quarta-feira, dezembro 14, 2011

In Time (2011)

Corre o ano de 2161 e o tempo é dinheiro. Literalmente. Num mundo onde as pessoas param de envelhecer aos vinte e cinco anos e morrem aos vinte e seis caso não consigam adquirir mais anos de vida (em suma, o que ganham no trabalho tem que compensar o que gastam), Will Salas (Justin Timberlake) é um afortunado jovem adulto a quem um milionário – ou, por outras palavras, alguém com um século por gastar – decide doar a sua esperança de vida e suicidar-se de seguida, por estar farto de ser imortal. A viver na periferia, onde cada minuto conta, decide usar o tempo que tem à procura de muito mais, para poder distribuir entre as zonas mais carenciadas. Com isso, ameaça destabilizar a economia mundial e, por isso, torna-se uma ameaça para a sociedade, com a sua captura a valer… anos de vida.

Com um conceito original, refrescante e provocador, o realizador/argumentista neo-zelandês Andrew Niccol (“Gattaca”, “Simone” e “Lord of War”) prova nesta sua quarta película ser uma das mais inteligentes e interessantes figuras da ficção-científica cinematográfica actual. Voltando ao futuro e ao tema da manipulação genética e adicionando-lhe desta vez uma pitada de reflexão sobre a economia global, é uma pena que o desenvolvimento narrativo de “Sem Tempo” dê mais importância ao nascer de um herói do que propriamente ao conceito e ideais que sustentam as bases da história.

Num registo similar ao de “Bonnie & Clyde”, Timberlake e a estranhamente bonita Amanda Seyfried correm o filme todo atrás do prejuízo, deixando provavelmente a única interpretação convincente de “In Time” para o suficientemente intenso Cillian Murphy. A verdade é que por mais cativante que seja a sua sinopse, em “Sem Tempo” acaba por haver pouco suspense e nenhum twist narrativo digno de registo, numa realidade angustiante mas cuja credibilidade é raramente trabalhada. Fica a importante mensagem – não estaremos nós a fazer algo de errado num mundo onde infinitos dólares e escassos feijões estão tão perto e tão longe -, um par de cenas para recordar e a esperança de uma sequela/remake que reutilize o conceito do tempo enquanto dinheiro de forma mais eficaz.

3 comentários:

Nuno Pereira disse...

E se virmos bem, este filme não está assim tão distante do dia a dia em que sempre vivemos.

Afinal os ricos devem a sua existência aos pobres. A única coisa diferente mesmo é que nesta historia podem ser imortais.

O Provedor disse...

Sim senhor continuas a ver filmes de primeira divisão

Miguel Reis (Knoxville) disse...

Nuno :) Cumprimentos, obrigado pela visita!

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