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sábado, dezembro 13, 2025

Biosphere (2022)

It is one of those strange but clever little sci-fi chamber pieces. It starts in a modest two-man apocalyptic bunker and then sprints into places you’d never predict. Anchored by the easy, lived-in chemistry of Mark Duplass and Sterling K. Brown - both delivering performances so natural they keep the scripts' wildest turns emotionally grounded -, the story blends humour, awkward sincerity and big philosophical swings as it pokes at survival, gender, fate and even an odd Super Mario metaphor. It’s lo-fi sci-fi with a beating heart, even if the final act feels messy and incomplete.

sábado, agosto 23, 2025

Watcher (2022)

Se o objectivo era criar dúvidas sobre se o tipo da janela era ou não um psicopata romeno, talvez não tenha sido grande ideia escolher o Burn Gorman para esse papel. É que assim que a sua fronha aparece, o mistério foi resolvido de forma quase inconsciente a automática na mente de qualquer espectador. Grande reviravolta seria, de facto, ele ser vítima de uma paranóica! O Hitchcock deu duas voltas na campa e mandou vocês descobrirem antes uma curta-metragem desta Chloe Okuno chamada "Slut". Deve andar pelos Youtubes ou Vimeos desta vida e ganha claramente na relação tempo/qualidade, tendo sida a Escolha Acertada da DECO no que toca à filmografia da rapariga.

segunda-feira, agosto 11, 2025

Chip ’n Dale: Rescue Rangers (2022)

Vale pelos incontáveis "cameos" animados, do Sonic horroroso do primeiro trailer ao He-Man, passando pelo Roger Rabbit e o Pato da Capa Preta, o famoso Double-O-Duck que não teve autorização para o ser devido aos direitos de autor do Ian Fleming. Um par de piadas que funciona numa história esquecível e sensaborona. Entre o Tico e o Teco e o Alvin e os Esquilos, venha o Scrat do "Ice Age" e escolha.

quarta-feira, maio 21, 2025

Entre Ilhas (2022)

Narração em portunhol de uma espanhola num documentário sobre os Açores. Descrições de fotos históricas por um americano, em inglês. A premissa de que os açorianos "detestam" o mar. As intenções são óptimas, mas está tudo errado logo no tiro de partida. Não, os açorianos não detestam o mar; os açorianos respeitam o mar. É uma pequena diferença, enorme. O mar que é tudo e não é nada. Muitas histórias soltas, muita alma perdida, muito aperto no coração de um tempo que já foi e não volta. Tudo ao molho e fé, não em Deus, mas no espectador. Humanamente mais isolados do que antes? Talvez. Mas é mal comum ao mundo inteiro.

terça-feira, abril 29, 2025

Decision to Leave (2022)

São duas horas e uns pózinhos de pura magia de Park Chan-wook, lubridiando-nos com estratégias técnicas narrativas que primeiro estranham-se, mas rapidamente entranham-se. A omnipresença da investigação, o mistério e o romance proibido em torno de um crime - ou dois -, as voltas da vida entre o mar e a montanha, as aparências que o são, ao mesmo tempo que não o são, porque entre o preto e o branco existem vários tons de cinzento. Decisão para (não) Amar, por vezes Lost in Translation, porque nem tudo o que tem olhos em bico fala a mesma língua. Belíssima - no sentido figurativo artístico mas também no literal - actriz esta Tang Wei.

sexta-feira, abril 25, 2025

Am I OK? (2022)

Não é bom, não é mau, é ok. Sendo que OK é a abreviatura de Oll Korrect, expressão já em si incorrecta à nascença. Um erro abreviado, portanto, neste caso específico em hora e meia. Não é comédia romântica, não é drama, é qualquer coisa lá pelo meio. É sobre a importância das amizades, mas acima de tudo sobre a dificuldade de sair do armário, de abrir aquela porta pesada para o mundo. Sobre a vida, sobre o tempo que passa e não volta, sobre decisões - ou a falta delas. E é sobre nada. Nada fica, nada acontece que leve o filme para outro patamar, e no fim voltamos ao ponto de partida, perdidos entre o sorriso irresistível da Dakota Johnson e a química inegável entre as protagonistas.

quinta-feira, abril 17, 2025

The Enforcer (2022)

"O Assassino Perfeito" em português. Deve ter sido alguma cinquentona de uma distribuidora a escolher o título nacional. Não viu sequer o filme, baseou-se na peida do Toni Banderas. Alexis Ren, sim senhora, belo naco, pena que a sua conta de Instagram tenha mais seguidores do que os neurónios que se podem encontrar na cabeça da malta que escreveu e realizou isto. A Kate Bosworth com uma peruca morena e um casaco cinco números acima, fazendo com que pareça que tenha os ombros do Dave Bautista. "Há algo diferente nela. Ela é filha de alguém"; sim António "Barracuda", porque há miúdas que nascem em ovos de laboratório, como no Parque Jurássico. Daddy issues, Miami Beach, sangue borrifado como água de colónia, sotaques forçados e aqueles clips de prender dinheiro que não se viam no cinema desde os anos noventa. Faltou apenas um "o meu nome é Cuda, Barracuda" para abrilhantar a coisa e levar mais meia estrela.

terça-feira, julho 23, 2024

Monolith (2022)

Sou um apreciador nato destes filmes que fazem muito com muito pouco. Uma ideia, um espaço, uma personagem-chave, e pouco mais. Mistério sobre terror, suposições sobre conclusões, cepticismos sobre certezas. Interpretação fulgente de Lily Sullivan e todo um arco de dúvidas que embrenha o espectador na expectativa de um desfecho que una todas, ou pelo menos quase todas as pontas soltas. Não o faz, no entanto, muito convincentemente, entregando ainda para mais a conclusão a meio caminho, com um plano "aéreo" de alguns segundos completamente desnecessário. Acho mesmo que, tendo em conta toda a suspeição "extraterrestre" criada pelo caminho, teria sido muito mais impactante e surpreendente um final "realista" baseado naquele suposto plano de vingança da filha de uma ex-empregada que é apresentado a meia hora do final. Ainda assim, mérito por toda a atmosfera de paranóia, culpa e tensão que Matt Vesely edifica em hora e meia.

quarta-feira, junho 26, 2024

Sisu (2022)

Noventa minutos de naziexploitation com uma cinematografia praticamente irrepreensível - até nos seus momentos mais disparatados -, sonoplastia a preceito e violência/gore com criatividade e ousadia. Dito isto, elogios feitos e perfeição à vista desarmada, falta-lhe um guião, uma história com alma e coração, algo que não consegue ser disfarçado nem pelo silêncio constante do protagonista nem pela divisão da narrativa em diferentes capítulos que pouco ou nenhum sentido fazem. Falta-lhe o Tarantino dos Bastardos à mesa nas personagens, faltam-lhe reviravoltas, falta-lhe mais do que uma ideia e um visual excepcional. Serve para divertir, mas sente-se o vazio que o diferencia de outros clássicos do género.

domingo, junho 02, 2024

EO (2022)

E o burro é o burro? O gordo vai à baliza, azuis e brancos com um burro em vez de um macaco na claque, um par de cenas com uma cinematografia/fotografia lindíssima - perdido na selva com um mocho ou a atravessar o túnel com morcegos - que nada acrescentam à história e muitos animais selvagens - entenda-se por animais selvagens, homens - que mereciam trocar de vida e de corpo com o EO. Perde-se por vezes na contemplação e na estética que se sobrepõe ao conceito, mas a ideia fica connosco. Se o tivesse visto dois dias antes das últimas eleições, tinha votado PAN.

sexta-feira, abril 12, 2024

Breaking (2022)

É uma vitrine de talento para John Boyega, num filme completamente limitado nas suas possibilidades narrativas para surpreender e cativar devido ao colete de forças que tem vestido chamado "baseado numa história verídica". E, como é o caso, nem sempre a realidade tem assim tanto interesse ou "tcharan!" para conseguir criar uma obra relevante num sub-género (assalto a bancos) que prima quase sempre pela criatividade ou pela reviravolta final inesperada. A inexperiente realizadora tenta ainda um ou outro pormenor técnico diferente perto do fim, mas a água nunca chega a ferver. Fica a despedida de Michael Kenneth Williams, um actor que tinha uma presença singular e irrepetível.

segunda-feira, março 25, 2024

Bodies Bodies Bodies (2022)

Belíssimo twist final que, ironicamente, só peca por tardio. A explicação é fácil: se qualquer um de nós tivesse desconfiado que "isto" não era apenas mais um mistério slasher de adolescentes igual a tantos outros, provavelmente teríamos prestado muito mais atenção à viagem. Muita decisão idiota de sobrevivência bem sustentada na idiotice de uma geração, qual sátira em torno de podcasters injustiçadas e tiktokers sem fundo moral, numa espécie de blockbusterização do "terror elevado" - como eu detesto esta expressão - da A24. Elenco capaz e uma mão cheia de diálogos divertidos, num guião meio atabalhoado que é salvo no último segundo por aquela reviravolta tão geração Z - é na Z que estamos, certo? Estou a ficar demasiado velho para acompanhar a evolução da linhagem geracional.

sábado, março 16, 2024

Chasing 400 (2022)

It's a short video résumé of Justin Kinner's 2021's Ultra Trail Grand Slam (4x100miles). Would be far more interesting if it was focused on the sport itself - all the physical, nutritional and mental challenges of it - and less on him and his (elite) support group. It's a lot about "me, me, me" and so little about "us, us, us". And by us, i mean all the (ultra) trail runners of this world.

segunda-feira, março 04, 2024

Isaac Asimov: A Message to the Future (2022)

Um leitor VHS da Goldstar e uns óculos iguais aos meus na cara do Asimov, talvez o maior nome da história da Ficção Científica enquanto género literário. Até me sinto mais inteligente depois desta descoberta. A nossa imaginação que se baseia, vejam lá, no que já nos aconteceu, a ficção científica definida como resposta à nossa reacção à mudança, a ciência com amiga e inimiga da humanidade. Uma série de conceitos que moldaram a sua obra e o seu pensamento, apresentados pelo seu alter ego digital, um deepfake criado a partir de inteligência artificial. O que é uma espécie de feitiço contra o feiticeiro ou de feitiço de homenagem ao feiticeiro, nem sei bem dizer. O que sei é que se isto continua assim a raça humana ainda vai ter que levar com o Adam Sandler durante os próximos trezentos ou quatrocentos anos.

sexta-feira, março 01, 2024

LOLA (2022)

Fico com a sensação de que o formato found footage não terá sido a escolha mais correcta para potenciar o conceito sci-fi fenomenal - embora nada original - desta história, até porque não consegue manter a estrutura e a lógica dessa ideia durante toda a sua duração, intercalando as "fitas encontradas" com peças jornalísticas, gráficos animados e até videoclips musicais por variadas vezes. Mesmo que tivesse sido Martha, depois daquela cena final, a montar tudo isto, qual realizadora de excepção, perdeu-se o encanto do "amadorismo" do subgénero a meio caminho. Ainda assim, não deixa de ser uma abordagem minimalista muito interessante sobre as consequências menos óbvias de "corrigir" a história, de alterar o futuro conhecido, uma narrativa de final agridoce que teria dado um filme numa disposição e construção tradicional muito relevante. De uma maneira ou de outra, ninguém consegue matar o David Bowie!

sábado, fevereiro 24, 2024

Talk to Me (2022)

Entre decisões em série demasiado idiotas para serem credíveis - mesmo que tomadas por adolescentes - e personagens completamente desinteressantes - mesmo entre o rol das mais importantes para o drama familiar em causa - a verdade é que, ignorando isso - e eu sei que é um grande isso - o gimmick arranjado para criar tensão, terror e desconforto é eficaz. Entre possessões, formas de luto, vícios, peer pressure e lambidelas de pés, fica um final convincente que acaba por tornar minimante memorável um filme de estreia de uma dupla de jovens que tinha tudo para ser um desastre desinteressante.

sábado, novembro 18, 2023

Triangle of Sadness (2022)

The idea that wealth, power, and authority in the right hands can be a tool for good is an illusion. Once someone has it, they'll do anything to keep it. Some great moments - the american communist vs the russian capitalist -, some shitty scenes - literally speaking - but, overall, an above average satire on human nature and power dynamics.

quinta-feira, outubro 12, 2023

Venus (2022)

Lúcia, a que traz a luz do dia e um parzorro num top branco de meter respeito, que quase nos deixa com vontade de a descobrir nas telenovelas ("Elite") da Netflix. Quase, que também não estamos a falar da Salma Hayek. Terror "cósmico" espanhol da autoria Jaume Balagueró - saga "[REC]" -, com eclipses misteriosos, monstros balofos de casa de banho, cabeças rebentadas, muita ferida de facada que se exibe com orgulho e, claro, velhas filhas da mãe que nos querem matar a todos no meio de um cházinho das cinco. Não há aqui nada de novo e, no entanto, nesta adaptação livre do "The Dreams in the Witch House" de H.P. Lovecraft, há uma miscelânea de vários elementos tradicionais do género que funciona quase como um buffet onde todos podem picar aqui e ali e ficarem bem servidos no final. Por falar em final, que patetice dos diabos. Ou das bruxas, neste caso.

quinta-feira, outubro 05, 2023

The Artifice Girl (2022)

Passou rápido e passou bem, mas fica a sensação de que este filme de Franklin Ritch - o mesmo que dá vida ao ruivo espécime de Yoshua Bengio na história - julga-se mais do que efectivamente é. E o que é? O que toda a gente presume que vá ser desde o início, sem surpresa, repleto de jargão técnico e tecnológico, com todas as dualidades e moralidades associadas infinitas vezes à inteligência artificial. Eu percebo que alguém tinha que pressionar esta malta responsável pelo ressuscitar digital dos mortos nos capítulos mais recentes da "Guerra das Estrelas", mas caramba, tanto diálogo, tanta exposição, tantas ideias... e tão pouco espaço para as alegorias e para o cinema, enquanto arte, brilhar em torno delas. Qual é o mesmo o último nome da Madonna? Ou Madonna é apelido? Única questão que me deixou realmente intrigado em hora e meia desta brincadeira.

quarta-feira, agosto 09, 2023

2020: Odisseia no 3º Esquerdo (2022)

Teve um toque de mestre - a ligação do pânico e de todas as dinâmicas de higiene e segurança relacionadas com a Covid com excertos sonoros lá bem ao fundo da sua curta de estreia -, poderia ter tido outro: a percepção indiscutível no final por parte do espectador que esta seria a forma da criança ultrapassar uma tragédia recente na família relacionada com a pandemia - talvez fosse essa a mensagem do mapa final (o pai?!?), mas não foi claro. Sonoplastia de excelência e trabalho técnico extremamente competente em todas as restantes vertentes técnicas. Um jovem realizador para manter no radar!