sexta-feira, janeiro 07, 2011

Epifania jesuíta


Afirma certo editorial este mês, em relação à pirataria, que "por cada filme que se obtenha graciosamente, outro será impedido de ser produzido", colocando este "cangalheiro global" em causa também a sobrevivência de outras actividades relacionadas com a arte cinematográfica, como, imagine-se lá, uma revista de cinema. Meh. Tartufo.

2 comentários:

Roberto disse...

Discordo profundamente. tendo em conta a actual conjuntura sócio-económica, será o Cinema (tendo em conta seus actuais preços) privilégio de elites? O Cinema edificou o seu crescimento servindo de mural e escape para a crueldade da vida que nos imerge fora de uma sala. Hoje muitos são impedidos pelos cortes obrigatórios na despesa orçamental pessoal de procurar refúgio numa sala de Cinema. Então, onde está o mal de invocarmos seus efeitos terapeuticos para o nosso quarto ou sala? De que outra forma poderia um nortenho ou um provinciano aceder a obras tão obrigatórias como "Heartless", "Io Sono L'Amore", "Cosa Voglio di Più", "Enter The Void" e inúmeras pérolas do cinema asiático? Teria de esperar uma enormidade pela edição DVD? Teria de deixar de comer para comprar um DVD?

O Cinema pertence a todos e o bom Cinema dispensa orçamentos hiperbólicos. E quem faz Cinema por paixão, certamente deve amar saber que veêm seus filmes. Numa Sala seria divinal, mas se tal não for possível para uns quantos, qual o mal de ser acarinhado e curado por um filme no seu próprio lar, por menos qualidade que a imagem possa infelizmente proporcionar? Nem todos possuem a possibilidade para visionar Cinema com roupas cujas marcas patrocinam certas produções. Muitos dos bons cinéfilos nem um bom par de meias possuem, mas será essa razão suficiente para cegar seus olhos ávidos pela salvação e transcendência que o poder de uma imagem pode proporcionar?

Cumprimentos.

Miguel Reis (Knoxville) disse...

Ámen Roberto.

Um abraço.

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