terça-feira, janeiro 11, 2005

Sorte Nula (2004)

Alberto pretende fugir com o amor da sua vida. Ele já fez as malas, tem os bilhetes na mão e nada o vai parar. Mas o seu maior inimigo está á espreita: quando alguém tem uma sorte nula, o impensável acontece e o seu destino é imprevisível. Se juntarmos a esta sinopse, um elenco com Isabel Figueira, Carla Matadinho, Bruno Nogueira, Rui Unas e António Feio, entre outros, poderíamos sem qualquer problema afirmar que este filme tinha tudo para se tornar numa autêntica revolução no cinema português e num enorme sucesso a nível de bilheteiras. Em relação ao sucesso comercial, este realmente superou e muito os seus objectivos. Num único mês, mais de 50 mil espectadores nas salas de cinema portuguesas. Mas quanto ao filme em si... bem podemos afirmar que o problema de Sorte Nula não foi a falta de dinheiro, mas sim a falta de cinema.

Enormes (Enormes mesmo, do tamanho dos seios da Carla Matadinho que, por falar nisso, aparecem e bem no filme, mesmo sendo uma cena completamente desnecessária para o fio condutor do filme) buracos no argumento, apesar de o filme ser quase todo uma tentativa de explicação do que aconteceu nos primeiros minutos, efeitos estilísticos que rompem ainda mais a sobriedade e coesão do resto e personagens transformadas em autênticas peças de tabuleiro a fingir de gente, o que não deu nem um centímetro de profundidade dramática ao filme. Assim sendo, podemos mesmo afirmar que todo este sucesso em volta de Sorte Nula, foi mesmo devido ao seu maravilhoso elenco (não falando em cinema mas sim de popularidade mediática, cada um no seu meio) e de uma fabulosa operação de marketing, envolvendo esse e outros aspectos negativos da história do cinema português.

O argumento, tirando todos os "plot holes" e mania "nacional" das superficialidades, é bastante interessante, numa linha muito ligada ao cinema americano independente, de destinos cruzados, enredos repletos de surpresas e personagens com segredos escabrosos por trás. Nada do que inicialmente conhecemos das personagens se mantém intacto até ao fim. Todos têm verdades escondidas e ninguém confia plenamente em ninguém. Este é sem dúvida alguma, o filme mundial com mais encornanços por minuto quadrado! A banda sonora é do pior, chegando mesmo a ser repetitiva, apesar das poucas vezes em que é usada. Safa-se "O Mundo ao Contrário" dos Xutos e Pontapés. Podia, realmente, ter sido o primeiro passo na revitalização do cinema português. Digo isto sem ter visto ainda "Os Imortais". Mas a verdade, é que não foi. Mas se criticarmos "Sorte Nula", num panorama nacional, a verdade é que este não deixa de ser uma boa surpresa, apesar de ter ficado muito além do que podia ter sido. O fim acaba por surpreender o espectador, o que é sempre positivo e julgo nunca ter visto num filme português.

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