segunda-feira, janeiro 09, 2012

Resultados TCN 2011: Melhor Artigo


VENCEDOR: Mundo Mágico vs Caixinha Mágica, por Vítor Rodrigues, do blogue TVDependente.

Este não era o meu favorito, mas também confesso que não acho que houvesse um nomeado que se destacasse por aí além dos restantes. No entanto, o meu voto foi para a "Entrevista a John Carpenter" do Gonçalo Trindade. O gigantesco "fosso" entre o primeiro classificado e os restantes é facilmente explicado pela promoção massiva que o TVDependente fez dos seus nomeados, ao inverso dos restantes colegas de categoria. Os quarenta votos do AnteCinema, mesmo sem qualquer tipo de apelo ao voto ou divulgação da iniciativa - numa atitude que, apesar de compreensível (afirmam ser agora um site e não um blogue), demonstra na minha opinião alguma falta de consideração por quem os nomeou este ano e de respeito por uma iniciativa que os promoveu durante os últimos dois anos -, provam que a luta poderia ter sido muito mais renhida caso os leitores e seguidores do agora site tivessem tido conhecimento dos TCN Blog Awards. De referir ainda uma curiosidade engraçada: num blogue claramente dominado pela televisão, ganha um artigo que mete o cinema ao barulho. E esta, hein?

16 comentários:

Vítor Rodrigues disse...

Não é nem pretende ser falsa modéstia, mas não estava mesmo nada a espera de vencer. A surpresa de ganhar só foi superada pela de ser nomeado (obrigado novamente).

Realmente houve muita gente a comentar sobre isso: "ganhaste porque escreveste de cinema também!" lol.

Quero dizer que gostei bastante dos outros artigos nomeados: A Entrevista a John Carpenter é um sonho tornado realidade para qualquer amante de cinema; por volta da mesma altura que escrevi este artigo também fiz um sobre o "ciclo vicioso da opinião" por isso relaciono-me com o texto do João Lameira; achei imensa piada ao "Complexa Arte de Sugerir um Filme" e acho que o "Fuller, cineasta maldito e incompreendido" está muitíssimo bem escrito (*vow*). Quando assim é, o grande vencedor é quem lê.

Popularidade ou não, fico contente pelo prémio pessoalmente (claro) e por ser mais uma voz a dar vida à televisão. Obrigado a todos pelo dia, pela cerimónia e pela distinção.

ZB disse...

Massiva só se for pelo volume das mamas da outra...

O Projeccionista disse...

Bem, já estava todo contente a pensar que tinha ficado a dois votos de ganhar até ver o resultado esmagador do vencedor :)

Pelo que me diz respeito, fiquei contente por ter este resultado. Para mim 38 votos são bastantes, tendo em conta a média diária de visitantes do meu blogue. E só o facto de ter sido nomeado, ainda para mais numa categoria destas, já foi mais do que uma vitória, tal como no ano passado.

O meu artigo favorito era também a entrevista ao Carpenter (esse grande senhor). Quero aproveitar para dar os parabéns ao vencedor.

Em relação ao apelo ao voto, já o disse várias vezes que não me importo que o façam, faz todo o sentido porque faz parte do jogo. Eu apenas não o faço porque não tenho grande jeito para isso. E uma vez mais, com o número de visitantes que tenho, acho que também não chegaria muito mais longe.

Obrigado pela nomeação e espero que os TCN continuem por muitos e bons anos. Parabéns a todos os nomeados desta e das outras categorias e continuem a fazer um bom trabalho.

ZB disse...

E já agora, para quem defende tanto o sistema de voto popular não se torna contraproducente quando vem depois manifestar que determinada pessoa, blogue ou artigo só ganhou porque se mostrou mais fiel ao espírito da iniciativa?

Além de que por muito boa que seja uma entrevista, esta está sempre refém como artigo do entrevistado. É algo que foge completamente ao controlo do autor do artigo, que pode saber fazer as perguntas certas no momento certo mas está sempre dependente da força das repostas. Enquanto que um artigo de opinião é todo ele essência do seu autor. E não, não estou com isto a querer defender a ferros a vitória do Vítor que, com todo o respeito que tenho por ele e que ele merece, o seu artigo nem sequer era o meu favorito. Na minha opinião, o justo vencedor seria o artigo do Fuller, esse sim prejudicado pela falta de popularidade do seu autor, alguém que toda a gente sabe que ganhou vários "inimigos" no seio da blogosfera cinematográfica nacional.

O Projeccionista disse...

Caro ZB, não sei se esse comentário me é dirigido ou não. Se for, tenho a dizer que nada tenho contra o voto do público, são as regras e temos de as aceitar. Obviamente que quantos mais visitantes tem um blogue, mais probabilidade tem de ter mais votos e ganhar. Parece-me lógico.

Muito menos tenho contra quem apela ao voto, já o disse no ano passado e hei-de continuar a dizê-lo. Quem quiser pode fazê-lo, está no seu direito e não o critico. Assim como quem não quer também está no seu direito de não o fazer. Não vejo qualquer problema nisso.

Em relação ao artigo que gostei mais, não tenho de justificar porque gostei ou não da entrevista. De todos os artigos, e dei-me ao trabalho de os ler todos (coisa que se calhar muitos dos que votaram nem sequer fizeram e fiquemos por aqui para não me dizerem que sou contra o voto do público) para votar no favorito, foi o que mais gostei de ler. Acho que cada um é livre de gostar de algo diferente dos outros.

E a questão das inimizades criadas na blogosfera (confesso que é algo que me passa ao lado, quem gosta do que escrevo gosta, quem não gosta tem muitos blogues para visitar), acho que é algo que devia ficar fora da cabeça das pessoas quando votam. Mas isso já é algo que infelizmente as pessoas não conseguem controlar.

Fora isso, uma vez mais, parabéns a todos os nomeados, escreveram grandes artigos.

Cumprimentos

ZB disse...

@Projeccionista, este comentário era dirigido ao Miguel e vinha no seguimento do meu primeiro comentário, daí eu ter começado com um "E já agora..." (talvez o problema seja terem sido colocados em alturas diferentes e o teu ter acabado por ficar no meio).

Não acho justo fazer-se tanta força pelo voto do público e depois vir dizer que "tal só ganhou claramente porque fez mais publicidade que os restantes", quando isso talvez até nem seja verdade. Pelo menos a parte da "promoção massiva" é garantidamente falsa, porque no blogue só foram feitos 4 posts sobre o assunto e sei que no Facebook houve alguns elementos que pediram aos "amigos" para votarem mas esses nem uma mão cheia devem ter sido (e apenas o fizeram por uma ou outra ocasião).

Quanto à questão da entrevista, como é óbvio cada um votou naquele que bem entendeu, mas se ele (que era para quem eu respondi) se sujeita a dar a sua opinião sobre quem mereceu o seu voto, eu acho que eu, ou qualquer outra pessoa, tem direito a comentar essa opção. Ou não? A entrevista é boa, ninguém diz o contrário, a minha "contestação" surge apenas no que toca à sua validade para ser considerada melhor artigo que um dos outros artigos de opinião. E tal como tu e ele são livres de achar a entrevista o merecedor do reconhecimento, eu acho que também sou livre de achar a entrevista como o que menos fosse merecedor, exactamente pelas razões que apontei no comentário anterior.

Cumprimentos.

Miguel Reis (Knoxville) disse...

Vítor, assinado por baixo cada palavra. Obrigado nós pela presença e pelo "bom ganhar" :) Um abraço.

ZB, lá porque não te paguei umas cervejas não é preciso esse mau feitio todo! Onde é que eu disse que o TVD só ganhou claramente porque fez mais publicidade que os restantes? O que eu disse foi que a diferença brutal entre o primeiro e o segundo é explicada por isso, não que o TVD não teria ficado em primeiro mesmo que, tal como os outros, apenas tivesse feito um único post sobre o assunto. Além disso, pela milésima vez, quando falo em promoção massiva não faço uma crítica, mas sim um elogio. Quanto à tua opinião da entrevista, não concordo. Eu, que tanto faço artigos como entrevistas para a Take, acho as segundas bem mais difíceis de saírem interessantes. E, por isso, quando saiem, há que aplaudi-las e dar mérito a quem a guiou. Além disso, foi uma entrevista que envolveu chamada telefónica, improvisação no momento, tradução e transcrição, etc etc, pelo que poucas dúvidas tenho que deu muito mais trabalho que todos os restantes artigos nomeados.

Quanto ao revelar de quem são os meus favoritos e em quem votei, faço-o pós cerimónia, mesmo para não influenciar ninguém. Não vejo mal nisso. Seria mais fácil não fazê-lo e não correr o risco de alguém levar a mal, tal como aconteceu contigo pelos vistos. Mas não me vês a falar mal de um único nomeado. Um abraço, toma lá um post com mais mamas para relaxares!

O Projeccionista, obrigada pelo apoio. Se não acontecer nenhuma catástrofe, os TCN continuarão por muitos anos. Esta era a edição chave para saber se tinhamos mesmo pernas para continuar, e a verdade é que foi um sucesso. Não há, neste momento, razões para deixar cair os TCN. Abraço!

ZB disse...

Miguel, o meu comentário surge no seguimento desta frase que se encontra abaixo, que eu considero bastante redutora e, muito provavelmente (e só não o afirmo convictamente porque não segui o que os outros fizeram), errada. Para quem tem uma média de quase 2000 visitas por dia para quê precisaria duma "campanha massiva" para conseguir 145 votos?

O gigantesco "fosso" entre o primeiro classificado e os restantes é facilmente explicado pela promoção massiva que o TVDependente fez dos seus nomeados, ao inverso dos restantes colegas de categoria.

Quanto à entrevista, não vamos levar a coisa para o tu não poderes expressar quais os teus favoritos porque essa nunca foi a minha intenção com os meus comentários iniciais. Tu disseste qual era o teu favorito, que por acaso coincidiu com aquele que eu menos achava que era merecedor (e, muito importante, pelo seu formato e nunca o conteúdo). E usualmente as pessoas quando discordam discutem as questões, certo? É só isso e nada mais. Não há que levar a questão para outros lugares. Quem sou eu para dizer quais deveriam ser os teus favoritos...

E já que falas em fazer entrevistas, eu fiz várias aqui há uns anos, cara a cara, pelo telefone, e cheguei a fazer reportagens de oito páginas que continham declarações de uma dúzia de pessoas e tinha de as interligar todas umas com as outras. Eu sei bem o quanto trabalho dão. Mas o facto de darem trabalho, mais trabalho até que um artigo de opinião, é irrelevante no sentido que o artigo está sempre refém do entrevistado e daquilo que ele diz. O Gonçalo teve sorte de apanhar um Carpanter falador ou que tivesse num dia bom, senão a entrevista não tinha saído nada de jeito. Já um artigo de opinião não, é um total reflexo do seu autor. Pode dar menos trabalho mas tudo o que ali está é 100% do seu autor, enquanto uma entrevista está sempre dependente de terceiros e eu acho injusto colocar ambos os tipos de artigo no mesmo patamar. Se a entrevista ganhasse, então metade do prémio tinha de ser enviado para os EUA...

E eu não estou com mau feitio. Apenas, como não respondo a parolos de anónimos ou a pessoas que têm discussões em grupos privados, encontro neste sítio o único espaço para me expressar sobre algumas coisas que me andam a fazer alguma "comichão".

O Projeccionista disse...

Caro ZB, peço então desculpa pela confusão, entendi mal. Justificação aceite em relação à entrevista. É perfeitamente normal cada um ter as suas opiniões :)

Cumprimentos

O Projeccionista disse...

Miguel, acho que a iniciativa correu bem, apesar dos percalços iniciais. Mas isso é como tudo, infelizmente nunca se consegue agradar a gregos e troianos. E também sou da opinião que se não ocorrer nenhuma tragédia conto estar presente nas futuras edições.

Abraço e continuação de bom trabalho

Nuno disse...

Sugeria que as entrevistas tivessem uma categoria própria. Não só motivava os bloggers a mexerem-se mais, como os cineastas portugueses seriam os primeiros beneficiados com a "corrida" à entrevista.
Além disso tenho conseguido algumas bem interessantes e gostava de ganhar esse :)

Gonçalo Trindade disse...

O Carpenter não estava nem falador nem "simpático". As primeiras cinco perguntas foram respondidas com um "sim" ou um "não", e nos primeiros vinte minutos achei que, mesmo tentando eu tornar aquilo o mais informal possível, não ia sair dali nada de jeito. Saiu, miraculosamente, porque a partir desses vinte minutos improvisei outros cinquenta com outra atitude até conseguir ganhar a atitude do homem. Ainda demorou uns minutos a ceder, mas eventualmente começou a tratar-me por "friend", deu-me o dobro do tempo acordado, e ainda trocámos mais alguns mails depois da conversa.

Não me querendo gabar, se a entrevista ficou boa (podia ter ficado melhor, mas estou satisfeito), foi porque realmente consegui dar a volta a um homem com mais de 60 anos que, obviamente, não gosta muito de dar entrevistas, é francamente tímido e demasiado humilde para se achar sequer digno de ter entrevistado, e que está francamente desencantado com a Sétima Arte e com a carreira que conquistou, não tendo grande vontade de falar nem de uma coisa nem de outra. Nenhuma entrevista está dependente do estado do entrevistado. Depende, sim, do entrevistador e da sua capacidade, ou não, em dar a volta.

A meu ver, o artigo do Fuller também era o que mais merecia o prémio, e foi o que teve o meu voto (enquanto que o do Vítor, para ser honesto, foi aquele de que menos gostei). Lá está... acredito bem que parte daqueles votos que tive se devam não tanto à entrevista em si, mas mais ao facto de ser uma entrevista a um realizador de que gostem. Muito sinceramente, fico satisfeito só por ter falado com o homem e por ter conseguido combinar a entrevista. A nomeação foi um bónus que me deixou feliz por saber que há, por aí, gente que leu e gostou do que fiz. Em relação ao facto de ser um artigo de opinião ou não... não é, de facto. Mas é uma carta de amor ao Carpenter, e creio que isso tenha tanto valor quanto qualquer outra opinião expressa.

Cumprimentos,
Gonçalo

Tiago Ramos disse...

Há uma aqui uma diferença muito grande na questão de uma boa entrevista e que neste caso merece claramente estar num artigo. Nem tem que ver apenas com aquilo que o entrevistado disse (e que o Gonçalo explicou que não foi fácil), mas especialmente porque podia-se ter limitado a colocar a pergunta e a resposta, extensivamente. Mas não, o Gonçalo escreveu todo um artigo em redor da entrevista e muito bem escrito. Por isso mereceu o meu voto.

ZB disse...

Gonçalo, como é óbvio o entrevistador terá sempre mérito e ninguém está aqui a querer tirar crédito ao teu trabalho. Se leres com atenção o que eu escrevi num comentário anterior verás que o foco da questão é somente este "...pode saber fazer as perguntas certas no momento certo mas está sempre dependente da força das repostas". Isto é indesmentível. Tu podes ganhar todos os louros de ter conseguido dar a volta ao Carpenter ao fim de 20 minutos mas isso não implica que o jornalista que o tenha contactado a seguir, ou num dia, semana ou mês depois, não tenha conseguido uma entrevista muito melhor. E isso não por apenas ser melhor jornalista que tu, mas por uma grande variedade de factores, sendo um deles aquilo que o entrevistado opta por dar. Independentemente de seres um craque a dar-lhe a volta estiveste sempre dependente de ele ter mostrado abertura para que lhe desses a volta. E esse é o cerne daquilo que defendo: por muito controlo que o entrevistador tenha, o entrevistado tem sempre mais. Bastava ele querer e desligava-te o telefone e lá ia a entrevista à vida.

PS: Para quem não se queria gabar, até acabou por se gabar um bocadinho, ou não? Carta de amor? ;) Estou a brincar contigo.

Tiago, aquilo que eu vejo ali não é nada de novo, apesar de não ser tão usado como o formato pergunta/resposta não deixa de ser um formato de entrevista usado por muitas outras pessoas.

Gonçalo Trindade disse...

É claro que estamos sempre dependentes da força das respostas, mas a força das respostas também está dependente de nós. Daí que tenha perguntado ao Carpenter mais que uma vez a mesma pergunta, ou que tenha insistido mais em certos assuntos que noutros. Se sabemos que uma certa resposta pode ter um certo conteúdo que não nos é dado logo ao início, é preciso ter persistência para a perseguir até o conteúdo nos ser dado. Claro que quem o entrevistou na semana a seguir se calhar teve mais sorte... mas lá está, isso não invalida a entrevista de que estamos a falar agora e a sua qualidade ou não. Ele podia ter desligado o telefone (como já fez mais que uma vez), mas por alguma razão não o fez.

Adoro o homem e a entrevista de seis páginas ou assim bem o mostra. Não me gabo ao dizer que é uma carta de amor, apenas chamo ao artigo aquilo que é :p. Quis entrevistar o Carpenter apenas porque cresci a ver os filmes dele, e a entrevista foi feita e combinada quando o The Ward ainda nem tinha data de estreia cá.

Obrigado pelos elogios, Tiago. Gosto muito mais do formato em texto-corrido, dá muito mais liberdade e posso sempre fazer uma coisa que seja mais "minha", com um ritmo próprio e um encadeamento diferente. Como o ZB disse, não é um formato novo. Mas desde que se faça um bom artigo, seja em que formato for, o resto parece-me irrelevante. São raras as vezes em que gosto de algo que escrevo mas neste caso consigo, pelo menos, identificar muito o meu cunho pessoal ao longo do artigo todo.

Miguel Reis (Knoxville) disse...

Em relação à ideia de uma categoria para Melhor Entrevista... gostei. É uma questão de ver se haverão entrevistas suficientes durante o ano que justifiquem uma categoria. Porque ainda é coisa rara nos dias que correm nos blogues em Portugal. Cumprimentos a todos.

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