- "O que acha da escassez de recursos?"
- "Acho que não existe, não consigo perder nem meio quilo!".
Esta primeira parte (de três) do conceituado e premiado documentário de Patricio Guzmán retrata os meses que antecederam o golpe militar de Pinochet a 11 de Setembro de 1973. O crescente conflito político, económico e social provocado pelas reformas socialistas - a roçar, se não mesmo a abraçar, o comunismo - de Allende, acompanhando de perto ambos os lados da barricada: a oposição da direita e das "elites" que organizam protestos e sabotagens económicas e industriais; e, em contraste, a voz aos trabalhadores mais pobres, dos camponeses e dos movimentos populares, que defendem Allende e temem o fascismo e o capitalismo. Esta primeira parte de hora e meia termina com uma imagem fortíssima de uma morte em POV de um jornalista argentino que, confesso, não fazia ideia que existia. Segue-se o golpe de estado. Montagem fenomenal de tanto material disperso e qualidade impressionante de imagem e som. Guardo comentários pessoais ideológicos para uma análise final ao terceiro capítulo, mas deixo já um abraço apertado simbólico ao Mário Soares, que nos soube manter a meio caminho entre extremismos numa altura chave (tão diametralmente oposta como similar) da nossa história.
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