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quarta-feira, outubro 09, 2024
Vinte Anos de Cinema Notebook

quarta-feira, junho 14, 2023
20 Anos de CinemaXunga

Podia ficar aqui as próximas dez horas a escrever sobre o Pedro e o CinemaXunga. Infinitas horas de conversas nas nossas "Nalgas", gravadas para a posteridade ou em off. Gargalhadas sem fim. Ideias geniais que ficaram perdidas no tempo. Um sentido de humor de outro campeonato que não o nosso. Se o CinemaXunga fosse americano, hoje seria uma figura reconhecida por qualquer cinéfilo deste planeta. O Pedro é o nosso CinemaBlend, ScreenRant, MovieWeb, SlashFilm ou um de tantos outros que, tendo um mercado muito mais amplo, fizeram vida deste hobby. O Pedro não faz copy paste de humor; o Pedro cria o seu próprio material, entre falsas legendas ou gráficos da mais fina ironia. O Pedro foi o Insónias em Carvão para o cinema muito antes do Insónias sequer existir. Esqueçam os Tendinhas e os Lopes desta vida. Encontrem alguém que ame o cinema nas suas mais variadas formas, da chungaria de acção à mais abstracta distopia científica como o Pedro, e percebam como amar o cinema, verdadeiramente, é falar com paixão do bom, do mau, do bom que é mau e do mau que é bom. Sem preconceitos. A não ser pelo Nolan, claro.
Os Peitinhos da Quinta, os filmes boff e tanto outro léxico registado - seja a fatiar fiambre ou prostitutas para caberem em caixas de DVD -, o "Commando" pelo menos três vezes em VHS antes do pequeno-almoço, o Chewbacca à Sexta, o Dr. Kuka Veludo, a FuFA (Fundação do "Filmezinho Abandonado"), o Exército de Libertação do Nolan, a Rádio Cinemaxunga e... sei lá, tantas mais ideias e genialidades que me escapam à memória às horas impróprias a que escrevo esta breve homenagem. Mas mais do que tudo isto, o Pedro enquanto Pedro. Amigo de coração grande que oferece tanto sem pedir nada em troca, pai carinhoso e dedicado, profissional de excelência, galhofeiro que, como eu, gosta de arriscar, de pisar o risco, de não se levar muito a sério, de deixar uma ou outra provocação aqui e ali pelo simples facto de não haver nada melhor do que uma boa gargalhada. Obrigado Pedro por estes vinte anos. Venham mais quarenta, que só ainda agora começaste nos comprimidos azuis.
domingo, dezembro 11, 2022
terça-feira, dezembro 06, 2022
quarta-feira, novembro 16, 2022
sábado, novembro 12, 2022
domingo, novembro 06, 2022
Nalgas Film Festival - Bilhetes


domingo, outubro 02, 2022
Nalgas Film Festival - Horários

segunda-feira, julho 25, 2022
terça-feira, novembro 10, 2020
Videoclube do Sr. Joaquim - Anuário 2020

quarta-feira, setembro 16, 2020
Suores Frios: O Nokia de Blair Witch

Não gosto de filmes de terror. Ou melhor, não gosto de ver filmes de terror. Entrei nesta negação quando com onze ou doze anos apanhei "O Dentista" de Brian Yuzna a passar por volta da uma da manhã na TVI e, deitado na cama, às escuras no meu quarto, fiquei a vê-lo até ao fim. Sei lá porquê. Tanta coisa melhor que me fez adormecer ao longo das últimas três décadas no sofá, na cama, na cadeira do computador, até sentado no chão com miúdos com cólicas ao colo. Mas este fiquei até ao fim. Resultado? Anos de pesadelos inexplicáveis relacionados com dentistas. Eu que até sempre gostei - e ainda gosto - de ir ao dentista. Mas naquelas noites que acordava com "suores frios", ou era o Schwarzenegger de metrelhadora e peito ao léu a disparar contra um autocarro comigo lá dentro - e sim, tive este pesadelo várias vezes, acordando em pânico no exacto momento em que era atingido -, ou vinha o ca**ão do dentista despachar-me, comigo imóvel naquele cadeirão deitado, congelado e imobilizado por um qualquer anestésico. Vieram anos e anos a comer cinema ao pequeno-almoço, almoço e jantar. Nunca nada que tivesse pinta de pregar um cagaço ou outro. Nem o raio dos clássicos que todos falavam, dos Sextas-Feiras 13 ao Exorcista, dos Halloweens ao Poltergeist. Tudo muito bonito até ao momento em que me apaixonei pela minha mulher e, depois de passar o ponto de não-retorno, percebi que ela só gostava de filmes de terror. Tudo o resto adormecia em cinco minutos, fosse na sala de cinema ou em casa.
Lá tive que descobrir tudo o que tinha ficado para trás. Os clássicos, as estreias, os mais refundidos, os asiáticos, os raios que os partam. Até que chegou o dia, ou melhor, a noite, que me traz aqui. A noite em que metemos uma cassete VHS d'"O Projecto de Blair Witch". Sozinhos em casa, ali numa noite de verão durante o Euro 2004. Todos sabem do que se trata, não é preciso grandes apresentações. Remeto-vos já para a cena final. Lembram-se? Uma personagem possuída, em pé, num canto de uma casa abandonada no meio do mato, cabeça e braços para baixo. "Borrei (não literalmente, felizmente) a cueca", para não variar. Duas ou três da manhã, finito, vamos dormir: ela ri-se do que viu, eu estou tão incomodado quanto arrepiado. "Mas para que é que vejo estes filmes?", pensei uma vez mais. Fechamos os olhos, adormecemos.
Sono profundo. Uma, duas, três, sei lá quantas horas passam. Sinto movimento, oiço um barulho, descerro um dos olhos para espreitar o que se passa. O que vejo dispara-me o coração para fora do peito, como nunca antes - ou depois - na minha vida. A minha mulher (então namorada) no canto do quarto, cabeça e braços para baixo. Cabelo longo, tal e qual como no filme. Caio da cama, começo aos gritos, acordo o prédio inteiro. Ela asusta-se tanto com a minha reacção quanto eu com a presença dela naquele canto. Pensei que tinha sido uma partida dela e estava pronto para a matar. Mas não, afinal tinha ido pôr um daqueles tijolos com Snakes chamados Nokias 3210 a carregar. Estava, segundo ela, há horas a fazer aquele apito irritante de bateria baixa de cinco em cinco minutos. Foi uma coicidência dos diabos - ou das bruxas, para ser mais preciso com o filme em causa. Foi o susto de uma vida. E voltei a fechar a porta ao terror. O amor também tem limites. Mais de quinze anos sem rever esta cena e, só de escrever este texto, lembro-me dela como se fosse ontem. Mas porque é que alguém vê filmes de terror? Explicam-me?
Participação a convite da Rita Santos do blogue Not a Film Critic.
quarta-feira, janeiro 15, 2020
domingo, dezembro 29, 2019
15 Anos, 15 Blogues

sábado, setembro 14, 2019
domingo, agosto 11, 2019
Séries que mereciam Streaming em PT (II)

sábado, agosto 03, 2019
Séries que mereciam Streaming em Portugal (I)

I realized a few years ago that Cheers was a massive blind spot in my pop-culture knowledge and began streaming hours of it every night. After all these years, the jokes felt fresh, the dialogue sharp and clever. I became invested in the rocky relationship between Sam Malone and Diane Chambers. I teared up over the death of actor Nicholas Colasanto almost 30 years after it happened. I would sometimes call my mom and talk to her about an episode as if she, too, had just watched it. (She has a surprisingly stellar memory about the specifics of Cheers.) And after a bad breakup, it was there for me. That may sound like I'm being dramatic, but that's because I was. Call it ridiculous, or call it self-care, but it felt particularly poignant at the time. The characters on Cheers were resilient (mostly) in the face of romantic woe, and that’s what I needed, too.
A few months after bingeing the series on Netflix, I was in Boston for a wedding—conveniently located in the same city Cheers took place. I’m not a religious person, but going to the Bull and Finch Pub—the bar used as the exterior for Cheers and the show's inspiration, which is now called Cheers Beacon Hill—was a spiritual pilgrimage. Cheers was a constant, a rock during an emotional time for me, and I felt like I needed to pay my respects.
(...)
It’s that very familiarity that makes the show so brilliant: Cheers became iconic, a touchstone of American pop culture, slyly influencing the way we consume entertainment since its beginning—without our even noticing it. Its influence on television is almost unavoidable. It was the first sitcom to feature a serial storyline, with the romance between Sam and Diane capturing the attention of an audience who cheered for them (and rooted against them). Without those two bickering and fighting and falling in and out of love, we wouldn’t have the similarly frustrating Ross and Rachel on Friends or, for that matter, the platonic version of that mismatched couple in Liz Lemon and Jack Donaghy on 30 Rock.
Cheers also managed to be an amalgamation of a workplace comedy and a family sitcom; its characters all interacted together like relatives, yet they weren’t, which allowed for them to intermingle in ways that heightened their dependency on each other. Why did Diane stay at Cheers so long? Why couldn’t Frasier, Norm, or Cliff find another place to drink? Maybe Carla could have found another line of work. None of this happened—not just for the sake of the show, but because they all genuinely liked being around each other despite whatever interpersonal conflicts they had.
(...)
But beyond what Cheers said about America, the show also changed TV forever. It was part of a blockbuster lineup of Thursday-night TV, an era that predated the Must See TV age that saw NBC dominating the television landscape. Cheers itself was a bridge between the ’70s workplace and family-centered sitcoms, combining that into a single concept and initiating the serial narrative into the sitcom genre. And while Cheers was a multi-camera sitcom filmed before a studio audience, the show was shot in a distinctly cinematic style that would influence the single camera sitcoms of the new millennium like The Office, 30 Rock, Parks and Recreation—three workplace comedies in which the characters also interacted like dysfunctional families.
You couldn’t avoid Cheers when it was on, and you can barely avoid it three decades later; it permeated the culture at large, still hanging over us as an influence on the entertainment we consume and appreciate today. Cheers, after all, is what all of us strive for: a regular haunt, filled with friends and lovers who are glad to see us, that will always be there waiting for us when we make our return—and yes, where everyone knows your name.
Fonte: Esquire
sexta-feira, maio 31, 2019
Porque este blogue um dia vai ser dela
Era uma vez um coelho muito comilão que morava numa toca.
Ele viu um esquilo que tropeçou numa pedra.
Uma velhinha apercebeu-se e foi levantá-lo.
Por fim, comeram todos uma avelã.
Mafalda Reis
Ele viu um esquilo que tropeçou numa pedra.
Uma velhinha apercebeu-se e foi levantá-lo.
Por fim, comeram todos uma avelã.
Mafalda Reis
quinta-feira, fevereiro 14, 2019
Comparação Plataformas de Streaming

PREÇO
Em Portugal, a Amazon Prime oferece apenas o serviço básico de streaming (5,99£), sem os benefícios de outros pacotes mais completos disponíveis lá fora que incluem transporte grátis e expedito de encomendas, alugueres pagos para streaming de filmes fora do catálogo, streaming de músicas, armazenamento ilimitado de fotografias, etc. A Filmin, plataforma VoD portuguesa de cinema independente, permite subscrição mensal (6,95€) ou anual (valor mensal de 4,59€) sem vales. Os vales podem ser comprados separadamente e servem para aluguer de filmes que recentemente chegaram aos cinemas ou ao mercado físico de distribuição (o mais recente documentário de Michael Moore estava disponível através destes vales na Filmin quando o mesmo ainda estava em exibição nos cinemas, por exemplo). 3,95€ cada vale ou compra de packs de vales, com desconto. HBO Portugal chega com uma opção de subscrição única: 4,99€. Netflix tem vários pacotes disponíveis (7,99€, 10,99€, 13,99€ e 16,99€), sendo aqui analisado, tal como nas restantes plataformas, aquele que foi testado (13,99€). Seguem as diferenças entre as várias subscrições possíveis da Netflix:

INTERACTIVIDADE SMART TVS LG
Neste capítulo, a aplicação da Netflix bate de longe qualquer uma das restantes. Não só pela rapidez com que se navega na mesma, como também pela forma intuitiva e fácil com que se consegue escolher qualquer uma das opções especiais (legendas, etc). A da Amazon Prime é primitiva, originando vários enganos (temporadas adiantadas, legendas e audio errados, voltar ao menu principal sem que isso fosse pretendido), ainda para mais de forma quase sempre arrastada entre "páginas" diferentes, que demoram a carregar. Filmin com apresentação bastante elegante e navegação rápida q.b., ainda assim com ícones demasiado grandes que fazem com que vejamos apenas meia dúzia de opções no ecrã. HBO Portugal perde por comparação com a Netflix, mesmo que cumpra os requisitos mínimos.
VELOCIDADE DE STREAMING
A mesma ligação à internet serviu de base para as quatro plataformas. Amazon Prime Video a única que algumas vezes sofreu com soluços e resolução temporária mais baixa em alguns episódios HD. Filmin e HBO Portugal demoram alguns segundos a "arrancar", mas sem cortes/perdas de qualidade de aí em diante. Netflix arranque quase imediato e qualidade irrepreensível na imagem.
EXTENSÃO DO CATÁLOGO
O catálogo mais limitado acaba por ser o da Amazon Prime. Destaque para as temporadas completas de "Seinfeld" e para um catálogo considerável de filmes de Bollywood. Dezenas de conteúdos originais e exclusivos, bem como documentários e séries desportivas. Filmin é uma plataforma de cinema independente com cerca de 1000 filmes de todos os géneros, feitios e continentes. HBO Portugal com uma variedade enorme de documentários, séries que marcaram a história do canal e espectáculos de stand-up comedy ou talk-shows de lendas como Bill Maher e Lewis Black. A Netflix cada vez mais aposta na quantidade em detrimento da qualidade, oferecendo um catálogo sem fim, para adultos e crianças, com um pouco de tudo, para todos os gostos.
CATÁLOGO HARD TO FIND NO SR.JOAQUIM
Ora para quem não sabe, o Videoclube do Sr. Joaquim é aquele lugar mítico onde cinéfilos de todo o planeta vão alugar o que querem e precisam quando não o arranjam de outra forma. Neste capítulo, Amazon Prime, HBO Portugal e Netflix estão repletos de conteúdos que facilmente se encontram no estabelecimento do Sr. Joaquim. Já o Filmin conta com um catálogo repleto de obras independentes, de autor, low-cost, que a maioria de nós nem sabia que existia quanto mais que estaria pelo Sr. Joaquim numa prateleira qualquer refundida. Amazon Prime, pelo cinema indiano, e HBO Portugal pelos stand-ups, documentários e talk-shows, acabam por ganhar uns pontinhos extra neste campo.
ACTUALIZAÇÃO DO CATÁLOGO
Amazon Prime raramente actualizado com novos conteúdos, salvo estreia de novas temporadas (e filmes) dos conteúdos exclusivos da produtora. Filmin actualizado com uma dezena ou duas de filmes por mês. HBO Portugal acabou de estrear, mas palpito que será apenas actualizado com regularidade no que toca a estreias de novas temporadas e filmes da produtora. Ponto a favor por prometer estrear no mesmo dia que nos EUA. Netflix renova o catálogo semanalmente, com séries e filmes de produção "caseira" e não só. As actualizações de catálogo da Netflix em Portugal podem ser consultadas aqui.
LEGENDAS
Inúmeras em português do Brasil na Amazon Prime. E mesmo as que estão em português, várias vezes com ausência de falas. No Filmin, legendas irrepreensíveis em todos os filmes que foram vistos - provavelmente usadas as que estavam nos DVDs. HBO Portugal, vistos alguns episódios piloto, vários erros ou omissões detectadas, a maioria de palavras que deviam estar separadas mas acabaram por ficar juntas. Já na Netflix, conteúdos mais populares com legendagem impecável (e ousada, até), sobrando o "desenrasca" para alguns produtos menos conhecidos (principalmente documentários mais independentes em que se nota uma tradução nem sempre perfeita).
INFORMAÇÃO DE CONTEÚDOS
Amazon Prime com uma funcionalidade única nestas plataformas que acaba por ser interessante: quando é feito um pause numa cena, aparece a informação, quase sempre correcta, de quem são os actores que estão nessa cena. Ausência de classificação (IMDb, Rotten, o que fosse) e de trailers dificultam a escolha. Filmin bate a concorrência com trailers em quase todos os conteúdos, sinopses impecáveis e profissionais em português, informações técnicas diversas e uma classificação interna (de 1 a 10) dada pelos utilizadores. HBO Portugal sem trailers mas com pontuação do IMDb, o que acaba por ser um indicador de qualidade de conteúdos que não conhecemos. Netflix com trailers e teasers para conteúdos originais, mas sem os mesmos para o resto do catálogo. Sem classificação externa para consulta.
OUTRAS CARACTERÍSTICAS
Selecção de perfis múltiplos apenas disponível na Netflix, o que dá muito jeito quando não queremos os documentários vegan e as séries de vampiros que a nossa querida mulher gosta de ver a inundar os nossos menus ou recomendações. Para não falar da criançada. HBO Portugal sem aplicação para IOS (ainda?), o que é um valente senão para aqueles que gostam de utilizar o iPad ou o iPhone em viagem e fora de casa para ver qualquer coisa. Filmin e HBO Portugal sem opção de download de conteúdos para visualizar offline. Amazon Prime permite mas acaba por muitas vezes o fazer com legendas aleatórias de outros países - até com audio dobrado já me aconteceu. Netflix permite download de quase todos os conteúdos, sem limites de transferências, sem ocupar muito espaço, e com bastante tempo de folga até se "auto-destruir".
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Todas as plataformas de streaming acabam por ter mais valias que podem justificar uma assinatura. Dependerá muito do perfil de quem as procura: Netflix e HBO Portugal complementam-se a nível de séries e oferecem catálogos diferenciados a nível de filmes/documentários/stand-up/talk-shows fora da gigantesca máquina comercial de Hollywood e dos sucessos de bilheteira que se repetem em ambas as plataformas. Filmin absolutamente impreterível para o mais curioso, exigente e afoito dos cinéfilos e Amazon Prime uma boa alternativa para quem procura conteúdos mais relacionados com desporto automóvel e futebol ou séries/filmes com trinta anos em cima. Cá por casa, vão continuar as quatro na LG.
sábado, outubro 27, 2018
2015: O Despertar da Fúria

Em "Raiders!: The Story of the Greatest Fan Film Ever Made", três rapazes de onze anos decidem recriar "Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida" cena por cena, recorrendo a qualquer objecto ou cenário que tenham perto de casa; trinta e cinco anos depois (sim, leram bem, trinta e cinco!), finalmente terminam aquele que já foi considerado o "fan film" mais famoso do planeta quando Eli Roth descobriu uma cassete a circular na universidade com uma versão incompleta e apresentou-a ao mundo em alguns festivais de cinema de pequena dimensão. Mas aqui, neste documentário que mostra como toda esta homenagem surgiu, muito mais importante do que a adaptação caseira do clássico de Spielberg, é absorver o desenrolar das relações entre o trio, a forma como o filme sempre os uniu e protegeu do mundo exterior, dos divórcios dos pais, da vida complicada que todos tinham. E como, com o crescimento, as namoradas, os quinze segundos de fama, as drogas e tudo o mais, três amigos quase se odiaram de morte.
Festim para os olhos foi "Sicario", dono e senhor de uma cinematografia de excelência onde cada plano, cada sequência de acção ou introspecção, perto ou longe, de dia ou de noite, no interior de um túnel ou no meio de um deserto, é filmada e pensada ao mais ínfimo pormenor; um elenco todo ele irrepreensível, de Blunt a Brolin, onde o magnânimo Del Toro consegue, ainda assim, sobressair graças ao infinito imenso que é o seu olhar frívolo. Um possante exemplo da beleza do cinema enquanto arte visual.
Numa faceta mais independente, o que dizer de "Kung Fury"? Minha nossa senhora. Dinossauros que falam, um Hitler paneleirote com jeito para as artes marciais, o Thor, o Triceracop (sim, um polícia metade humano metade dinossauro), a Barbarianna e a Katana. Um Kung Fury cheio de estilo - mau actor que até dói - e uma banda sonora absolutamente irresistível. Uma curta-metragem tão ridícula que se torna deliciosa, um mash-up perfeito do cinema de acção, ficção científica e artes marciais dos anos oitenta, numa produção financiada pelo público através do Kickstarter que acabou a criar burburinho no Festival de Cannes e, surpresa das surpresas, a merecer uma adaptação a videojogo e uma sequela. Entretenimento rasca repleto de one-liners, aspecto muita foleiro e interferências típicas dos VHS. Tão mau que é bom ou tão bom que é mau, é amor puro - e, logo, tolo - à cinefilia. E ainda "Turbo Kid", provavelmente o filme pós-apocalíptico mais naif cool de sempre, uma ode encantadora ao cinema underground de ficção-científica dos anos oitenta.
Num equilíbrio notável entre os factos improváveis de uma suspeição pavorosa e as razões prováveis de uma paranóia com origens familiares traumáticas, chegou-nos também "The Invitation", uma obra que sabe queimar lentamente os seus trunfos, vivendo e alimentando-se da dúvida constante, enquanto deixa o semi-desconhecido elenco deambular entre comportamentos normais e momentos bizarros. Na poesia do ridículo, "Ele Está de Volta" parte de um pressuposto tão simples quanto polémico e audacioso: e se Hitler, como que por magia, voltasse à Alemanha dos dias de hoje? Um país repleto de turcos, programas estranhos nas televisões, miúdos com camisolas do Cristiano Ronaldo e em que todos têm acesso a uma tecnologia fantástica chamada... Google. Uma sátira tão deliciosa quanto impetuosa, que deambula entre um estilo Boratesco e um registo ficcionado do Mein Kampf, que num tom jocoso aborda uma mão cheia de problemáticas sociais e políticas que a Alemanha, em particular, e a União Europeia, em geral, enfrentam nos dias que correm. Duas cenas para dificilmente esquecer? Hitler a ser espancado por neo-nazis e a criação da sua conta de e-mail. O fim da picada? Quando Hitler dá cabo de um cão. Assim anda o mundo.
Não nos esquecemos, claro, do grande vencedor dos Óscares, "O Caso Spotlight", um filme de uma importância extrema por duas razões primordiais: primeiro, relembra que o jornalismo não pode nunca perder a sua faceta de utilidade e serviço público em prol do negócio, das metamorfoses das redacções, das necessidades do momento, da falta de disponibilidade financeira ou pessoal para permitir investigações pertinentes e profundas que custam tempo e, consequentemente, dinheiro. Porque o jornalismo deve, mais do que nunca, servir como força em alerta constante para descortinar e revelar qualquer ilegalidade ou legalidade imoral que possa ter sido cometida longe dos olhos da justiça - ou mesmo perto dela, caso esteja corrompida. Em segundo lugar, porque recorda - ou apresenta, aos mais distraídos - a podridão que reina na mais poderosa e mafiosa das instituições mundiais: a igreja católica. Porque não se trata de um caso em específico, mas de um fenómeno.
Para terminar, os dois grandes momentos cinéfilos de 2015: "Star Wars: The Force Awakens", meio reboot, meio reciclagem da fita que deu início a tudo, o sétimo episódio galáctico de Han Solo, Luke Skywalker, Chewbacca e companhia revitaliza uma saga cinematográfica histórica para novas gerações, conseguindo ainda assim agradar os fãs velhotes que olham agora para o futuro com esperança. J.J. Abrams e a Disney infantilizam um pouco os conceitos outrora complexos, imperfeitos (no melhor dos sentidos), ambiciosos e visionários de Lucas, tornando a chancela "Star Wars" acessível a toda a família. Uma espécie de Harry Potter no espaço, um hábil e sólido recomeço, ainda assim longe de ser a obra-prima aguardada e anunciada.
E, por fim, o filmalhão não só do ano, mas da década. "Mad Max: Fury Road", uma orgia de acção contínua, que nunca pára para respirar, num mundo tão desconcertantemente surrealista e detalhado que parece palpável e genuíno. Um extravagante apocalipse de energia e movimento, fantasticamente maníaco, qual western sobre rodas repleto de personagens tão instantâneas quanto expressivas. Um poema de cores blasonadoras, de rimas excepcionais com o passado, de nome Max mas que, qual reviravolta inesperada, poderia muito bem intitular-se Furiosa; é ela quem comanda as prosas da sobrevivência, dá sentido e propósito à hecatombe ecológica e serve de ícone à revolta contra o massacre moral de princípios e valores humanos que corrompe - ao mesmo tempo que o engrandece - o universo criado por George Miller. Que belíssima caminhada de redenção cinéfila.
Nota: Artigo publicado na Take 49
terça-feira, outubro 09, 2018
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