quarta-feira, novembro 23, 2005

terça-feira, novembro 22, 2005

The Ring Two (2005)

Sinopse Cinema Xunga: O fantasma volta seis meses depois com um upgrade que lhe permite ignorar por completo as regras do filme anterior. Entretanto a MILF do filme anterior tenta livrar o filho da possessão dessa vil criatura que, apesar de estar morta há dezenas de anos, não tem uma pontinha espigada no cabelo.

Uso esta pequena introdução, um pouco em memória do meu grão-mestre da blogosfera, que anda desaparecido em combate, e que nada diz aos seus fiéis, mas também porque esta é clara do sentimento com que fiquei após o visionamento desta segunda parte de "O Aviso". Digo segunda parte, porque todos os truques e técnicas usados para assustar em "The Ring Two", foram os usados no seu antecessor. E pedir sucesso a este segundo filme, seria praticamente o mesmo que conseguir aquilo que nunca conseguimos enquanto putos, ou seja, fazer o "poste" a alguém duas vezes ou enfiar um pionés na mesma bunda, na mesma cadeira, em duas situações diferentes.

E se à partida pensei que o facto de o realizador deste remake hollywoodano ( e lá tou eu com os meus termos, qualquer dia faço mesmo um dicionário CN) ser o mesmo que o do filme original, seria um ponto forte a favor, depressa notei que estava completamente errado. Tal como em "The Grudge". A falta de coragem para mudar e criar novas e aterradoras surpresas à moda do oriente nestes novos produtos é tal, que só podemos escolher uma das seguintes afirmações: ou os estúdios enchem o realizador de dinheiro e o obrigam a fazer pura e simplesmente a sua adaptação ou então, neste caso, Nakata é parvo e deveria saber que fazer o mesmo filme mas com personagens ocidentais só o arruinaria. É a força do capitalismo (sou capaz de ter dito uma grande asneira, não sou de Economia)!

Quanto ao elenco, podemos e devemos destacar o puto. Só o seu ar de doido varrido traz alguma tensão ao filme, visto que, quanto a mim, todas as cenas fantasmagóricas foram completamente banais e sem o devido suspanse de introdução, que tantas vezes funciona melhor que a própria cena de terror. Naomi Watts (se eu tivesse quarenta, não me escapava) é daquelas actrizes brilhantemente polivalentes, mas que é muito mal aproveitada neste tipo de filmes, quando o objectivo é o de fazer um papel tremendamente clichético. Sabe a pouco, saber que o seu potencial é astronómico e vê-la a fazer um papel completamente previsível. Um completo deja-Vu.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Jessica, minha amiga! Tudo bem?


Oito boas razões para não perder este "Into the Blue", de John Stockwell, realizador de "Crazy/Beautiful" e "Blue Crush":

1- Jessica Alba de Bikini
2- Jessica Alba de Bikini Molhado
3- Jessica Alba dentro de água
4- Jessica Alba fora de água
5- Planos frontais de Jessica Alba
6- Planos laterais de Jessica Alba
7- Planos traseiros de Jessica Alba

8- Roger Ebert ter afirmado na sua critíca "Suspanse Genial até ao fim". Será que o homem também já está afectado pela Jessicazita?

Eu lá vou estar na antestreia, Quarta-Feira no Corte Inglês, nem que seja porque não precisei de pagar nada para ver a menina Alba. E já tou pronto para levar nas orelhas da minha namorada quando ela ler este meu pequeno "momento cultural"...

domingo, novembro 20, 2005

Porque hoje é domingo...


... e a preguiça é muita, fica apenas uma sugestão de leitura a um artigo recentemente colocado na blogosfera nacional, mais propriamente no Há Vida em Markl, que nada tem a ver com cinema mas que demonstra, e bem, o estado da generalidade da imprensa escrita em Portugal. Porque, quando num dos jornais mais históricos do nosso país, uma das cronistas semanais é a filha da Cinha Jardim, algo vai mesmo muito mal...

http://www.havidaemmarkl.com/2005/11/15112005-de-gutenberg-pimpinha.html

sábado, novembro 19, 2005

War of the Worlds (2005)

Por onde anda a magia de Steven Spielberg? Esta é a pergunta que fica no ar, após a visualização deste banalissímo "Guerra dos Mundos". Se dúvidas haviam que a transformação de realizador de culto a realizador do "sistema" (e já não podem acusar o Dias da Cunha de nada), estava em fase final, já não as temos. Porque, por mais dura que seja, a verdade é que "War of the Worlds" é um filme mais que banal, com uma história paternal mais que batida e que apoia toda a sua força na parte audiovisual, na equipa de efeitos especiais. Meu caro Spielberg, com o capital investido nesta produção e com um bom suporte de bases, até o Uwe Boll teria feito um "Guerra dos Mundos" mais interessante em termos de argumento. Porque se um filme fosse apenas efeitos especiais, "Spy Kids" também teria esse nome, o de filme. E repito... a magia de E.T ou de tantos outros com que nos presenteou, por onde anda Sr.Spielberg?

Isto porque, como dizia a velhinha, "eu ainda sou do tempo" em que ir ver uma obra de Spielberg era, logo à partida, ter a certeza que se ia assistir a um grande filme, que nos iria deixar encantados no fim. Foram raras as vezes em que algum outro realizador conseguiu o aplauso da critíca e do público de uma forma tão geral ao longo da sua carreira. Mas pelos vistos, o apocalipse, tão imponente em "Guerra dos Mundos", está para breve. É verdade que a expectativa geral era bastante elevada, mas este "War of the Worlds" saberia sempre a pouco, fosse em que circunstância fosse. E se é completamente indiscutível que um filme não se resume à felicidade ou infelicidade de um final... não havia nada menos óbvio e mais surpreendente que o caminho escolhido?

Quanto ao elenco, e apesar de apreciar o talento de Tom Cruise (nada disso que já estão a pensar), toda a sua representação pareceu-me bastante esforçada e pouco real consoante as situações que supostamente vivia. Tim Robbins esteve bem (mas longe do seu melhor) mas a nota de destaque vai, mais uma vez no CN, para a minha querida Dakota Fanning. Nascida em 1994, ela irá ter, certamente, as dificuldades decorrentes da mudança de idade que se aproxima. Mas não haja dúvidas: Dakota já possui esse dom que define uma actriz: entregar-se à câmara, sem se submeter ao seu poder.

De Spielberg sempre tivemos mais carga dramática e genialidade. Fazer um filme a pensar única e exclusivamente no facto que o seu potencial de marketing será claramente maior que o seu orçamento de produção (e olhem que não foi pouco) não resulta. Spielberg está como Pamela Andersson, ainda dá para aquecer mas não para acordar a meio da noite, meio perdido. Por isso, o rei anda nú. E não há um raio desintegrador que o acorde!

sexta-feira, novembro 18, 2005

Gargalhada Inesquecível (I)


Raiders of the Lost Ark (1981)

Indiana Jones (Harrison Ford), com um ar calmo e despreocupado "despacha" um assustador e maníaco samurai árabe de capa preta, depois de todo o exibicionismo deste, com um simples tiro. Simplesmente genial!

quinta-feira, novembro 17, 2005

Blogue da Semana: Royale With Cheese


Em homenagem a uma das linhas mais famosas de Pulp Fiction, surgiu o título do blogue da semana para o CN, o Royale With Cheese. Actualizado regularmente pelo seu "proprietário", dermot, o Royale With Cheese é um excelente blogue de critíca cinéfila, com um histórico complexo e diversificado de filmes já analisados. Com um original e divertido ranking de votação (desde o expoente máximo, o Royale, até ao Pão com Manteiga), dermot contempla-nos ainda com "top's" cinematográficos ocasionais e excelentes entrevistas. Entrevistas essas que já apanharam diversas personalidades do cinema e da televisão portuguesa, como o humorista e argumentista Nuno Markl ou o realizador Fernando Fragata. Um toque de classe na blogosfera.

Royale With Cheese, peca apenas a meu ver, pelo seu histórico adoptar os títulos criticados em português e não na lingua original. Dificulta e muito a procura de um determinado filme, quando, como no meu caso, não sei 99% das traduções feitas às obras. Mas é uma questão meramente pessoal. Provavelmente haverá muita gente que prefere a listagem tal como está. Mas este é apenas um pequeno pormenor que em nada afecta a excelência deste blogue. E sai um Royale With Cheese para a mesa aqui do canto, se faz favor!

http://www.cinephilus.blogspot.com/

quarta-feira, novembro 16, 2005

The Big Lebowsky (1998)


"The Big Lebowsky", um filme assinado pelos irmãos Coen, narra a história de um homem de meia idade (The Dude) desempregado, que passa os seus dias a jogar bowling e a beber uns copos com os amigos. Um dia e devido a uma infeliz coincidência, vê-se envolvido numa complexa malha de intrigas que envolve um milionário que, tal como ele, também se chama Lebowsky. Dude, de nome de nascença, Jeff Lebowsky, observa perplexamente, mas muito calmamente, não fosse ele o maior preguiçoso de que este mundo já teve memória, a sua casa ser arrombada por dois brutamontes que julgam estar perante o multimilionário Jeffrey Lebowski, no intuito de reaver a dívida que a mulher tem para o pornógrafo Jackie Treehorn.

Com um elenco de peculiares personagens, magistralmente interpretadas por nomes como Jeff Bridges, John Goodman ou John Turturro, "O Grande Lebowsky" mostra-nos como um simples erro de identidade consegue criar uma das mais divertidas e despretenciosas comédias do século XX. Sem cenas forçadas, esquematicamente clichetéticas (mais uma critíca, mais uma palavra que invento para o dicionário de lingua portuguesa) ou ridículas, a dinâmica de uma história simples misturada com a magia daquele duo original Bridges/Goodman, provoca no espectador, por diversas vezes, momentos de riso aberto hilariante e incontrolável. E é mesmo John Goodman, com a sua personagem de sátira aos veteranos de guerra do Vietname, com um espiríto ultra-patriótico e violento, que mais se destaca. Muitos poderiam ter feito o papel de "Dude", mas mais nenhum além de Goodman encaixaria tão bem no papel de Walter Sobchak. Apesar da sua longa e atribulada carreira, arrisco-me a dizer que este foi a personagem da sua vida. Mesmo apesar de ao olharmos para Goodman, o associarmos logo a Fred Flinstone!

Aproveito aqui para deixar uma nota de desagrado à tradução que sempre acompanhou em Portugal a alcunha de "Dude" neste filme: O "Coiso". Já o vi em dois canais diferentes, e nos dois apanhei esta doentia obessessão do tradutor. Não seriam termos como "Bacano" ou até mesmo o mitroso "Sócio" bem melhores que "Coiso"?

Em jeito de conclusão, fica então um filme que prima pela originalidade cómica e por uma banda sonora modernamente nostálgica, que se adequa por inteiro ao espiríto do filme. Temas como "Hotel California" ou "Peaceful Easy Feeling" dos Eagles dificilmente nos saberiam tão bem ao ouvido, como nesta obra dos irmãos Coen. Peca apenas pelo seu final antecipado e repentio, um pouco banal e sem a classe que todo o resto do filme havia mostrado. Nada que estrague o conjunto!

terça-feira, novembro 15, 2005

Recordar é Viver (2 em 1): Cinema & TV em Portugal


"Olá, sou o Albertino, director de uma empresa de distribuição de cinema e sou atrasado mental..." por dubois no dia 18 de Julho, Cinema Xunga.

"Esta frase não é uma citação fidedigna, mas é quase... Quando existe tanto cinema mundial de qualidade e somos brindados com filmes como "O filho da Máscara" ou aquele da Jennifer Lopez que vai estrear, algo vai mal. Desde filmes de qualidade com anos de atraso, à inserção nas salas de todas as comédias românticas que conseguem arranjar (mesmo que não apareça o Hugh Grant), as salas de cinema portuguesas continuam a ser uma desolação sem fim à vista. Já ouvi várias teorias de que temos o cinema que o público merece, mas também não há educação, um certo brio das distribuidoras nacionais. É o sindrome tipicamente português de quem abre um negócio: ganhar tudo de uma vez sem pensar em futuros ou no cliente. A crítica também não ajuda, porque o elitismo tem atingido pontos quase gritantes por parte dos profissionais.O cinema nas nossas salas resume-se a produções em massa baseadas em templates testados e comprovados. Tudo americano e de Hollywood. Cinematografias asiáticas, europeias e sul-americanas quase nem aparecem. E são cinematografias comerciais... Já nem falo em cinema africano, iraniano ou Indiano, já ficava satisfeito com qualquer coisa que não me faça lembrar os actores do Dallas. Não admire que o pessoal "importe" cada vez mais cinema, passando ao lado do circuito nacional da distribuição."

http://cinemaxunga.blogspot.com/2005/07/olo-de-cinema-e-sou-atrasado-mental.html

Podridão nas mentes dos responsáveis pelas estações televisivas públicas portuguesas por Miguel Batista no dia 3 de Setembro de 2005, Black Spot.

"A TVI acaba de comprar Kill Bill vol.1. Isto seria uma boa notícia se falássemos de um canal civilizado, num país civilizado, que desse a atenção necessária à cultura e à arte. O que nos parece Kill Bill à primeira vista? Exacto, apenas mais um filme de acção, espadas e samurais, ou seja, mais um para a TVI enfiar nas tardes de domingo a ocupar o lugar entre os filmes sobre cães que falam ou praticam algum desporto e alguma comédia rasca, ou num dia mais convencional, os Morangos com Açúcar. Se assim não for, anunciarão o filme para a meia-noite e começará às duas da manhã. Como se isso não bastasse, o formato original do filme não irá com certeza ser cumprido, pois nenhum filme o faz na TVI, e somos bombardeados com uma retalhação do filme em pedaços de 20 minutos que estão dividos em épicos intervalos, isto já para não falar naquelas linhas de texto que passam na parte superior do ecrã a anunciar outros programas que irão dar mais tarde ou noutro dia, programas esses que infelizmente o público em geral gosta de ver, e enqunato assim for, não andaremos para a frente. Quando falo da TVI, posso falar igualmente da SIC, só a RTP1 tem mostrado evoluções nesse aspecto, e a 2: que, apesar de exibir poucos filmes, quando os exibe, passa-os sem interrupções e no formato original.Posto isto alguém vai ter vontade de ver Kill Bill? Mas infelizmente não é só com Kill Bill que isto acontece, ou vai acontecer. Filmes de qualidade que existem nos arquivos das televisões portuguesas (The Godfather, Adaptation., Ying Xiong) sofrem o mesmo ou pior tratamento. Ouvi uma vez a TVI a anunciar The Godfather a ter início às 2 da manhã e a SIC anunciar Adaptation à 1. Deparando-nos com este cenário, e pensar que em substituição destes filmes são exibidos milhares de vezes filmes sobre cães ou telenovelas. O que se aproveita afinal da programação de todos estes canais começa sim lá para as 2 ou 3 da manhã. E isto porquê? Porque as audiências podem ser desviadas para outros canais enquanto passa um bom filme ou uma boa série? Assim nunca andaremos para a frente. E a conversão do formato de widescreen para fullscreen é uma estupidez, se bem que a RTP1 tem vindo a evoluir nesse aspecto. Digo isto porque o último filme que vi na estação (Irreversible, de Gaspar Noé) foi bem tratado, mantendo o seu formato original e, embora retalhado, os intervalos não tinham duração épica nem passavam frases na parte superior ou na inferior do ecrã a anunciar outros programas.Onde quero eu chegar com tudo isto? Que ver cinema na televisão é algo pobre e nada produtivo hoje em dia. Quem realmente gosta de cinema, deve ver os tais filmes em DVD ou no cinema, e mesmo assim, isso não é facilitado, estando os DVDs e os bilhetes de cinema cada vez mais caros. O cinema em Portugal é considerado apenas um passatempo hoje em dia, facto que é lastimável. Em que país vivemos?"

http://miguel12.blog-city.com/podrido_nas_mentes_dos_responsveis_pelas_estaes_televisivas_.htm

segunda-feira, novembro 14, 2005

Sondagens & Mariquices

Serve este post, antes de tudo, para agradecer a todos aqueles que regularmente têm visitado o Cinema Notebook. Um ainda maior agradecimento da minha parte para os que participam nos comentários e tornam este meu "hobbie" num verdadeiro prazer. É a pensar em vocês e para vocês que todos os dias (ou quase) venho cá deixar o meu testemunho e reflexão sobre algo relacionado com o cinema. Saber que o faço para alguém e não só para mim, torna-o fácil e divertido. Como tal, muito, mas mesmo muito obrigado. Vocês são os maiores do mundo, e já diz o nosso lema, "que nunca vos falte gaijas boas!". Ah claro, e a vocês meninas, que nunca vos falte também nada do que precisam!

Assim sendo, aproveito para anunciar que cada visita diária ao CN será agora um ainda maior contributo para a vossa cultura e conhecimento. Como podem confirmar no menú do lado direito, o Cinema Notebook conta agora com três novas secções (Frase do Dia, O Dia de Hoje na História e Hoje faz anos...), actualizadas diariamente de modo automático pelo site responsável pelas mesmas (envolveu um acordo de vários milhares de euros). Já não têm desculpa para não passar por cá todos os dias! Ou então arranjo maneira de me devolverem tostão por tostão todo o capital investido nestas novas aquisições.

Foi também criada uma secção de votação mensal, que já está neste momento on-line. A pergunta deste mês de Novembro é sobre um dos canais temáticos da SIC, a SIC Comédia, mais propriamente sobre os programas que mais frequentemente vocês costumam pregar os olhos. E atenção, é uma sondagem que permite uma ou mais escolhas da vossa parte. Toca a votar!

Aquele abraço,
Knoxville!

domingo, novembro 13, 2005

Flightplan (2005)


Nota de Redacção: Estou revoltado! Demasiado revoltado para conseguir escrever uma critíca séria, que não exprima as razões da minha ira. Assim sendo, o leitor fica já sabendo que este primeiro parágrafo da minha análise estará todo ele repleto de spoilers (a vermelho). Caso não tenha visto o filme, o melhor será mesmo passar directamente para o segundo.

Para mim, o cinema deve ser sempre apreciado e não analisado. Como tal, fui sempre dos que defendi que não devemos nunca procurar aquelas pequenas falhas no argumento, mas sim desfrutar da sua emoção, acção e paixão. Mas querer apreciar "Flightplan" sem pensar no enorme e giganteco (existem mais uns 230, mas desses estamos já nós habituados) buraco de argumento que este acarreta, é pedir ao público que lhe seja aviado um atestado de burrice! Como é possível todo aquele plano estar dependente de alguém no avião ter ou não visto a miúdinha? Se alguém a tivesse visto (99,99% de probabilidade, apesar de não ser isso que está aqui em conta), ia o plano todo pelo canudo? Isto para não falar de todos os outros buracos, que mais uma vez digo, não gosto de procurar mas que são atirados para a fronha dos espectadores a 900 kms/h, como o comandante naquela situação lembrar-se de contactar primeiro uma morgue em Berlim (e vejam lá acertou em cheio) do que o aeroporto e saber se tinha sido feito ou não o check-out e verificação de cassetes de segurança, para confirmar a presença ou não da miúda. Quando, como vimos, não é feito o minímo esforço para esconder tais anormalidades da audiência, como poderemos nós ficar satisfeitos com o resultado final?

Começemos então do ínicio para aqueles que não estão ainda familiarizados com a história do filme. "Flightplan" retrata o pânico e desespero de Kyle (a brilhante Jodie Foster) num avião enorme (que por acaso, coicidência das coicidências, ela tinha ajudado a construir) ao se aperceber que a sua filha desapareceu do assento a 10.000 metros de altura e que ninguém é capaz de a encontrar, pior ainda, ninguém se lembra de a ter sequer visto. Tendo em conta que o registo da criança não consta na lista de passageiros, as hospedeiras, capitão e um marshall aéreo começam a duvidar da sua sanidade mental, ainda para mais quando esta está sobre um trauma imenso devido à morte recente do seu marido.

Com uma premissa mais que interessante, a "Flightplan" faltou apenas um realizador experiente, que soubesse disfarçar minimamente as abissais crateras do argumento e que conseguisse criar, por mais algum tempo, a dúvida no espectador. Robert Schwentke, dedica-te à pesca! Com tanto potencial, derivado de um empolgante ponto de partida e de um elenco fantástico, é triste olhar para o resultado final deste "Pânico a Bordo". Sean Bean, apesar de ter um papel mais secundário, é fantástico e será, certamente, nos próximos tempos, um actor muito desejado. Quanto a Peter Sarsgaard, de actor têm mais do que devia. Pena é, isto não ser um elogio. Não consigo olhar uma única vez para ele, seja em que filme fôr, e não notar o seu medo perante uma câmera, sem nunca conseguir fixar um olhar. Isto é mais que evidente nas cenas em que o mesmo está em segundo plano. Tentem reparar, se ainda forem ver este filme ao cinema, que Sarsgaard está sempre, mas é sempre, a olhar para o chão com um olhar vazio. Tudo o resto está lá, sendo mesmo um actor intensamente dramático, mas falta-lhe essa intimidade com a camerâ, que, neste mesmo exemplo, podem notar em Sean Bean.

Quanto a Jodie Foster, merece um parágrafo apenas para ela. O seu nome é suficiente para atrair qualquer um ao cinema e dar a qualquer obra, um pré-rótulo de qualidade. O seu desempenho é brilhante e poderoso, conseguindo mesmo, em certos momentos, transmitir ao receptor, o pânico que supostamente sente. Triste é que os argumentistas desta obra não façam justiça ao talento de Foster, acabando mesmo por a utilizar como recurso de acção para um final esgalhado da mente de alguém muito, muito panasca. Porque até ao terceiro quarto de filme, Jodie Foster arrasou completamente, tanto dramaticamente como psicológicamente qualquer um de nós. Pena é que Robert Schwentke e colegas tenham estragado tudo o que tinham planeado até então, para no último quarto do filme, usarem a maneira mais fácil para terminar qualquer filme clichento (será que existe este termo?), baseando-se apenas em Foster e esquecendo-se que esse mesmo final iria criar em todo o resto do filme impossibilidades enormes para esse mesmo desfecho.

"Flightplan" é então, até agora, a maior desilusão do ano. Nem que seja pelo facto de ter posto Jodie Foster K.O. por mais uns tempos. E já repararam que tanto este como "Red Eye" de Wes Craven são completamente estragados pelas suas terríveis partes finais? Vou tentar dar a nota a este "Pânico a Bordo" esquecendo um pouco a sua falha de credibilidade na história, pois fosse este factor disfarçado e "Flightplan" teria sido bastante aceitável. Só me aptece é ladrar... e morder alguém!

sábado, novembro 12, 2005

The Descent (2005)


Um ano depois de um grave acidente de viação que tirou a vida ao marido e filha, Sarah (a até agora desconhecida Shauna MacDonald) decide juntar-se a cinco amigas e partir numa aventura a uma misteriosa caverna. Mas, como seria de esperar, senão não havia filme pessoal, rapidamente começam a ocorrer os primeiros problemas. Não vos vou dizer absolutamente nada sobre estes, pois provavelmente estragaria-vos o filme. Posso-vos dizer apenas que supostamente nunca ninguém havia explorado aquela caverna e que ninguém sabia que estas seis mulheres lá estavam. À medida que o tempo de sobrevivência vai escassando as raparigas lá precisam de regressar aos seus instintos mais primários e lutar sem tréguas pela sobrevivência (nem imaginam vocês porquê!). Velhas feridas descobertas, perigo constante ... e finalmente, nos últimos tempos, um bom filme neste género.

"The Descent" (que espero que na futura tradução para português mantenha o mistério do título original e não estrague tudo com um "título-spoiler") é um passo enorme para o realizador britânico Neil Marshall, autor de "Dog Soldiers", bem aceite então pela critíca, mas que não tive ainda o prazer de visionar. Este terá sido o seu salto definitivo para o reconhecimento, pois "The Descent" já foi considerado pela maior parte da critíca internacional como o melhor filme de terror do ano. Certo que o é, ou será para muitos, devido à fraca qualidade da maior parte da "escumalha" (nesta altura devia ter cuidado com esta palavra) que tem sido feita, mas "The Descent" tem, também, muito mérito.

A banalidade da ideia base do argumento é combatida com muito sangue, muito claustrofobismo e muita, muita escuridão. E qualquer um destes aspectos mantêm um constante crescimento durante o filme, o que nos entusiasma e seduz. Mas, nem tudo são rosas. Todo o factor psicológico parece desaparecer a meio do filme, com um enorme e brilhante susto (um dos melhores momentos do ano, a lembrar uma cena de "Silêncio dos Inocentes" ou mesmo de "The Blair Witch Project"), passando todo o inexplicável a instantemente explicável e terrivelmente violento. Foi uma dipolaridade de sentimentos - por um lado extremamente feliz e arrepiado com o terrível susto que havia tomado, por outro extremamente triste por todo o terror psicológico passar, a partir daquele momento, a físico - que mais tarde, com tanta escuridão, foi atenuada. Ou seja, a mistura claustrofobia/escuridão conseguiu ser suficientemente psicológica para me agarrar.

Podem achar o que disse anteriormente extremamente confuso, mas é muito difícil falar de "The Descent" sem revelar uma única das muitas surpresas que vos vão acontecer. O melhor será mesmo partirem para esta aventura como eu: completamente às escuras (ora, nem mais nem menos) sobre o que ia ver. Como tal, resta apenas mencionar a excelente performance de todo o elenco, cheio de garra e emoção e do trabalho tecnicamente irrepreensível de Neil Marshall. Pena não poder discutir aqui o seu final, bastante ambíguo, que irá certamente originar diversas teorias. Tal como li num local de critíca, "The Descent" "não será propriamente uma obra-prima do terror mas estará seguramente num patamar que é inacessível para a grande maioria das produções mainstream de Hollywood." Mai nada!

sexta-feira, novembro 11, 2005

Mas que raios... (II)

Diego Armando Maradona e Colin Farrell

quinta-feira, novembro 10, 2005

Dark Water (2005)


O argumento de "Dark Water" traz poucas novidades: uma mãe divorciada disputa a custódia da filha com o ex-marido, refugiando-se, por razões económicas, num prédio degradado, onde se confronta com um bizarro porteiro (um Pete Postlethwaite perturbante) e com misteriosas infiltrações e inundações de uma água escura. Tudo se adensa com uma história da fantasmática presença de uma criança abandonada pelos pais naquele mesmo prédio e com os problemas mentais de Dahlia (a brilhante e bonita Jennifer Connelly), que a acompanham desde miúda, devido também, coicidência das coicidências, a uma infância infeliz e problemática.

Mesmo sem conhecer o original japonês de Hideo Nakata, diz quem o viu que haverá fortes coincidências na criação de atmosferas e na construção de cenários. Mas importa destacar que a principal força do filme reside no ambiente de paranóia prevalecente, obrigando a protagonista a um complexo percurso de terror, que atrai o espectador, não pelo seu nível assustador, mas como disse anteriormente, pelo ambiente paranóico criado em volta das personagens. Ou seja, se era suposto aterrorizar o espectador, então os objectivos não foram alcançados, pois desde o "flashback", mostrando a protagonista em criança, abandonada pela mãe, até aos passos no andar de cima e as omnipresentes águas que caem em gota ou em catadupa, tudo apresenta um terror exposto, denunciado, explicado, logo, muito pouco "terrífico".

Ganha muitos pontos toda a história, com a coragem implicíta de um final difícil e pesado, contrariando o costume, em que tudo fica bem e resolvido. Não foi usado, como é costume no género, um final aterrador, repleto de acção mas previsível, em que já sabemos quem irá triunfar no fim. Escolheu-se o caminho díficil, imprevisível e possivelmente bastante triste para o espectador, mas que ao mesmo tempo, reflecte o seu lado moralista de amor, num filme, que supostamente, não teria esse objectivo à partida. Depois das desilusões que foram os "remakes" de "Ringu" e "The Grudge", aposto que mesmo tendo visto o original, este "Dark Water" não me teria desiludido. E isso já é um bom começo, para os mais que comuns e recentes remakes americanizados do mercado oriental. Mas como uma cópia é sempre pior que o original (já dizia o nosso Mourinho!), lá vou eu procurar algures por aí a obra de Nakata.

terça-feira, novembro 08, 2005

Mas que raios...

Segundo o meu contador de visitas da Seo-Blog, este é o top ten de palavras ou expressões usadas em vários motores de busca que direcionaram alguns infelizes para o meu blog, pelos vistos, bastante enganados e distantes do objectivo principal:

Top 10 Keywords (para aumentar o suspanse, começamos pelo fim!)

10 - Video Carla Matadinho
9 - Carla Matadinho Sorte Nula
8 - Sorte Nula Carla Matadinho Video
7 - Posições Estranhas Kamasutra (realmente fantástico... o meu blog está muito à frente!)
6 - Triumph Isabel Figueira
5 - Carla Matadinho Nua
4 - Matadinho / Isabel Figueira Triumph
3 - Rachel McAdams (O quê?? O nome de uma verdadeira actriz levou alguém ao CN? Sinto-me ultrajado!)
2 - Bond Girls
1 - Carla Matadinho

Ou seja, o Cinema Notebook é oficialmente, de hoje em diante, considerado um marco no refriamento de qualquer acção masturbadora por parte de por"tugas" rebarbados. E de um ou outro ucraniano. Viva o CN!

Ah é verdade, e provavelmente com este post lá vamos enganar mais uns quantos no Google ou no Sapo.

domingo, novembro 06, 2005

Double Team (1997)


Apesar de ser um dos melhores agentes anti-terrorista, Jack Quinn (Jean-Claude Van Damme) quer largar o mundo de espionagem. Mas, na sua última missão, acaba por falhar o alvo - o perigoso e enigmático terrorista Stavros (Mickey Rourke) - e perde tudo numa fracção de segundo. Quinn acorda na "Colónia", uma espécie de prisão para espiões que são demasiado perigosos para estarem à solta, mas valiosos demais para serem aniquilados. Agora a sua família tornou-se o alvo da mortífera vingança de Stavros e só um homem consegue colocar Quinn de volta em acção: Yaz (Dennis Rodman), um traficante de armas com um gosto especial pela destruição e por se meter em sarilhos. Embora não pertençam a nenhum exército e não se guiem pelas normas, juntos formaram para mim, sem dúvida, uma das duplas mais divertidas dos "action-flicks" da já longa história do cinema. E sem qualquer dúvida, tornaram este, no melhor e talvez único filme "comestível" de Jean-Claude Vand Damme.

Completamente arrasado pela critíca e pelo público em geral, não tenho quaisquer problemas em afirmar que "Duplo Team" divertiu-me e extasiou-me imenso, cada uma das vezes que o vi e voltei a ver na televisão portuguesa. E muito menos em afirmar algo que foi reconhecido por todos, mesmo pelos que o criticaram: a realização do então estreante em Hollywood (apesar de uma carreira já longa no género no mundo oriental) Hark Tsui conta com momentos geniais e com um ritmo absolutamente frenético. E até Dennis Rodman, com uma personagem que se confunde completamente com o próprio, esteve ao seu melhor nível (nada de especial mesmo assim) e não desiludiu nada, contribuindo mesmo e muito para o "franchising" e "venda" do filme.

Como tal, e a meu ver, "Double Team" é dos filmes mais injustamente sub-valorizados dos anos 90. Como é óbvio, não o poderemos comparar a filmes de "cérebro mode-on", mas quando vemos filmes do género, claramente mais fracos, com piores realizações mas com um elenco que não conta com Van Damme ou Stallone serem bem ou medianamente aceites por quem os vê, não estará na altura de perguntar simplesmente "Porquê?" e afirmar que é bom ser rasca e diferente. Todos criticam quando aparece algo de diferente, eu critico normalmente neste estilo ser sempre tudo o mesmo, sem ideias inovadoras e "comic reliefs" como este filme teve. E fica a pergunta... Será que existe algum de vocês que nunca tenha visto o nota 8 "Double Team"?



Nota de Redacção: Sim, a capa do filme é completamente aberrante!

sexta-feira, novembro 04, 2005

Blogue da Semana: Escrever Cinema


Escrever Cinema, de Daniel Pereira, é, sem qualquer margem para dúvidas, em termos de diversidade histórica das suas critícas de cinema, o mais completo local da blogosfera nacional. Sempre com a devida contextualização histórica, fundamental em qualquer análise, Daniel Pereira fala-nos, perdão, escreve-nos sobre os mais diversos filmes, das mais variadas alturas e culturas.

Com um conteúdo nostálgico e raro de encontrar, em português, seja onde fôr, tomamos conhecimento ou reconhecimento de filmes muitas vezes esquecidos, mesmo na memória dos mais acutilantes e aguerridos cinéfilos. Com um visual simples e despreocupado, uma escrita correcta e completa, Escrever Cinema é um marco na blogosfera devido à sua diversidade e raridade, no que toca a filmes revisionados, pecando apenas, pela falta de uma lista na página principal desses mesmos filmes anteriores já comentados, que permitiria uma melhor navegação pela totalidade histórica do blogue. Assim sendo, Escrever Cinema, deve passar a ser, para todos vós que ainda não o conhecem, um lugar de visita usual obrigatória. Actualização constante, garanto-vos, não vos irá faltar.

http://escrevercinema.blogspot.com

quarta-feira, novembro 02, 2005

The Glass House (2001)


Quando os pais de Ruby (Sobieski) e Rhett morrem num acidente de automóvel, a sua despreocupada vivência de adolescentes cai por terra. Mudar-se para a incrível casa de Malibu dos Glass (velhos amigos e vizinhos da família) parece ser o princípio de uma nova vida para eles. Mas Ruby depara-se pouco depois com informações que a levam a suspeitar que os seus novos tutores podem ter alguma coisa a ver com a morte dos pais. Agora, ela vê-se sozinha num duelo com o implacável e terrível casal. A razão? Ela é o único obstáculo entre o casal e a herança de quatro milhões de dólares que os seus pais deixaram.

Rotulado de assustador thriller psicológico, "The Glass House" foi a minha escolha para o dia das bruxas. Com Leelee Sobieski, Diane Lane e Stellan Skarsgard, pensei, efectivamente, que o rótulo, o título e este elenco me proporcionasse uma boa sessão de cinema, de acordo com o dia em que estava. Desde o seu início, com um ritmo elevado, "A Casa de Vidro" poderia ter sido muito, mas muito melhor, não tivesse o seu realizador caído na tentação de fazer tudo bater certo, de forma completamente previsível e com um final que agradasse a gregos e a troianos. Com excelentes rasgos de genialidade em algumas cenas, que realmente provocaram alguma tensão, o desfecho e as suas causas são praticamente perceptíveis desde o primeiro quarto de hora. Foi pena que o realizador não tivesse confiado na audiência e tentado fazer algo de inesperado, em vez da "porcaria" do costume, que agrada aos produtores. Melhores tempos virão. Por agora, e principalmente pelo bom desempenho do trio principal, sai uma sequência (5/10) para "A Casa de Vidro"!

segunda-feira, outubro 31, 2005

Dodgeball (2004)


Peter LaFleur é o carismático proprietário de um decadente ginásio chamado “Average Joe”, cheio de divídas e que dentro de um mês, será comprado pelo seu concorrente White Goodman, poderoso desportista de Fu-Manchu-d e egomaníaco dono do ginásio “Globo”, um moderno clube de “fitness”. Para que “Average Joe” sobreviva e não feche as portas, Peter precisa de 50 mil dólares, decidindo então entrar no torneio nacional anual de “Dodgeball” (jogo do mata).

Em bom inglês, "This Sucks!". Que é como quem diz, "Mas que porra é esta?" Sem piada, mais previsível que a liga inglesa e completamente estúpido e ridículo (só por isto já perceberam que está para lá metido o Ben Stiller não já?). A todos os níveis, "Uma Questão de... Bolas" está repleto de clichés e tiques habituais nestas andanças, seja nas personagens vazias, seja na estupidez e previsibilidade do argumento. Gargalhadas comuns? Aquelas que a bola ou lá o que fosse acertava na tomatada de alguém? É esta a definição de uma boa comédia? Pelos vistos, e para muitos, umas "boladas na saca" bastam.

No elenco, Vince Vaughn teve um papel à sua altura, ou seja fraquito e quanto a Ben Stiller, já nem o consigo ver à frente. Se "Starksy and Hutch" já foi péssimo, este consegue ser ainda pior. Comédia não tem que ser estupidez. E que tal alguma inovação nas personagens que aceita? De resto, safam-se os cameos de David Hasselhoff (o nosso Mitch Buchannon/Michael Knight) e de Chuck Norris. O de Lance Armstrong, arghhhh, horrível! Aquilo era suposto ser uma lição? Dediquem-se mas é à pesca e levem lá com um par de duques (2)!

domingo, outubro 30, 2005

Perdão, como disse?!? (I)

Apocalipse Now , por David Santos em Cinefilosofia

"Heart of Darkness – Apocalipse Now : entre Conrad e Coppola, no eixo negro em que nos moveremos nesta breve reflexão, ocuparnos-nos-á apenas e tão-somente o que de nodular diz respeito aos filigrânicos matizes e poliédricos cintilares que mais nos parecerem relevantes no trânsito tantas vezes crítico de duas obras que metafisicamente nos parecem ponto sintomático (...) mas certamente gravitando em torno do mesmo coronário e violento centro que as determina em direcção à rumorosa escuridão fechada do mais imo do Ser e seu retirar-se para a presença do ente no seu todo. (...) A dilaceração originária do quase-nada que é tudo, de Kurtz, surpreende-se exactamente no facto de que ele, como infinito se torna finito enquanto objecto do sacrifício (...) A queda para o ser-aí da consciência tética de si mesma é o núcleo vazio e negro do que imóvel se doa apenas no seu retirar-se para a sua morte em poema. Kurtz é o Deus que lê poesia, a estranha sobrevalorização da sua voz e da sua eloquência são tradução da absolutidade da sua vontade criadora ; a selva olha os vagabundos que a penetram – este autoposicionamento na finitude é um instalar-se conquistador na feminina e caótica fissura que em verdade impulsiona este ser-posto. O caminho do rio, o caminho por um simbólico originário panta khorei nada mais é senão o caminho do ser sobre si mesmo, é o arrancamento em instâse da consciência natural: o perder-se para a morte colossal de Deus corresponde ao acto de Horror metafísico da auto-limitação do ser, do seu sacrifício primordial para que de novo a mentira habite o possível. (...)

http://cinefilosofia.com.sapo.pt/artigos/conteudo/apocdavid.htm

sábado, outubro 29, 2005

House of Wax (2005)


Um grupo de amigos decide viajar de carro para assistir ao decisivo e mais importante jogo do ano do campeonato de futebol americano. Fez-se tarde e os "teenagers" lá decidiram acampar no meio do nada para lá passar a noite. Depois de uma cena um bocado assustadora, lá foram "chonar" e ao acordarem um dos carros tinha a correia de transmissão partida. Lá aceitam a boleia de um desconhecido a uma cidade ali perto (que nem sequer aparecia no GPS do "tunning" lá do grupo) e enquanto esperam pelo dono da loja de serviço, supostamente no funeral da sua mãe, descobrem que a principal atracção turística da terrazinha era uma "Casa de Cera". E depois...? Sangue, muito sangue!

Ao contrário da maioria, "House of Wax" surpreendeu-me e bastante. Estava à espera de uma terrível banhada, ainda para mais tendo em conta que recentemente tinha visto o original de 1953 (http://cinemanotebook.blogspot.com/2005/06/house-of-wax-1953.html) e este supostamente era um remake do mesmo. Não tendo achado o da década de 50 nada por aí além, e respeitando a morfopsicológica teoria dos remakes ( Bom -> Médio ; Médio -> Mau ; Mau -> Minha Nossa Senhora, Livrai-nos disto!), "Casa da Cera" de Collet-Serra, foi efectivamente uma boa surpresa.

Com "gore" quanto baste e mortes bastante decentes e imaginativas, "House of Wax" conta ainda com vários momentos de genialidade grotesca. Com a bela Elisha Cuthbert ("24", "The Girl Next Door") a atrair o público masculino e o "Justin Timberlake II", Chad Murray a atrair o feminino, Collet-Serra consegue ainda um importante trunfo a nível comercial: Paris Hilton.
Sim, não estou parvo. É óbvio que de actriz, Hilton tem muito pouco. Mas não se esqueçam que aquela "noite em Paris" vendeu que se fartou.

Assim sendo, se virem "House of Wax" pelo puro divertimento do típico "slasher-movie", pelas interessantes cenas de gore/mortes, e não pela procura de razões para que aquilo ou aquele não fosse possível (já vi por aí tanta porcaria: a cera estava quente e queimava-os, aquilo não podia ter acontecido porque... etc...) e esperando um argumento de génio, sairão certamente agradados. E não haja dúvidas, "House of Wax" 2005 é bem melhor que o de 1953. Acontece!

Sai um Full House (7) para o gémeo siamês!

quinta-feira, outubro 27, 2005

Wag the Dog (1997)


Realizado por Barry Levinson ("Rain Man", "Sleepers", "Good Morning Vietnam"), "Wag the Dog" é uma das mais duras sátiras já feitas ao sistema político americano. Pena foi, que devido a diversos rasgos de genialidade que nos fizerem esboçar largos sorrisos, "Manobras na Casa Branca" (ai este facilitismo infeliz das traduções) se afastasse demasiado da realidade, criando situações extremas, que na vida real seriam mesmo impossíveis de esconder. Se como sátira, as diversas ideias e planos funcionaram eficazmente, o enredo em si ficou a perder totalmente. Ou seja, quando o filme passa de situações satirícas pausíveis para uma sátira pura e crua, o argumento perde toda a lógica e passamos puramente a assistir a um "desafio" ao poder. Não é mau de todo, mas Levinson poderia ter tentado encontrar um equílibrio e fazer algo memorável.

O argumento parece que preveu o que mais tarde viria a acontecer com Bill Clinton: um presidente à beira da reeleição é envolvido num escândalo de abuso sexual de uma rapariga que visitava a Casa Branca. Não se chega a saber se o episódio é verdadeiro – porque o que conta é a percepção –, como não se chega sequer a ver o presidente propriamente dito. O protagonista é o marketing, o dominío dos "media" sobre o povo.

Num primeiro momento, é chamado um “Mr. fix-it” (Robert de Niro), o consultor de imagem das situações apertadas, que, para começar, decide adiar por 24 horas o regresso do presidente, na altura em viagem oficial à China. Justificação? Dizer que tem uma gripe e desmentir ele próprio, assim do nada, que o verdadeiro motivo do adiamento se deve a uma negociação difícil sobre bombas nucleares. A repercussão é imediata e mediática: o desmentido cria o rumor de um problema grave nuclear. E assim do nada lá foi a notícia do escândalo sexual para segundo plano. O problema é que uma suposta negociação dura apenas um ciclo noticioso e as eleições estão a dez dias de distancia. O que fazer? Uma guerra na TV. Como? Contratando um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman). E assim temos durante 10 dias uma guerra que verdadeiramente não existe, mas que é acompanhada nos telejornais norte-americanos e que fortalece a necessidade da continuidade do actual presidente norte-americano. Presidente de País em guerra, dizem os compêndios, tem a vitória assegurada. A Nação une-se em torno do líder, as sondagens tornam-se mais optimistas, a reeleição é canja. Ponto final parágrafo!

Com um elenco de luxo, todos com representações seguras, uma ideia forte e vários momentos de genialidade, podemos afirmar então que "Wag the Dog" poderia mesmo ter sido brilhante a todos os níveis. Não o foi, mas a mensagem foi clara e passou ao público: as aparências iludem!

quarta-feira, outubro 26, 2005

Blogue da Semana: Gonn1000


Pois é, muitos de vós, senão mesmo todos, já devem conhecer o blogue Gonn1000. De qualquer maneira, todo o louvor ao magnífico e desgastante trabalho e empenho de Gonçalo Sá, neste blogue, nunca será pouco. Seja música, seja teatro, seja literatura ou cinema, toda a cultura é analisada e discutida no Gonn1000. De uma forma complexa e profunda, Gonçalo analisa os mais diversos temas, parecendo ter dias de 60 horas e semanas de 10 dias, tal é a diversidade e constante actualização do seu espaço. E se tivermos em conta que o mesmo ainda colabora noutros blogues...

Gonn1000 é, neste momento, não só um blogue mais do que completo sobre toda a cultura artística nacional e internacional, como um local informativo. Um espaço onde ficamos a par das últimas tendências discográficas e cinematográficas, com uma linguagem simples mas eficaz. E em Português!

http://www.gonn1000.blogspot.com/

terça-feira, outubro 25, 2005

Recordar é Viver: Ciclo de Memória Xunga - Cartoons


Cartoons para crianças de 30 anos (ou mais)
Por dubois, originalmente postado no dia 8 de Agosto, no seu blogue, Cinema Xunga.


"Geração criada a Tom Sawyer, Conan Future Boy, Verão Azul e que já entradotes ainda viam a Rua Sésamo...

Todas as gerações têm as suas características. Aqueles que eram crianças nos anos 50 e 60 gostarão para sempre de Westerns e Gladiadores. Os putos mais recentes irão jogar videogames até terem 90 anos. No que me diz respeito, a geração nascida nos anos 70, irá sempre gostar de desenhos animados. Mesmo nos trintas, a grande máquina americana não se esquece de nós e continua a produzir em massa quantidades massivas de séries cartoon para crianças grandes. Aqui fica um resumo incompleto e a raspar a superfície.


..:: DUCKMAN ::..

O mestre será sempre o mestre. Duckman era a alegria de segunda-feira (ou terça?) há uns 10 anitos atrás. Duckman era um detective privado desprovido de moral. O seu lema com os clientes do sexo feminino era "Só as queremos ver oleadas e semi-conscientes". O seu ajudante, responsável por resolver 100% dos casos era um porco intelectual de voz profunda chamado Cornfed. Tinha dois ajudantes bastante "fofinhos" de peluche chamados Fluffy e Uranus aos quais aconteciam sempre coisas, digamos, desagradáveis. Vive com a irmã gémea da sua falecida esposa que odeia de morte. Tem três filhos. Dois dos quais vivem no mesmo corpo com duas cabeças, são Charles e Mambo. O outro filho de QI 12 chama-se Ajax e é um grande pato estúpido que a tarefa de respirar ocupa 99% do seu cérebro.

Resta acrescentar que a voz de Duckman era do genial (esquecido?) Jason Alexander, também conhecido como George do Seinfeld. Aliás, Duckman e George partilham as mesmas características de personalidade.


..:: THE CRITIC ::..

Esta série fala-nos de Jay Sherman, um crítico de cinema de Nova Iorque com um programa de TV. Começa sempre com um clip de um filme qualquer, normalmente um blockbuster conhecido ligeiramente modificado, e a crítica de Sherman eram sempre "It Stinks". Além das críticas de cinema tinha imensas cenas em que eram ridicularizados imensas personalidades do mundo do cinema e posto a céu aberto a imensa fossa que é Hollywood.

Sherman era baseado nos críticos idiotas americanos chamados Siskel e Ebert, que tem um meio idiota de classificar filmes que consiste em thumbs up e thumbs down. Além disso, Sherman era um patético homem, obeso e sem vida social que passava a vida a lamuriar-se dos seus apoquentos.

Era uma boa série, talvez percursora aqui do vosso Cinema Xunga, que teve pouca aderência. Dava também há uns 10 anos no segundo canal, às 2 da madrugada e apenas estudantes bêbados e sem grande coisa com que preencher as horas viam, como era o meu caso. Foi bastante ignorada, apesar de boa, e acabou por se esfumar em nada. A qualidade nem sempre se safa, e neste caso era uma série para um nicho de mercado bastante reduzido para dar lucro.


..:: THE SIMPSONS::..

Em primeiro lugar fica a pergunta: Quem não conhece os Simpsons?! Quem responder "Eu!" pode sair debaixo da pedra de onde estive durante os últimos 16 anos e atirar-se para baixo da linha do comboio. Se possível, um daqueles de 300 carruagens que transporta cimento ou aqueles enormes blocos de mármore.

Os Simpsons são, sem dúvida, a mais conhecida sitcom animada de todos os tempos. Aliás, atrevo-me mesmo a dizer que é capaz de ser a mais conhecida sitcom animada ou não. Não há muito a dizer acerca dos Simpsons, porque toda a gente que é gente conhece tudo o que há a saber. Apenas um assunto está no ar há mais de 10 anos: Simpsons, The Movie. O seu criador sempre disse que iria existir um filme dos Simpsons quando a série acabasse. O certo é que ele falou nisso na série 6 e já vamos na série 16 sem fim à vista.

Na minha humilde opinião, Os Simpsons deveriam acabar com dignidade em vez de definharem para o esquecimento. A cada novo episódio todas as situações são previsíveis, todos os personagens fazem o mesmo de sempre, todas as ofensas são light e mesmo ao nível de celebridades convidadas, a lista está a acabar. Não me levem a mal, sou grande fã, mas o que é demais também enjoa. Quem tem paciência para rever um dia em DVD 16x23 episódios? Não sei se estão a ver, mas são 368 episódios o que dá um total de 135 horas. Uma semana 24/7 de Simpsons com intervalos para almoço sem horas para dormir.


..:: BEAVIS AND BUTT-HEAD ::..

Hoje em dia é um facto quase esquecido, mas houve um tempo em que a MTV era um canal livre disponível por satélite. No tempo antes da TV Cabo, todos os prédios tinham uma antena parabólica (analógica, gigante) que distribuia meia dúzia de canais pelos condóminos. Era um tempo em que a MTV Europe era um canal alternativo, com boa música e boa TV. Vivia-se o tempo do grunge, do britpop e o power rock irlandês. O tempo em que os Therapy? eram uma granda banda, antes de andarem por aí bêbedos em todas as queimas das fitas.

Havia uma série animada chamada Beavis And Butt-Head que intercalava crítica a videoclips com as aventuras destes 2 teenagers anormais e retardados que traziam à superfícia toda a idiotice da América redneck (e não só). Só pela crítica musical, esta série já valia a pena. Grandes bandas foram criadas pela máquina Beavis and Butt-Head. De repente só me lembro dos White Zombie, mas decerto haverá mais uma ou outra. Também grandes bandas eram ridicularizadas, claro... Os Metallica eram os bombos da festa.

Beavis and Butt-Head eram 2 adolescentes preguiçosos, retardados e completamente alheados da realidade. A sua missão da vida era um dia comer uma gaja. Claro que as oportunidades eram mais que muitas mas eles, estúpidos, acabavam por desperdiçar tudo. Jovens headbangers, gostavam de metal, mas eram altamente influenciados pela TV. Criaram um extenso vocabulário que ainda hoje é usado pelos teens americanos e a sua maneira de rir ainda hoje é lembrada por todos os que viam.

Mais tarde ainda saiu um filme chamado Beavis and Butt-Head Do America e na minha opinião foi a cereja em cima do bolo. Claro que tudo tem um tempo para existir e esta série em boa altura acabou, deixando saudade aos fans."

http://cinemaxunga.blogspot.com/2005/08/ciclo-memas-de-30-anos-ou-mais-v.html

domingo, outubro 23, 2005

Minority Report (2002)


Washington 2054. O departamento Pré-Crime revolucionou a sociedade. O método: um grupo de três seres "pós-humanos" - pre-cogs - prevê a intenção de crime (literalmente, vê o crime) e lança o alerta (as imagens); imediatamente, um grupo de polícias apreende o potencial criminoso antes do acontecimento. O resultado: a erradicação do homicídio. Este é um mundo que encontrou nos pre-cogs novos deuses, mantidos num uterino e tecnológico templo aquoso, um laboratório. O seu sacerdote mais poderoso é John Anderton (Tom Cruise), o polícia que chefia o departamento. Finalmente, é um mundo em que os limites temporais se anularam e o futuro se tornou permanentemente presente em visões definitivas: "Can you see?", pergunta a pre-cog Agatha (Samantha Morton). Aparentemente.

No entanto, esta sociedade perfeita, este sistema infalível, vão ser postos em causa pelo seu maior defensor - quando John Anderton vê e manipula as imagens que o incriminam como futuro assassino. Como John afirma aos antigos colegas que agora o perseguem: "Everybody runs". Mas, quem é John Anderton? Um homem confrontado com o paradoxo temporal de provar uma inocência futura já afirmada como falsa. E tem apenas poucas horas para o fazer.

Esteticamente o filme é quase perfeito. As ideias futuristas, toda a tecnologia ao serviço das forças da lei de tal maneira que já é possível prever os crimes, tudo está muito bem imaginado. Porém há algumas discrepâncias difíceis de entender. Temos assim dois mundos. Um super avançado tecnologicamente com estradas verticais e carros ultra sónicos e outro super sujo e degradante onde desaparece a super tecnologia. Até podemos considerar esta diferença como uma ironia, pois em certo ponto do filme surge uma frase que poderá nos indicar esse sentido. “Inventam tudo menos a cura para a gripe” ou seja toda a disparidade pode ser explicada pela prioridade nos avanços tecnológicos. Curiosamente este aspecto do filme pode ser encarado como uma visão literária onde fica em aberto o porquê desta disparidade. Imaginem e criem a razão!No fundo de tudo isto está a mensagem subliminar...somos ou não capazes de mudar o nosso destino? Será possível a falha num sistema aparentemente “intocável”?

A principal desvantagem do argumento foi a ausência de personagens secundárias de verdadeiro valor na acção, o que limitou as opções de mistério e de quem estaria por trás de tudo. Uma delas seria demasiado óbvia, logo, só poderia ser a outra o que retira alguma surpresa ao filme. Que não se pense porém que o filme é fácil de captar e que à partida já tudo se sabe. Não é assim, e Spilberg conseguiu criar uma boa teia e sequência lógica ao qual só faltou aquele click final de genialidade. De resto, a realização foi acima da média, tal como a fotografia, e as interpretações principais brilhantes. Tom Cruise, provou aqui, que não é apenas um bom actor. É, de facto, um excelente actor. Quer queiram, quer não. E como tal, sai um Poker, que é como quem diz, um Four of a Kind.

sábado, outubro 22, 2005

Recordar é Viver: O Futuro do Cinema


O Futuro do Cinema
Por Miguel Batista, originalmente postado no dia 9 de Setembro, no seu blogue, Black Spot.

" Estamos em 2005 e o cinema surgiu há mais de 100 anos. Arte relativamente recente, nova em comparação com tantas outras, desde a pintura (cujas raízes remontam à pré-história) à escultura, arte proveniente também da idade da pedra. Talvez por isso, seja altura de se olhar para trás, mas principalmente, supor o que, de futuro, nos espera neste vasto campo da arte/cultura.

Vão desabrochando obras (alguns mesmo produtos) completamente filmados em estúdio, uma vez que filmar um filme em estúdio é muito mais barato, obviamente, do que filmar no exterior. Entre esses obras, encontram-se os relativamente recentes Sky Captain e Sin City, ambas obras razoáveis, que funcionam como entretenimento eficaz. Por agora, é engraçado ver um filme e pensar que os únicos elementes reais lá presentes são os actores e alguns objectos, mas futuramente, será assim tão engraçado constatar que parte dos filmes que estream são filmados em estúdio e cujos cenários e tudo o resto, à parte dos actores, é criado digitalmente, não havendo portanto interacção com o mundo exterior? (...)

(...) porquê recriar o mundo recorrendo à tecnologia, quando este existe e está pronto e disposto a ser filmado? Para se poupar dinheiro? É verdade, poupar dinheiro é a principal razão pela qual se vai adoptar cada vez mais os métodos green-screen ou blue-screen. Então e será que assim não se perderá a alma do cinema, que faz com que este esteja em contacto com a realidade, e, em muitas vezes, apenas se baseia nela para a enfatizar e criar algo mais fantástico, tudo isto por questões económicas? Não me parece justo, para nós espectadores, que gerações futuras de pessoas na mesma posição que nós não possam desfrutar de um Lost In Translation ou um 21 Grams, ambos filmes do ano passado, que retratam a vida tal como ela é, não precisando de recorrer a nenhuma tecnologia, usufruindo apenas do seu argumento e da sua simplicidade para chegar até ao público. (...) Com argumentos fracos, e vivendo apenas dos efeitos especiais, do que vai viver o cinema?

Outra coisa que depende do rumo que lhe derem, se para o bem ou para mal, é a adopção do formato digital em vez das clássicas películas. Tivémos recentemente um exemplo bem concreto de êxito que foi Collateral, quase totalmente filmado em digital, não perdendo assim as sensações que o cinema provoca em nós, e permitindo ao espectador respirar cinema no filme em questão. Tal se deve, é também verdade, à mestria de Mann e ao trivial de cores criado pela fotografia. Na melhor das hipóteses, o formato digital pode servir apenas para alguns casos, continuando a película a liderar o ranking de popularidade, pior será se o digital substituir a película, algo em que nem pensar é bom. Afinal quem é que não gosta de ver alguns riscos na película quando um filme é exibido? Isso faz ou não parte do cinema? Eu cá acho que faz, e o cinema dificilmente poderá viver sem isso, pois se esta desaparecer, o cinema deixa de ser uma arte para ser algo que não tem um nome deifinido, que se limita a criar anúncios e videclip, mas com uma ligeira diferença na duração.

Onde quero eu chegar com isto tudo? Que o futuro do cinema se deve a escolhas que têm de ser tomadas agora, e têm de se ser bastante prudente, não caindo em falsas ilusões, como a de gastar menos dinheiro e facturar mais, mas em vez de uma filmagem de um prédio apresentar também um prédio sim, mas que afinal se resume a pixels, que não existe, portanto. O futuro do cinema pode ou não ser promissor, tudo depende de quem está à frente dele e das escolhas que fizer agora. Mas lembrem-se, não destruam o cinema por motivos económicos, pois aí ele deixa de ser cinema para passar a ser a fonte de rendimento de algumas famílias. Há coisas que o dinheiro não compra, ou melhor, não deveria comprar. "

http://miguel12.blog-city.com/o_futuro_do_cinema.htm

quinta-feira, outubro 20, 2005

Cocktail (1988)

“I am the last barman poet. I see America drinking the fabulous cocktails I make. Americans getting stinky on something I stir or shake. The sex on the beach. The schnapps made from peach. The velvet hammer. The alabama slammer. I make things with juice and froth. The pink squirrel. The 3-toed sloth. I make drinks so sweet and snazzy. The iced tea. The Kamikaze. The orgasm. The death spasm. The Singapore sling. The dingaling. America you’ve just been devoted to every flavor I got. But if you really want to get loaded, why don’t you just order a shot? Bar is open”

E assim acaba o filme. "O" filme que indubitavelmente lançou Tom Cruise como um "Most Wanted" pelo sexo femenino de todo o mundo. Mas muito mais do que isso... "Cocktail" é um filme sobre a esperança, a força da vontade, o amor e as desilusões da vida. "Cocktail" é um marco numa geração, um filme ordinário mas poderoso que muitos ainda hoje não se esqueceram certamente. "Cocktail" não é sobre copos, é sobre pessoas.

Após deixar o exército, Tom Cruise, ou melhor Brian Flanagan (clara homenagem ao inventor dos cocktails, que assim se chamava), um jovem muito ambicioso, tenta um emprego em Nova Yorque, sem sucesso no entanto devido à sua falta de formação escolar e universitária. Assim sendo, não lhe restou outra hipótese que não estudar e trabalhar ao mesmo tempo, de forma a conseguir sobreviver na "Big Apple". Como só podia trabalhar de noite, devido às aulas, começa a servir uns copos num bar, com o patrão Doug Coughlin, (Bryan Brown) um dos mais famosos "bartenders" da cidade. Mas a sua ambição não tinha limites e o seu comportamento na busca de algo maior começa a chocar com os que trabalha e com a sua namorada Jordan (a formidável e bela Elisabeth Shue). O resto é uma história de vida que muita esperança deu a quem o viu.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Blogue da Semana: Pasmos Filtrados


Pasmos Filtrados é, possivelmente, um dos melhores blogues cinéfilos do panorama nacional. Relativamente recente na blogosfera nacional (Maio de 2005), PF, é actualizado diariamente, seja com críticas extremamente bem estruturadas e completas, seja com antecipações ou com as últimas notícias e os já famosos "Momentos Zen".

Num excelente Português (o que é cada vez mais raro nos dias que correm), o seu autor, Francisco Mendes, cativa com os seus interessantes artigos e responde a todos os seus visitantes, numa simpática interacção, que em muito contribuiu para a rápida divulgação do blogue e seu desenvolvimento. Pasmos Filtrados, peca apenas a meu ver, e se me permites a deixa, caro Francisco, com a larga extensão de determinadas críticas, que, no caso do visitante não ter visionado o filme, se tornam muitas vezes cansativas e assustadoras.

De resto, se não conhece Pasmos Filtrados, aproveite agora que ainda não se paga a entrada. Se gosta de acompanhar o mundo cinéfilo a par e passo e em português, ficará certamente satisfeito.

http://pasmosfiltrados.blogspot.com

terça-feira, outubro 18, 2005

Nova Fase no Cinema Notebook!


Revolução!

Não existe melhor termo para o que já começou (em termos de aspecto) e o que vai começar a ocorrer sistematicamente a partir de amanhã, dia 18, no Cinema Notebook. Acabou o blogue que durante um ano apenas se dedicou a criticar os frutos principais da 7ª arte, as suas obras.

De forma a proporcionar uma actualização mais constante e uma melhor divulgação da blogosfera cinéfila nacional, o CN tentará enfrentar uma estrutura mais complexa que, desta vez, não se baseará apenas em criticas cinematográficas. Porque a blogosfera cinéfila nacional está de saúde e recomenda-se, o CN será também um espaço semanal de divulgação dos melhores artigos feitos por esse "mundo" fora, devidamente identificados e, também, de referência aos mais completos blogues do género.

Assim sendo, todas as Quartas-feiras, o CN premiará e divulgará o "Blogue da Semana", deixando os Sábados e as Terças-feiras para os "Melhores Posts Cinematográficos de Sempre" da blogosfera nacional. Mas é claro que o CN terá tempo para si mesmo: todas as Quintas-feiras e Domingos poderão continuar a comentar as critícas do costume.

E assim espero contribuir para o desenvolvimento e divulgação da blogosfera nacional de Cinema. Porque todos nós merecemos!

segunda-feira, outubro 17, 2005

Um ano de cinema "Blogástico" no CN!


Obrigado a todos os que comentaram e aos que ainda hoje comentam. Em Outubro de 2006 cá estarei novamente a agradecer, já com Portugal Campeão do Mundo de Futebol e com Tarantino finalmente decidido sobre o seu próximo projecto. Ah, e com a Angelina Jolie"zita" (apenas para os amigos) aqui a sacar imperiais!

Que nunca vos faltem gaijas!

quarta-feira, outubro 12, 2005

Scream (1996)


Enquanto se prepara para ver um filme de terror,uma jovem (Drew Barrymore) recebe uma chamada telefónica de alguém que a força a participar num jogo de trivialidades desse género cinematográfico. Em risco está a vida do namorado, e o excesso de confiança injectado com uma pergunta fácil para aquecer ("Halloween"), revela-se fatal perante uma rasteira na pergunta seguinte ("Sexta-Feira 13"). A notícia espalha-se pelo liceu e não é propriamente pânico que se gera. Os estudantes parecem achar tudo muito divertido, como qualquer adolescente num filme de terror. Sidney (Neve Campbell), cuja mãe foi assassinada há quase um ano atrás, começa também a receber telefonemas e a ser perseguida. Entretanto, uma repórter da zona, Gale Weathers (Courtney Cox), confronta-a novamente com o facto de que ela pode ter acusado, e levado ao corredor da morte, um inocente - o amante da mãe - e que o verdadeiro assassino está agora de volta.

"Scream" é um filme de terror auto-fágico, na medida em que se alimenta - mastiga e cospe fora - de referências que são debitadas a uma velocidade impressionante, condimentadas por uma lista interminável de in-jokes e clichés. Wes Craven dirige um filme que tem o difícil intuito de viver dos clichés dos slasher movies - em que os personagens agem muito inconscientemente, praticamente saltando contra as lâminas dos assassinos -, e contorná-los, decompondo-os, porque estes são personagens que viram muitos destes filmes e sabem o que não devem fazer.

"Scream", chegando a tocar no ridículo em vários momentos, consegue, mesmo assim, manter uma narrativa estável, que nos surpreende no fim. E são exactamente estes dois "opostos" as principais razões para o sucesso de "Gritos". Juntando ainda uma magnífica realização de Wes Craven, bem como a sua reputação, e entende-se o grande sucesso e alarido que este filme provocou por onde passou. Um filme que consegue deixar em muitos momentos com pele de galinha os espectadores, mesmo quando se estão a rir.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Silence of the Lambs (1991)



Um psicopata está a raptar e a assustar jovens mulheres por todo o oeste americano. Com o intuito de tentar perceber a mente do assassino, o FBI manda a agente Clarice Starling (Foster) entrevistar um prisioneiro demente que poderá fornecer informações psicológicas, bem como pistas para o comportamento do homicida. Este prisioneiro, o psiquiatra Hannibal Lecter (Hopkins), é um canibal assassino e extremamente inteligente, que só concordará em ajudar Starling se esta saciar a mórbida curiosidade de Lecter com detalhes da sua complicada vida. Esta relação deturpada obriga Starling não só a confrontar os seus próprios demónios, mas também a encarar, face a face, um louco e horrendo homicida, uma tão poderosa encarnação do mal que ela poderá não ter a coragem ou força suficiente para o travar.

"O Silêncio dos Inocentes", apesar de ter sido o primeiro filme de terror a ser premiado com o Óscar de Melhor Filme e ser um dos filmes do género mais bem amados pelo mundo fora, está longe de, quanto a mim, ser uma obra de arte. Não devido à sua maravilhosa realização, com pormenores sucolentos de Demme, até então pouco conhecido no meio, nem derivado às maravilhosas interpretações, que tão justamente premiaram mais tarde Hopkins e Foster. Não pelos maravilhosos "one-liners" e momentos simbólicos do filme, e muito menos pela arrepiante "encarnação" de Ted Levine como Bufallo Bill. Porquê então?

Pura e simplesmente devido à história principal do seu argumento, que, a meu ver, foi pouco explorada pelos guionistas do filme, apesar de, tal como referi anteriormente, ter sido aproveitada ao máximo, com momentos fantásticos (as cenas de visão nocturna já no final são delirantes) pelo realizador, que justamente ganhou também o óscar de Melhor Realizador. Aliás, repito, Foster, Hopkins e Demme transformaram este filme num delicioso (se é que se pode usar esta palavra relativamente a um filme de canibais) entusiasmo. Mas, com um argumento mais trabalhado em termos de assasíno e não tanto em Hannibal Lecter, "Silence of the Lambs" poderia ter sido muito melhor. Muito mesmo.

terça-feira, outubro 04, 2005

Days of Thunder (1990)



O acelerar dos motores. A febre das corridas profissionais de automóveis. "Dias de Tempestade" apresenta-nos as mais espetaculares corridas de carros alguma vez levadas ao ecrã... ou talvez não! Tom Cruise interpreta o papel do jovem condutor Cole Trickle, cujo talento e ambição se vêem superados pela necessidade constante de vencer. Descoberto por Tim Daland (Randy Quaid), um homem de negócios, Cole tem na equipa o lendário desenhador e construtor de carros, Harry Hogge (o enorme Robert Duvall). Mas um brutal acidente quase termina com a carreira de Cole, que só com a ajuda de uma bela doutora (Nicole Kidman) e de uma estranha amizade consegue readquirir a força que necessita para competir, ganhar e viver.

Antes de tudo, preciso de realizar uma leve confissão: Sim, sou admirador confesso do talento de Tom Cruise e da maioria dos seus filmes de "Eu quero e vou vencer!". Sim, e não sou gay! Esclarecido este aspecto, posso redimir-me o suficiente e dizer que "Days of Thunder" não é um grande filme, muito longe disso, sendo mesmo completamente previsível desde o primeiro ao último minuto. Mas dá pica!

Realizado pelo conceituado realizador Tony Scott e com uma banda sonora bastante animadora de Hans Zimmer, "Days of Thunder" é do longíquo tempo em que Tom Cruise não era "apanhado" pela cientologia, não fazia figuras na "Oprah" e não era esguichado em premieres. Nicole Kidman era "hot", bem "hot" e não entrava em 20 filmes por ano, como faz nos nossos dias. Duvall, esse sim, é e era grande, com uma enorme presença no ecrã.

Com duas ou três cenas muito boas, "Days of Thunder", peca, exactamente na sua essência: ser um filme sobre corridas de carros. Mas o elenco satifaz, o argumento "fora-de-pista" é suficientemente agradável, e, não chegando aos calcanhares de "Top Gun", consegue cativar e não decepcionar o menos sedento dos critícos ferozes de filmes à "le" Tom Cruise. Normalmente levaria um três estrelinhas, mas como conta com um Tom Cruise visualmente parecidissímo comigo (queria ele) , um Duvall no que faz melhor (papéis secundários) e uma Nicole Kidman ainda bem fresquinha, leva um quatrozinho fraquinho!

domingo, outubro 02, 2005

The 40 Year Old Virgin (2005)



Andy Stitzer (Steve Carrell) é o totó de serviço, fã de ficção científica e coleccionador de brinquedos cinéfilos e banda desenhada. Nunca pragueja ou deixa objecto fora do sítio, conduz uma bicicleta e tem como ponto alto do dia ver o "Survivor" na televisão com uma boa sanduíche de ovo. Ao descobrirem que Andy ainda tem "os três", os seus colegas da megastore de electrodomésticos fazem a perda de virgindade de Andy uma meta a alcançar - quer ele queira, quer não.

"Virgem aos 40 anos", é, antes de tudo, um filme bastante sobrevalorizado, devido a Steve Carrell, um ícone da comédia para muitos nos Estados Unidos e não só, devido à sua participação diária num famoso talk show norte americano. Steve Carrell é bom, a ideia é óptima mas o filme, como comédia (romance?) é francamente fraco e consegue apenas arrancar duas ou três gargalhadas, com momentos singulares que não dão consistência ao todo. Não fossem estas duas mais valias, e "Virgem aos 40 anos" teria todos os elementos que abomino numa comédia.

Nos Estados Unidos,"Virgem aos 40 Anos" tomou de surpresa as bilheteiras tornando-se no êxito inesperado do verão, consumando a vingança dos totós que, no momento, dão as cartas e ganham, o lugar de destaque no panorama cinematográfico. Mas, não se deixem enganar, este filme de Judd Apatow (série "Freeks and Geeks") está longe de ser algo especial dentro do género e não fosse Steve Carrell e provavelmente teria sido um fiasco. Continuamos assim à espera de algo de novo neste género. Enquanto esperamos, porque não relembrar um dos "Pink Panther" com Peter Sellers?

.: 5/10 :.