domingo, março 01, 2009

The Wrestler (2008)

Década de oitenta: Randy “The Ram” Robinson é um dos artistas – continuo a acreditar que este é o termo mais correcto para descrever a actividade dos ainda hoje aqui e ali denominados lutadores de luta livre – de elite do wrestling norte-americano, com direito a figuras animadas, jogos de consolas e combates que ficaram na história da modalidade – ou será espectáculo? Vinte e muitos anos depois, “The Ram” é uma sombra do seu fado, uma estrela cadente cuja trajectória há muito o traiu. Abandonado pela família, vive de algumas notas que conquista em combates amadores e do seu trabalho part-time num supermercado. Quando é traído pelo seu coração após mais uma disputa em ringue, vê a vida a fugir-lhe entre os dedos endurecidos e as lágrimas de arrependimento.

The Wrestler”, citando um colega, vive e morre pela performance de Mickey Rourke. O guião de Robert D. Siegel é, ele próprio, uma alegoria à conturbada vida e carreira de Rourke em Hollywood, numa odisseia mais do que conhecida entre drogas, álcool e as promessas de um novo Marlon Brando. Fita pouco confortável sobre a fatalidade e o declínio do ser humano, Rourke assenta que nem uma luva no papel de um homem que não sabe ser nada mais do que aquilo que não deve ou pode ser em determinada altura da sua vida. E quando Randy tenta abandonar “The Ram”, uma performance fantástica de Rourke – que merecia o óscar que acabou nas mãos de Penn – demonstra que ser um sujeito normal pode ser muito mais difícil do que uma estrela. Numa vida de excessos e em claro declínio, também Marisa Tomei dá a face e um pouco mais por uma mulher cuja dignidade está em choque com a vida que leva.

E, no entanto, estão nos poucos minutos entre Rourke e a brilhante Evan Rachel Wood os mais fortes golpes de Aronofsky. A química metalinguística entre ambos atinge proporções épicas num par de cenas filmadas de forma pessoal e intimista pelo realizador nova-iorquino, que de câmera em punho e sem medo de cenas extensas, deixa a dupla dominar a tela através das suas mágoas. Por fim, uma cena espantosamente simbólica e bem filmada encerra uma obra que, espera-se, marque uma viragem na órbita de um astro.

10 comentários:

Luís disse...

vi-o agora mesmo. Que filme do caralho! Brutal!

Anónimo disse...

Um belo filme e ótima direção de Aronofksy! :)

Arannea disse...

Embora num registo diferente do habitual, Aronofsky deixou-me novamente de queixo aberto. Fantástico! Só faltava o óscarzinho a Rourke... Mas adiante!

Knoxville disse...

Mas confesso que está longe de ser o meu favorito de Aronofsky. Arrisco-me mesmo a dizer que é o seu filme mais... fraquinho! O que é um grande elogio, já que, como podem ver, gostei bastante.

Cumprimentos Luís, Pedro e Arannea, obrigado pela visita e pelo feedback!

Francisco disse...

As minhas expectativas crescem em torno de tão falado filme.

Francisco disse...

As minhas expectativas crescem em torno de tão falado filme.

davidoff disse...

Críticas muito bem redigidas que reflectem a mente de um crítico brilhante.
Sem dúvida um blog a seguir, parabéns pelo trabalho.

lmlas disse...

Não consigo concordar com o óscar a Sean Penn apesar da sua prestação ser de facto muito boa... Há anos que não via uma actuação de Rourke em The Wrestler... Uma actuação que de tão natural e verdadeira que quase faz ter lágrimas nos olhos. Tudo na actuação de Rourke é sentido, não houvesse na linha da estória um paralelismo com a sua própria vida.

Randy 'The Ram' Robinson: " I just want to say to you all tonight I'm very grateful to be here. A lot of people told me that I'd never wrestle again and that's all I do. You know, if you live hard and play hard and you burn the candle at both ends, you pay the price for it. You know in this life you can loose everything you love, everything that loves you. Now I don't hear as good as I used to and I forget stuff and I aint as pretty as I used to be but god damn it I'm still standing here and I'm The Ram. As times goes by, as times goes by, they say "he's washed up", "he's finished" , "he's a loser", "he's all through". You know what? The only one that's going to tell me when I'm through doing my thing is you people here. "

Darren Aronofsky mostra mais uma vez que não sabe fazer maus filmes e que não é preciso grandes orçamentos (7 milhões de dólares) para se fazer grandes filmes...

Knoxville disse...

davidoff, muito obrigado pelas mais que simpáticas palavras. Cumprimentos.

Francisco, já o viste? Um abraço.

lmlas, estou contigo no que toca ao Penn e ao Rourke. Um abraço.

Anónimo disse...

boas, acabei agora também de ver o filme.

adorei mesmo, marcou-me um pouco pessoalmente.

desde a noite dos oscares que andava para ver o filme.

obviamente o que me "puxou" para ver o filme foi o Rourke e a Marisa

;)

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