domingo, novembro 29, 2009

Antevisão: Sherlock Holmes


A personagem mais famosa de Arthur Conan Doyle está de volta à ribalta, naquela que tudo indica será uma reinvenção ousada, divertida e complexa do detective britânico Sherlock Holmes e do seu fiel parceiro Watson. Ícone de gerações, o detective mais famoso do mundo irá aparentemente mostrar na tela de cinema dotes físicos tão excêntricos e eficazes como a sua brilhante inteligência, sempre atenta ao mais pequeno dos detalhes. Baseada num livro de banda desenhada ainda por publicar de Lionel Wigram – apostamos que sairá quase ao mesmo tempo que o filme -, a história da película do também britânico Guy Ritchie irá colocar Holmes e Watson numa batalha contra uma conspiração diabólica que poderá destruir o Reino Unido de norte a sul.

Muitos certamente não saberão, mas Sherlock Holmes é a personagem fictícia mais interpretada na história da indústria televisiva e cinematográfica mundial. Quem o diz é o livro do Guinness, que aponta para mais de setenta actores em cerca de duzentos filmes e séries de televisão. No entanto, certamente nunca nenhum actor o terá feito com o enquadramento que Robert Downey Jr. viu-se obrigado a transportar para o famoso detective. Além deste factor representar um sinal claro de originalidade e uma abordagem agradavelmente inesperada, certamente que o resultado da curiosidade de milhões de admiradores das “short stories” de Doyle significará muitos mais milhões nas bilheteiras de todo o mundo. Sim, porque Holmes é uma personagem cujas aventuras literárias quebraram fronteiras.

Mas será esta minha reacção de satisfação consensual? Obviamente que não. Um pouco por todo o lado, fãs da personagem acusam Ritchie de blasfémia. Ver Holmes de peito à mostra, ensanguentado, a correr entre explosões, certamente que não poderia agradar a gregos e troianos. “Não é essa a sua natureza”, diz a maioria. Mas não será mesmo?

Uma leitura atenta e cuidada a todas as obras de Holmes escritas por Doyle descrevem um detective adepto do boxe, mestre em várias artes marciais e especialista em lutas de espadas. Porque temos quase todos então uma imagem de Holmes vestido com um sobretudo, calmo e sereno, de cachimbo na boca e que, quanto muito, andará a cavalo na sua mais louca investigação? A resposta parece-me estar nas tais centenas de adaptações cinematográficas e televisivas que o rotularam dessa maneira. Por isso, e seguindo a audácia de Holmes, resta afirmar: elementar, caro Ritchie.

2 comentários:

Francisco Chaveiro Reis disse...

Parece-me ser interessante.

PS: O cinema descobriu a literatura inglesa este ano? Vejamos Um Conto de Natal, O Retrato de Dorian Gray ou este SH.

dfms disse...

Em pulgas! :)

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