
Certos filmes contam histórias, outros fazem-nas respirar de novo: "
Ainda Estou Aqui" é muito menos drama histórico e politico do que seria expectável que fosse, e muito mais um acontecimento relativamente individual que se presta à memória colectiva - um oxímoro propositado num filme repleto deles -, costurado com amor, dor e uma resiliência silenciosa espelhada na perfeição pela Eunice de Fernanda Torres. Não há aqui cenas de tribunal, manifestações na rua ou aulas na universidade; não há um retrato convencional de heroísmo político/social; apenas um quotidiano cheio de vazios, de refeições partilhadas em família, de memórias na praia, de um passado em choque constante com o presente, que se prolonga, literalmente, até ao esquecimento - Alzheimer, seu filho da mãe. É no silêncio, entre lágrimas e sorrisos (es)forçados, que a dor se instala, que a memória, suportada naquelas sequências em Super 8, serve o luto. Não é perfeito, mas é extremamente necessário. Como cidadãos livres, mas especialmente como humanos.
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