terça-feira, dezembro 20, 2016

Rogue One (2016)

Enquanto que "Star Wars: The Force Awakens" foi um mash-up infantilizado - ainda que hábil e competente - do episódio IV com pitadas do VI, sem qualquer outro propósito que não trazer à saga toda uma nova audiência, já "Rogue One" consegue não só manter esse novo público agarrado ao franchise, como ser fiel a todos os que cresceram apaixonados pelo universo de George Lucas. Bem, secalhar à excepção do texto deslizante inicial - que até nos jogos de computador era tradição -, numa opção estranha - e aparentemente sem sentido algum - de Gareth Edwards ("Monsters" e "Godzilla"). De resto, da abundância de personagens, heróis e vilões, quase todos demasiado passageiros para serem aprofundados - o que é uma pena no caso da dupla (homossexual, dizem os experts) Chirrut/Baze, que certamente teria um background delicioso que traria outra camada ao filme -, ao elemento cómico (K-2SO) muito mais controlado e subtil (alguém falou em Jar Jar Binks?), facilmente a melhor personagem deste capítulo, não fosse inclusivamente usado de forma inteligente no velocíssimo e dramático terceiro acto, "Rogue One" é mais sombrio, mais crescido, mais direccionado para os fãs (aqueles cameos todos que uma pessoa quer abordar mas não pode para não estragar a surpresa a ninguém). Nem tudo é ouro - alguns diálogos são demasiado ocos e Whitaker e Luna não convencem, sendo que o sotaque deste último chega por vezes a ser irritante - mas quase tudo brilha: Mendelsohn e Mikkelsen são fenomenais, Felicity Jones convence, o CGI reconstrutivo está longe de ser a miséria proclamada - é uma grande ideia que apenas precisa de uma melhor execução - e, mesmo aos soluços no ritmo da história, Edwards consegue entregar não só um belíssimo sci-fi, como um capítulo honroso para uma saga que parecia perdida para a Disney.

1 comentário:

Ricardo Pinto disse...

O melhor de sempre!

I'M ONE WITH THE FORCE AND THE FORCE IS WITH ME...

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