sábado, agosto 30, 2014

Shichinin no samurai (1954)

Shichinin no samurai” é um épico de três horas e meia de aventura e drama, intemporal, que confirmou o cineasta Akira Kurosawa, em 1954, como um nome maior da Sétima Arte em todo o mundo. Escrito, editado e realizado por Kurosawa, a narrativa de “Seven Samurai” remete-nos para uma aldeia nipónica no final do século XVI, onde um grupo de lavradores contrata sete samurais para combater bandidos que recorrentemente assaltavam as plantações para roubar as colheitas de uma temporada, bem como para violar e matar muitas das mulheres da aldeia. Considerado um dos filmes mais influentes da história do cinema, uma das poucas películas asiáticas que durante décadas teve reconhecimento inequívoco além-fronteiras, “Os Sete Samurais” retracta através dos sete heróis uma classe nobre repleta de valores e ideais que, devido ao passar dos tempos, entra em desuso e arrisca a extinção. Hino à consolidação da amizade masculina, tema comum em qualquer cultura, mas com especial relevância na infância de Kurosawa, “Seven Samurai” perde o seu peculiar pragmatismo ao longo dos minutos, ganhando uma consciência colectiva em que o individualismo dá lugar à força do grupo e, alegoricamente, um novo Japão é visionado nas acções de sete homens de técnicas tradicionais que mostram que uma nação pode desenvolver-se respeitando o seu passado e, acima de tudo, aprendendo com os seus erros. Com uma pós-produção fenomenal – as imagens fluem ao longo de duzentos e quarenta minutos -, o reconhecimento internacional de Kurosawa surge numa fita em que o seu trabalho artístico, técnico e visual é acompanhado de perto por um elenco brilhante e personalizado, onde o samurai Takashi Shimura e a jovem Keiko Tsushima merecem especial destaque, não esquecendo também, obviamente, o samurai maníaco Toshiro Mifune, que previamente já havia trabalhado com Kurosawa em Rashomon. História simples, detalhes fora-de-série e uma caracterização riquíssima integrados num visual duro, realístico e poético, que consegue dizer tudo por si mesmo, fazem deste capítulo de reconhecimento internacional do realizador nipónico uma proposta obrigatória para qualquer cinéfilo que se preze.

1 comentário:

Bruno Patuleia disse...

Grande filme, agora fiquei com vontade de o rever

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