domingo, outubro 23, 2005

Minority Report (2002)


Washington 2054. O departamento Pré-Crime revolucionou a sociedade. O método: um grupo de três seres "pós-humanos" - pre-cogs - prevê a intenção de crime (literalmente, vê o crime) e lança o alerta (as imagens); imediatamente, um grupo de polícias apreende o potencial criminoso antes do acontecimento. O resultado: a erradicação do homicídio. Este é um mundo que encontrou nos pre-cogs novos deuses, mantidos num uterino e tecnológico templo aquoso, um laboratório. O seu sacerdote mais poderoso é John Anderton (Tom Cruise), o polícia que chefia o departamento. Finalmente, é um mundo em que os limites temporais se anularam e o futuro se tornou permanentemente presente em visões definitivas: "Can you see?", pergunta a pre-cog Agatha (Samantha Morton). Aparentemente.

No entanto, esta sociedade perfeita, este sistema infalível, vão ser postos em causa pelo seu maior defensor - quando John Anderton vê e manipula as imagens que o incriminam como futuro assassino. Como John afirma aos antigos colegas que agora o perseguem: "Everybody runs". Mas, quem é John Anderton? Um homem confrontado com o paradoxo temporal de provar uma inocência futura já afirmada como falsa. E tem apenas poucas horas para o fazer.

Esteticamente o filme é quase perfeito. As ideias futuristas, toda a tecnologia ao serviço das forças da lei de tal maneira que já é possível prever os crimes, tudo está muito bem imaginado. Porém há algumas discrepâncias difíceis de entender. Temos assim dois mundos. Um super avançado tecnologicamente com estradas verticais e carros ultra sónicos e outro super sujo e degradante onde desaparece a super tecnologia. Até podemos considerar esta diferença como uma ironia, pois em certo ponto do filme surge uma frase que poderá nos indicar esse sentido. “Inventam tudo menos a cura para a gripe” ou seja toda a disparidade pode ser explicada pela prioridade nos avanços tecnológicos. Curiosamente este aspecto do filme pode ser encarado como uma visão literária onde fica em aberto o porquê desta disparidade. Imaginem e criem a razão!No fundo de tudo isto está a mensagem subliminar...somos ou não capazes de mudar o nosso destino? Será possível a falha num sistema aparentemente “intocável”?

A principal desvantagem do argumento foi a ausência de personagens secundárias de verdadeiro valor na acção, o que limitou as opções de mistério e de quem estaria por trás de tudo. Uma delas seria demasiado óbvia, logo, só poderia ser a outra o que retira alguma surpresa ao filme. Que não se pense porém que o filme é fácil de captar e que à partida já tudo se sabe. Não é assim, e Spilberg conseguiu criar uma boa teia e sequência lógica ao qual só faltou aquele click final de genialidade. De resto, a realização foi acima da média, tal como a fotografia, e as interpretações principais brilhantes. Tom Cruise, provou aqui, que não é apenas um bom actor. É, de facto, um excelente actor. Quer queiram, quer não. E como tal, sai um Poker, que é como quem diz, um Four of a Kind.

1 comentário:

Anónimo disse...

Where did you find it? Interesting read »

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