sábado, dezembro 17, 2016

The Eyes of My Mother (2016)

Inesperada sensação de baixo orçamento - entrou em quase todos os tops anuais do género - com clara ligação a Portugal - da actriz principal ao background das personagens -, "The Eyes of My Mother" é muito mais do que um simples filme de terror: é a sua profundidade dramática sem precisar de grandes diálogos, algures entre o ambiente perturbador de "Psycho" e a psicologia retorcida de "Audition", que o transforma num exame arrepiante sobre a influência da paternidade numa criança e as consequências extremas do isolamento físico e social. Num filme muito mais visual e artístico do que narrativo, a vítima transforma-se no predador, o círculo fecha-se sobre si próprio, o fado dá asas às motivações de um monstro outrora doce inocente, personificada na perfeição pela portuguesa Kika Magalhães, que consegue transformar-se de um modo quase assustador, em nanosegundos, de rapariga de sonho a psicótica infernal. Por fim, o preto-e-branco, aqui tão útil para esconder várias imperfeições que seriam normais numa estreia na realização, e que tão bem assentou e caracterizou a própria atmosfera do filme.

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