quarta-feira, maio 27, 2020

Russkiy kovcheg (2002)

Tecnicamente impressionante - um único longo take de hora e meia que envolveu dois mil actores e três orquestras -, narrativa e pedagogicamente uma completa nulidade para quem não tiver conhecimentos e conceitos pré-estabelecidos de momentos e figuras importantes específicas da história russa como, por exemplo, da imperatriz Catarina II, dos czares Nicolau I e II ou do cerco de três anos a Leninegrado. Guarda-roupa e espaços visualmente arrebatadores - o Palácio de Inverno do Hermitage de São Petersburgo com mais de duzentos e trinta mil metros quadrados - que são um mimo para os olhos mas que, entre um narrador fantasma e um marquês que quebra constantemente a quarta parede, servem de muito pouco para qualquer leigo na matéria. Um pouco como se metêssemos os russos no mesmo tipo de encenação no Palácio Nacional da Ajuda: aposto que ficariam frustrados de estar tanto tempo à nora com o período pombalino e o reinado de D. Luís. Sem sequer saberem do que se tratava.

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