quinta-feira, dezembro 30, 2004

Devil's Pond (2003)

O que começa como uma romântica lua-de-mel numa ilha deserta, com apenas uma cabana, no meio de um enorme lago, transforma-se num horrível pesadelo, quando Julianne (a bela Tara Reid) descobre que o seu novo marido é completamente "passado dos cornos". Encurralada na ilha, sem saber nadar e sem meios para sair dali, pois o seu maridinho (Kip Pardue) destruiu o barco e tudo mais, ela entra em desespero e começa a perceber que a única forma de sair dali é matado-o. Será que o vai conseguir? MuAhahHaH (riso maquiavélico), vejam o filme!

Este é daqueles filmes de terror de baixo orçamento, que não fosse pela Tara Reid, ninguém tinha visto. Eu inclusive. O filme é completamente "domado" por estas duas personagens. Não aparece mais ninguém o filme todo. Em termos de representações e de bom exemplo da premissa "Obessesão", o filme safa-se e bem. Agora em termos de thriller psicológico, filme de terror ou qualquer estilo do género, falha por completo. Assustava mais olhar para a Kournikova, Pamela Andersson, Carmen Electra, Elisha Cuthbert ou Angelina Jolie sem maquilhagem. (Este foi um pequeno truque para aumentar as visitas ao blogue através do Google, usar os nomes de gajas conhecidas e jeitosas). Por isso, a não ser que o vosso QI seja o mesmo da vossa temperatura da sala, não aluguem este filme. Não vai acrescentar nada aos vossos neurónios, garanto-vos. Mas aviso já que a Tara Reid está bem boa no filme.... nada, nada, não liguem! Ah, já me esquecia. Depois de 2 semanas sozinhos numa ilha, sem água, sem nada... Tara Reid teve sempre maquilhada e "boa nas horas"!

terça-feira, dezembro 28, 2004

Intacto (2001)

Juan Carlos Fresnadillo, o Shyamalan de Espanha? Tal como em "Unbreakable", "Intacto" entra pelo caminho das profundezas da mente humana sobre invulnerabilidades, fragilidades e dotes. Esta é uma história sobre homens abençoados com a sorte e tudo o que de mais radical e dramático estão dispostos a fazer para se consagrarem como os melhores. "Intacto" é um filme que fala dessa estranha e inexplicável coisa que é a sorte como uma entidade invisível mas quase física, capaz de passar de corpo em corpo como um vírus desejado. É admirável como Fresnadillo cria um mundo muito próprio, com uma lógica interna e regras bem definidas que rapidamente parece fazer todo o sentido ao espectador que estiver disposto a aceitar o jogo. Há um certo ambiente de sonho que o Fresnadillo não ousa levar às últimas consequências, mas que consegue criar inquietação suficiente para que não o percamos de vista numa das suas próximas aventuras. De "Intacto" pode dizer-se que é daqueles filmes que promete muito mais do que aquilo que pode, objectivamente, cumprir. Louve-se a ambição. No entanto, sublinhe-se a frustração que fica depois de hora e meia de boas ideias em busca de uma épica resolução que acaba por não acontecer. Seja como for, vale a pena descobrir.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Forrest Gump (1994)

Uma breve incursão pela história americana desde a década de cinquenta até à década de oitenta, através dos olhos de um homem, Forrest Gump, resulta num épico, graças à realização inteligente e sentimental de Robert Zemeckis e ao desempenho sensível de Tom Hanks no papel principal. A primeira vez que vemos Forrest, um simpático idiota com um QI de 75, ele está sentado num banco, numa paragem de autocarros. Enquanto espera, vai contando a sua vida a uma sucessão de pessoas com as quais partilha o banco - e é uma história espantosa. Ao longo de pouco mais de duas horas de filme, passamos três décadas da sua vida, nas quais chegou a ser apresentado a três presidentes norte-americanos; torna-se um herói de guerra salvando o seu superior "Tenente Dan" (brilhantemente interpretado por Gary Sinise) e ainda um magnata do camarão. Em todos estes momentos, Forrest sonha reencontrar Jenny (Robin Wright Penn), sua única amiga de infância, e cuja vida tomou um rumo completamente diferente. Enquanto Forrest está a participar em diversos momentos culturais e históricos, Jenny está metida até ao pescoço na contracultura americana, protestando contra a guerra e defendendo o álcool e a droga. A história de amor entre Forrest e Jenny é única e maravilhosa. Assim sendo, esta é uma história comovente de um homem simpático, honesto e inocente (repito, mais uma vez, interpretado de uma forma magistral por Hanks), que todos gozavam e em que ninguém acreditava. Obra de arte e para sempre marcado na história do cinema. "Why don't you love me, Jenny? I'm not a smart man, but I know what love is."

terça-feira, dezembro 21, 2004

Baramui Fighter (2004)

"Fighter in the Wind" é um filme coreano sobre a vida de Choi Baedal. Este ficou uma lenda no Japão, apesar de ser coreano. Dizia-se dele que enfrentou ao todo 270 mestres de várias artes marciais no Japão. Que larga maioria destes foi derrotada apenas com um soco. Que nunca nenhuma luta entre ele e um mestre durou mais de três minutos, e eram raras as que duravam mais de alguns segundos. Se ele acertasse, partia. Se o adversário bloqueasse um soco, ficava com o braço partido. Ficou conhecido por todo o mundo como o "Godhand", a mão de Deus. Baseado nesta lenda asiática, o filme começa com Choi Baedal (uma magnífica interpretação por parte de Masutatsu Oyama) jovem, rumando ao Japão para se tornar um aviador, nos tempos de guerra. Enfrentando todos os problemas racistas dos coreanos no Japão na altura, Baedal vê ainda o seu antigo mestre de artes marciais ser morto e decide vingar-se. Parte para as montanhas geladas, fazendo com que o treino de Rocky ao pé do dele fosse tão simples como a Kournikova perder um jogo de ténis. Entre partir pedras com as mãos (sim, leram bem!) e outras maluquices, sempre congelado, Baedal decide por fim partir e defrontar todos os mestres marciais do Japão, provando ser o que o seu antigo mestre sonhava ser, o homem mais forte do Japão.

É um filme cheio de sentimentalismo, que torna a história maior que a vida. Acaba com uma frase da autoria de Baedal, que pelo que pesquisei está escrita em livros sobre a vida que o mesmo fez - "Não precisas de ser rico. Podes ser pobre. Tudo o que precisas é ter um objectivo na vida. E assim serás belo!". Depois de duas horas a ver o filme, esta frase toca a todos. Como tal "Fighter in the Wind" é dramático e sentimental, sem ser lamechas, com uma coreografia de luta espetacular e alguns planos não menos exuberantes. É sobre alguém que desafia tudo e todos e conquista o mundo. Uma excelente combinação do cinema típico de acção de Hong Kong com os já habituais melodramas coreanos. Combinação que provou ser brutal neste filme. Tal como li por aí, um filme que não é apenas para ser ver com os olhos, mas com o coração. Saber que é auto-biográfico enche-nos de força. Viva o cinema asiático.

domingo, dezembro 19, 2004

The Butterfly Effect (2004)

"Efeito Borboleta" é um filme sobre escolhas. Com recursos de montagem muito bons, o filme desenrola num esquema de quebra-cabeças baseado nas falhas de memória de Evan (Ashton Kutcher). Mais tade percebemos que Evan têm um dom precioso: o poder de manipular o tempo através desses blackouts temporais passados, capacidade que herdou do pai, que todos achavam maluco por dizer que o conseguia. Só que sempre que Evan voltava ao passado para remendar algo de mal, as consequências no futuro eram cada vez piores. Sobre a história, não digo mais, vejam mas é o filme. Muito bom e diferente do costume. Todos os desempenhos no filme são muito, mas mesmo muito bons. Até Kutcher consegue estar bem, sem ser a fazer as palhaçadas do costume. Excelente estreia dramática. Mas quem se destaca são aquelas que representam os personagens principais mas com 12, 13 anos. Safaram-se como gente grande, e um olhar como o de Tommy, com aquela idade, na cena do cinema, não é para qualquer um. De resto, uma sensual Amy Smart como já nos habituou.

Efeito Borboleta é um filme que envoca a "Teoria do Caos", teoria essa que defende que "o bater de asas de uma borboleta no Japão, pode causar um tornado nos Estados Unidos". É com esta definição que o filme começa. Mas a ideia principal é que um simples gesto como sair 1 minuto mais tarde de casa por ir beber um copo de água, muda a tua vida para sempre. O facto de ires sair para uma discoteca em vez de ires para outra, podes conhecer alguém que vai mudar a tua vida para a eternidade. E se pensarmos bem, é verdade não é? Não posso ainda deixar de louvar a escolha da música com que o filme encerra. "Stop Crying Your Heart Out", dos Oasis, encaixa que nem uma luva ao final e ao filme em si. Perfeita. Resumindo, "The Butterfly Effect" é um filme original que mexe com os nossos conceitos de tempo, destino e memória, entre outros, tornando-se num filme que podemos amar, de uma forma triste mas não menos apaixonante. Um "Must-See".

segunda-feira, dezembro 13, 2004

The Best of Triumph the Insult Comic Dog (2004)

Detesto marretices... mas isto é muito mais que alguem por trás de um boneco canino. O seu humor é insultuoso, degradante e atinge todos, sejam mulheres, celebridades, putos ou idosos. E fez-me rir que nem um benfiquista que tivesse visto o Pinto da Costa ser enfiado em Alcatraz para o resto da vida. Nesta colecção dos melhores momentos de Triumph (assim se chama o "cão"), é de destacar o da premiere da "Guerra das Estrelas: Ataque dos Clones" e o do concerto no estádio dos Giants de Bon Jovi. De morrer a rir. Só visto mesmo. Nem sequer dou pistas, para não estragar o momento em que o forem ver. O que me fez adorar este género de comédia, foi claramente o poder de improvisação do homem que controla o marreta. Todas os seus ataques estão dependentes das reacções e respostas dos visados, mas Triumph nunca fica por baixo e ataca insultuosamente e originalmente estes. É pena ser só 1 hora e 1 minuto. Mas foi o suficiente para valentes gargalhadas. Humor duro e cru. "They were pooped on".

domingo, dezembro 12, 2004

National Treasure (2004)

"National Treasure" é divertido, apesar de ser um pouco longo (2 horas e 5 minutos). Tal como todas as outras produções de Jerry Bruckheimer, acção, perseguições, aventuras e tudo o mais não faltam. O filme baseia-se na procura de um tesouro dos "Templários", que todos consideram ser apenas um mito, mas que Ben Gates (Nicolas Cage) sente no seu coração ser verdadeiro, devido a todo o esforço na procura do mesmo que os seus antepassados tiveram. A história é pouco credível e isso vê-se logo a milhas quando as personagens precisam de roubar a "Declaração da Independência" americana. Nada que mate o filme, pois este é extremamente viciante devido ao seu guião divertidíssimo, também acompanhado por engraçadas representações de Justin Bartha e Nicolas Cage. O filme tem uma forma de puzzle, em que pista após pista, o tesouro vai ficando mais perto e mais fácil de localizar. Isto faz com que o espectador esteja sempre agarrado ao filme e à espera da próxima aventura. Nicolas Cage, Diane Kruger, Jon Voight e Sean Bean estão bem, mas o destaque vai para o "desconhecido" Justin Bartha, que junta à sua "cómica" personagem, uma grande representação. Pelo misto de aventura e momentos engraçados, recomenda-se a todos os apaixonados dos filmes de Indiana Jones.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Gato Fedorento - Série Fonseca (S1/2003)

Num panorama nacional fossilizado, em que o supra sumo sacrossanto do humor é o sempre eterno Herman, aparecem agora (trinta anos depois do início dos Monty Python) quatro jovens que são uma aragem, uma brisa, uma ventania. Com inteligência e cultura, sem cair no grosseiro ou vulgar, rejeitando o humor boçal mas fazendo também dele a sua fonte de inspiração, os moços passaram de uma sub-corrente humorística a uma loucura nacional. Agarram em situações palermas e ridículas, encenam-nas e dão-lhes a volta, surpreendem-nos com a sua perspicácia. É impossível não vermos retratado o 'povinho' português - mas todo o povinho, eu incluído - e o seu quotidiano nas suas satirizações, não nos rirmos de nós próprios... Miguel Góis, Tiago Dores, Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela são nomes que já se demarcaram há muito no humor português.

Começaram todos como criativos nas 'Produções Fictícias', onde escrevem textos de humor por encomenta (Herman José e Maria Rueff são alguns dos clientes habituais). Em conjunto começaram um blog com o nome 'Gato Fedorento', onde postavam textos humorísticos de grande qualidade. Era notório que todos participavam do mesmo conceito de humor e tinham um grande talento... tanto que o blog conquistou fãs por todo o lado. Os meios são escassíssimos, filmam em cenários da Sic ou em exteriores, sempre com um amadorismo cativante. Os autores não são actores, mas são eles que pegam nos textos e os interpretam; não têm a veleidade de se querer fazer passar por actores, e é a sua simplicidade, honestidade e espontaneidade que cativam. Os textos brilhantes apagam o amadorismo da representação, o ritmo de humoristas sabe dar a volta à escassez técnica. A série Fonseca - assim chamada por as personagens se chamarem sempre Fonseca - está integralmente neste DVD, todos os episódios, num total de 13, a que acrescem 10 sketches do 'Perfeito Anormal' e um documentário inédito. Ficam assim bem compensados os 27,95 euritos que se desembolsam. Resumindo, originalidade, qualidade e sentido de humor aguçado, a satirização do absurdo do quotidiano. Simplesmente Maravilhoso. Mais de 5 horas de sketches. O Melhor DVD de sempre com a palavra Bidé na capa! Sem dúvida!

Nota de Editor: Texto quase total da autoria de LisaB do Livra.PT, o qual quis aqui sublinhar.

quinta-feira, novembro 25, 2004

2001: A Space Odyssey (1968)

Daisy daisy give me your answer doooooooooooo. Palavras sábias retiradas devido ao Pedro Cinemaxunga!

quarta-feira, novembro 24, 2004

Before Sunrise (1995)

Um rapaz (Ethan Hawke) e um rapariga (Julie Delpy) conhecem-se num comboio a caminho de Viena. Têm poucas horas para estar juntos, visto que cada um no dia seguinte parte para um local diferente. Ele volta para a América, ela vai para Paris dar aulas. Tudo neste filme podia ser real. É impressionante a forma como o realizador Richard Linklater consegue conjugar o diálogo e o espaço (Viena) em tamanha harmonia. Só este aspecto, torna este filme uma pequena obra de arte. Quando as personagens se apresentam no comboio, a minha reacção inicial foi: "Esta miúda não é nada de especial!" E com o passar do tempo, pouco a pouco, ela torna-se mais atraente, até que no fim, digo: Esta "gaija" é simplesmente soberba. E tudo graças aos maravilhosos diálogos. Olhei para ele como se tivesse a representar o papel de Ethan Hawke.

Toda esta história poderia ser bem real (e já aconteceu muita vez certamente). E tudo porque este filme é conversa, conversa e mais conversas. Basicamente é um passeio por Viena durante a madrugada, falando sobre tudo e mais alguma coisa, desde a bíblia, reencarnação, sexualidade ou até a programação dos canais por cabo. E é esta simplicidade que torna este filme "espectacularmente" belo. "Before Sunrise" é sobre a vida, romance e amor. Este mostra o valor das pequenas coisas, como a linguagem corporal. Existe uma cena onde Jesse ia acarinhar Celine no cabelo e envergonha-se à ultima hora. Outra em que ambos cantavam uma música de amor e nervosamente tentaram evitar contacto olho-a-olho. Todos esses sinais de amor, que nem todos se apercebem. Podia dizer muito mais do filme, mas só resta mesmo recomendá-lo a todos os apaixonados e amantes. Se não o forem, este filme poderá ser altamente secante. Vejam-no com a vossa namorada. Ela vai gostar certamente.

segunda-feira, novembro 22, 2004

Bond Girls Are Forever (2002)

Primeira conclusão óbvia ao fim de 10 minutos de documentário: Bond Girls are NOT Forever. Porra, é cada uma mais velha que a outra, cheias de jóias pesadas até às unhas e a dizerem todas ao se verem nos excertos dos seus filmes, "Ai, nem pareço eu"! Pudera. Neste documentário de 2002, lançado logo após o ultimo filme "Die Another Day", e apresentado por uma também ex-Bond Girl, Maryam d'Abo, é mostrada a influência que ter pertencido a esse restrito clube de mulheres teve nas suas vidas. Mas esqueceram-se que os homens é que querem ver estes documentários e fizeram um documentário para "gajas". No entanto, destes 40 minutos de "Ai, fiquei famosa, o Sean Connery deu-me uma palmadinha no rabo e ainda hoje sou reconhecida na rua", deu para ver a beleza que as primeiras Bond Girls (essas sim um verdadeiro mito, não Halle Berry's e outras mais recentes) como Ursula Andress (Honey no 1º James Bond, Dr.No) irradiavam. Aliás é bem mostrado neste documentário que são as primeiras 3 ou 4 Bond Girls que tornam o filme numa autêntico sucesso e que são elas mesmo a razão de toda a publicidade em volta do filme. Aparecer nos anos 50 ou 60, mulheres de biquini, atléticas e esbeltas foi uma autêntica bomba entre os homens. Todos queriam ser o James Bond, não para ter uma arma, mas sim para "arrancar" um bocado de carne às meninas. Até mete dó as ter visto agora, com 70 anos, velhas que nem umas garrafeiras de vinho do Porto (mas estas não ficam melhores com o tempo). Enfim, um must-see para os Bond Addicted, um "deixa-me ver em vez de estar a coçar a tomateira deitado na cama" para os apreciadores de uns bons corpitos femininos de à umas décadas e um "Não toco nisso nem que me obriguem a dar um beijinho à Lili Caneças" para o mais normal do cinéfilo.

sexta-feira, novembro 19, 2004

Dai si gein (2004)

"Breaking News". É este o título americano para esta produção de Hong Kong, do já aclamado realizador Johhnie To. Esta obra de acção retrata as relações entre um grupo de bandidos, a polícia de Hong Kong e toda a comunicação social sedente de informação e confusão, de forma a gerar audiências. Através deste "triângulo", Breaking News tenta ser moralista e colocar esse problema actual a todos. Mas não é por aí que o filme funciona. "Dai si gein" é quase uma obra de arte em termos de realização. Nos primeiros 10 minutos, ocorre uma violenta e elaborada cena de tiroteio entre a policia e os "mauzões". Até aí, nada fora do normal. E se eu vos disser que toda essa cena foi filmada numa única sequência, com uma única camera e que o resultado é simplesmente espantoso? Isto é único e espectacular meus amigos. Daí por diante, o filme continua com excelentes planos, um bom estudo de personagens e uma tentativa de mostrar e criar polémica em volta do assunto, mostrando o lado bom e mau dos media. Se estes têm o poder de mostrar a verdade, também o têm de a manipular. Mas quanto ao argumento, não vou divagar mais. O que me faz escrever esta crítica é a notável fotografia e trabalho de camerã do realizador. O que não gostei mesmo no filme foi das representações. À excepção do mauzão Richie Ren, mais nenhum desempenho me convenceu. E os asiáticos até costumam ser muito bons nisso. A banda sonora está ao nível do restante trabalho artístico, ou seja, muito boa. Com uma história um pouco mais convincente e um melhor elenco, julgo que este filme poderia ter sido um autêntico marco no cinema. Algo não funcionou. Mas o trabalho de Johnnie To, foi excelente.

quinta-feira, novembro 18, 2004

The Big Empty (2003)

Neste filme independente, que estreou Steve Anderson como realizador, são inevitáveis as comparações ao estilo de David Lynch. Quem o vir perceberá porquê. "The Big Empty" é um filme completamente lunático e estranho mas que agarra por completo o espectador ao televisor. A fotografia é do mais belo que já vi em cinema independente e trata o mundo como se este fosse um lugar de beleza absurda e misteriosa. A sinopse diz tudo: "Cowboys, extraterrestres, malas azuis e bolas de bowling... coisas estranhas estão a acontecer no meio do nada!". Já perceberam onde quero chegar?
Mas esta confusão é o que faz o sucesso e o insucesso do filme perante toda a esfera cinematográfica. O que significa todo aquele simbolismo (A cor azul, o número 11, a fechadura que ninguém consegue abrir etc...), qual o objectivo de todo o filme? Mas o que raio acabou de se passar aqui? A verdade é que todos ficam a pensar nisso. O final é aberto e isso torna ainda tudo muito mais confuso e sem sentido. Fica à interpretação de cada um. Uns ficarão furiosos por não haver explicação nenhuma, mas os mais crentes tirarão concerteza grandes valores do filme. Mas o problema é esse. Anderson ao não tentar dar qualquer direcção ao filme acaba por o matar um pouco, fazendo com que a sua aceitação não fosse maior e que o filme passasse directamente para video. Acabo mais uma vez um filme com aquela sensação que, neste caso, Anderson tenta mostrar o tão artistico que é e o "Sou tão Inteligente" a fazer filmes. Mas enfim, para primeira experiência, realmente tenho que admitir: Promete. Um elenco de luxo (Darryl Hannah, Rachel Leigh Cook e o famoso Frasier de Cheers ou até da sua própria Sitcom) junta-se ao principal e desconhecido Favreau com interpretações simples mas impressionantes que transmitem uma ideia de confiança e muito talento. No final, percebemos que passamos por uma experiência confusa mas de grande arte técnica. Para dar ideia, o filme acaba com uma bola de bowling a rolar pelo deserto. Cada um tirará as suas conclusões. A minha é que este filme é sobre aqueles que passam toda uma vida num silencioso desespero, à espera de uma oportunidade única para mudar o seu destino. Certo? Errado? Nunca ninguém me poderá dizer, nem mesmo Steve Anderson.

quarta-feira, novembro 17, 2004

Fargo (1996)

Inteligentemente mórbido e supostamente baseado numa história veridíca, Fargo é uma espécie de história "a le" Pulp Fiction, onde um vencedor de carros com problemas monetários (William H.Macy) contrata dois criminosos (Steve Buscemi e Peter Stormare) para estes raptarem a sua mulher e dividirem o dinheiro do resgate do sogro entre os três. Fargo tenta ser uma comédia negra, mas séria. Na minha opinião não consegue ser as duas. Uma coisa é fazer uma comédia negra, outra fazer um filme sério. Para mim, existe sim um tipo de humor absurdo durante todo o filme. Mesmo baseado em acontecimentos reais, é difícil levar este filme a sério. Porquê? Porque não existem personagens substanciais, que nos toquem. Todos são puras caricaturas das vários tipos de figuras humanas que por aí existem.

É fácil admirar o que os Coen tentam fazer em Fargo, mas dificil gostar do filme. A ausência de limites nos acontecimentos dramáticos e nas personagens, fazem com que Fargo seja mais um exercício intelectual do que um filme marcante. Sim, eu sei que 95% dos que já viram o filme, consideram-no uma obra prima. Basta ver a sua média no IMDb. Os Coen partilham o gosto por diálogos originais de Quentin Tarantino... mas não conseguem chegar nem por sombras ao nível deste. O que conseguem sim é uma brilhante fotografia, muito em torno do frio e da neve. O filme acaba e nada mais ficou em mim que um sentimento vazio que estive a ver um filme completamente sem objectivo e sentido nenhum, que deixa praticamente tudo por explicar: O que acontece à pasta que foi enterrada com o dinheiro? O que acontece ao chinoca que aparece no filme? Para que é que ele sequer apareceu no filme? Enfim, decidi fazer esta critíca porque todos consideram Fargo uma obra-prima. E eu não o percebo. Repito, percebo a sua intenção e acho um filme inteligente. Mas ter uma boa ideia não basta.

terça-feira, novembro 16, 2004

24 (S2/2002)

Quando pensei começar a ver esta segunda temporada da frenética "24" e reparei que todo o elenco era o mesmo, fiquei algo duvidoso se a qualidade iria ser a mesma da grande temporada de estreia. Iria esta conseguir manter a originalidade, conceito e frescura de ideias, novamente com as mesmas pessoas envolvidas? Toda aquela confusão num único dia, novamente com as mesmas pessoas? Pouco consistente e muito improvável! Bem, dez minutos após começar o primeiro episódio e a resposta era clara. Sim consegue e sim, vai ser espetacular novamente. A acção toma parte aproximadamente um ano após o trágico dia de acontecimentos da primeira temporada. Jack está desempregado, mal com a vida mas algo faz com que seja "obrigado" a voltar ao trabalho: Um ataque nuclear é planeado contra os Estados Unidos e o presidente quer Jack na frente da investigação.

Será que Jack Bauer (o cada vez melhor Kiefer Sutherland) vai conseguir impedir que a bomba exploda em Los Angeles? O que vai acontecer pelo meio? Bem, só o tempo o dirá, mais precisamente 24 horas (24 episódios como sabem). Sobre a história desta segunda temporada, não vou dizer mais nada de específico. Esta ainda está a 4 ou 5 episódios do seu final na 2 da RTP e não quero ser um desmancha prazeres. Mas posso dizer, que para mim esta segunda temporada perde muito em relação à primeira no seu final. Ao contrário da primeira, que pouco a pouco nos ia captivando e que o grande finale é excelente, esta manda tudo de uma vez nos primeiros 13, 14 episódios, ficando, na minha opinião os restantes um pouco menos interessantes, sendo que o fim para mim foi, numa palavra, mau! No entanto não deixa de ter sido uma excelente temporada, e estou desejoso de começar a ver a terceira. Foram tempos que não vi um único filme para conseguir ver estes 24 episódios (24 horas da minha vida, que contando com a primeira temporada, já fazem 2 dias da minha vida a ver a lindissíma Elisha Cuthbert na personagem de filha de Kiefer Sutherland). Ficam assim as minhas desculpas por tanto tempo sem criticas. Tentarei manter o passo daqui em diante. DVD's desta segunda e terceira temporada, só mandando vir de fora e sem legendas em português. Mas vale a pena.

domingo, outubro 24, 2004

Casablanca (1942)

Antes de tudo, aqui fica a explicação para as minhas mais recentes criticas serem a filmes mais antigos que ficaram na minha memória: Estou completamente viciado na segunda temporada da série 24 e não tenho feito outra coisa no meu tempo livre que não ver a mesma. E se continuar assim, o mais provável é começar logo a ver a terceira temporada mal terminar a segunda. Agora vamos falar de Casablanca.De entre as obras vencedoras do Óscar para melhor filme, Casablanca é a mais amada. Este melodrama romântico que decorre durante a 2ª Guerra Mundial, apresenta como mais nenhum outro na história da sétima arte, desempenhos de culto, falas inesquecíveis, clichés instantâneos e insolência hollywoodesca a rodos. Num misto de bar e casino e ao som de uma melodia inesquecível ("As Time Goes By"), Rick (Humprey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) recordam como era simples a vida em Paris, antes de a guerra tudo ter amargado. E sobre o enredo e o argumento mais não digo. Não quero estragar esta pérola do cinema a alguém que ainda não a tenha visto. Casablanca, de 1942, é filmado com tanta confiança e tão pouco espalhafato, que tudo parece fluído, sem remendos ou suturas. E, no entanto, diz-se que o roteiro era reescrito diariamente, de tal modo que a própria Bergman, antes da rodagem da cena final, ignorava o que iria fazer na mesma. O estatuto de culto da obra deriva, entre outras coisas, do sentido de incompletude que veicula. Casablanca ousa deixar as suas personagens - literalmente - ora no ar, ora no meio do deserto, cabendo, assim, aos espectadores, que ao longo dos anos têm assistido à película, imaginar o futuro de Rick, Ilsa, Victor ou Renault durante os últimos e turbulentos anos da 2ª Guerra Mundial. Imperdível.

sexta-feira, outubro 22, 2004

Scarface (1983)

A versão actualizada de Brian de Palma do filme clássico de Howard Hawks "Scarface - O Homem Cicatriz", é sangrenta, excessiva, revoltante e brilhantemente feita. Contém ainda uma inesquecível e teatral interpretação de Al Pacino. Esta versão de Brian de Palma é sem dúvida um dos filmes que mais estuda a frágil condição da identidade masculina e das políticas do poder, neste caso, da Máfia. O filme principia com material documental que se reporta à nova vaga de refugiados cubanos inundando os Estados Unidos. Tony Montana (Al Pacino) é um deles e chegando à "América" depressa se apercebe que o crime e o assasínio são a melhor forma de escapar ao gueto imigrante. A sua ascensão e queda como gangster moderno são retratadas num estilo espetacular e gárrulo. Esta obra é para mim, além desse estudo sobre a identidade masculina e do poder, uma grande narrativa de auto-consciência absolutamente apocalíptica. Isto porque existe uma autêntica obessesão de Tony Montana pelo medo da perda inexorável de poder. Os sonhos são de comando absoluto por parte de Tony - sobre o seu próprio corpo, sobre os corações que o rodeiam e sobre o terreno do seu império criminal. O melhor de Brian de Palma. Um dos melhores filmes-catástrofe da história do cinema, que termina com um slogan irónico mas que nos faz pensar: "O Mundo é Teu!"

terça-feira, outubro 19, 2004

24 (S1/2001)

"24" não é apenas uma das mais inovadoras séries em anos, mas também a mais enigmática, imprevisível e realista a passar actualmente nas televisões de todo o mundo. Com a sua acção a decorrer em tempo real, a série ganha uma intensidade enorme. Se a isso juntarmos um elenco de luxo e um história guião absolutamente electrificante, é impossível resistir à mesma. Como cada episódio representa uma hora de um dia completo (como tal, cada temporada são 24 episódios), é quase impossível seguir a história e os seus desenvolvimentos se perdermos um único episódio. Como tal, a melhor solução é mesmo comprarem os fabulosos DVD's desta primeira temporada. Não se irão arrepender, garanto-vos. Kiefer Sutherland brilha como a estrela principal desta série televisiva, representando um agente governamental que trabalha numa Unidade de Contra Terrorismo (CTU), uma agência que tenta prevenir qualquer ataque terrorista direccionado aos Estados Unidos.

Esta primeira temporada de "24" ocorre no dia das eleições presidenciais primárias na Califórnia, onde a CTU recebe a informação que haverá uma tentativa de assasinato ao Senador David Palmer (Dennis Haysbert), um dos candidatos à presidência. Jack Bauer (Kiefer Sutherland), passa as seguintes 24 horas numa autêntica maratona em Los Angeles tentando descodificar e solucionar toda a conspiração que envolve a campanha do senador, que acaba por envolver muitas outras questões, como vai acabar por descobrir. Mas não é tudo. Ao mesmo tempo, a sua filha Kimberly (a deliciosa Elisha Cuthbert) e a sua mulher Teri (Leslie Hope), são sequestradas. Tudo no mesmo dia, electrizante. "24" é apresentada em DVD na sua versão original em formato Widescreen, tendo sida também tratada a sua imagem, apresentando agora uma imagem brilhante, com cores que saltam do ecrã e nos fazem viver cada episódio ainda mais intensamente. Mas nem tudo são estrelas... os extras são praticamente nulos e o fim alternativo apresentado é melhor nem verem! Fiquem pelo original, esse sim excelente. Posso adiantar, que estou neste momento a meio da segunda temporada, e estou também a adorar. É capaz de não haver mais nenhuma que supere a primeira, pois é a original. Mas fica para mais tarde a critíca à segunda temporada. Com esta temporada de estreia, "24" tornou-se uma das mais audaciosas, excitantes e originais séries de sempre. Como tal a nota não poderia ser outra que não 10.

terça-feira, outubro 12, 2004

The I Inside (2004)

É inevitável fazer esta comparação: "The I Inside" é uma tentativa de imitação de "The Butterfly Effect" mas noutra perspectiva. No "Efeito Borboleta" a personagem voltava mesmo atrás no tempo, aqui tudo acontece dentro da sua cabeça. Mas a conclusão é a mesma: Qualquer coisa que façamos altera tudo no percurso mas o destino final mantêm-se. É inevitável". O filme cativa logo imenso do principio, agarra-nos à história e mesmo com tudo o que se vai sucedendo ser bastante (bastante mesmo) prevísivel, ficamos sempre com atenção à espera do que virá a seguir. "The I Inside" é um thriller puramente psicológico sobre um homem que acorda num hospital com amnésia sobre os seus últimos dois anos de vida. É assim que o filme começa. O filme é um puzzle em que cada cena que passa, o espectador vai juntando uma peça, outra e outra, para chegar ao fim e perceber que tudo aquilo foi fachada. Gostei muito dos desempenhos do Ryan Phillippe e da Piper Perabo e do design e estilo com que o filme foi gravado. No entanto, fica muito longe do que poderia ter sido, e já vi filmes sobre o mesmo assunto muito melhores. Não é que o filme seja mau, mas para mim acaba por ser um bocado vago e mal explorado, devido ao fim mais filosófico e com o objectivo de passar uma mensagem clara ao espectador.

segunda-feira, outubro 11, 2004

Nochnoj Dozor (2004)

Bem, primeiro de tudo, dizer que esta foi a minha primeira experiência no cinema russo. Como tal não posso comparar com qualquer outro filme da mesma escola, razão qual as minhas comparações serão entre este filme e Hollywood. Timur Bekmambetov, nome completamente desconhecido até hoje para mim, consegue impôr neste filme uma edição de video e um conjunto de planos de camera completamente brilhantes e estilosos, suficientes para os irmãos Wachowski lhe pedirem de joelhos o seu segredo e ficarem com inveja de não os terem usado na sua triologia Matrix.

"Night Watch" começa de uma forma bastante prometedora, com um prólogo que tem lugar num tempo passado indeterminado, que conta a história dos encontros entre as Forças da Luz e as Forças das Trevas. Quando estas se apercebem que nunca ninguém leva a melhor e que estão ao mesmo nivel, fazem um pacto. Rapidamente voltamos ao presente, onde Anton vai na sua primeira missão: matar um vampiro que quebrou o pacto. E assim começa o filme. Se a sinopse já parece bastante confusa, ainda não viram nada. O filme começa e rapidamente apareçem "resmas" de personagens que parecem ser importantes, mas que de verdade, não interessam para nada. Da mesma forma "paletes" de acções e histórias que mais tarde se descobrem, também não serviram para nada. Começa tudo a tornar-se muito confuso, começa-mos a navegar no filme (2 horas tambem não ajuda nada) e no fim cheguei a uma conclusão: A ideia, história é excelente, os efeitos especiais e realização é óptima, mas para quê tanta confusão? Tantos elementos desnecessários. Eu desconfio que essa confusão é criada de propósito, pois não há durante o filme qualquer tipo de tentativa de explicação desses factores. Mas para mim era desnecessário.

Para terminar, a informação que já estão a preparar mais dois filmes, de forma a fazer a primeira triologia do cinema russo. Na Rússia este foi o maior blockbuster de sempre. Sinceramente, o fim do filme e mesmo a história em si dá para fazer a brincar mais dois filmes, não sei é se será boa ideia e não irá arruinar o sucesso deste primeiro (tal como para muitos aconteceu com a triologia dos irmãos Wachowski).

domingo, outubro 10, 2004

Collateral (2004)

Fica provado neste filme: Tom Cruise não consegue representar mal. Seja qual fôr o papel. Considerem este filme mais uma pérola, naquela que é, digam o que disserem uma das filmografias mais interessantes de Hollywood. Todos os seus projectos são ambiciosos e normalmente sucessos de bilheteira. Neste filme, Tom Cruise consegue criar uma nova e rara personagem: Um "hitman" sem qualquer remorsos e de sangue frio, mas que consegue transmitir ao publico o charme, força e credibilidade da personagem apenas pelo seu estilo. Quanto a Michael Mann, consegue, e melhor que qualquer outra das vezes, mostrar a sujidão e podridão da vida em Los Angeles. Tal como havia feito em Heat e Thief (dos que vi). Adorei os seus planos, a filmagem toda de noite, a forma como mostra a cidade e a introspectiva que faz da vida de um ser humano e como a vida é sempre a perder e sem sentido. Os Close-ups, a que Mann já nos habituou estão novamente excelentes e dão uma sensação de realismo a quem vê o filme. E é esta perpectiva moral que dá profundidade ao filme e que vai fazer muitos o adorarem, pois o filme não é totalmente imprevisivel. Vão perceber o que quero dizer quando o virem. Não leva 10 por isso e por aquelas eternas cenas que só acontecem nos filmes e continuam a acontecer: Telemovel ficar sem bateria exactamente quando é necessário; Policia ser chamada exactamente quando vai descobrir tudo etc.. etc... Por favor, e que tal um pouco de imaginação? Mas adorei o filme. Está muito boa a dupla Cruise/Foxx.

sábado, outubro 09, 2004

Inauguração

Caros Cinéfilos,

É com muito prazer que dou início a este blog de cinema em português.

E o resto é conversa. Que venham as críticas diárias.