022

Neeson Badass Grandpa

segunda-feira, janeiro 10, 2022

The Beta Test (2021)

Um terço Ari Gold, um terço Patrick Bateman, um terço Jim Carrey - o lunático da vida real -, a personagem do realizador/actor/guionista/produtor Jim Cummings é um agente de Hollywood com manias e fantasias de grandeza. Recebe um envelope misterioso no correio e entra numa espiral Eyes Wide Shutiana que atira toda a narrativa para um imbróglio que nunca sabe bem se quer ser sátira à indústria e aos sindicatos, comédia negra tecnológica, thriller erótico ou whodunnit policial. Muitas ideias interessantes meramente afloradas no meio de tanta vontade e uma interpretação demasiado over the top - de um actor que normalmente vive bem nesse registo - para o tipo de personagem que foi moldado desde início, um idiota falso e arrogante por quem o espectador não consegue sentir a mínima empatia e, consequentemente, preocupação pelo que lhe vai acontecendo. Sentem-se vários rasgos de genialidade aqui e ali, mas faltou talento para os unir num todo coeso e eficaz. Para memória futura: "não estou a insultar-te; estou a descrever-te".

domingo, janeiro 09, 2022

Jackass Forever

sábado, janeiro 08, 2022

Warriors of the Year 2072 (1984)

Apocalíptico italiano que se passa em 2073. Leva 2072 no título mais difundido a nível internacional, mas chegou a ser lançado em alguns países com o título "Rome 2033 - The Fighter Centurions" ou mesmo no mercado interno em VHS como "I Guerrieri Dell' Anno 2079". Pouco interessa o ano, eu sei, mas mostra bem a salganhada que vai para aqui. Dois canais de televisão rivais lutam pela liderança das audiências com a única fórmula que interessa no futuro: combates mortais e violência sem regras. Uma espécie de "Rollerball" com motas sarapintado com traços de "Logan's Run", que decepciona no meio do aspecto barato e da falta de tensão. Decepciona porque esperava-se o clássico Fulci - gore, sangue, violência gráfica e macabro - e não um Fulci para maiores de doze. E porque queria muito ver o Fred Williamson a varrer tudo. Mal se mexe. Arghhh.

sexta-feira, janeiro 07, 2022

Foo Fighters go Jack Black

quinta-feira, janeiro 06, 2022

14 Peaks: Nothing Is Impossible (2021)

Documentário sobre o "Project Possible", o plano aparentemente impossível do nepalês Nirmal Purja de subir ao cume das catorze montanhas mais altas do mundo - todas elas acima dos oito mil metros de altitude - em menos de sete meses, batendo o anterior recorde mundial de um sul-coreano que o tinha feito em pouco mais de sete anos. Com coragem, perseverança e tenacidade, constrói as bases da sua aventura na intenção de mostrar as capacidades únicas de um povo e de uma etnia específica da região mais montanhosa do Nepal - os xerpas -, constantemente esquecidos nos feitos de outros alpinistas ocidentais, mesmo fazendo essas escaladas como guias e membros das equipas de apoio, dezenas de vezes ao ano. Uma mensagem bonita sobre o trabalho de equipa envolta num nacionalismo orgulhoso, que infelizmente se vai desvanecendo ao longo da edição das centenas de horas de filmagens, com o realizador Torquil Jones a focalizar constantemente toda a narrativa em Nirmal, na sua história de vida, nos obstáculos financeiros que enfrentou e na sua relação com a mãe. Ainda assim, e mesmo tendo em conta a "batota" das máscaras de oxigénio que outros no passado não usaram, eis um feito extraordinário para descobrir na Netflix.

quarta-feira, janeiro 05, 2022

Ti West goes A24

terça-feira, janeiro 04, 2022

The Matrix Resurrections (2021)

Desilusão tremenda, mas esperada. Faltou tensão no desenrolar da narrativa, faltou o encanto e a audácia conceptual revolucionária do arranque da saga, faltou criatividade para tornar as cenas de acção memoráveis como no passado. Perdeu-se o cool factor, perdeu-se uma oportunidade para explorar todo um novo subplot tecnológico relacionado com a nossa dependência de telemóveis e redes sociais, perdeu-se a voz e presença de Fishburne e Weaving em troca directa com duas personificações sem sal nem pimenta. Nem o menos céptico dos fãs consegue papar a figura de Neil Patrick Harris como grande mestre da vilania e, entre condenações disfarçadas à ganância da Warner Brothers em continuar a saga, Lana Wachowski transforma este regresso no mesmo produto destituído de pertinência que crítica naquela reunião de gabinete inicial. E nem vou falar do Son Goku Neo em piloto automático.

segunda-feira, janeiro 03, 2022

Where are my manners?

domingo, janeiro 02, 2022

Betty White (1922-2021)

sábado, janeiro 01, 2022

Logan (2017)

Abordagens mais terra-a-terra de super-heróis: nada contra, tudo a favor. Mas não senti honestidade nenhuma neste processo de humanização dos mutantes em "Logan", culpa talvez da falta de mãozinhas de Mangold para escapar a tantos lugares comuns do género. A violência muito mais visceral funciona às mil maravilhas - aquele adamantium a rasgar carne humana como se fosse manteiga - e as paisagens áridas e poeirentas são, permitam-me o trocadinho, um lufada de ar fresco daquelas salganhadas de CGI que juntam grandes cidades, universos distantes e diversos superpoderes num pano verde gigantesco. Mas por mais eficaz que seja a pequena lunática ou mesmo Jackman enquanto farrapo alcoólico, Mangold não consegue criar qualquer química emocional na relação pai-filha nem credibilizar todo o lado vilanesco da história. Malta de fatinho, militares e SUVs pretos, que original. E Boyd Holbrook, pau mandado sem presença suficiente, carisma ou sequer personagem para ser a representação de todos os problemas de Wolverine e companhia. Pouca parra, média uva.

sexta-feira, dezembro 31, 2021

In Memoriam 2021

quinta-feira, dezembro 30, 2021

Betty White (1922-2021)

quarta-feira, dezembro 29, 2021

The Card Counter (2021)

Paul Schrader é um pessimista por natureza cinéfila. O que torna o seu cinema tão tematicamente previsível quanto de alguma forma irresistível, com os seus protagonistas solitários num percurso autodestrutivo que se transforma numa análise incisiva não só sobre várias questões socioculturais - neste caso relacionadas com a política externa norte-americana e o vício (e os vícios) do jogo e do "american way" - como uma metáfora sobre a vida, o humanismo e o purgatório, os passos dados em falso que comprometem toda uma caminhada. Oscar Isaac com material para provar-se como um dos mais competentes e interessantes actores da actualidade, numa tentativa de redenção filmada de forma exímia por Schrader, mesmo quando este parece não saber bem em que direcção desenrolar a história.

terça-feira, dezembro 28, 2021

The Trashman

segunda-feira, dezembro 27, 2021

Creep (2014) / Creep 2 (2017)

Found footage de terror psicológico, do bom. Impressionante o talento e a mestria de Mark Duplass em transformar cinco páginas de guião com ideias soltas e uma só semana de filmagens num todo que, mesmo construído com base na constante improvisação dos poucos envolvidos, demonstra uma coesão e coerência narrativa e estrutural notável. Inicialmente pensado como comédia negra mas feliz e eficazmente moldado por Patrick Brice para um tom muito mais sério, sentimos em cada cena a dúvida e incerteza que pairava nos actores sobre a acção seguinte. Essa sinceridade ajuda a que seja extremamente difícil resistir a este Duplass, uma das figuras criativas, juntamente com o seu irmão, mais irreverentes do panorama contemporâneo cinematográfico e televisivo. Na sequela, a "youtuber" Desiree Akhavan junta-se a este cocktail a um nível também elevadissímo, num filme que consegue igualar os méritos do primeiro tornando-o ainda mais honesto - o próprio vilão revela a sua identidade e pretensões numa suposta redenção espiritual pré-suicídio. Fico a torcer, muito mesmo, por um regresso a este universo num terceiro capítulo previsto desde o início por Duplass mas que teima em não dar sinais de vida.

domingo, dezembro 26, 2021

Eggers & Skarsgård

sábado, dezembro 25, 2021

En man som heter Ove (2015)

Tão divertido quanto comovente, "Um Homem Chamado Ove" é a adaptação cinematográfica do livro homónimo de sucesso do blogger e escritor sueco Fredrik Backman, uma história de vida inspiradora centrada num velho resmungão patriótico com um coração enorme, tanto no sentido figurado como literal. A bondade e o amor onde menos se espera, numa sólida interpretação do veterano Rolf Lassgård, nem sempre acompanhada no mesmo nível de genialidade e talento pelo elenco secundário - em especial as personagens mais jovens. Ainda assim, é muito difícil resistir a um viúvo que tem que constantemente adiar o seu suicídio para ajudar aqueles que o rodeiam a resolver pequenas e grandes crises nas suas vidas. O impacto que podemos ter na vida dos outros, os raios de luz na escuridão, num filme que reveza na perfeição momentos hilariantes com os encantos das amizades inesperadas. Recomendadíssimo.

sexta-feira, dezembro 24, 2021

Emo Batman

quinta-feira, dezembro 23, 2021

Death to 2021 (2021)

Terminei a análise de "Death to 2020" a desejar que o ano seguinte não desse razões aos seus responsáveis para fazer um "Death to 2021". Não poderia estar mais errado. O mesmo esquema de sátira/paródia, provavelmente mais importante para rever e relembrar daqui a umas décadas do que agora, a quente. Os mesmos méritos que a "prequela" - com o historiador Hugh Grant à cabeça - e os mesmos defeitos: uma visão do mundo que mete os EUA como centro de tudo, mesmo que se trate dos Jogos Olímpicos de Pequim ou daquela série muito violenta asiática com uns capacetes inspirados em comandos de Playstation. Mais do mesmo, é verdade, mas sessenta minutos passam a voar quando se trata de gozar com a estupidez humana.

quarta-feira, dezembro 22, 2021

Don't Look Up (2021)

Sátira apocalíptica bastante competente e incisiva de Adam McKay que revolve em torno da cultura negacionista tão em voga no actual contexto pandémico. Elenco de luxo - que maravilha o momento à Peter Finch de DiCaprio -, uma aura constante com vislumbres de "Dr. Strangelove" e dinâmicas irresistíveis entre várias personagens fazem deste exercício cinematográfico um retrato político e sociocultural tão ridículo - como é suposto ser, por definição do próprio conceito de sátira - quanto pertinente, por mais popularucho e simplificado que esteja para chegar a todos os públicos - ao contrário do complexo "The Big Short" do mesmo realizador sobre a bolha imobiliária de 2008. O multimilionário que é uma espécie de mistura de Musk, Branson e Bezos reunidos num só pateta, a presidente Trumpiana com o seu filho Ivankiano, os "novos" jornalistas e fazedores de opinião, o lucro a todo o custo, o ver para crer, porque a opinião de um qualquer idiota vale tanto como a de um especialista num qualquer assunto. "Não Olhes Para Cima" não acerta em todas as direcções que dispara - os caminhos percorridos pelas personagens de Chalamet e Lawrence, por exemplo, pouco acrescentam -, mas nas que acerta, diverte à brava. Pena que ninguém se tenha lembrado que naquela cena final teria tido mais piada, além da morte "jurássica", terem chegado à conclusão que não tinham levado ninguém jovem o suficiente para garantir a reprodução da espécie.

terça-feira, dezembro 21, 2021

The Pink Panther (1963)

Era para ser um filme em torno da personagem de David Niven, mas o brilho de Sellers enquanto Closeau foi tal que Blake Edwards e os produtores decidiram focar não só este capítulo como toda uma série de sequelas em torno do inspector desastrado. Desastrado por iniciativa de Sellers em concordância com Edwards, já que o guião original descrevia o mesmo apenas como um "correcto, sóbrio e digno oficial da polícia". Claudia Cardinale vestida por Yves Saint-Laurent - pela primeira vez em Hollywood - mas com a voz dobrada por Gale Garnett, porque não sabia falar inglês. Encheu o olho dos espectadores como era pretendido, num exercício requintado de comédia física de Sellers que raramente cai na parvoíce, mesmo estando quase sempre a roçar a mesma. Quem não achou piada nenhuma foi Niven, relegado para segundo plano, recusando após todo o louvor que Sellers recebeu da crítica voltar para as sequelas, percebendo que seria sempre uma personagem secundária. Teve que morder a língua e fazê-lo mais tarde, após a morte de Sellers, doente e a precisar de dinheiro. Curiosamente, e sendo indiscutivelmente um actor portentoso, acabaram por ser os dois maiores flops de bilheteira da saga.

segunda-feira, dezembro 20, 2021

Squid Game (S1/2021)

Talvez tenha sido vítima do seu próprio hype, mas "Squid Game" soube-me a pouco. Começa de forma ousada e inesperada - para jogadores e espectadores - mas vai perdendo impacto com o passar dos nove episódios, com personagens demasiado estereotipadas - como a "louca da casa-de-banho" ou o vilão parvalhão - e uma previsibilidade tremenda na ordem das mortes, com especial destaque para o jogo "mortal" em que todas as personagens-chave ficam na mesma equipa. Os próprios jogos, magnânimos na sua execução técnica, visual e conceptual, acabam por perder brilho ao deixarem de privilegiar o talento em função da sorte, ao mesmo tempo que toda uma narrativa transversal de espionagem e fuga nunca consegue sobressair do contexto violento do "espectáculo" em que está inserido. No fim, para banalizar toda uma aura de crítica e comentário social que envolveu vários dos jogos - como aquele em que marido e mulher percebem que só um deles pode sobreviver -, descobrimos, e atenção ao spoiler, que tudo não passou de uma aposta/parvoíce de um milionário. Muitos méritos que ficaram aqui por elogiar - dos valores de produção à audácia visceral do seu tom -, mas para um grande admirador de "Battle Royale" - e até do subgénero "survival" - como eu, faltou sujidade e imprevisibilidade. Porque não queremos nem lógica nem ordem no inferno.

domingo, dezembro 19, 2021

Pig (2021)

O ritmo não será para todos, muito menos para os que esperavam uma John Wickada com o Nicolas Cage e um porco. Em vez de armas em hotéis, cavalos nas ruas e lápis em bibliotecas, o nosso herói (re)abre a alma e o coração para recuperar o seu animal de estimação numa viagem pelo seu passado ligado ao (sub)mundo dos restaurantes de luxo de Portland. Não por necessidade de sobrevivência - as tão valiosas trufas -, mas por afeição. A subversão inesperada e surpreendente de todo um género, que enfia as nossas expectativas no lixo logo a seguir ao pãozinho com manteiga (cena inicial na casa do bosque) e acaba por nos oferecer todo um arco humanista, qual meditação interessante sobre o luto, a perda e o amor numa refeição chique que prova que Cage é muito mais do que um taberneiro em Hollywood. O estreante Michael Sarnoski deixa-nos em constante tensão na esperança de uma resolução violenta e recompensadora, algo que acaba por nunca acontecer; e é preciso ter tomates para desafiar de tal forma o espectador.

sábado, dezembro 18, 2021

Hardcore Henry (2015)

Que malhão. Filmado praticamente na totalidade com várias GoPro Hero3 colocadas num capacete especialmente criado para o nosso herói, o estilo e a forma deste "Hardcore Henry" não agradará certamente a todos. Mas o filme do russo Ilya Naishuller é muito mais do que um truque de magia engraçado repetido vezes sem conta: há toda uma narrativa bem construída de fundo assente num universo sci-fi muito próprio e, caramba, Sharlto Copley e todo o humor que revolve as suas várias personagens fez-me o dia. Uma granada por dia, não há vilão que resista a tamanha ousadia. Por falar em vilão, que dizer de Akan - pena apenas que não exista qualquer tipo de explicação em torno dos seus poderes telecinéticos - ou do lança-chamas de casaco engraçado. Que dizer da Jennifer Lawrence do Intermarché ou de todas as cenas de acção mirabolantes, entre tanques militares e saltos de parkour, que provocaram tantas lesões e levaram à necessidade de usar quase uma dúzia de actores/duplos no papel de Henry. Financiado através do Indiegogo e comprado por dez milhões de dólares logo após a estreia no Festival de Cinema de Toronto, "Hardcore Henry" merecia mais amor da vossa parte. Mais amor e uma sequela.

sexta-feira, dezembro 17, 2021

Die Welle (2008)

Há aqui todo um empirismo sociológico muito interessante em torno da autocracia/monocracia, uma experiência académica cuja mensagem e propósito se revela cada vez mais pertinente nas sociedades contemporâneas. A execução cinemática e prática da ideia está longe de ser perfeita - o final é exagerado, previsível e desnecessário, acabando por personalizar uma conclusão que deveria manter-se grupal -, mas ficam vários tópicos para discussão posterior: a forma como o ser humano é facilmente manipulado, a sua necessidade de liderança, de regras, de seguir uma linha comum, de se sentir integrado. A forma como os problemas - na época do nazismo, o desemprego e a inflação; nesta situação, a desmotivação, o isolamento na escola, a família que não lhes dá atenção em casa - são o combustível perfeito para o fascismo germinar. E como a sensação de poder pode corromper o mais puro dos idealistas, aqui representado pelo professor que finalmente se vê reconhecido por pares e alunos. Olho vivo amiguinhos, já Chega de problemas.

quinta-feira, dezembro 16, 2021

The Amazing Spider-Man 2 (2014)

Como é que é possível ter uma morte inesperada e chocante de uma personagem-chave ligada ao Homem-Aranha e não conseguir construir e pensar a mesma com qualquer tipo de brilho ou emoção, como um momento-chave que marcaria toda uma nova saga? Marc Webb não é Sam Raimi e não há efeitos especiais ou competência técnica e tecnológica derivada do passar dos anos que substitua o poder da caneta. Jamie Foxx desaproveitado num vilão à Joel Schumacher cujos boxers são da mesma colecção dos calções do Hulk, Andrew Garfield sem carisma para ser mais do que "o" piadolas e o puto Osborn mais emo-enervante da história recente, sempre com a franja diferente a cada mudança de plano. Eu bem que tento fazer as pazes com estas bonecadas todas da Marvel, DC, Sony e companhia; mas não está fácil.

quarta-feira, dezembro 15, 2021

Red Dawn (1984)

Um conceito e uma ideia engraçada - uma terceira Guerra Mundial com os russos a invadirem os EUA - que não teve um guião à altura, esgotando-se cena após cena de acção entre adolescentes rebeldes e comunistas, sem grande brilho ou imaginação, apostando no luto como principal arma contra a imensidão incongruente de nada que para aqui vai. Não há política nem sentido narrativo que sobreviva ao sonho molhado de qualquer conservador, um retrato simplista - para não dizer simplório - do que aconteceria aos Estados Unidos da América se a esquerda radical ligada aos democratas vencesse sobre a direita republicana. Mais preocupados com a propaganda pateta do que com o objectivo de fazer um bom filme, Milius e companhia estatelam-se ao comprido ao não conseguirem criar um universo alternativo realista, caindo nas percepções intelectuais mais chauvinistas e básicas. Mal concebido e mal executado; e nem a Lea Thompson a disparar uma metralhadora salva a coisa.