quarta-feira, outubro 14, 2009

Take 19 - Outubro de 2009


Sacanas sem Lei

Seria politicamente correcto e moralmente salutar num círculo fechado e vicioso como é o que rodeia o cinema em Portugal – em todas as suas demais vertentes – nunca trazer para este espaço de opinião editorial um ou outro apontamento que se assemelhasse, mesmo que não tenha essa intenção, a um ataque à “concorrência”. “Concorrência” essa que, antes de mais, não existe e nunca existirá num mercado que tem espaço para mais do que uma publicação e em que a existência de uma não anula a outra. Diga-se a verdade, todos sabemos que o público a quem se dirige uma revista de cinema nunca ficará saciado com o mínimo e indispensável. Mais do que uma alternativa, qualquer publicação extra de cinema será sempre um complemento, seja para os cinéfilos portugueses, seja para quaisquer outros. Na Take, fomos os primeiros a saudar o regresso da Premiere portuguesa em Outubro do ano passado. Temos pena que, no sentido inverso, o sentimento de atracção moral não pareça ser o mesmo, segundo relatos de algumas conversas que acabaram por ser menos privadas do que era suposto. Isto tudo quando nem sequer actuamos na mesma plataforma. Será que algumas críticas e comparações menos desejadas custam a engolir?

Seguindo em frente, vejo este mês passado o director da maior e mais conceituada revista portuguesa de cinema presente nas bancas – ah, é verdade, a única – antever no seu editorial que com tantos “remakes” e “reboots” que aí vêm, “o cinema dos próximos tempos vai ser baralhar e dar mais do mesmo”. Na mesma edição, dá classificação máxima ao “remake” de “Assalto ao Metro 123” e classificação mínima ao inovador e refrescante – apesar de ser baseado (e não mais do que isso) num série-B de Enzo Castellari - “Sacanas sem Lei”, categorizando-o como “diversão barata” e os seus diálogos como “longa verborreia e maçadora conversa”. Longe de colocar em causa a opinião pessoal de cada cinéfilo sobre um determinado filme – essa será sempre indiscutível -, mas onde está a coerência? Como provocação – esta sim, verdadeira – resta-me citar as palavras de um dos nossos convidados desta edição, o gentil director de programação do “Douro Film Harvest”, Salvato Telles de Menezes, a propósito da última obra de Tarantino: “só quem é cego não capta o grandioso barroquismo técnico-formal de “Sacanas Sem Lei” e a ironia e a nostalgia que permeiam todas as imagens e todos os diálogos. Quanto à pirotecnia da violência, como disse William Faulkner algures, “cigarros e pijamas são coisas de mininos e de mulheres”. Et voilá...

http://take.com.pt/

3 comentários:

Carlos Martins disse...

Devem ser as "tradições futebolísticas" que correm no sangue de muitos portugueses que causem essas azias aos tais senhores que preferem fechar os olhos às mudanças que se assistem.

... É que, como disseste, nem se dão ao trabalho de ser coerentes... é só atirar da boca pra fora e pronto, ficam contentes (ou descontentes, ou lá que seja.)

Parabéns a mais uma edição da Take! :)

Nuno Pedro Fernandes disse...

já o disse uma vez e volto a repetí-lo. Esqueçam lá essas querelas. É um desperdício estar a gastar-se um editorial com fogo de artifício inócuo. Assim até parece que quem está preocupado com a "concorrência" são vocês.

Francisco Chaveiro Reis disse...

mais uma bela edição da Take!

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