quarta-feira, setembro 23, 2009

Inglourious Basterds (2009)


V

"Sacanas sem Lei" não é um filme de acção, não é um filme rápido, não é exactamente um filme de guerra, sequer. E não é um filme de citações - ao contrário do esperado, "Inglourious Basterds" nem sequer vai beber assim tanta inspiração às fitas série B de war-sploitation como o "Inglorious Bastards" de Enzo Castellari. Em vez disso é, possivelmente, o filme mais incatalogável de Quentin Tarantino, uma celebração cinéfila que leva o espectador a pensar que vai ver sequências alucinantes de acção com milhares de figurantes e que, no fim de contas, vai concentrando a sua palavrosa acção, progressivamente, até juntar todos os peões da guerra, de forma desconcertante, no mais inesperado campo de batalha jamais mostrado num filme: um cinema! (1)

O oficial nazi Hans Landa, "caçador de judeus", é, simplesmente, a melhor personagem que Tarantino já criou - e, sim, estou a contar com o mercenário religioso de Samuel L. Jackson em "Pulp Fiction". O texto que o argumento lhe dá é grandioso, mas Waltz dá uma dimensão estrondosa a Landa, numa interpretação hipnótica e fervilhante de detalhes: cada pausa, cada mudança no olhar, cada gesto, cada palavra - raios, cada músculo, por pequeno que seja, que Christoph Waltz põe ao serviço desta criatura tão afável e educada quanto abjecta e mortífera, faz do Coronel Landa uma figura para a História do Cinema e, se houver justiça neste mundo, fará de Waltz uma das maiores e mais requisitadas estrelas do cinema mundial. Ele merece, e de que maneira. (1)

É verdade: "Sacanas sem Lei" é, no essencial, um filme de longos e elaboradíssimos diálogos através dos quais compreendemos que a identidade de cada um se está constantemente a decidir através da maior ou menor coincidência do seu corpo com a sua voz. Ou, se preferirem: da sua imagem com as suas palavras. Será preciso acrescentar que, em tempos de banalização digital, estamos perante uma complexa e exuberante celebração da dimensão mais carnal do cinema? (2)

(1) Nuno Markl
(2)
João Lopes

X

É diversão barata, entretenimento e onanismo. Aquilo que esperávamos ser à QT: diálogos curtos, incisivos desconcertantes e divertidos, numa combinação de humor e de uma propositada e exagerada violência, transformam-se numa longa verborreia e maçadora conversa (em vários idiomas) com pouca acção e muita pretensão. Até porque à partida é um filme de guerra. (3)

(3) José Vieira Mendes

12 comentários:

João Bastos disse...

O que para uns é chato e aborrecido, como os dialogos, para outros é puro cinema! Eu estou mais de acordo com Markl e Joao Lopes. E sim, Hans Landa, é daqueles personagens de ficar para a história.

Francisco Chaveiro Reis disse...

Markl , Markl!

Fifeco disse...

“aquilo que esperávamos ser à QT: diálogos curtos, incisivos desconcertantes e divertidos”… Diálogos curtos? Onde? Quando? Só para dar o exemplo de Pulp Fiction, temos diálogos de dez minutos. Sim, não têm 20 minutos de extensão como este mas não os apelidaria, de todo, curtos… E já agora, os diálogos não continuam a ser desconcertantes e divertidos?

Abraço

Uma dona babada disse...

lol

salvé Markl e Lopes!

buuuu JVM!



"Inglorious Basterds" é dos melhores filmes que já vi. O Landa é um dos melhores vilões de sempre. Tudo neste filme é excelente. E tenho dito. :P

Anónimo disse...

Críticos como o JVM que pensam k são inteligentes até irritam.

dfms disse...

boun giourno, o coronel caça-judeus e o brad pitt estão um espanto!

Fernando Ribeiro disse...

É por essas e por outras que já nem me dou ao trabalho de comprar a Premiere. Não querendo estar a pôr aqui em causa o trabalho de toda a equipa da revista, que acredito ser bastante, acho que os resultados a partir do relançamento têm sido claramente fracos. Mas como não é aqui que o Cinema Notebook quer chegar, apesar de compreender o que o JVM quer dizer, tenho de dizer que não concordo em nada e que este Inglourious Basterds é, sem dúvida alguma, o filme que Quentin Tarantino estava a precisar neste momento da sua carreira. E ainda bem que o realizador percebeu isso.

Abraço.

Anónimo disse...

O José Vieira Mendes percebe tanto de cinema como eu de física quântica...

Estive a ler a crítica ao filme do Markl e só o 1º parágrafo daquele texto expõe logo a minha incompreensão pelas opiniões falhadas e mal fundamentadas de quem não aprecia este filmaço!

Markl FTW!

José Vieira Mendes...como diria o Joe Berardo: FUCK YOU !!!

Abraço :)

abidos disse...

Para mim não é o melhor trabalho do Tarantino, mas o que o José Vieira Mendes escreveu, faz muito pouco sentido...!!!
Diz no final:'... à partida é um filme de guerra.'
Rotular as 'coisas', ainda antes de as saborear, dá normalmente em desilusão...

Posso dizer que muitas vezes discordo do João Lopes, mas desta vez o meu 'vizinho' até 'teve bem'...!!!

Markl podia-se dedicar a 100% à critica, muito bem...!!!

ana disse...

se não me engano, a crítica geral do joão lopes não abona nada ao filme de tarantino... a citação está fora de contexto..

Paulo disse...

João Lopes dá classificação máxima a Inglourious Basterds, e a citação está perfeitamente de acordo com isso. Já agora, eu também me rendi completamente a estes Sacanas.

Peter Gunn disse...

Sou mais um que tira o chapéu ao Tarantino depois desta demonstração do quanto inteligente e imprevisivel pode ser um filme por si escrito e realizado. Os diálogos são excelentes e a interpretação do Waltz é realmente de outro mundo.
Por tudo e mais alguma coisa tenho que concordar com o Markl e com o João Lopes, é um dos melhores filmes de entretenimento do ano!

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