
Não, a sua sátira não trivializa e banaliza uma época e um momento da história, como alguns escreveram. Que mania esta de tentar encontrar o mal no bem, defeitos numa criança, arrependimentos num adulto. Não, o único objectivo da sátira aqui presente é despir o nazismo da sua falsa grandiosidade, através dos olhos de uma criança. É perfeito em todas as suas decisões narrativas? É tão humano - e, por isso, tão deprimente como belo - como "A Vida é Bela" de Benigni? Não. Mas lá estamos nós a tentar arranjar defeitos, comparações entre o incomparável, entre um drama que se reveste de comédia e uma sátira que mostra o drama pelos calcanhares - ou sapatos, como queiram. É mais inocente, mais fantasioso, mas também mais eficaz na forma como mostra como o ódio e a ideologia apoderam-se da vulnerabilidade de uma criança. Violência, medo, propaganda e despertar moral através da mente e do estilo do irresistível Taika Waititi. Sim, o riso pode ser uma arma poderosíssima contra o fascismo, amigos.
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