segunda-feira, outubro 31, 2005

Dodgeball (2004)


Peter LaFleur é o carismático proprietário de um decadente ginásio chamado “Average Joe”, cheio de divídas e que dentro de um mês, será comprado pelo seu concorrente White Goodman, poderoso desportista de Fu-Manchu-d e egomaníaco dono do ginásio “Globo”, um moderno clube de “fitness”. Para que “Average Joe” sobreviva e não feche as portas, Peter precisa de 50 mil dólares, decidindo então entrar no torneio nacional anual de “Dodgeball” (jogo do mata).

Em bom inglês, "This Sucks!". Que é como quem diz, "Mas que porra é esta?" Sem piada, mais previsível que a liga inglesa e completamente estúpido e ridículo (só por isto já perceberam que está para lá metido o Ben Stiller não já?). A todos os níveis, "Uma Questão de... Bolas" está repleto de clichés e tiques habituais nestas andanças, seja nas personagens vazias, seja na estupidez e previsibilidade do argumento. Gargalhadas comuns? Aquelas que a bola ou lá o que fosse acertava na tomatada de alguém? É esta a definição de uma boa comédia? Pelos vistos, e para muitos, umas "boladas na saca" bastam.

No elenco, Vince Vaughn teve um papel à sua altura, ou seja fraquito e quanto a Ben Stiller, já nem o consigo ver à frente. Se "Starksy and Hutch" já foi péssimo, este consegue ser ainda pior. Comédia não tem que ser estupidez. E que tal alguma inovação nas personagens que aceita? De resto, safam-se os cameos de David Hasselhoff (o nosso Mitch Buchannon/Michael Knight) e de Chuck Norris. O de Lance Armstrong, arghhhh, horrível! Aquilo era suposto ser uma lição? Dediquem-se mas é à pesca e levem lá com um par de duques (2)!

domingo, outubro 30, 2005

Perdão, como disse?!? (I)

Apocalipse Now , por David Santos em Cinefilosofia

"Heart of Darkness – Apocalipse Now : entre Conrad e Coppola, no eixo negro em que nos moveremos nesta breve reflexão, ocuparnos-nos-á apenas e tão-somente o que de nodular diz respeito aos filigrânicos matizes e poliédricos cintilares que mais nos parecerem relevantes no trânsito tantas vezes crítico de duas obras que metafisicamente nos parecem ponto sintomático (...) mas certamente gravitando em torno do mesmo coronário e violento centro que as determina em direcção à rumorosa escuridão fechada do mais imo do Ser e seu retirar-se para a presença do ente no seu todo. (...) A dilaceração originária do quase-nada que é tudo, de Kurtz, surpreende-se exactamente no facto de que ele, como infinito se torna finito enquanto objecto do sacrifício (...) A queda para o ser-aí da consciência tética de si mesma é o núcleo vazio e negro do que imóvel se doa apenas no seu retirar-se para a sua morte em poema. Kurtz é o Deus que lê poesia, a estranha sobrevalorização da sua voz e da sua eloquência são tradução da absolutidade da sua vontade criadora ; a selva olha os vagabundos que a penetram – este autoposicionamento na finitude é um instalar-se conquistador na feminina e caótica fissura que em verdade impulsiona este ser-posto. O caminho do rio, o caminho por um simbólico originário panta khorei nada mais é senão o caminho do ser sobre si mesmo, é o arrancamento em instâse da consciência natural: o perder-se para a morte colossal de Deus corresponde ao acto de Horror metafísico da auto-limitação do ser, do seu sacrifício primordial para que de novo a mentira habite o possível. (...)

http://cinefilosofia.com.sapo.pt/artigos/conteudo/apocdavid.htm

sábado, outubro 29, 2005

House of Wax (2005)


Um grupo de amigos decide viajar de carro para assistir ao decisivo e mais importante jogo do ano do campeonato de futebol americano. Fez-se tarde e os "teenagers" lá decidiram acampar no meio do nada para lá passar a noite. Depois de uma cena um bocado assustadora, lá foram "chonar" e ao acordarem um dos carros tinha a correia de transmissão partida. Lá aceitam a boleia de um desconhecido a uma cidade ali perto (que nem sequer aparecia no GPS do "tunning" lá do grupo) e enquanto esperam pelo dono da loja de serviço, supostamente no funeral da sua mãe, descobrem que a principal atracção turística da terrazinha era uma "Casa de Cera". E depois...? Sangue, muito sangue!

Ao contrário da maioria, "House of Wax" surpreendeu-me e bastante. Estava à espera de uma terrível banhada, ainda para mais tendo em conta que recentemente tinha visto o original de 1953 (http://cinemanotebook.blogspot.com/2005/06/house-of-wax-1953.html) e este supostamente era um remake do mesmo. Não tendo achado o da década de 50 nada por aí além, e respeitando a morfopsicológica teoria dos remakes ( Bom -> Médio ; Médio -> Mau ; Mau -> Minha Nossa Senhora, Livrai-nos disto!), "Casa da Cera" de Collet-Serra, foi efectivamente uma boa surpresa.

Com "gore" quanto baste e mortes bastante decentes e imaginativas, "House of Wax" conta ainda com vários momentos de genialidade grotesca. Com a bela Elisha Cuthbert ("24", "The Girl Next Door") a atrair o público masculino e o "Justin Timberlake II", Chad Murray a atrair o feminino, Collet-Serra consegue ainda um importante trunfo a nível comercial: Paris Hilton.
Sim, não estou parvo. É óbvio que de actriz, Hilton tem muito pouco. Mas não se esqueçam que aquela "noite em Paris" vendeu que se fartou.

Assim sendo, se virem "House of Wax" pelo puro divertimento do típico "slasher-movie", pelas interessantes cenas de gore/mortes, e não pela procura de razões para que aquilo ou aquele não fosse possível (já vi por aí tanta porcaria: a cera estava quente e queimava-os, aquilo não podia ter acontecido porque... etc...) e esperando um argumento de génio, sairão certamente agradados. E não haja dúvidas, "House of Wax" 2005 é bem melhor que o de 1953. Acontece!

Sai um Full House (7) para o gémeo siamês!

quinta-feira, outubro 27, 2005

Wag the Dog (1997)


Realizado por Barry Levinson ("Rain Man", "Sleepers", "Good Morning Vietnam"), "Wag the Dog" é uma das mais duras sátiras já feitas ao sistema político americano. Pena foi, que devido a diversos rasgos de genialidade que nos fizerem esboçar largos sorrisos, "Manobras na Casa Branca" (ai este facilitismo infeliz das traduções) se afastasse demasiado da realidade, criando situações extremas, que na vida real seriam mesmo impossíveis de esconder. Se como sátira, as diversas ideias e planos funcionaram eficazmente, o enredo em si ficou a perder totalmente. Ou seja, quando o filme passa de situações satirícas pausíveis para uma sátira pura e crua, o argumento perde toda a lógica e passamos puramente a assistir a um "desafio" ao poder. Não é mau de todo, mas Levinson poderia ter tentado encontrar um equílibrio e fazer algo memorável.

O argumento parece que preveu o que mais tarde viria a acontecer com Bill Clinton: um presidente à beira da reeleição é envolvido num escândalo de abuso sexual de uma rapariga que visitava a Casa Branca. Não se chega a saber se o episódio é verdadeiro – porque o que conta é a percepção –, como não se chega sequer a ver o presidente propriamente dito. O protagonista é o marketing, o dominío dos "media" sobre o povo.

Num primeiro momento, é chamado um “Mr. fix-it” (Robert de Niro), o consultor de imagem das situações apertadas, que, para começar, decide adiar por 24 horas o regresso do presidente, na altura em viagem oficial à China. Justificação? Dizer que tem uma gripe e desmentir ele próprio, assim do nada, que o verdadeiro motivo do adiamento se deve a uma negociação difícil sobre bombas nucleares. A repercussão é imediata e mediática: o desmentido cria o rumor de um problema grave nuclear. E assim do nada lá foi a notícia do escândalo sexual para segundo plano. O problema é que uma suposta negociação dura apenas um ciclo noticioso e as eleições estão a dez dias de distancia. O que fazer? Uma guerra na TV. Como? Contratando um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman). E assim temos durante 10 dias uma guerra que verdadeiramente não existe, mas que é acompanhada nos telejornais norte-americanos e que fortalece a necessidade da continuidade do actual presidente norte-americano. Presidente de País em guerra, dizem os compêndios, tem a vitória assegurada. A Nação une-se em torno do líder, as sondagens tornam-se mais optimistas, a reeleição é canja. Ponto final parágrafo!

Com um elenco de luxo, todos com representações seguras, uma ideia forte e vários momentos de genialidade, podemos afirmar então que "Wag the Dog" poderia mesmo ter sido brilhante a todos os níveis. Não o foi, mas a mensagem foi clara e passou ao público: as aparências iludem!

quarta-feira, outubro 26, 2005

Blogue da Semana: Gonn1000


Pois é, muitos de vós, senão mesmo todos, já devem conhecer o blogue Gonn1000. De qualquer maneira, todo o louvor ao magnífico e desgastante trabalho e empenho de Gonçalo Sá, neste blogue, nunca será pouco. Seja música, seja teatro, seja literatura ou cinema, toda a cultura é analisada e discutida no Gonn1000. De uma forma complexa e profunda, Gonçalo analisa os mais diversos temas, parecendo ter dias de 60 horas e semanas de 10 dias, tal é a diversidade e constante actualização do seu espaço. E se tivermos em conta que o mesmo ainda colabora noutros blogues...

Gonn1000 é, neste momento, não só um blogue mais do que completo sobre toda a cultura artística nacional e internacional, como um local informativo. Um espaço onde ficamos a par das últimas tendências discográficas e cinematográficas, com uma linguagem simples mas eficaz. E em Português!

http://www.gonn1000.blogspot.com/

terça-feira, outubro 25, 2005

Recordar é Viver: Ciclo de Memória Xunga - Cartoons


Cartoons para crianças de 30 anos (ou mais)
Por dubois, originalmente postado no dia 8 de Agosto, no seu blogue, Cinema Xunga.


"Geração criada a Tom Sawyer, Conan Future Boy, Verão Azul e que já entradotes ainda viam a Rua Sésamo...

Todas as gerações têm as suas características. Aqueles que eram crianças nos anos 50 e 60 gostarão para sempre de Westerns e Gladiadores. Os putos mais recentes irão jogar videogames até terem 90 anos. No que me diz respeito, a geração nascida nos anos 70, irá sempre gostar de desenhos animados. Mesmo nos trintas, a grande máquina americana não se esquece de nós e continua a produzir em massa quantidades massivas de séries cartoon para crianças grandes. Aqui fica um resumo incompleto e a raspar a superfície.


..:: DUCKMAN ::..

O mestre será sempre o mestre. Duckman era a alegria de segunda-feira (ou terça?) há uns 10 anitos atrás. Duckman era um detective privado desprovido de moral. O seu lema com os clientes do sexo feminino era "Só as queremos ver oleadas e semi-conscientes". O seu ajudante, responsável por resolver 100% dos casos era um porco intelectual de voz profunda chamado Cornfed. Tinha dois ajudantes bastante "fofinhos" de peluche chamados Fluffy e Uranus aos quais aconteciam sempre coisas, digamos, desagradáveis. Vive com a irmã gémea da sua falecida esposa que odeia de morte. Tem três filhos. Dois dos quais vivem no mesmo corpo com duas cabeças, são Charles e Mambo. O outro filho de QI 12 chama-se Ajax e é um grande pato estúpido que a tarefa de respirar ocupa 99% do seu cérebro.

Resta acrescentar que a voz de Duckman era do genial (esquecido?) Jason Alexander, também conhecido como George do Seinfeld. Aliás, Duckman e George partilham as mesmas características de personalidade.


..:: THE CRITIC ::..

Esta série fala-nos de Jay Sherman, um crítico de cinema de Nova Iorque com um programa de TV. Começa sempre com um clip de um filme qualquer, normalmente um blockbuster conhecido ligeiramente modificado, e a crítica de Sherman eram sempre "It Stinks". Além das críticas de cinema tinha imensas cenas em que eram ridicularizados imensas personalidades do mundo do cinema e posto a céu aberto a imensa fossa que é Hollywood.

Sherman era baseado nos críticos idiotas americanos chamados Siskel e Ebert, que tem um meio idiota de classificar filmes que consiste em thumbs up e thumbs down. Além disso, Sherman era um patético homem, obeso e sem vida social que passava a vida a lamuriar-se dos seus apoquentos.

Era uma boa série, talvez percursora aqui do vosso Cinema Xunga, que teve pouca aderência. Dava também há uns 10 anos no segundo canal, às 2 da madrugada e apenas estudantes bêbados e sem grande coisa com que preencher as horas viam, como era o meu caso. Foi bastante ignorada, apesar de boa, e acabou por se esfumar em nada. A qualidade nem sempre se safa, e neste caso era uma série para um nicho de mercado bastante reduzido para dar lucro.


..:: THE SIMPSONS::..

Em primeiro lugar fica a pergunta: Quem não conhece os Simpsons?! Quem responder "Eu!" pode sair debaixo da pedra de onde estive durante os últimos 16 anos e atirar-se para baixo da linha do comboio. Se possível, um daqueles de 300 carruagens que transporta cimento ou aqueles enormes blocos de mármore.

Os Simpsons são, sem dúvida, a mais conhecida sitcom animada de todos os tempos. Aliás, atrevo-me mesmo a dizer que é capaz de ser a mais conhecida sitcom animada ou não. Não há muito a dizer acerca dos Simpsons, porque toda a gente que é gente conhece tudo o que há a saber. Apenas um assunto está no ar há mais de 10 anos: Simpsons, The Movie. O seu criador sempre disse que iria existir um filme dos Simpsons quando a série acabasse. O certo é que ele falou nisso na série 6 e já vamos na série 16 sem fim à vista.

Na minha humilde opinião, Os Simpsons deveriam acabar com dignidade em vez de definharem para o esquecimento. A cada novo episódio todas as situações são previsíveis, todos os personagens fazem o mesmo de sempre, todas as ofensas são light e mesmo ao nível de celebridades convidadas, a lista está a acabar. Não me levem a mal, sou grande fã, mas o que é demais também enjoa. Quem tem paciência para rever um dia em DVD 16x23 episódios? Não sei se estão a ver, mas são 368 episódios o que dá um total de 135 horas. Uma semana 24/7 de Simpsons com intervalos para almoço sem horas para dormir.


..:: BEAVIS AND BUTT-HEAD ::..

Hoje em dia é um facto quase esquecido, mas houve um tempo em que a MTV era um canal livre disponível por satélite. No tempo antes da TV Cabo, todos os prédios tinham uma antena parabólica (analógica, gigante) que distribuia meia dúzia de canais pelos condóminos. Era um tempo em que a MTV Europe era um canal alternativo, com boa música e boa TV. Vivia-se o tempo do grunge, do britpop e o power rock irlandês. O tempo em que os Therapy? eram uma granda banda, antes de andarem por aí bêbedos em todas as queimas das fitas.

Havia uma série animada chamada Beavis And Butt-Head que intercalava crítica a videoclips com as aventuras destes 2 teenagers anormais e retardados que traziam à superfícia toda a idiotice da América redneck (e não só). Só pela crítica musical, esta série já valia a pena. Grandes bandas foram criadas pela máquina Beavis and Butt-Head. De repente só me lembro dos White Zombie, mas decerto haverá mais uma ou outra. Também grandes bandas eram ridicularizadas, claro... Os Metallica eram os bombos da festa.

Beavis and Butt-Head eram 2 adolescentes preguiçosos, retardados e completamente alheados da realidade. A sua missão da vida era um dia comer uma gaja. Claro que as oportunidades eram mais que muitas mas eles, estúpidos, acabavam por desperdiçar tudo. Jovens headbangers, gostavam de metal, mas eram altamente influenciados pela TV. Criaram um extenso vocabulário que ainda hoje é usado pelos teens americanos e a sua maneira de rir ainda hoje é lembrada por todos os que viam.

Mais tarde ainda saiu um filme chamado Beavis and Butt-Head Do America e na minha opinião foi a cereja em cima do bolo. Claro que tudo tem um tempo para existir e esta série em boa altura acabou, deixando saudade aos fans."

http://cinemaxunga.blogspot.com/2005/08/ciclo-memas-de-30-anos-ou-mais-v.html

domingo, outubro 23, 2005

Minority Report (2002)


Washington 2054. O departamento Pré-Crime revolucionou a sociedade. O método: um grupo de três seres "pós-humanos" - pre-cogs - prevê a intenção de crime (literalmente, vê o crime) e lança o alerta (as imagens); imediatamente, um grupo de polícias apreende o potencial criminoso antes do acontecimento. O resultado: a erradicação do homicídio. Este é um mundo que encontrou nos pre-cogs novos deuses, mantidos num uterino e tecnológico templo aquoso, um laboratório. O seu sacerdote mais poderoso é John Anderton (Tom Cruise), o polícia que chefia o departamento. Finalmente, é um mundo em que os limites temporais se anularam e o futuro se tornou permanentemente presente em visões definitivas: "Can you see?", pergunta a pre-cog Agatha (Samantha Morton). Aparentemente.

No entanto, esta sociedade perfeita, este sistema infalível, vão ser postos em causa pelo seu maior defensor - quando John Anderton vê e manipula as imagens que o incriminam como futuro assassino. Como John afirma aos antigos colegas que agora o perseguem: "Everybody runs". Mas, quem é John Anderton? Um homem confrontado com o paradoxo temporal de provar uma inocência futura já afirmada como falsa. E tem apenas poucas horas para o fazer.

Esteticamente o filme é quase perfeito. As ideias futuristas, toda a tecnologia ao serviço das forças da lei de tal maneira que já é possível prever os crimes, tudo está muito bem imaginado. Porém há algumas discrepâncias difíceis de entender. Temos assim dois mundos. Um super avançado tecnologicamente com estradas verticais e carros ultra sónicos e outro super sujo e degradante onde desaparece a super tecnologia. Até podemos considerar esta diferença como uma ironia, pois em certo ponto do filme surge uma frase que poderá nos indicar esse sentido. “Inventam tudo menos a cura para a gripe” ou seja toda a disparidade pode ser explicada pela prioridade nos avanços tecnológicos. Curiosamente este aspecto do filme pode ser encarado como uma visão literária onde fica em aberto o porquê desta disparidade. Imaginem e criem a razão!No fundo de tudo isto está a mensagem subliminar...somos ou não capazes de mudar o nosso destino? Será possível a falha num sistema aparentemente “intocável”?

A principal desvantagem do argumento foi a ausência de personagens secundárias de verdadeiro valor na acção, o que limitou as opções de mistério e de quem estaria por trás de tudo. Uma delas seria demasiado óbvia, logo, só poderia ser a outra o que retira alguma surpresa ao filme. Que não se pense porém que o filme é fácil de captar e que à partida já tudo se sabe. Não é assim, e Spilberg conseguiu criar uma boa teia e sequência lógica ao qual só faltou aquele click final de genialidade. De resto, a realização foi acima da média, tal como a fotografia, e as interpretações principais brilhantes. Tom Cruise, provou aqui, que não é apenas um bom actor. É, de facto, um excelente actor. Quer queiram, quer não. E como tal, sai um Poker, que é como quem diz, um Four of a Kind.

sábado, outubro 22, 2005

Recordar é Viver: O Futuro do Cinema


O Futuro do Cinema
Por Miguel Batista, originalmente postado no dia 9 de Setembro, no seu blogue, Black Spot.

" Estamos em 2005 e o cinema surgiu há mais de 100 anos. Arte relativamente recente, nova em comparação com tantas outras, desde a pintura (cujas raízes remontam à pré-história) à escultura, arte proveniente também da idade da pedra. Talvez por isso, seja altura de se olhar para trás, mas principalmente, supor o que, de futuro, nos espera neste vasto campo da arte/cultura.

Vão desabrochando obras (alguns mesmo produtos) completamente filmados em estúdio, uma vez que filmar um filme em estúdio é muito mais barato, obviamente, do que filmar no exterior. Entre esses obras, encontram-se os relativamente recentes Sky Captain e Sin City, ambas obras razoáveis, que funcionam como entretenimento eficaz. Por agora, é engraçado ver um filme e pensar que os únicos elementes reais lá presentes são os actores e alguns objectos, mas futuramente, será assim tão engraçado constatar que parte dos filmes que estream são filmados em estúdio e cujos cenários e tudo o resto, à parte dos actores, é criado digitalmente, não havendo portanto interacção com o mundo exterior? (...)

(...) porquê recriar o mundo recorrendo à tecnologia, quando este existe e está pronto e disposto a ser filmado? Para se poupar dinheiro? É verdade, poupar dinheiro é a principal razão pela qual se vai adoptar cada vez mais os métodos green-screen ou blue-screen. Então e será que assim não se perderá a alma do cinema, que faz com que este esteja em contacto com a realidade, e, em muitas vezes, apenas se baseia nela para a enfatizar e criar algo mais fantástico, tudo isto por questões económicas? Não me parece justo, para nós espectadores, que gerações futuras de pessoas na mesma posição que nós não possam desfrutar de um Lost In Translation ou um 21 Grams, ambos filmes do ano passado, que retratam a vida tal como ela é, não precisando de recorrer a nenhuma tecnologia, usufruindo apenas do seu argumento e da sua simplicidade para chegar até ao público. (...) Com argumentos fracos, e vivendo apenas dos efeitos especiais, do que vai viver o cinema?

Outra coisa que depende do rumo que lhe derem, se para o bem ou para mal, é a adopção do formato digital em vez das clássicas películas. Tivémos recentemente um exemplo bem concreto de êxito que foi Collateral, quase totalmente filmado em digital, não perdendo assim as sensações que o cinema provoca em nós, e permitindo ao espectador respirar cinema no filme em questão. Tal se deve, é também verdade, à mestria de Mann e ao trivial de cores criado pela fotografia. Na melhor das hipóteses, o formato digital pode servir apenas para alguns casos, continuando a película a liderar o ranking de popularidade, pior será se o digital substituir a película, algo em que nem pensar é bom. Afinal quem é que não gosta de ver alguns riscos na película quando um filme é exibido? Isso faz ou não parte do cinema? Eu cá acho que faz, e o cinema dificilmente poderá viver sem isso, pois se esta desaparecer, o cinema deixa de ser uma arte para ser algo que não tem um nome deifinido, que se limita a criar anúncios e videclip, mas com uma ligeira diferença na duração.

Onde quero eu chegar com isto tudo? Que o futuro do cinema se deve a escolhas que têm de ser tomadas agora, e têm de se ser bastante prudente, não caindo em falsas ilusões, como a de gastar menos dinheiro e facturar mais, mas em vez de uma filmagem de um prédio apresentar também um prédio sim, mas que afinal se resume a pixels, que não existe, portanto. O futuro do cinema pode ou não ser promissor, tudo depende de quem está à frente dele e das escolhas que fizer agora. Mas lembrem-se, não destruam o cinema por motivos económicos, pois aí ele deixa de ser cinema para passar a ser a fonte de rendimento de algumas famílias. Há coisas que o dinheiro não compra, ou melhor, não deveria comprar. "

http://miguel12.blog-city.com/o_futuro_do_cinema.htm

quinta-feira, outubro 20, 2005

Cocktail (1988)

“I am the last barman poet. I see America drinking the fabulous cocktails I make. Americans getting stinky on something I stir or shake. The sex on the beach. The schnapps made from peach. The velvet hammer. The alabama slammer. I make things with juice and froth. The pink squirrel. The 3-toed sloth. I make drinks so sweet and snazzy. The iced tea. The Kamikaze. The orgasm. The death spasm. The Singapore sling. The dingaling. America you’ve just been devoted to every flavor I got. But if you really want to get loaded, why don’t you just order a shot? Bar is open”

E assim acaba o filme. "O" filme que indubitavelmente lançou Tom Cruise como um "Most Wanted" pelo sexo femenino de todo o mundo. Mas muito mais do que isso... "Cocktail" é um filme sobre a esperança, a força da vontade, o amor e as desilusões da vida. "Cocktail" é um marco numa geração, um filme ordinário mas poderoso que muitos ainda hoje não se esqueceram certamente. "Cocktail" não é sobre copos, é sobre pessoas.

Após deixar o exército, Tom Cruise, ou melhor Brian Flanagan (clara homenagem ao inventor dos cocktails, que assim se chamava), um jovem muito ambicioso, tenta um emprego em Nova Yorque, sem sucesso no entanto devido à sua falta de formação escolar e universitária. Assim sendo, não lhe restou outra hipótese que não estudar e trabalhar ao mesmo tempo, de forma a conseguir sobreviver na "Big Apple". Como só podia trabalhar de noite, devido às aulas, começa a servir uns copos num bar, com o patrão Doug Coughlin, (Bryan Brown) um dos mais famosos "bartenders" da cidade. Mas a sua ambição não tinha limites e o seu comportamento na busca de algo maior começa a chocar com os que trabalha e com a sua namorada Jordan (a formidável e bela Elisabeth Shue). O resto é uma história de vida que muita esperança deu a quem o viu.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Blogue da Semana: Pasmos Filtrados


Pasmos Filtrados é, possivelmente, um dos melhores blogues cinéfilos do panorama nacional. Relativamente recente na blogosfera nacional (Maio de 2005), PF, é actualizado diariamente, seja com críticas extremamente bem estruturadas e completas, seja com antecipações ou com as últimas notícias e os já famosos "Momentos Zen".

Num excelente Português (o que é cada vez mais raro nos dias que correm), o seu autor, Francisco Mendes, cativa com os seus interessantes artigos e responde a todos os seus visitantes, numa simpática interacção, que em muito contribuiu para a rápida divulgação do blogue e seu desenvolvimento. Pasmos Filtrados, peca apenas a meu ver, e se me permites a deixa, caro Francisco, com a larga extensão de determinadas críticas, que, no caso do visitante não ter visionado o filme, se tornam muitas vezes cansativas e assustadoras.

De resto, se não conhece Pasmos Filtrados, aproveite agora que ainda não se paga a entrada. Se gosta de acompanhar o mundo cinéfilo a par e passo e em português, ficará certamente satisfeito.

http://pasmosfiltrados.blogspot.com

terça-feira, outubro 18, 2005

Nova Fase no Cinema Notebook!


Revolução!

Não existe melhor termo para o que já começou (em termos de aspecto) e o que vai começar a ocorrer sistematicamente a partir de amanhã, dia 18, no Cinema Notebook. Acabou o blogue que durante um ano apenas se dedicou a criticar os frutos principais da 7ª arte, as suas obras.

De forma a proporcionar uma actualização mais constante e uma melhor divulgação da blogosfera cinéfila nacional, o CN tentará enfrentar uma estrutura mais complexa que, desta vez, não se baseará apenas em criticas cinematográficas. Porque a blogosfera cinéfila nacional está de saúde e recomenda-se, o CN será também um espaço semanal de divulgação dos melhores artigos feitos por esse "mundo" fora, devidamente identificados e, também, de referência aos mais completos blogues do género.

Assim sendo, todas as Quartas-feiras, o CN premiará e divulgará o "Blogue da Semana", deixando os Sábados e as Terças-feiras para os "Melhores Posts Cinematográficos de Sempre" da blogosfera nacional. Mas é claro que o CN terá tempo para si mesmo: todas as Quintas-feiras e Domingos poderão continuar a comentar as critícas do costume.

E assim espero contribuir para o desenvolvimento e divulgação da blogosfera nacional de Cinema. Porque todos nós merecemos!

segunda-feira, outubro 17, 2005

Um ano de cinema "Blogástico" no CN!


Obrigado a todos os que comentaram e aos que ainda hoje comentam. Em Outubro de 2006 cá estarei novamente a agradecer, já com Portugal Campeão do Mundo de Futebol e com Tarantino finalmente decidido sobre o seu próximo projecto. Ah, e com a Angelina Jolie"zita" (apenas para os amigos) aqui a sacar imperiais!

Que nunca vos faltem gaijas!

quarta-feira, outubro 12, 2005

Scream (1996)


Enquanto se prepara para ver um filme de terror,uma jovem (Drew Barrymore) recebe uma chamada telefónica de alguém que a força a participar num jogo de trivialidades desse género cinematográfico. Em risco está a vida do namorado, e o excesso de confiança injectado com uma pergunta fácil para aquecer ("Halloween"), revela-se fatal perante uma rasteira na pergunta seguinte ("Sexta-Feira 13"). A notícia espalha-se pelo liceu e não é propriamente pânico que se gera. Os estudantes parecem achar tudo muito divertido, como qualquer adolescente num filme de terror. Sidney (Neve Campbell), cuja mãe foi assassinada há quase um ano atrás, começa também a receber telefonemas e a ser perseguida. Entretanto, uma repórter da zona, Gale Weathers (Courtney Cox), confronta-a novamente com o facto de que ela pode ter acusado, e levado ao corredor da morte, um inocente - o amante da mãe - e que o verdadeiro assassino está agora de volta.

"Scream" é um filme de terror auto-fágico, na medida em que se alimenta - mastiga e cospe fora - de referências que são debitadas a uma velocidade impressionante, condimentadas por uma lista interminável de in-jokes e clichés. Wes Craven dirige um filme que tem o difícil intuito de viver dos clichés dos slasher movies - em que os personagens agem muito inconscientemente, praticamente saltando contra as lâminas dos assassinos -, e contorná-los, decompondo-os, porque estes são personagens que viram muitos destes filmes e sabem o que não devem fazer.

"Scream", chegando a tocar no ridículo em vários momentos, consegue, mesmo assim, manter uma narrativa estável, que nos surpreende no fim. E são exactamente estes dois "opostos" as principais razões para o sucesso de "Gritos". Juntando ainda uma magnífica realização de Wes Craven, bem como a sua reputação, e entende-se o grande sucesso e alarido que este filme provocou por onde passou. Um filme que consegue deixar em muitos momentos com pele de galinha os espectadores, mesmo quando se estão a rir.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Silence of the Lambs (1991)



Um psicopata está a raptar e a assustar jovens mulheres por todo o oeste americano. Com o intuito de tentar perceber a mente do assassino, o FBI manda a agente Clarice Starling (Foster) entrevistar um prisioneiro demente que poderá fornecer informações psicológicas, bem como pistas para o comportamento do homicida. Este prisioneiro, o psiquiatra Hannibal Lecter (Hopkins), é um canibal assassino e extremamente inteligente, que só concordará em ajudar Starling se esta saciar a mórbida curiosidade de Lecter com detalhes da sua complicada vida. Esta relação deturpada obriga Starling não só a confrontar os seus próprios demónios, mas também a encarar, face a face, um louco e horrendo homicida, uma tão poderosa encarnação do mal que ela poderá não ter a coragem ou força suficiente para o travar.

"O Silêncio dos Inocentes", apesar de ter sido o primeiro filme de terror a ser premiado com o Óscar de Melhor Filme e ser um dos filmes do género mais bem amados pelo mundo fora, está longe de, quanto a mim, ser uma obra de arte. Não devido à sua maravilhosa realização, com pormenores sucolentos de Demme, até então pouco conhecido no meio, nem derivado às maravilhosas interpretações, que tão justamente premiaram mais tarde Hopkins e Foster. Não pelos maravilhosos "one-liners" e momentos simbólicos do filme, e muito menos pela arrepiante "encarnação" de Ted Levine como Bufallo Bill. Porquê então?

Pura e simplesmente devido à história principal do seu argumento, que, a meu ver, foi pouco explorada pelos guionistas do filme, apesar de, tal como referi anteriormente, ter sido aproveitada ao máximo, com momentos fantásticos (as cenas de visão nocturna já no final são delirantes) pelo realizador, que justamente ganhou também o óscar de Melhor Realizador. Aliás, repito, Foster, Hopkins e Demme transformaram este filme num delicioso (se é que se pode usar esta palavra relativamente a um filme de canibais) entusiasmo. Mas, com um argumento mais trabalhado em termos de assasíno e não tanto em Hannibal Lecter, "Silence of the Lambs" poderia ter sido muito melhor. Muito mesmo.

terça-feira, outubro 04, 2005

Days of Thunder (1990)



O acelerar dos motores. A febre das corridas profissionais de automóveis. "Dias de Tempestade" apresenta-nos as mais espetaculares corridas de carros alguma vez levadas ao ecrã... ou talvez não! Tom Cruise interpreta o papel do jovem condutor Cole Trickle, cujo talento e ambição se vêem superados pela necessidade constante de vencer. Descoberto por Tim Daland (Randy Quaid), um homem de negócios, Cole tem na equipa o lendário desenhador e construtor de carros, Harry Hogge (o enorme Robert Duvall). Mas um brutal acidente quase termina com a carreira de Cole, que só com a ajuda de uma bela doutora (Nicole Kidman) e de uma estranha amizade consegue readquirir a força que necessita para competir, ganhar e viver.

Antes de tudo, preciso de realizar uma leve confissão: Sim, sou admirador confesso do talento de Tom Cruise e da maioria dos seus filmes de "Eu quero e vou vencer!". Sim, e não sou gay! Esclarecido este aspecto, posso redimir-me o suficiente e dizer que "Days of Thunder" não é um grande filme, muito longe disso, sendo mesmo completamente previsível desde o primeiro ao último minuto. Mas dá pica!

Realizado pelo conceituado realizador Tony Scott e com uma banda sonora bastante animadora de Hans Zimmer, "Days of Thunder" é do longíquo tempo em que Tom Cruise não era "apanhado" pela cientologia, não fazia figuras na "Oprah" e não era esguichado em premieres. Nicole Kidman era "hot", bem "hot" e não entrava em 20 filmes por ano, como faz nos nossos dias. Duvall, esse sim, é e era grande, com uma enorme presença no ecrã.

Com duas ou três cenas muito boas, "Days of Thunder", peca, exactamente na sua essência: ser um filme sobre corridas de carros. Mas o elenco satifaz, o argumento "fora-de-pista" é suficientemente agradável, e, não chegando aos calcanhares de "Top Gun", consegue cativar e não decepcionar o menos sedento dos critícos ferozes de filmes à "le" Tom Cruise. Normalmente levaria um três estrelinhas, mas como conta com um Tom Cruise visualmente parecidissímo comigo (queria ele) , um Duvall no que faz melhor (papéis secundários) e uma Nicole Kidman ainda bem fresquinha, leva um quatrozinho fraquinho!

domingo, outubro 02, 2005

The 40 Year Old Virgin (2005)



Andy Stitzer (Steve Carrell) é o totó de serviço, fã de ficção científica e coleccionador de brinquedos cinéfilos e banda desenhada. Nunca pragueja ou deixa objecto fora do sítio, conduz uma bicicleta e tem como ponto alto do dia ver o "Survivor" na televisão com uma boa sanduíche de ovo. Ao descobrirem que Andy ainda tem "os três", os seus colegas da megastore de electrodomésticos fazem a perda de virgindade de Andy uma meta a alcançar - quer ele queira, quer não.

"Virgem aos 40 anos", é, antes de tudo, um filme bastante sobrevalorizado, devido a Steve Carrell, um ícone da comédia para muitos nos Estados Unidos e não só, devido à sua participação diária num famoso talk show norte americano. Steve Carrell é bom, a ideia é óptima mas o filme, como comédia (romance?) é francamente fraco e consegue apenas arrancar duas ou três gargalhadas, com momentos singulares que não dão consistência ao todo. Não fossem estas duas mais valias, e "Virgem aos 40 anos" teria todos os elementos que abomino numa comédia.

Nos Estados Unidos,"Virgem aos 40 Anos" tomou de surpresa as bilheteiras tornando-se no êxito inesperado do verão, consumando a vingança dos totós que, no momento, dão as cartas e ganham, o lugar de destaque no panorama cinematográfico. Mas, não se deixem enganar, este filme de Judd Apatow (série "Freeks and Geeks") está longe de ser algo especial dentro do género e não fosse Steve Carrell e provavelmente teria sido um fiasco. Continuamos assim à espera de algo de novo neste género. Enquanto esperamos, porque não relembrar um dos "Pink Panther" com Peter Sellers?

.: 5/10 :.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Red Eye (2005)



Os fãs de Wes Craven podem finalmente respirar de alívio. Foram precisos cinco anos para produzir um novo êxito, mas ele finalmente chegou - "Red Eye" foi muitíssimo bem recebido pela crítica norte-americana e foi também um dos grandes sucessos deste final de Verão, tendo passado 4 semanas no top 5 dos filmes mais vistos. "Red Eye" é um thriller frenético que segue a trajectória de Lisa Reisert (Rachel McAdams), uma mulher que se prepara para embarcar num voo nocturno para Miami (o "Red Eye" do título) que entretanto se atrasou. Lisa nunca gostou de andar de avião, e fica portanto feliz quando se consegue abstrair do seu medo ao conhecer Jackson Rippner (Cillian Murphy), um dos passageiros. Só que Jackson não é quem aparenta ser e as suas verdadeiras intenções são reveladas em pleno voo...

Antes de tudo, vou começar pelo que mais gostei, Rachel McAdams! Rachel começa aos poucos a construir uma carreira impressionante. Após ter dado nas vistas em "The Hot Chick" (comédia protagonizada por Rob Schneider), Rachel contracenou com Lindsay Lohan em "Mean Girls", fez chorar muito boa gente no drama romântico "The Notebook" - ao lado de Ryan Gosling, e, mais recentemente foi o interesse romântico de Owen Wilson em "Wedding Crashers". Agora foi a vez de "Red Eye". E porque esta referência? Esta rapariga é um "copy paste" autêntico da Jennifer Garner mas em versão "boa actriz".

Quanto a Wes Craven parece ter-se virado para um suspense mais psicológico, com menos gore e menos sangue. O que é bom! O enredo é interessante e a parte de maior tensão passa-se a bordo do avião, onde a turbulência do voo, provocada pelo mau tempo, se alia à tensão crescente de Lisa, interpretada por Rachel McAdams. Num fantástico desempenho, a actriz vai aumentando o seu estado emocional, de pânico a revolta e depois a alguma apatia, para finalmente se libertar numa atitude definidora do resto da acção. Rachel McAdams surpreende, já que ao início começa por ter um desempenho regular para depois aumentar progressivamente a intensidade da sua interpretação. Apesar do cliché no final do filme, a actriz mantém-se constante e o realizador sabe onde há-de terminar a película, para que não se arraste num final longo e lamechas.

E se o seu final, ou melhor, a partir do momento em que a "acção" sai do avião, o filme perde bastante e torna-se banalissímo, esse facto não é longo o suficiente para arruinar a premissa e suspanse que lhe antecederam. Além disso, as personagens principais não seguiram Wes Craven na queda final de argumento e conseguiram, através de fortes presenças, dar alguma credibilidade, destacando-se o seu trabalho ( e porque não o de realização de Craven também) na cena final "bastão vs faca"!

Importante mencionar mais especificamente a personagem interpretada por Cillian Murphy, espectacularmente assustadora, devido ao seu "mix" de galante e psicopata, de auto-controlo e descontrolo total. Só Brian Cox, pai de Rachel no filme, esteve, a meu ver, bastante apático, chegando a ser ridícula a sua interpretação aquando da cena final. "Tás bem? Vou-te buscar um copo de água." Por amor de Deus!

Concluindo, não sendo um filme espectacular ou inédito, é suficientemente interessante para merecer uma olhadela da vossa parte. E façam-no no cinema se faz favor!

.: 7/10 :.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Zero Effect (1998)



"Zero Effect", ou em português "O Super-Detective", é um dos meus filmes favoritos, uma verdadeira pérola a desvendar por quem não o conhece (e acredito que sejam muitos).
Mas vamos por partes. O "Super-Detective", conta a história de Daryl Zero (Bill Pullman), considerado o melhor detective do mundo e do caso que vai acabar por modificar todo o seu modo de proceder, quer na sua vida privada quer no decurso das suas investigações. Daryl Zero é um homem obcecado por pormenores e sem qualquer gosto por se envolver com os seus clientes ou com outras pessoas, e para o ajudar conta com o seu fiel amigo Steve Arlo (Ben Stiller), um ajudante para todo o serviço e indispensável nas investigações. O "caso que vai acabar com todos os outros casos" tem como principal protagonista uma mulher enigmática, e com ela tudo vai ser diferente...
Estreia auspiciosa na realização de Jake Kasdan, filho do emblemático Lawrence Kasdan, que transpõe para o cinema um argumento seu, elaborando uma realização segura e eficaz sem toques de preciosismo tão comuns nas estreias atrás de uma camêra.
Bill Pullman e Ben Stiller estão absolutamente geniais, transformando "Zero Effect" num filme de selo obrigatório.
Coutinho77

domingo, setembro 25, 2005

The Dead Pool (1988)



"Na Lista do Assassino" foi o quinto e, até à data, último episódio da série policial "Dirty Harry", protagonizada pelo solitário, atormentado e pouco ortodoxo inspector da polícia de S. Francisco, a que Clint Eastwood deu vida, com sobriedade e fascínio, pela primeira vez em 1971. Desta vez, o inspector Harry Callahan tem de se confrontar com um diabólico serial-killer que vai assassinando diversas personalidades de uma lista de apostas de "morte", chamada "Dead Pool". Mas como é óbvio, nada consegue travar Harry, que com o seu inconfundível estilo, lá irá deter o inteligente e hábil assassino.

Buddy Van Horn dirige com grande subtileza e precisão esta previsível mas emocionante, aventura de "Dirty Harry", célebre pela incrível e bem imaginada paródia às grandes perseguições de automóvel na pitoresca e nada plana cidade de S. Francisco. Clint Eastwood continua a assumir a sua velha personagem com charme e inteligência, demonstrando como intérprete e personagem souberam envelhecer juntos, num filme que conta ainda no elenco com Liam Neeson e Jim Carey (numa hilariante imitação de Axl Rose), quando ainda era conhecido por James Carey.

Não podendo comparar com os anteriores filmes da saga, (pois ainda não tive oportunidade de os visionar) posso mesmo assim afirmar que "The Dead Pool" não é um policial acima da média em termos de intriga mas fantástico em termos de charme e classe das cenas de acção. E os produtores bem podem agradecer, não só ao estilo "mauzão" da personagem, mas principalmente ao génio de Clint Eastwood. O actor perfeito para "Dirty Harry"!

N.d.r: "The Dead Pool", apesar de ser o menos aclamado da saga pela maioria da critíca, teve nota máxima de Roger Ebert. E esta hein?

segunda-feira, setembro 19, 2005

The Blair Witch Project (1999)



"Em Outubro de 1994, três estudantes de cinema desapareceram na floresta próximo de Burkittsville, Maryland, enquanto rodavam um documentário. Um ano depois o material foi encontrado."

Esta é a premissa e o texto no écran que abre "The Blair Witch Project". O documentário foca o mito de uma bruxa que aterrorizou a povoação de Blair (que viria a tornar-se Burkittsville). Tudo começou em 1785, quando algumas crianças acusaram Elly Kedward de as atrair para a sua casa e de aí lhes retirar sangue. A mulher, considerada uma bruxa, seria expulsa e dada como morta, mas um ano depois os acusadores e metade das crianças da povoação desapareceram. Uma série de acontecimentos inexplicáveis registam-se ao longo dos anos, até que, em 1994, Heather decide realizar o documentário sobre o mito. Seria só em 1997 que, depois de uma investigação inconclusiva sobre o destino dos três jovens, a mãe, Angie Donahue, decide ceder o material à Haxan Films…

Fosse tudo o que escrevi anteriormente verdade e este seria, sem qualquer margem para dúvidas, o melhor filme de terror de todos os tempos, apenas pela sua veracidade. E a verdade, é que quando o vi, pensei realmente que todo o mito criado sobre esta suposta "cassete" era verídico e fiquei completamente aterrorizado com o seu final. Sabendo que afinal, tudo não passou de um enorme processo de marketing, continuo a afirmar, que "The Blair Witch Project", é, mesmo assim, um dos melhores, senão mesmo o melhor, filme de terror jamais feito. Porquê? Porque sem um único monstro, e um só efeito especial, uma suspeita de "gore", consegue cativar a imaginação do espectador em vez de a embotar.

O facto de ter sido executado com técnicas ligeiras de video, acessíveis e relativamente baratas, aumenta ainda mais o seu "charme" e reputação. Mais do que isso, a sua promoção inovadora abriu novas possibilidades de aliança entre o cinema e a Internet. O fruto, "The Blair Witch Project" é, portanto, e acima de tudo, um fenómeno de criatividade. Um exemplo? Na estreia do filme, no famoso site de dados "IMDB", na ficha dos três actores, aparecia: "Missing, presumely dead". Ora quem visionava o filme e de seguida encontrava esta informação, concerteza que se assustava.

Concluindo, Ed Sanchez e Daniel Myrick transformaram, com a ajuda da Internet, um minúsculo filme de terror independente num acontecimento cinematográfico inesquecível, assim como no maior acontecimento das suas existências bancárias. "The Blair Witch Project" é, "apenas", o filme mais rentável (custo-lucro) da história do cinema. Mai nada!

segunda-feira, setembro 12, 2005

Crash (2005)



Uma dona de casa e o marido advogado. Um persa que é dono de uma loja. Dois polícias que são também amantes. Um director de televisão afro-americano e a sua mulher. Um mexicano serralheiro. Dois ladrões de automóveis. Um polícia recruta. Um casal coreano de meia-idade... Todos vivem em Los Angeles e, durante 36 horas, vão entrar em colisão.

Depois do 11 de Setembro, "Colisão" olha de forma provocadora para as complexidades da tolerância racial na América contemporânea. "Colisão" poderá definir-se como uma variante sobre um modelo várias vezes experimentado pelo moderno cinema americano: a história de um grupo de personagens implicadas na mesma acção, mesmo que não o pareçam, desenhando de algum modo, o mapa afectivo de uma cidade. De qualquer forma, "Crash" é tudo menos um filme de cópia. O que dá unidade às suas intrigas paralelas é, afinal, uma componente extremamente perturbante: o racismo.

Sem qualquer problema em enfrentar a delicadeza do tema, Paul Haggis realiza um grande filme, cheio de deliciosos pormenores de realização e de uma complexa magnitude psicológica e humana. E para isso, até o elenco, a meu ver, cheio de actores medíocres como Matt Dillon, Brendan Fraser e Sandra Bullock, não foi suficiente para estragar o resultado final. Deste "conhecido" leque de actores, safaram-se Don Cheadle e a bela Jennifer Esposito, que pelas suas últimas representações secundárias, já pedia por um papel mais importante. Também fantasticamente soberbo neste "Crash", é a sua banda sonora e musicalidade interna da narrativa, a cargo de Mark Isham. Um nome a ter em atenção no futuro.

.: 8/10 :.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Who's Harry Crumb? (1989)



John Candy! Este homem foi um dos mestres do humor estúpido e idiota dos anos 80 que tantos fãs conquistou. A verdade é que os seus filmes faziam rir, apesar de estúpidos, e eram idiotas o suficiente para ser divertidos mas não irreais. "Who's Harry Crumb?" pode não ser o seu melhor filme, mas merece uma palavra. Porque, hoje, ao fim de muitos e muitos anos, ainda consegui esboçar, por várias vezes, um largo sorriso ao visioná-lo.

Harry Crumb é o único descendente vivo de uma famosa familía de detectives. O seu pai tinha sido um dos melhores e mais famosos detectivos privados do mundo e o seu avô ainda mais. Mas Harry, sonso e fracassado na actividade, foi "afastado" da grande empresa que os seus parentes haviam fundado e colocado num pequeno escritório. Quando um dos admnistradores da empresa planeia o rapto da filha do presidente, precisa do pior detective à sua disposição para o caso, de forma a não ser apanhado. É então, que Harry Crumb entra em acção...

Crumb, no entanto, nunca deu conta do fracasso que é. Julga-se o mestre dos disfarces e o maior detective do mundo. Daí em diante, as peripécias divertidas, e até mesmo, hilariantes são o "pão de cada dia de investigação" de Harry, e a sua ajudante, a jovem irmã da vitíma de rapto. Irmã essa, diga-se de passagem, que era bem gira, e que, pela minha curta investigação pelo IMDB, descobri que participou em filmes como "Saw", "The Island", "Armageddon" ou "Leaving Las Vegas". Engraçado.

O resto do argumento pouco interessa. Como disse, é estúpido e previsível. Mas "Who's Harry Crumb?" não é um filme para pensar ou julgar, mas sim, para rir e relaxar. Dar nota a este filme é uma tarefa amarga e difícil. Terei aqui, certamente, filmes com notas negativas bem melhores que "Who's Harry Crumb?", mas também bons filmes que não me entreteram nem me ficaram na retina como este. Vou tentar agradar a Gregos e a Troianos (como se alguém se preocupasse com isto!).

terça-feira, setembro 06, 2005

Birth (2004)



Anna (Nicole Kidman) é uma viúva prestes a casar outra vez. Tudo parece bem encaminhado até Sean (Cameron Bright), um rapaz de dez anos, aparecer na sua vida e lhe dizer que é o seu falecido marido, Sean. O que ao princípio parece ridículo, vai ganhando consistência na cabeça de Anna devido a tudo o que Sean revela sobre o falecido Sean, mas principalmente devido ao amor intenso que Anna ainda sente pelo falecido. Escrito por Jean-Claude Carrière e realizado por Jonathan Glazer, "Birth - O Mistério" aparenta ser um filme sobrenatural, mas o seu verdadeiro tema é a credulidade humana. E a verdade é esta... o filme não vale um chavo.

Se o argumento já é suficientemente fraco (apesar de à partida, enigmático), a realização é péssima e estraga qualquer esperança de um bom filme logo de início. Os momentos de tensão foram horrorosamente tratados, os planos são péssimos e tudo isso acaba por cansar o espectador. A emoção é nula e Nicole Kidman já teve melhores dias. Aceitar tudo o que é projecto, realizando sete ou oito filmes por ano nada a beneficiou. Ficou tudo muito automático.

E ao contrário do que o título português possa sugerir, "Birth" não tem nada de misterioso. O filme é bastante previsível e só teve impacto no meio devido ao seu suposto tema e elenco. O medo de Glazer em fazer algo surpreendente e extraordinário com o tema polémico e arriscado que usou, acabou por tornar "Birth" num filme medianamente fraco, mal trabalhado e sem futuro nas mais famosas "dvdtecas" de Hollywood. E a forma como foge, no seu final, ao tema que de início aborda, consegue apagar quaisquer dúvidas... "Birth" toca no ridículo e, mesmo sem ser fã de Stanley Kubrick, é no minímo hilariante, ler as comparações por esse mundo fora entre Glazer e este.

Vale pela "mamoca" esquerda da "ex-diva" Nicole Kidman, que cada vez mais, como referi anteriomente, aparece nas nossas salas semana sim semana não em filmes diferentes. Será falta de sexo? Darling, I'm here!!!

.: 2/10 :.

segunda-feira, setembro 05, 2005

On Golden Pond (1981)




No ano em que "Momentos de Glória" foi o premiado pela academia para o óscar na categoria de melhor filme, temos esta grande pérola cinematográfica, que na minha opinião, teria sido a justa vencedora desse galardão.

A "Casa do Lago" acompanha a família Thayer, da qual fazem parte Norman (Henry Fonda), Ethel (Katharine Hepburn) e a filha Chelsea (Jane Fonda) e a relação bastante sinuosa e pouco comunicativa existente entre pai e filha, que serve de permissa para o desenvolvimento da narrativa. É precisamente quando Chelsea, que se encontrava ausente à vários anos, decide voltar para comemorar os anos do pai e deixar o filho do seu noivo com eles durante uns dias, que velhos fantasmas vão surgir e tornar inevitável uma confrontação dos laços afectivos que os unem.

Realizado de forma magistral por Mark Rydell e contando com duas magnificas interpretações, que valeram inclusivamente os óscares de melhor actriz e de melhor actor, este filme é um marco no cinema dos anos 80. Raros filmes deliciaram tanto um espectador. A título de curiosidade, é de referir que na vida real, Henry e Jane Fonda, fizeram as pazes no decorrer deste trabalho, pondo fim à que até então, tinha sido uma relação extremamente conturbada entre pai e filha. Uma coincidência mordaz tendo em conta o tema do filme...
A não perder este grande clássico!
Coutinho77

quarta-feira, agosto 31, 2005

Janghwa, Hongryeon (2003)




A "Tale of Two Sisters" é o meu mais recente filme fetiche. É um filme poderoso e sublime que retrata a história de duas irmãs, Soo-mi e Soo-yeon e a turbulenta relação estabelecida entre elas e a madrasta. O drama inicia-se com a chegada a casa das irmãs após uma ausência forçada para tratamento hospitalar por distúrbios mentais. A permissividade de um pai (quase sempre) ausente contrasta com a dureza da educação ensaiada e pela crueldade de métodos da madrasta. Entretanto fenómenos estranhos começam a suceder pela casa, que tantas lembranças trás às irmãs...

Fiquei extremamente deliciado com o realizador desta obra, Ji-woon Kim. Confesso que o desconhecia completamente, mas que agora lhe vou dedicar uma atenção especial. A leveza dos planos e a direcção segura dos actores bem como um desenvolver escalonado dos acontecimentos, permitem ao espectador absorver totalmente cada uma das referências basilares da história. Uma palavra ainda para a magnifica composição sonora, o que se começa a tornar um hábito nos filmes asiáticos.

Se puderem não percam porque para mim este filme tem o selo de obrigatório.

Coutinho77

segunda-feira, agosto 29, 2005

8 Mile (2002)



Não importa onde vivemos, não importa quem somos, todos estamos rodeados por fronteiras...algumas reais, outras imaginadas. Muitos estão contentes por viverem dentro delas, outros são forçados a isso. Mas alguns de nós precisam de sair, de ver o que está do outro lado, mesmo que isso seja desconhecido e assustador. "8 Mile" é a história destas fronteiras que definem as nossas vidas e da luta de um jovem para encontrar a força e a coragem para as transcender.

"8 Mile" ultrapassa, e bem, a mediania deste tipo de histórias. Soa mais ou menos a «déjà vu»? Sem dúvida. Mas Curtis Hanson trabalha o filme de uma forma inovadora, tal como o fizera em relação a "L.A. Confidential". Eminem (apesar de não ser apreciador da sua música e do próprio estilo RAP) consegue uma boa representação, segura e, até, estimulante. Como filme musical, "8 Mile" está mesmo acima da média. Peca "apenas", aqui e ali, em todos os outros aspectos importantes de um bom filme; é previsível, usa uma história mais que batida e conta com muitos pormenores vagos. Mas nada que o fantástico duelo final não esconda debaixo do tapete.

“8 Mile” fala-nos de Rocky, perdão, de B-Rabbit/Eminem, o puto do bairro que sofreu para crescer, numa América que também tem muitos podres e pobres. O ‘self-made man’aí está de volta, e desta vez verseja, acusa, bate, esfola, ama e até consegue revelar o segredo que levou Eminem ao pódio: ser o próprio a falar de si e das suas falhas em vez de deixar a tarefa para os outros. Transformar as fraquezas em forças. Sun Tzu nas entrelinhas. O resultado é um filme que se não maravilha, pelo menos também não agoniza e até nos surpreende ao apagar as dúvidas iniciais.

.: 7/10 :.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Shade (2003)



Vernon (Stuart Townsend), é um jovem viciado em póquer, mestre no ilusionismo de cartas (e baralhos inteiros), que ao lado dos seus parceiros de crime, o veterano Charlie (Gabriel Byrne) e a sexy Tiffany (Thandie Newton), arma consecutivos golpes de forma a angariar uma grande quantia de dinheiro e entrar no jogo de póquer mais disputado do ano, com a lenda Stevens (Sylvester Stallone), o rei do jogo e que nunca foi batido. Mas por de trás de cada jogador existe um "gangster" disposto a usar os mais sujos truques caso o seu dinheiro não seja devolvido.

Com um elenco forte em termos nominais mas fraquinho em termos representativos (Stallone devia ter ficado pelos Rambo's, Rocky's, Cobra e pouco mais), "Shade" dificilmente seria um bom filme, fosse qual fosse a sua linha narrativa. O argumento, baseado em meia-dúzia de truques baratos e duas ou três reviravoltas já nada inovadoras e uma realização sóbria mas monótona, tornam, então, este "Os Profissionais do Jogo" em apenas mais um dentro do género.

"Shade" é um daqueles filmes "não sei o que dizer sobre ele"! Ou seja, não é bom mas também não é péssimo, não amamos mas também não odiamos. É mediano, fácil de esquecer após dois ou três dias e entra com uma enorme facilidade naquela enorme lista de filmes que não necessita uma segunda visualização. Um filme do "quem engana quem?", sem qualquer cena memorável, mas que também não aborrece durante a sua curta hora e vinte.

Assim sendo, a conclusão é fácil. Damian Nieman teve medo de arriscar, dar um toque pessoal e diferente ao argumento e o resultado foi um filme que não ilude nem desilude. E eu não gosto de filmes de sábado à tarde... para isso mais valia ter visto o simpático e divertido "Maverick" pela décima quinta vez! Esse sim, uma boa "mão de póquer"!

.: 4/10 :.

terça-feira, agosto 09, 2005

Man On Fire (2004)



John Creasy (Denzel Washington) é um antigo agente das Forças Especiais, alcoólico e prematuramente envelhecido, desiludido com a vida e sem futuro, que vai ao México visitar um velho camarada, Rayburn (Christopher Walken). Quando uma onda de raptos alastra no país e provoca o medo nas classes mais abastadas, ele é contratado para ser o guarda-costas de uma criança de 9 anos, Pita Ramos (Dakota Fanning), filha de um industrial. Quando esta é raptada, a fúria de Creasy é sistematicamente lançada contra todos os que crê responsáveis, numa corrida infernal de vingança.

Não, não vai ser a primeira vez que o digo aqui no blog... Dakota Fanning é uma senhora actriz! Com ou sem dentes! A ver vamos se não se espalha ao comprido nos anos que se avizinham, como é tão habitual nas jovens promessas de Hollywood (Sozinho em Casa... cof cof... drogas... cof cof). Quanto a Denzel Washington, será mesmo necessário dizer mais alguma coisa? Simplesmente... arrepiante! Confirma-se então em "Man on Fire" o que já todos sabiam: Denzel é mesmo um dos melhores actores da actualidade e provavelmente o continuará a ser nos próximos anos.

Com uma boa dose de emoção e violência justificada, Tony Scott traz-nos aquele que provavelmente será o melhor filme da sua carreira, independentemente das obras que o lançaram para a ribalta e que marcaram a história do cinema, como "Top Gun", "Days of Thunder", "Enemy of State" ou o poderoso e magnífico "True Romance", que conta com argumento de Tarantino. Em "Man on Fire", Scott usa e abusa de uma estilização imaginária e de uma montagem super-rápida, que cai bastante bem em várias partes do filme, mas que retiram também, por vezes, protagonismo e qualidade ao fabuloso leque de interpretações que assinam este filme.

Apesar deste certo exagero estilístico e de efeitos de pós-produção, a história do solitário agente Creasy e da sua relação emocional com a pequena Pita agarra o mais céptico dos espectadores. Um filme sobre um problema real, que acaba por nos comover, devido à necessidade que todos nós temos de amar e ser amados. Nem a sua longa duração de duas horas e vinte minutos consegue tornar este "Man On Fire" lento ou aborrecido. Nada ficou esquecido e o seu final, a fugir às regras básicas de felicidade de Hollywood, em muito contribuem para que este seja um filme a ver e a rever nos próximos anos.

.: 9/10 :.

segunda-feira, agosto 08, 2005

John Q. (2002)



Denzel Washington, vencedor de dois Óscares pela sua participação em "Tempos de Glória" e "Dia de Treino", protagoniza nesta história o papel de John Q., um pai que se vê forçado a tomar medidas drásticas numa situação extremamente desesperada. Quando num jogo de baseball o seu filho desmaia, John Q. e a sua mulher são informados que o mesmo necessita de um transplante de coração. Sem seguro de saúde e sem dinheiro suficiente para pagar a operação, este casal vê-se sem quaisquer opções para salvar a vida do filho. A única escolha para este pai em pleno desepero será fazer justiça pelas suas próprias mãos numa epopeia contra o tempo para salvar a vida do filho.

"John Q." conta com um sólido elenco, com a presença de actores como Robert Duvall, James Woods e, claro está, Denzel Washington, que é, a meu ver, um dos, senão mesmo o melhor actor da actualidade em Hollywood. Denzel cumpre, como é costume, com a densidade da sua personagem, o que no entanto, não é suficiente para salvar o resultado final medíocre de um filme que pouco mais poderia ser, devido à sua base num caso verídico. Mas o seu final simpático q.b e primário merecia muito mais trabalho e outro caminho.

Assim sendo, o resultado final é o de um filme híbrido, ziguezagueante, com alguns momentos de insólita densidade emocional, mas também algo complacente no tratamento dos problemas que levanta. Do mal o menos... sempre serviu para provar a justiça do óscar entregue a Denzel Washington no ano anterior pelo fabuloso "Training Day", que em breve, constará aqui no blog. "John Q." é assim, um filme que reivindica o velho direito da “justiça pelas próprias mãos”, com a sua vertente de paradigma social. Fica no entanto, muito longe do que poderia ter sido.

.: 6/10 :.

domingo, agosto 07, 2005

Signs (2002)



Um misterioso círculo com mais de 150 metros encontrados num campo de cereais algures na Pensilvânia, na quinta do reverendo Graham Hess (Mel Gibson) e outros tantos encontrados em diversas partes do mundo, são o ponto de partida para "Sinais" de Night Shyamalan, conceituado realizador da nova geração (para muitos o tão esperado sucessor de Hitchcock), que já tão bons "sinais" deixou com "The Sixth Sense" e "Unbreakable", por exemplo.

Mas, ao contrário da maioria, "Signs", a meu ver, não passa de um filme mediano, com alguns (poucos!) bons (excelentes!) momentos. O tema da invasão extraterrestre foi, mesmo assim, muito bem abordado, discretamente e maioritariamente representado por sinais, tal como o título indica, o que cedeu ao filme a sua melhor e mais conseguida característica, o suspanse. Há também em «Sinais» uma «mensagem» sobre os desígnios divinos e sobre a fé, que, apesar de ter sido mal e porcamente desenvolvida, marcou todo o filme, salvando um pouco o argumento, ou melhor, a história da família protagonista, a qual não me convenceu nada.

Mel Gibson e Joaquim Phoenix não marcaram as suas personagens, pois, a meu ver, não souberam exemplificar o tão importante "under-reaction" que o realizador pretendia para a sua obra. E não é de admirar, pois tanto Mel Gibson e Joaquim Phoenix estão habituados a outro tipo de papéis que não os de padre/tio campónio.

Assim sendo, "Signs" triunfa no aspecto religioso, no qual se tornou, sem qualquer margem para dúvidas, num dos melhores dos últimos anos. Mas no global, e tendo em conta a filmografia de Night Shyamalan, "Sinais" deixou muito a desejar. Depois de "Unbreakable" (injustamente criticado pela maioria) e do fabuloso "The Sixth Sense", "Signs" deixa mesmo muito a desejar. Em jeito de conclusão, posso afirmar que os vários momentos de grande intensidade dramática e a sua temática religiosa não são suficientes para colmatar a imensa artificialidade de diálogos, relações e interpretações, e com o seu final previsível e fácil.

.: 7/10 :.

N.D.R: Peço desculpa a todos os que por cá passam pela longa ausência. Férias são férias porra!!!

quarta-feira, julho 27, 2005

Questionário



Este desafio foi criado por Miguel Baptista, e foi-me enviado por Manuel barros.

1 - O que é para ti o cinema?
O cinema para mim é uma realidade inerente à vida e independente da mesma. É a nossa hipótese de sonhar acordados e viver por intermédio de outros. É uma arte insuperável.
1.1 - Como o encaras: Arte ou Entertenimento?
É uma conjugação desses 2 factores. Arte e entertenimento de mãos dadas. Podemos inclusivamente associar os pontos de vista de quem proporciona o espetáculo e trabalha nele (quem faz a arte) e do espectador (receptor de entertenimento).
2 - O que tem de ter um cineasta para que possas admirar a sua obra?
Na minha opinião um realizador tem de guiar-se pelo amor ao trabalho e pela sua visão particular, nunca pelos lucros ou pelas espectativas do público. Talvez por isso o meu amor pelos filmes independentes e pelos grandes clássicos onde a regência de argumentos+orçamentos raramente convergem negativamente.
3 - O que tem de ter um actor/actriz para apreciares a sua interpretação?
Sentir o papel e vivê-lo. Apenas isso...
4 - O que preferes: Créditos iniciais ou Créditos finais? Porquê?
Os iniciais sem dúvida. A entrada de um filme onde o realizador pode cometer os maiores devaneios artisticos, sem ligar às audiências, pois nós ainda não temos a nossa mente fixa e pronta a assimilar e podemos gozar o espetáculo.
Nos créditos finais por vezes estamos a entrar num periodo de reflexão e nem ligamos. Fazemos nós próprios um "fade out".
5 - Achas que as barreiras que separam o cinema das outras artes podem, em circustância alguma, ser quebradas?
Quebradas para mim não é o termo correcto. No máximo torcidas... pois penso que todas elas se encontram indiscutivelmente ligadas sendo no entanto autónomas.
Acho que a tentativa de quebrar no filme(?) "branca de neve" de João César Monteiro não resultou por ai além...
6. Passo o desafio a...
Todos os que quiserem participar, quer seja em forma de comentário ou num próprio blog!
O Knoxville certamente saberá uns nomes a quem passar o deafio.
Coutinho77

terça-feira, julho 26, 2005

Limelight (1952)



"As luzes da ribalta" é um filme escrito, realizado e interpretado por Charles Chaplin.

O nosso conhecido "Charlot" tem neste filme uma poderosa interpretação na personagem de Calvero, um cómico em desgraçada, perdido na bebida. O seu encontro com Thereza (Claire Bloom) dá-se por um acaso do destino e é através da relação que vai ser establecida e construida desde esse momento que ambos vão retirar da vida a hipótese de triunfar. Um triunfo que para Calvero bem pode ser o final...

Este filme mostra um outro lado de "Charlot" a que não estávamos habituados; Mostra-nos um palhaço triste e decadente que a vida roubou todo o brilho que outrora tivera.
Diz-se que pode ser encarado como um resumo da sua carreira.

Uma palavra para a presença enérgica, bem-disposta e genial de Buster Keaton (Ajudante de Calvero).

A titulo de curiosidade, este filme apesar de ter sido feito em 1952 viria a receber na cerimónia dos Óscares de 1973 o óscar para melhor canção num filme dramático, isto porque ao abrigo das leis de academia e uma vez que o filme só tinha sido lançado em Los Angeles no ano de 1972 isso permitia que ele fosse elegível apesar dos seus 20 anos de idade.

Clássico a (re)ver!
Nota 8,5

Coutinho77

domingo, julho 24, 2005

8 Femmes (2002)



Estamos nos anos 60 algures em França, o Inverno faz-se sentir e o Natal espreita. Num enorme chalé, oito mulheres acabam por se reunir sobre o mesmo tecto para celebrar a quadra. Uma tempestade de neve deixa-as isoladas, mas o pior dá-se quando o homem lá da casa aparece assasinado e que a responsável só pode ser uma delas.

Com tons de "musical" e um ambiente de comédia negra, "8 Femmes" é um divertido exercício de estilo que cruza géneros tão diversos como a sátira social ou o policial "à lá" Agatha Christie. Com as cores fortes e cada cena cuidadosamente cuidada, o realizador francês François Ozon consegue dar a esta adaptação teatral a sua pretendida e assumida artificialidade, essencial para perceber o espiríto da narrativa.

Mas o grande triufo de Ozon é, sem dúvida, o poderio, experiência e reconhecimento do elenco com que trabalhou. Contar no mesmo trabalho com nomes como Catherine Deneuve, Isabelle Huppert ou Ludivine Sagnier, deu uma enorme segurança e reputação ao filme. A forma hábil como Ozon soube reunir e gerir um conjunto de talentos tão fortes como os destas oito actrizes, foi realmente, notável. Todas conseguem brilhar, sem nenhuma se sobressair.

Atraente, caloroso e divertido q.b. "8 Mulheres" é um entretenimento de enorme apelo, pela sua promissora premissa, que seduz tanto os cinéfilos mais militantes como os espectadores vulgares, que dificilmente irão conseguir resistir à atmosfera jubilatória desta pérola do moderno cinema francês.

.: 8/10 :.

quinta-feira, julho 21, 2005

The Shining (1980)



“HERE'S JOHNNY” – Com esta frase, Jack Torrance atinge o auge da loucura no filme “The Shining” e nós quase que paramos de respirar…

The Shining é um filme do saudoso mestre Kubrick (amado por uns, odiado por outros) com base num argumento do não menos fenomenal Stephen King.
Apesar de ter recebido criticas desfavoráveis pelo facto de ter alterado aspectos significativos da história original, o produto final da sua realização resulta num dos mais belos filmes de terror moderno onde todos os ingredientes de tensão e de desenvolvimento da acção são apresentados aos espectadores num crescendo de emoções. Sem recorrer a grandes efeitos visuais esta história acenta pois então, na força do argumento e das suas personagens.

A história centra-se na personagem de Jack Torrance (Jack Nicholson) que em busca de um pouco de sossego, que necessitava para acabar um livro, aceita o emprego de zelador num hotel centenário, palco de crimes bizarros e sob influência de forças ocultas. Desconhecendo tais acontecimentos, Jack parte para uma temporada de isolamento em companhia de sua mulher Wendy (Shelley Duvall) e do seu filho Danny (Danny Loyd).
A partir do momento em que Jack e a sua família entram no hotel “Overlook”, fenómenos estranhos começam a acontecer…

Com interpretações notáveis (em especial relevo Jack Nicholson) e uma direcção segura, “The Shining” é sem dúvida o melhor filme de casas assombradas e um dos melhores de terror psicológico que já vi.

Tem o selo de obrigatório
Nota 8,5
Coutinho77

quarta-feira, julho 20, 2005

Raging Bull (1980)




Ora cá está a primeira critica que faço em parceria com o meu amigo Knoxville.

Martin Scorsese e Robert de Niro!
Só estes nomes isoladamente, eram suficientes para me fazer arrastar ao cinema ou para eu ficar a olhar para qualquer ecrã de tv. Quando estamos perante uma película em que ambos participam e em que o primeiro realiza e o segundo interpreta então como diz o povão "alto e pára o baile!"

Raging Bull ou em português "O Touro Enraivecido" é um hino ao cinema e claramente um dos melhores filmes da história cinematográfica. Baseado na autobiografia do pugilista Jake La Motta, totalmente filmado a preto e branco (com uma pequena excepção de cor aquando do visionamento de um vídeo caseiro do casamento de Jake), este melodrama foi vencedor em 1980 de 2 Óscares - Montagem e Actor principal (Robert de Niro), tendo perdido na categoria de melhor filme e melhor realizador bem como nas categorias de melhor actriz e actor secundários e de som. Uma palavra para Robert de Niro e para a sua maravilhosa interpretação onde a dedicação a este papel o levou a engordar uns fenomenais 27 quilos exigidos pelo argumento.

A história fala sobre a ascensão de um pugilista, Jake La Mota (Robert de Niro) ao estrelato e da sua personalidade destrutiva e violenta, e da forma como afectou todos os que o rodeavam, nomeadamente o seu irmão Joey (Joe Pesci) e a sua mulher Vickie (Cathy Moriarty). Acompanhamos toda a carreira de Jake, desde a sua primeira vitória até à sua queda em 1951, quando é derrotado por Sugar Ray.

O grande mérito de Scorsese é contar uma história sobre o tipo de pessoas que não quereríamos conhecer e levar-nos a sentir uma empatia muito forte com essas mesmas personagens. Filmado a um nível superior, as cenas dos combates são apontadas como um marco na realização; Scorsese levou a câmara para dentro do ringue de modo a transmitir aos espectadores toda a brutalidade, como se fossem eles a receber e a atacar em cada golpe.

Um dos melhores filmes que vi e que recomendo vivamente.
Nota 10!
Coutinho77