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sexta-feira, junho 06, 2025

La piel que habito (2011)

Há algo tão elegante quanto sombrio e perturbador neste thriller psicológico de Almodóvar, uma clara - mas não única - ruptura com o seu estilo habitual mais colorido, neurótico e humorístico. Identidade e obsessão, num tom frio e inquietante, onde drama e sci-fi coexistem com uma naturalidade desconcertante. Banderas naquele que foi, provavelmente, o seu melhor papel dos últimos vinte anos, misterioso e labiríntico. Visualmente irrepreensível, filosoficamente denso, uma excelente reinvenção de Almodóvar que perdura na nossa mente muito para além dos créditos finais.

quinta-feira, maio 15, 2025

Sherlock Holmes: A Game of Shadows (2011)

Há uns dias descobri através das redes sociais de um amigo de longa data uma palavra nova: bostal. Segundo ele, um bostal é uma foto péssima de um sítio lindo. Está giro, sim senhor. E aplica-se que nem uma luva a este Sherlock Holmes do Robert Downey Jr. e do Guy Ritchie. Já vi retratos maravilhosos deste Sherlock - principalmente aquele esquizofrénico do Benedict Cumberbatch -, mas aqui tudo é demasiado palerma e artificial para alguém ter vontade de (re)visitar este universo outra vez. Maior desperdício de Noomi Rapace já visto, que resultou em pena suspensa para o franchise. Esperemos que de forma perpétua.

sábado, fevereiro 08, 2025

The Sunset Limited (2011)

São dois actores de peso, que sabem o que fazem, com talento e carisma. Mas porra, tanta conversa que não leva a lado nenhum. Fé, espiritualidade e natureza humana numa série de perguntas sem resposta, de afirmações sem certezas, de lições sem moral. Falta-lhe conflito palpável, mecanismos narrativos que transformassem uma peça de teatro filmada em filme, uma faísca que pegasse fogo e desse vida a tanta filosofia, tanta teoria, tanta palavra em vão. Desespero valente, nas personagens e no espectador. Deixem o gajo atirar-se para a frente do comboio e está resolvido.

sexta-feira, maio 12, 2023

The Adventures of Tintin (2011)

I actually think Spielberg managed to capture the true spirit of Hergé: the adventure, the humor, the visual energy, the frenetic pacing of how all the small stories around Tintin develop in the comic books, even if all the action made the movie become kind of weightless as it got closer and closer to its end. But what makes me really happy is to check that, a decade later, motion-capture movies as an art/technology did not triumph. Beowulf(raid) of Avatar still.

segunda-feira, março 27, 2023

Red State (2011)

It's an unexpected crude and violent depiction of religious fanaticism by a director not used to this kind of darkness. It starts as a horror movie and ends up as an action one; Not sure if the change of genre did that good to the impact and cohesion of the moral cannonball Kevin Smith wanted to throw at us but was unquestionably impressed by his guts and talent to make so much with so little - four million dollar budget and less than a month of shooting. No soundtrack, Michael Parks nailing it as a fanatical preacher, Goodman proving he is not only a great comedic actor, but a great actor in general and an exquisite final twist that pushed the plot to an almost inconceivable level... just to deliver a ludicrous reason for that a couple of moments later. Sex, religion and politics all together, in a movie that deserved more love than it got from Smith's fanbase.

quinta-feira, março 23, 2023

Blitz (2011)

Hold onto your hats folks, because "Blitz" is a wild ride - and by wild, I mean wildly mediocre. This movie has everything you'd expect from a Jason Statham film: gratuitous violence, one-liners that would make Schwarzenegger cringe, and a plot so thin you could use it as a napkin. Homoerotic King Viserys vs. prick Petyr Baelish with Statham playing the wrong arm of the law. Irritating music running over scenes and dialogues for ninety minutes, cool poster, awesome tagline - cop killer vs killer cop - in one totally forgettable flick.

segunda-feira, junho 27, 2022

This Is Not a Film (2011)

É fácil perceber a razão pela qual este "filme que não é filme" do iraniano Jafar Panahi recebeu tanto amor e paixão: trata-se, afinal de contas, de uma espécie de video-diário proibido de um realizador condenado a prisão domiciliária e a vinte anos de abstenção cinematográfica por "esticar a corda" nas suas obras. Um grito de revolta que furou fronteiras numa pen usb escondida num bolo, mesmo a tempo de chegar a Cannes e arrecadar uma Palma de Ouro. Uma ode de liberdade a toda uma classe reprimida de fazer o que mais ama, sem medos nem restrições. O herói que o Irão e o cinema enquanto arma política precisavam... e que ninguém esperava. Uma carta de amor, filmada parcialmente com um telemóvel, com Panahi a ler guiões nunca filmados, a alimentar uma iguana, a tratar do cão da vizinha - até este começar a chatear -, a entrevistar um jovem estudante que recolhia o lixo do prédio para ganhar uns meros trocos, etc. De tudo um pouco, do pouco quase tudo, porque na verdade sabemos à partida todo o contexto sócio-político que o envolve. Tiremos isso, e não sobra quase nada. E o que mais importa? O conteúdo? Ou a mensagem?

sábado, novembro 20, 2021

Absentia (2011)

Mike Flanagan, e eu que pensava que tu também eras lindo sem make up, como a letra daquela música do AGIR. Mérito ao tanto - em quantidade e não qualidade - que é aqui feito com um orçamento miserável, mas nada resiste a um acting tão fraquinho, a uma mão-cheia de diálogos sofríveis e a uma qualidade de imagem digna de um qualquer tijolo da Nokia. Uma espécie de fantasia de terror à Del Toro sem sal nem pimenta, sem tensão nem, espante-se, terror. Nem eu, fã confesso dos trabalhos mais recentes de Flanagan, consegue perceber os lençóis de seda que envolvem a reputação deste exercício independente de início de carreira. Entediante, para ser simpático.

sábado, agosto 14, 2021

Another Earth (2011)

Um filme sobre redenção e simetria cósmica. "Uau", disse o mundo, sem fazer a mais pequena ideia do que se trata. História - a adolescente inconsciente que tenta corrigir um erro imperdoável quando sai da prisão - com interesse e intensidade dramática suficiente para aguentar o espectador durante hora e meia, todo um contexto sci-fi de fundo - a descoberta de um novo planeta semelhante ao nosso - que cativa na ideia mas que nunca desenvolve para lá da intenção -, uma realização tão amadora - autoral dirão alguns - que dá vontade de insultar entre zoom ins e zoom outs à padeiro e, por fim, uma actriz maior que a vida que merecia mais do que tanto vazio para encher entre diálogos sem peso efectivo na relação entre os protagonistas. Porque nem a Brit Marling consegue tornar um serrote no lugar de um violino durante dois minutos numa cena interessante.

quinta-feira, março 04, 2021

Shuffle (2011)

Um tipo sem talento absolutamente nenhum decidiu pegar numa ideia fantástica - um fotógrafo que acorda todos os dias num ano e num dia diferente da sua vida, seja com dez anos ou com noventa -, chamar o elenco todo secundário da série "Bones" e fazer um telefilme da SIC Mulher sem chama, sem complexidade nenhuma - quando não sabe explicar bem alguma incongruência, o protagonista diz simplesmente que não percebe o que se passa - e com uma estética tão amadora que nem o baixo orçamento consegue servir de desculpa. Uma espécie de "Conto de Natal" de Dickens que esquece o seu lado sci-fi ao fim de meia-hora, matando todo o feeling e mistério com banalidades românticas e familiares que acabaram por me deixar mais desiludido com a morte do cão do que propriamente com a da namorada.

quinta-feira, junho 18, 2020

La cara oculta (2011)

Interessante thriller colombiano que arranca a lume brando mas que, cena após cena, pequeno twist atrás de pequeno twist, ganha consistência, valor e, ah malandros, nudez. Uma espécie de Jessica Alba colombiana que levanta bainhas de calças com facilidade, um momento que nos atira inconsciente e inteligentemente para uma esfera sobrenatural, cinematografia mais do que competente e, porra, voltemos à Jessi... perdão Martina Garcia, não é suposto uma tábua assim tirar tanto jipe da lama. Façam o que fizerem, fiquem bem longe do trailer antes de voarem rumo a Bogotá e deixem que as intersecções das narrativas façam o seu trabalho sem spoilers. O finale acaba por ser algo previsível e desapontante, mas a experiência que nos levou até lá compensa ainda assim a descoberta.

sexta-feira, março 06, 2020

Extraterrestrial (2011)

Projecto seguinte do realizador da fita de culto "Los cronocrímenes", "Extraterrestrial" chegou surpreendentemente num tom completamente diferente daquele que o público esperava. Comédia romântica com um toque de sci-fi, temos a rapariga, Julia, que apaixona qualquer heterossexual que se preze - do vizinho sem nada para fazer ao namorado com tiques de Snake Plissken - e uma nave espacial gigante que paira sobre Madrid, colocando tudo e todos em pânico. No meio disto, Júlio, um rapaz que teve um caso com Júlia na noite em que a invasão começou. Uma mão cheia de momentos originais e divertidos - a maioria culpa do vizinho bisbilhoteiro com uma máquina que atira bolas de ténis -, interpretações simpáticas e convincentes do curto elenco e dois segundos com um grande plano do rabo da Michelle Jenner que foram suficientes para provocar uma breve arritmia a cinéfilos de todo o mundo. O final, tal como o filme, roça o pateta, mas ninguém leva a mal. Já quem esperar por qualquer tipo de explicação ou desenvolvimento na parte extraterrestre, pode começar a preparar o insulto fácil a Vigalondo.

quarta-feira, fevereiro 26, 2020

210 Days: Around The World With Jessica Watson (2011)

Documentário que segue a odisseia marítima a solo de Jessica Watson, uma rapariga australiana de dezasseis anos que decide dar a volta ao mundo num pequeno veleiro. Parte desconhecida, regressa uma heroína nacional, numa viagem solitária de duzentos e dez dias, sem paragens intermédias, que acompanhamos através das gravações a bordo que a mesma fez nos períodos altos e baixos da sua aventura. Alguns sorrisos, infinitas lágrimas, numa história de superação humana em tão tenra idade que a tornou na mais jovem pessoa a navegar sozinha o nosso planeta. Impressionante.

sábado, junho 22, 2019

Painkiller (2011)

Um assalto a uma loja de conveniência torna-se numa confusão dos diabos quando o cliente ameaçado de morte pelo assaltante decide que aquela é a sua oportunidade de finalmente deixar este mundo, conseguindo dinheiro de seguros para a família que está em dificuldades. Tecnicamente irrepreensível - bem filmada e editada -, a curta-metragem de estreia de Mustapha Kseibati funciona bem sobre as diferentes camadas emocionais que envolvem cada reviravolta, espalhando-se apenas quando tenta ter piada através do comportamento do funcionário da loja, sem qualquer contexto no meio do intenso drama que se vivia. De resto, destaque para Franz Drameh ("Attack the Block") e Benedict Wong ("Doctor Strange"), bem como para a dinâmica interessante criada em tão pouco tempo.

segunda-feira, abril 29, 2019

Banana Motherfucker (2011)

"Co-bananizado" por Pedro Florêncio e Fernando Alle, "Banana Motherfucker" é uma autêntica preciosidade muitas vezes esquecida e subvalorizada no panorama nacional. Irrepreensível a nível técnico e visual mesmo no meio do caos "bananífico" que é montado entre inúmeras homenagens escancaradas a vários clássicos do cinema de terror - de "Nightmare On Elm Street" a "Jaws" -, editado e montado para funcionar na perfeição primeiro numa branda ebulição de contexto e, posteriormente, num ritmo frenético suportado numa sonoplastia que funciona às mil "bananavilhas", "Banana Motherfucker" é um irresistível Banana Split numa tasca de serra que ninguém conhece mas onde se come melhor (e mais barato) do que em qualquer restaurante com estrelas Michelin da capital. Não sejam bananas e espalhem a palavra!

quarta-feira, setembro 13, 2017

Serbuan maut (2011)

Amigos e amigas, eis o melhor filme indonésio que já vi. E, também, de longe, o pior. Já perceberam, foi o único até agora. Olha que espécie de piada foleira para começar isto, uma homage a algumas mentes brilhantes que por aí andam e não têm noção que fazem isto constantemente durante os seus textos. E o que dizer então deste "The Raid", talvez a obra cujos tomates mais foram massajados nas redes sociais esta década? Pancadaria da grossa, vinte polícias de elite contra trinta pisos de inferno, um filme que se fosse representado em forma de pessoa era o Mike Tyson: fortíssimo no que ao físico diz respeito - no ringue (ou seja, na bordoada) valeu tudo -, mas patético quando se comporta e abre a boca fora dele. Sim, argumento e diálogos disparatados, interpretações no limite da admissão no agrupamento de teatro da Escola Básica de Alfragide. E por falar no assunto, já sabem a história da brasa que não parava de coçar as bolas ao namorado? Não, não era amor. Eram sim, saudades das suas. Decepção equiparada à que eu tive com esta visita a Jacarta.

domingo, abril 16, 2017

Quarantine 2: Terminal (2011)

Ao contrário do seu predecessor, um remake do espanhol "[Rec]" feito sem alma nem nada de novo que o justificasse, "Quarantine 2: Terminal" é uma sequela direct-to-video capaz, sem para isso precisar de grande orçamento, nomes sonantes ou sequer relacionar-se com as ideias da saga de terror original. John Pogue - guionista de "U.S. Marshals" e "The Skulls" - escreve e realiza (pela primeira vez) uma narrativa de ambiente tenso e cativante durante quase uma hora, sem recorrer ao já tão batido found footage e colocando o conceito viral dentro de uma estrutura clássica de herói e vilão. Melhor do que se esperaria e, quem sabe, não ficará um dia na história com a estreia cinematográfica de Mercedes Mason. Brasa.

terça-feira, março 21, 2017

Bottle (2011)


Belíssima curta em formato stop-motion sobre um boneco de neve e um boneco de areia que trocam objectos e mensagens através de uma garrafa que atravessa o oceano. Mais vale morrer amado do que viver sem amor, parece querer indicar Kirsten Lepore, agora tão viral com o surreal "Hi Stranger", patetice mundana quando comparada com esta animação de 2011.

segunda-feira, setembro 19, 2016

The Roommate (2011)

Leighton Meester e Minka Kelly juntas no mesmo espaço são logo à partida justificação mais do que suficiente para ver qualquer coisa que apareça no Netflix, por mais reles que possa parecer. E o que parece quase sempre é; eis um thriller barato, previsível, repleto de ideias mal recicladas e, pior que tudo, contado de um ângulo completamente errado - a perspectiva da estroina teria tido muito mais interesse do que a da rapariga comum no quarto errado à hora errada. Fujam dele como o diabo da cruz, pois "The Roommate" está para o cinema como Jorge Jesus está para o espanhol: tem piada quando não era suposto ter. E não se imaginam a ouvir - ou, neste caso, ver - oitchenta e otcho minutos de JJ em portunhol, pois não?

terça-feira, março 01, 2016

Hodejegerne (2011)

O cinema ("The Hunt" ou "The Girl with the Dragon Tattoo") e a televisão ("The Killing" ou "The Bridge") escandinava tem oferecido alguns dos thrillers mais interessantes, originais e complexos da última década, quase todos posteriormente alvo de novas versões nos EUA; "Headhunters" não foge à regra, no que à qualidade diz respeito. Estilizado e provavelmente inspirado em alguns dos clássicos dos irmãos Coen dos anos noventa, o filme do norueguês Morten Tyldum ("The Imitation Game") conta com uma deliciosa personagem napoleónica cujo complexo de inferioridade na sua relação conjugal serve de base para um desempenho fenomenal de Aksel Hennie na pele de um ladrão de arte, no mínimo, singular. Ritmado, enérgico e imprevisível, eis uma sugestão obrigatória acabadinha de chegar ao Netflix; mesmo que vos desiluda, sempre lavam os olhos com a belíssima Synnøve Macody Lund.