É muitas vezes uma delícia ler o que Francisco escreve, quer concordemos ou não com o que o mesmo afirma. Esta análise a Lady in the Water, de Night Shyamalan é, na minha opinião, o melhor exemplo da articulação entre uma linguagem poética, quase fantástica, e um rigor estrutural e de pensamento exemplares. Não vou retirar qualquer excerto, como farei posteriormente, pois todas aquelas palavras usadas pelo meu amigo "Katateh" não merecem o risco de ficarem abandonadas a uma leitura parcial e incompleta. Façam o favor, a Crítica do ano está
aqui!
Melhor Artigo num blogue de Cinema em 2006
Cinema, no
Claquete por
Tiago CostaÉ um artigo dirigido ao Hugo Alves, autor do Amarcord, mas merece ser lido e pensado por todos. Surgiu à última da hora nos nomeados mas as pequenas grandes frases que Tiago Costa articula no seu "texto de guerrilha" garantiram-no o galardão. Aqui estão os minuciosos pormenores que estabeleceram a diferença:
"Partindo do princípio assente no primeiro ponto, e presumindo que ninguém se julga dono da Razão e da Verdade (mesmo que às vezes pareça...), obviamente que
qualquer opinião contrária à minha ou à de qualquer outro cinéfilo tem a mesma validade e merece idêntico respeito."
(...)
"Como cinéfilo que sou, como apaixonado pelo cinema, possuo um incessante interesse em conhecer o mais possível da História desta fascinante Arte desde os seus primórdios. É uma História vastíssima e, como tal, ainda tenho muito para conhecer -
não seria inteligente de minha parte presumir saber mais do que outros (especialmente cinéfilos da blogosfera que nem conheço). Parece que Hugo Alves tem outra visão sobre esta matéria."
(...)
"
É ainda menos prudente basear ataques a comentários de outros cinéfilos nessa infeliz pretensa superioridade de conhecimentos (como se dissesse "Eu conheço mais do que tu, logo tu estás errado."). Não querendo aqui especular sobre se Hugo Alves conhece ou não mais do que eu, também sobre esta questão tenho algumas coisas a dizer. Hugo Alves afirma que só quem não conhece Ozu, Ford, Murnau e restantes expressionistas é que pode não apreciar o filme de Pedro Costa. Bom, provavelmente o facto de conhecer a obra desses grandes cineastas contribuiu para a minha reacção negativa às imagens de Juventude em Marcha. E, para brincar um pouco com estas inócuas afirmações, poderia acrescentar que "Só quem não conhece Ozu, Ford, Murnau e restantes expressionistas é que pode considerar Pedro Costa um realizador de grande visão e talento." Serve este exemplo para demonstrar a reversibilidade e extrema fragilidade de afirmações destas."
(...)
"
A forma como Hugo Alves inferioriza o pensamento de quem com ele não concorda, a pretexto de os estar a chamar à razão e de corrigir os seus supostos disparates, implica responder a uma importante e profunda questão: Numa troca de opiniões cinéfilas, o que é a Razão ou a Verdade?"
(...)
"
E interessa-me sobretudo preservar o nível da conversa e respeitar as formas de sentir dos outros cinéfilos. (...) Dito isto, falemos sobre cinema."
Melhor Blogue Português de Cinema em 2006
Play It AgainPrimeiro, deixem-me começar por dizer que esta não foi uma escolha fácil. O primeiro critério definido por mim era o nível de actualização. Play It Again estava entre os melhores, apesar de nos primeiros quatro meses de 2006 a média de
posts ter rondado os 15, ou seja, um de dois em dois dias. Mas daí em diante, normalmente o blogue da Helena ultrapassou as 30 entradas mensais, batendo a maioria dos restantes. Definido o público-alvo de análise (os 10 blogues de cinema mais actualizados de 2006), passei então à análise qualitativa de cada um. E a partir daí, tudo deixou de ser científico e passou a ser completamente subjectivo, baseado no meu gosto pessoal e na minha própria noção de cinema.
A Helena iniciou a sua aventura na blogosfera em Março de 2005 mas rapidamente cativou a atenção de todos os seus leitores. Simpática e modesta em demasia, a Helena não deixa espaços temporais nem géneros por preencher. Vê de tudo um pouco (ou melhor, vê de tudo bastante) e deixou a sua opinião em 2006 no seu blogue sobre mais filmes que a maioria de nós nos nossos desde a existência dos mesmos. Recentemente abandonou o sistema de classificação por estrelas - uma má opção na minha opinião, mas que não é para aqui chamada - e colabora com o Take a Break, do carissímo Pedro Romão.
Em suma, Play it Again foi uma companhia diária garantida tanto nos gélidos dias de Inverno, como nos abrasadores meses de Verão. Uma fonte de conhecimento e informação sobre obras muitas vezes completamente desconhecidas ao cinéfilo mais light (no qual me incluo, sem qualquer problema). Play it Again é... o Blogue do Ano para o Cinema Notebook. E que me desculpem todos os outros que bem perto ficaram dele.